5319: Um dos maiores enganos da geologia. Afinal, a cratera de impacto mais antiga do mundo não o é

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(dr) NASA
Cratera Archean Maniitsoq

Afinal, a cratera mais antiga do mundo feita por um meteorito não o é. Uma equipa de cientistas descobriu que resulta de processos geológicos normais. 

Uma equipa de cientistas da Universidade de Waterloo, no Canadá, deslocou-se até a Gronelândia com uma grande missão: esclarecer aquele que pode ter sido um dos maiores enganos da astronomia e da geologia dos últimos tempos.

Em 2012, uma equipa identificou Archean Maniitsoq como o remanescente de uma cratera de meteorito de três mil milhões de anos. Recentemente, durante o trabalho de campo na cratera, os investigadores da universidade canadiana descobriram que as características desta região são inconsistentes com uma cratera de impacto.

“Os cristais de zircão na rocha são como pequenas cápsulas do tempo”, disse Chris Yakymchuk, professor do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais e líder da equipa, citado pelo Phys. “Eles preservam os danos antigos causados ​​por ondas de choque obtidas com o impacto de um meteorito. Mas não encontramos esses danos nos cristais.”

Além disso, existem vários lugares onde as rochas derreteram e recristalizaram nas profundezas da Terra. Este processo – denominado metamorfismo – ocorreria quase instantaneamente se a cratera fosse o resultado de um impacto.

Mas o processo ocorreu, pelo menos, 40 milhões de anos depois da data proposta pelo grupo que encontrou a cratera em 2012.

Ao contrário do que se pensava, a cratera não foi formada pelo impacto de um meteorito, mas por processos geológicos naturais. Apesar de esclarecer um mal entendido com alguns anos, os investigadores ficaram desapontados com os resultados da expedição.

O artigo científico foi publicado recentemente na Earth and Planetary Science Letters.

Por Liliana Malainho
12 Março, 2021


5198: Mapa interactivo mostra crateras de impacto de asteróides e meteoros na Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

Stephan Ridgway / Flickr

Um mapa interactivo mostra todas as crateras de impacto de asteróides e meteoros na Terra de que há registo. São cerca de 190 crateras espalhadas pelo mundo inteiro.

Crateras de impacto são causadas pela colisão de grandes asteróides e meteoros. Ao longo da história do nosso planeta, cerca de 190 crateras de impacto terrestre foram identificadas e ainda sobrevivem aos processos geológicos da Terra.

Agora é possível consultar um mapa interactivo com todas as crateras de impacto de asteróides e meteoros de que há registo.

A maior cratera alguma vez registada é a de Vredefort, em Free State, África do Sul. O impacto tem mais de 2,02 mil milhões de anos e 300 quilómetros de diâmetro. Acredita-se que o asteroide que causou esta cratera teria entre 10 e 15 quilómetros de diâmetro.

O exemplo mais recente é o do meteorito que caiu nas Montanhas Sikhote-Alin, no sudeste da Rússia, em 1947. Estima-se que 70 toneladas de material sobreviveram à passagem ígnea através da atmosfera e chegaram à Terra.

De acordo com o HeritageDaily, uma das mais conhecidas é a cratera de Chicxulub, que foi criada quando um grande asteroide ou cometa, com até possivelmente 81 km de diâmetro, atingiu a Península de Yucatán, no México. O impacto aconteceu há 66,038 milhões de anos, no final do Cretáceo, e gerou uma cratera com mais de 180 km.

De onde veio o asteróide que dizimou os dinossauros? Investigadores de Harvard têm uma nova teoria

Uma equipa de investigadores da Universidade de Harvard tem uma nova teoria sobre o asteróide que dizimou os dinossauros e…

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Os investigadores acreditam que este evento tenha sido responsável por uma extinção em massa, que fez desaparecer 75% das espécies de animais e plantas.

Daniel Costa Daniel Costa, ZAP //

Por Daniel Costa
24 Fevereiro, 2021


5172: A maior cratera da Lua está a revelar segredos da formação lunar (e têm “implicações tremendas”)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/LUA

Marshall Space Flight Center / NASA

Uma cratera que cobre quase um quarto da superfície da Lua revelou novas informações sobre como o satélite natural da Terra se formou – e as descobertas têm implicações tremendas.

De acordo com o ScienceAlert, uma nova análise do material ejectado do impacto da bacia do Polo Sul-Aitken permitiu aos cientistas refinar a linha do tempo do desenvolvimento do manto lunar e da crosta, usando tório radioactivo para descobrir a ordem dos eventos.

Numa Lua totalmente coberta de cicatrizes de impacto, a bacia do Polo Sul-Aitken destaca-se. Com 2.500 quilómetros de diâmetro e até 8,2 quilómetros de profundidade, é uma das maiores crateras de impacto do Sistema Solar.

A cratera foi produzida por um impacto gigante há cerca de 4,3 mil milhões de anos, quando o Sistema Solar ainda era “um bebé”. Neste momento, a Lua ainda estava quente e maleável e o impacto teria “espalhado” uma quantidade significativa de material debaixo da superfície.

Uma equipa de cientistas realizou uma nova simulação do padrão de respingo do impacto do Polo Sul-Aitken e descobriu que o local onde o material ejectado deveria ter caído corresponde a depósitos de tório na superfície lunar.

Uma das coisas mais peculiares sobre a Lua é que o lado próximo e o lado oculto são muito diferentes um do outro. O lado que está sempre virado para a Terra está coberto de manchas escuras, que correspondem aos mares lunares, amplas planícies de basalto escuro da actividade vulcânica antiga dentro da Lua.

Em contraste, o lado oposto é muito mais pálido, com menos manchas de basalto e muito mais crateras. A crosta também é mais espessa e tem uma composição diferente.

A maior parte do tório aparece no lado próximo da Terra, por isso a sua presença é geralmente interpretada como relacionada com essa diferença entre os dois lados. Porém, o material ejectado do impacto Polo Sul-Aitken conta uma história diferente.

O tório da Lua foi depositado durante um período conhecido como Oceano Magma Lunar. Nesta época, há cerca de 4,5 a 4,4 mil milhões de anos, acredita-se que a Lua estava coberta por rocha derretida, que gradualmente arrefeceu e solidificou.

Durante esse processo, os minerais mais densos afundaram na parte inferior da camada fundida, para formar o manto, e elementos mais leves flutuaram para o topo, para formar a crosta.

Como o tório não é facilmente incorporado nas estruturas minerais, teria permanecido na camada derretida imprensada entre essas duas camadas, apenas afundando em direcção ao núcleo durante ou após a cristalização da crosta e do manto.

De acordo com a nova análise, quando o impacto Polo Sul-Aitken atingiu, escavou tório dessa camada, espalhando-o pela superfície lunar no lado próximo.

Isso significa que o impacto teria ocorrido antes que a camada de tório se afundasse e sugere que a camada de tório deve ter sido distribuída globalmente, em vez de estar concentrada no lado lunar próximo.

O impacto do Polo Sul-Aitken também derreteu rochas de maiores profundidades do que o material ejectado. Em termos de composição, é muito diferente do material pulverizado na superfície, com muito pouco tório. Por sua vez, isto sugere que o manto superior tinha duas camadas de composição distintas no momento do impacto que foram expostas de formas diferentes.

O material de respingo de impacto já foi coberto por mais de quatro mil milhões de anos de crateras, intemperismo e actividade vulcânica, mas a equipa conseguiu localizar vários depósitos de tório intocados em crateras de impacto recentes.

“A formação do Polo Sul-Bacia de Aitken está entre os eventos mais antigos e importantes da história lunar. Não só afectou a evolução térmica e química do manto lunar, mas também preservou materiais do manto heterogéneo na superfície lunar na forma de material ejectado e derretimento por impacto”, escreveu a equipa de investigadores liderada pelo geólogo planetário Daniel Moriarty, do Goddard Space Flight Center da NASA.

“À medida que entramos numa nova era de exploração lunar internacional e comercial, esses materiais do manto na superfície lunar devem ser considerados entre os alvos de mais alta prioridade para o avanço da ciência planetária.”

“Estes resultados têm implicações importantes para a compreensão da formação e evolução da Lua”, remataram.

Este estudo foi publicado na revista científica JGR Planets.

Por Maria Campos
20 Fevereiro, 2021


5167: Desvendado mistério das crateras gigantes na Sibéria

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Fortes explosões têm formado enormes buracos com cerca de 50 metros de profundidade.

Foto Evgeny Chuvilin

Foto Evgeny Chuvilin

Foto Evgeny Chuvilin

Uma equipa de cientistas russos declara ter descoberto a causa das fortes explosões, e o consequente aparecimento de crateras gigantes, com cerca de 50 metros de profundidade, nas penínsulas de Yamal e Gyda, na Sibéria

Os investigadores, liderados por Evgeny Chuvilin, descobriram que na origem deste fenómeno está uma concentração elevada de gás metano que tem vindo a surgir no subsolo gélido, conta a BBC.

Quando os níveis de concentração de gás metano aumentam, estes vão-se acumulando até se formarem à superfície pequenos montes que acabam por explodir e dar origem às enormes crateras.

No entanto, os cientistas ainda não apuraram se as grandes quantidades de metano estão a surgir de camadas da crosta terrestre mais próximas do manto da Terra ou de camadas mais próximas da superfície.

Porém, os investigadores estão cientes de que o permafrost, tipo de solo encontrado na região do Árctico e que passa todo o ano coberto por uma camada de gelo e neve, é uma espécie de depósito de metano.

O aquecimento global, que tem feito com que as temperaturas da superfície do ar no Árctico estejam a aquecer a duas vezes mais rápido do que a média global, está a aumentar o degelo do permafrost durante os meses de verão, o que poderá estar a enfraquecer essa camada.

“Em nenhum outro lugar do planeta as mudanças climáticas estão a causar uma mudança na estrutura física do solo”, diz Sue Natali, ecologista do Árctico que estuda o permafrost e é directora do programa do Árctico no Woodwell Climate Research Center em Massachusetts. “As crateras são um indicador muito chocante do que está a acontecer no Árctico de forma mais ampla”, acrescentou.

Para Natali, ainda é uma incógnita se este fenómeno pode representar um risco para as pessoas que vivem no Árctico.

Estas crateras foram pela primeira vez descobertos em 2014, tendo sido revelado posteriormente que se formaram entre 9 de Outubro e 1 de Novembro de 2013.

Diário de Notícias
DN
19 Fevereiro 2021 — 18:47


5144: Chicxulub: Harvard tem nova teoria sobre o que provocou o extermínio dos dinossauros

CIÊNCIA/DINOSSAUROS/Chicxulub

A cratera de Chicxulub, nome pelo qual ficou conhecida, foi obra de um asteróide ou cometa que atingiu a costa do México, há mais de 66 milhões de anos. Como sabemos, o seu impacto foi absolutamente devastador, provocando a extinção em massa dos dinossauros, bem como o fim de três quartos das espécies vegetais e animais que viviam então na Terra.

No ar, ficou sempre a incógnita quanto à origem do asteroide ou cometa e a forma como atingiu a Terra. Até agora… uma vez que uma equipa de investigadores de Harvard acredita ter a resposta.

Como é que o cometa que dizimou os dinossauros atingiu a Terra?

Que os antigos inquilinos da Terra foram os dinossauros já sabíamos. Que um asteróide ou cometa dizimaram as espécies, há milhões de anos, também já sabíamos. Contudo, a origem desse desastre era, para os cientistas, uma incógnita.

Através de análises estatísticas e simulações gravitacionais, Avi Loeb, professor de ciência em Harvard, e Amir Siraj, um astrofísico, chegaram a uma nova teoria que poderá explicar a origem e o destino do asteroide ou cometa que atingiu a Terra e formou a cratera Chicxulub .

Então, os cientistas dizem que uma fracção significativa de uma espécie de cometa da nuvem Oort, uma esfera de detritos na borda do sistema solar, foi esmagada pelo campo gravitacional de Júpiter durante a sua órbita e enviada para perto do Sol, onde se partiu em pedaços.

Este tipo de evento aumenta a taxa de cometas como Chicxulub, porque os fragmentos atravessam a órbita da Terra e atingem o planeta uma vez a cada 250 a 730 milhões de anos, em média.

Basicamente, Júpiter actua como uma espécie de máquina de pinball. Ou seja, chuta estes cometas de longo período para órbitas que os aproximam muito do Sol.

Disse Siraj.

Além disso, acrescentou que é por esta razão que os cometas de longo período, que levam mais de 200 anos a orbitar o Sol, são chamados de grazers solares.

Quando se tem estes grazers solares, não é tanto o derretimento que continua, uma pequena fracção relativamente à massa total, mas o cometa está tão próximo do Sol que a parte que está mais perto sente uma força gravitacional mais forte do que a parte que está mais afastada, causando uma onda de força.

Explicou Siraj.

Harvard: Entender a Chicxulub é crucial para possíveis eventos futuros

Então, é através deste processo que os cometas que se aproximam do Sol se dividem em objectos mais pequenos. Posteriormente, aquando a sua saída, há uma hipótese, estatisticamente calculada, que dita que estes possam atingir a Terra.

De acordo com Loeb e Siraj, os cálculos da sua teoria aumentam as hipóteses de cometas de longo período afectarem a Terra numa taxa de um em 10. Mais, mostram que cerca de 20 por cento dos cometas de longo período transforma-se em grazers solares.

Além disso, a equipa de investigadores de Harvard afirma que a sua nova taxa de impactos coincide com a idade de Chicxulub. Desta forma, fornece uma explicação aceitável para a sua origem e de outros semelhantes.

O nosso documento fornece uma base para explicar a ocorrência deste evento. Estamos a sugerir que, de facto, se se partir um objecto à medida que ele se aproxima do Sol, este pode dar origem à taxa de evento apropriada e também ao tipo de impacto que matou os dinossauros.

Disse Loeb.

Conforme expuseram os investigadores de Harvard, a sua teoria pode ser testada através do estudo mais aprofundado de crateras como a Chicxulub. Além disso, entendem que perceber a sua origem é crucial, não só para resolver o mistério de alguns eventos na Terra, mas para futuras ameaças deste tipo.

Pplware
Autor: Ana Sofia
16 Fev 2021


5009: Ao longo da última década, a “cratera feliz” de Marte mudou (e cresceu)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / University of Arizona

Marte parece ter motivos para sorrir. A “cratera feliz” (Happy Face), perto do pólo sul do Planeta Vermelho, ficou visivelmente maior na última década.

A “cratera feliz” nasceu após um impacto de um meteorito na superfície do Planeta Vermelho e localiza-se na região do Pólo Sul marciano. Durante a última década, este lugar gelado tem aumentado de tamanho.

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, que tem estado a voar a grande altitude sobre Marte desde 2006, registou, pela primeira vez, a “cratera feliz” em 2011, graças à sua potente câmara de alta resolução HiRISE.

Recentemente, uma equipa de cientistas comparou essa imagem com outra do mesmo lugar, mas tirada no dia 13 de Dezembro de 2020. De acordo com o Daily Mail, a diferença está na quantidade de gelo que cobre o solo da cratera.

“As características manchas na calota polar surgem porque o Sol sublima o dióxido de carbono nestes padrões redondos. É possível ver como os nove anos desta erosão térmica tornaram a ‘boca’ do rosto maior“, escreveu, em comunicado, Ross Beyer, membro da equipe do MRO.

O sorriso crescente é causado pela erosão térmica, à medida que o dióxido de carbono evapora e expõe mais solo. A sublimação acontece quando um material sólido se transforma em gás, sem passar pelo estado líquido.

Além do sorriso, o “nariz” também cresceu: de dois pequenos pontos para uma grande depressão, como se tivesse sido alvo de uma cirurgia plástica.

No entanto, estudar esta “cratera feliz” é mais do que apenas uma diversão.

Segundo Beyer, medir estas alterações ao longo do ano marciano “ajuda os cientistas a entender a deposição anual e a remoção da geada polar”. “Monitorizar estes locais por longos períodos de tempo ajuda-nos a entender as tendências climáticas de longo prazo no Planeta Vermelho.”

As características faciais que vemos nas figuras representam, na verdade, diferentes elevações e densidades de gelo na superfície.

Por Liliana Malainho
27 Janeiro, 2021


4705: Geologia de campo no equador de Marte aponta para antiga mega-inundação

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta composição a cores falsas do Monte Sharp dentro da Cratera Gale em Marte mostra aos geólogos um ambiente planetário em mudança. Em Marte, o céu não é azul, mas a imagem foi modificada para parecer ser da Terra para que os cientistas pudessem distinguir entre as camadas de estratificação.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Inundações de magnitude inimaginável varreram a Cratera Gale no equador de Marte há cerca de 4 mil milhões de anos – uma descoberta que sugere a possibilidade de que a vida possa ter lá existido, de acordo com dados recolhidos pelo rover Curiosity da NASA e analisados num projecto conjunto por cientistas da Universidade Estatal de Jackson, de Cornell, do JPL e da Universidade do Hawaii. A investigação foi publicada dia 5 de Novembro na revista Nature Scientific Reports.

A furiosa mega-inundação – provavelmente desencadeada pelo calor de um impacto meteorítico, que libertou o gelo armazenado na superfície marciana – criou ondulações gigantescas que são estruturas geológicas reveladoras familiares aos cientistas na Terra.

“Nós identificámos mega-inundações pela primeira vez usando dados sedimentológicos detalhados observados pelo rover Curiosity,” disse o co-autor Albert G. Fairén, astro-biólogo visitante da Faculdade de Artes e Ciências de Cornell. “Os depósitos deixados por mega-inundações não foram identificados anteriormente com dados de orbitadores.”

Como é o caso na Terra, as características geológicas, incluindo o trabalho da água e do vento, foram temporalmente “congeladas” em Marte durante cerca de 4 mil milhões de anos. Estas características transmitem processos que moldaram a superfície de ambos os planetas no passado.

Este caso inclui a ocorrência de características gigantes parecidas com ondas nas camadas sedimentares da Cratera Gale, muitas vezes chamadas “mega-ondulações” ou anti-dunas que têm cerca de 9 metros e espaçadas cerca de 137 umas das outras, de acordo com o autor principal Ezat Heydari, professor de física na Universidade Estatal de Jackson, no estado norte-americano de Mississipi.

As anti-dunas são indicativas do fluxo de mega-inundações no fundo da Cratera Gale de Marte há cerca de 4 mil milhões de anos, que são idênticas às características formadas pelo derreter de gelo na Terra há cerca de 2 milhões de anos, disse Heydari.

A causa mais provável da inundação de Marte foi o derretimento de gelo com o calor gerado por um grande impacto, que libertou dióxido de carbono e metano dos reservatórios gelados do planeta. O vapor de água e a libertação de gases combinaram-se para produzir um curto período de condições quentes e húmidas no Planeta Vermelho.

A condensação formou nuvens de vapor de água, que por sua vez criaram chuvas torrenciais, possivelmente por todo o planeta. A água entrou na Cratera Gale, depois combinada com a água que descia pela encosta do Monte Sharp (na Cratera Gale) para produzir enchentes gigantescas que depositaram as cristas de cascalho na Unidade de Planícias Hummocky e as formações de bandas de cristas e vales na Unidade Estriada.

A equipa científica do rover Curiosity já estabeleceu que a Cratera Gale teve lagos e riachos persistentes no passado. Estes corpos de água duradouros são bons indicadores que a cratera, bem como o Monte Sharp no seu interior, eram capazes de sustentar vida microbiana.

“No início, Marte era um planeta extremamente activo de um ponto de vista geológico,” disse Fairén. “O planeta tinha as condições necessárias para suportar a presença de água líquida na superfície – e na Terra, onde há água, há vida.

“De modo que o jovem Marte era um planeta habitável,” disse. “Era habitado? Essa é uma pergunta que o próximo rover Perseverance… vai ajudar a responder.”

O Perseverance, que foi lançado a partir de Cabo Canaveral no dia 30 de Julho, tem chegada a Marte prevista para o dia 18 de Fevereiro de 2021.

Astronomia On-line
24 de Novembro de 2020


4665: Sonda da ESA identifica trio de crateras formado misteriosamente em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

ESA / DLR / FU Berlin

Nos antigos planaltos marcianos de Noachis Terra – uma região fortemente impactada há cerca de 4 mil milhões de anos – os astrónomos avistaram um trio de crateras formado por três bacias sobrepostas.

A Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou recentemente a descoberta de uma cratera com três níveis sobrepostos na superfície do Planeta Vermelho pela missão Mars Express. Segundo o Science Alert, a cratera tripla (ou conjunto de três crateras gémeas) está localizada no hemisfério sul de Marte, numa região conhecida como Noachis Terra.

Este trio encontra-se muito perto da Cratera de Le Verrier, que possui 140 quilómetros de diâmetro – por comparação, a maior cratera trigémea possui 45 quilómetros de diâmetro. Os astrónomos adiantaram que esta área terá sido fortemente atingida por asteróides há cerca de 4 mil milhões de anos, pelo que a superfície está muito marcada pelos impactos.

Uma das possíveis explicações para a criação desta cratera tripla sugere que um asteróide se fragmentou em três pedaços antes de atingir a superfície de Marte. Se esta teoria for confirmada, pode ser um indício de que o planeta possuía uma atmosfera muito mais densa há 4 mil milhões de anos, suficientemente forte para fragmentar corpos celestes.

Há, no entanto, outra hipótese em cima da mesa: três asteróides distintos podem ter colidido ao mesmo tempo com Marte, criando este conjunto de crateras.

Os cientistas defendem que a teoria de uma atmosfera mais densa se torna mais plausível se cruzarmos esta informação com o facto de Marte ter sido mais quente e húmido no passado, o que coincide com recentes investigações divulgadas sobre a presença de antigos rios na superfície marciana.

Há semelhança de outras “cicatrizes”, esta pode revelar muitos segredos sobre o (ainda) misterioso Planeta Vermelho.

ZAP //

Por ZAP
17 Novembro, 2020


4607: Já houve vida na gigante cratera do asteróide que dizimou os dinossauros

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/GEOLOGIA

Chase Stone

Uma nova investigação liderada pelo geólogo David Kring, do Instituto Lunar e Planetário de Houston, nos Estados Unidos, encontrou evidências de que o sistema hidrotermal da cratera Chicxulub, formada pelo asteróide que dizimou os dinossauros, já abrigou um ecossistema subterrâneo.

De acordo com os cientistas, o sistema hidrotermal da cratera, formada há 65 milhões de anos depois do impacto do asteróide na Península de Yucatán, no México, já teve vida.

Durante uma expedição à cratera, os cientistas extraíram cerca de 15.000 quilogramas de rochas das suas profundezas, nas quais detectaram pequenas esferas minerais de pirite.

A análise de isótopos de enxofre no mineral mostrou que as esferas eram formadas por colónias de microrganismos termófilos, que se alimentavam das reacções químicas que ocorriam na rocha devido ao sistema hidrotermal gerado pelo impacto.

Por sua vez, explicam os cientistas em comunicado, estes micróbios subterrâneos aproveitaram o sulfato presente nos fluidos hidrotermais que passavam através das rochas, convertendo-se em enxofre, que se conservou como pirite.

As descobertas destes organismos reforçam a hipótese de que a vida na Terra pode ter sido fruto do bombardeamento de asteróides e cometas durante o Hadeano.

Segundo esta teoria, alguns asteróides e cometas que colidiram com a Terra durante este período geológico, há cerca de 4 mil milhões de anos, produziram vários sistemas hidrotermais subterrâneos, potencias habitats para a evolução precoce da vida.

A nova descoberta é um marco importante e sugere que as áreas de impacto durante o Hadeano poderiam ter abrigado sistemas semelhantes que proporcionaram nichos para a evolução precoce da vida no nosso planeta”, escreveram os cientistas, que publicaram os resultados da investigação na revista cientifica especializada Astrobiology.

Apesar dos resultados, os cientistas frisam que precisam ainda de mais evidências fósseis e de uma maior compreensão sobre as possíveis fontes de energia para os organismos durante o Hadeano para dar ainda mais força à teoria.

Com cerca de 180 quilómetros de diâmetro, a cratera de Chicxulub é considerada a estrutura de impacto melhor conservada da Terra. O seu sistema hidrotermal é nove vezes maior do que a caldeira do super-vulcão Yellowstone, localizado nos Estados Unidos

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
6 Novembro, 2020


4323: A vida na Terra pode ter “nascido” nas crateras de meteorito

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA/QUÍMICA

gamene / Flickr

Os impactos de asteróides causaram alguns dos maiores eventos destrutivos da história da Terra. Agora, um novo estudo mostra que esses impactos também podem ter fornecido as condições certas para a vida começar no nosso planeta.

A maioria dos dinossauros foi extinta devido ao impacto de um asteróide gigante, quando um objecto atingiu a ponta norte da Península de Yucatán há cerca de 66 milhões de anos. Mas e se os impactos de asteróides também fossem responsáveis pelo desenvolvimento da vida na Terra?

“Se pedir a alguém que imagine o que acontece quando pedaços de rocha do tamanho de um quilómetro atingem a Terra, isso é tipicamente destrutivo. É um evento de extinção como aquele que matou os dinossauros”, disse Gordon Osinski, cientista planetário da Western University, citado pelo Western News.

“O que estamos a tentar fazer é transformar essa ideia. O impacto é inicialmente destrutivo, mas também fornece os blocos de construção para a vida e cria novos habitats para a vida. Essencialmente criam um oásis para a vida“, continuou.

As condições imediatamente após um impacto teriam sido um pesadelo para qualquer forma de vida que existia antes da queda. Toneladas de destroços teriam sido lançadas para a atmosfera. A rocha derretida no chão da cratera queimaria tudo em que tocasse e libertaria gases venenosos para o ar.

Depois de a rocha arrefecer e essas condições se estabilizarem, pode ter sido deixado para trás o ambiente ideal para a vida microbiana se desenvolver e prosperar.

De acordo com o estudo, conforme o lago da cratera se forma na bacia de impacto, a combinação de água, calor, minerais e produtos químicos formaria condições em que os micróbios teriam um ambiente seguro e uma fonte abundante de energia.

“Mostrámos que os impactos podem fornecer todos os blocos de construção necessários para a vida e criar habitats para a vida imediatamente após o impacto”, escreveu Osinski, num e-mail enviado ao The Weather Network.

Esses habitats incluem “sistemas hidrotérmicos transitórios”, semelhantes às fontes hidrotermais no fundo do oceano ao longo da dorsal mesoatlântica, e fontes termais e géiseres no Parque Nacional de Yosemite, mas de natureza mais temporária devido para o impacto

Outros incluem “habitats endolíticos”, onde a vida se pode desenvolver dentro dos poros e fissuras em rochas de impacto vítreas e dentro de ilhas flutuantes de pedra-pomes porosa, onde seriam protegidos da radiação ultravioleta prejudicial do Sol.

Além disso, as piscinas rochosas formadas nos fluxos vulcânicos de arrefecimento, onde a água se pode acumular, fornecem excelentes ambientes seguros.

A partir do seu estudo das crateras de meteoritos na Terra, Osinski e a sua equipa mostraram que os impactos podem produzir qualquer um ou todos estes ambientes. “O principal aqui é que estes habitats não existiam antes do impacto e não existiriam a menos que ocorresse um impacto”, disse Osinski.

Saber como a vida começou na Terra não só nos ajuda a rastrear as nossas próprias origens, mas também pode ajudar na nossa busca por vida noutro lugar. As missões a Marte, por exemplo, podem procurar oásis semelhantes na sua busca por vida passada ou presente.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica Astrobiology.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2020

 

 

4293: Empresa australiana encontra uma das maiores crateras de meteorito do mundo

CIÊNCIA/ESPAÇO

rickmach / Flickr
Fotografia ilustrativa da cratera de meteorito no Arizona

Uma empresa australiana, que levava a cabo perfurações em busca de ouro, encontrou uma enorme cratera de meteorito, com 100 milhões de anos.

Uma equipa de geólogos encontrou uma cratera gigante, com uma idade estimada em 100 milhões de anos, perto da cidade Ora Banda, no sudoeste da Austrália. De acordo com o The Guardian, a cratera tem um diâmetro de cerca de cinco quilómetros e, embora não seja visível da superfície, foi encontrada graças a pesquisas electromagnéticas.

O geólogo e geofísico Jayson Meyers disse que a descoberta foi significativa e inesperada, dado que foi feita numa “área onde a paisagem é muito plana”. Esta cratera, encontrada por acaso durante uma perfuração em busca de ouro pela empresa Evolution Mining, é considerada uma das maiores crateras de meteorito do mundo.

(dr) Resource Potentials

“Se conseguirmos entender a história geológica, podemos prever quando acontecerá o próximo evento”, disse o especialista.

“Provavelmente, já fomos atingidos por mais asteróides do que pensávamos. Se começarmos a reconhecer estes eventos, o panorama começa a mudar. Temos que questionar a frequência e por que razão acontecem”, acrescentou, sugerindo que o meteorito da Ora Banda tinha um diâmetro entre 100 e 200 metros.

ZAP //

Por ZAP
7 Setembro, 2020

 

 

4279: Grandes buracos misteriosos na Sibéria podem estar ligados às alterações climáticas

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/CRIO-VULCANISMO

São pelo menos nove as crateras descobertas no Árctico, desde 2013. Os cientistas pensam que são fruto do aquecimento da região, o que enfraquece o gelo, permitindo a libertação explosiva de gás metano.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Quando estava a voar sobre a tundra da Sibéria, este verão, uma equipa de televisão russa avistou uma enorme cratera de 30 metros de profundidade e 20 metros de largura, de forma afunilada – impressionante pelo seu tamanho e simetria. Este é pelo menos o nono buraco encontrado na região desde 2013 e os cientistas ainda não sabem explicar exactamente como nem porque é que eles se formam.

A primeira cratera foi descoberta perto de um campo de petróleo e gás na Península Yamal, no noroeste da Sibéria, e as primeiras teorias surgidas então incluíam o impacto de meteorito, a aterragem de OVNIs e o colapso de uma instalação de armazenamento militar subterrânea secreta. Neste momento, os cientistas creditam que o buraco gigante está ligado a uma acumulação explosiva de gás metano – que poderia ser o resultado do aquecimento da região – mas ainda há muitos pormenores por descobrir sobre este fenómeno.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“Neste momento, não há uma teoria consensual que expliquem estes fenómenos complexos”, disse Evgeny Chuvilin, investigador do Centro de Recuperação de Hidrocarbonetos do Instituto de Ciência e Tecnologia de Skolkovo, que visitou o local da cratera mais recente para estudar suas características. “É possível que se estejam a formar há anos, mas é difícil fazer uma estimativa. Como as crateras geralmente aparecem em áreas desabitadas, e na sua maioria selvagens, do Árctico, muitas vezes não há ninguém para ver a sua formação e relatá-la”, disse Chuvilin, citado pela CNN. “Mesmo agora, as crateras são encontradas geralmente por acidente durante voos rotineiros de helicópteros não científicos ou por pastores de renas e caçadores.”

No entanto, a ligação às alterações climáticas parece evidente. O pergelissolo (ou permafrost – tipo de solo, composto de terra, rochas e sedimentos, que se mantém permanentemente gelado), que corresponde a dois terços do território russo, é uma enorme reservatório natural de metano, um potente gás de efeito estufa, e vos recentes Verões quentes, inclusivamente este de 2020, na região, podem ter desempenhado um papel importante na criação dessas crateras.

Chuvilin e a sua equipa estão entre os poucos cientistas que desceram a uma dessas crateras para tentar perceber como ela se formou. O acesso às crateras deve ser feito com equipamento de escalada e há uma janela limitada – as crateras transformam-se em lagos num período de dois anos após a sua formação.

© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

Os cientistas recolheram amostras de solo permafrost, solo e gelo da borda de um buraco – conhecido como cratera Erkuta – durante uma viagem de campo em 2017, após a sua descoberta por biólogos que estavam na área observando a nidificação de falcões. Seis meses depois, os cientistas observaram a área com drones. “O principal problema com essas crateras é o quão incrivelmente rápido, geologicamente, elas se formam e como duram pouco antes de se transformarem em lagos”, disse Chuvilin. “Encontrar uma cratera no remoto Árctico é sempre um golpe de sorte para os cientistas.”

O estudo, que foi publicado em junho, mostrou que os gases, principalmente o metano, podem acumular-se nas camadas superiores do permafrost, oriundos de múltiplas fontes – tanto das camadas profundas da Terra quanto mais próximas à superfície. A acumulação desses gases pode criar uma pressão suficientemente forte para rebentar as camadas superiores do solo congelado, espalhando terra e rochas e criando a cratera.

“Queremos sublinhar que os estudos dessas cratera estão numa fase muito inicial e cada nova cratera leva a novas pesquisas e descobertas”, disse Chuvilin.

Com a cratera Erkuta, a teoria dos cientistas sugere que ela se formou num lago que provavelmente tinha uma zona de solos não congelados – quando o lago começou a secar, essa zona congelou, aumentando a pressão subterrânea até que o gás foi finalmente lançado através de uma explosão poderosa – um tipo de vulcão de gelo.

A cratera Yamal foi a primeira a ser descoberta, em 2013
© Evgeny Chuvilin/ Direitos reservados

“O crio-vulcanismo, como alguns investigadores lhe chamam, é um processo muito pouco estudado e descrito na criosfera, uma explosão envolvendo rochas, gelo, água e gases que deixa para trás uma cratera. É uma ameaça potencial à actividade humana no Árctico, e é preciso estudar exaustivamente como os gases, especialmente o metano, se acumulam nas camadas superiores do permafrost e quais condições podem levar a uma situação extrema “, observou Chuvilin. A criosfera são porções da superfície da Terra onde a água está na forma sólida – gelo.

“Essas emissões de metano também contribuem para o aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, e a própria mudança climática pode ser um factor no aumento do crio-vulcanismo. Mas isso ainda é algo que precisa ser investigado”, disse Chuvilin.

Diário de Notícias

DN

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4267: “Nasceu” mais uma cratera colossal nos solos de permafrost da Sibéria

CIÊNCIA/AMBIENTE

Uma cratera com 50 metros de profundidade foi recentemente descoberta na tundra da península de Yamal, na Rússia.

De acordo com o jornal britânico The Independent, a cratera de grandes dimensões foi inicialmente avistada em Julho por uma equipa de televisão que sobrevoava a zona no regresso de um trabalho na relacionado com o fenómeno.

Uma equipa de Cientistas do Centro Russo para o Desenvolvimento das Terras Árcticas já fizeram saber que estão a estudar a cratera de “grandes dimensões”, que é fruto de uma erupção de gases que ocorre no meio da tundra de Yamal, no noroeste da Sibéria.

É a 17.ª cratera deste tipo descoberta na Sibéria desde 2014.

Estas crateras representam os restos dos chamados “pingos” – colinas típicas das regiões polares – que se formam devido à alta pressão dos gases nas câmaras subterrâneas nas condições de permafrost, camada de solo que está sempre congelada.

Quando esta tensão atinge um determinado ponto, uma forte corrente parte a camada de terra congelada e gelo, atirando-a a centenas de metros de distância e deixando uma espécie de “funil” arredondado no lugar da colina.

Em comunicado, citado pela Russia Today, os cientistas russos revelam que a 17.ª cratera encontrada está “em perfeitas condições”, o que permitiu fazer uma análise detalhada deste fenómeno natural que ocorre na Sibéria.

Em 2018, o estudo de uma cratera semelhante, com profundidade máxima de 52 metros e com cerca de 25 metros de diâmetro, ajudou os cientistas a explicar a origem destes funis e a refutar algumas teorias sobre a sua formação, como a queda de um meteorito.

Desvendado o mistério da cratera do “fim do mundo” da Sibéria

Um grupo de cientistas russos concluiu que a misteriosa cratera formada em 2014 na península de Yamal, no norte da…

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ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2020

 

 

4190: Astrónomos terão identificado a maior cratera do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Tsunehiko Kato / 4D2U Project / NAOJ

Uma equipa de astrónomos descobriu que Ganimedes, a gigante lua de Júpiter, pode ter a maior estrutura de impacto já identificada no Sistema Solar.

Ganimedes é um corpo espacial impressionante. Além de ser a maior lua do Sistema Solar, é a única que gera o seu próprio campo magnético e é a que tem mais água líquida. Agora, os cientistas descobriram que pode ser também a “casa” da maior estrutura de impacto do Sistema Solar.

Astrónomos descobriram que as calhas tectónicas conhecidas como sulcos, consideradas as mais antigas feições geológicas de Ganimedes, formam uma série de anéis concêntricos de até 7.800 quilómetros de diâmetro, como se algo tivesse batido na lua.

Se se confirmar, ultrapassará em muito todas as outras estruturas de impacto confirmadas no Sistema Solar.

Os sulcos de Ganimedes são depressões com bordas elevadas e afiadas – e há muito que se acredita que são o resultado de grandes impactos no início da história de Ganimedes, quando a sua litosfera era relativamente fina e fraca. Porém, uma reanálise dos dados do Ganimedes liderada por Naoyuki Hirata, da Escola de Ciências da Universidade de Kobe, conta uma história um pouco diferente.

Hirata e os seus colegas examinaram as imagens obtidas pelas sondas Voyager, que voaram por Júpiter em 1979, e o orbitador Galileo Júpiter, que estudou o planeta e os seus satélites entre 1995 a 2003.

As imagens mostram que Ganimedes tem uma história geológica complexa. A lua é dividida em dois tipos de terreno – o Terreno Escuro e o Terreno Brilhante.

O Terreno Brilhante é mais claro na cor e relativamente sem crateras, sugerindo que é muito mais jovem do que o Terreno Escuro fortemente marcado. Este terreno mais antigo está cheio de crateras e crateras. Estas crateras foram feitas em cima de cicatrizes anteriores – os sulcos que podem ser encontrados em quase todo o Terreno Escuro.

A equipe catalogou todos os sulcos, mapeando-os na superfície de Ganimedes, e descobriram que quase todas as estruturas, em vez de estarem dispostas ao acaso em torno de muitos pontos de impacto, eram concentradas num único ponto.

Além disso, as depressões envolviam a lua, abrangendo até 7.800 quilómetros. O diâmetro de Ganimedes é de 5.268 quilómetros.

A próxima etapa da investigação foi determinar o que poderia ter causado tal estrutura. A equipa fez simulações de vários cenários e descobriu que o culpado mais provável era um asteróide com 150 quilómetros de diâmetro, que terá colidido com a lua a uma velocidade de cerca de 20 quilómetros por segundo.

Isto terá ocorrido durante o Intenso Bombardeio Tardio, há cerca de quatro mil milhões de anos, quando Ganimedes ainda era jovem. Durante este período, acredita-se que a lua tenha sofrido um golpe devido ao foco gravitacional de Júpiter.

Além disso, uma estrutura semelhante pode ser encontrada nas proximidades. Noutra lua de Júpiter, Calisto, a cratera Valhalla é uma cratera de impacto de vários anéis com um diâmetro de até 3.800 quilómetros, que se pensa ter entre dois e quatro mil milhões de anos.

A cratera Valhalla é a actual detentora do recorde de maior estrutura de impacto no Sistema Solar, seguida pela Utopia Planitia em Marte, uma bacia de impacto de 3.300 quilómetros de diâmetro.

“A missão JUICE (Jupiter Icy Moon Explorer) da Agência Espacial Europeia, com lançamento previsto para 2022 e chegada em 2029, examinará Júpiter e as suas luas, incluindo Ganimedes. Esperamos que JUICE confirme os resultados deste estudo e melhore ainda mais a nossa compreensão da formação e evolução das luas de Júpiter”, disse Hirata, em comunicado.

Este estudo será publicado em Dezembro na revista científica Icarus.

ZAP //

Por ZAP
19 Agosto, 2020

 

 

4152: Ceres: Planeta anão é um mundo com água

CIÊNCIA(ASTRONOMIA

Ceres é um planeta anão localizado na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. Até agora, desde a sua descoberta, em 1801, por Giuseppe Piazzi, acreditava-se que fosse mais uma rocha seca, das muitas presentes na imensidão que é o Espaço.

Contudo, novas observações deram conta da existência de um reservatório de água salgada, até então desconhecido.

Cratera em Ceres aloja água salgada

Além de estar situado na cintura de asteróides entre e Marte e Júpiter, Ceres é também o maior objecto aí presente. Assim, é possível que a Nave Espacial Dawn, da NASA, capture imagens de alta resolução da sua superfície.

Agora, uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e da Europa analisou imagens recolhidas da órbita de Ceres, capturadas a cerca de 35 quilómetros de distância. O foco foi a cratera Occator, com 20 milhões de anos. Ali, sob a sua superfície, encontraram um “extenso reservatório” de água salgada.

Além da equipa que reunia elementos dos EUA e da Europa, outras realizaram pesquisas sobre o Ceres. Esses estudos foram publicados na Nature Astronomy, Nature Geoscience e Nature Communications. Assim, foi possível erguer a cortina sobre alguns factos, outrora desconhecidos, face ao planeta-anão.

Através de um sistema de imagens infravermelhas, uma das equipas descobriu a presença do compound hydrohalite. Isto é, um material comummente encontrado no gelo marinho, mas que nunca tinha sido detectado fora da Terra.

De acordo com Maria Cristina De Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica, de Roma, o compound hydrohalite é uma confirmação da existência de água do mar em Ceres. Além disso, acrescentou que este planeta anão é uma “espécie de mundo oceânico”, assim como algumas das luas de Saturno e de Júpiter.

Água e vida fora da Terra

Ainda que só tenham sido detectados agora, a mesma equipa disse ainda que os depósitos de sal pareciam ter-se vindo a acumular pelos últimos dois milhões de anos. Por isso, é possível que a água salgada possa estar ainda a ascender do interior do planeta. Além do tempo que demorou a acumular-se, o seu jeito instável remete para um aparecimento recente.

O material encontrado no Ceres é extremamente importante em termos de astrobiologia.

Sabemos que estes minerais são essenciais para a emergência de vida.

Disse Maria Cristina De Sanctis.

Esta é uma descoberta incrível, para aquilo que têm sido as incessantes procuras por água, e até por possibilidades de vida, noutros planetas.

Pplware
Autor: Ana Sofia
11 Ago 2020

 

 

3611: Novo estudo refere que a cratera Jezero em Marte pode abrigar sinais de vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A NASA continua a palmilhar a superfície de Marte na expectativa de conhecer os pontos fundamentais para a chegada do novo veículo ao solo marciano. Nesse sentido, uma nova análise de imagens de satélite sustenta a hipótese de que a cratera de Jezero no planeta vermelho poderá ser um bom lugar para procurar marcadores de vida.

Conforme já foi veiculado pela agência espacial, a sonda Perseverance da NASA, cujo lançamento está previsto para Julho de 2020, aterrará na cratera de Jezero.

Rios de Marte deixaram marcas fortes na paisagem

As faixas ondulantes de terra visíveis do espaço revelam rios que outrora percorriam a superfície marciana. Contudo, fica a questão que poderá ser importante, no estudo do planeta: durante quanto tempo é que a água correu?

Segundo um novo estudo, esta água correu no leito tempo suficiente para registar evidências de vida antiga no planeta.

Quando os investigadores modelaram o tempo que levou a formar as camadas de sedimentos num delta de um rio antigo depositados à medida que este descia para a cratera, concluíram que se a vida tivesse existido perto da superfície marciana, poderiam ter sido capturados vestígios dela dentro das camadas do delta.

Provavelmente houve água durante uma duração significativa em Marte e esse ambiente era certamente habitável, mesmo que pudesse ter sido árido.

Mostrámos que os sedimentos eram depositados rapidamente e que se houvesse orgânicos, teriam sido enterrados rapidamente, o que significa que provavelmente teriam sido preservados e protegidos.

Referiu o autor principal Mathieu Lapôtre, professor assistente de ciências geológicas na Universidade de Stanford.

Formação da cratera Jezero

A NASA seleccionou a cratera Jezero para a sua próxima missão rover, em parte, porque o local contém um delta do rio. Os investigadores sabem que os deltas do rio na Terra preservam eficazmente as moléculas orgânicas associadas à vida.

Mas sem uma compreensão das taxas e durações dos eventos de construção do delta, a analogia continuou a ser especulativa. Assim, a nova investigação na AGU Advances oferece orientações para a recuperação de amostras, a fim de compreender melhor o antigo clima marciano e a duração da formação do delta. O Rover Perseverance to Mars da NASA, que será lançado como parte da primeira missão de retorno de amostras de Marte, irá inicialmente estudar essa área.

O estudo incorpora uma descoberta recente que os investigadores fizeram sobre a Terra: rios sinuosos de rosca única, que não têm plantas a crescer sobre as suas margens, movem-se de lado cerca de 10 vezes mais depressa do que os que têm vegetação.

Com base na força da gravidade de Marte, e assumindo que o planeta vermelho não tinha plantas, os cientistas estimam que o delta na cratera de Jezero levou pelo menos 20 a 40 anos para se formar. No entanto, a formação era provavelmente descontínua e originou que esse processo durasse cerca de 400.000 anos.

Isto é útil porque um dos grandes desconhecidos de Marte é o tempo. Encontrando uma forma de calcular a taxa para o processo, podemos começar a ganhar esta dimensão de tempo.

Referiu Lapôtre.

Uma vez que os rios de um só fio e serpenteantes são mais frequentemente encontrados com vegetação na Terra, a sua ocorrência sem plantas permaneceu, em grande parte, indetectável até há pouco tempo. Pensava-se que antes do aparecimento das plantas, só existiam rios entrançados, compostos por múltiplos canais entrelaçados.

Evolução da vida na Terra

Agora que os investigadores sabem que o devem procurar, encontraram rios serpenteantes na Terra onde não há plantas, como no McLeod Springs Wash, na bacia do Toiyabe, no Nevada.

Os investigadores estimaram também que os períodos húmidos conducentes a uma acumulação significativa de deltas eram cerca de 20 vezes menos frequentes em Marte antigo do que são actualmente na Terra.

Segundo os cientistas, as descobertas da cratera de Jezero poderiam ajudar a compreensão de como a vida evoluiu na Terra. Se a vida já existiu lá, é provável que não tenha evoluído para além da fase de célula única. Isso porque a cratera de Jezero formou-se há mais de 3,5 mil milhões de anos, muito antes dos organismos na Terra se terem tornado multi-celulares.

Se a vida existiu uma vez na superfície, algum evento desconhecido que esterilizou o planeta parou a sua evolução. Isso significa que a cratera marciana poderia servir como uma espécie de cápsula do tempo preservando sinais de vida como poderia ter existido em tempos na Terra.

Poder usar outro planeta como uma experiência de laboratório para saber como a vida poderia ter começado noutro lugar ou onde há um registo melhor de como a vida começou – isso poderia realmente ensinar-nos muito sobre o que é a vida. Estas serão as primeiras amostras que vimos como uma rocha em Marte e depois trazidas de volta à Terra, por isso é bastante excitante.

Concluiu Lapôtre.

Marte é, a seguir à Terra, o planeta que o ser humano mais conhece, contudo, ainda sabe muito pouco. Descobrir os segredos do solo marciano poderá ajudar a descobrir o início da vida terrena.

Pplware
27 Abr 2020

 

 

3302: Descoberta no Laos a cratera de um meteorito gigante que caiu na Terra há 790 mil anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

Alexander Ozerov / Canva

Um novo estudo, liderado pelo geólogo norte-americano Kerry Sieh, revelou que existe uma cratera de impacto de um grande meteorito que caiu na Terra há 790 mil anos no Laos.

Segundo os investigadores, a cratera encontra-se “debaixo da lava jovem do campo vulcânico de Bolaven”. Num estudo publicado esta semana na revista científica Proceedings of The National Academy of Sciences, os cientistas apresentaram “evidências estratigráficas, geoquímicas, geofísicas e geocronológicas de que a cratera, com cerca de 15 quilómetros de diâmetro, está enterrada sob um grande campo vulcânico jovem no sul” do Laos.

Especialistas apontam que “a cratera e os efeitos proximais do grande impacto de um meteorito conseguiram não ser descobertos durante há quase um século”. No entanto, durante muito tempo, estimou-se que “estavam localizados em algum lugar da Indochina“.

No fim dos anos 1930, geólogos descobriram depósitos das chamadas tectitas – pedras na forma de “gotas de vidro preto” nas costas da Austrália e no sudeste da Ásia “espalhadas em aproximadamente 20% do hemisfério oriental da Terra”. Nessa época, acreditava-se que foram geradas como resultado da queda de um grande corpo celeste.

O interior e a superfície da Terra mudam constantemente, o que dificulta o trabalho dos investigadores para encontrar vestígios de queda de asteróides e meteoritos.

Agora, os cientistas concentraram-se em distorções no campo gravitacional da Terra que podem aparecer perto da cratera. Foi essa busca que indicou a existência da cratera no Laos, no território do planalto de Bolaven, cheio de lava e detritos de rochas sedimentares.

Estudos de seu conteúdo mostraram que a cratera é composta pelos mesmos minerais que as tectitas e, nas proximidades da cratera, os cientistas descobriram traços de rochas deformadas como resultado de um forte impacto.

ZAP //

Por ZAP
3 Janeiro, 2020

 

3074: Revelados os segredos de uma misteriosa cratera gigante na Austrália

CIÊNCIA

Stephan Ridgway / Flickr

No estado da Austrália Ocidental, há a famosa cratera de Wolfe Creek, criada pela queda de um meteorito de 14 mil toneladas que colidiu com a Terra há milhares de anos.

Porém, um novo estudo agora afirma que o impacto aconteceu muito mais recentemente do que suspeitávamos, levando a repensar a frequência com que as rochas espaciais gigantes atingem o nosso planeta.

Um grupo de investigadores de várias universidades da Austrália e dos Estados Unidos analisaram as características da rocha subjacente da cratera para obter uma medida precisa da idade do ponto mais famoso de Wolfe Creek.

Estimativas anteriores afirmaram que a cratera poderia ter 300 mil anos, mas o novo resultado afirma que terá apenas 120 mil anos.

A cratera de Wolfe Creek foi permanecendo notavelmente bem preservada ao longo dos tempos. O sítio também se destaca pelo facto de ser a segunda maior cratera da Terra a ainda ter fragmentos da rocha espacial ofensiva. A grande maioria das crateras encontradas hoje na Terra tem menos de 100 mil anos. As mais antigas foram-se perdendo, desgastadas ou encobertas.

“Noutros lugares, as crateras são destruídas por actividades geomórficas, como a migração de rios ou processos de declividade nas montanhas”, disse Tim Barrows, geoquímico na Universidade de Wollongong, em comunicado. “Como a Austrália tem um excelente registo de preservação com crateras datadas dentro da zona árida, podemos extrapolar uma taxa para toda a Terra”.

O meteorito que abriu um buraco na paisagem da Austrália Ocidental tinha 15 metros de diâmetro e movia-se a cerca de 17 quilómetros por segundo. A colisão destruiu o terreno subjacente, liquidificando o meteorito e a crosta.

Houve várias tentativas para determinar a idade da cratera. As primeiras tentativas estabeleceram um limite superior de cerca de dois milhões de anos mas, desde então, os geólogos estabeleceram-se em 300 mil anos.

A equipa analisou a deterioração constante de dois isótopos – berílio-10 e alumínio-26. Um segundo método envolvia luminescência opticamente estimulada, que determina o tempo de passagem através da medição de mudanças na energia capturada na rede cristalina da areia derretida pela explosão.

Combinando os dados, de acordo com o estudo publicado na revista especializada Meteoritics & Planetary Science, os cientistas colocaram uma idade máxima na cratera de cerca de 137 mil anos, embora seja mais provável que o impacto tenha ocorrido há cerca de 120 mil anos.

Uma revisão da idade de Wolfe Creek sugere que o interior da Austrália tem sete crateras maiores com mais do que 25 metros que se formaram desde então, dando uma taxa de um ataque de um meteorito a cada 17 mil anos. “Tendo em conta que a árida Austrália é apenas cerca de 1% da superfície, a taxa aumenta para uma a cada 180 anos”, disse Barrows.

Estudos anteriores estimaram que os impactos do tamanho de Wolfe Creek devem ocorrer a cada 13 mil anos, com crateras mais pequenas, de cerca de 150 metros de diâmetro, a ser deixadas a cada 500 anos.

O cosmos não segue um cronograma, mas estes números ajudam a avaliar a seriedade com que devemos levar os avisos para observar os céus para evitar potenciais riscos. É possível que apareça outra cratera de Wolfe Creek em algum lugar da Terra no futuro. E, avisa o ScienceAlert, da próxima vez, pode não ser tão remoto como o interior australiano.

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Por ZAP
23 Novembro, 2019

 

2831: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2693: Revelada fotografia do misterioso material do lado oculto da Lua

CIÊNCIA

CNSA / CLEP

A agência espacial chinesa já tinha anunciado a descoberta de uma espécie de gel numa cratera lunar. Não satisfeita com as primeiras imagens, fez regressar o Yutu-2 ao local para recolher mais fotografias.

Em Julho, imagens recolhidas pelo veículo robótico Yutu-2, da missão Chang’e-4, revelaram a existência de uma substância gelatinosa numa cratera situada no lado mais negro da Lua. Na altura, a Agência Espacial chinesa anunciou a descoberta descrevendo o material como tendo uma forma, cor e textura diferentes do restante da superfície do satélite natural da Terra.

Este fim de semana, foram divulgadas novas imagens, de acordo com o Sapo Tek. A sonda chinesa terá sido capaz de detectar o gel, depois de inspeccionar a pequena cratera lunar com uma ferramenta espectroscópica conhecida como VNIS (Visible and Near-Infrared Spectrometer).

Esta tecnologia é capaz de determinar a composição química de uma substância ao analisar a luz que a matéria reflecte, embora seja impossível determinar com exactidão o que é a substância em causa na ausência de estudos mais completos sobre a sua origem.

Uma das teorias apontada pelos cientistas é que esta substância possa ser vidro derretido pelo calor de meteoritos que atingiram a Lua, deixando a cratera no local. Impactos de alta velocidade na superfície lunar podem criar rochas vítreas e ígneas, assim como estruturas cristalinas.

Em entrevista ao Space.com, Clive Neal, cientista da Universidade de Notre Dame, explicou que, apesar de a fotografia não ser perfeita, pode oferecer pistas preciosas. Segundo o mesmo especialista, o material encontrado assemelha-se a uma amostra de vidro de impacto, encontrada durante a missão Apolo 17, em 1972. A origem é atribuída a uma erupção vulcânica datada de há 3,54 mil milhões de anos.

O especialista da NASA Dan Moriarty concorda que é muito difícil fazer uma avaliação definitiva da composição química da substância em função da baixa qualidade da imagem. O material descrito parece um pouco mais brilhante do que o material circundante, embora o brilho real seja difícil de confirmar nas fotografias obtidas.

No dia 8 de Dezembro, a China lançou com sucesso a sonda da missão Chang’e-4, tornando-se no primeiro país a realizar uma alunagem bem sucedida no lado oculto da Lua. Chang’e-4 e Yutu-2 estão a realizar várias medições e a recolher rochas que podem revelar novos detalhes sobre esta área inexplorada do nosso satélite natural.

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Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2236: Astrónomos encontraram uma nova (e surpreendente) cratera em Marte

NASA / JPL / University of Arizona
Nova cratera em Marte encontrada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)

Marte não se “magoa” facilmente mas, quando acontece, o resultado pode ser quase comparado a uma obra de arte. Uma cratera, descoberta em Abril pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), é a prova disso.

Notável não só pelo tamanho como também pelas ondas de impacto, a marca preta e azul recentemente descoberta destaca-se como uma espécie de “polegar dorido” na superfície vermelha e poeirenta de Marte, conta o Science Alert.

Anualmente, o Planeta Vermelho é bombardeado por mais de 200 asteróides e cometas, no entanto, tal como explicou a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, esta nova cratera é uma das mais impressionantes que alguma vez viu.

Nos 13 anos em que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) tem observado o planeta, são poucos os acontecimentos que se comparam a este porque, embora o fragmento da rocha espacial responsável pareça ter cerca de 1,5 metros de largura, a própria cratera é muito maior, com cerca de 15 a 16 metros.

Um “culpado” tão pequeno como este fragmento provavelmente teria queimado ou erodido na atmosfera muito mais espessa da Terra ou, mesmo em Marte, deveria ter quebrado. Neste caso, porém, a rocha deveria ser mais sólida do que o habitual, porque conseguiu bater num ponto da região Valles Marineris, localizada próxima do equador marciano.

A imagem acima foi capturada pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da NASA, que orbita o planeta a 255 quilómetros de distância. De acordo com o anúncio publicado no seu site oficial, “o que se destaca é o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada”.

A natureza exacta da geografia nesta região continua a ser incerta, mas Bray afirma que a superfície será provavelmente basalto e a parte azul que vemos na imagem deverá ser um pouco de gelo que também estava escondido sob a poeira.

Os astrónomos pensam que o embate tenha acontecido entre Setembro de 2016 e Fevereiro deste ano.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2019

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2214: Gravuras pré-históricas encontradas na cratera de impacto que poderia ter extinguido a Humanidade

CIÊNCIA

(dr) University of the Free State
As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte

Os cientistas são capazes de reconhecer a natureza especial da cratera de impacto de Vredefort, mas esta já havia sido reconhecida por antigos habitantes da região.

Várias gravuras rupestres foram misteriosamente descobertas dentro da Cratera Vredefort, na África do Sul. Esta é a maior cratera de impacto do mundo, com cerca de 186 quilómetros de largura, e foi formada por um asteróide, há cerca de dois mil milhões de anos.

De acordo com o portal sul-africano IOL, que cita a African News Agency, a equipa de cientistas considera que a cratera resultou de um impacto maior do que o do asteróide que extinguiu os dinossauros, e que, “se na altura o Homem existisse”, teria sido extinto.

Uma equipa de cientistas tem trabalhado arduamente para analisar as influências geológicas da cratera na área circundante. Agora, a equipa está convencida de que a cratera não é apenas um local de importante significado geológico e planetário, mas também para entender a primeira população de seres humanos daquela região.

As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte – todos eles animais que poderiam ser encontrados naquela área há cerca de 8.000 anos. Os cientistas estabeleceram assim que aquela arte rupestre era a marca do trabalho manual dos Khoi-San, os primeiros povos sul africanos.

Os cientistas desconfiam que estas gravuras representaram um importante papel nas cerimónias associadas à chuva.

“Como cientistas, reconhecemos a natureza especial da cratera de impacto, mas também foi reconhecida por antigos habitantes da região”, disse Matthew Huber, geógrafo da University of the Free State da África do Sul.

Desde que as marcas se tornaram uma descoberta arqueológica significativa, Huber e os seus colegas pediram ajuda a arqueólogos locais para tentar descobrir o que foi feitos nestes locais e de que forma estas espécies de rituais influenciaram as pessoas que lá viviam.

As gravuras antigas aparecem no exterior das estruturas de pedra dentro da área da cratera conhecida como The Granophyre Dykes, que se estende por seis quilómetros de comprimento e 16 metros de largura. As marcas, com cerca de 8.000 anos, aparecem um pouco desbotadas, mas, ainda assim, perceptíveis.

(dr) University of the Free State
Outra das gravuras encontradas na cratera de impacto de Vredefort

Shiona Moodley e Jens Kriek, dois arqueólogos que trabalhavam no local, adiantaram que a mitologia Khoi-San acreditava num universo de três camadas, segundo o qual o nível superior hospeda o deus e os espíritos dos mortos, o nível intermediário representa o mundo material ou físico, e o nível inferior “segura” os mortos.

Nesta mitologia, acredita-se que as cobras ocupam todos estes três reinos, e que são criaturas “de chuva”. Segundo o All That’s Interesting, as gravuras surgem numa parte da superfície que faz parte de uma espécie de albufeira, que, curiosamente, tinha uma forma muito semelhante à de uma divindade de cobra de chuva, uma figura importante na cultura Khoi-San com poderes para “invocar” a chuva.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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2157: Localizada na Escócia a cratera da maior colisão de meteorito da história

CIÊNCIA

Universidade de Oxford

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford detectou evidências da existência de uma cratera de 20 quilómetros de diâmetro gerada pelo impacto de um asteróide de um quilometro de comprimento.

A descoberta, que foi publicada no Journal of the Geological Society, foi produzida pelo exame de rochas localizadas na costa norte da Escócia, mas não permitiu localizar a posição exacta da cratera.

“O material libertado após o impacto de um meteorito gigante raramente é preservado na superfície, porque sofre erosão muito rapidamente”, disse Ken Amor, director da investigação, em comunicado. “Este é um achado realmente empolgante.”

Especialistas concluíram que um meteorito atingiu a Terra há 1.200 milhões de anos numa faixa de terra que agora está na Escócia, mas que, naquela época, era uma área árida perto do Equador. Naquela época, a vida na Terra estava confinada aos oceanos.

“Teve de ser um espectáculo considerável ver este grande meteoro a atingir uma paisagem estéril, libertando poeira e detritos de rocha numa grande área”, disse Amon. Neste momento, a superfície poderia ter sido semelhante à que Marte teve no passado, quando foi coberta por oceanos de água líquida, segundo os cientistas.

Investigadores  localizaram a posição da cratera a 15 ou 20 quilómetros de uma região próxima à costa escocesa, sob rochas jovens e água da bacia de Minch. “O próximo passo será realizar uma pesquisa geofísica em profundidade nessa área”, disse Amon.

Os cientistas descobriram os primeiros traços dessa colisão em 2008, quando detectaram traços de irídio, um elemento químico encontrado em meteoritos em altas concentrações. Até então, este irídio estava localizado numa camada de rochas localizada ao norte de Ullapool, uma cidade na região norte da Escócia.

Inicialmente, concluiu-se que as rochas provinham de uma erupção vulcânica, mas análises subsequentes revelaram a origem extraterrestre desses materiais. “Temos sido muito sortudo por podermos estudar estas pedras, porque podemos dizer muito sobre como a superfície de planetas, como Marte, é modificado pelos impactos de grandes meteoritos”, disse John Parnell.

Neste caso, os dados recolhidos no campo permitiram-lhes localizar a direcção de onde veio a meteoritos e, por conseguinte, localizar a área onde a cratera presumivelmente será encontrada.

Estima-se que os impactos com objectos de cerca de um quilómetro ocorram com uma frequência de um por 100.000 a um milhão de anos. Essa imprecisão em saber a sua frequência deve-se, precisamente, ao escasso registo de crateras de impacto. A maioria desaparece devido à erosão, dos movimentos das placas tectónicas ou acabam enterrados.

ZAP //

Por ZAP
11 Junho, 2019

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The Moon’s Surface Is Totally Cracked


An oblique view of the Daedalus Crater on the far side of the moon, as seen from the Apollo 11 spacecraft in lunar orbit.
Credit: NASA

Is the moon all it’s cracked up to be? Yes — and then some. New analysis of the lunar surface reveals that it’s far more fractured than once thought.

Since the moon formed 4.3 billion years ago, asteroid impacts have scarred its face with pits and craters. But the damage goes far deeper than that, with cracks extending to depths of 12 miles (20 kilometers), researchers recently reported.

Though the moon’s craters have been well-documented, scientists previously knew little about the upper region of the moon’s crust, the megaregolith, which sustained the bulk of the damage from space rock bombardment. In the new study, computer simulations revealed that impacts from single objects could fragment the lunar crust into blocks about 3 feet (1 meter) wide, opening surface cracks that extend for hundreds of kilometers. This suggests that much of the fracturing in the megaregolith could have come from single, high-speed impacts, leaving the crust “thoroughly fractured” early in the moon’s history. [When Space Attacks: 6 Craziest Meteor Impacts]

These findings helped to address questions raised by NASA’s Gravity Recovery and Interior Laboratory (GRAIL), a mission that sent twin spacecraft to the moon in 2011 to create the most detailed lunar gravity map to date.

Data gathered by GRAIL showed that the moon’s crust was far less dense than expected, Sean Wiggins, lead author of the new study and a doctoral candidate with the Earth, Environmental and Planetary Sciences Department at Brown University in Rhode Island, told Live Science.

Wiggins and his colleagues suspected that ancient impacts could have substantially fractured the lunar surface, “adding porosity and therefore lowering the density,” he said.

Using simulations, the study authors found that an impact from an object measuring just 0.6 miles (1 km) in diameter could have opened cracks reaching depths of 12 miles (20 km) in the lunar surface. After impacts from objects measuring 6 miles (10 km) in diameter, cracks yawned to similar depths, but also extended laterally to distances up to 186 miles (300 km) from the impact crater.

“There’s quite a lot of damage outside of the main crater area,” Wiggins said. “Material is still very broken up, farther away than we would have predicted.” Over time, networks of cracks grew and connected, creating a fragmented lunar crust, the researchers reported.

The researchers also used the simulations to explore how similar impacts could affect Earth, which has also been pummeled by asteroids, and they found that gravity played an important role in the quantity and severity of the fractures.

Under conditions with higher gravity — such as on Earth — the surface in simulations suffered less damage from impacts, while lower gravity meant that the surface experienced more damage, the simulations showed. This explains why impacts on the moon created surface cracks that penetrated deeper than cracks from asteroid impacts on Earth.

Piecing together a more detailed picture of the megaregolith will help scientists to better understand how that region conducts heat; this could reveal important clues about the formation of other moons and even planets, Wiggins said.

“It definitely opens doors for further investigation into lots of different processes — not just on the moon, but on other bodies as well, like Mars or Earth,” he added.

The findings were published online March 12 in the Journal of Geophysical Research: Planets.

Originally published on Live Science.

Livescience
By Mindy Weisberger, Senior Writer |
April 23, 2019 10:57am ET

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