4323: A vida na Terra pode ter “nascido” nas crateras de meteorito

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA/QUÍMICA

gamene / Flickr

Os impactos de asteróides causaram alguns dos maiores eventos destrutivos da história da Terra. Agora, um novo estudo mostra que esses impactos também podem ter fornecido as condições certas para a vida começar no nosso planeta.

A maioria dos dinossauros foi extinta devido ao impacto de um asteróide gigante, quando um objecto atingiu a ponta norte da Península de Yucatán há cerca de 66 milhões de anos. Mas e se os impactos de asteróides também fossem responsáveis pelo desenvolvimento da vida na Terra?

“Se pedir a alguém que imagine o que acontece quando pedaços de rocha do tamanho de um quilómetro atingem a Terra, isso é tipicamente destrutivo. É um evento de extinção como aquele que matou os dinossauros”, disse Gordon Osinski, cientista planetário da Western University, citado pelo Western News.

“O que estamos a tentar fazer é transformar essa ideia. O impacto é inicialmente destrutivo, mas também fornece os blocos de construção para a vida e cria novos habitats para a vida. Essencialmente criam um oásis para a vida“, continuou.

As condições imediatamente após um impacto teriam sido um pesadelo para qualquer forma de vida que existia antes da queda. Toneladas de destroços teriam sido lançadas para a atmosfera. A rocha derretida no chão da cratera queimaria tudo em que tocasse e libertaria gases venenosos para o ar.

Depois de a rocha arrefecer e essas condições se estabilizarem, pode ter sido deixado para trás o ambiente ideal para a vida microbiana se desenvolver e prosperar.

De acordo com o estudo, conforme o lago da cratera se forma na bacia de impacto, a combinação de água, calor, minerais e produtos químicos formaria condições em que os micróbios teriam um ambiente seguro e uma fonte abundante de energia.

“Mostrámos que os impactos podem fornecer todos os blocos de construção necessários para a vida e criar habitats para a vida imediatamente após o impacto”, escreveu Osinski, num e-mail enviado ao The Weather Network.

Esses habitats incluem “sistemas hidrotérmicos transitórios”, semelhantes às fontes hidrotermais no fundo do oceano ao longo da dorsal mesoatlântica, e fontes termais e géiseres no Parque Nacional de Yosemite, mas de natureza mais temporária devido para o impacto

Outros incluem “habitats endolíticos”, onde a vida se pode desenvolver dentro dos poros e fissuras em rochas de impacto vítreas e dentro de ilhas flutuantes de pedra-pomes porosa, onde seriam protegidos da radiação ultravioleta prejudicial do Sol.

Além disso, as piscinas rochosas formadas nos fluxos vulcânicos de arrefecimento, onde a água se pode acumular, fornecem excelentes ambientes seguros.

A partir do seu estudo das crateras de meteoritos na Terra, Osinski e a sua equipa mostraram que os impactos podem produzir qualquer um ou todos estes ambientes. “O principal aqui é que estes habitats não existiam antes do impacto e não existiriam a menos que ocorresse um impacto”, disse Osinski.

Saber como a vida começou na Terra não só nos ajuda a rastrear as nossas próprias origens, mas também pode ajudar na nossa busca por vida noutro lugar. As missões a Marte, por exemplo, podem procurar oásis semelhantes na sua busca por vida passada ou presente.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astrobiology.

ZAP //

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14 Setembro, 2020

 

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4293: Empresa australiana encontra uma das maiores crateras de meteorito do mundo

CIÊNCIA/ESPAÇO

rickmach / Flickr
Fotografia ilustrativa da cratera de meteorito no Arizona

Uma empresa australiana, que levava a cabo perfurações em busca de ouro, encontrou uma enorme cratera de meteorito, com 100 milhões de anos.

Uma equipa de geólogos encontrou uma cratera gigante, com uma idade estimada em 100 milhões de anos, perto da cidade Ora Banda, no sudoeste da Austrália. De acordo com o The Guardian, a cratera tem um diâmetro de cerca de cinco quilómetros e, embora não seja visível da superfície, foi encontrada graças a pesquisas electromagnéticas.

O geólogo e geofísico Jayson Meyers disse que a descoberta foi significativa e inesperada, dado que foi feita numa “área onde a paisagem é muito plana”. Esta cratera, encontrada por acaso durante uma perfuração em busca de ouro pela empresa Evolution Mining, é considerada uma das maiores crateras de meteorito do mundo.

(dr) Resource Potentials

“Se conseguirmos entender a história geológica, podemos prever quando acontecerá o próximo evento”, disse o especialista.

“Provavelmente, já fomos atingidos por mais asteróides do que pensávamos. Se começarmos a reconhecer estes eventos, o panorama começa a mudar. Temos que questionar a frequência e por que razão acontecem”, acrescentou, sugerindo que o meteorito da Ora Banda tinha um diâmetro entre 100 e 200 metros.

ZAP //

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7 Setembro, 2020

 

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4279: Grandes buracos misteriosos na Sibéria podem estar ligados às alterações climáticas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/CRIO-VULCANISMO

São pelo menos nove as crateras descobertas no Árctico, desde 2013. Os cientistas pensam que são fruto do aquecimento da região, o que enfraquece o gelo, permitindo a libertação explosiva de gás metano.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Quando estava a voar sobre a tundra da Sibéria, este verão, uma equipa de televisão russa avistou uma enorme cratera de 30 metros de profundidade e 20 metros de largura, de forma afunilada – impressionante pelo seu tamanho e simetria. Este é pelo menos o nono buraco encontrado na região desde 2013 e os cientistas ainda não sabem explicar exactamente como nem porque é que eles se formam.

A primeira cratera foi descoberta perto de um campo de petróleo e gás na Península Yamal, no noroeste da Sibéria, e as primeiras teorias surgidas então incluíam o impacto de meteorito, a aterragem de OVNIs e o colapso de uma instalação de armazenamento militar subterrânea secreta. Neste momento, os cientistas creditam que o buraco gigante está ligado a uma acumulação explosiva de gás metano – que poderia ser o resultado do aquecimento da região – mas ainda há muitos pormenores por descobrir sobre este fenómeno.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“Neste momento, não há uma teoria consensual que expliquem estes fenómenos complexos”, disse Evgeny Chuvilin, investigador do Centro de Recuperação de Hidrocarbonetos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo, que visitou o local da cratera mais recente para estudar suas características. “É possível que se estejam a formar há anos, mas é difícil fazer uma estimativa. Como as crateras geralmente aparecem em áreas desabitadas, e na sua maioria selvagens, do Árctico, muitas vezes não há ninguém para ver a sua formação e relatá-la”, disse Chuvilin, citado pela CNN. “Mesmo agora, as crateras são encontradas geralmente por acidente durante voos rotineiros de helicópteros não científicos ou por pastores de renas e caçadores.”

No entanto, a ligação às alterações climáticas parece evidente. O pergelissolo (ou permafrost – tipo de solo, composto de terra, rochas e sedimentos, que se mantém permanentemente gelado), que corresponde a dois terços do território russo, é uma enorme reservatório natural de metano, um potente gás de efeito estufa, e vos recentes Verões quentes, inclusivamente este de 2020, na região, podem ter desempenhado um papel importante na criação dessas crateras.

Chuvilin e a sua equipa estão entre os poucos cientistas que desceram a uma dessas crateras para tentar perceber como ela se formou. O acesso às crateras deve ser feito com equipamento de escalada e há uma janela limitada – as crateras transformam-se em lagos num período de dois anos após a sua formação.

© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Os cientistas recolheram amostras de solo permafrost, solo e gelo da borda de um buraco – conhecido como cratera Erkuta – durante uma viagem de campo em 2017, após a sua descoberta por biólogos que estavam na área observando a nidificação de falcões. Seis meses depois, os cientistas observaram a área com drones. “O principal problema com essas crateras é o quão incrivelmente rápido, geologicamente, elas se formam e como duram pouco antes de se transformarem em lagos”, disse Chuvilin. “Encontrar uma cratera no remoto Árctico é sempre um golpe de sorte para os cientistas.”

O estudo, que foi publicado em junho, mostrou que os gases, principalmente o metano, podem acumular-se nas camadas superiores do permafrost, oriundos de múltiplas fontes – tanto das camadas profundas da Terra quanto mais próximas à superfície. A acumulação desses gases pode criar uma pressão suficientemente forte para rebentar as camadas superiores do solo congelado, espalhando terra e rochas e criando a cratera.

“Queremos sublinhar que os estudos dessas cratera estão numa fase muito inicial e cada nova cratera leva a novas pesquisas e descobertas”, disse Chuvilin.

Com a cratera Erkuta, a teoria dos cientistas sugere que ela se formou num lago que provavelmente tinha uma zona de solos não congelados – quando o lago começou a secar, essa zona congelou, aumentando a pressão subterrânea até que o gás foi finalmente lançado através de uma explosão poderosa – um tipo de vulcão de gelo.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“O crio-vulcanismo, como alguns investigadores lhe chamam, é um processo muito pouco estudado e descrito na criosfera, uma explosão envolvendo rochas, gelo, água e gases que deixa para trás uma cratera. É uma ameaça potencial à actividade humana no Árctico, e é preciso estudar exaustivamente como os gases, especialmente o metano, se acumulam nas camadas superiores do permafrost e quais condições podem levar a uma situação extrema “, observou Chuvilin. A criosfera são porções da superfície da Terra onde a água está na forma sólida – gelo.

“Essas emissões de metano também contribuem para o aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, e a própria mudança climática pode ser um factor no aumento do crio-vulcanismo. Mas isso ainda é algo que precisa ser investigado”, disse Chuvilin.

Diário de Notícias

DN

Relacionados: “Nasceu” mais uma cratera colossal nos solos de permafrost da Sibéria

 

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4267: “Nasceu” mais uma cratera colossal nos solos de permafrost da Sibéria

CIÊNCIA/AMBIENTE

Uma cratera com 50 metros de profundidade foi recentemente descoberta na tundra da península de Yamal, na Rússia.

De acordo com o jornal britânico The Independent, a cratera de grandes dimensões foi inicialmente avistada em Julho por uma equipa de televisão que sobrevoava a zona no regresso de um trabalho na relacionado com o fenómeno.

Uma equipa de Cientistas do Centro Russo para o Desenvolvimento das Terras Árcticas já fizeram saber que estão a estudar a cratera de “grandes dimensões”, que é fruto de uma erupção de gases que ocorre no meio da tundra de Yamal, no noroeste da Sibéria.

É a 17.ª cratera deste tipo descoberta na Sibéria desde 2014.

Estas crateras representam os restos dos chamados “pingos” – colinas típicas das regiões polares – que se formam devido à alta pressão dos gases nas câmaras subterrâneas nas condições de permafrost, camada de solo que está sempre congelada.

Quando esta tensão atinge um determinado ponto, uma forte corrente parte a camada de terra congelada e gelo, atirando-a a centenas de metros de distância e deixando uma espécie de “funil” arredondado no lugar da colina.

Em comunicado, citado pela Russia Today, os cientistas russos revelam que a 17.ª cratera encontrada está “em perfeitas condições”, o que permitiu fazer uma análise detalhada deste fenómeno natural que ocorre na Sibéria.

Em 2018, o estudo de uma cratera semelhante, com profundidade máxima de 52 metros e com cerca de 25 metros de diâmetro, ajudou os cientistas a explicar a origem destes funis e a refutar algumas teorias sobre a sua formação, como a queda de um meteorito.

Desvendado o mistério da cratera do “fim do mundo” da Sibéria

Um grupo de cientistas russos concluiu que a misteriosa cratera formada em 2014 na península de Yamal, no norte da…

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3 Setembro, 2020

 

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4190: Astrónomos terão identificado a maior cratera do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Tsunehiko Kato / 4D2U Project / NAOJ

Uma equipa de astrónomos descobriu que Ganimedes, a gigante lua de Júpiter, pode ter a maior estrutura de impacto já identificada no Sistema Solar.

Ganimedes é um corpo espacial impressionante. Além de ser a maior lua do Sistema Solar, é a única que gera o seu próprio campo magnético e é a que tem mais água líquida. Agora, os cientistas descobriram que pode ser também a “casa” da maior estrutura de impacto do Sistema Solar.

Astrónomos descobriram que as calhas tectónicas conhecidas como sulcos, consideradas as mais antigas feições geológicas de Ganimedes, formam uma série de anéis concêntricos de até 7.800 quilómetros de diâmetro, como se algo tivesse batido na lua.

Se se confirmar, ultrapassará em muito todas as outras estruturas de impacto confirmadas no Sistema Solar.

Os sulcos de Ganimedes são depressões com bordas elevadas e afiadas – e há muito que se acredita que são o resultado de grandes impactos no início da história de Ganimedes, quando a sua litosfera era relativamente fina e fraca. Porém, uma reanálise dos dados do Ganimedes liderada por Naoyuki Hirata, da Escola de Ciências da Universidade de Kobe, conta uma história um pouco diferente.

Hirata e os seus colegas examinaram as imagens obtidas pelas sondas Voyager, que voaram por Júpiter em 1979, e o orbitador Galileo Júpiter, que estudou o planeta e os seus satélites entre 1995 a 2003.

As imagens mostram que Ganimedes tem uma história geológica complexa. A lua é dividida em dois tipos de terreno – o Terreno Escuro e o Terreno Brilhante.

O Terreno Brilhante é mais claro na cor e relativamente sem crateras, sugerindo que é muito mais jovem do que o Terreno Escuro fortemente marcado. Este terreno mais antigo está cheio de crateras e crateras. Estas crateras foram feitas em cima de cicatrizes anteriores – os sulcos que podem ser encontrados em quase todo o Terreno Escuro.

A equipe catalogou todos os sulcos, mapeando-os na superfície de Ganimedes, e descobriram que quase todas as estruturas, em vez de estarem dispostas ao acaso em torno de muitos pontos de impacto, eram concentradas num único ponto.

Além disso, as depressões envolviam a lua, abrangendo até 7.800 quilómetros. O diâmetro de Ganimedes é de 5.268 quilómetros.

A próxima etapa da investigação foi determinar o que poderia ter causado tal estrutura. A equipa fez simulações de vários cenários e descobriu que o culpado mais provável era um asteróide com 150 quilómetros de diâmetro, que terá colidido com a lua a uma velocidade de cerca de 20 quilómetros por segundo.

Isto terá ocorrido durante o Intenso Bombardeio Tardio, há cerca de quatro mil milhões de anos, quando Ganimedes ainda era jovem. Durante este período, acredita-se que a lua tenha sofrido um golpe devido ao foco gravitacional de Júpiter.

Além disso, uma estrutura semelhante pode ser encontrada nas proximidades. Noutra lua de Júpiter, Calisto, a cratera Valhalla é uma cratera de impacto de vários anéis com um diâmetro de até 3.800 quilómetros, que se pensa ter entre dois e quatro mil milhões de anos.

A cratera Valhalla é a actual detentora do recorde de maior estrutura de impacto no Sistema Solar, seguida pela Utopia Planitia em Marte, uma bacia de impacto de 3.300 quilómetros de diâmetro.

“A missão JUICE (Jupiter Icy Moon Explorer) da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2022 e chegada em 2029, examinará Júpiter e as suas luas, incluindo Ganimedes. Esperamos que JUICE confirme os resultados deste estudo e melhore ainda mais a nossa compreensão da formação e evolução das luas de Júpiter”, disse Hirata, em comunicado.

Este estudo será publicado em Dezembro na revista científica Icarus.

ZAP //

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19 Agosto, 2020

 

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4152: Ceres: Planeta anão é um mundo com água

CIÊNCIA(ASTRONOMIA

Ceres é um planeta anão localizado na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. Até agora, desde a sua descoberta, em 1801, por Giuseppe Piazzi, acreditava-se que fosse mais uma rocha seca, das muitas presentes na imensidão que é o Espaço.

Contudo, novas observações deram conta da existência de um reservatório de água salgada, até então desconhecido.

Cratera em Ceres aloja água salgada

Além de estar situado na cintura de asteróides entre e Marte e Júpiter, Ceres é também o maior objecto aí presente. Assim, é possível que a Nave Espacial Dawn, da NASA, capture imagens de alta resolução da sua superfície.

Agora, uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e da Europa analisou imagens recolhidas da órbita de Ceres, capturadas a cerca de 35 quilómetros de distância. O foco foi a cratera Occator, com 20 milhões de anos. Ali, sob a sua superfície, encontraram um “extenso reservatório” de água salgada.

Além da equipa que reunia elementos dos EUA e da Europa, outras realizaram pesquisas sobre o Ceres. Esses estudos foram publicados na Nature Astronomy, Nature Geoscience e Nature Communications. Assim, foi possível erguer a cortina sobre alguns factos, outrora desconhecidos, face ao planeta-anão.

Através de um sistema de imagens infravermelhas, uma das equipas descobriu a presença do compound hydrohalite. Isto é, um material comummente encontrado no gelo marinho, mas que nunca tinha sido detectado fora da Terra.

De acordo com Maria Cristina De Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica, de Roma, o compound hydrohalite é uma confirmação da existência de água do mar em Ceres. Além disso, acrescentou que este planeta anão é uma “espécie de mundo oceânico”, assim como algumas das luas de Saturno e de Júpiter.

Água e vida fora da Terra

Ainda que só tenham sido detectados agora, a mesma equipa disse ainda que os depósitos de sal pareciam ter-se vindo a acumular pelos últimos dois milhões de anos. Por isso, é possível que a água salgada possa estar ainda a ascender do interior do planeta. Além do tempo que demorou a acumular-se, o seu jeito instável remete para um aparecimento recente.

O material encontrado no Ceres é extremamente importante em termos de astrobiologia.

Sabemos que estes minerais são essenciais para a emergência de vida.

Disse Maria Cristina De Sanctis.

Esta é uma descoberta incrível, para aquilo que têm sido as incessantes procuras por água, e até por possibilidades de vida, noutros planetas.

Pplware
Autor: Ana Sofia
11 Ago 2020

 

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3611: Novo estudo refere que a cratera Jezero em Marte pode abrigar sinais de vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A NASA continua a palmilhar a superfície de Marte na expectativa de conhecer os pontos fundamentais para a chegada do novo veículo ao solo marciano. Nesse sentido, uma nova análise de imagens de satélite sustenta a hipótese de que a cratera de Jezero no planeta vermelho poderá ser um bom lugar para procurar marcadores de vida.

Conforme já foi veiculado pela agência espacial, a sonda Perseverance da NASA, cujo lançamento está previsto para Julho de 2020, aterrará na cratera de Jezero.

Rios de Marte deixaram marcas fortes na paisagem

As faixas ondulantes de terra visíveis do espaço revelam rios que outrora percorriam a superfície marciana. Contudo, fica a questão que poderá ser importante, no estudo do planeta: durante quanto tempo é que a água correu?

Segundo um novo estudo, esta água correu no leito tempo suficiente para registar evidências de vida antiga no planeta.

Quando os investigadores modelaram o tempo que levou a formar as camadas de sedimentos num delta de um rio antigo depositados à medida que este descia para a cratera, concluíram que se a vida tivesse existido perto da superfície marciana, poderiam ter sido capturados vestígios dela dentro das camadas do delta.

Provavelmente houve água durante uma duração significativa em Marte e esse ambiente era certamente habitável, mesmo que pudesse ter sido árido.

Mostrámos que os sedimentos eram depositados rapidamente e que se houvesse orgânicos, teriam sido enterrados rapidamente, o que significa que provavelmente teriam sido preservados e protegidos.

Referiu o autor principal Mathieu Lapôtre, professor assistente de ciências geológicas na Universidade de Stanford.

Formação da cratera Jezero

A NASA seleccionou a cratera Jezero para a sua próxima missão rover, em parte, porque o local contém um delta do rio. Os investigadores sabem que os deltas do rio na Terra preservam eficazmente as moléculas orgânicas associadas à vida.

Mas sem uma compreensão das taxas e durações dos eventos de construção do delta, a analogia continuou a ser especulativa. Assim, a nova investigação na AGU Advances oferece orientações para a recuperação de amostras, a fim de compreender melhor o antigo clima marciano e a duração da formação do delta. O Rover Perseverance to Mars da NASA, que será lançado como parte da primeira missão de retorno de amostras de Marte, irá inicialmente estudar essa área.

O estudo incorpora uma descoberta recente que os investigadores fizeram sobre a Terra: rios sinuosos de rosca única, que não têm plantas a crescer sobre as suas margens, movem-se de lado cerca de 10 vezes mais depressa do que os que têm vegetação.

Com base na força da gravidade de Marte, e assumindo que o planeta vermelho não tinha plantas, os cientistas estimam que o delta na cratera de Jezero levou pelo menos 20 a 40 anos para se formar. No entanto, a formação era provavelmente descontínua e originou que esse processo durasse cerca de 400.000 anos.

Isto é útil porque um dos grandes desconhecidos de Marte é o tempo. Encontrando uma forma de calcular a taxa para o processo, podemos começar a ganhar esta dimensão de tempo.

Referiu Lapôtre.

Uma vez que os rios de um só fio e serpenteantes são mais frequentemente encontrados com vegetação na Terra, a sua ocorrência sem plantas permaneceu, em grande parte, indetectável até há pouco tempo. Pensava-se que antes do aparecimento das plantas, só existiam rios entrançados, compostos por múltiplos canais entrelaçados.

Evolução da vida na Terra

Agora que os investigadores sabem que o devem procurar, encontraram rios serpenteantes na Terra onde não há plantas, como no McLeod Springs Wash, na bacia do Toiyabe, no Nevada.

Os investigadores estimaram também que os períodos húmidos conducentes a uma acumulação significativa de deltas eram cerca de 20 vezes menos frequentes em Marte antigo do que são actualmente na Terra.

Segundo os cientistas, as descobertas da cratera de Jezero poderiam ajudar a compreensão de como a vida evoluiu na Terra. Se a vida já existiu lá, é provável que não tenha evoluído para além da fase de célula única. Isso porque a cratera de Jezero formou-se há mais de 3,5 mil milhões de anos, muito antes dos organismos na Terra se terem tornado multi-celulares.

Se a vida existiu uma vez na superfície, algum evento desconhecido que esterilizou o planeta parou a sua evolução. Isso significa que a cratera marciana poderia servir como uma espécie de cápsula do tempo preservando sinais de vida como poderia ter existido em tempos na Terra.

Poder usar outro planeta como uma experiência de laboratório para saber como a vida poderia ter começado noutro lugar ou onde há um registo melhor de como a vida começou – isso poderia realmente ensinar-nos muito sobre o que é a vida. Estas serão as primeiras amostras que vimos como uma rocha em Marte e depois trazidas de volta à Terra, por isso é bastante excitante.

Concluiu Lapôtre.

Marte é, a seguir à Terra, o planeta que o ser humano mais conhece, contudo, ainda sabe muito pouco. Descobrir os segredos do solo marciano poderá ajudar a descobrir o início da vida terrena.

Pplware
27 Abr 2020

 

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3302: Descoberta no Laos a cratera de um meteorito gigante que caiu na Terra há 790 mil anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Alexander Ozerov / Canva

Um novo estudo, liderado pelo geólogo norte-americano Kerry Sieh, revelou que existe uma cratera de impacto de um grande meteorito que caiu na Terra há 790 mil anos no Laos.

Segundo os investigadores, a cratera encontra-se “debaixo da lava jovem do campo vulcânico de Bolaven”. Num estudo publicado esta semana na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences, os cientistas apresentaram “evidências estratigráficas, geoquímicas, geofísicas e geocronológicas de que a cratera, com cerca de 15 quilómetros de diâmetro, está enterrada sob um grande campo vulcânico jovem no sul” do Laos.

Especialistas apontam que “a cratera e os efeitos proximais do grande impacto de um meteorito conseguiram não ser descobertos durante há quase um século”. No entanto, durante muito tempo, estimou-se que “estavam localizados em algum lugar da Indochina“.

No fim dos anos 1930, geólogos descobriram depósitos das chamadas tectitas – pedras na forma de “gotas de vidro preto” nas costas da Austrália e no sudeste da Ásia “espalhadas em aproximadamente 20% do hemisfério oriental da Terra”. Nessa época, acreditava-se que foram geradas como resultado da queda de um grande corpo celeste.

O interior e a superfície da Terra mudam constantemente, o que dificulta o trabalho dos investigadores para encontrar vestígios de queda de asteróides e meteoritos.

Agora, os cientistas concentraram-se em distorções no campo gravitacional da Terra que podem aparecer perto da cratera. Foi essa busca que indicou a existência da cratera no Laos, no território do planalto de Bolaven, cheio de lava e detritos de rochas sedimentares.

Estudos de seu conteúdo mostraram que a cratera é composta pelos mesmos minerais que as tectitas e, nas proximidades da cratera, os cientistas descobriram traços de rochas deformadas como resultado de um forte impacto.

ZAP //

Por ZAP
3 Janeiro, 2020

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3074: Revelados os segredos de uma misteriosa cratera gigante na Austrália

CIÊNCIA

Stephan Ridgway / Flickr

No estado da Austrália Ocidental, há a famosa cratera de Wolfe Creek, criada pela queda de um meteorito de 14 mil toneladas que colidiu com a Terra há milhares de anos.

Porém, um novo estudo agora afirma que o impacto aconteceu muito mais recentemente do que suspeitávamos, levando a repensar a frequência com que as rochas espaciais gigantes atingem o nosso planeta.

Um grupo de investigadores de várias universidades da Austrália e dos Estados Unidos analisaram as características da rocha subjacente da cratera para obter uma medida precisa da idade do ponto mais famoso de Wolfe Creek.

Estimativas anteriores afirmaram que a cratera poderia ter 300 mil anos, mas o novo resultado afirma que terá apenas 120 mil anos.

A cratera de Wolfe Creek foi permanecendo notavelmente bem preservada ao longo dos tempos. O sítio também se destaca pelo facto de ser a segunda maior cratera da Terra a ainda ter fragmentos da rocha espacial ofensiva. A grande maioria das crateras encontradas hoje na Terra tem menos de 100 mil anos. As mais antigas foram-se perdendo, desgastadas ou encobertas.

“Noutros lugares, as crateras são destruídas por actividades geomórficas, como a migração de rios ou processos de declividade nas montanhas”, disse Tim Barrows, geoquímico na Universidade de Wollongong, em comunicado. “Como a Austrália tem um excelente registo de preservação com crateras datadas dentro da zona árida, podemos extrapolar uma taxa para toda a Terra”.

O meteorito que abriu um buraco na paisagem da Austrália Ocidental tinha 15 metros de diâmetro e movia-se a cerca de 17 quilómetros por segundo. A colisão destruiu o terreno subjacente, liquidificando o meteorito e a crosta.

Houve várias tentativas para determinar a idade da cratera. As primeiras tentativas estabeleceram um limite superior de cerca de dois milhões de anos mas, desde então, os geólogos estabeleceram-se em 300 mil anos.

A equipa analisou a deterioração constante de dois isótopos – berílio-10 e alumínio-26. Um segundo método envolvia luminescência opticamente estimulada, que determina o tempo de passagem através da medição de mudanças na energia capturada na rede cristalina da areia derretida pela explosão.

Combinando os dados, de acordo com o estudo publicado na revista especializada Meteoritics & Planetary Science, os cientistas colocaram uma idade máxima na cratera de cerca de 137 mil anos, embora seja mais provável que o impacto tenha ocorrido há cerca de 120 mil anos.

Uma revisão da idade de Wolfe Creek sugere que o interior da Austrália tem sete crateras maiores com mais do que 25 metros que se formaram desde então, dando uma taxa de um ataque de um meteorito a cada 17 mil anos. “Tendo em conta que a árida Austrália é apenas cerca de 1% da superfície, a taxa aumenta para uma a cada 180 anos”, disse Barrows.

Estudos anteriores estimaram que os impactos do tamanho de Wolfe Creek devem ocorrer a cada 13 mil anos, com crateras mais pequenas, de cerca de 150 metros de diâmetro, a ser deixadas a cada 500 anos.

O cosmos não segue um cronograma, mas estes números ajudam a avaliar a seriedade com que devemos levar os avisos para observar os céus para evitar potenciais riscos. É possível que apareça outra cratera de Wolfe Creek em algum lugar da Terra no futuro. E, avisa o ScienceAlert, da próxima vez, pode não ser tão remoto como o interior australiano.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2019

 

2831: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2693: Revelada fotografia do misterioso material do lado oculto da Lua

CIÊNCIA

CNSA / CLEP

A agência espacial chinesa já tinha anunciado a descoberta de uma espécie de gel numa cratera lunar. Não satisfeita com as primeiras imagens, fez regressar o Yutu-2 ao local para recolher mais fotografias.

Em Julho, imagens recolhidas pelo veículo robótico Yutu-2, da missão Chang’e-4, revelaram a existência de uma substância gelatinosa numa cratera situada no lado mais negro da Lua. Na altura, a Agência Espacial chinesa anunciou a descoberta descrevendo o material como tendo uma forma, cor e textura diferentes do restante da superfície do satélite natural da Terra.

Este fim de semana, foram divulgadas novas imagens, de acordo com o Sapo Tek. A sonda chinesa terá sido capaz de detectar o gel, depois de inspeccionar a pequena cratera lunar com uma ferramenta espectroscópica conhecida como VNIS (Visible and Near-Infrared Spectrometer).

Esta tecnologia é capaz de determinar a composição química de uma substância ao analisar a luz que a matéria reflecte, embora seja impossível determinar com exactidão o que é a substância em causa na ausência de estudos mais completos sobre a sua origem.

Uma das teorias apontada pelos cientistas é que esta substância possa ser vidro derretido pelo calor de meteoritos que atingiram a Lua, deixando a cratera no local. Impactos de alta velocidade na superfície lunar podem criar rochas vítreas e ígneas, assim como estruturas cristalinas.

Em entrevista ao Space.com, Clive Neal, cientista da Universidade de Notre Dame, explicou que, apesar de a fotografia não ser perfeita, pode oferecer pistas preciosas. Segundo o mesmo especialista, o material encontrado assemelha-se a uma amostra de vidro de impacto, encontrada durante a missão Apolo 17, em 1972. A origem é atribuída a uma erupção vulcânica datada de há 3,54 mil milhões de anos.

O especialista da NASA Dan Moriarty concorda que é muito difícil fazer uma avaliação definitiva da composição química da substância em função da baixa qualidade da imagem. O material descrito parece um pouco mais brilhante do que o material circundante, embora o brilho real seja difícil de confirmar nas fotografias obtidas.

No dia 8 de Dezembro, a China lançou com sucesso a sonda da missão Chang’e-4, tornando-se no primeiro país a realizar uma alunagem bem sucedida no lado oculto da Lua. Chang’e-4 e Yutu-2 estão a realizar várias medições e a recolher rochas que podem revelar novos detalhes sobre esta área inexplorada do nosso satélite natural.

ZAP //

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23 Setembro, 2019

 

2236: Astrónomos encontraram uma nova (e surpreendente) cratera em Marte

NASA / JPL / University of Arizona
Nova cratera em Marte encontrada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)

Marte não se “magoa” facilmente mas, quando acontece, o resultado pode ser quase comparado a uma obra de arte. Uma cratera, descoberta em Abril pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), é a prova disso.

Notável não só pelo tamanho como também pelas ondas de impacto, a marca preta e azul recentemente descoberta destaca-se como uma espécie de “polegar dorido” na superfície vermelha e poeirenta de Marte, conta o Science Alert.

Anualmente, o Planeta Vermelho é bombardeado por mais de 200 asteróides e cometas, no entanto, tal como explicou a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, esta nova cratera é uma das mais impressionantes que alguma vez viu.

Nos 13 anos em que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) tem observado o planeta, são poucos os acontecimentos que se comparam a este porque, embora o fragmento da rocha espacial responsável pareça ter cerca de 1,5 metros de largura, a própria cratera é muito maior, com cerca de 15 a 16 metros.

Um “culpado” tão pequeno como este fragmento provavelmente teria queimado ou erodido na atmosfera muito mais espessa da Terra ou, mesmo em Marte, deveria ter quebrado. Neste caso, porém, a rocha deveria ser mais sólida do que o habitual, porque conseguiu bater num ponto da região Valles Marineris, localizada próxima do equador marciano.

A imagem acima foi capturada pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da NASA, que orbita o planeta a 255 quilómetros de distância. De acordo com o anúncio publicado no seu site oficial, “o que se destaca é o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada”.

A natureza exacta da geografia nesta região continua a ser incerta, mas Bray afirma que a superfície será provavelmente basalto e a parte azul que vemos na imagem deverá ser um pouco de gelo que também estava escondido sob a poeira.

Os astrónomos pensam que o embate tenha acontecido entre Setembro de 2016 e Fevereiro deste ano.

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26 Junho, 2019

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2214: Gravuras pré-históricas encontradas na cratera de impacto que poderia ter extinguido a Humanidade

CIÊNCIA

(dr) University of the Free State
As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte

Os cientistas são capazes de reconhecer a natureza especial da cratera de impacto de Vredefort, mas esta já havia sido reconhecida por antigos habitantes da região.

Várias gravuras rupestres foram misteriosamente descobertas dentro da Cratera Vredefort, na África do Sul. Esta é a maior cratera de impacto do mundo, com cerca de 186 quilómetros de largura, e foi formada por um asteróide, há cerca de dois mil milhões de anos.

De acordo com o portal sul-africano IOL, que cita a African News Agency, a equipa de cientistas considera que a cratera resultou de um impacto maior do que o do asteróide que extinguiu os dinossauros, e que, “se na altura o Homem existisse”, teria sido extinto.

Uma equipa de cientistas tem trabalhado arduamente para analisar as influências geológicas da cratera na área circundante. Agora, a equipa está convencida de que a cratera não é apenas um local de importante significado geológico e planetário, mas também para entender a primeira população de seres humanos daquela região.

As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte – todos eles animais que poderiam ser encontrados naquela área há cerca de 8.000 anos. Os cientistas estabeleceram assim que aquela arte rupestre era a marca do trabalho manual dos Khoi-San, os primeiros povos sul africanos.

Os cientistas desconfiam que estas gravuras representaram um importante papel nas cerimónias associadas à chuva.

“Como cientistas, reconhecemos a natureza especial da cratera de impacto, mas também foi reconhecida por antigos habitantes da região”, disse Matthew Huber, geógrafo da University of the Free State da África do Sul.

Desde que as marcas se tornaram uma descoberta arqueológica significativa, Huber e os seus colegas pediram ajuda a arqueólogos locais para tentar descobrir o que foi feitos nestes locais e de que forma estas espécies de rituais influenciaram as pessoas que lá viviam.

As gravuras antigas aparecem no exterior das estruturas de pedra dentro da área da cratera conhecida como The Granophyre Dykes, que se estende por seis quilómetros de comprimento e 16 metros de largura. As marcas, com cerca de 8.000 anos, aparecem um pouco desbotadas, mas, ainda assim, perceptíveis.

(dr) University of the Free State
Outra das gravuras encontradas na cratera de impacto de Vredefort

Shiona Moodley e Jens Kriek, dois arqueólogos que trabalhavam no local, adiantaram que a mitologia Khoi-San acreditava num universo de três camadas, segundo o qual o nível superior hospeda o deus e os espíritos dos mortos, o nível intermediário representa o mundo material ou físico, e o nível inferior “segura” os mortos.

Nesta mitologia, acredita-se que as cobras ocupam todos estes três reinos, e que são criaturas “de chuva”. Segundo o All That’s Interesting, as gravuras surgem numa parte da superfície que faz parte de uma espécie de albufeira, que, curiosamente, tinha uma forma muito semelhante à de uma divindade de cobra de chuva, uma figura importante na cultura Khoi-San com poderes para “invocar” a chuva.

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22 Junho, 2019

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2157: Localizada na Escócia a cratera da maior colisão de meteorito da história

CIÊNCIA

Universidade de Oxford

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford detectou evidências da existência de uma cratera de 20 quilómetros de diâmetro gerada pelo impacto de um asteróide de um quilometro de comprimento.

A descoberta, que foi publicada no Journal of the Geological Society, foi produzida pelo exame de rochas localizadas na costa norte da Escócia, mas não permitiu localizar a posição exacta da cratera.

“O material libertado após o impacto de um meteorito gigante raramente é preservado na superfície, porque sofre erosão muito rapidamente”, disse Ken Amor, director da investigação, em comunicado. “Este é um achado realmente empolgante.”

Especialistas concluíram que um meteorito atingiu a Terra há 1.200 milhões de anos numa faixa de terra que agora está na Escócia, mas que, naquela época, era uma área árida perto do Equador. Naquela época, a vida na Terra estava confinada aos oceanos.

“Teve de ser um espectáculo considerável ver este grande meteoro a atingir uma paisagem estéril, libertando poeira e detritos de rocha numa grande área”, disse Amon. Neste momento, a superfície poderia ter sido semelhante à que Marte teve no passado, quando foi coberta por oceanos de água líquida, segundo os cientistas.

Investigadores  localizaram a posição da cratera a 15 ou 20 quilómetros de uma região próxima à costa escocesa, sob rochas jovens e água da bacia de Minch. “O próximo passo será realizar uma pesquisa geofísica em profundidade nessa área”, disse Amon.

Os cientistas descobriram os primeiros traços dessa colisão em 2008, quando detectaram traços de irídio, um elemento químico encontrado em meteoritos em altas concentrações. Até então, este irídio estava localizado numa camada de rochas localizada ao norte de Ullapool, uma cidade na região norte da Escócia.

Inicialmente, concluiu-se que as rochas provinham de uma erupção vulcânica, mas análises subsequentes revelaram a origem extraterrestre desses materiais. “Temos sido muito sortudo por podermos estudar estas pedras, porque podemos dizer muito sobre como a superfície de planetas, como Marte, é modificado pelos impactos de grandes meteoritos”, disse John Parnell.

Neste caso, os dados recolhidos no campo permitiram-lhes localizar a direcção de onde veio a meteoritos e, por conseguinte, localizar a área onde a cratera presumivelmente será encontrada.

Estima-se que os impactos com objectos de cerca de um quilómetro ocorram com uma frequência de um por 100.000 a um milhão de anos. Essa imprecisão em saber a sua frequência deve-se, precisamente, ao escasso registo de crateras de impacto. A maioria desaparece devido à erosão, dos movimentos das placas tectónicas ou acabam enterrados.

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11 Junho, 2019

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The Moon’s Surface Is Totally Cracked


An oblique view of the Daedalus Crater on the far side of the moon, as seen from the Apollo 11 spacecraft in lunar orbit.
Credit: NASA

Is the moon all it’s cracked up to be? Yes — and then some. New analysis of the lunar surface reveals that it’s far more fractured than once thought.

Since the moon formed 4.3 billion years ago, asteroid impacts have scarred its face with pits and craters. But the damage goes far deeper than that, with cracks extending to depths of 12 miles (20 kilometers), researchers recently reported.

Though the moon’s craters have been well-documented, scientists previously knew little about the upper region of the moon’s crust, the megaregolith, which sustained the bulk of the damage from space rock bombardment. In the new study, computer simulations revealed that impacts from single objects could fragment the lunar crust into blocks about 3 feet (1 meter) wide, opening surface cracks that extend for hundreds of kilometers. This suggests that much of the fracturing in the megaregolith could have come from single, high-speed impacts, leaving the crust “thoroughly fractured” early in the moon’s history. [When Space Attacks: 6 Craziest Meteor Impacts]

These findings helped to address questions raised by NASA’s Gravity Recovery and Interior Laboratory (GRAIL), a mission that sent twin spacecraft to the moon in 2011 to create the most detailed lunar gravity map to date.

Data gathered by GRAIL showed that the moon’s crust was far less dense than expected, Sean Wiggins, lead author of the new study and a doctoral candidate with the Earth, Environmental and Planetary Sciences Department at Brown University in Rhode Island, told Live Science.

Wiggins and his colleagues suspected that ancient impacts could have substantially fractured the lunar surface, “adding porosity and therefore lowering the density,” he said.

Using simulations, the study authors found that an impact from an object measuring just 0.6 miles (1 km) in diameter could have opened cracks reaching depths of 12 miles (20 km) in the lunar surface. After impacts from objects measuring 6 miles (10 km) in diameter, cracks yawned to similar depths, but also extended laterally to distances up to 186 miles (300 km) from the impact crater.

“There’s quite a lot of damage outside of the main crater area,” Wiggins said. “Material is still very broken up, farther away than we would have predicted.” Over time, networks of cracks grew and connected, creating a fragmented lunar crust, the researchers reported.

The researchers also used the simulations to explore how similar impacts could affect Earth, which has also been pummeled by asteroids, and they found that gravity played an important role in the quantity and severity of the fractures.

Under conditions with higher gravity — such as on Earth — the surface in simulations suffered less damage from impacts, while lower gravity meant that the surface experienced more damage, the simulations showed. This explains why impacts on the moon created surface cracks that penetrated deeper than cracks from asteroid impacts on Earth.

Piecing together a more detailed picture of the megaregolith will help scientists to better understand how that region conducts heat; this could reveal important clues about the formation of other moons and even planets, Wiggins said.

“It definitely opens doors for further investigation into lots of different processes — not just on the moon, but on other bodies as well, like Mars or Earth,” he added.

The findings were published online March 12 in the Journal of Geophysical Research: Planets.

Originally published on Live Science.

Livescience
By Mindy Weisberger, Senior Writer |
April 23, 2019 10:57am ET

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1536: Há “dunas extraterrestres” em Marte (e uma misteriosa cratera gigante)

Universidade de Arizona / NASA Cratera enorme no manto de gelo de Marte

Cientistas descobriram uma nova cratera no manto de gelo do planeta Marte. Além disso, há ainda “dunas extraterrestres” dispostas de forma linear.

O grande buraco, de acordo com um comunicado do laboratório lunar e planetário da Universidade do Arizona, foi causado pelo impacto de um meteorito que caiu no pólo sul do Planeta Vermelho.

As imagens da cratera foram capturadas pela HiRISE, a mais poderosa câmara de alta resolução que foi enviada para outro planeta e que fornece material com um nível incrível de detalhes, de acordo com os especialistas.

Com base nos dados das fotografias, foi determinado que o impacto na área ocorreu entre Julho e Setembro do ano passado. O padrão dos tons de cor revelam características da força do choque do meteorito, que perfurou a camada de gelo, escavou a areia escura inferior e ejectou-a em todas as direcções no topo da camada.

Ross Beyer, especialista da NASA, disse que “esta imagem é bastante considerável, porque ocorreu na zona glacial do sul. Parece que a explosão ocorreu após um impacto de pelo menos duas toneladas. A cratera formou uma área de explosão maior e mais leve, causando um design interior sob a camada de gelo”.

Mas estas não são as únicas novidades que a HiRISE traz para a Terra. Foram também publicadas as primeiras imagens de um novo campo de dunas em Marte, com morfologias distintas, em que se pode apreciar a secção transversal das mesmas.

Universidade de Arizona / NASA
Dunas em Marte

Segundo o artigo da Universidade do Arizona, essas formações dependem de vários factores, incluindo a quantidade de areia presente e as direcções locais do vento.

As imagens mostram as “dunas extraterrestres” dispostas de forma linear, primeiro em áreas com muita areia e depois os picos das dunas com secções relativamente livres de poeira. Mais tarde, os cientistas esperam obter uma segunda imagem para determinar se essas dunas estão a evoluir ou permanecem estáticas.

Graças ao material fornecido pela HiRISE, a NASA colaborou com missões espaciais para estabelecer o seu local de pouso, entre outras importantes descobertas, como a confirmação de grandes reservas de água congelada sob a superfície marciana ou a contemplação de avalanches em movimento.

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30 Janeiro, 2019

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1509: DADOS LUNARES LANÇAM LUZ SOBRE A HISTÓRIA DO IMPACTO DE ASTERÓIDES NA TERRA

Lua Minguante. No lado nocturno está representado o mapa de abundâncias rochosas do Diviner da sonda LRO. As crateras mais proeminentes visíveis no mapa são Tycho (85 milhões de anos), Copérnico (797 milhões de anos) e Aristarco (164 milhões de anos). O terminador passa pelo planalto Aristarco, dividindo Aristarco da sua cratera irmã, Heródoto.
Crédito: Ernie Wright/NASA Goddard

A Lua é a crónica mais completa e acessível das colisões de asteróides que esculpiram o nosso jovem Sistema Solar, e um grupo de cientistas está a desafiar a nossa compreensão de uma parte da história da Terra.

O número de impactos de asteróides na Lua e na Terra aumentou duas a três vezes desde há cerca de 290 milhões de anos, relataram os investigadores num artigo científico publicado dia 18 de Janeiro na revista Science.

A sua conclusão tem por base a primeira linha temporal compreensiva de grandes crateras na Lua formadas nos últimos mil milhões de anos, usando imagens e dados térmicos recolhidos pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. Quando os cientistas compararam a linha temporal da Lua com a linha temporal das crateras cá na Terra, descobriram que os dois corpos registaram a mesma história de bombardeamento de asteróides – uma que contradiz as teorias sobre a taxa de impacto da Terra.

Durante décadas os cientistas tentaram entender o ritmo a que os asteróides atingem a Terra estudando cuidadosamente as crateras de impacto nos continentes e usando datação radiométrica das rochas em seu redor para determinar as idades das maiores e, portanto, das mais intactas. O problema é que muitos especialistas assumiram que as primeiras crateras da Terra foram desgastadas pelo vento, pelas tempestades e por outros processos geológicos. Esta ideia explicava por que a Terra tem menos crateras mais antigas do que o esperado em comparação com outros corpos no Sistema Solar, mas tornou difícil a determinação de uma taxa de impacto precisa e determinar se havia mudado com o tempo.

Uma maneira de contornar este problema é através do estudo da Lua. A Terra e a Lua são atingidas nas mesmas proporções ao longo do tempo. Em geral, devido ao seu tamanho maior e gravidade mais alta, cerca de vinte asteróides atingem a Terra por cada um que atinge a Lua, embora os grandes impactos em ambos os corpos sejam raros. Mas apesar das grandes crateras lunares terem sofrido pouca erosão ao longo de milhares de milhões de anos, e assim fornecerem aos cientistas um registo valioso, não havia como determinar as suas idades até que a LRO começou a orbitar a Lua há uma década.

“Sabemos, desde a exploração da Lua pelas Apollo há 50 anos, que a compreensão da superfície lunar é fundamental para revelar a história do Sistema Solar,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. A LRO, juntamente com novos “landers” robóticos comerciais em parceria com a NASA, realçou Petro, vai informar o desenvolvimento e implantação de projectos de exploração lunar necessários para o regresso dos humanos à superfície da Lua e ajudar a preparar a agência para enviar astronautas a Marte.

“A LRO provou ser uma ferramenta científica inestimável,” disse Petro. “Os seus instrumentos permitiram-nos retroceder no tempo, até às forças que moldaram a Lua; como podemos ver, a revelação dos impactos de asteróides levou a descobertas inovadoras que mudaram a nossa visão da Terra.”

DADOS LUNARES LANÇAM LUZ SOBRE A HISTÓRIA DO IMPACTO DE ASTERÓIDES NA TERRA
22 de Janeiro de 2019

Lua Minguante. No lado nocturno está representado o mapa de abundâncias rochosas do Diviner da sonda LRO. As crateras mais proeminentes visíveis no mapa são Tycho (85 milhões de anos), Copérnico (797 milhões de anos) e Aristarco (164 milhões de anos). O terminador passa pelo planalto Aristarco, dividindo Aristarco da sua cratera irmã, Heródoto.
Crédito: Ernie Wright/NASA Goddard
(clique na imagem para ver versão maior)

A Lua é a crónica mais completa e acessível das colisões de asteróides que esculpiram o nosso jovem Sistema Solar, e um grupo de cientistas está a desafiar a nossa compreensão de uma parte da história da Terra.

O número de impactos de asteróides na Lua e na Terra aumentou duas a três vezes desde há cerca de 290 milhões de anos, relataram os investigadores num artigo científico publicado dia 18 de Janeiro na revista Science.

A sua conclusão tem por base a primeira linha temporal compreensiva de grandes crateras na Lua formadas nos últimos mil milhões de anos, usando imagens e dados térmicos recolhidos pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. Quando os cientistas compararam a linha temporal da Lua com a linha temporal das crateras cá na Terra, descobriram que os dois corpos registaram a mesma história de bombardeamento de asteróides – uma que contradiz as teorias sobre a taxa de impacto da Terra.

Durante décadas os cientistas tentaram entender o ritmo a que os asteróides atingem a Terra estudando cuidadosamente as crateras de impacto nos continentes e usando datação radiométrica das rochas em seu redor para determinar as idades das maiores e, portanto, das mais intactas. O problema é que muitos especialistas assumiram que as primeiras crateras da Terra foram desgastadas pelo vento, pelas tempestades e por outros processos geológicos. Esta ideia explicava por que a Terra tem menos crateras mais antigas do que o esperado em comparação com outros corpos no Sistema Solar, mas tornou difícil a determinação de uma taxa de impacto precisa e determinar se havia mudado com o tempo.

Uma maneira de contornar este problema é através do estudo da Lua. A Terra e a Lua são atingidas nas mesmas proporções ao longo do tempo. Em geral, devido ao seu tamanho maior e gravidade mais alta, cerca de vinte asteróides atingem a Terra por cada um que atinge a Lua, embora os grandes impactos em ambos os corpos sejam raros. Mas apesar das grandes crateras lunares terem sofrido pouca erosão ao longo de milhares de milhões de anos, e assim fornecerem aos cientistas um registo valioso, não havia como determinar as suas idades até que a LRO começou a orbitar a Lua há uma década.

“Sabemos, desde a exploração da Lua pelas Apollo há 50 anos, que a compreensão da superfície lunar é fundamental para revelar a história do Sistema Solar,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. A LRO, juntamente com novos “landers” robóticos comerciais em parceria com a NASA, realçou Petro, vai informar o desenvolvimento e implantação de projectos de exploração lunar necessários para o regresso dos humanos à superfície da Lua e ajudar a preparar a agência para enviar astronautas a Marte.

“A LRO provou ser uma ferramenta científica inestimável,” disse Petro. “Os seus instrumentos permitiram-nos retroceder no tempo, até às forças que moldaram a Lua; como podemos ver, a revelação dos impactos de asteróides levou a descobertas inovadoras que mudaram a nossa visão da Terra.”

A Lua como o espelho da Terra

O radiómetro térmico da LRO, chamado Diviner, disse aos cientistas quanto calor é irradiado da superfície da Lua, um factor crítico na determinação das idades das crateras. Ao observar esse calor irradiado durante a noite lunar, os cientistas podem calcular quanta superfície é coberta por rochas grandes e quentes, em comparação com o rególito mais frio e mais fino, também conhecido como solo lunar.

As grandes crateras formadas por impactos de asteróides nos últimos mil milhões de anos são cobertas por pedras e rochas, enquanto crateras mais antigas têm poucas rochas, mostram os dados do Diviner. Isto acontece porque os impactos escavam pedregulhos lunares que são “moídos” ao longo de dezenas de milhões de anos por uma chuva constante de meteoritos minúsculos.

Rebecca Ghent, co-autora do artigo e cientista planetária na Universidade de Toronto e do Instituto de Ciência Planetária em Tucson, Arizona, EUA, calculou em 2014 a velocidade a que as rochas da Lua se decompõem em solo. O seu trabalho revelou uma relação entre a abundância de rochas grandes perto de uma cratera e a sua idade. Usando a técnica de Ghent, a equipa reuniu uma lista de idades de todas as crateras lunares com menos de mil milhões de anos.

“Foi uma tarefa meticulosa, ao início, estudar todos estes dados e mapear as crateras sem saber se chegaríamos a alguma conclusão ou não,” acrescentou Sara Mazrouei, autora principal do artigo da Science que recolheu e analisou todos os dados para este projecto enquanto estudante de doutoramento na Universidade de Toronto.

O trabalho compensou, retornando várias descobertas inesperadas. Primeiro, a equipa descobriu que o ritmo de formação de crateras grandes na Lua foi duas a três vezes maior ao longo dos últimos 290 milhões de anos do que nos últimos 700 milhões de anos. A razão para este salto na taxa de impacto é desconhecida. Pode estar relacionado com grandes colisões que ocorreram há mais de 300 milhões de anos na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter, destacaram os cientistas. Tais eventos podem criar detritos que podem atingir o Sistema Solar interior.

A segunda surpresa veio da comparação das idades das crateras grandes na Lua com as da Terra. O seu número e idades similares desafiam a teoria de que a Terra perdeu tantas crateras através da erosão que uma taxa de impacto não pode ser calculada.

“A Terra tem menos crateras antigas nas suas regiões mais estáveis não por causa da erosão, mas porque a taxa de impacto foi menor há cerca de 290 milhões de anos,” comenta William Bottke, especialista em asteróides do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, co-autor do artigo científico.

Provar que menos crateras significa menos impactos – e não perda por erosão – representou um desafio formidável. No entanto, os cientistas encontraram fortes evidências que apoiam as suas descobertas através de uma colaboração com Thomas Gernon, cientista da Terra da Universidade de Southampton, Inglaterra, que trabalha com uma característica terrestre chamada tubos de kimberlito.

Estes tubos subterrâneos são vulcões há muito extintos que se estendem, em forma de cenoura, até alguns quilómetros abaixo da superfície. Os cientistas sabem muito sobre a idade e sobre a taxa de erosão dos tubos de kimberlito porque são amplamente minados à procura de diamantes. Estão também localizados em algumas das regiões com menos erosão da Terra, os mesmos locais onde encontramos crateras de impacto preservadas.

Gernon mostrou que os tubos de kimberlito formados desde há aproximadamente 650 milhões de anos não sofreram muita erosão, indicando que as grandes crateras de impacto mais jovens do que 650 milhões de anos, em terrenos estáveis, também devem estar intactas. “É assim que sabemos que essas crateras representam um registo quase completo,” disse Ghent.

A equipa de Ghent, da qual também fez parte o astrónomo Alex Parker do SwRI, não foi a primeira a propor que a taxa de impacto de asteróides na Terra tinha flutuado ao longo dos últimos mil milhões de anos. Mas foi a primeira a mostrá-lo estatisticamente e a quantificar a taxa. Agora, a técnica da equipa pode ser usada para estudar as superfícies de outros planetas e para descobrir se também podem mostrar mais impactos.

Os achados da equipa relacionados com a Terra, entretanto, podem ter implicações para a história da vida, que é pontuada por eventos de extinção e por uma rápida evolução de novas espécies. Embora as forças que impulsionaram estes eventos sejam complicadas e possam incluir outras causas geológicas, como grandes erupções vulcânicas, combinadas com outros factores biológicos, a equipa realça que os impactos de asteróides certamente desempenharam um papel nesta saga. A questão é saber se a mudança prevista nos impactos de asteróides está directamente ligada a eventos que ocorreram há muito tempo na Terra.

Astronomia On-line
22 de Janeiro de 2019

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1309: Gelo escondia cratera de 31 quilómetros causada por asteróide

Cientistas localizaram evidências de acontecimento cataclísmico a cerca de um quilómetro de profundidade num glaciar. Impacto terá acontecido durante a Idade do Gelo.

A Gronelândia tem sido mais monitorizada pelos cientistas devido às alterações climáticas
© REUTERS/Lucas Jackson

Escondidas debaixo de 950 metros de gelo e terra, no glaciar de Hiawatha, no nordeste da Gronelândia, estão as marcas do impacto de um asteróide cuja dimensão – cerca de um quilómetro de comprimento -, o elevam imediatamente à categoria dos 30 maiores acontecimentos do género de que há registo. É também, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances , a primeira cratera a ser localizada debaixo do gelo.

O local do impacto, uma depressão de forma circular com 31 quilómetros de diâmetro, foi confirmado através da combinação de dados recolhidos entre 1997 e 2014 pela NASA, no âmbito do programa IceBridge, da Agência Espacial Norte-Americana, destinado a monitorizar os efeitos das alterações climáticas no Árctico, com dados de radar recolhidos por via aérea numa extensão de 600 quilómetros. Os dados foram compilados por especialistas do Centro de Geogenética do Museu de História natural da Dinamarca.

Já a data do impacto, que terá ocorrido durante a última idade do gelo, no Pleistoceno (que começou há 2,6 milhões de anos e terminou há 11 700), ainda está em fase de confirmação. Outra frente de investigação serão os possíveis impactos causados por este acontecimento no clima da época em que ocorreu, tanto na região como no planeta.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
17 Novembro 2018 — 13:46

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1295: Cratera de meteorito com o tamanho de Lisboa descoberta na Gronelândia

Natural History Museum of Denmark / Cryospheric Sciences Lab / NASA Goddard Space Flight Center
Mapa da topografia rochosa

Uma equipa de cientistas descobriu, sob uma camada de gelo na Gronelândia, uma cratera com mais de 31 quilómetros de diâmetro, criada pelo impacto de um meteorito.

A cratera, descoberta por uma equipa internacional liderada por especialistas do Museu de História Natural da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, é uma das 25 maiores que se conhecem na Terra fruto do impacto de corpos celestes. Com 31km de diâmetro, tem uma área de cerca de 97km – sensivelmente a mesma dimensão de Lisboa.

Segundo a Universidade de Copenhaga, que divulgou a descoberta a 14 de Novembro na revista Science Advances, é a primeira vez que uma cratera é encontrada sob uma das camadas de gelo continentais da Terra.

A cratera foi originalmente descoberta em Julho de 2015 e uma grande equipa passou 3 anos a trabalhar para verificar a descoberta. “Descobertas extraordinárias têm evidências extraordinárias”, disse Kurt H. Kjær, do Museu de História Natural da Dinamarca.

A descoberta inicial partiu da análise de mais de uma década de dados de radar, recolhidos por investigadores entre 1997 e 2014 para o Programa de Avaliação do Clima Regional e Operação IceBridge da NASA.

Esta técnica usa o radar para espreitar através do gelo e construir um mapa topográfico do solo sob uma camada de gelo. Isto permite, por exemplo, a medição da espessura do gelo, o que pode ser útil na estimativa do derretimento do gelo devido ao aquecimento global.

Enquanto observavam os dados, os geólogos notaram algo realmente incomum: uma grande depressão circular sob o Glaciar Hiawatha. “Imediatamente soubemos que isto era algo especial, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que seria difícil confirmar a origem da depressão”, disse Kjær.

Na investigação, que durou três anos, incluiu pesquisas com radares e recolha de amostras de sedimentos. A cratera, “excepcionalmente bem preservada”, de acordo com os especialistas, formou-se quando um meteorito de ferro que teria um quilómetro de largura atingiu o actual norte da Gronelândia, na zona do glaciar Hiawatha.

Os peritos sugerem, apesar de ainda não terem conseguido datar a cratera, que esta se terá formado depois de o gelo começar a cobrir a Gronelândia, situando o intervalo de tempo entre os três milhões de anos e os 12 mil anos.

A equipa científica vai agora tentar datar a cratera, um desafio que requer a recuperação de material que derreteu durante o impacto do meteorito. Sabendo a idade da cratera, será possível perceber como a queda do meteorito terá afectado a vida na Terra num determinado período.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

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1168: Mineral ultra-raro descoberto em antiga cratera de meteorito na Austrália

rickmach / Flickr

Um mineral ultra-raro que apenas se forma quando rochas espaciais atingem a crosta terrestre com uma enorme pressão foi encontrado na Austrália. Até ao momento, só foram encontrados seis exemplares deste mineral, conhecido como reidite, em todo o planeta.

Um grupo de cientistas da Curtin University descobriu um dos minerais mais raros da Terra no fundo de uma cratera de impacto de meteoritos, que é, provavelmente, a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

O reidite é um mineral extremamente raro que só se forma quando um outro mineral, o zircão, é exposto a altas temperaturas e pressões. Ou seja, o forte impacto de um meteorito faz com que o zircão se transforme na rara substância que é o reidite.

Até então, só foram encontrados seis exemplares deste mineral em todo o planeta – nos EUA, na Alemanha, na China e na Índia. Desta vez, e pela primeira vez na Austrália, a raridade foi descoberta perto da baía de Shark, a 750 quilómetros da cidade de Perth.

Tal como notou o líder da investigação, Aaron Cavosie, este é um mineral de dimensões microscópicas. O especialista frisou ainda que, se todos os minerais de reidite já encontrados no planeta fossem juntos num só, teriam o tamanho de um grão de arroz.

A cratera onde o mineral foi descoberto está enterrada debaixo de rochas sedimentares e o seu tamanho é ainda desconhecido. Os investigadores estão agora a tentar definir as características da cratera, e caso esta tenha um diâmetro superior a 100 quilómetros – como é esperado -, esta será a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

Um cratera 100 quilómetros de diâmetro implica que o impacto do objecto espacial fosse capaz de causar uma catástrofe natural. Em termos de comparação, a cratera de Chicxulub – associada à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos – tem um diâmetro de 180 quilómetros.

Os cientistas pretendem ainda datar com mais precisão a cratera. As estimativas actuais apontam que esta terá cerca de 360 milhões de anos.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

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699: Descoberta uma duna azul em Marte

A duna azul foi encontrada na cratera Lyot, em Marte | NASA /JPL-Caltech/Univ. of Arizon

Chamam-lhe o planeta vermelho mas imagens da NASA mostram o que parece ser uma mancha de areia azulada.

No site do Mars Renaissance Orbiter, um orbiter da NASA, a câmara HiRISE que este usa é descrita como “a câmara fotográfica mais poderosa alguma vez enviada para outro planeta”. Foi ela que captou a imagem de uma duna azul em Marte, o quarto planeta a contar e conhecido pela cor vermelha das suas rochas e areais

Na verdade, como explicou à CNN Alfred McEwen, director do Planetary Image Research Laboratory na Universidade do Arizona, a duna em questão é na verdade cinzenta, mas aparece na imagem de um azul forte. Foi esta a conclusão a que chegaram os cientistas depois de um apurado trabalho de edição das imagens captadas pelo Mars Renaissance Orbiter.

A olho nu, o que veríamos seria uma mancha cinzenta. A câmara consegue captar mais pormenores, mas o seu trabalho é dificultado pela quantidade de poeira que existe em Marte. Na verdade a HiRISE captou três imagens em que as cores são ajustadas para vermelho, azul e verde, com recurso a tecnologia de infra-vermelhos. Quando aumenta o contraste, a duna surge numa cor turquesa forte porque “é feita de um material mais fino e/ou tem uma composição diferente do que a rodeia”, pode ler-se num comunicado da NASA.

A duna azul foi encontrada na cratera Lyot (que deve o nome ao astrónomo francês Bernard Lyot), onde a maioria das dunas têm a forma de um crescente – as chamadas dunas barchan – devido à sua posição em relação ao vento. Segundo a CNN, não é claro porque é que esta duna é “mais abstracta”.

Os orbiters, ao contrário dos rovers, não tocam no solo, mas monitorizam o planeta de fora da atmosfera.

Diário de Notícias
ciência
27 DE JUNHO DE 2018 08:42
Helena Tecedeiro

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470: CRATERA DE IMPACTO OU SUPERVULCÃO EM MARTE?

Esta imagem foi captada no dia 1 de janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA e mostra uma cratera chamada Ismenia Patera.
A cratera está situada em Arábia Terra, uma parte interessante da superfície de Marte que se pensa ter tido significativa actividade vulcânica. Os cientistas não têm a certeza de como Ismenia Patera se formou; poderá ter sido o resultado da colisão de um meteorito ou os restos colapsados de um antigo super-vulcão colapsado.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin

Estas imagens da sonda Mars Express da ESA mostram uma cratera, denominada Ismenia Patera, no Planeta Vermelho. A sua origem permanece incerta: um meteorito atingiu a superfície ou poderia ser o remanescente de um super-vulcão?

Ismenia Patera – patera que significa “bacia plana” em latim – fica na região da Arábia Terra, em Marte. Esta é uma área de transição entre as regiões norte e sul do planeta – uma parte da superfície especialmente intrigante.

A topografia de Marte é claramente dividida em duas partes: as planícies do norte e as terras altas do sul, esta última com até alguns quilómetros de altura. Esta divisão é um tema-chave de interesse para os cientistas que estudam o Planeta Vermelho. Ideias de como esta divisão dramática se formou sugerem um único impacto massivo, múltiplos impactos ou placas tectónicas antigas, como observado na Terra, mas a sua origem ainda não está clara.

Ismenia Patera tem cerca de 75 km de diâmetro. O seu centro é cercado por um anel de colinas, blocos e pedaços de rocha que se acredita terem sido ejectados e lançados para a cratera por impactos próximos.

O material lançado por esses eventos também criou pequenas quedas e depressões que podem ser vistas dentro da própria Ismenia Patera. Fossas e canais serpenteiam da borda da cratera até ao fundo, que se encontra coberto por depósitos planos e gelados, que mostram sinais de fluxo e movimento – estes são provavelmente semelhantes a glaciares rochosos e ricos em gelo, que se acumularam ao longo do tempo, no frio e árido clima.

Estas imagens foram obtidas no dia 1 de Janeiro pela câmara estéreo de alta resolução da Mars Express, que circunda o planeta desde 2003.

Tais imagens detalhadas e de alta resolução lançam luz sobre vários aspectos de Marte – por exemplo, como as características que deixaram marcas na superfície se formaram inicialmente e como evoluíram ao largo dos muitos milhões de anos desde então. Esta é uma questão-chave para Ismenia Patera: como se formou esta depressão?

Existem duas ideias principais para a sua formação. Uma delas associa-se a um potencial meteorito que colidiu com Marte. Depósitos sedimentares e gelo fluíram, então, para encher a cratera, até desmoronar para formar a paisagem desigual e fissurada hoje observada.

A segunda ideia sugere que, em vez de uma cratera, Ismenia Patera já foi o lar de um vulcão que entrou em erupção catastrófica, lançando enormes quantidades de magma ao seu redor e colapsando como resultado.

Vulcões que perdem grandes quantidades de material numa única erupção são denominados super-vulcões. Os cientistas continuam indecisos sobre se existiram ou não em Marte, mas o planeta é conhecido por abrigar inúmeras estruturas vulcânicas enormes e imponentes, incluindo o famoso Monte Olimpo – o maior vulcão já descoberto no Sistema Solar.

Arábia Terra também mostra sinais de ser a localização de uma província vulcânica antiga e há muito inactiva. Na verdade, outro candidato a super-vulcão, Siloé Patera, também se encontra em Arábia Terra (visto na visão em contexto de Ismenia Patera).

Certas propriedades das características de superfície observadas em Arábia Terra sugerem uma origem vulcânica: por exemplo, as suas formas irregulares, o baixo relevo topográfico, as suas bordas relativamente elevadas e a aparente falta de material ejectado que, normalmente, estaria presente ao redor de uma cratera de impacto.

No entanto, algumas destas características e formas irregulares também podem estar presentes em crateras de impacto, que simplesmente evoluíram e interagiram com o seu ambiente de maneiras específicas ao longo do tempo.

Mais dados sobre o interior e sub-superfície de Marte ampliarão a nossa compreensão e lançarão luz sobre estruturas como Ismenia Patera, revelando mais sobre a complexa e fascinante história do planeta.

Astronomia On-line
17 de Abril de 2018

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