3225: Cromossoma Y está a desaparecer das células sanguíneas dos homens

CIÊNCIA/SAÚDE

(CC0/PD) typographyimages / pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriu que 44% dos homens com mais de 70 anos tinham perdido o cromossoma Y nas suas células sanguíneas.

De acordo com o portal The Atlantic, os especialistas analisaram amostras de 205.011 homens, obtidas através de um banco de genes no Reino Unido.

Os cientistas estimam que 20% da população masculina representada no estudo terá perdido o cromossoma Y nas suas células sanguíneas. Nos participantes com mais de 70 anos, a percentagem mais que duplicava, atingindo os 43,6%.

A equipa identificou 156 variantes genéticas autossómicas relacionadas com a perda do cromossoma Y, preferencialmente próximas aos genes envolvidos na regulação do ciclo celular, susceptibilidade ao cancro ou factores somáticos de crescimento de tumores.

Os seres humanos, recorde-se, têm 23 pares de cromossomas. Nas mulheres, o 23.º par é XX, enquanto que nos homens o 23.º é XY.

Os autores do estudo não sabem ao certo o que causa esta situação, mas acreditam que a perda do cromossoma Y ocorre por predisposição a processos que promovem erros durante a divisão celular ou a processos que ajudam a criar um ambiente onde as células aneuplóides – células com um número anormal de cromossomas – podem proliferar.

Na prática, a perda do cromossoma Y nas células sanguíneas pode estar a permitir que mutações de vários tipos se acumulem, podendo estas mesmas mutações ser elos subjacentes para problemas de saúde, como é o caso do cancro e das doenças cardíacas.

Análises posteriores mostraram que pessoas com alta predisposição genética para perder o cromossoma Y correm maior risco de vir a ter algum tipo de cancro. As variantes genéticas encontradas também influenciam outros aspectos, como o envelhecimento reprodutivo ao a diabetes tipo 2.

John Perry, o biólogo da universidade britânica que liderou o estudo, sugere que os novos resultados são um sinal dos danos que o ADN sofre ao longo da vida. “Assumimos que a perda do cromossoma Y é determinada por mecanismos comuns que predispõem à instabilidade do genoma e ao cancro em muitos tipos de células”, apontou.

Os resultados da investigação foram publicados no fim de Novembro na revista Nature.

ZAP //

Por ZAP
19 Dezembro, 2019

 

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605: O cromossoma Y (quase) levou os homens à extinção

Thyago Leal / Deviant Art

Um grupo de investigadores da Universidade de Stanford, no Estados Unidos, descobriu o motivo pelo qual os homens estiveram perto de desaparecer há 7.000 anos. Um alteração genética no cromossoma Y é a explicação apontada.

Para a investigação, os cientistas, liderados pelo professor de sociologia Tian Chen Zeng, partiram de informação recolhida nos continentes da África, Europa e Ásia, por volta do ano 5.000 a.C.

A diversidade genética do cromossoma Y – que corresponde ao sexo masculino na espécie humana – entrou em colapso, passando a haver, nos 2.000 anos seguintes, apenas um homem para cada 17 mulheres.

Agora, e recorrendo a técnicas de modelagem computacional, os pesquisadores conseguiram esclarecer a causa do misterioso fenómeno genético: guerras entre clãs patrilineares – onde as mulheres podiam mudar de clã, mas os homens ficavam sempre no mesmo grupo social.

O gargalo neolítico do cromossoma Y, nome pelo qual se conhece este fenómeno descoberto em 2015, dá por este nome porque apenas afectou os genes do cromossoma Y, ou seja, apenas incidiu na população do sexo masculino, transmitindo-se dos pais para os filhos “varões”.

Segundo o artigo publicado na revista científica Nature, este fenómeno fez com que a população masculina capaz de se reproduzir caísse drasticamente. Para além da pouca diversidade genética, a destruição completa de determinados clãs contribuiu também para agravar este problema.

O factor social

O aspecto social pode também responder a este fenómeno. Nos anos 10.000-8.000 a.C, houve uma reestruturação social que fez com que os humanos adaptassem uma cultura mais agrária, com estrutura patrilinear nas zonas estudadas, ao contrário do que acontecia na Ásia, onde existiam sociedades de caçadores-colectores e pastores, que tendiam a movimentar-se mais frequentemente.

“As mudanças culturais na organização política e social, fenómenos exclusivos dos seres humanos, podem estender o seu alcance a padrões de variação genética que ainda não foram descobertos”, explicaram os investigadores no artigo publicado.

Assim, as alterações na diversidade genética devem-se a causas sociais e não ambientais. Os cientistas demonstraram que as guerras entre clãs patrilineares tiveram, durante muito tempo, um efeito notável no cromossoma Y, limitando a sua variação.

Graças às novas ferramentas informáticas, os cientistas descobriram que caso se tivesse dado uma igual movimentação de pessoas entre diferentes tribos, independentemente do género dos indivíduos, não teria existido este problema genético que poderia ter terminado com a existência da população do sexo masculino.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2018

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