2275: A Terra primitiva tinha continentes que desapareceram sem deixar rasto

Simone Marchi

Os continentes podem ter emergido do mar muito antes do que se pensava, mas foram destruídos, desaparecendo sem deixar rasto.

Esta é a conclusão de um novo modelo de radioactividade das rochas antigas da Terra, que questiona os actuais modelos de formação da crosta continental.

Cientistas da Universidade de Adelaide, na Austrália, publicaram dois estudos – um na revista Precambrian Research e outro na revista Lithos – sobre um modelo de radioactividade da rocha há milhares de milhões de anos que concluiu que a crosta continental terrestre pode ter sido mais espessa muito antes do que os modelos actuais sugerem, havendo continentes há quatro mil milhões de anos.

“Usamos este modelo para perceber os processos evolutivos da Terra primitiva até ao presente e sugerimos que a crosta antiga sobrevivente dependeu da quantidade de radioactividade nas rochas – e não aleatoriamente“, disse Derrick Hasterok, do departamento de Ciências Terrestres da Universidade de Adelaide e do Centro Manson para a Geociência em comunicado.

“Se o nosso modelo se mostrar correto, talvez seja necessária uma revisão em muitos aspectos da nossa compreensão da evolução química e física da Terra, incluindo a taxa de crescimento dos continentes e possivelmente até o início das placas tectónicas“.

Hasterok e o seu aluno de doutorado, Matthew Gard, compilaram 75.800 amostras geoquímicas de rochas ígneas – como o granito – com idades estimadas da formação nos continentes. Estimaram a radioactividade nessas rochas hoje e construíram um modelo de radioactividade média de quatro mil milhões de anos até ao presente.

Todas as rochas contêm radioactividade natural que produz calor e aumenta a temperatura na crosta quando decai. Quanto mais radioactiva uma rocha, mais calor produz”, explicou. “As rochas tipicamente associadas à crosta continental têm maior radioactividade que as rochas oceânicas. Uma rocha de quatro mil milhões de anos teria cerca de quatro vezes mais radioactividade quando foi criada em comparação com hoje”.

Mas os cientistas descobriram um deficit inesperado no nível de radioactividade em rochas com mais de dois mil milhões de anos. Quando corrigiram a produção de calor, devido à maior radioactividade que estaria presente, o deficit desapareceu.

“Achamos que teria havido mais rochas parecidas com granito – ou do tipo continental – mas, devido à maior radioactividade e, portanto, ao calor mais elevado, derretiam ou eram facilmente destruídas pelo movimento tectónico. É por isso que estas crostas continentais não aparecem no registo geológico”.

“Os nossos modelos predominantes sugerem que continentes eventualmente cresceram para fora dos oceanos à medida que a crosta se tornava mais espessa. Mas achamos que pode ter havido uma quantidade significativa de crosta continental, ainda que muito instável muito mais cedo”.

Martin Hand diz que o novo modelo pode ter implicações importantes para monitorizar os efeitos do aquecimento global. Os investigadores afirmam que o novo modelo de radioactividade também pode ajudar na busca de rochas quentes com potencial geotérmico e pode ser usado para produzir modelos mais precisos sobre a maturação de óleo em bacias sedimentares.

ZAP //

Por ZAP
5 Julho, 2019

 

1572: Investigadores descobrem o “berço” de todos os continentes da Terra

NASA

Os continentes da Terra poderão ter nascido por baixo de uma cordilheira gigante, como a Cordilheira dos Andes.

O estudo de Ming Tang, da Universidade Rice, publicado na revista Nature Communications, sugere que a crosta terrestre do Planeta Azul se formou muito profundamente, por baixo dos grandes arcos continentais montanhosos.

“Se as nossas conclusões estiverem corretas, cada pedaço de terra em que estamos sentados teve o seu início em algum local como os Andes ou o Tibete, com superfícies muito montanhosas“, afirmou Ming Tang ao Science Daily.

Os investigadores afirmam que, para entender como exactamente se formaram os continentes e de que maneira cresceram ao ponto de cobrir 30% do planeta, há que prestar atenção a dois elementos químicos “gémeos”, que estão entre os elementos mais raros da Terra: nióbio e tântalo.

“Têm propriedades químicas muitos semelhantes e comportam-se de maneira quase idêntica na maioria dos processos geológicos”, explicou Tang.

O cientistas observou que “em média, as rochas da crosta continental têm aproximadamente 20% menos nióbio do que deviam, em comparação com o que vemos noutros lugares” e que o mistério da formação dos continentes poderia ser encontrado com a descoberta do “nióbio perdido”.

E parece que os investigadores encontraram uma explicação para este fenómeno. Tang e a sua equipa descobriram que, a temperaturas superiores a 1.000ºC, o mineral conhecido como rútilo retêm as suas proporções normais entre nióbio e tântalo. Contudo, quando as temperaturas são inferiores a esse valor, o material começa a “preferir” o nióbio.

Segundo Tang, o único local conhecido com este conjunto de condições encontra-se por baixo dos arcos continentais, como os Andes.

O autor do estudo sublinhou a importância do achado, afirmando que os ditos arcos são os “componentes básicos dos continentes” e que são “como um sistema mágico que une tudo, desde os clima e as concentrações de oxigénio na atmosfera até aos depósitos de mineral”.

ZAP // Russia Today

Por ZAP
9 Fevereiro, 2019