5199: Algas poderão ser cultivadas em Marte (e sustentar a vida humana)

CIÊNCIA/MARTE/MICROBIOLOGIA

Kevin Gill / Flickr

Investigadores da Universidade de Bremen, na Alemanha, conseguiram cultivar algas em condições semelhantes às de Marte, abrindo caminho para um potencial sistema de suporte de vida no Planeta Vermelho.

Empresas como a NASA e a SpaceX já anunciaram os seus planos para enviar pessoas a Marte num futuro próximo. No entanto, existem desafios logísticos relativamente ao suporte de vida, visto que transportar oxigénio e comida entre a Terra e Marte seria impraticável. É, por isso, necessário arranjar forma de os produzir in loco.

De acordo com o IFL Science, a solução pode passar pelas ciano-bactérias, uma classe de microorganismos que gera oxigénio através de fotossíntese e, ao mesmo tempo, transforma gases como o nitrogénio e o dióxido de carbono em nutrientes que podem sustentar a vida das plantas.

Como a atmosfera de Marte contém estes dois gases, os cientistas acreditam que as ciano-bactérias podem ser usadas para sustentar ecossistemas vivos na sua superfície.

No entanto, existe um problema: a pressão atmosférica em Marte é apenas uma fracção da da Terra, o que significa que a água líquida não pode existir e, sem ela, as ciano-bactérias não conseguem crescer.

A construção de bio-reactores que imitam as condições atmosféricas da Terra poderia resolver este problema, mas dependeria de gases transportados do nosso planeta.

Assim, a equipa de cientistas do Center of Applied Space Technology and Microgravity (ZARM), da Universidade de Bremen, na Alemanha, investigou se as ciano-bactérias poderiam ser cultivadas, usando apenas recursos disponíveis em Marte para evitar o transporte de materiais entre a Terra e Marte.

O artigo, publicado no dia 16 de Fevereiro na revista Frontiers in Microbiology, descreve o cultivo de uma alga chamada Anabaena cyanobacteria num biorreator especialmente projectado, o Atmos.

Este aparelho, com nove câmaras de pressão controlada, permitiu que os investigadores cultivassem as ciano-bactérias em condições semelhantes às de Marte – 96% de nitrogénio e 4% de dióxido de carbono, a uma pressão de 100 hPae, cerca de um décimo da pressão atmosférica da Terra – e a espécie cresceu “vigorosamente”.

Verseux et al. / University of Bremen
Esquema do Biorreator Atmos na imagem C, criada por Joris Wegner

O autor do estudo, Cyprien Verseux, explicou em comunicado que “as ciano-bactérias podem usar os gases da atmosfera marciana, a uma baixa pressão total, como a sua fonte de carbono e de nitrogénio”, acrescentando que “isso poderia ajudar a tornar ​​as missões de longo prazo a Marte sustentáveis”.

De seguida, a equipa de cientistas recriou o regolito marciano – que é uma camada de poeira encontrada na superfície do planeta – e usou-o como substrato para o cultivo de ciano-bactérias.

Uma vez mais, as algas cresceram, apesar de o seu crescimento não ter sido tão bem-sucedido como nos meios de cultivo mais convencionais. Após 28 dias, as amostras cultivadas numa atmosfera semelhante à de Marte e com regolito produziram cerca de metade da clorofila daquelas cultivadas nas mesmas condições, mas em solos regulares.

Por fim, a alga Anabaena cyanobacteria foi usada como substrato para o cultivo de bactérias E. coli, que podem ser facilmente usadas ​​para criar alimentos e medicamentos, mas não são capazes de crescer em Marte.

Os resultados indicaram que a E. coli pode ser cultivada em ciano-bactérias secas, produzidas em condições marcianas, o que significa que a espécie poderia ser usada para apoiar o crescimento de outras culturas em Marte.

Embora as descobertas sejam empolgantes, Verseux insiste que o “bio-reactor, Atmos, não é o sistema de cultivo que usaríamos em Marte: destina-se a testar, na Terra, as condições que teríamos lá.”

“Mas os nossos resultados irão ajudar a orientar o projecto de um sistema de cultivo marciano”, concluiu.

Por Sofia Teixeira Santos
24 Fevereiro, 2021


3720: Sementes de rúcula podem ser cultivadas em Marte

CIÊNCIA/ESPAÇO/MARTE

20th Century Fox

Cientistas descobriram que sementes de rúcula podem ser cultivadas em Marte. Esta descoberta pode tornar mais provável a hipótese de um dia colonizarmos o planeta Marte.

O sonho de um dia viver noutro planeta que não a Terra não é novo e move muitas investigações científicas. Agora, sabemos que estamos um pouco mais perto dessa realidade após uma equipa de investigadores ter descoberto que as sementes de rúcula podem ser cultivadas no Espaço.

Marte é o planeta mais habitável do sistema solar e tem sido considerado como um dos principais candidatos à colonização humana extensiva e permanente. Não apenas por estar mais próximo ao nosso planeta, mas também pelas condições da sua superfície, que se assemelham às da Terra.

Através do projecto ‘Rocket Science’, cientistas do Royal Holloway enviaram 2 quilogramas de sementes de rúcula para o Espaço. As sementes passaram seis meses na Estação Espacial Internacional antes de regressarem à Terra. Cá, 600 mil crianças do Reino Unido participaram na experiência de cultivar as sementes e monitorizar o seu crescimento comparativamente com sementes que nunca saíram do nosso planeta.

Desta forma, descobriram que as sementes apenas crescem um pouco mais devagar quando regressam à Terra. Esta descoberta abre portas para a possibilidade de um dia cultivar alimentos noutro planeta.

“O nosso estudo descobriu que uma jornada de seis meses para o Espaço reduziu o vigor das sementes de rúcula em comparação com as que permaneceram na Terra, indicando que os voos espaciais aceleraram o processo de envelhecimento”, disse Jake Chandler, autor do estudo publicado em Abril na revista científica Life.

Assim, o cientista afiança que a perspectiva de comer salada caseira em Marte pode estar um pequeno passo mais perto.

“Quando os humanos viajarem para Marte, vão precisar de encontrar maneiras de se alimentar, e esta investigação ajuda-nos a entender algumas das biologias de armazenamento e germinação de sementes, que serão vitais para futuras missões espaciais“, explicou, por sua vez, o astronauta da ESA, Tim Peake.

Segundo o Tech Explorist, durante toda a experiência, os cientistas determinaram os mecanismos fisiológicos e moleculares subjacentes aos efeitos do voo espacial nas sementes secas. O vigor da germinação das sementes foi reduzido e a sensibilidade ao envelhecimento aumentou. No entanto, a viabilidade das sementes não foi comprometida.

A equipa de especialistas também recomenda protecção adicional para manter a qualidade das sementes durante os voos espaciais.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2020

 

 

2874: Cientistas concluem que é possível cultivar alimentos em Marte e na Lua

CIÊNCIA

É possível cultivar alimentos em Marte e na Lua. O veredicto parte de uma equipa de cientistas holandeses que testou colheitas em condições semelhantes às lá vividas.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores cultivaram dez colheitas diferentes: agrião de jardim, rúcula, tomate, rabanete, centeio, quinoa, espinafre, cebolinho, ervilha e alho-porro.

Aliás, não só é possível cultivar lá estes alimentos, como também é possível obter sementes destas colheitas, tanto em Marte como na Lua. Para realizarem esta experiência, simularam as condições marcianas e lunares, verificando se era viável. O estudo foi publicado este mês na revista científica Open Agriculture.

“Ficamos encantados quando vimos os primeiros tomates já cultivados no simulador de solo de Marte ficarem vermelhos. Isso significava que o próximo passo em direcção a um ecossistema agrícola fechado sustentável foi dado”, contou o líder da investigação, Wieger Wamelink, citado pelo Tech Explorist.

Nove das dez culturas semeadas cresceram sem problemas e conseguiu-se recolher alimentos comestíveis delas. O espinafre foi a única cultura que os cientistas holandeses não conseguiram cultivar em condições marcianas ou lunares.

As sementes produzidas por três espécies (rabanete, centeio e agrião) foram testadas com sucesso relativamente à sua germinação.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2019