2013: O exoplaneta mais tórrido já descoberto tem valiosas terras raras

NASA / JPL-Caltech

A 650 anos-luz da Terra, o KELT-9 b, o exoplaneta mais quente até agora descoberto, tem assinaturas de alguns dos cobiçados minerais de terras-raras. 

Além das assinaturas de ferro gasoso e titânio encontradas na sua atmosfera, a nova investigação, cujos cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics, aponta também para assinaturas de sódio, magnésio, crómio e escândio, bem como ítrio.

KELT-9 localiza-se na constelação de Cygnus. O seu exoplaneta – KELT-9 b – exemplifica o exemplar mais extremo de um Júpiter quente, uma vez que orbita muito perto do seu astro, que é duas vezes mais quente do que o Sol.

Com este calor, todos os elementos acabam por vaporizar quase por completo e as moléculas são divididas nos seus átomos constituintes, tal como acontece nas camadas externas das estrelas. Ou seja, a atmosfera deste mundo não contêm nuvem nem aerossóis, e o céu é claro, principalmente à luz da sua estrela.

Com esse calor, todos os elementos vaporizam quase completamente e as moléculas são divididas em seus átomos constituintes, como nas camadas externas das estrelas. Isso significa que a atmosfera não contém nuvens ou aerossóis e o céu é claro, transparente na sua maioria à luz da sua estrela.

Os átomos que compõem o gás na atmosfera absorvem a luz em cores muito específicas no espectro, e cada átomo tem uma “impressão digital” única das cores que absorve. Estas impressões digitais podem ser medidas com um espectrógrafo sensível instalado num telescópio de grandes dimensões, que permite aos astrónomos estuda a composição química das atmosferas dos planetas que estão a muitos anos-luz de distância.

Uma equipa de cientistas recorreu agora a esta técnica, tendo descoberto algo muito interessante: “Recorrendo ao espectrógrafo HARPS-North no Telescópio Nacional Italiano, na ilha de La Palma, encontramos átomos de ferro e titânio no ambiente tórrido do KELT-9 b”, explica Kevin Heng, diretor e professor no Center for Space and Habitabilty (CSH) na Universidade de Berna, na Suíça, citado em comunicado.

A equipa observou o sistema KELT-9 pela segunda vez no verão passado, visando confirmar detecções anteriores, mas também procurar elementos adicionais. O estudo incluiu 73 átomos, alguns quais metais de terras raras.

Tal como o nome indica, as terras raras são elementos incomuns na Terra, apesar de serem altamente cobiçados pela sua utilidade em materiais e dispositivos tecnológicos avançados, podendo ser usadas em baterias de smartphones ou carros eléctricos. Na tabela periódica, estas “preciosidades” posicionam-se na segunda linha a partir da parte inferior, indo do elemento com o lantânio ao lutécio, abrangendo ainda o escândio o ítrio (39).

Os elementos que constituem o grupo das terras raras foram inicialmente isolados sob a forma de óxidos, recebendo então a designação de “terras”, à época a denominação genérica dada aos óxidos da maioria dos elementos metálicos. Por apresentarem propriedades muito similares e por serem de difícil separação, foram considerados “raros” – tendo daí resultado a denominação terras raras, ainda hoje utilizada.

“A nossa equipa previu que o espectro deste planeta poderia funcionar bem, ser um tesouro onde pode ser possível detectar uma infinidade de compostos que não foram observados na atmosfera de qualquer outro planeta até então”, afirmou Jens Hoeijmakers, do CSH), outro dos autores do estudo.

“Com mais observações, muitos mais elementos podem ser descobertos utilizando a mesma técnica na atmosfera deste planeta no futuro, e talvez também possamos encontrar estes elementos noutros planetas com temperaturas igualmente altas”, completou.

Heng completa, considerando que a descoberta pode ser importante para várias áreas científicas, entre as quais a Astrobiologia. “As possibilidades de um dia encontrarmos as chamadas bio-assinaturas, ou seja, sinais de vida, num exoplaneta, recorrendo às mesmas técnicas, são boas (…) Em última análise, queremos usar a nossa pesquisa para entender a origem e o desenvolvimento do Sistema Solar, bem como a origem da vida”, rematou.

SA, ZAP //

Por SA
20 Maio, 2019

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120: A bactéria mais famosa do mundo vai ao espaço estudar resistência a antibióticos

(cc) NIAID
Bactérias E.coli vistas ao microscópio electrónico

Este Domingo foi lançada para o espaço a missão Cygnus que, para além de abastecer a Estação Espacial Internacional, levou consigo o satélite E. coli AntiMicrobial (EcAMSat) para testar como as micro-bactérias se desenvolvem em micro-gravidade.

A agência espacial norte-americana, NASA, realizou este domingo com sucesso o lançamento da missão Cygnus, uma missão não tripulada de abastecimento à Estação Espacial Internacional, ISS.

A missão Cygnus entregou cerca de 3,3 toneladas de alimentos, equipamentos e materiais para experiências científicas. No entanto, desta vez levou consigo um dos agentes patogénicos mais conhecidos, responsável por milhões de infecções e doenças – a bactéria E. coli.

A famosa Escherichia coli vai participar num estudo de resistência a antibióticos, um fenómeno que está a aumentar à escala global, preocupando a comunidade médica e científica.

A experiência irá examinar a forma como a micro-gravidade prejudica a capacidade da E.coli de se reproduzir quando exposta a antibióticos. Em comunicado, a NASA afirmou que “o efeito dos voos espaciais sobre a resistência bacteriana da E.coli, assim como a sua base genética, serão demonstrados” nesta experiência.

Desde que os seres humanos começaram a usar antibióticos, em meados do séculos XX, bactérias patogénicas como a E.coli desenvolveram novos genes que os tornaram cada vez mais resistentes a antibióticos.

De acordo com a agência espacial, este problema pode representar um grande perigo para os astronautas, tendo em conta que no espaço o sistema imunológico se debilita.

Os especialistas estão confiantes de que os resultados desta experiência podem ajudar a projectar contra-medidas eficazes para proteger a saúde dos astronautas durante as missões espaciais de longo prazo.

A experiência irá determinar a menor concentração de antibiótico que inibe o crescimento bacteriano. O conhecimento adquirido nesta experiência pode ser útil para prescrever a dose correta de antibióticos para futuros viajantes espaciais.

Na Terra, este estudo irá ajudar a entender como o microorganismo responde a vários “níveis de stress” e diferentes concentrações de antibióticos, para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes.

A E.coli, à semelhança de outras bactérias, mostrou uma resistência crescente ao longo do tempo, levando ao aparecimento de super-bactérias. Perante estes microorganismos, os cientistas sentem-se impotentes dado que, mesmo tentando combatê-las, poderiam fazer com que se desenvolvessem ainda com maior resistência.

ZAP // NASA / Space

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