2545: Descoberto fóssil de crânio do “avô” da Humanidade. Tem 3,8 milhões de anos e é mais antigo do que a Lucy

CIÊNCIA

Cleveland Museum of Natural History

Investigadores descobriram na Etiópia um fóssil de um crânio de um antepassado do Homem com 3,8 milhões de anos, mais antigo do que o popular fóssil “Lucy”, encontrado na década de 1970 no mesmo local, foi esta quarta-feira divulgado.

O crânio completo fossilizado dá novas informações sobre a morfologia crânio-encefálica do Australopithecus anamensis, a espécie de hominídeo do género dos australopitecos mais antiga, que vinha sendo datada entre 4,2 e 3,9 milhões de anos.

A equipa de especialistas que analisou o fóssil, descoberto em Fevereiro de 2016 na região de Afar, na Etiópia, admite que o Australopithecus anamensis terá coexistido durante cerca de 100 mil anos com uma outra espécie de australopiteco, que a sucedeu, a Australopithecus afarensis, da qual foi encontrado em 1974, na mesma região, o fóssil “Lucy”, com 3,2 milhões de anos.

Ambos os fósseis foram descobertos por peritos do Museu de História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, que divulga em comunicado os resultados do estudo do fóssil do crânio, também publicados na revista científica Nature.

Segundo o comunicado do museu, o crânio fossilizado, o primeiro da espécie Australopithecus anamensis descoberto, está datado no intervalo de tempo entre 4,1 e 3,6 milhões de anos, em que os fósseis dos antepassados humanos são “extremamente raros”, especialmente fora da jazida paleontológica de Woranso-Mille, na região etíope de Afar.

A idade do fóssil do crânio do Australopithecus anamensis – 3,8 milhões de anos – foi calculada por uma equipa da universidade norte-americana Case Western Reserve, em Cleveland, que datou os minerais das camadas rochosas vulcânicas nas proximidades do local onde o fóssil foi encontrado.

O crânio fossilizado partilha características com a espécie Australopithecus afarensis, mas também com outras mais antigas, como as dos géneros de hominídeos Sahelanthropus e Ardipithecus.

John Gurche / Matt Crow / Cleveland Museum of Natural History

O fóssil tem traços distintos em relação a um fragmento de um crânio fossilizado que foi descoberto em 1981 no sítio paleontológico de Belohdelie, igualmente da região etíope de Afar, e que os especialistas datam de 3,9 milhões de anos e como pertencendo à mesma espécie de “Lucy”. Tal significa, segundo os autores do estudo, que o Australopithecus anamensis terá coexistido cerca de 100 mil anos com o Australopithecus afarensis.

De acordo com uma das co-autoras da investigação, Naomi Levi, da Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos, o antepassado de “Lucy” terá vivido perto de um grande lago que estava a maioria das vezes seco.

“Estamos ávidos por realizar mais pesquisas sobre estes depósitos para compreender as condições ambientais do espécime de Australopithecus anamensis, a relação com as alterações climáticas e de que forma ou não afectaram a evolução humana”, afirmou, citada no mesmo comunicado.

ZAP // Lusa

Por Lusa
29 Agosto, 2019

 

2518: Crânio com 20 milhões de anos sugere que o nosso cérebro teve uma evolução complexa

CIÊNCIA

AMNH / N. Wong and M. Ellison

Este crânio minúsculo com 20 milhões de anos, da antiga espécie de macaco Chilecebus carrascoensis, pode ajudar os cientistas a perceber a evolução do cérebro humano.

Uma equipa de cientistas está a analisar um pequeno crânio com 20 milhões de anos, extremamente bem preservado, da antiga espécie de macaco Chilecebus carrascoensis, um pequeno animal que deveria pesar menos do que um tablet.

“Os seres humanos têm cérebros excepcionalmente ampliados, mas ainda sabemos muito pouco sobre até que ponto esse traço começou a desenvolver-se. Isto deve-se em parte ao facto de haver uma escassez de crânios fósseis bem preservados de homens antigos”, disse o paleontólogo Xijun Ni, da Academia Chinesa de Ciências, citado pelo Science Alert.

O C. carrascoensis é um platirrino, clado de primatas que inclui os macacos do Novo Mundo, ou seja, do continente americano. A descoberta deste crânio aconteceu nos anos 90, nos Andes, no Chile.

“Este animal foi identificado como um dos primeiros platirrinos divergentes conhecidos, tornando este táxon especialmente importante para avaliar as características cerebrais ancestrais do clado”, escreveram os autores do artigo publicado este mês na revista Science Advances.

Porém, um crânio não é igual a um cérebro, por isso, a equipa de investigadores teve de usar técnicas avançadas de tomografia computorizada para criar uma reconstrução 3D do cérebro que outrora existiu.

“É notável. Estávamos a tentar convencer-nos de que era tudo menos um primata, mas mostrava uma área bulbosa onde o cérebro deveria estar. A limpeza e a subsequente análise da tomografia computorizada reforçaram isso e o significado da descoberta”, explicou ao Gizmodo John Flynn, paleontólogo do Museu Americano de História Natural.

De seguida, a equipa usou a análise para investigar aspectos específicos desse cérebro, como o tamanho do bulbo olfactório e a forma do canal óptico e do nervo óptico.

O bulbo olfactivo relativamente pequeno mostra que estes macacos provavelmente tinham um olfacto mais fraco (e o mesmo se passava com a visão). Os investigadores consideram que isto pode indicar que a evolução dos sistemas visual e olfactivo não estavam tão intimamente ligadas como se pensava. O nervo óptico também sugeriu que este era um animal diurno.

“As comparações entre o Chilecebus e outros antropóides basais indicam que as principais subdivisões cerebrais desses primeiros antropóides não exibem um padrão de escala consistente em relação ao tamanho geral do cérebro”, escreve a equipa.

“Muitas características cerebrais parecem ter-se transformado num mosaico e provavelmente originaram-se de antropóides platirrinos e catarrinos de forma independente”.

ZAP //

Por ZAP
26 Agosto, 2019