3636: NASA vai procurar água na Lua com lasers espaciais

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL-Caltech
Lunar Flashlight

A NASA projectou um CubeSat de seis unidades, projectado para procurar gelo na superfície da Lua usando lasers especiais.

A sonda, apelidada de Lunar Flashlight, vai usar lasers infravermelhos para iluminar regiões polares sombrias, enquanto que um reflectómetro de bordo irá medir a reflexão e a composição da superfície lunar. Esta lanterna a laser tem como principal objectivo detectar o gelo superficial encontrado no fundo das crateras lunares.

Apesar de os cientistas suspeitarem de que há gelo no interior das crateras mais frias e escuras da Lua, todas as conclusões obtidas até agora foram ambíguas. Barbara Cohen, investigadora da missão no Goddard Space Flight Center, explicou que, se a intenção é enviar astronautas para “desenterrar” o gelo, “é melhor ter a certeza de que ele existe”.

O projecto levado a cabo pelo Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA é a primeira missão que vai procurar gelo na Lua com a ajuda de lasers. Além disso, será também a primeira nave planetária a usar um propulsor “verde”, um novo tipo de combustível mais seguro.

A Lunar Flashlight irá passar dois meses na Lua, onde irá mergulhar no Pólo Sul para iluminar com os seus lasers as regiões mais sombrias. As crateras mais escuras, encontradas nos Pólos Norte e Sul da Lua, podem ser “armadilhas frias” que acumulam moléculas de gelo, derivadas de cometas e asteróides que afectaram a superfície lunar.

Assim que os lasers colidirem com a rocha lunar, a luz irá reflectir na nave e indicar a ausência de gelo. No entanto, se a luz for absorvida significa que estes “bolsos” lunares contêm água.

ZAP //

Por ZAP
5 Maio, 2020

 

spacenews

 

2036: Há um pequeno satélite a revolucionar o sector espacial. Chama-se CubeSat

NASA Ames
CubeSat

Apesar das pequenas dimensões do CubeSat, o satélite é capaz de efeitos extraordinários que estão a revolucionar o sector espacial.

Os avanços da micro-electrónica das últimas décadas permitiram desenvolver sistemas espaciais eficazes, de forma mais rápida e com menos custos. Um três em um que está a revolucionar o sector espacial.

A nova classe de satélites pequenos (mini-satélites, micro-satélites, nano-satélites, pico-satélites, etc) nasceu e permitiu alargar o acesso ao Espaço para novos mercados e indústrias, impulsionando também o investimento do sector privado.

O acesso ao Espaço ficou restrito, por mais de 50 anos, a nações e corporações com elevado poder financeiro e tecnológico, mas tudo mudou em 1999, aquando do desenvolvimento do CubeSat – o primeiro “standard” de satélite, aceite universalmente

Segundo o canal Bit2geek, citado pelo Sapo 24, cada unidade de CubeSat (1U) representa um cubo padrão de 10 cm de lado e cerca de 1,3 kg de massa. Estas unidades podem ser combinadas de maneira a formar sistemas maiores e mais capazes (2U, 3U, 6U, 12U).

Além disso, foi também padronizado um sistema para lançamento destes CubeSats. O P-POD (“Poly Picosatellite Orbital Deployer”) é um contentor capaz de transportar unidades de CubeSats dentro de foguetões.

Como a maior parte dos foguetões tem excesso de capacidade, é possível levar estes CubeSat à boleia de outros satélites científicos ou comerciais de maiores dimensões. No Espaço, os P-PODs lançam os CubeSats em órbitas específicas. Isto traduz-se numa redução considerável de custos de lançamento.

No início, os CubeSats foram concebidos com o objectivo de se tornarem uma ferramenta educacional para estudantes de engenharia, mas esse paradigma mudou, transformando-se num dos pilares em aplicações comerciais espaciais e em plataformas de demonstração tecnológica da comunidade científica.

Graças aos baixos custos e rapidez do processo de desenvolvimento, estes pequenos satélites têm ainda a capacidade de formar grandes constelações de satélites com um potencial para atingir desempenho comparável ou maior do que os satélites tradicionais. Além disso, revelam também um enorme potencial para comunicações e tecnologia 5G.

As áreas de intervenção vão da agricultura às pescas, monitorização de infraestruturas ou até desenvolvimento urbano, defesa e segurança.

Actualmente, Portugal encontra-se a desenvolver capacidades que permitam entrar na nova corrida espacial. Para muito breve, está prevista a construção de uma plataforma de lançamento de foguetes nos Açores, que permitirá lançar estes pequenos satélites para o Espaço.

Além disso, planeia-se construir uma constelação de nano e micro-satélites para monitorização e desenvolvimento da área atlântica – o projecto Infante – que será o primeiro satélite 100% português a ser desenvolvido com iniciativa de várias empresas e entidades portuguesas, co-financiado por fundos comunitários.

ZAP //

Por ZAP
23 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

122: A “nação espacial” de Asgardia lançou o primeiro satélite e reclama o seu território

(dr) Asgardia
O logotipo de Asgardia e o slogan “One Humanity, One Unity” foram aplicados às matrizes solares do satélite Asgardia-1.

Este domingo, Igor Ashurbeyli afirmou ter o seu primeiro território independente no espaço: a superfície do pequeno satélite Asgardia-1, um CuBesat de apenas um decímetro cúbico. Mas isso não faz (ainda) de Asgardia uma nação.

A proposta consiste na criação de um novo Estado-nação pacifista no espaço. O objectivo é permitir o “acesso” ao espaço sem os entraves que geralmente surgem entre os países quando se trata da “corrida espacial”.

Asgardia nasceu em 2016, ano em que um grupo de cientistas proclamou a nova nação no espaço, mas a intenção dos líderes é apresentar oficialmente às Nações Unidas em 2018  a nação asgardiana.

Actualmente, Asgardia tem 133.395 asgardianos, que se inscreveram online para ser cidadãos de um território que provavelmente nunca poderão pisar. Igor Ashurbeyli é considerado o líder desta protonação, embora já exista uma declaração de intenções e uma acção para transformar a Asgardia numa democracia.

Asgardia não é para já nada mais do que uma superfície metálica brilhante – o pequeno satélite CubeSat, conhecido como Asgardia-1, que foi lançado este domingo.

O satélite levou consigo um arquivo com os dados dos seus cidadãos. Este símbolo tem a intenção legal de colocar no espaço os dados pessoais dos cidadãos, de modo a fornecer um território físico que sustente a criação da nação.

E, segundo Ram Jakhu, director do Instituto Jurídico do Ar e Espaço da Universidade McGill, Asgardia pode mesmo tornar-se numa nação.

Jakhu é o especialista jurídico responsável pelo caso desta protonação que, a partir desta semana, cumpre três dos requisitos que a ONU impõe às entidades que querem ser reconhecidas como um Estado: ter cidadãos, um governo e um território físico que o represente.

(dr) Asgardia

Mas há especialistas que discordam. O tratado espacial, aceite por todas as nações do mundo, especifica que nenhum objecto fora da Terra pode ser reivindicado por um Estado. Isso não afectaria o Asgardia-1, uma vez que mantém a jurisdição da nação que o lançou. No entanto, Asgardia ainda não existe, logo não tem qualquer tipo de jurisdição.

Por outro lado, o reconhecimento de uma nova nação tem que ser aprovado por três quartos do Conselho de Segurança da ONU. Mas uma nação cujo território despovoado é um minúsculo cubo metálico no espaço apresenta muito poucas credenciais para apoiar o seu reconhecimento.

Finalmente, apesar de a ONU poder legitimá-la, o Reino Espacial de Asgardia tem também que ser reconhecido pelos restantes países.

Com efeito, uma nação não existe se as outras não a considerarem como tal. E que países estarão interessados em reconhecer a nação que os vais ultrapassar, contornar as leis internacionais, e ser o primeiro governo no Espaço?

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=42]

[yasr_visitor_votes size=”medium”]

[powr-hit-counter id=ccd51eee_1510702226627]