4672: Cruz Vermelha: aquecimento global é ameaça maior do que a covid-19

CIÊNCIA/AQUECIMENTO GLOBAL/COVID-19

É “urgente” agir contra o aquecimento global, um desastre “de maior magnitude” que a covid-19 e contra o qual não há vacina, alerta a Cruz Vermelha Internacional.

Cientistas consideram que aquecimento global contribuiu para a dimensão devastadora dos incêndios que afectaram a Califórnia
© JOSH EDELSON / AFP

A mudança climática não espera que a covid-19 seja controlada para continuar a ceifar vidas, avisa a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), num relatório sobre desastres naturais em todo o mundo a partir da década de 1960.

Mais de 100 desastres climáticos ocorreram entre Março, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a pandemia do coronavírus, e Setembro, e mais de 50 milhões de pessoas foram afectadas, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional, com sede em Genebra.

“Claro que a covid está aqui, afecta as nossas famílias, os nossos amigos, os nossos parentes (…) e é uma crise gravíssima que o mundo vive actualmente”, reconheceu o secretário-geral do FICV, Jagan Chapagain, durante uma conferência de imprensa.

Mas, acrescentou, “as mudanças climáticas terão um impacto muito maior na vida humana e na Terra no médio e longo prazo” do que a covid-19, que já causou a morte de pelo menos 1,3 milhões de pessoas desde o fim de 2019. Especialmente levando em consideração que “esperamos ter uma vacina contra a covid no próximo ano e, se tudo correr bem, em alguns anos devemos ser capazes de controlar o seu impacto”, disse.

“Infelizmente, não há vacina contra as mudanças climáticas”, alerta Chapagain. “São necessárias muitas mais acções e muitos investimentos sustentáveis para proteger verdadeiramente a vida humana”, concluiu, exortando todas as pessoas a agirem.

Actualmente, observa a Cruz Vermelha Internacional, a frequência e a intensidade dos eventos climáticos estão a aumentar consideravelmente, com cada vez mais tempestades de categoria 4 ou 5 [os dois níveis mais elevados], mais ondas de calor que batem recordes de temperatura e chuvas torrenciais, entre muitas outras situações extremas.

Só em 2019 foram registadas 308 catástrofes causados por fenómenos naturais, que causaram a morte de cerca de 24.400 pessoas em todo o mundo. Destes, 77% foram desastres climáticos ou meteorológicos. O número tem aumentado desde 1960 e cresceu quase 35% desde 1990.

Sobrevivência ameaçada

Estes desastres extremos mataram mais de 410.000 pessoas na última década, a grande maioria em países de baixo e médio desenvolvimento. Ondas de calor, seguidas por tempestades, foram as causas mais mortais.

Diante deste desafio, que “literalmente ameaça a nossa sobrevivência a longo prazo”, a FICV exorta a comunidade internacional a agir sem demora.

A organização calcula que cerca de 42 mil milhões de euros por ano serão necessários para responder às necessidades de adaptação que 50 países em desenvolvimento definiram para a próxima década.

“Esse montante é irrisório diante da resposta global às repercussões económicas da pandemia”, diz a Cruz Vermelha Internacional.

Além disso, a organização lamenta que muitos países altamente vulneráveis às mudanças climáticas sejam deixados para trás e recebam apenas uma ajuda relativamente modesta.

O relatório também destaca que nenhum dos 20 países mais vulneráveis ao aquecimento global e aos desastres climáticos e meteorológicos, como a Somália, estava entre os 20 principais beneficiários ‘per capita’ de fundos para se adaptar a essas situações.

Diário de Notícias
DN/AFP
17 Novembro 2020 — 12:46

De que valem os ALERTAS se as pessoas, os governos, os políticos mundiais estão-se nas tintas para tudo isto?


3197: A crise climática vista do Espaço. Vídeo da NASA revela degelo dos glaciares no Alasca

CIÊNCIA/CLIMA

Um vídeo publicado recentemente pela NASA mostra o derretimento dos glaciares do Alasca visto do Espaço. Algumas imagens revelam mudanças de quase 50 anos.

O nosso planeta está a caminhar a passos largos para uma situação preocupante de não retorno. Vários dados científicos apontam para um cenário de crise climática global.

Recentemente, a agência espacial NASA partilhou um vídeo no qual é possível observar o degelo dos glaciares e calotas de gelo do Alasca visto do Espaço, informa a Sputnik News.

Durante a conferência anual da União Americana de Geofísica, que se realizou em São Francisco, nos Estados Unidos, os investigadores mostraram uma sequência de imagens do Alasca, da Gronelândia e da Antárctica, tiradas por satélites, incluindo as do estudo geológico do programa Landsat, da NASA.

Juntando todos os dados, os cientistas conseguiram perceber as dramáticas alterações que estão a ocorrer nos glaciares do Alasca. Entre os casos mostrados, um que preocupa particularmente os especialistas é o da diminuição dramática do glaciar Hubbard.

Na Gronelândia, por exemplo, diferentes registos de satélites mostram uma aceleração na diminuição dos glaciares desde ano 2000, assim como surgimento de lagoas devido ao degelo, que estão a espalhar-se nas alturas mais elevadas durante a última década. Este fenómeno poderia acelerar o fluxo de gelo.

Utilizando imagens de 1972 a 2019, o glaciologista Mark Fahnestock, da Universidade Fairbanks, compôs uma sequência de imagens de vários glaciares do Alasca e do território Yukon. “Agora temos este registo extenso e detalhado que nos permite ver o que aconteceu no Alasca. Quando imagens como estas são reproduzidas, temos uma ideia do quão dinâmicos são estes sistemas e quão instável é o fluxo de gelo”, afirmou.

Apesar de as imagens não serem propriamente uma novidade, o vídeo mostra o cenário actual dos glaciares do Alasca.

ZAP //

Por ZAP
15 Dezembro, 2019