2036: Há um pequeno satélite a revolucionar o sector espacial. Chama-se CubeSat

NASA Ames
CubeSat

Apesar das pequenas dimensões do CubeSat, o satélite é capaz de efeitos extraordinários que estão a revolucionar o sector espacial.

Os avanços da micro-electrónica das últimas décadas permitiram desenvolver sistemas espaciais eficazes, de forma mais rápida e com menos custos. Um três em um que está a revolucionar o sector espacial.

A nova classe de satélites pequenos (mini-satélites, micro-satélites, nano-satélites, pico-satélites, etc) nasceu e permitiu alargar o acesso ao Espaço para novos mercados e indústrias, impulsionando também o investimento do sector privado.

O acesso ao Espaço ficou restrito, por mais de 50 anos, a nações e corporações com elevado poder financeiro e tecnológico, mas tudo mudou em 1999, aquando do desenvolvimento do CubeSat – o primeiro “standard” de satélite, aceite universalmente

Segundo o canal Bit2geek, citado pelo Sapo 24, cada unidade de CubeSat (1U) representa um cubo padrão de 10 cm de lado e cerca de 1,3 kg de massa. Estas unidades podem ser combinadas de maneira a formar sistemas maiores e mais capazes (2U, 3U, 6U, 12U).

Além disso, foi também padronizado um sistema para lançamento destes CubeSats. O P-POD (“Poly Picosatellite Orbital Deployer”) é um contentor capaz de transportar unidades de CubeSats dentro de foguetões.

Como a maior parte dos foguetões tem excesso de capacidade, é possível levar estes CubeSat à boleia de outros satélites científicos ou comerciais de maiores dimensões. No Espaço, os P-PODs lançam os CubeSats em órbitas específicas. Isto traduz-se numa redução considerável de custos de lançamento.

No início, os CubeSats foram concebidos com o objectivo de se tornarem uma ferramenta educacional para estudantes de engenharia, mas esse paradigma mudou, transformando-se num dos pilares em aplicações comerciais espaciais e em plataformas de demonstração tecnológica da comunidade científica.

Graças aos baixos custos e rapidez do processo de desenvolvimento, estes pequenos satélites têm ainda a capacidade de formar grandes constelações de satélites com um potencial para atingir desempenho comparável ou maior do que os satélites tradicionais. Além disso, revelam também um enorme potencial para comunicações e tecnologia 5G.

As áreas de intervenção vão da agricultura às pescas, monitorização de infraestruturas ou até desenvolvimento urbano, defesa e segurança.

Actualmente, Portugal encontra-se a desenvolver capacidades que permitam entrar na nova corrida espacial. Para muito breve, está prevista a construção de uma plataforma de lançamento de foguetes nos Açores, que permitirá lançar estes pequenos satélites para o Espaço.

Além disso, planeia-se construir uma constelação de nano e micro-satélites para monitorização e desenvolvimento da área atlântica – o projecto Infante – que será o primeiro satélite 100% português a ser desenvolvido com iniciativa de várias empresas e entidades portuguesas, co-financiado por fundos comunitários.

ZAP //

Por ZAP
23 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

122: A “nação espacial” de Asgardia lançou o primeiro satélite e reclama o seu território

(dr) Asgardia
O logotipo de Asgardia e o slogan “One Humanity, One Unity” foram aplicados às matrizes solares do satélite Asgardia-1.

Este domingo, Igor Ashurbeyli afirmou ter o seu primeiro território independente no espaço: a superfície do pequeno satélite Asgardia-1, um CuBesat de apenas um decímetro cúbico. Mas isso não faz (ainda) de Asgardia uma nação.

A proposta consiste na criação de um novo Estado-nação pacifista no espaço. O objectivo é permitir o “acesso” ao espaço sem os entraves que geralmente surgem entre os países quando se trata da “corrida espacial”.

Asgardia nasceu em 2016, ano em que um grupo de cientistas proclamou a nova nação no espaço, mas a intenção dos líderes é apresentar oficialmente às Nações Unidas em 2018  a nação asgardiana.

Actualmente, Asgardia tem 133.395 asgardianos, que se inscreveram online para ser cidadãos de um território que provavelmente nunca poderão pisar. Igor Ashurbeyli é considerado o líder desta protonação, embora já exista uma declaração de intenções e uma acção para transformar a Asgardia numa democracia.

Asgardia não é para já nada mais do que uma superfície metálica brilhante – o pequeno satélite CubeSat, conhecido como Asgardia-1, que foi lançado este domingo.

O satélite levou consigo um arquivo com os dados dos seus cidadãos. Este símbolo tem a intenção legal de colocar no espaço os dados pessoais dos cidadãos, de modo a fornecer um território físico que sustente a criação da nação.

E, segundo Ram Jakhu, director do Instituto Jurídico do Ar e Espaço da Universidade McGill, Asgardia pode mesmo tornar-se numa nação.

Jakhu é o especialista jurídico responsável pelo caso desta protonação que, a partir desta semana, cumpre três dos requisitos que a ONU impõe às entidades que querem ser reconhecidas como um Estado: ter cidadãos, um governo e um território físico que o represente.

(dr) Asgardia

Mas há especialistas que discordam. O tratado espacial, aceite por todas as nações do mundo, especifica que nenhum objecto fora da Terra pode ser reivindicado por um Estado. Isso não afectaria o Asgardia-1, uma vez que mantém a jurisdição da nação que o lançou. No entanto, Asgardia ainda não existe, logo não tem qualquer tipo de jurisdição.

Por outro lado, o reconhecimento de uma nova nação tem que ser aprovado por três quartos do Conselho de Segurança da ONU. Mas uma nação cujo território despovoado é um minúsculo cubo metálico no espaço apresenta muito poucas credenciais para apoiar o seu reconhecimento.

Finalmente, apesar de a ONU poder legitimá-la, o Reino Espacial de Asgardia tem também que ser reconhecido pelos restantes países.

Com efeito, uma nação não existe se as outras não a considerarem como tal. E que países estarão interessados em reconhecer a nação que os vais ultrapassar, contornar as leis internacionais, e ser o primeiro governo no Espaço?

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=ccd51eee_1510702226627]