4803: Um novo Werner Herzog com o impacto de um asteróide!

CULTURA/FILMES

Fireball – Visitantes de Mundos Sombrios, o novo filme de Werner Herzog em parceira com Clive Oppenheimer. Um projecto sobre asteróides e meteoritos que encanta mais do que assusta. Já na Apple TV+.

Um documentário que mistura o sentido da vida e as questões que sempre quisemos ter resposta sobre poeira cósmica, asteróides, meteoritos e bolas de fogo. É um documentário com cinema, convém colocar à frente e só poderia ter saído da mente exploratória do cineasta Werner Herzog, desta vez com a ajuda do vulcanologista Clive Oppenheimer.

Fireball – Visitantes de Mundos Sombrios é uma investigação sobre fenómenos em torno daquilo que nos cai do céu. Uma dissecação sobre o poder dos meteoritos e dos cometas e a forma como o mundo olha para eles, quer no perspectiva actual, quer na maneira como antigas civilizações foram afectadas pelas suas visitas. Oppenheimer e a câmara de Herzog (acumula a narração naquele seu sotaque inglês-alemão que parece ser a brincar) vão aos quatro cantos do mundo para respostas.

Fazem-no de uma forma tão didáctica como aventurosa, não se dispensando o humor muito específico de Herzog, quase sempre em fraterna partilha com a regra máxima de que somos uma migalha no universo à mercê do armagedeão. Misturando História, antropologia, filosofia e ciência, o filme nunca quer ser um oráculo nem um exercício de empirismo. As bolas de fogo e os fenómenos observados também dispensam a benesse folclórica. Para Herzog há devoção com as descobertas dos factos que se investigam, sobretudo na proximidade com os meteoritos.

Falamos então de partilha de fascínio, coisa que os documentários televisivos do género National Geographic não têm, em especial quando há um aprumo a filmar-se os locais onde os asteróides tiveram contacto connosco, seja na famosa Wolf Creek, na Austrália, na área de Chichén Itza, no México ou na cratera de Ramgarth, na Índia…

E o que é mais interessante é que Clive Oppenheimer nos seus diálogos com cientistas, astrónomos ou geólogos nunca é demasiado técnico. Todos eles passam por personagens secundárias de uma procura por aventuras. Na sua qualidade “globetrotter”, Fireball parece querer sempre ser um filme de aventuras. A bem dizer, tem esse efeito lúdico mesmo sendo um discurso sobre a transcendência da existência humana e de toda a fundamentação da panspermia. Claro que parece cliché de criador de terceira idade voltar a colocar a música dos islandeses Sigur Rós a pintar as imagens das paisagens “sagradas” e claro que Herzog já foi muito menos limpo na lapidação dos seus documentários.

E para o cineasta de Fritzcarraldo tudo é cósmico, tudo é maior do que a vida, mas sempre do lado da curiosidade mais espectacular. Esta sua nova exploração tem uma surpresa: não vamos ficar a ter pesadelos com asteróides ou bolas de fogo, vamos antes sonhar mais com o espaço…

Diário de Notícias

Rui Pedro Tendinha


2318: Já sabemos qual vai ser o primeiro fruto a ser plantado na EEI (e é picante)

CIÊNCIA

(dr) NASA
O pimento poderá ser o primeiro fruto a ser cultivado na Estação Espacial Internacional

Se tudo correr como planeado, em Novembro deste ano, a Estação Espacial Internacional (EEI) vai ficar um bocadinho mais picante.

De acordo com o Science Alert, os investigadores querem enviar para a Estação Espacial Internacional (EEI) a planta Capsicum annuum, podendo fazer com que o pimento seja o primeiro fruto a crescer no Espaço.

“Estávamos à procura de variedades que não crescessem muito, mas que mesmo assim fossem muito produtivas nos ambientes controlados a que estamos habituados no Espaço”, afirmou Ray Wheeler, fisiologista da estação espacial norte-americana.

“Os astronautas já expressaram muitas vezes o desejo de comidas mais picantes e saborosas, por isso ter um sabor quente como este pareceu-nos uma coisa boa. Além disso, muitos pimentos são ricos em vitamina C, algo importante nas dietas espaciais”.

Apesar de haver milhares de diferentes tipos de pimentos, esta foi a espécie escolhida porque, além de crescer em altitudes elevadas, tem períodos curtos de crescimento e pode ser facilmente polinizada.

Desde 1982 que os astronautas e cosmonautas cultivam com sucesso plantas no Espaço e, em 2015, astronautas norte-americanos experimentaram o sabor de uma alface cultivada na EEI. Desde então, também já cultivaram acelga, rabanete, couve chinesa e ervilhas.

As plantas têm algumas dificuldades em crescer num ambiente de micro-gravidade, uma vez que os seus sistemas são complexos e normalmente usam a gravidade da Terra para se orientarem. Porém, os astronautas conseguiram “convencer” as plantas a crescer a bordo da estação espacial utilizando luzes especiais e outras técnicas.

Estas iniciativas são importantes para os ambiciosos planos da NASA de enviar humanos ao Planeta Vermelho, uma vez que lá será mais difícil conseguir alimentos frescos da Terra. “Podemos construir todos os foguetões que quisermos para chegar a Marte, mas isso não vai funcionar a menos que tenhamos comida para nos alimentarmos”, considera Jacob Torres, cientista hortícola da NASA.

Os investigadores estão a trabalhar para ter variedade de cultivo no Espaço, estando particularmente focados em ter uma ampla variedade de nutrientes e vitaminas.

“Precisamos de cultivar o suficiente para suplementar a dieta espacial. Tal como acontece na Terra, não podemos viver a comer sempre as mesmas coisas”, explicou à CNN. “Imagine ter um pimento fresco nas mãos depois de meses a comer cartão”, acrescentou.

ZAP //

Por ZAP
16 Julho, 2019

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