2865: A educação científica está sob ataque legislativo nos Estados Unidos

CIÊNCIA

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São inúmeros os professores de ciências que trabalham diariamente nas escolas públicas dos Estados Unidos para garantir que os alunos estão equipados com o conhecimento teórico e prático necessário para enfrentar o futuro. No entanto, há alguns projectos de lei que ameaçam a integridade da educação científica no país.

Nos estados do Indiana, Montana e Carolina do Sul, os projectos de lei procuravam exigir a deturpação dos tópicos supostamente controversos dentro da sala de aula. Por sua vez, no Connecticut, Florinda e Iowa, os projectos de lei iam mais longe e visavam além da sala de aula, incluindo tópicos supostamente controversos nos padrões científicos estaduais.

Apesar destas diferenças, os projectos de lei tinham um objectivo comum: minar o ensino da evolução ou das alterações climáticas, avança o Scientific American.

O Indiana, por exemplo, tinha o intuito de obrigar as escolas a ensinarem uma alternativa à evolução, enquanto que o projecto lei de Montana exigiria que as escolas públicas do estado negassem as alterações climáticas nas aulas.

Qualquer um destes projectos seria um ataque ao objectivo da educação de ciências nas escolas públicas, uma vez que é suposto que os alunos tenham o direito de aprender certos tópicos científicos de acordo com a compreensão da comunidade científica. Entre os cientistas, o nível de aceitação da evolução situa-se nos 99% e o das alterações climáticas cifra-se em 97%, pelo que deturpar estes tópicos seria frustrar o ensino científico.

A Associação Nacional de Ensino de Ciências concorda. Em comunicado, a NSTA descreve a evolução como “um importante conceito unificador na ciência” que “deve ser enfatizado nas estruturas e currículos de educação científica do ensino”. Da mesma forma, a associação recomenda que os professores de ciências “enfatizem aos alunos que não existe controvérsia científica sobre os fatos básicos das alterações climáticas“.

Os legisladores, que deveriam defender os professores, apresentam este tipo de projectos de lei e pode haver uma razão para explicar esta atitude: servir as ideologias dos seus eleitores – religiosas, no caso da evolução; políticas, no caso das alterações climáticas.

Certo é que, se os professores de ciências das escolas públicas norte-americanas não conseguirem ensinar evolução ou alterações climáticas com precisão, a alfabetização científica de milhões de estudantes poderá estar em risco.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2019

 

2339: Protestos, detidos e estado de emergência. Um super-telescópio está a agitar o Havai

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Manifestantes estão contra a construção do Thirty Meter Telescope no Mauna Kea, no Havai

Centenas de manifestantes estão reunidos, na base da montanha Mauna Kea, no Havai, para contestar a construção no seu pico de um super-telescópio, avaliado em mil milhões de dólares.

Segundo o Washington Post, os anciãos havaianos, conhecidos como kupuna, e outras centenas de manifestantes estão a bloquear a estrada de acesso à montanha Mauna Kea, sentando-se em cadeiras ou ficando algemados numa grade de metal.

Para os havaianos nativos, esta montanha é um local sagrado. Para os astrónomos, no entanto, representa um dos melhores sítios do planeta para observar o Espaço.

“Não queremos o telescópio nesta montanha. Esta montanha representa mais do que um edifício que agora querem construir. Esta montanha representa a última coisa que eles querem levar e que nós não lhes vamos dar”, afirmou Walter Ritte ao Hawaii News Now.

Em causa está a construção do Thirty Meter Telescope (TMT) – Telescópio de Trinta Metros em Português -, assim baptizado pelo diâmetro do seu espelho. Este é um projecto de 1,4 mil milhões de dólares que, segundo o governador do Havai, David Ige, seria para começar na segunda-feira.

(dr) Thirty Meter Telescope
Representação artística do Thirty Meter Telescope

Durante a semana, mais de 30 manifestantes foram detidos e, esta sexta-feira, o governador decidiu declarar o estado de emergência e autorizou o estado a tomar medidas de emergência e a levar para o local a guarda nacional, escreve o New Scientist.

Foi em 2009 que o Mauna Kea foi escolhido para receber o TMT, por causa da sua elevação e céu limpo. O telescópio vários metros de altura e vai proporcionar aos astrónomos uma oportunidade de observar melhor planetas, estrelas, galáxias e buracos negros.

Os protestos pacíficos começaram em 2014, durante a cerimónia da colocação da primeira pedra no local e, no ano seguinte, conseguiram impedir o início da sua construção. Mais tarde, o Supremo Tribunal do Havai confirmou a decisão do Conselho Estatal de Terras e Recursos Naturais de conceder uma licença de construção. E então, em Junho de 2019, a agência permitiu que a construção do TMT avançasse.

O Departamento de Terras e Recursos Naturais do estado deu uma concessão de terra à Universidade do Havai e a outros grupos para a construção de observatórios. Antes do TMT, o pico da montanha já abrigava outros 13 telescópios, cujo trabalho está agora em suspenso, uma vez que os funcionários foram evacuados devido aos protestos.

“Estamos a perder todas as coisas pelas quais somos responsáveis enquanto havaianos. Somos responsáveis pelos nossos oceanos, pela nossa terra, pelas nossas gerações futuras”, continua Ritte.

Caso a ideia não vá para a frente, o Thirty Meter Telescope tem um plano B: mudar-se para La Palma, nas Ilhas Canárias, em Espanha.

ZAP //

Por ZAP
19 Julho, 2019

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