2236: Astrónomos encontraram uma nova (e surpreendente) cratera em Marte

NASA / JPL / University of Arizona
Nova cratera em Marte encontrada pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO)

Marte não se “magoa” facilmente mas, quando acontece, o resultado pode ser quase comparado a uma obra de arte. Uma cratera, descoberta em Abril pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO), é a prova disso.

Notável não só pelo tamanho como também pelas ondas de impacto, a marca preta e azul recentemente descoberta destaca-se como uma espécie de “polegar dorido” na superfície vermelha e poeirenta de Marte, conta o Science Alert.

Anualmente, o Planeta Vermelho é bombardeado por mais de 200 asteróides e cometas, no entanto, tal como explicou a cientista da Universidade do Arizona, Veronica Bray, esta nova cratera é uma das mais impressionantes que alguma vez viu.

Nos 13 anos em que a sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) tem observado o planeta, são poucos os acontecimentos que se comparam a este porque, embora o fragmento da rocha espacial responsável pareça ter cerca de 1,5 metros de largura, a própria cratera é muito maior, com cerca de 15 a 16 metros.

Um “culpado” tão pequeno como este fragmento provavelmente teria queimado ou erodido na atmosfera muito mais espessa da Terra ou, mesmo em Marte, deveria ter quebrado. Neste caso, porém, a rocha deveria ser mais sólida do que o habitual, porque conseguiu bater num ponto da região Valles Marineris, localizada próxima do equador marciano.

A imagem acima foi capturada pela câmara HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da NASA, que orbita o planeta a 255 quilómetros de distância. De acordo com o anúncio publicado no seu site oficial, “o que se destaca é o material mais escuro exposto sob a poeira avermelhada”.

A natureza exacta da geografia nesta região continua a ser incerta, mas Bray afirma que a superfície será provavelmente basalto e a parte azul que vemos na imagem deverá ser um pouco de gelo que também estava escondido sob a poeira.

Os astrónomos pensam que o embate tenha acontecido entre Setembro de 2016 e Fevereiro deste ano.

ZAP //

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26 Junho, 2019

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2214: Gravuras pré-históricas encontradas na cratera de impacto que poderia ter extinguido a Humanidade

CIÊNCIA

(dr) University of the Free State
As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte

Os cientistas são capazes de reconhecer a natureza especial da cratera de impacto de Vredefort, mas esta já havia sido reconhecida por antigos habitantes da região.

Várias gravuras rupestres foram misteriosamente descobertas dentro da Cratera Vredefort, na África do Sul. Esta é a maior cratera de impacto do mundo, com cerca de 186 quilómetros de largura, e foi formada por um asteróide, há cerca de dois mil milhões de anos.

De acordo com o portal sul-africano IOL, que cita a African News Agency, a equipa de cientistas considera que a cratera resultou de um impacto maior do que o do asteróide que extinguiu os dinossauros, e que, “se na altura o Homem existisse”, teria sido extinto.

Uma equipa de cientistas tem trabalhado arduamente para analisar as influências geológicas da cratera na área circundante. Agora, a equipa está convencida de que a cratera não é apenas um local de importante significado geológico e planetário, mas também para entender a primeira população de seres humanos daquela região.

As gravuras encontradas representam um hipopótamo, um cavalo e um rinoceronte – todos eles animais que poderiam ser encontrados naquela área há cerca de 8.000 anos. Os cientistas estabeleceram assim que aquela arte rupestre era a marca do trabalho manual dos Khoi-San, os primeiros povos sul africanos.

Os cientistas desconfiam que estas gravuras representaram um importante papel nas cerimónias associadas à chuva.

“Como cientistas, reconhecemos a natureza especial da cratera de impacto, mas também foi reconhecida por antigos habitantes da região”, disse Matthew Huber, geógrafo da University of the Free State da África do Sul.

Desde que as marcas se tornaram uma descoberta arqueológica significativa, Huber e os seus colegas pediram ajuda a arqueólogos locais para tentar descobrir o que foi feitos nestes locais e de que forma estas espécies de rituais influenciaram as pessoas que lá viviam.

As gravuras antigas aparecem no exterior das estruturas de pedra dentro da área da cratera conhecida como The Granophyre Dykes, que se estende por seis quilómetros de comprimento e 16 metros de largura. As marcas, com cerca de 8.000 anos, aparecem um pouco desbotadas, mas, ainda assim, perceptíveis.

(dr) University of the Free State
Outra das gravuras encontradas na cratera de impacto de Vredefort

Shiona Moodley e Jens Kriek, dois arqueólogos que trabalhavam no local, adiantaram que a mitologia Khoi-San acreditava num universo de três camadas, segundo o qual o nível superior hospeda o deus e os espíritos dos mortos, o nível intermediário representa o mundo material ou físico, e o nível inferior “segura” os mortos.

Nesta mitologia, acredita-se que as cobras ocupam todos estes três reinos, e que são criaturas “de chuva”. Segundo o All That’s Interesting, as gravuras surgem numa parte da superfície que faz parte de uma espécie de albufeira, que, curiosamente, tinha uma forma muito semelhante à de uma divindade de cobra de chuva, uma figura importante na cultura Khoi-San com poderes para “invocar” a chuva.

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22 Junho, 2019

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2157: Localizada na Escócia a cratera da maior colisão de meteorito da história

CIÊNCIA

Universidade de Oxford

Uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford detectou evidências da existência de uma cratera de 20 quilómetros de diâmetro gerada pelo impacto de um asteróide de um quilometro de comprimento.

A descoberta, que foi publicada no Journal of the Geological Society, foi produzida pelo exame de rochas localizadas na costa norte da Escócia, mas não permitiu localizar a posição exacta da cratera.

“O material libertado após o impacto de um meteorito gigante raramente é preservado na superfície, porque sofre erosão muito rapidamente”, disse Ken Amor, director da investigação, em comunicado. “Este é um achado realmente empolgante.”

Especialistas concluíram que um meteorito atingiu a Terra há 1.200 milhões de anos numa faixa de terra que agora está na Escócia, mas que, naquela época, era uma área árida perto do Equador. Naquela época, a vida na Terra estava confinada aos oceanos.

“Teve de ser um espectáculo considerável ver este grande meteoro a atingir uma paisagem estéril, libertando poeira e detritos de rocha numa grande área”, disse Amon. Neste momento, a superfície poderia ter sido semelhante à que Marte teve no passado, quando foi coberta por oceanos de água líquida, segundo os cientistas.

Investigadores  localizaram a posição da cratera a 15 ou 20 quilómetros de uma região próxima à costa escocesa, sob rochas jovens e água da bacia de Minch. “O próximo passo será realizar uma pesquisa geofísica em profundidade nessa área”, disse Amon.

Os cientistas descobriram os primeiros traços dessa colisão em 2008, quando detectaram traços de irídio, um elemento químico encontrado em meteoritos em altas concentrações. Até então, este irídio estava localizado numa camada de rochas localizada ao norte de Ullapool, uma cidade na região norte da Escócia.

Inicialmente, concluiu-se que as rochas provinham de uma erupção vulcânica, mas análises subsequentes revelaram a origem extraterrestre desses materiais. “Temos sido muito sortudo por podermos estudar estas pedras, porque podemos dizer muito sobre como a superfície de planetas, como Marte, é modificado pelos impactos de grandes meteoritos”, disse John Parnell.

Neste caso, os dados recolhidos no campo permitiram-lhes localizar a direcção de onde veio a meteoritos e, por conseguinte, localizar a área onde a cratera presumivelmente será encontrada.

Estima-se que os impactos com objectos de cerca de um quilómetro ocorram com uma frequência de um por 100.000 a um milhão de anos. Essa imprecisão em saber a sua frequência deve-se, precisamente, ao escasso registo de crateras de impacto. A maioria desaparece devido à erosão, dos movimentos das placas tectónicas ou acabam enterrados.

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11 Junho, 2019

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The Moon’s Surface Is Totally Cracked


An oblique view of the Daedalus Crater on the far side of the moon, as seen from the Apollo 11 spacecraft in lunar orbit.
Credit: NASA

Is the moon all it’s cracked up to be? Yes — and then some. New analysis of the lunar surface reveals that it’s far more fractured than once thought.

Since the moon formed 4.3 billion years ago, asteroid impacts have scarred its face with pits and craters. But the damage goes far deeper than that, with cracks extending to depths of 12 miles (20 kilometers), researchers recently reported.

Though the moon’s craters have been well-documented, scientists previously knew little about the upper region of the moon’s crust, the megaregolith, which sustained the bulk of the damage from space rock bombardment. In the new study, computer simulations revealed that impacts from single objects could fragment the lunar crust into blocks about 3 feet (1 meter) wide, opening surface cracks that extend for hundreds of kilometers. This suggests that much of the fracturing in the megaregolith could have come from single, high-speed impacts, leaving the crust “thoroughly fractured” early in the moon’s history. [When Space Attacks: 6 Craziest Meteor Impacts]

These findings helped to address questions raised by NASA’s Gravity Recovery and Interior Laboratory (GRAIL), a mission that sent twin spacecraft to the moon in 2011 to create the most detailed lunar gravity map to date.

Data gathered by GRAIL showed that the moon’s crust was far less dense than expected, Sean Wiggins, lead author of the new study and a doctoral candidate with the Earth, Environmental and Planetary Sciences Department at Brown University in Rhode Island, told Live Science.

Wiggins and his colleagues suspected that ancient impacts could have substantially fractured the lunar surface, “adding porosity and therefore lowering the density,” he said.

Using simulations, the study authors found that an impact from an object measuring just 0.6 miles (1 km) in diameter could have opened cracks reaching depths of 12 miles (20 km) in the lunar surface. After impacts from objects measuring 6 miles (10 km) in diameter, cracks yawned to similar depths, but also extended laterally to distances up to 186 miles (300 km) from the impact crater.

“There’s quite a lot of damage outside of the main crater area,” Wiggins said. “Material is still very broken up, farther away than we would have predicted.” Over time, networks of cracks grew and connected, creating a fragmented lunar crust, the researchers reported.

The researchers also used the simulations to explore how similar impacts could affect Earth, which has also been pummeled by asteroids, and they found that gravity played an important role in the quantity and severity of the fractures.

Under conditions with higher gravity — such as on Earth — the surface in simulations suffered less damage from impacts, while lower gravity meant that the surface experienced more damage, the simulations showed. This explains why impacts on the moon created surface cracks that penetrated deeper than cracks from asteroid impacts on Earth.

Piecing together a more detailed picture of the megaregolith will help scientists to better understand how that region conducts heat; this could reveal important clues about the formation of other moons and even planets, Wiggins said.

“It definitely opens doors for further investigation into lots of different processes — not just on the moon, but on other bodies as well, like Mars or Earth,” he added.

The findings were published online March 12 in the Journal of Geophysical Research: Planets.

Originally published on Live Science.

Livescience
By Mindy Weisberger, Senior Writer |
April 23, 2019 10:57am ET

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1536: Há “dunas extraterrestres” em Marte (e uma misteriosa cratera gigante)

Universidade de Arizona / NASA Cratera enorme no manto de gelo de Marte

Cientistas descobriram uma nova cratera no manto de gelo do planeta Marte. Além disso, há ainda “dunas extraterrestres” dispostas de forma linear.

O grande buraco, de acordo com um comunicado do laboratório lunar e planetário da Universidade do Arizona, foi causado pelo impacto de um meteorito que caiu no pólo sul do Planeta Vermelho.

As imagens da cratera foram capturadas pela HiRISE, a mais poderosa câmara de alta resolução que foi enviada para outro planeta e que fornece material com um nível incrível de detalhes, de acordo com os especialistas.

Com base nos dados das fotografias, foi determinado que o impacto na área ocorreu entre Julho e Setembro do ano passado. O padrão dos tons de cor revelam características da força do choque do meteorito, que perfurou a camada de gelo, escavou a areia escura inferior e ejectou-a em todas as direcções no topo da camada.

Ross Beyer, especialista da NASA, disse que “esta imagem é bastante considerável, porque ocorreu na zona glacial do sul. Parece que a explosão ocorreu após um impacto de pelo menos duas toneladas. A cratera formou uma área de explosão maior e mais leve, causando um design interior sob a camada de gelo”.

Mas estas não são as únicas novidades que a HiRISE traz para a Terra. Foram também publicadas as primeiras imagens de um novo campo de dunas em Marte, com morfologias distintas, em que se pode apreciar a secção transversal das mesmas.

Universidade de Arizona / NASA
Dunas em Marte

Segundo o artigo da Universidade do Arizona, essas formações dependem de vários factores, incluindo a quantidade de areia presente e as direcções locais do vento.

As imagens mostram as “dunas extraterrestres” dispostas de forma linear, primeiro em áreas com muita areia e depois os picos das dunas com secções relativamente livres de poeira. Mais tarde, os cientistas esperam obter uma segunda imagem para determinar se essas dunas estão a evoluir ou permanecem estáticas.

Graças ao material fornecido pela HiRISE, a NASA colaborou com missões espaciais para estabelecer o seu local de pouso, entre outras importantes descobertas, como a confirmação de grandes reservas de água congelada sob a superfície marciana ou a contemplação de avalanches em movimento.

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30 Janeiro, 2019

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1509: DADOS LUNARES LANÇAM LUZ SOBRE A HISTÓRIA DO IMPACTO DE ASTERÓIDES NA TERRA

Lua Minguante. No lado nocturno está representado o mapa de abundâncias rochosas do Diviner da sonda LRO. As crateras mais proeminentes visíveis no mapa são Tycho (85 milhões de anos), Copérnico (797 milhões de anos) e Aristarco (164 milhões de anos). O terminador passa pelo planalto Aristarco, dividindo Aristarco da sua cratera irmã, Heródoto.
Crédito: Ernie Wright/NASA Goddard

A Lua é a crónica mais completa e acessível das colisões de asteróides que esculpiram o nosso jovem Sistema Solar, e um grupo de cientistas está a desafiar a nossa compreensão de uma parte da história da Terra.

O número de impactos de asteróides na Lua e na Terra aumentou duas a três vezes desde há cerca de 290 milhões de anos, relataram os investigadores num artigo científico publicado dia 18 de Janeiro na revista Science.

A sua conclusão tem por base a primeira linha temporal compreensiva de grandes crateras na Lua formadas nos últimos mil milhões de anos, usando imagens e dados térmicos recolhidos pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. Quando os cientistas compararam a linha temporal da Lua com a linha temporal das crateras cá na Terra, descobriram que os dois corpos registaram a mesma história de bombardeamento de asteróides – uma que contradiz as teorias sobre a taxa de impacto da Terra.

Durante décadas os cientistas tentaram entender o ritmo a que os asteróides atingem a Terra estudando cuidadosamente as crateras de impacto nos continentes e usando datação radiométrica das rochas em seu redor para determinar as idades das maiores e, portanto, das mais intactas. O problema é que muitos especialistas assumiram que as primeiras crateras da Terra foram desgastadas pelo vento, pelas tempestades e por outros processos geológicos. Esta ideia explicava por que a Terra tem menos crateras mais antigas do que o esperado em comparação com outros corpos no Sistema Solar, mas tornou difícil a determinação de uma taxa de impacto precisa e determinar se havia mudado com o tempo.

Uma maneira de contornar este problema é através do estudo da Lua. A Terra e a Lua são atingidas nas mesmas proporções ao longo do tempo. Em geral, devido ao seu tamanho maior e gravidade mais alta, cerca de vinte asteróides atingem a Terra por cada um que atinge a Lua, embora os grandes impactos em ambos os corpos sejam raros. Mas apesar das grandes crateras lunares terem sofrido pouca erosão ao longo de milhares de milhões de anos, e assim fornecerem aos cientistas um registo valioso, não havia como determinar as suas idades até que a LRO começou a orbitar a Lua há uma década.

“Sabemos, desde a exploração da Lua pelas Apollo há 50 anos, que a compreensão da superfície lunar é fundamental para revelar a história do Sistema Solar,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. A LRO, juntamente com novos “landers” robóticos comerciais em parceria com a NASA, realçou Petro, vai informar o desenvolvimento e implantação de projectos de exploração lunar necessários para o regresso dos humanos à superfície da Lua e ajudar a preparar a agência para enviar astronautas a Marte.

“A LRO provou ser uma ferramenta científica inestimável,” disse Petro. “Os seus instrumentos permitiram-nos retroceder no tempo, até às forças que moldaram a Lua; como podemos ver, a revelação dos impactos de asteróides levou a descobertas inovadoras que mudaram a nossa visão da Terra.”

DADOS LUNARES LANÇAM LUZ SOBRE A HISTÓRIA DO IMPACTO DE ASTERÓIDES NA TERRA
22 de Janeiro de 2019

Lua Minguante. No lado nocturno está representado o mapa de abundâncias rochosas do Diviner da sonda LRO. As crateras mais proeminentes visíveis no mapa são Tycho (85 milhões de anos), Copérnico (797 milhões de anos) e Aristarco (164 milhões de anos). O terminador passa pelo planalto Aristarco, dividindo Aristarco da sua cratera irmã, Heródoto.
Crédito: Ernie Wright/NASA Goddard
(clique na imagem para ver versão maior)

A Lua é a crónica mais completa e acessível das colisões de asteróides que esculpiram o nosso jovem Sistema Solar, e um grupo de cientistas está a desafiar a nossa compreensão de uma parte da história da Terra.

O número de impactos de asteróides na Lua e na Terra aumentou duas a três vezes desde há cerca de 290 milhões de anos, relataram os investigadores num artigo científico publicado dia 18 de Janeiro na revista Science.

A sua conclusão tem por base a primeira linha temporal compreensiva de grandes crateras na Lua formadas nos últimos mil milhões de anos, usando imagens e dados térmicos recolhidos pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA. Quando os cientistas compararam a linha temporal da Lua com a linha temporal das crateras cá na Terra, descobriram que os dois corpos registaram a mesma história de bombardeamento de asteróides – uma que contradiz as teorias sobre a taxa de impacto da Terra.

Durante décadas os cientistas tentaram entender o ritmo a que os asteróides atingem a Terra estudando cuidadosamente as crateras de impacto nos continentes e usando datação radiométrica das rochas em seu redor para determinar as idades das maiores e, portanto, das mais intactas. O problema é que muitos especialistas assumiram que as primeiras crateras da Terra foram desgastadas pelo vento, pelas tempestades e por outros processos geológicos. Esta ideia explicava por que a Terra tem menos crateras mais antigas do que o esperado em comparação com outros corpos no Sistema Solar, mas tornou difícil a determinação de uma taxa de impacto precisa e determinar se havia mudado com o tempo.

Uma maneira de contornar este problema é através do estudo da Lua. A Terra e a Lua são atingidas nas mesmas proporções ao longo do tempo. Em geral, devido ao seu tamanho maior e gravidade mais alta, cerca de vinte asteróides atingem a Terra por cada um que atinge a Lua, embora os grandes impactos em ambos os corpos sejam raros. Mas apesar das grandes crateras lunares terem sofrido pouca erosão ao longo de milhares de milhões de anos, e assim fornecerem aos cientistas um registo valioso, não havia como determinar as suas idades até que a LRO começou a orbitar a Lua há uma década.

“Sabemos, desde a exploração da Lua pelas Apollo há 50 anos, que a compreensão da superfície lunar é fundamental para revelar a história do Sistema Solar,” disse Noah Petro, cientista do projecto LRO no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. A LRO, juntamente com novos “landers” robóticos comerciais em parceria com a NASA, realçou Petro, vai informar o desenvolvimento e implantação de projectos de exploração lunar necessários para o regresso dos humanos à superfície da Lua e ajudar a preparar a agência para enviar astronautas a Marte.

“A LRO provou ser uma ferramenta científica inestimável,” disse Petro. “Os seus instrumentos permitiram-nos retroceder no tempo, até às forças que moldaram a Lua; como podemos ver, a revelação dos impactos de asteróides levou a descobertas inovadoras que mudaram a nossa visão da Terra.”

A Lua como o espelho da Terra

O radiómetro térmico da LRO, chamado Diviner, disse aos cientistas quanto calor é irradiado da superfície da Lua, um factor crítico na determinação das idades das crateras. Ao observar esse calor irradiado durante a noite lunar, os cientistas podem calcular quanta superfície é coberta por rochas grandes e quentes, em comparação com o rególito mais frio e mais fino, também conhecido como solo lunar.

As grandes crateras formadas por impactos de asteróides nos últimos mil milhões de anos são cobertas por pedras e rochas, enquanto crateras mais antigas têm poucas rochas, mostram os dados do Diviner. Isto acontece porque os impactos escavam pedregulhos lunares que são “moídos” ao longo de dezenas de milhões de anos por uma chuva constante de meteoritos minúsculos.

Rebecca Ghent, co-autora do artigo e cientista planetária na Universidade de Toronto e do Instituto de Ciência Planetária em Tucson, Arizona, EUA, calculou em 2014 a velocidade a que as rochas da Lua se decompõem em solo. O seu trabalho revelou uma relação entre a abundância de rochas grandes perto de uma cratera e a sua idade. Usando a técnica de Ghent, a equipa reuniu uma lista de idades de todas as crateras lunares com menos de mil milhões de anos.

“Foi uma tarefa meticulosa, ao início, estudar todos estes dados e mapear as crateras sem saber se chegaríamos a alguma conclusão ou não,” acrescentou Sara Mazrouei, autora principal do artigo da Science que recolheu e analisou todos os dados para este projecto enquanto estudante de doutoramento na Universidade de Toronto.

O trabalho compensou, retornando várias descobertas inesperadas. Primeiro, a equipa descobriu que o ritmo de formação de crateras grandes na Lua foi duas a três vezes maior ao longo dos últimos 290 milhões de anos do que nos últimos 700 milhões de anos. A razão para este salto na taxa de impacto é desconhecida. Pode estar relacionado com grandes colisões que ocorreram há mais de 300 milhões de anos na cintura principal de asteróides entre Marte e Júpiter, destacaram os cientistas. Tais eventos podem criar detritos que podem atingir o Sistema Solar interior.

A segunda surpresa veio da comparação das idades das crateras grandes na Lua com as da Terra. O seu número e idades similares desafiam a teoria de que a Terra perdeu tantas crateras através da erosão que uma taxa de impacto não pode ser calculada.

“A Terra tem menos crateras antigas nas suas regiões mais estáveis não por causa da erosão, mas porque a taxa de impacto foi menor há cerca de 290 milhões de anos,” comenta William Bottke, especialista em asteróides do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, co-autor do artigo científico.

Provar que menos crateras significa menos impactos – e não perda por erosão – representou um desafio formidável. No entanto, os cientistas encontraram fortes evidências que apoiam as suas descobertas através de uma colaboração com Thomas Gernon, cientista da Terra da Universidade de Southampton, Inglaterra, que trabalha com uma característica terrestre chamada tubos de kimberlito.

Estes tubos subterrâneos são vulcões há muito extintos que se estendem, em forma de cenoura, até alguns quilómetros abaixo da superfície. Os cientistas sabem muito sobre a idade e sobre a taxa de erosão dos tubos de kimberlito porque são amplamente minados à procura de diamantes. Estão também localizados em algumas das regiões com menos erosão da Terra, os mesmos locais onde encontramos crateras de impacto preservadas.

Gernon mostrou que os tubos de kimberlito formados desde há aproximadamente 650 milhões de anos não sofreram muita erosão, indicando que as grandes crateras de impacto mais jovens do que 650 milhões de anos, em terrenos estáveis, também devem estar intactas. “É assim que sabemos que essas crateras representam um registo quase completo,” disse Ghent.

A equipa de Ghent, da qual também fez parte o astrónomo Alex Parker do SwRI, não foi a primeira a propor que a taxa de impacto de asteróides na Terra tinha flutuado ao longo dos últimos mil milhões de anos. Mas foi a primeira a mostrá-lo estatisticamente e a quantificar a taxa. Agora, a técnica da equipa pode ser usada para estudar as superfícies de outros planetas e para descobrir se também podem mostrar mais impactos.

Os achados da equipa relacionados com a Terra, entretanto, podem ter implicações para a história da vida, que é pontuada por eventos de extinção e por uma rápida evolução de novas espécies. Embora as forças que impulsionaram estes eventos sejam complicadas e possam incluir outras causas geológicas, como grandes erupções vulcânicas, combinadas com outros factores biológicos, a equipa realça que os impactos de asteróides certamente desempenharam um papel nesta saga. A questão é saber se a mudança prevista nos impactos de asteróides está directamente ligada a eventos que ocorreram há muito tempo na Terra.

Astronomia On-line
22 de Janeiro de 2019

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1309: Gelo escondia cratera de 31 quilómetros causada por asteróide

Cientistas localizaram evidências de acontecimento cataclísmico a cerca de um quilómetro de profundidade num glaciar. Impacto terá acontecido durante a Idade do Gelo.

A Gronelândia tem sido mais monitorizada pelos cientistas devido às alterações climáticas
© REUTERS/Lucas Jackson

Escondidas debaixo de 950 metros de gelo e terra, no glaciar de Hiawatha, no nordeste da Gronelândia, estão as marcas do impacto de um asteróide cuja dimensão – cerca de um quilómetro de comprimento -, o elevam imediatamente à categoria dos 30 maiores acontecimentos do género de que há registo. É também, de acordo com um estudo publicado na revista científica Science Advances , a primeira cratera a ser localizada debaixo do gelo.

O local do impacto, uma depressão de forma circular com 31 quilómetros de diâmetro, foi confirmado através da combinação de dados recolhidos entre 1997 e 2014 pela NASA, no âmbito do programa IceBridge, da Agência Espacial Norte-Americana, destinado a monitorizar os efeitos das alterações climáticas no Árctico, com dados de radar recolhidos por via aérea numa extensão de 600 quilómetros. Os dados foram compilados por especialistas do Centro de Geogenética do Museu de História natural da Dinamarca.

Já a data do impacto, que terá ocorrido durante a última idade do gelo, no Pleistoceno (que começou há 2,6 milhões de anos e terminou há 11 700), ainda está em fase de confirmação. Outra frente de investigação serão os possíveis impactos causados por este acontecimento no clima da época em que ocorreu, tanto na região como no planeta.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
17 Novembro 2018 — 13:46

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1295: Cratera de meteorito com o tamanho de Lisboa descoberta na Gronelândia

Natural History Museum of Denmark / Cryospheric Sciences Lab / NASA Goddard Space Flight Center
Mapa da topografia rochosa

Uma equipa de cientistas descobriu, sob uma camada de gelo na Gronelândia, uma cratera com mais de 31 quilómetros de diâmetro, criada pelo impacto de um meteorito.

A cratera, descoberta por uma equipa internacional liderada por especialistas do Museu de História Natural da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, é uma das 25 maiores que se conhecem na Terra fruto do impacto de corpos celestes. Com 31km de diâmetro, tem uma área de cerca de 97km – sensivelmente a mesma dimensão de Lisboa.

Segundo a Universidade de Copenhaga, que divulgou a descoberta a 14 de Novembro na revista Science Advances, é a primeira vez que uma cratera é encontrada sob uma das camadas de gelo continentais da Terra.

A cratera foi originalmente descoberta em Julho de 2015 e uma grande equipa passou 3 anos a trabalhar para verificar a descoberta. “Descobertas extraordinárias têm evidências extraordinárias”, disse Kurt H. Kjær, do Museu de História Natural da Dinamarca.

A descoberta inicial partiu da análise de mais de uma década de dados de radar, recolhidos por investigadores entre 1997 e 2014 para o Programa de Avaliação do Clima Regional e Operação IceBridge da NASA.

Esta técnica usa o radar para espreitar através do gelo e construir um mapa topográfico do solo sob uma camada de gelo. Isto permite, por exemplo, a medição da espessura do gelo, o que pode ser útil na estimativa do derretimento do gelo devido ao aquecimento global.

Enquanto observavam os dados, os geólogos notaram algo realmente incomum: uma grande depressão circular sob o Glaciar Hiawatha. “Imediatamente soubemos que isto era algo especial, mas, ao mesmo tempo, sabíamos que seria difícil confirmar a origem da depressão”, disse Kjær.

Na investigação, que durou três anos, incluiu pesquisas com radares e recolha de amostras de sedimentos. A cratera, “excepcionalmente bem preservada”, de acordo com os especialistas, formou-se quando um meteorito de ferro que teria um quilómetro de largura atingiu o actual norte da Gronelândia, na zona do glaciar Hiawatha.

Os peritos sugerem, apesar de ainda não terem conseguido datar a cratera, que esta se terá formado depois de o gelo começar a cobrir a Gronelândia, situando o intervalo de tempo entre os três milhões de anos e os 12 mil anos.

A equipa científica vai agora tentar datar a cratera, um desafio que requer a recuperação de material que derreteu durante o impacto do meteorito. Sabendo a idade da cratera, será possível perceber como a queda do meteorito terá afectado a vida na Terra num determinado período.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
16 Novembro, 2018

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1168: Mineral ultra-raro descoberto em antiga cratera de meteorito na Austrália

rickmach / Flickr

Um mineral ultra-raro que apenas se forma quando rochas espaciais atingem a crosta terrestre com uma enorme pressão foi encontrado na Austrália. Até ao momento, só foram encontrados seis exemplares deste mineral, conhecido como reidite, em todo o planeta.

Um grupo de cientistas da Curtin University descobriu um dos minerais mais raros da Terra no fundo de uma cratera de impacto de meteoritos, que é, provavelmente, a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

O reidite é um mineral extremamente raro que só se forma quando um outro mineral, o zircão, é exposto a altas temperaturas e pressões. Ou seja, o forte impacto de um meteorito faz com que o zircão se transforme na rara substância que é o reidite.

Até então, só foram encontrados seis exemplares deste mineral em todo o planeta – nos EUA, na Alemanha, na China e na Índia. Desta vez, e pela primeira vez na Austrália, a raridade foi descoberta perto da baía de Shark, a 750 quilómetros da cidade de Perth.

Tal como notou o líder da investigação, Aaron Cavosie, este é um mineral de dimensões microscópicas. O especialista frisou ainda que, se todos os minerais de reidite já encontrados no planeta fossem juntos num só, teriam o tamanho de um grão de arroz.

A cratera onde o mineral foi descoberto está enterrada debaixo de rochas sedimentares e o seu tamanho é ainda desconhecido. Os investigadores estão agora a tentar definir as características da cratera, e caso esta tenha um diâmetro superior a 100 quilómetros – como é esperado -, esta será a maior cratera de impacto já descoberta na Austrália.

Um cratera 100 quilómetros de diâmetro implica que o impacto do objecto espacial fosse capaz de causar uma catástrofe natural. Em termos de comparação, a cratera de Chicxulub – associada à extinção dos dinossauros há cerca de 66 milhões de anos – tem um diâmetro de 180 quilómetros.

Os cientistas pretendem ainda datar com mais precisão a cratera. As estimativas actuais apontam que esta terá cerca de 360 milhões de anos.

Por ZAP
20 Outubro, 2018

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699: Descoberta uma duna azul em Marte

A duna azul foi encontrada na cratera Lyot, em Marte | NASA /JPL-Caltech/Univ. of Arizon

Chamam-lhe o planeta vermelho mas imagens da NASA mostram o que parece ser uma mancha de areia azulada.

No site do Mars Renaissance Orbiter, um orbiter da NASA, a câmara HiRISE que este usa é descrita como “a câmara fotográfica mais poderosa alguma vez enviada para outro planeta”. Foi ela que captou a imagem de uma duna azul em Marte, o quarto planeta a contar e conhecido pela cor vermelha das suas rochas e areais

Na verdade, como explicou à CNN Alfred McEwen, director do Planetary Image Research Laboratory na Universidade do Arizona, a duna em questão é na verdade cinzenta, mas aparece na imagem de um azul forte. Foi esta a conclusão a que chegaram os cientistas depois de um apurado trabalho de edição das imagens captadas pelo Mars Renaissance Orbiter.

A olho nu, o que veríamos seria uma mancha cinzenta. A câmara consegue captar mais pormenores, mas o seu trabalho é dificultado pela quantidade de poeira que existe em Marte. Na verdade a HiRISE captou três imagens em que as cores são ajustadas para vermelho, azul e verde, com recurso a tecnologia de infra-vermelhos. Quando aumenta o contraste, a duna surge numa cor turquesa forte porque “é feita de um material mais fino e/ou tem uma composição diferente do que a rodeia”, pode ler-se num comunicado da NASA.

A duna azul foi encontrada na cratera Lyot (que deve o nome ao astrónomo francês Bernard Lyot), onde a maioria das dunas têm a forma de um crescente – as chamadas dunas barchan – devido à sua posição em relação ao vento. Segundo a CNN, não é claro porque é que esta duna é “mais abstracta”.

Os orbiters, ao contrário dos rovers, não tocam no solo, mas monitorizam o planeta de fora da atmosfera.

Diário de Notícias
ciência
27 DE JUNHO DE 2018 08:42
Helena Tecedeiro

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470: CRATERA DE IMPACTO OU SUPERVULCÃO EM MARTE?

Esta imagem foi captada no dia 1 de janeiro de 2018 pela Câmara de Alta Resolução da Mars Express da ESA e mostra uma cratera chamada Ismenia Patera.
A cratera está situada em Arábia Terra, uma parte interessante da superfície de Marte que se pensa ter tido significativa actividade vulcânica. Os cientistas não têm a certeza de como Ismenia Patera se formou; poderá ter sido o resultado da colisão de um meteorito ou os restos colapsados de um antigo super-vulcão colapsado.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin

Estas imagens da sonda Mars Express da ESA mostram uma cratera, denominada Ismenia Patera, no Planeta Vermelho. A sua origem permanece incerta: um meteorito atingiu a superfície ou poderia ser o remanescente de um super-vulcão?

Ismenia Patera – patera que significa “bacia plana” em latim – fica na região da Arábia Terra, em Marte. Esta é uma área de transição entre as regiões norte e sul do planeta – uma parte da superfície especialmente intrigante.

A topografia de Marte é claramente dividida em duas partes: as planícies do norte e as terras altas do sul, esta última com até alguns quilómetros de altura. Esta divisão é um tema-chave de interesse para os cientistas que estudam o Planeta Vermelho. Ideias de como esta divisão dramática se formou sugerem um único impacto massivo, múltiplos impactos ou placas tectónicas antigas, como observado na Terra, mas a sua origem ainda não está clara.

Ismenia Patera tem cerca de 75 km de diâmetro. O seu centro é cercado por um anel de colinas, blocos e pedaços de rocha que se acredita terem sido ejectados e lançados para a cratera por impactos próximos.

O material lançado por esses eventos também criou pequenas quedas e depressões que podem ser vistas dentro da própria Ismenia Patera. Fossas e canais serpenteiam da borda da cratera até ao fundo, que se encontra coberto por depósitos planos e gelados, que mostram sinais de fluxo e movimento – estes são provavelmente semelhantes a glaciares rochosos e ricos em gelo, que se acumularam ao longo do tempo, no frio e árido clima.

Estas imagens foram obtidas no dia 1 de Janeiro pela câmara estéreo de alta resolução da Mars Express, que circunda o planeta desde 2003.

Tais imagens detalhadas e de alta resolução lançam luz sobre vários aspectos de Marte – por exemplo, como as características que deixaram marcas na superfície se formaram inicialmente e como evoluíram ao largo dos muitos milhões de anos desde então. Esta é uma questão-chave para Ismenia Patera: como se formou esta depressão?

Existem duas ideias principais para a sua formação. Uma delas associa-se a um potencial meteorito que colidiu com Marte. Depósitos sedimentares e gelo fluíram, então, para encher a cratera, até desmoronar para formar a paisagem desigual e fissurada hoje observada.

A segunda ideia sugere que, em vez de uma cratera, Ismenia Patera já foi o lar de um vulcão que entrou em erupção catastrófica, lançando enormes quantidades de magma ao seu redor e colapsando como resultado.

Vulcões que perdem grandes quantidades de material numa única erupção são denominados super-vulcões. Os cientistas continuam indecisos sobre se existiram ou não em Marte, mas o planeta é conhecido por abrigar inúmeras estruturas vulcânicas enormes e imponentes, incluindo o famoso Monte Olimpo – o maior vulcão já descoberto no Sistema Solar.

Arábia Terra também mostra sinais de ser a localização de uma província vulcânica antiga e há muito inactiva. Na verdade, outro candidato a super-vulcão, Siloé Patera, também se encontra em Arábia Terra (visto na visão em contexto de Ismenia Patera).

Certas propriedades das características de superfície observadas em Arábia Terra sugerem uma origem vulcânica: por exemplo, as suas formas irregulares, o baixo relevo topográfico, as suas bordas relativamente elevadas e a aparente falta de material ejectado que, normalmente, estaria presente ao redor de uma cratera de impacto.

No entanto, algumas destas características e formas irregulares também podem estar presentes em crateras de impacto, que simplesmente evoluíram e interagiram com o seu ambiente de maneiras específicas ao longo do tempo.

Mais dados sobre o interior e sub-superfície de Marte ampliarão a nossa compreensão e lançarão luz sobre estruturas como Ismenia Patera, revelando mais sobre a complexa e fascinante história do planeta.

Astronomia On-line
17 de Abril de 2018

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181: Áreas brilhantes em Ceres sugerem actividade geológica

JPL-Caltech/UCLA/MPS/DLR/IDA / NASA
O solitário monte piramidal Ahuna fotografado pela sonda Dawn no planeta anão Ceres

Se pudéssemos viajar a bordo da sonda Dawn da NASA, a superfície do planeta anão Ceres teria um aspecto bastante escuro, mas com notáveis excepções. Estas excepções são as centenas de áreas brilhantes que se destacam em imagens que a Dawn já transmitiu.

Agora, os cientistas têm uma melhor perspectiva de como estas áreas reflectivas se formaram e como mudaram ao longo do tempo – processos indicativos de um mundo activo e em evolução.

“Os misteriosos pontos brilhantes em Ceres, que muito cativaram tanto a equipa científica da Dawn como o público, revelam evidências do oceano sub-superficial passado de Ceres e indicam que, longe de ser um mundo morto, Ceres é surpreendentemente activo. Os processos geológicos criaram estas áreas brilhantes e podem ainda hoje mudar o rosto de Ceres”, comenta Carol Raymond, vice investigadora principal da missão Dawn, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.

Raymond e os colegas apresentaram os últimos resultados sobre as áreas brilhantes na reunião da União Geofísica Americana no passado dia 12 de Dezembro em Nova Orleães.

Tipos Diferentes de Áreas Brilhantes

Desde que a Dawn alcançou a órbita em torno de Ceres em Março de 2015 que os cientistas localizaram mais de 300 áreas brilhantes no planeta anão. Um novo estudo publicado na revista Icarus, liderado por Nathan Stein, investigador doutorado no Caltech, Pasadena, Califórnia, divide as características de Ceres em quatro categorias.

O primeiro grupo de áreas brilhantes contém o material mais reflectivo em Ceres, que é encontrado no chão de crateras. Os exemplos mais icónicos estão na Cratera Occator, que hospeda duas proeminentes áreas brilhantes.

Cerealia Facula, no centro da cratera, é composta por material brilhante que cobre um poço com 10 km de diâmetro, dentro do qual fica uma pequena cúpula. Para este do centro está uma colecção de características ligeiramente menos reflexivas e mais difusas de nome Vinalia Faculae. Todo o material brilhante na Cratera Occator é feito de material rico em sal, que provavelmente já esteve misturado em água. Embora Cerealia Facula seja a área mais brilhante de Ceres, seria semelhante a neve suja para o olho humano.

Mais comummente, na segunda categoria, material brilhante é encontrado nas orlas das crateras, criando riscas em direcção à base. Os corpos de impacto provavelmente expuseram o material brilhante que já estava na sub-superfície ou que já se tinha formado durante um evento de impacto prévio.

Separadamente, na terceira categoria, o material brilhante pode ser encontrado no material expelido quando as crateras foram formadas.

A montanha Ahuna Mons obtém a sua própria quarta categoria – a única instância em Ceres onde o material brilhante não está relacionado com qualquer cratera de impacto. Este provável crio-vulcão, um vulcão formado pela acumulação gradual de materiais gelados, espessos e que fluem lentamente, tem proeminentes linhas brilhantes nos seus flancos.

Ao longo de centenas de milhões de anos, o material brilhante misturou-se com o material escuro que forma a maior parte da superfície de Ceres, bem como com os detritos expelidos durante os impactos. Isto significa que há milhares de milhões de anos, quando Ceres sofreu mais impactos, a superfície do planeta anão era provavelmente salpicada por milhares de áreas brilhantes.

“Investigações anteriores mostraram que o material brilhante é composto por sais e nós pensamos que a actividade do fluido subterrâneo os transportaram até à superfície para formar algumas das zonas brilhantes”, explica Stein.

O Caso de Occator

Porque é que as diferentes áreas brilhantes de Occator parecem tão distintas entre si? Lynnae Quick, geóloga planetária do Instituto Smithsonian em Washington, tem vindo a debruçar-se sobre esta questão.

A principal explicação para o que aconteceu em Occator é que poderá ter tido, pelo menos no passado recente, um reservatório de água salgada por baixo. Vinalia Faculae, a região brilhante e difusa para nordeste da cúpula central da cratera, poderá ter-se formado a partir de um fluido conduzido à superfície por uma pequena quantidade de gás, semelhante a champanhe que sai da garrafa quando a rolha salta.

No caso de Vinalia Faculae, o gás dissolvido pode ter sido uma substância volátil como vapor de água, dióxido de carbono, metano ou amónia. A água salgada rica em voláteis pode ter sido trazida para perto da superfície de Ceres através de fracturas que se ligavam ao reservatório salgado por baixo de Occator.

A pressão mais baixa na superfície de Ceres teria feito com que o fluído fervesse como vapor. Onde as fracturas atingiram a superfície, este vapor podia escapar energeticamente, transportando com ele gelo e partículas de sal e depositando-as à superfície.

Cerealia Facula pode ter-se formado num processo ligeiramente diferente, dado que é mais elevada e mais brilhante do que Vinalia Faculae. O material em Cerealia pode ter sido mais como uma lava gelada, penetrando as fracturas e inundando a área para formar uma cúpula.

Fases intermitentes de ebulição, semelhantes ao que aconteceu aquando da formação de Vinalia Faculae, podem ter ocorrido durante este processo, espalhando a superfície com gelo e partículas de sal que formaram a zona brilhante de Cerealia.

As análises de Quick não dependem do impacto inicial que formou Occator. No entanto, o pensamento actual entre os cientistas da Dawn é que quando um grande corpo colidiu com Ceres, escavando a cratera com 92 km de diâmetro, o impacto poderá também ter produzido fracturas através das quais o líquido surgiu mais tarde.

“Nós também vemos fracturas noutros corpos do Sistema Solar, como em Europa, a lua gelada de Júpiter”, acrescenta Quick. “Estas fracturas em Europa são mais abrangentes do que as que vemos em Occator. No entanto, os processos relacionados com reservatórios líquidos que podem existir sob as fracturas de Europa, hoje, podem ser usadas como uma comparação para o que pode ter acontecido em Occator no passado”.

À medida que a Dawn continua a fase final da sua missão, em que desce a altitudes mais baixas do que nunca, os cientistas vão continuar a aprender mais sobre as origens deste material brilhante em Ceres e sobre as origens das características enigmáticas em Occator.

ZAP // CCVAlg

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