1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

[vasaioqrcode]

 

562: Onde está o centro do universo?

(CC0/PD) jordygoovaerts0 / pixabay

Se olharmos para o céu nocturno, vemos estrelas em todas as direcções. Parece que somos o centro do cosmos, mas será que somos mesmo? E se não formos, onde é o centro universo?

Na realidade, o universo não tem centro. Desde o Big Bang que o universo tem vindo a expandir-se. No entanto, apesar do seu nome, o Big Bang não foi uma explosão que começou num ponto central de detonação. O universo começou extremamente compacto e minúsculo. Todos os pontos se foram expandindo, expansão essa que continua até hoje.

Ora, se o universo não tem nenhum ponto de origem, também não tem centro. Se imaginarmos uma formiga bidimensional que viva na superfície de um balão, do ponto de vista da formiga, toda a superfície parece a mesma, isto é, não há centro na superfície da esfera nem uma única borda.

Se enchermos esse balão, a formiga irá ver o seu universo bidimensional expandir-se. E se desenharmos pontos na superfície, esses pontos vão afastar-se uns dos outros, o que acontece com as galáxias no nosso universo real.

Para a formiga, qualquer terceira dimensão que se estenda perpendicularmente à superfície do balão – como viajar para o centro do balão – não tem significado físico.

“A formiga sabe que pode ir para frente e para trás. Pode ir para a esquerda e para a direita”, disse Barbara Ryden, astrofísica da Universidade de Ohio. “Mas não tem noção do que quer dizer, nem do que é, ‘de cima para baixo’”.

O nosso universo é uma versão 3D do universo do balão 2D da formiga. Mas a analogia do balão, com a sua área de superfície limitada, representa um universo finito – o que os cosmologistas ainda não têm certeza se é verdade no nosso caso.

As observações dos cosmólogos oferecem apenas um vislumbre finito do cosmos, mas o universo inteiro pode ser infinito.

Se for esse o caso, podemos substituir o balão por uma folha de borracha plana e expansível ou então por um pão com passas infinito. As passas, neste caso, representam as galáxias que se afastam umas das outras. “Se o universo é infinito, então não tem centro”, afirma Ryden ao LiveScience.

Por sua vez, se o universo é plano ou curvo depende da quantidade total de massa e de energia no cosmos. Se a densidade de massa e energia do universo estiver correta – na chamada densidade crítica – então o universo seria plano como uma folha, expandindo-se a uma taxa de aceleração constante.

Mas se a densidade é maior, então o cosmos seria curvado como o balão. A gravidade extra dessa densidade aumentaria a expansão cósmica. Neste cenário, o universo teria curvatura negativa. Mesmo assim, seria infinito e, portanto, sem um centro.

Até agora, ideias e observações teóricas apontam para um universo plano. Mas os cosmologistas ainda não têm certeza se o universo é, de facto, plano ou se a curvatura é tão grande que o universo só parece plano.

O facto de o universo não ter centro é consistente com o princípio cosmológico, a ideia de que nenhum lugar no universo é especial.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
20 Maio, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=0cb97ec1_1526809660829]