4890: Um dos ecossistemas mais isolados do mundo ganhou um novo “rei”

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Mihai Baciu / GESS LAB / Mangalia
A centopeia troglobite Cryptops speleorex

Cientistas identificaram o maior animal de sempre já descoberto na caverna de Movile, no sudeste da Roménia. Foi baptizado de “rei da caverna”.

A caverna de Movile, no sudeste da Roménia, foi descoberta em 1986 e, para além de estar imersa na escuridão, o ar é denso e repleto de gases venenosos. Apesar de tudo, existe vida dentro dela e, agora, conta o Science Alert, cientistas identificaram a maior criatura de sempre já encontrada neste local.

Trata-se de uma centopeia troglobite, que recebeu o nome de Cryptops speleorex e que cresce até 52 milímetros de comprimento e é a 35.ª espécie endémica encontrada nesta caverna romena.

“A centopeia que descrevemos é um predador venenoso, de longe o maior dos animais já encontrados nesta caverna. Pensando na sua posição superior neste sistema subterrâneo, decidimos chamar a espécie Cryptops speleorex, que pode ser traduzido como ‘rei da caverna’”, explicaram os investigadores, cujo estudo foi publicado a 16 de Dezembro, na revista científica ZooKeys.

Segundo o mesmo site, outras das criaturas já encontradas nas profundezas de Movile incluem escorpiões aquáticos, sanguessugas e aranhas minúsculas – todas dependentes dos nutrientes fornecidos pela oxidação de gases, incluindo metano e enxofre.

Esta caverna é o único ecossistema do mundo que conta com este tipo de quimiossíntese. Além disso, como não recebe qualquer luz há milhões de anos, muitos dos animais nas suas profundezas são cegos e completamente incolores.

Com cerca de metade do nível normal de oxigénio no ar e bastante sulfeto de hidrogénio, metano, amoníaco e dióxido de carbono, as deslocações dos investigadores à caverna têm de ser breves.

Apenas um pequeno número de cientistas a visita, até porque envolve uma descida de 20 metros por uma corda, escalar entre espaços apertados para chegar à caverna central e até mesmo nadar ao longo de canais submersos.

Por Filipa Mesquita
30 Dezembro, 2020