5009: Ao longo da última década, a “cratera feliz” de Marte mudou (e cresceu)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL / University of Arizona

Marte parece ter motivos para sorrir. A “cratera feliz” (Happy Face), perto do pólo sul do Planeta Vermelho, ficou visivelmente maior na última década.

A “cratera feliz” nasceu após um impacto de um meteorito na superfície do Planeta Vermelho e localiza-se na região do Pólo Sul marciano. Durante a última década, este lugar gelado tem aumentado de tamanho.

A sonda Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA, que tem estado a voar a grande altitude sobre Marte desde 2006, registou, pela primeira vez, a “cratera feliz” em 2011, graças à sua potente câmara de alta resolução HiRISE.

Recentemente, uma equipa de cientistas comparou essa imagem com outra do mesmo lugar, mas tirada no dia 13 de Dezembro de 2020. De acordo com o Daily Mail, a diferença está na quantidade de gelo que cobre o solo da cratera.

“As características manchas na calota polar surgem porque o Sol sublima o dióxido de carbono nestes padrões redondos. É possível ver como os nove anos desta erosão térmica tornaram a ‘boca’ do rosto maior“, escreveu, em comunicado, Ross Beyer, membro da equipe do MRO.

O sorriso crescente é causado pela erosão térmica, à medida que o dióxido de carbono evapora e expõe mais solo. A sublimação acontece quando um material sólido se transforma em gás, sem passar pelo estado líquido.

Além do sorriso, o “nariz” também cresceu: de dois pequenos pontos para uma grande depressão, como se tivesse sido alvo de uma cirurgia plástica.

No entanto, estudar esta “cratera feliz” é mais do que apenas uma diversão.

Segundo Beyer, medir estas alterações ao longo do ano marciano “ajuda os cientistas a entender a deposição anual e a remoção da geada polar”. “Monitorizar estes locais por longos períodos de tempo ajuda-nos a entender as tendências climáticas de longo prazo no Planeta Vermelho.”

As características faciais que vemos nas figuras representam, na verdade, diferentes elevações e densidades de gelo na superfície.

Por Liliana Malainho
27 Janeiro, 2021