3239: A esperança de vida natural do Homem é surpreendentemente baixa

CIÊNCIA

(CC0/PD) lisichik / pixabay

Os denisovanos e os neandertais, duas espécies já extintas muito próximas dos humanos modernos, tinham uma esperança natural de vida de 37,8 anos.

Esta é a conclusão de uma nova investigação que calculou a longevidade de diferentes espécies através da análise do seu ADN. Na prática, a esperança média de vida dos animais está escrita no seu próprio ADN.

Partindo dos valores obtidos para denisovanos e os neandertais, explicou Benjamin Mayne, um dos autores da investigação, em declarações ao portal The Conversation, a equipa conseguiu também estimar a esperança de vida natural do Homem. São 38 anos, valor próximo dos seus “primos” já extintos.

Actualmente, frisou o investigador, a esperança média de vida do Homem é bem mais elevada graças às melhorias no estilo de vida e ao avanços na medicina.

Para conseguir calcular as taxas, a equipa de cientistas australianos da Organização de Investigação Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO) recorreu à Inteligência Artificial (IA). Os cientistas desenvolveram um modelo que usa o “relógio genético” para estimar quanto tempo é que diferentes vertebrados tendem a viver, sejam as espécies em estudo vivas ou já extintas, conta o portal New Scientist.

Depois, os cientistas treinaram a IA com genomas (sequências completos de ADN) conhecidos de 252 espécies de cinco animais, incluindo mamíferos, répteis e peixes.

Depois, a Inteligência Artificial reduziu quase 30.000 regiões de ADN relacionadas com a esperança média de vida para 42 genes específicos.

A partir deste número mais reduzido de genes, os cientistas conseguiram estimar a esperança média de vida de vários animais através da metilação de ADN, um processo de alteração do material genético associado ao envelhecimento e à esperança média de vida de espécies, explicou Benjamin Mayne.

CSIRO

As taxas calculadas

Os cientistas concluíram que a esperança natural de vida dos denisovanos e dos neandertais era de cerca de 38 anos, enquanto o mamute-lanoso, que viveu há milhões de anos no norte do planeta, poderia viver durante cerca de 60 anos.

A IA apontou também que as tartarugas gigantes da Ilha de Pinta, no Oceano Pacífico, podem viver até aos 120 anos. George Solitário, o último exemplar conhecido da espécie Chelonidis abingdonii, viveu mais de 100 anos.

Os cientistas descobriram ainda que a baleia da Gronelândia, considerado o mamífero com maior esperança média de vida da Terra, pode viver até aos 268 anos. O espécime de baleia da Gronelândia com maior esperança de vida até agora conhecido durou 112 anos, longe da taxa agora apresentada. Contudo, importa frisar, o estudo não tem em conta factores externos, como é o caso da existência de predadores.

“É incrível pensar que existe um animal que vive quase três séculos e poderia estar vivo quando o capitão Cook chegou à Austrália”, disse Mayne, citado pelo jornal Daily Mail.

Conhecer a esperança de vida natural dos animais, especialmente aqueles que enfrentam risco de extinção, é essencial para conservar a vida selvagem, apontam os cientistas no estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na Scientific Reports.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

2092: Há um fungo que mina ouro (e depois usa-o)

CIÊNCIA

[Nota do webmaster]- Já não bastava ter de traduzir de brasuquês para português ibérico, os textos originais, também certos vídeos não possuem os respectivos links para publicação online. Deste modo, foi efectuada uma captura de écran.

Os fungos, semelhantes a fios, ligam o ouro aos seus filamentos, dissolvendo e precipitando partículas dos seus arredores, num processo que poderia ajudar a encontrar novos depósitos de ouro.

Pode haver uma vantagem biológica em fazê-lo, como os fungos revestidos de ouro foram encontrados para crescer e espalhar-se mais rápido do que aqueles que não interagem com o ouro e desempenham um papel central numa comunidade de solo biodiversa.

A descoberta foi feita pela Agência Nacional de Ciência da Austrália, CSIRO, e publicada a 23 de maio na revista especializada Nature Communications.

“Os fungos podem oxidar minúsculas partículas de ouro e precipitá-lo nos seus filamentos – este processo de ciclagem pode contribuir para a distribuição de ouro e outros elementos em redor da superfície da Terra”, disse o principal autor, Tsing Bohu, em comunicado.

“Os fungos são bem conhecidos por desempenhar um papel essencial na degradação e reciclagem de material orgânico, como folhas e casca, bem como para a reciclagem de outros metais, incluindo alumínio, ferro, manganês e cálcio. Mas o ouro é tão quimicamente inactivo que a interacção é tanto incomum como surpreendente“.

Bohu está a realizar análises e modelagens adicionais para entender porque é que os fungos estão a interagir com o ouro e se é ou não uma indicação de um depósito maior abaixo da superfície.

A Austrália é o segundo maior produtor de ouro do mundo e, embora a produção de ouro tenha atingido picos recordes em 2018, estimativas estimadas mostram que a produção diminuirá no futuro próximo, a menos que novos depósitos de ouro sejam encontrados.

Novas ferramentas de exploração de baixo impacto são necessárias para a próxima geração de descobertas. A CSIRO está a usar ciência e tecnologia inovadoras para resolver os maiores desafios, como garantir que o mundo tenha um suprimento sustentável de recursos.

“A indústria está a usar activamente técnicas inovadoras de amostragem de exploração, que podem armazenar minúsculos traços de ouro e podem estar ligados a depósitos maiores abaixo da superfície”, disse Ravi Anand, cientista da CSIRO.

“Queremos entender se os fungos que estudamos, conhecidos como fusarium oxsporum – e os seus genes funcionais – podem ser usados ​​em combinação com as ferramentas de exploração para ajudar a indústria a direccionar as áreas prospectivas de uma maneira com menos impacto e mais económica do que a perfuração.”

Os investigadores também destacam o potencial de usar fungos como uma ferramenta de biorremediação para recuperar ouro do lixo.

Embora o Fusarium oxsporum seja encontrado em solos ao redor do mundo e produza um micélio ou “flor” rosa – não é algo que garimpeiros devem procurar, já que as partículas de ouro só são vistas sob um microscópio.

A descoberta foi possível graças à colaboração entre a CSIRO, a Universidade da Austrália Ocidental, a Universidade de Murdoch e a Curtin University.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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