4309: Telescópio australiano não encontra sinais de tecnologia alienígena em 10 milhões de sistemas estelares

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Antenas dipolo do radiotelescópio MWA (Murchison Widefield Array) no interior australiano.
Crédito: Dragonfly Media

Um radiotelescópio no interior australiano completou a investigação mais ampla e profunda em baixas frequências de tecnologias alienígenas, examinando uma região do céu conhecida por incluir pelo menos 10 milhões de estrelas.

Os astrónomos usaram o MWA (Murchison Widefield Array) para explorar centenas de vezes mais amplamente do que qualquer levantamento anterior à procura de vida extraterrestre. O estudo, publicado na revista Publications of the Astronomical Society of Australia, observou o céu em torno da constelação de Vela. Mas nesta parte do Universo, pelo menos, parece que outras civilizações são elusivas, se é que existem.

A investigação foi realizada pelo Dra. Chenoa Tremblay da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) e pelo professor Steven Tingay, do núcleo, na Universidade Curtin, pertencente ao ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research).

A Dra. Tremblay disse que o telescópio procura poderosas emissões de rádio em frequências semelhantes às frequências de rádio FM, que podem indicar a presença de uma fonte inteligente. Estas possíveis emissões são conhecidas como “tecno-assinaturas”.

“O MWA é um telescópio único, com um campo de visão extraordinariamente amplo que nos permite observar milhões de estrelas simultaneamente,” acrescentou. “Observámos o céu em torno da constelação de Vela durante 17 horas, procurando mais de 100 vezes mais amplamente e profundamente do que nunca. Com este conjunto de dados, não encontrámos tecno-assinaturas – nenhum sinal de vida inteligente.”

O professor Tingay disse que embora esta seja a pesquisa mais ampla até à data, não ficou chocado com o resultado. “Tal como Douglas Adams observou no seu livro ‘The Hitchhikers Guide to the Galaxy’, ‘o espaço é grande, mesmo muito grande’.”

“E mesmo que este tenha sido um estudo realmente imenso, a quantidade de espaço que observámos foi o equivalente a tentar encontrar algo nos oceanos da Terra, mas apenas procurando num volume de água equivalente a uma grande piscina de quintal.

“Uma vez que não podemos realmente supor como possíveis civilizações alienígenas utilizam a sua tecnologia, precisamos de pesquisar de muitas maneiras diferentes. Usando radiotelescópios, podemos explorar uma região espacial em oito dimensões. Embora haja um longo caminho a percorrer na busca por inteligência extraterrestre, telescópios como o MWA vão continuar a empurrar os limites – temos que continuar à procura.”

O MWA é precursor do instrumento SKA (Square Kilometre Array), um observatório de 1,7 mil milhões de euros com telescópios na Austrália Ocidental e na África do Sul. Para continuar as referências de Douglas Adams, pensemos no MWA como o Deep Thought, do tamanho de uma cidade, e no SKA como o seu sucessor: a Terra.

“Devido ao aumento de sensibilidade, o radiotelescópio SKA de baixas frequências a ser construído na Austrália Ocidental será capaz de detectar sinais de rádio semelhantes aos da Terra em sistemas planetários relativamente próximos,” disse o professor Tingay. Com o SKA, seremos capazes de estudar milhares de milhões de sistemas estelares, procurando tecno-assinaturas num oceano astronómico de outros mundos.”

O MWA está localizado no MRO (Murchison Radio-astronomy Observatory), uma instalação astronómica remota e silenciosa estabelecida e mantida pela CSIRO (a agência nacional de ciência da Austrália). O SKA será construído no mesmo local, mas será 50 vezes mais sensível e poderá realizar experiências SETI muito mais profundas.

Astronomia On-line
11 de setembro de 2020

 

spacenews

 

3238: A esperança de vida natural do Homem é surpreendentemente baixa

CIÊNCIA

(CC0/PD) lisichik / pixabay

Os denisovanos e os neandertais, duas espécies já extintas muito próximas dos humanos modernos, tinham uma esperança natural de vida de 37,8 anos.

Esta é a conclusão de uma nova investigação que calculou a longevidade de diferentes espécies através da análise do seu ADN. Na prática, a esperança média de vida dos animais está escrita no seu próprio ADN.

Partindo dos valores obtidos para denisovanos e os neandertais, explicou Benjamin Mayne, um dos autores da investigação, em declarações ao portal The Conversation, a equipa conseguiu também estimar a esperança de vida natural do Homem. São 38 anos, valor próximo dos seus “primos” já extintos.

Actualmente, frisou o investigador, a esperança média de vida do Homem é bem mais elevada graças às melhorias no estilo de vida e ao avanços na medicina.

Para conseguir calcular as taxas, a equipa de cientistas australianos da Organização de Investigação Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO) recorreu à Inteligência Artificial (IA). Os cientistas desenvolveram um modelo que usa o “relógio genético” para estimar quanto tempo é que diferentes vertebrados tendem a viver, sejam as espécies em estudo vivas ou já extintas, conta o portal New Scientist.

Depois, os cientistas treinaram a IA com genomas (sequências completos de ADN) conhecidos de 252 espécies de cinco animais, incluindo mamíferos, répteis e peixes.

Depois, a Inteligência Artificial reduziu quase 30.000 regiões de ADN relacionadas com a esperança média de vida para 42 genes específicos.

A partir deste número mais reduzido de genes, os cientistas conseguiram estimar a esperança média de vida de vários animais através da metilação de ADN, um processo de alteração do material genético associado ao envelhecimento e à esperança média de vida de espécies, explicou Benjamin Mayne.

CSIRO

As taxas calculadas

Os cientistas concluíram que a esperança natural de vida dos denisovanos e dos neandertais era de cerca de 38 anos, enquanto o mamute-lanoso, que viveu há milhões de anos no norte do planeta, poderia viver durante cerca de 60 anos.

A IA apontou também que as tartarugas gigantes da Ilha de Pinta, no Oceano Pacífico, podem viver até aos 120 anos. George Solitário, o último exemplar conhecido da espécie Chelonidis abingdonii, viveu mais de 100 anos.

Os cientistas descobriram ainda que a baleia da Gronelândia, considerado o mamífero com maior esperança média de vida da Terra, pode viver até aos 268 anos. O espécime de baleia da Gronelândia com maior esperança de vida até agora conhecido durou 112 anos, longe da taxa agora apresentada. Contudo, importa frisar, o estudo não tem em conta factores externos, como é o caso da existência de predadores.

“É incrível pensar que existe um animal que vive quase três séculos e poderia estar vivo quando o capitão Cook chegou à Austrália”, disse Mayne, citado pelo jornal Daily Mail.

Conhecer a esperança de vida natural dos animais, especialmente aqueles que enfrentam risco de extinção, é essencial para conservar a vida selvagem, apontam os cientistas no estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na Scientific Reports.

ZAP //

Por ZAP
21 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

2092: Há um fungo que mina ouro (e depois usa-o)

CIÊNCIA

[Nota do webmaster]- Já não bastava ter de traduzir de brasuquês para português ibérico, os textos originais, também certos vídeos não possuem os respectivos links para publicação online. Deste modo, foi efectuada uma captura de écran.

Os fungos, semelhantes a fios, ligam o ouro aos seus filamentos, dissolvendo e precipitando partículas dos seus arredores, num processo que poderia ajudar a encontrar novos depósitos de ouro.

Pode haver uma vantagem biológica em fazê-lo, como os fungos revestidos de ouro foram encontrados para crescer e espalhar-se mais rápido do que aqueles que não interagem com o ouro e desempenham um papel central numa comunidade de solo biodiversa.

A descoberta foi feita pela Agência Nacional de Ciência da Austrália, CSIRO, e publicada a 23 de maio na revista especializada Nature Communications.

“Os fungos podem oxidar minúsculas partículas de ouro e precipitá-lo nos seus filamentos – este processo de ciclagem pode contribuir para a distribuição de ouro e outros elementos em redor da superfície da Terra”, disse o principal autor, Tsing Bohu, em comunicado.

“Os fungos são bem conhecidos por desempenhar um papel essencial na degradação e reciclagem de material orgânico, como folhas e casca, bem como para a reciclagem de outros metais, incluindo alumínio, ferro, manganês e cálcio. Mas o ouro é tão quimicamente inactivo que a interacção é tanto incomum como surpreendente“.

Bohu está a realizar análises e modelagens adicionais para entender porque é que os fungos estão a interagir com o ouro e se é ou não uma indicação de um depósito maior abaixo da superfície.

A Austrália é o segundo maior produtor de ouro do mundo e, embora a produção de ouro tenha atingido picos recordes em 2018, estimativas estimadas mostram que a produção diminuirá no futuro próximo, a menos que novos depósitos de ouro sejam encontrados.

Novas ferramentas de exploração de baixo impacto são necessárias para a próxima geração de descobertas. A CSIRO está a usar ciência e tecnologia inovadoras para resolver os maiores desafios, como garantir que o mundo tenha um suprimento sustentável de recursos.

“A indústria está a usar activamente técnicas inovadoras de amostragem de exploração, que podem armazenar minúsculos traços de ouro e podem estar ligados a depósitos maiores abaixo da superfície”, disse Ravi Anand, cientista da CSIRO.

“Queremos entender se os fungos que estudamos, conhecidos como fusarium oxsporum – e os seus genes funcionais – podem ser usados ​​em combinação com as ferramentas de exploração para ajudar a indústria a direccionar as áreas prospectivas de uma maneira com menos impacto e mais económica do que a perfuração.”

Os investigadores também destacam o potencial de usar fungos como uma ferramenta de biorremediação para recuperar ouro do lixo.

Embora o Fusarium oxsporum seja encontrado em solos ao redor do mundo e produza um micélio ou “flor” rosa – não é algo que garimpeiros devem procurar, já que as partículas de ouro só são vistas sob um microscópio.

A descoberta foi possível graças à colaboração entre a CSIRO, a Universidade da Austrália Ocidental, a Universidade de Murdoch e a Curtin University.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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