4901: Flor com mais de 100 milhões de anos foi preservada até agora por âmbar birmanês

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA/BOTÂNICA

Oregon State University

Um grupo de investigadores da Oregon State University identificou um novo género de uma flor do período médio do Cretáceo. Esta foi encontrada congelada no tempo por âmbar birmanês.

George Poinar Jr., professor da Faculdade de Ciências da OSU, está radiante com a descoberta da equipa. “É uma beleza, especialmente considerando que fazia parte de uma floresta que existiu há 100 milhões de anos“, sublinhou.

“A flor masculina apesar de ser minúscula, pois só tem 2 milímetros de largura, conta com cerca de 50 estames dispostos em espiral, com anteras apontando para o céu”, revelou Poinar num comunicado. Os estames são folhas modificadas em órgãos reprodutores masculinos, produtores de grãos de pólen.

“Apesar de ser tão pequeno, o detalhe que resta da flor é incrível”, explica Poinar, acrescentando que a espécie encontrada “provavelmente fazia parte de um grupo de plantas que continha muitas flores semelhantes, sendo que algumas seriam possivelmente fêmeas”.

A pequena flor ainda conta com uma taça floral oca em forma de ovo, a parte da flor da qual emanam os estames, uma camada externa de seis componentes em forma de pétalas, conhecidos como tépalas, e anteras de duas câmaras com sacos polínicos que são abertos por válvulas com dobradiças laterais, diz o Cienciaplus.

Os investigadores da OSU e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos denominaram a nova flor de Valviloculus pleristaminis. “Valva” é o termo latino para classificar a folha de uma porta dobrável, “loculus” significa “compartimento”, “plerus” refere-se a “muitos” e “staminis” reflete as dezenas de órgãos sexuais masculinos da flor.

A flor foi envolta num âmbar no antigo super-continente de Gondwana e foi transportada numa placa continental desde a Austrália ao sudeste da Ásia, detalhou Poinar.

Foram muitas as flores de angiosperma que foram descobertas no âmbar birmanês, a maioria das quais analisadas por Poinar e por um outro especialista, Kenton Chambers, que também colaborou nesta pesquisa. As angiospermas são plantas vasculares com caules, raízes e folhas, e que têm ovos que fertilizam e se desenvolvem dentro da flor.

Segundo Poinar, como as angiospermas só evoluíram e se diversificaram há cerca de 100 milhões de anos, o Bloco da Birmânia Ocidental não poderia ter-se separado de Gondwana antes, o que é muito posterior às datas até agora sugeridas pelos geólogos.

Por Ana Moura
2 Janeiro, 2021


4492: Cientistas reconstroem besouros do Cretáceo

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

D. Peris & R. Kundrata

Investigadores reconstruiram besouros do Cretáceo e conseguir entender melhor a evolução da espécie durante este período da História.

Há cerca de um ano, uma equipa de investigadores encontrou espécimes fossilizados de besouros em Mianmar, descrevendo assim uma nova família de besouros que viveu há 99 milhões de anos. No entanto, o estado dos espécimes fossilizados não era bom o suficiente para conseguir perceber nitidamente a sua morfologia.

Agora, os cientistas examinaram quatros espécimes recém-encontrados da espécie Mysteriomorphidae e reconstruíram-nos. Os resultados foram publicados este mês na revista científica Scientific Reports e permitem retirar conclusões sobre a evolução da espécie durante o Cretáceo.

Os investigadores recorreram a um TAC para analisar os besouros, permitindo estudar pequenas características destes fósseis.

“O primeiro estudo deixou algumas questões em aberto sobre a classificação destes fósseis que tiveram que ser respondidas. Aproveitamos a oportunidade para investigar essas questões com novas tecnologias”, explica David Peris, investigador do Instituto de Geociências e Meteorologia da Universidade de Bonn.

“Usamos a morfologia para definir melhor a localização dos besouros e descobrimos que eles eram muito próximos dos Elateridae, uma família actual”, explica Robin Kundrata, da Palacky University, o segundo autor principal do estudo.

Os cientistas descobriram que estas linhagens de besouro compartilham várias características entre si. Além disso, chegaram à conclusão que os besouros descritos não sobreviveram ao final do período Cretáceo.

“Os nossos resultados apoiam a hipótese de que os besouros, mas talvez outros grupos de insectos, sofreram uma diminuição na sua diversidade durante o período da revolução das plantas”, disse Peris. O investigador refere-se ao período de Cretáceo em que várias novas plantas substituíram as antigas num ambiente em mudança.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2020

 

4465: Pequeno crocodilo do Cretáceo pode ter-se alimentado de titanossauros bebé

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Aina and Agnès Amblás / Institut Català de Paleontologia Miquel Crusafont
Ogresuchus furatus

O pequeno crocodilo do período Cretáceo foi identificado a partir de restos de um esqueleto encontrado numa área de nidificação de titanossauros na Catalunha, em Espanha.

Segundo o Sci-News, o Ogresuchus furatus foi uma espécie de crocodilo da família dos Sebecidae que viveu durante o período Cretáceo Superior, há cerca de 71,5 milhões de anos. O animal media cerca de 1,1 metros de comprimento e pesava 9kg.

Os cientistas encontraram os restos do esqueleto no sítio paleontológico de El Mirador na área de Coll de Nargó, província de Lleida, na Catalunha. “A principal característica dos Sebecidae é que, ao contrário dos crocodilos existentes, estes animais tinham os membros sob o corpo”, explicou o paleontólogo Albert Sellés.

Esta característica permitiu que a espécie se tornasse um predador eficiente, já que permitiu ao Ogresuchus furatus mover-se de forma semelhante aos mamíferos existentes.

Quando descobriram o esqueleto parcial, os investigadores repararam que, junto dele, havia cascas de ovos de titanossauros. Essa descoberta secundárias fez a equipa levantar a hipótese de que o crocodilo pode ter-se alimentado destes animais.

“Os titanossauros bebé não eram a sua principal fonte de alimento, mas podem ter sido uma presa fácil, de acordo com as características anatómicas do crocodilo”, complementou Sellés. O artigo científico com as descobertas foi publicado em Setembro na Scientific Reports.

Ogresuchus furatus representa o registo mais antigo de Sebecidae em todo o mundo e o primeiro conhecido na Eurásia, sendo 10 milhões de anos mais velho do que qualquer outro Sebecidae conhecido até hoje. “Esta descoberta leva-nos a redefinir a história evolutiva de toda a família”, rematou o investigador.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2020

 

 

4397: Um dos maiores predadores do Cretáceo era um “monstro” do rio

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Gustavo Monroy-Becerril / Wikimedia

A descoberta de um enorme conjunto de registos dentários mostra que um dos maiores predadores do Cretáceo era habitante do rio – e não um caçador terrestre.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinou uma colecção de mais de mil dentes e concluiu que os gigantes espinossauros eram enormes “monstros do rio”.

Estudos no início deste ano já tinham trazido peso à teoria de que podiam ser dinossauros que viviam na água, uma vez que foi descoberto que as suas caudas eram perfeitamente adaptadas para a locomoção aquática.

O gigante nadador Spinosaurus aegyptiacus podia atingir comprimentos de 15 metros do focinho à cauda, ​​pesando cerca de seis toneladas.

Esta última investigação analisou 1.261 dentes e fragmentos de dentes recuperados de um antigo leito de rio chamado Kem Kem, em Marrocos, que, no seu apogeu, atravessava o Deserto do Saara há cerca de 100 milhões de anos.

Enquanto vasculhavam as suas descobertas, ficou claro que os espinossauros, cujos dentes são fáceis de localizar graças à sua superfície distinta com secções transversais arredondadas que brilham na luz, contribuiu para a maioria da colheita.

“O grande número de dentes que colhemos no leito do rio pré-histórico revela que os espinossauros estavam lá em grandes números, respondendo por 45% do total de restos dentários”, disse David Martill, professor de paleo-biologia da Universidade de Portsmouth, em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Não conhecemos nenhum outro local onde tal massa de dentes de dinossauro tenha sido encontrada em rochas com ossos”.

“A maior abundância de dentes de espinossauros, em relação a outros dinossauros, é um reflexo do seu estilo de vida aquático. Um animal que vive grande parte da sua vida na água tem muito mais probabilidade de contribuir com dentes para o depósito do rio do que aqueles dinossauros que talvez só visitavam o rio para beber e se alimentar ao longo das suas margens”, explicou.

O leito do rio Kem Kem é um local popular para os restos mortais de espinossauros em geral, que são frequentemente encontrados entre um elenco diversificado de criaturas do Cretáceo, incluindo peixes-serra, celacantos, crocodilos, répteis voadores e dinossauros terrestres.

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Os cientistas afirmam que, embora alguns restos de dinossauros que vivem na terra sejam encontrados dentro do Kem Kem, o grande volume dos dentes de espinossauro prova que viveram e morreram no rio – em vez de ao longo das margens.

Este estudo será publicado em Janeiro de 2021 na revista científica Cretaceous Research.

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Por ZAP
28 Setembro, 2020

 

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3041: Descoberto no Japão fóssil de pássaro com 120 milhões de anos

CIÊNCIA

(dr) Masanori Yoshida
Reconstituição da ave Fukuipteryx prima

O fóssil de um pássaro do Cretáceo recentemente descoberto no Japão pode levar os cientistas a repensarem alguns detalhes sobre a evolução do voo.

Há cerca de 120 milhões de anos, um pássaro com o tamanho de um pombo voou sobre as florestas do Cretáceo, naquilo que agora é o Japão. O fóssil recentemente descoberto, preservado em três dimensões, é o primeiro pássaro desta era encontrado fora da China.

Segundo o Live Science, este pássaro antigo, agora chamado Fukuipteryx prima, possui uma característica encontrada em pássaros modernos que não se vê noutros fósseis de aves deste período: uma placa óssea perto da cauda.

Conhecida como pigóstilo, esta estrutura triangular suporta penas da cauda e tem sido associada à evolução de caudas mais curtas para voar. Mas os investigadores suspeitam agora que, embora essa placa tenha surgido à medida que as caudas se tornaram menores, não é necessariamente uma adaptação ao voo.

De acordo com Takuya Imai, autor principal do estudo, publicado na revista científica Communications Biology, e professor assistente do Instituto de Pesquisa de Dinossauros da Universidade da Província de Fukui, os F. prima têm membros anteriores mais longos do que os membros posteriores, ossos do ombro não fundidos e uma cauda encurtada com um pigóstilo.

Embora alguns dinossauros não-aviários possam ter tido alguma dessas características, apenas os pássaros têm todos, disse o investigador em declarações ao mesmo site.

Tal como o Archaeopteryx — o pássaro mais antigo já conhecido —, o Fukuipteryx tinha uma pélvis não fundida e uma fúrcula (também conhecida por “osso da sorte”) em forma de U: marcas de pássaros primitivos.

Outros ossos intactos do fóssil incluem costelas, vértebras e ossos de membros, bem como o pigóstilo, que era “longo, robusto, em forma de bastão” e que terminava com “uma estrutura parecida com uma pá”, dizem os investigadores, acrescentando que, em alguns aspectos, o formato do pigóstilo deste pássaro lembra o de uma galinha doméstica.

Anteriormente, pensava-se que as caudas dos pássaros diminuíam à medida que os animais se adaptavam ao voo. Mas o Fukuipteryx prima é um pássaro mais primitivo do que o último dos aviadores de cauda longa: uma espécie chamada Jeholornis, que viveu na China entre 122 e 120 milhões de anos.

Isto sugere que a perda das caudas longas e a aparência do pigóstilo podem não estar ligadas ao voo. “Precisamos de mais evidências para clarificar esta situação”, diz Imai.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2019

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