4705: Geologia de campo no equador de Marte aponta para antiga mega-inundação

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta composição a cores falsas do Monte Sharp dentro da Cratera Gale em Marte mostra aos geólogos um ambiente planetário em mudança. Em Marte, o céu não é azul, mas a imagem foi modificada para parecer ser da Terra para que os cientistas pudessem distinguir entre as camadas de estratificação.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Inundações de magnitude inimaginável varreram a Cratera Gale no equador de Marte há cerca de 4 mil milhões de anos – uma descoberta que sugere a possibilidade de que a vida possa ter lá existido, de acordo com dados recolhidos pelo rover Curiosity da NASA e analisados num projecto conjunto por cientistas da Universidade Estatal de Jackson, de Cornell, do JPL e da Universidade do Hawaii. A investigação foi publicada dia 5 de Novembro na revista Nature Scientific Reports.

A furiosa mega-inundação – provavelmente desencadeada pelo calor de um impacto meteorítico, que libertou o gelo armazenado na superfície marciana – criou ondulações gigantescas que são estruturas geológicas reveladoras familiares aos cientistas na Terra.

“Nós identificámos mega-inundações pela primeira vez usando dados sedimentológicos detalhados observados pelo rover Curiosity,” disse o co-autor Albert G. Fairén, astro-biólogo visitante da Faculdade de Artes e Ciências de Cornell. “Os depósitos deixados por mega-inundações não foram identificados anteriormente com dados de orbitadores.”

Como é o caso na Terra, as características geológicas, incluindo o trabalho da água e do vento, foram temporalmente “congeladas” em Marte durante cerca de 4 mil milhões de anos. Estas características transmitem processos que moldaram a superfície de ambos os planetas no passado.

Este caso inclui a ocorrência de características gigantes parecidas com ondas nas camadas sedimentares da Cratera Gale, muitas vezes chamadas “mega-ondulações” ou anti-dunas que têm cerca de 9 metros e espaçadas cerca de 137 umas das outras, de acordo com o autor principal Ezat Heydari, professor de física na Universidade Estatal de Jackson, no estado norte-americano de Mississipi.

As anti-dunas são indicativas do fluxo de mega-inundações no fundo da Cratera Gale de Marte há cerca de 4 mil milhões de anos, que são idênticas às características formadas pelo derreter de gelo na Terra há cerca de 2 milhões de anos, disse Heydari.

A causa mais provável da inundação de Marte foi o derretimento de gelo com o calor gerado por um grande impacto, que libertou dióxido de carbono e metano dos reservatórios gelados do planeta. O vapor de água e a libertação de gases combinaram-se para produzir um curto período de condições quentes e húmidas no Planeta Vermelho.

A condensação formou nuvens de vapor de água, que por sua vez criaram chuvas torrenciais, possivelmente por todo o planeta. A água entrou na Cratera Gale, depois combinada com a água que descia pela encosta do Monte Sharp (na Cratera Gale) para produzir enchentes gigantescas que depositaram as cristas de cascalho na Unidade de Planícias Hummocky e as formações de bandas de cristas e vales na Unidade Estriada.

A equipa científica do rover Curiosity já estabeleceu que a Cratera Gale teve lagos e riachos persistentes no passado. Estes corpos de água duradouros são bons indicadores que a cratera, bem como o Monte Sharp no seu interior, eram capazes de sustentar vida microbiana.

“No início, Marte era um planeta extremamente activo de um ponto de vista geológico,” disse Fairén. “O planeta tinha as condições necessárias para suportar a presença de água líquida na superfície – e na Terra, onde há água, há vida.

“De modo que o jovem Marte era um planeta habitável,” disse. “Era habitado? Essa é uma pergunta que o próximo rover Perseverance… vai ajudar a responder.”

O Perseverance, que foi lançado a partir de Cabo Canaveral no dia 30 de Julho, tem chegada a Marte prevista para o dia 18 de Fevereiro de 2021.

Astronomia On-line
24 de Novembro de 2020


2096: O Curiosity encontrou um enorme depósito de argila em Marte

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

O Curiosity da NASA, que explora a superfície de Marte desde 2012, confirmou a descoberta do maior depósito de argila já encontrado no Planeta Vermelho. 

Tendo em conta que a argila se forma frequentemente na água, a descoberta pode ser especialmente importante para entender o processo desta substância essencial para a vida em Marte, aponta a agência espacial norte-americana em comunicado.

A NASA detalha ainda que a descoberta do depósito de rochas sedimentares confirma que no passado existiu água na cratera de Gale.

O instrumento mineralógico do rover, apelidado de CheMin, forneceu agora a primeira análise das amostras recolhidas na chamada “unidade de argila”. A sonda da NASA encontrou ainda pequenas quantidades de hematita, um mineral de óxido de ferro que é apenas abundante a norte, junto ao cume de Vera Rubin.

A agência espacial observa ainda que é provável que as rochas da área se tenham formado como camadas de lama em lagos antigos, algo que foi já encontrado no Monte Sharp.

Depois, a água interagiu com os sedimentos ao longo do tempo, formando uma grande quantidade de argila nas rochas.

Em Marte desde 2012, o rover Curiosity foi projecto para explorar a superfície de Marte, integrando a missão Mars Science Laboratory.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



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