2961: Couraça dos crocodilos é diferente da dos seus antepassados

CIÊNCIA

b00nj / Flickr

Um antepassado dos crocodilos encontrado na Lourinhã permitiu aos cientistas concluírem que há 150 milhões de anos a couraça daqueles répteis primitivos era diferente da actual.

O estudo dos paleontólogos Octávio Mateus e Eduardo Puértolas Pascoal foi publicado na revista Zoological Journal of the Linnean Society, e conclui que há 150 milhões de anos a couraça dos crocodilos era diferente da actual.

Os fósseis de crocodilomorfos (grupo primitivo do qual derivaram os crocodilos) “até agora descobertos estão muito pouco preservados e articulados”, explicaram à Lusa os paleontólogos do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa.

Pelo contrário, o exemplar encontrado em 1999 na praia da Peralta, no concelho da Lourinhã, doado ao Museu da Lourinhã em 2014 e agora estudado, “é um caso raro em posição de vida com boa parte do dorso preservado”.

Parte do esqueleto do animal encontra-se “na conexão anatómica de um crocodilomorfo, composto por osteodermes [ossos da pele], vértebras, costelas e alguns ossos dos membros posteriores”, descreveram na nota de imprensa divulgada. O material fóssil foi sujeito a uma micro Tomografia Axial Computorizada (TAC) nos laboratórios do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana, em Espanha.

A técnica permitiu “recriar modelos em três dimensões” do animal e concluir que “a presença de vértebras anficélicas, típicas na maioria dos crocodilomorfos primitivos, a morfologia peculiar da sua armadura dérmica (formada por duas fileiras de osteodermes dorsais que se articulam através dum espinho lateral) e a presença de osteodermes ventrais poligonais indicam que, muito provavelmente” se trata de um Goniopholididae, da mesma família dos crocodilomorfos.

Os Goniopholididae são um grupo extinto de crocodilomorfos que viveram na Europa, Ásia e América do Norte, durante os períodos Jurássico e Cretácico, mas cuja linhagem se separou dos jacarés, crocodilos e gaviais durante o Jurássico, apresentando diferenças anatómicas.

Uma dessas diferenças é a sua armadura dérmica, que é formada por osteodermes, que, actuando como um todo, lhe conferem estabilidade durante a locomoção.

Por isso, mais do que protecção e absorção do calor, há 150 milhões de anos a couraça destes répteis tinha também uma função locomotora, que se perdeu depois do Jurássico Superior até aos actuais crocodilos.

Enquanto os crocodilomorfos atingiriam cinco metros de comprimento, em vida este animal teria “menos de um metro”, o que leva os paleontólogos a equacionar que poderia ser um anão, um juvenil ou uma nova espécie, conclusões a que vão conseguir chegar ao determinarem a idade deste exemplar.

O animal foi descoberto numa das jazidas do Jurássico Superior, com 150 milhões de anos, da Lourinhã, conhecidas a nível mundial pelos fósseis de dinossauro e uma das mais ricas regiões do mundo em achados paleontológicos.

ZAP // Lusa

Por Lusa
4 Novembro, 2019

 

2725: Antigos egípcios matavam crocodilos só para poder mumificá-los

CIÊNCIA

Giovanni Toso / Flickr

Um novo estudo sugere que os crocodilos eram mumificados pouco tempo após a sua morte, que era causada por uma pancada forte na cabeça.

Era comum os antigos egípcios sacrificarem animais em honra dos deuses, matando-os e mumificando-os posteriormente. Agora, graças a um novo estudo, percebe-se que esta civilização também matava crocodilos de propósito para depois mumificá-los. A Smithsonian explica que estas são as primeiras provas concretas de que os egípcios caçavam animais para mumificá-los.

Os investigadores encontraram um crocodilo mumificado com 2 mil anos em Com Ombo, uma cidade egípcia na margem do Nilo, e analisaram a sua carcaça para perceberem a causa da morte.

“A causa mais provável de morte é uma séria fractura no crânio, que causou um trauma directo no cérebro” lê-se no estudo publicado recentemente na revista Journal of Archaeological Sciences.

“O tamanho da fractura, bem com a sua direcção e forma, sugerem que ela foi feita por um único golpe, presumivelmente com um taco de madeira grosso, provavelmente quando ele estava a descansar em terra”, notaram os investigadores, citados pelo ATI.

O processo de mumificação começava “muito rapidamente após a sua morte”, presumindo que o animal era morto propositadamente para o efeito. Os cientistas observaram isto através do estômago do animal, que ainda continha restos de alimentos como ovos de répteis, insectos, roedores e peixe.

De forma a observar o animal sem danificar os milenares ossos e tecidos moles, os investigadores usaram uma técnica que permite uma autópsia virtual.

Os crocodilos não são o único animal que os antigos egípcios mumificavam, mas sem dúvida, são o mais perigoso. Também eram sacrificados cavalos, pássaros, gatos, cães, entre outros. Cada animal estava associado a um deus diferente e servia como ponte para a comunicação com cada um deles.

Os antigos egípcios nutriam uma grande admiração por este imponente animal, associado comummente ao rio Nilo e, consequentemente, à fertilidade. O estudo não conseguiu determinar se os egípcios tinham o hábito de caçar animais especificamente para serem mumificados ou se os crocodilos eram um caso à parte.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2019

 

2364: Raros crocodilos prosperam perto de uma central nuclear nos Estados Unidos

Nick Scobel / Flickr

Os canais junto da central nuclear de Turkey Point, localizada a 40 quilómetros da cidade de Miami, no estado norte-americano da Florida, tornaram-se o lar perfeito para centenas de crocodilos americanos (Crocodylus acutus).

De acordo com a agência AP, que avança com a notícia esta semana, a espécie caminhava para a extinção, mas a situação melhorou recentemente. Segundo o portal Live Science, estes animais estão agora a prosperar, tendo a espécie conseguido reproduzir-se ao ponto de passar de estar categorizada de “em perigo” para “ameaçada”.

O sistema de arrefecimento da central, com os canais artificiais de 270 quilómetros, tornou-se um dos três maiores habitats destes raros répteis nos Estados Unidos. Actualmente, centenas de crocodilos americanos vivem nas suas águas, representando cerca de 25% da totalidade de 2.000 espécimes existentes em todo o país.

A empresa Florida Power & Light, que administra a central nuclear, está a tentar aumentar a população de crocodilos americanos. Para isso, contratou uma equipa de biólogos que ajudam a proteger os répteis da caça e das mudanças climáticas. Os especialistas constroem ainda ninhos para os crocodilos e para as suas crias.

Na semana passada, a equipa capturou 73 filhotes destes crocodilos nos canais. Os filhotes foram medidos e foi-lhes implantando um micro-chip para que os cientistas possam continuar a acompanhar o seu desenvolvimento.

“Os crocodilos americanos têm má reputação, mas [estes animais] estão apenas a tentar sobreviver”, explicou Michael Lioret, um dos biólogos que trabalha na central, citado pela AP. “[Os crocodilos americanos] são tímidos e não querem nada connosco. Os seres humanos são grandes demais para estarem incluídos no seu cardápio”.

Os crocodilos americanos são nativos do sul da Florida, sendo também encontrados em regiões costeiras da América Central e do Sul, bem como no Mar das Caraíbas.

De acordo com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, estes répteis podem crescer até aos seis metros de comprimento e pesar mais que 907 quilogramas, apesar de os indivíduos das populações dos EUA tendam a ser um pouco mais pequenos.

Tal como recorda o Live Science, foi a actividade humana que destruiu grande parte dos estuários que eram o habitat desta espécie durante o início do século XX, causando o seu declínio. Agora, as imediações desta central nuclear parecem ser o local perfeito para que estes espécimes possam recuperar – e não, os animais não são radioactivos.

ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2019

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2257: Alguns crocodilos antigos eram vegetarianos

CIÊNCIA

Smokeybjb / wikipedia

Um estudo detalhado aos dentes fossilizados de alguns crocodiliformes – ancestrais dos actuais crocodilos e jacarés – revelou que estes animais tinham uma dieta vegetariana, segundo uma nova investigação.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Current Biology, foi conduzida pelos cientistas Keegan Melstom e Randall Irmis, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos.,

O estudo, que analisou 146 dentes de 16 “primos” de crocodilos, revelou que entre três a seis membros do grupo desenvolveram dentes especializados para mastigar plantas. “Os carnívoros têm dentes simples, enquanto que os dos herbívoros são muito mais complexos”, escreveu a equipa na publicação.

“O trabalho mostra que os crocodiliformes extintos tinham uma dieta incrivelmente variada”, explicou um dos cientistas envolvido na investigação, citado pelo EurekAlert.

Segundo explicaram os cientistas, alguns dos animais da época eram muito semelhantes aos seus parentes actuais, tendo uma dieta carnívora; outros, contudo, eram omnívoros, havendo ainda, muito provavelmente, outros animais que se alimentavam de plantas.

Jorge Gonzalez

A equipa disse ainda que os crocodiliformes herbívoros habitaram diferentes regiões do planeta em diferentes épocas ao longo do tempo. A investigação aponta que “o crocodiliforme herbívoro foi bem sucedido em vários ambientes”, conclui o estudo.

A equipa continua a reconstruir dietas alimentares deste grupo de animais extintos, incluindo fósseis nos quais faltam dentes, procurando entender porque é que os os ancestrais dos crocodilos se diversificaram de forma tão radical após a extinção em massa durante o Triásico Superior, mas não o fizeram durante o Cretáceo final, explica ainda o jornal britânico The Independent.

ZAP //

Por ZAP
2 Julho, 2019

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