4248: Meteorito colorido está a suscitar dúvidas sobre a origem da vida

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Laurence Garvie / Center for Meteorite Studies / Arizona State University

Em Abril de 2019, um meteoro colorido atingiu a Costa Rica. A rocha, que está a ser analisada por cientistas, destaca-se por pertencer a uma classe rara de condritos carbonáceos, e por conter uma possível presença de aminoácidos essenciais à construção da vida.

O meteoro que atingiu a Terra partiu-se mesmo antes de chegar ao solo. Os fragmentos acabaram por se espalhar nas aldeias de La Palmera e Aguas Zarcas, na Costa Rica. Para homenagear o local, foram baptizados com o nome da aldeia: Aguas Zarcas.

Segundo a Space.com, embora haja meteoritos a colidir com a Terra um pouco por todo o lado, estes fragmentos parecem ser especiais. É que o asteróide que os gerou era um fragmento remanescente do início do sistema solar.

O meteorito pertence a uma classe rara chamada condritos carbonáceos, originados nas primeiras horas de vida do Sistema Solar. Este tipo de rocha espacial contém compostos de carbono complexos, que podem incluir aminoácidos – capazes de se unir para formar proteínas e ADN – e talvez outros elementos de construção da vida.

Enquanto outros pedaços rochosos do sistema solar acabam por se tornar partes de planetas, este permaneceu intacto. O meteorito apenas se alterou com o tempo, através de reacções químicas impulsionadas pela luz solar. Estas mudanças estimularam a criação de compostos químicos cada vez mais complexos.

Em 1969, na Austrália, explodiu o meteoro Murchison, que apresenta características semelhantes. Num artigo para a Science, Joshua Sokol revela que a análise aos elementos químicos que compõe este tipo de meteoritos, pode ter ajudado a formar a ideia de que a vida teve origem no espaço. Tal como o meteorito Murchison, este fragmento de Aguas Zarcas contém poeira da antiga Via Láctea, antes do Sol se formar.

O jornalista explica que os estudos deste novo meteorito ainda estão incompletos. Contudo os investigadores estão entusiasmados com a possibilidade de o examinar através de técnicas mais modernas. A expectativa é encontrar, além dos aminoácidos, proteínas – o que seria um passo importante para entender como a vida surgiu.

Os fragmentos do novo meteoro podem oferecer as amostras mais puras do início do sistema solar e da nuvem de poeira pré-solar. “Esses restos de asteróides deverão ser realmente puros, pois podem nunca ter tocado na atmosfera ou ter-se instalado no solo”, escreveu Sokol.

Sokol espera que no futuro outras amostras originais possam ficar disponíveis para análise. A sonda japonesa Hayabusa2 – lançada em 2014 – tem o objectivo de analisar o asteroide Ryugu, uma amostra que pode conter condrito carbonáceo.

Também em 2023, a NASA irá retomar a análise das suas próprias amostras de um asteroide semelhante – o Bennu – que Sokol acredita estar relacionado com Aguas Zarcas.

Mas por enquanto, este fragmento é a melhor fonte disponível para análise.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2020

 

spacenews

 

1576: Tesouro de espécies “sobrenaturais” descoberto nas águas profundas da Costa Rica

Uma equipa de cientistas que tem vasculhado as águas escuras e profundas da Costa Rica descobriu um tesouro de novas espécies estranhas de todas as formas e tamanhos. A expedição encontrou também muito lixo nas profundezas proveniente da actividade humana.

A bordo do navio de investigação Falkor, a equipa do Instituto Oceânico Schmidt, organização privada sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, investigou vários montes e pequenas montanhas submarinas criadas pela actividade vulcânica perto do Parque Nacional Isla del Coco, na costa da Costa Rica.

Depois de 19 mergulhos submarinos operados remotamente, alguns dos quais a milhares de metros de profundidade, os cientistas traçaram uma ideia sem precedentes sobre este ecossistema muito pouco explorado.

A equipa conseguiu documentar uma série de micróbios, ostras, estrelas-do-mar “quebradiças”, corais, peixes, polvos, tubarões, raias. Destes, foi possível identificar quatro nova espécies de corais e seis outras espécies de animais até então desconhecidos – todo um mundo novo submarino.

“Cada mergulho continua a surpreender-nos”, confessou Erik Cordes, ecologista de águas profundas da Temple University, na cidade norte-americana da Filadélfia, em comunicado enviado ao portal IFLScience.

“Descobrimos espécies de corais duros que constroem recifes a uma profundidade de mais de 800 metros em dois montes submarinos diferentes. Os registos mais próximos desta espécie são das águas profundas ao redor das Ilhas Galápagos”.

“O mar profundo é o maior habitat da Terra”, frisou. “Perceber como é que este habitat funciona vai ajudar-nos a entender como é que o planeta como um todo funciona ”.

Contudo, nem tudo foi incrível nas águas profundas. Num dos mergulhos a maior profundidade, cerca de 3600 metros, encontrou muito lixo oriundo da actividade humana. Tendo em conta a crescente actividade pesqueira e energética nos oceanos profundos, os cientistas alerta que a pegada do homem tenderá a ficar maior e mais ousada neste lugar único e quase alienígena.

Os cientistas consideram importante proteger este ecossistema, instando as autoridades a criar uma nova área marinha protegida. “A nova pesquisa apoiará os esforços da Costa Rica para conservar estes importantes habitats, fornecendo uma linha base das espécies e ecossistemas incríveis encontrados nestas áreas mais profundas e que nem sempre têm a atenção que merecem”, disse a co-fundadora do Instituto Wendy Schmidt.

“Para já, uma das coisas mais importantes que podemos fazer é entender como é que estas comunidades funcionam. Depois, e se houver mudanças no futuro, poderemos medir o impacto humano”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
10 Fevereiro, 2019

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