2224: NASA encontra nuvens de metano em Marte (e aguarda notícias de vida)

NASA / JPL-Caltech
Auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity, da NASA

A sonda espacial Curiosity, da NASA, detectou elevado níveis de emissão de metano na superfície de Marte. A presença do gás, normalmente produzido por seres vivos, pode ser evidência de vida bacteriana no planeta vermelho.

A descoberta, que aconteceu durante uma medição realizada na passada quarta-feira pela sonda Curiosity: o rover detectou nuvens com elevados níveis de metano em Marte. Os dados chegaram à Terra na sexta-feira, deixando em euforia os cientistas da NASA.

A agência espacial norte-americana ainda não anunciou a descoberta, que foi divulgada este sábado pelo jornal norte-americano The New York Times.

“Perante este resultado surpreendente, reorganizámos o fim-de-semana para conduzir experiências de confirmação”, diz o cientista responsável pela missão, Ashwin Vasavada, num email dirigido à sua equipa, a que o jornal norte-americano teve acesso.

A presença no Planeta Vermelho de níveis significativos deste gás, que normalmente é produzido biologicamente, poderá ser um indício da existência de vida microbiana em Marte.

Em 2012, o Curiosity esteve à procura de metano no planeta vermelho, sem sucesso. No ano seguinte, a sonda detectou um pico repentino, de 7 partes por mil milhões, que se manteve observável durante dois meses.

A Curiosity detectou agora 21 partes por mil milhões de volume de metano — a maior quantidade alguma vez medida durante as missões de exploração que a NASA conduz desde 1972 em Marte. O rover não é, no entanto, capaz de determinar a origem do metano descoberto.

A descoberta deste nível de metano à superfície do planeta reforça a esperança de que possa ter havido algum tipo de vida em Marte – nomeadamente vida microbiana – e que os seus descendentes possam ter sobrevivido no subsolo até hoje.

Mas apesar de a maior parte do metano produzido na Terra ser de origem biológica, há também metano produzido por reacções geotérmicas, não biológicas.

É portanto possível que o metano encontrado seja de origem geológica e tenha estado retido no subsolo de Marte durante milhões de anos — escapando agora através de alguma eventual fenda.

Thomas Zurbuchen, administrador da NASA e director da missão, confirmou entretanto a notícia no seu perfil no Twitter, mas salienta que é necessário aguardar mais resultados. “Sendo esta uma descoberta excitante, não significa necessariamente que haja vida em Marte, porque o metano pode ser criado por interacções entra água e rochas”.

Thomas Zurbuchen @Dr_ThomasZ

.@MarsCuriosity rover found the largest amount of methane ever measured during the mission. Although this is an exciting discovery, it doesn’t necessarily mean life exists because methane can be created through interactions between rocks & water. Details: https://www.nasa.gov/feature/jpl/curiosity-detects-unusually-high-methane-levels 

Durante o fim-de-semana, a Curiosity recebeu novas instruções e realizou medições de follow-up, para confirmar os dados obtidos a semana passada. Os resultados devem chegar esta segunda-feira à Terra, onde a equipa de Ashwin Vasavada aguarda (com incontida  ansiedade) por um sinal de vida.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

2097: O Curiosity encontrou um enorme depósito de argila em Marte

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

O Curiosity da NASA, que explora a superfície de Marte desde 2012, confirmou a descoberta do maior depósito de argila já encontrado no Planeta Vermelho. 

Tendo em conta que a argila se forma frequentemente na água, a descoberta pode ser especialmente importante para entender o processo desta substância essencial para a vida em Marte, aponta a agência espacial norte-americana em comunicado.

A NASA detalha ainda que a descoberta do depósito de rochas sedimentares confirma que no passado existiu água na cratera de Gale.

O instrumento mineralógico do rover, apelidado de CheMin, forneceu agora a primeira análise das amostras recolhidas na chamada “unidade de argila”. A sonda da NASA encontrou ainda pequenas quantidades de hematita, um mineral de óxido de ferro que é apenas abundante a norte, junto ao cume de Vera Rubin.

A agência espacial observa ainda que é provável que as rochas da área se tenham formado como camadas de lama em lagos antigos, algo que foi já encontrado no Monte Sharp.

Depois, a água interagiu com os sedimentos ao longo do tempo, formando uma grande quantidade de argila nas rochas.

Em Marte desde 2012, o rover Curiosity foi projecto para explorar a superfície de Marte, integrando a missão Mars Science Laboratory.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



Curiosity “prova” primeira amostra em “unidade argilosa”

A Mastcam a bordo do rover Curiosity capturou este conjunto de imagens antes e depois de ter perfurado uma rocha apelidada “Aberlady”, no dia 6 de abril (2370.º dia marciano, ou sol, da missão). A rocha e outras próximas parecem ter-se movido quando a broca foi retirada. Esta foi a primeira vez que o Curiosity perfurou a tão ansiada “unidade argilosa”.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Os cientistas que trabalham com o rover Curiosity da NASA estão empolgados por explorar uma região chamada “unidade argilosa” até desde antes do lançamento do rover. Agora, o veículo finalmente “provou” a sua primeira amostra desta parte do Monte Sharp. O Curiosity perfurou um pedaço de rocha apelidado de “Aberlady” no sábado, dia 6 de Abril (o 2370.º dia marciano, ou sol, da missão) e entregou a amostra ao seu laboratório interno de mineralogia no dia 10 de Abril (sol 2374).

A broca do rover perfurou facilmente a rocha, ao contrário de alguns dos alvos mais duros que enfrentou nas proximidades de Vera Rubin Ridge. Foi um alvo tão mole, na verdade, que a broca não precisou de usar a sua técnica de percussão, útil para capturar amostras rochosas mais duras. Esta foi a primeira amostra da missão obtida usando apenas a rotação da broca.

“O Curiosity está na ‘estrada’ há quase sete anos,” disse Jim Erickson, gerente do projecto do Curiosity no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “A perfuração, finalmente, da unidade argilosa, é um marco importante na nossa jornada Monte Sharp acima.”

Os cientistas estão ansiosos por analisar a amostra em busca de vestígios de minerais de argila, porque estes formam-se geralmente em água. A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA espiou um forte “sinal” argiloso aqui muito antes do Curiosity pousar em 2012. A identificação desse sinal podia ajudar a equipa de cientistas a entender se uma era marciana mais húmida moldou esta camada do Monte Sharp, a montanha com 5 quilómetros de altura que o Curiosity tem vindo a escalar.

O Curiosity descobriu minerais argilosos durante toda a sua viagem. Estas rochas formaram-se como sedimentos fluviais instalados em lagos antigos há quase 3,5 mil milhões de anos. Tal como acontece noutros lugares em Marte, os lagos eventualmente secaram.

O sinal de argila, visto do espaço, trouxe aqui o rover, mas a região claramente tem várias outras histórias para contar. Agora que o Curiosity está a investigar esta área, os cientistas podem olhar em volta como turistas geológicos, encontrando uma paisagem antiga e nova. Existem vários tipos de rocha e areia, incluindo ondulações activas de areia que mudaram no ano passado. Seixos estão espalhados por toda a parte – estão a sofrer erosão do leito local? Vários pontos de referência atraentes, como o “Monte Knockfarril”, também se destacam.

“Cada camada desta montanha é uma peça do quebra-cabeças,” disse Ashwin Vasavada, gerente do Projecto Curiosity no JPL. “Cada uma contém pistas para uma era diferente da história marciana. Estamos entusiasmados por ver o que esta primeira amostra nos diz sobre o antigo ambiente, especialmente sobre a água.”

A amostra Aberlady dará à equipa um ponto de partida para pensar sobre a unidade argilosa. Eles planeiam perfurar várias vezes ao longo do próximo ano. Isto vai ajudar a entender o que torna esta região diferente do cume por trás e de uma área com um sinal de sulfato mais alto na montanha.

Astronomia On-line
16 de Abril de 2019

 

1815: NASA capta dois eclipses solares em Marte. Veja-os aqui

Sonda Curiosity captou no mês de Março imagens das duas luas do Planeta Vermelho, Phobos e Deimos, quando escondiam parte do Sol.

Sonda Curiosity capta imagens de eclipse
© NASA

A NASA alcançou mais um feito em Marte com a sua sonda Curiosity, que captou recentemente, ao percorrer o Planeta Vermelho, imagens de dois eclipses solares. As imagens foram reveladas nesta última quinta-feira.

A 17 de Março foram captadas imagens de um eclipse do Sol provocado por Deimos. Dias depois, a 26 de Março, foi a vez da lua de Phobos provocar o seu eclipse. Desde 2012, quando pousou naquele planeta, que a sonda Curiosity estava preparada para estudar este tipo de acontecimento. Na bagagem levava uma câmara Mastcam, com filtros especiais para tais pesquisas eclípticas.

O momento em que Phobos cruza frente ao Sol
© NASA

Além de ser um verdadeiro espectáculo, os eclipses solares marcianos são considerados pelos cientistas como valiosos em termos de informação, pois eles podem ajudar a aperfeiçoar ainda mais os cálculos das órbitas destas duas luas. É que por serem pequenas, as suas trajectórias mudam frequentemente, não só por serem afectadas pela onda gravitacional de Marte, de Júpiter e até mesmo pela influência que uma provoca na outra. E, nos últimos 15 anos, este conhecimento tem sido aperfeiçoado.

O eclipse com Deimos
© NASA

Tudo porque a partir do momento em que os primeiros robôs da NASA chegaram a Marte, em 2004, começaram logo a recolher informação e a documentar os cientistas sobre os eclipses solares, o que diminuiu em muito a incerteza em torno das órbitas das luas.

Imagens dos eclipses solares a partir de Marte
© NASA

Foi assim que os cientistas descobriram que Deimos, a mais pequena lua de Marte, está 40 quilómetros mais longe do que se pensava.

O registo desses fenómenos não é assim tão raro, mas quanto mais informação for possível captar, mais se contribuirá para a investigação.

Desde que os primeiros robôs começaram a fornecer informação, já foram observados 40 eclipses marcianos de Phobos e oito de Deimos, segundo afirma a NASA.

Diário de Notícias
05 Abril 2019 — 23:08

 

1783: Colisões de asteróides em Marte podem ter produzido “ingredientes-chave” para a vida

JPL-Caltech / NASA
Curiosity / Mars Science Laboratory aproximando-se de Marte, conceito de artista

Um novo estudo revela que os impactos de asteróides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio.

Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra.

O estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteróide. O artigo foi publicado na edição de Janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteróides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte.

Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

“A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteróides,” disse Navarro-González. “Isto foi contra-intuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio.

No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.”

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e “cozinha-as” para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

“O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detectar nitrato em Marte,” disse Christopher McKay, co-autor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. “Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato.”

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

“Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade,” acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, co-investigadora do estudo.

“Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade – um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida – é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro.”

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

Disparos laser mostram que o bombardeamento de asteróides e o hidrogénio são bons “ingredientes” para a “receita” da vida em Marte

Este auto-retrato do rover Curiosity da NASA mostra o veículo na Cratera Gale em Marte. O norte está para a esquerda e o oeste à direita, os limites da Cratera Gale em ambos os lados. Este mosaico foi montado a partir de dúzias de imagens obtidas pelo instrumento MAHLI (Mars Hands Lens Imager) do Curiosity. Foram todas captadas no dia 23 de Janeiro de 2018, durante o sol 1943.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Um novo estudo revela que os impactos de asteróides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio. Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra. o estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteróide. O artigo foi publicado na edição de Janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteróides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte. Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

“A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteróides,” disse Navarro-González. “Isto foi contra-intuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio. No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.”

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e “cozinha-as” para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

“O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detectar nitrato em Marte,” disse Christopher McKay, co-autor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. “Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato.”

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

“Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade,” acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, co-investigadora do estudo. “Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade – um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida – é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro.”

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

Astronomia On-line
29 de Março de 2019

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1557: Rover Curiosity mede gravidade de uma montanha

Imagens, lado a lado, do rover Curiosity (esquerda) e do “buggy” lunar conduzido durante a missão Apollo 16. Os “buggies” lunares foram usados durante as Apollo 15, 16 e 17 para transportar os astronautas, amostras lunares e equipamentos. Durante a missão Apollo 17, um dos equipamentos era o TGE (Traverse Gravimeter Experiment), usado para medir a gravidade. O Curiosity não foi enviado para Marte com gravímetros, mas tem acelerómetros que são usados para navegação. Um artigo publicado na Science, no dia 31 de janeiro de 2019, detalha como estes sensores foram reaproveitados para medir a atracção gravitacional do Monte Sharp, a montanha que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os astronautas da Apollo 17 conduziram um “buggy” através da superfície lunar em 1972, medindo a gravidade com um instrumento especial. Não existem astronautas em Marte, mas um grupo de investigadores inteligentes percebeu que possuem as ferramentas para realizar experiências semelhantes com o “buggy” marciano que estão a operar.

Num novo artigo publicado na revista Science, os investigadores detalham como reaproveitaram os sensores usados para conduzir o rover Curiosity e os transformaram em gravímetros, que medem mudanças na atracção gravitacional. Isto permitiu que medissem o subtil puxão das camadas rochosas na região inferior do Monte Sharp, que sobe 5 quilómetros desde a base da Cratera Gale e que o Curiosity tem vindo a escalar desde 2014. Os resultados? Ao que parece, a densidade dessas camadas rochosas é muito mais baixa do que o esperado.

Tal como um “smartphone”, o Curiosity contém acelerómetros e giroscópios. A localização e orientação do utilizador pode ser determinada através do movimento do “smartphone”. Os sensores do Curiosity fazem o mesmo, mas com uma precisão muito maior, desempenhando um papel crucial na navegação pela superfície marciana em cada viagem. O conhecimento da orientação do rover também permite com que os engenheiros apontem com precisão os seus instrumentos e a antena multidirecional de alto ganho.

Por feliz coincidência, os acelerómetros do rover podem ser usados tal como o gravímetro da Apollo 17. Os acelerómetros detectam a gravidade do planeta sempre que o rover está parado. Usando dados de engenharia dos primeiros cinco anos da missão, os autores do artigo científico mediram a atracção gravitacional de Marte sobre o rover. À medida que o Curiosity sobe o Monte Sharp, a montanha acrescenta gravidade – mas não tanto quanto os cientistas esperavam.

“As regiões mais baixas do Monte Sharp são surpreendentemente porosas,” disse o autor principal Kevin Lewis da Universidade Johns Hopkins. “Sabemos que as camadas inferiores da montanha foram enterradas ao longo do tempo. Isso compacta-as, tornando-as mais densas. Mas este achado sugere que não foram enterradas com tanto material quanto pensávamos.”

Ciência de um “Buggy” Marciano

Os astronautas da Apollo 17 conduziram o seu “buggy” pelo Vale Taurus-Littrow da Lua, parando periodicamente para obter 25 medições. Lewis estudou os campos de gravidade marciana usando dados recolhidos por orbitadores da NASA e estava familiarizado com o gravímetro da Apollo 17.

O artigo científico utiliza mais de 700 medições dos acelerómetros do Curiosity, obtidas entre Outubro de 2012 e Junho de 2017. Estes dados foram calibrados para filtrar o “ruído”, como os efeitos da temperatura e a inclinação do rover durante a sua subida. Os cálculos foram então comparados com os modelos dos campos de gravidade de Marte para garantir a precisão.

Os resultados também foram comparados com as estimativas de densidade mineral do instrumento CheMin (Chemistry and Mineralogy) do Curiosity, que caracteriza os minerais cristalinos em amostras de rochas usando um feixe de raios-X. Esses dados ajudam a informar quão porosas são as rochas.

Montanha Misteriosa

Existem muitas montanhas dentro de crateras ou ravinas em Marte, mas poucas chegam perto da escala do Monte Sharp. Os cientistas ainda não sabem ao certo como a montanha cresceu dentro da Cratera Gale. Uma ideia é que a cratera foi preenchida com sedimentos. A que percentagem, continua a ser um tema de debate, mas o pensamento é que muitos milhões de anos de vento e erosão eventualmente acabaram por escavar a montanha.

Se a cratera tivesse sido preenchida até aos rebordos, todo esse material deveria ter pressionado ou compactado as muitas camadas de sedimentos finos por baixo. Mas o novo artigo sugere que as camadas inferiores do Monte Sharp foram compactadas apenas 1 a 2 quilómetros – muito menos do que se a cratera tivesse sido completamente preenchida.

“Ainda há muitas dúvidas sobre o desenvolvimento do Monte Sharp, mas este artigo acrescenta uma importante peça ao quebra-cabeças,” disse o co-autor do estudo Ashwin Vasavada, cientista do projecto Curiosity do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “Estou muito contente que cientistas e engenheiros criativos ainda encontrem formas inovadoras de fazer novas descobertas científicas com o rover,” realçou.

Lewis disse que Marte tem muitos mistérios além do Monte Sharp. A sua paisagem é como a da Terra, mas esculpida mais pelo vento e pela areia do que pela água. São irmãos planetários, ao mesmo tempo parecidos e completamente diferentes.

Astronomia On-line
5 de Fevereiro de 2019

 

1256: Curiosity está de volta à exploração marciana (e tem um “cérebro” novo)

NASA/JPL-Caltech

Curiosity, a sonda marciana da NASA, percorreu cerca de 60 metros durante o fim de semana em direcção ao Lago Orcadie, aumentando a sua odometria total para 20 quilómetros.

Com cerca de 900 quilos, o rover chegou à cratera Gale, em Marte, em Agosto de 2012. Depois de percorrer o piso rico em sedimentos da cratera, a Curiosity alcançou o Monte Sharp, onde procurava vestígios do passado do Planeta Vermelho nas suas encostas.

Este foi o trajecto mais longo já realizado pelo rover desde que enfrentou um anomalia na memória no passado mês de Setembro. Tal como relata a NASA, as operações da sonda foram no mês de Outubro transferidas para uma memória externa – um computador de reserva apelidado de Side-A.

Volvidas mais de duas semanas de operações científicas, e agora recorrendo a este computador A, a missão marciana volta ao trabalho.

Os relatórios da agência espacial norte-americana revelam ainda que a equipa pretende definir um novo alvo exploratório ainda esta semana. Apesar de já estar funcional, a equipa de engenheiros da Curiosity continua a identificar uma a anomalia no computador Side-B (o computador principal com memória a longo prazo).

Como muitas das naves espaciais da NASA, a Curiosity foi projectada com dois computadores – neste caso, o computador Side-A e  o Side-B -, de forma a que as operações exploratórias possam ser continuadas mesmo que ocorra uma falha.

Depois de analisar várias opções, os engenheiros ordenaram que o rover mudasse do lado B para o A, o computador que o rover utilizou inicialmente após o pouso. Esta alteração vai permitir que a equipa faça um diagnóstico mais detalhado do problema técnico que está a impedir a memória principal do rover armazenar informação.

A Curiosity está funcional e recebe os comandos da equipa, mas continua a enviar dados limitados que são armazenados na memória a curto prazo.

“Neste momentos, estamos confiantes de que voltaremos às operações completas, mas ainda é cedo para dizermos em quanto tempo”, disse Steven Lee, um dos cientistas responsáveis pela sonda. “Estamos a operar a partir do Side A, mas pode levar algum tempo para perceber por completo a causa na raiz do problema e planear soluções alternativas para a memória no Side B”.

“É certamente possível executar a missão no computador Side-A, se for realmente necessário. Mas nosso plano é voltar para o Side B assim que pudermos, consertando o problema para que possamos utilizar a memória memória maior”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
8 Novembro, 2018

 

980: NASA divulga imagens em 360º da superfície de Marte

Vídeo mostra uma cordilheira com uma grande variedade de cores e textura

© NASA/Twitter

A NASA divulgou no seu canal no YouTube um vídeo de Marte em 360º. Segundo um comunicado da agência espacial norte-americana, o vídeo mostra parte da Cordilheira Vera Rubin com os céus do planeta vermelho envoltos em poeira, sendo que o compartimento do rover Curiosity também foi atingido com uma fina camada de pó.

Em primeiro plano é possível observar o mais recente alvo de perfuração do Curiosity: “Stoer”, em alusão a uma cidade na Escócia. A agência espacial norte-americana já tinha feito duas tentativas anteriores de perfuração que se revelaram como frustradas. Os cientistas pretendem estudar a dureza destes minerais, para determinar o que torna o local tão resistente à erosão. Para o efeito, estão previstas mais duas perfurações para este mês de Setembro.

De acordo com o cientista do projecto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA Ashwin Vasavada, foi a primeira vez que o rover chegou a um local com tamanha variedade de cores e texturas.

“A cordilheira não é uma coisa monolítica – tem duas secções diferentes, cada uma com uma variedade de cores. Algumas são visíveis aos olhos e surgem ainda mais quando nós olhamos para um infravermelho próximo, mesmo por detrás do que os nossos olhos conseguem ver. Algumas aparecem relacionadas com a dureza das rochas”, disse Vasavada.

Diário de Notícias
DN
07 Setembro 2018 — 15:43

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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626: Confirma-se: há moléculas orgânicas em Marte

O rover Curiosity, da NASA | NASA /JPL-Caltech/MSSS

Não é ainda a confirmação da vida, mas é mais um passo na caminhada. NASA discute em conferência, transmitida em directo aqui, as implicações da descoberta

O rover Curiosity da NASA detectou pela primeira vez sem margem para dúvidas a presença de moléculas orgânicas no solo marciano. Não é ainda a confirmação da vida, nem sequer da existência de vida no passado longínquo do planeta, uma vez que as moléculas orgânicas também podem ter um origem externa aos processos da vida. Mas esta descoberta é mais um passo de gigante nessa demanda e, quem sabe, nessa direcção.

As análises que permitiram chegar agora a esta conclusão foram feitas por um dos instrumentos do Curiosity, o SAM, de Sample Analisys at Mars, e mostram “provas conclusivas” da existência de compostos orgânicos em rochas que o rover recolheu na cratera Gale, uma local onde parecem estar preservadas as condições geológicas de há 3,5 mil milhões de anos – a mesma época em que a vida despontou no planeta vizinho: a Terra.

A presença dos compostos orgânicos, sublinham os autores do artigo sobre o achado, que é publicado hoje na Science, não significa necessariamente que eles resultam dos processos da vida, mas a sua descoberta agora “dá novas pistas para se compreender melhor os processos e as condições do planeta”.

Anteriores experiências feitas pela sonda Curiosity, em 2014, já tinham apontado para a presença de compostos orgânicos no solo do Planeta Vermelho, mas os dados acabaram por não ser conclusivos na altura porque havia fortes possibilidades de haver contaminação das experiências. Agora não há qualquer dúvida: a sua presença está confirmada e os cientistas que analisaram os dados pensam que estes são compostos de moléculas maiores que teriam existido ali no passado, há 3,5 mil milhões de anos.

“Os nossos resultados sugerem ser muito provável que matéria orgânica oriunda de várias fontes exista em grande escala nas rochas de Marte”, escreve a equipa que analisou os dados do SAM e que foi coordenada por Jennifer Eigenbrode, da centro espacial Goddard, da NASA. “Mesmo que a vida não tenha sido uma fonte-chave [destes compostos orgânicos], há grande potencial para a sua origem provir de meteoritos ou de processos hidrotermais ou ígneos”, sublinham os autores.

Além disso, a descoberta sugere que “possa haver vestígios orgânicos mais bem preservados no interior do solo, sob a superfície, onde os efeitos da radiação são reduzidos”, o que sublinha a importância de futuras missões para explorar o subsolo marciano, como algumas que já estão a ser preparadas pela própria NASA, mas também pela ESA, na Europa.

Os tijolos da vida

Moléculas orgânicas são os compostos a que costumamos chamar os tijolos da vida: sem eles, a vida não pode estruturar-se. Eles são muito variados, e vão desde os átomos de carbono (um dos elementos encontrados agora pelo Curiosity) aos de hidrogénio (também detectado) e oxigénio.

No caso desta descoberta, além de vestígios de carbono e hidrogénio, os cientistas depararam-se igualmente com elementos com nomes como tiofeno (composto por átomos de hidrogénio, carbono e enxofre), metanotiol, ou ainda dimetilsulfureto, um composto organosulfuroso, entre outros.

No entanto, a presença confirmada destes elementos em Marte não é uma indicação directa da existência (passada ou presente) de vida ali, uma vez que eles podem ser produzidos por reacções químicas que não envolvem a comparticipação da vida – e, para já, não existe nenhum indício de que isso tenha acontecido.

Seja como for, esta descoberta, e uma outra igualmente importante, a de que o metano na atmosfera marciana não é constante, mas tem um ciclo anual definido – outra equipa analisou os dados do Curiosity para chegar a esta conclusão e publica um artigo sobre isso nesta mesma edição da Science – “são um grande passo na astrobiologia”, como lhe chama a astrobióloga Inge Loes tem Kate, da Universidade de Utrecht, Holanda, num artigo também publicado hoje na Science, e no qual discute as implicações destas duas descobertas.

A especialista não tem dúvidas: “estes resultados são a prova conclusiva da detecção há muito esperada de compostos orgânicos em Marte”. E conclui: “a questão sobre se a vida existiu em Marte [na mesma altura em que despontou na Terra, há 3,5 mil milhões de anos] torna-se muito mais oportuna agora, que sabemos que havia moléculas orgânicas na sua superfície nessa época”.

Diário de Notícias
07 DE JUNHO DE 2018 19:00
Filomena Naves

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

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411: ROVER CURIOSITY CELEBRA 2000 SOLS

Este mosaico obtido pelo rover Curiosity da NASA olha até ao Monte Sharp, que tem vindo a subir desde 2014. Realçado em branco, uma área com rochas argilosas que os cientistas anseiam explorar; pode fornecer mais informações sobre o papel da água na formação do Monte Sharp. O mosaico foi montado a partir de dúzias de imagens obtidas pela Mastcam do Curiosity. Foi captado no Sol 1931, em Janeiro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

O rover Curiosity da NASA acaba de atingir um novo marco: o seu 2000.º dia marciano, ou sol, no Planeta Vermelho. Um mosaico de imagens obtidas pelo rover em Janeiro oferece uma prévia do que está por vir.

Pairando sobre a imagem está o Monte Sharp, que o Curiosity tem vindo a subir desde Setembro de 2014. No centro da imagem está o próximo grande alvo científico do rover: uma área que os cientistas estudaram a partir de órbita e determinaram conter minerais argilosos.

A formação de minerais de argila requer água. Os cientistas já determinaram que as camadas inferiores do Monte Sharp se formaram dentro de lagos que outrora abarcavam o piso da Cratera Gale. A área em frente pode fornecer informações adicionais sobre a presença da água, quanto tempo persistiu e se o ambiente antigo pode ter sido adequado para a vida.

A equipa científica do Curiosity está ansiosa por analisar amostras retiradas das rochas argilosas vistas no centro da imagem. O rover recentemente começou a testar novamente a sua broca pela primeira vez desde Dezembro de 2016. Um novo processo para perfurar amostras rochosas e entregá-las aos laboratórios a bordo do rover ainda está sendo aperfeiçoado em preparação para alvos científicos como a área com minerais argilosos.

O Curiosity aterrou em Agosto de 2012 e já percorreu 18,7 quilómetros. Em 2013, a missão encontrou evidências de um antigo ambiente de um lago que fornecia todos os ingredientes químicos básicos para a vida microbiana. Desde alcançar o Monte Sharp em 2014, o Curiosity examinou ambientes onde tanto a água como o vento deixaram as suas marcas. Tendo estudado mais de 180 metros verticais de rocha com sinais de lagos e águas subterrâneas, a equipa científica internacional do Curiosity concluiu que as condições habitáveis duraram pelo menos milhões de anos.

Astronomia On-line
27 de Março de 2018

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