2715: Crianças Inca sacrificadas eram colocadas em vulcões para serem atingidas por relâmpagos

CIÊNCIA

Crianças Inca que eram sacrificadas eram colocadas propositadamente em locais onde teriam uma hipótese alta de serem atingidas por um relâmpago – como os vulcões.

Investigadores examinaram os restos mortais de seis crianças encontradas em dois vulcões no Peru – Ampato e Pitchu Pitchu – para tentar perceber de que Império eram originárias. As crianças foram colocadas em plataformas de pedra especiais para sacrifício em áreas conhecidas por serem expostas a raios, de acordo com o Science in Poland (PAP), um site administrado pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior do país.

Acredita-se que as plataformas tenham sido atingidas repetidamente por raios, o que explica porque é que alguns dos restos mortais – incluindo roupas e tecidos moles – não ficaram preservados, assim como outras vítimas de sacrifício inca.

“Segundo os incas, uma pessoa atingida por um raio recebe uma grande honra – um deus manifestou interesse nessa pessoa”, explicou Socha, do Centro de Estudos Andinos da Universidade de Varsóvia, ao site polaco.

Na época em que esses sacrifícios aconteciam, há cerca de 500 ano, os incas acreditavam que as crianças mortas se tornariam intermediárias entre humanos e deuses. “Os incas consideravam as crianças puras e intocadas. O seu status deveria facilitar a persuasão dos deuses para tomar decisões específicas”, disse Socha.

O sacrifício de crianças no Império Inca foi realizado como parte do ritual “capacocha”. As crianças eram escolhidas porque eram consideradas as mais puras da sociedade, portanto, as melhores pessoas para oferecer aos deuses. Estudos anteriores sugerem, de acordo com o Newsweek, que as vítimas eram escolhidas com muitos anos de antecedência – amostras de cabelo das vítimas indicaram que eram “engordadas” durante vários anos antes da sua morte.

Três múmias encontradas no sítio arqueológico mais alto do mundo – o Monte Llullaillaco, na fronteira da Argentina e do Chile – forneceram informações consideráveis ​​sobre a vida das vítimas incas de sacrifícios de crianças. As múmias, encontradas num santuário próximo ao cume da montanha, são algumas das mais bem preservadas do mundo – o que significa que os cientistas são capazes de reconstruir as suas vidas com detalhes sem precedentes.

(CC0/PD) DasWortgewand / pixabay
Segundo os Incas, uma pessoa atingida por um raio recebe uma grande honra

A análise isotópica das suas amostras de cabelo mostrou como, nos meses e semanas antes da sua morte, as crianças foram drogadas com álcool e coca, da qual a cocaína é derivada. Os investigadores acreditam que isso pode ter ajudado a sedar as vítimas antes das suas mortes. Uma das múmias, conhecida como Llullaillaco Maiden, foi encontrada com um pedaço de folhas de coca na boca.

Não se sabe exactamente como é que as crianças eram escolhidas. Foi sugerido, contudo, que podem ter vindo de diferentes partes do império como uma forma de conectar comunidades.

A investigação de Socha e da equipa parece apoiar essa ideia. Um crânio examinado – que pertencia a uma menina – foi alongado artificialmente – uma prática usada nas planícies, longe de onde os seus restos foram encontrados. A análise dos seus dentes também mostrou que sofreu de fome por volta dos três anos de idade.

“Suponho que foi então que a garota foi tirada dos pais e levada para Cuzco, capital do império inca, onde a garota esteve a ser preparada durante três anos para ser sacrificada no topo do vulcão”, disse Socha à PAP.

A equipa planeia estudar mais amostras de dentes para que possam determinar a sua dieta e local de origem, o que deve ajudara saber mais sobre o sacrifício de crianças inca.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2019

 

2552: NASA procura nome para rover marciano. Sugestões reservadas a crianças

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

A NASA lançou uma competição de nomes para o seu rover que vai a Marte em 2020. O detalhe curioso é: apenas crianças podem participar.

Com a intenção de dar ao robô explorador uma identidade própria, a NASA tem em vigor uma iniciativa que inclui a participação dos alunos do ensino básico e secundário. Os interessados devem enviar um texto com a sua sugestão de nome para o rover até o dia 1º de Novembro. Os textos serão avaliados consoantes a adequação, originalidade e relevância e vão ser seleccionados e separados em três grupos.

A competição terá 52 semifinalistas por grupo e cada um destes vai representar o seu Estado ou país. A decisão final será dada de acordo com a participação do público.

O voto popular terá a possibilidade de escolher nove finalistas. A votação está prevista decorrer em Janeiro de 2020. E, no dia 18 de Fevereiro de 2020, o resultado é revelado, um ano antes de o rover aterrar na superfície marciana.

Dinheiro Vivo
30.08.2019 / 00:29

 

1023: Gestos e linguagem. Crianças e chimpanzés são macaquinhos de imitação

CIÊNCIA

(cc) KISSPNG

Segundo uma nova investigação, crianças ainda na fase pré-fala e chimpanzés usam cerca de 90% dos mesmo gestos físicos. A descoberta lança uma nova luz sobre a origem da comunicação dos primatas.

A investigação, publicada a 8 de Setembro na Animal Cognition, é a primeira a classificar os gestos criados por crianças através da mesma técnica usada na classificação de gestos de outros primatas, nomeadamente de chimpanzés.

Os resultados demonstraram que crianças entre os 12 e os 24 meses usam cerca de 90% dos mesmos gestos utilizados por chimpanzés jovens e adultos. Os gestos incluem os abraços, os saltos ou pulos, o pisar e o arremesso de objectos.

Segundo os investigadores, a existência desta similitude nos gestos sugere que os gestos das crianças são comportamentos inatos – um legado da partilha comum na história evolutiva.

Os autores do estudo esperavam expor as semelhanças e as diferenças na forma como as crianças humanas usam os gestos em comparação com os primatas, na esperança de desvendar novos caminhos no desenvolvimento da comunicação humana.

“Sabendo que os chimpanzés e os humanos partilharam um ancestral comum há cerca de 5 ou 6 milhões de anos, quisemos saber se a nossa história evolucionária de comunicação também se reflectiu no desenvolvimento humano”, afirmou Verena Kersken, investigadora na Universidade de Gottingen e autora do estudo.

No estudo, os investigadores observaram os gestos das crianças nas suas próprias casas ou nas creches juntos dos seus pares, familiares ou educadoras.

Na observação foram analisadas 13 crianças no total, 6 na Alemanha e 7 no Uganda. O facto de terem sido escolhidas culturas tão diferentes não é casual, e o objectivo neste método serviria para “diminuir a predisposição do impacto cultural e da língua nativa nos primeiros gestos”, lê-se no documento.

Já os chimpanzés analisados tinham idades compreendidas entre 1 e 51 anos, e foram observados no seu habitat natural na floresta Budongo, no Uganda.

Os macacos selvagens, não sendo portadores de uma linguagem vocal, utilizam cerca de 80 gestos diferentes que foram recolhidos num dicionário online, Great Ape Dictionary, que ajuda a desvendar o significado da linguagem destes mamíferos.

“Chimpanzés, gorilas e orangotangos, todos usam gestos para comunicar no seu dia-a-dia, mas até ao momento faltava um primata em toda a equação: nós“, explicou Catherine Hobaiter, autora sénior da investigação e cientista na Escola de Psicologia e Neuro-ciência da Universidade de St. Andrews.

“Usamos a mesma abordagem para estudar chimpanzés e crianças, o que faz sentido – as crianças são apenas pequenos macacos“, revelou.

Os gestos documentados nas crianças incluem levantar braços, pisões, palmas, abraços, abanar de cabeça, agarrar entre outros num total de 52 diferentes gestos dos quais 46, ou 89%, também foram documentados nos chimpanzés. Tal como os macacos, as crianças usaram os gestos isoladamente ou numa sequência para exprimir os seus anseios.

“Achávamos que iríamos encontrar um ou outro gesto semelhante, mas estamos fascinados por encontrar tantos gestos de macacos nos gestos das crianças”, contou Hobaiter.

Quanto às diferenças, o estudo indica que as crianças terão usado com mais frequência gestos de apontar – coisa que os macacos têm muita dificuldade e até cães e lobos o fazem com mais distinção. Curiosamente, o gesto de abanar a mão em forma de cumprimento ou de despedida aparentou ser um gesto distintamente humano.

Apesar das grandes diferenças entre o Homem e o macaco, esta investigação demonstra que o ser humano reteve algum dos comportamentos partilhados anteriormente com o macaco e que são visíveis no início do nosso desenvolvimento.

Os investigadores também adiantaram que estes gestos desempenham uma importante tarefa naquilo que será, depois, o desenvolvimento da linguagem verbal.

No futuro, a equipa que desenvolveu o estudo afirma que gostaria de repetir a investigação mas com um maior número de crianças num espectro ainda mais diversificado de culturas.

Importa ainda sublinhar que, independentemente do passado comum, estes comportamentos semelhantes poderão estar relacionados com o facto de as crianças e os chimpanzés terem corpos similares, o que resulta numa igual linguagem corporal.

Por ZAP
15 Setembro, 2018

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