4767: Cientistas encontram nova criatura gelatinosa no fundo do mar (mas podem nunca mais voltar a vê-la)

CIÊNCIA/BIOLOGIA/MICROBIOLOGIA


Desconheço a razão mas infelizmente, o ZAP não disponibiliza o link para os seus vídeos, pelo que teve de ser efectuada uma captura de écran.

Uma equipa de investigadores da Administração Nacional de Pesca Oceânica e Atmosférica (NOAA) revelou que descobriu Duobrachium sparksae, uma nova espécie de ctenóforo – ou águas-vivas-de-pente.

A descoberta foi feita remotamente usando imagens de vídeo de alta definição capturadas no fundo do oceano pelo veículo operado remotamente (ROV) Deep Discoverer durante um mergulho na costa de Porto Rico.

O encontro do Deep Discoverer com a nova espécie ocorreu em 2015. No entanto, como a equipa tinha de confirmar a descoberta de uma nova espécie usando apenas imagens de alta definição, foi necessário mais tempo para verificar o que encontraram.

As câmaras do Deep Discoverer conseguiram captar detalhes subtis no corpo do novo espécime. Um sistema de laser também ajudou a medir a criatura marinha, mostrando que o seu corpo tinha aproximadamente 6 centímetros de comprimento e os seus tentáculos tinham aproximadamente 30 centímetros.

De acordo com o ScienceAlert, a análise do organismo mostrou que é facilmente distinguível de todas as outras espécies conhecidas de ctenóforo.

“É único porque fomos capazes de descrever uma nova espécie baseada inteiramente em vídeo de alta definição”, explicou Allen Collins, biólogo marinho da NOAA, em comunicado. “Não temos os mesmos microscópios que teríamos num laboratório, mas o vídeo pode dar-nos informações suficientes para entender a morfologia em detalhe, como a localização das suas partes reprodutivas e outros aspectos.”

Para os investigadores, a característica mais notável do Duobrachium sparksae é o seu corpo bulboso em forma de balão. Três indivíduos diferentes foram filmados durante a expedição do Deep Discoverer em 2015, a cerca de 3.900 metros sob o mar. Um deles parecia estar a usar os seus tentáculos para ancorar-se no fundo oceânico.

O próximo passo seria recuperar uma amostra física da nova espécie. No entanto, avistamentos como estes são tão raros que os cientistas admitem que outro pode nem acontecer nas nossas vidas.

Este estudo foi publicado em Novembro na revista científica Plankton and Benthos Research.

ZAP //

Por ZAP
5 Dezembro, 2020


4697: Antiga criatura marinha semelhante a uma lula tinha concha em forma de clip (e deverá ter vivido 200 anos)

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

James Mckay

Dois investigadores da Syracuse University encontraram evidências de que uma antiga criatura parecida com uma lula, caracterizada por ter uma concha em forma de clip de papel, pode ter vivido durante centenas de anos.

Linda Ivany e Emily Artruc apresentaram a sua pesquisa durante uma reunião online da Geological Society of America, onde falaram sobre as suas descobertas.

Segundo a equipa, Diplomoceras maximum viveu há aproximadamente 68 milhões de anos nas águas em torno do que hoje é conhecido como a Antárctica, mais ou menos na mesma época que o tiranossauro rex. Este período ficou conhecido como a idade maastrichtiana do período cretáceo superior.

A criatura era parecida com uma lula e a sua concha tinha mais de 1,5 mede altura, uma amonita que fazia parte de um grupo extinto de cefalópodes tentáculos. A equipa credita que foi extinta ao mesmo tempo que os dinossauros, presumivelmente pelo mesmo motivo: a colisão com o asteróide Chicxulub.

Tal como diz o Phys, o que realmente fez o Diplomoceras maximum se destacar foi a forma única da sua concha, pois a parte superior dobrada para frente e para trás é muito semelhante a um clip de papel. Durante a pesquisa, Ivany e Artruc descobriram algo notável sobre a criatura antiga – a sua vida útil.

A dupla de investigadores estava a estudar a concha de um espécie que já havia sido encontrada por outros cientistas. Como parte de seu trabalho, estudaram a sua composição química e, neste sentido, reuniram amostras ao longo da concha que eram recolhidas em intervalos de 50 cm.

Também realizaram testes de isótopos de oxigénio e carbono ao longo da casca para perceber melhor a sua idade em geral e por quanto tempo a criatura poderia estar viva. Neste processo, a equipa encontrou marcas isotópicas repetidas.

Os investigadores sugerem que as marcas vieram do metano libertado na água do fundo do mar a cada ano. O metano deixava uma marca que cobria a concha da criatura a cada ano, por isso ao somar o número de marcas na casca a equipa conseguiu calcular a sua idade, percebendo assim que a espécie viveu cerca de 200 anos.

Os especialistas sugerem que esta descoberta é interessante porque, embora alguns moluscos modernos vivam aproximadamente 200 anos, as lulas que hoje se conhecem, e que são o exemplo actual mais parecido com esta criatura, normalmente vivem apenas quatro ou cinco anos.

ZAP //

Por ZAP
21 Novembro, 2020


2322: Sahara já foi casa de algumas das maiores criaturas marinhas

CIÊNCIA

American Museum of Natural History
Algumas das criaturas marinhas que viveram naquele que é agora o deserto do Sahara.

O Sahara nem sempre foi um deserto e há milhares de anos atrás tinha animais, plantas e lagos. Cientistas descobriram agora que algumas das maiores criaturas marinhas viveram lá.

O deserto do Sahara é um dos maiores desertos do mundo, mas há milhares de anos atrás não era esse o caso. Os cientistas reconstruiram espécies aquáticas extintas que viviam lá e verificaram que são algumas das maiores do mundo. Os resultados da investigação foram recentemente publicados pela American Museum of Natural History Library.

O mar do Sahara teria 50 metros de profundidade e cobria mais de 3 mil quilómetros quadrados. De acordo com a paleontóloga responsável pelo estudo, Maureen O’Leary, o norte do Mali “parecia-se mais com Porto Rico”.

Os investigadores também recolheram informações necessárias para traçar um mapa geológico, ilustrando como é que o mar fluía durante os seus 50 milhões de anos de existência. Segundo o jornal britânico The Guardian, a investigação também permitiu saber mais sobre o limite K-Pg, que marcou o final da Era Mesozóica com a extinção em massa dos dinossauros.

A reconstrução das espécies revelou a existência de, por exemplo, cobras do mar com mais de 12 metros. O’Leary sugere que muitas espécies que habitavam o Sahara eram gigantes.

American Museum of Natural History
Reconstrução de um Dipnoicos, apelidado de “peixe pulmonado”.

“Colocamos a ideia de que talvez esse gigantismo insular possa dizer respeito a ilhas de água”, disse a investigadora. O gigantismo insular corresponde a um fenómeno biológico através do qual o tamanho dos animais isolados numa ilha aumenta drasticamente ao longe de várias gerações. Isto porque, para além de terem menos predadores, têm mais recursos disponíveis.

“O Sahara está cheio de pessoas. Às vezes estávamos a trabalhar naquilo que pareceria ser um deserto remoto, e alguém passava por nós numa bicicleta a motor. É um ambiente muito vivo”, disse O’Leary.

Expedições de 1999, 2003 e 2009 ao Sahara já tinham provado a existência passada de criaturas marinhas — e os próprios locais sabiam que o mar tinha passado lá. “Eles falavam-nos das conchas que encontravam e sabiam que se tratavam de conchas marinhas”, disse a paleontóloga.

O’Leary explicou que o facto de o Sahara já ter estado submerso mostra que há um precedente para alterações climáticas e aumento do nível do mar. “Espero que, ao entenderem estes exemplos históricos, as pessoas possam aceitar que o que os cientistas lhes dizem é verdade. E não só é verdade, como existem exemplos históricos de magnitude muito maior onde o planeta mudou”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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