4279: Grandes buracos misteriosos na Sibéria podem estar ligados às alterações climáticas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/CRIO-VULCANISMO

São pelo menos nove as crateras descobertas no Árctico, desde 2013. Os cientistas pensam que são fruto do aquecimento da região, o que enfraquece o gelo, permitindo a libertação explosiva de gás metano.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Quando estava a voar sobre a tundra da Sibéria, este verão, uma equipa de televisão russa avistou uma enorme cratera de 30 metros de profundidade e 20 metros de largura, de forma afunilada – impressionante pelo seu tamanho e simetria. Este é pelo menos o nono buraco encontrado na região desde 2013 e os cientistas ainda não sabem explicar exactamente como nem porque é que eles se formam.

A primeira cratera foi descoberta perto de um campo de petróleo e gás na Península Yamal, no noroeste da Sibéria, e as primeiras teorias surgidas então incluíam o impacto de meteorito, a aterragem de OVNIs e o colapso de uma instalação de armazenamento militar subterrânea secreta. Neste momento, os cientistas creditam que o buraco gigante está ligado a uma acumulação explosiva de gás metano – que poderia ser o resultado do aquecimento da região – mas ainda há muitos pormenores por descobrir sobre este fenómeno.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“Neste momento, não há uma teoria consensual que expliquem estes fenómenos complexos”, disse Evgeny Chuvilin, investigador do Centro de Recuperação de Hidrocarbonetos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo, que visitou o local da cratera mais recente para estudar suas características. “É possível que se estejam a formar há anos, mas é difícil fazer uma estimativa. Como as crateras geralmente aparecem em áreas desabitadas, e na sua maioria selvagens, do Árctico, muitas vezes não há ninguém para ver a sua formação e relatá-la”, disse Chuvilin, citado pela CNN. “Mesmo agora, as crateras são encontradas geralmente por acidente durante voos rotineiros de helicópteros não científicos ou por pastores de renas e caçadores.”

No entanto, a ligação às alterações climáticas parece evidente. O pergelissolo (ou permafrost – tipo de solo, composto de terra, rochas e sedimentos, que se mantém permanentemente gelado), que corresponde a dois terços do território russo, é uma enorme reservatório natural de metano, um potente gás de efeito estufa, e vos recentes Verões quentes, inclusivamente este de 2020, na região, podem ter desempenhado um papel importante na criação dessas crateras.

Chuvilin e a sua equipa estão entre os poucos cientistas que desceram a uma dessas crateras para tentar perceber como ela se formou. O acesso às crateras deve ser feito com equipamento de escalada e há uma janela limitada – as crateras transformam-se em lagos num período de dois anos após a sua formação.

© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Os cientistas recolheram amostras de solo permafrost, solo e gelo da borda de um buraco – conhecido como cratera Erkuta – durante uma viagem de campo em 2017, após a sua descoberta por biólogos que estavam na área observando a nidificação de falcões. Seis meses depois, os cientistas observaram a área com drones. “O principal problema com essas crateras é o quão incrivelmente rápido, geologicamente, elas se formam e como duram pouco antes de se transformarem em lagos”, disse Chuvilin. “Encontrar uma cratera no remoto Árctico é sempre um golpe de sorte para os cientistas.”

O estudo, que foi publicado em junho, mostrou que os gases, principalmente o metano, podem acumular-se nas camadas superiores do permafrost, oriundos de múltiplas fontes – tanto das camadas profundas da Terra quanto mais próximas à superfície. A acumulação desses gases pode criar uma pressão suficientemente forte para rebentar as camadas superiores do solo congelado, espalhando terra e rochas e criando a cratera.

“Queremos sublinhar que os estudos dessas cratera estão numa fase muito inicial e cada nova cratera leva a novas pesquisas e descobertas”, disse Chuvilin.

Com a cratera Erkuta, a teoria dos cientistas sugere que ela se formou num lago que provavelmente tinha uma zona de solos não congelados – quando o lago começou a secar, essa zona congelou, aumentando a pressão subterrânea até que o gás foi finalmente lançado através de uma explosão poderosa – um tipo de vulcão de gelo.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“O crio-vulcanismo, como alguns investigadores lhe chamam, é um processo muito pouco estudado e descrito na criosfera, uma explosão envolvendo rochas, gelo, água e gases que deixa para trás uma cratera. É uma ameaça potencial à actividade humana no Árctico, e é preciso estudar exaustivamente como os gases, especialmente o metano, se acumulam nas camadas superiores do permafrost e quais condições podem levar a uma situação extrema “, observou Chuvilin. A criosfera são porções da superfície da Terra onde a água está na forma sólida – gelo.

“Essas emissões de metano também contribuem para o aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, e a própria mudança climática pode ser um factor no aumento do crio-vulcanismo. Mas isso ainda é algo que precisa ser investigado”, disse Chuvilin.

Diário de Notícias

DN

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spacenews

 

1602: O planeta Ceres tem um oceano “quase eterno” no seu interior (e pode ter vida)

NASA

As marcas da erupção de crio-vulcões no planeta anão Ceres ajudaram os cientistas a provar que, debaixo da superfície gelada do planeta, existe um oceano “quase eterno”.

“Os crio-vulcões [vulcões que expelem substâncias como água, amoníaco ou metano em vez de lava] podem ser um dos refúgios principais da vida no Universo. Por esta razão, nós tentamos entender como funcionam as fontes de água que os alimentam e se escondem debaixo da superfície gelada de planetas e como se comportam”, declarou Marc Hesse da Universidade do Texas, EUA.

As primeiras imagens de Ceres obtidas pela sonda Dawn em 2015 mostraram duas estruturas extraordinárias inesperadas: misteriosas manchas brancas na cratera Occator, que serão vestígios salinos desse oceano, e um monte piramidal, Akhun, de quatro quilómetros de altitude.

Posteriormente, os investigadores descobriram que o Akhun é um antigo crio-vulcão extinto, e que as manchas brancas são vestígios da erupção de vulcões semelhantes. Além disso, noutras regiões, os cientistas encontraram depósitos de gelo “limpo”, que indicam que a superfície de Ceres se renova constantemente, já que este gelo devia ter-se evaporado há muito tempo.

Tais descobertas, publicadas na revista Geophysical Research Letters, fazem com que os cientistas suponham que, no subsolo do planeta anão, pode haver um oceanocongelado ou não -, constituído por uma espécie de salmoura ou por água, aquecida por uma fonte ainda desconhecida.

Segundo Hesse, os planetólogos têm discutido sobre a existência de água líquida em Ceres, se acreditarmos nos cálculos, esta água duraria apenas algumas centenas de milhares de anos antes de congelar completamente. Tal não corresponde aos dados segundo os quais as manchas brancas surgiram na cratera Occator há relativamente pouco tempo, ao passo que ela própria apareceu há 30 milhões de anos.

Hesse e os seus colegas desvendaram o enigma, examinando a composição química das erupções de “magma de água” e as suas características físicas e das rochas de Ceres.

Os cientistas criaram um modelo do subsolo do planeta e avaliaram o seu comportamento sob a influência do Sol e do metano no suposto oceano e nas rochas de Ceres.

Foi descoberto que o “magma de água” dos crio-vulcões solidificava mais lentamente do que se pensava: permanecia líquido durante entre seis a dez milhões de anos depois da formação. A velocidade do seu arrefecimento dependia da concentração da salmoura — quanto mais água tivesse, mais lentamente perdia o calor.

Segundo Hesse, isso significa que, a grande profundidade debaixo da cratera Occator, existe um depósito de água, que não podia surgir em resultado do impacto de um asteróide, por isso a sua formação não pode ser explicada sem a presença de um grande oceano no manto do planeta.

Esse oceano, por sua vez, caso a sua água tenha a mesma composição, existirá quase eternamente graças às altas temperaturas e pressão nas profundidades de Ceres. Os cientistas esperam que as imagens obtidas pela sonda Dawn nos últimos meses da sua vida ajudem a verificar essa hipótese.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
16 Fevereiro, 2019

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1022: Desvendado o mistério da cratera do “fim do mundo” da Sibéria

CIÊNCIA

CV Bulka / YouTube

Um grupo de cientistas russos concluiu que a misteriosa cratera formada em 2014 na península de Yamal, no norte da Sibéria, foi resultado de uma actividade incomum de crio-vulcanismo na Terra.

Por norma, os fenómenos de crio-vulcanismo são encontrados em outros planetas e satélites. Um crio vulcão é um vulcão de gelo e água, mas a sua estrutura básica é muito semelhante às formações vulcânicas do nosso planeta.

Em condições de temperaturas extremamente baixas, o crio-vulcão não expele rochas derretidas, mas antes água e outros compostos químicos, como metano e amoníaco, em diferentes estados físicos.

De acordo com o novo estudo, publicado nesta semana na revista Scientific Reports, a cratera de Yamal parece ter resultado do colapso de um grande pingo – uma pequena colina típica das regiões polares – que se formou no interior de um lago de degelo que posteriormente acabou por secar.

Os pingos formam-se quando os lagos secam nas regiões com permafrost – camada de solo permanentemente congelado. Ao secarem, a água que existe no subsolo do reservatório, que encontra-se congelada, exerce pressão sobre a terra à superfície, dando origem à estrutura cónica.

A cratera do “fim do mundo”, como ficou reconhecida, foi descoberta em 2014 na península de Yamal e, desde então, a sua misteriosa origem levantou dúvidas. As teorias sobre a sua origem foram-se multiplicando e iam desde a queda de um meteorito até ao derretimento do permafrost causado pelo aquecimento global.

No outono de 2016, a cratera de Yamal encheu-se de água, tornando-se um lago com 52 metros de profundidade e 25 de diâmetro. Agora, quatro anos após a sua descoberta, os fenómenos do crio-vulcanismo explicam a sua origem.

Por ZAP
15 Setembro, 2018

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