2099: Encontradas 30 estrelas sem-abrigo à deriva. Foram expulsas da sua galáxia

NASA

Recentemente, 30 sistemas estelares binários foram detectados perto de um aglomerado de galáxias a 62 milhões de anos-luz da Terra.

Quando duas estrelas se apaixonam (e são suficientemente massivas e suficientemente próximas), podem começar a estabilizar-se. Os astrónomos chamam-lhes sistemas estelares binários, porque fazem tudo juntas: orbitam um em redor do outro, juntam os seus gases e, às vezes, até ressuscitam juntos.

É bonito, mas nem sempre é bom. Por vezes, um membro do par pode ser castigado pelo comportamento tóxico do parceiro. De acordo com um estudo recentemente publicado no The Astrophysical Journal, os pares encontrados foram expulsos das suas galáxias quando uma das estrelas colapsou contra uma estrela de neutrões e criou uma explosão tão poderosa que enviou os parceiros binários para o espaço interestelar.

“É como um convidado que é expulso de uma festa com um amigo barulhento”, disse o principal autor do estudo, Xiangyu Jin, da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, em comunicado. “A estrela companheira nesta situação é arrastada para fora da galáxia simplesmente porque está em órbita com a estrela que se tornou numa super-nova.”

Jin e os seus colegas descobriram os exilados estelares enquanto estudavam 15 anos de dados de emissão de raios X colectados pelo Chandra X-ray Observatory da NASA. A equipa ampliou o aglomerado de Fornax, um grupo de mais de 50 galáxias conhecidas localizadas na constelação Fornax.

Certos padrões de emissão contam a história de sistemas estelares binários em que um dos parceiros entrou em colapso numa estrela de neutrões, sugou cargas de gás e poeira da sua estrela parceira para um disco em órbita e super-aqueceu o disco a dezenas de milhões de graus.

Os discos quentes eram visíveis apenas na luz dos raios X, de acordo com os investigadores, e cerca de 30 das assinaturas de raios X detectadas vieram de fora dos limites de qualquer galáxia conhecida.

A equipa concluiu que os sistemas brilhantes eram provavelmente um par de uma estrela de neutrões e uma de não-neutrões que tinham sido catapultadas para fora da galáxia de origem quando a estrela de neutrões entrou em colapso.

Trinta pares de estrelas sem-abrigo podem parecer muito, mas provavelmente há inúmeros outro. Os investigadores detectaram cerca de 200 fontes peculiares de emissões de raios-X em Fornax, mas muitas delas estavam demasiado longe para serem resolvidas.

ZAP //

Por ZAP
3 Junho, 2019



2059: Estrela zombie nasce após rara colisão entre anãs brancas

(dr) Gvaramadze et al / Nature 2019

Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Academia de Ciências da Rússia encontraram uma rara estrela entre as nuvens de gás a 10.000 anos-luz da Terra.

A estrela incomum, conhecida como J005311, surgiu muito provavelmente a partir do seu cataclismo cósmico depois da colisão de duas estrelas mortas na constelação de Cassiopeia. A descoberta, publicada recentemente na revista Nature, revela a natureza da exótica estrela zombie e as suas propriedades incomuns.

Para fazer a observação, a equipa utilizou o telescópio espacial Wide-field Survey Explorer, da NASA, e um telescópio terrestre do Observatório Astrofísico Especial da Rússia.

Quando uma estrela pequena esgota o seu combustível, transforma-se numa “anã branca”, ou seja, uma pequena e densa estrela morta. No entanto, os cientistas analisaram a radiação emitida pela estranha estrela e descobriram que não possuía hidrogénio nem hélio, elementos geralmente presentes numa anã branca.

Graças a um sinal emitido pela J005311, os astrónomos suspeitam ter detectado o resultado daquilo que pensam ter sido uma fusão cósmica entre duas anãs brancas que circulavam entre si há milhares de milhões de anos.

“Este é um evento extremamente raro”, explicou Gotz Grafener, co-autor do artigo científico, num relatório divulgado recentemente, no qual adianta ainda que há menos de meia dúzia de objectos como este na Via Láctea.

Habitualmente, colisões entre anãs brancas terminam em grandes explosões estelares, chamadas de super-novas. O curioso é que a J005311 não explodiu – pelo contrário, foi reanimada e começou a queimar novamente.

Este evento, que deixou os cientistas muito surpreendidos, atrasou apenas a morte da estrela alguns milhares de anos, já que o seu destino não pode ser outro: ela irá, eventualmente, morrer. Assim como da primeira vez, a sua vida chegará ao fim no exacto momento em que esgotar todo o seu combustível.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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2014: O exoplaneta mais tórrido já descoberto tem valiosas terras raras

NASA / JPL-Caltech

A 650 anos-luz da Terra, o KELT-9 b, o exoplaneta mais quente até agora descoberto, tem assinaturas de alguns dos cobiçados minerais de terras-raras. 

Além das assinaturas de ferro gasoso e titânio encontradas na sua atmosfera, a nova investigação, cujos cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Astronomy & Astrophysics, aponta também para assinaturas de sódio, magnésio, crómio e escândio, bem como ítrio.

KELT-9 localiza-se na constelação de Cygnus. O seu exoplaneta – KELT-9 b – exemplifica o exemplar mais extremo de um Júpiter quente, uma vez que orbita muito perto do seu astro, que é duas vezes mais quente do que o Sol.

Com este calor, todos os elementos acabam por vaporizar quase por completo e as moléculas são divididas nos seus átomos constituintes, tal como acontece nas camadas externas das estrelas. Ou seja, a atmosfera deste mundo não contêm nuvem nem aerossóis, e o céu é claro, principalmente à luz da sua estrela.

Com esse calor, todos os elementos vaporizam quase completamente e as moléculas são divididas em seus átomos constituintes, como nas camadas externas das estrelas. Isso significa que a atmosfera não contém nuvens ou aerossóis e o céu é claro, transparente na sua maioria à luz da sua estrela.

Os átomos que compõem o gás na atmosfera absorvem a luz em cores muito específicas no espectro, e cada átomo tem uma “impressão digital” única das cores que absorve. Estas impressões digitais podem ser medidas com um espectrógrafo sensível instalado num telescópio de grandes dimensões, que permite aos astrónomos estuda a composição química das atmosferas dos planetas que estão a muitos anos-luz de distância.

Uma equipa de cientistas recorreu agora a esta técnica, tendo descoberto algo muito interessante: “Recorrendo ao espectrógrafo HARPS-North no Telescópio Nacional Italiano, na ilha de La Palma, encontramos átomos de ferro e titânio no ambiente tórrido do KELT-9 b”, explica Kevin Heng, diretor e professor no Center for Space and Habitabilty (CSH) na Universidade de Berna, na Suíça, citado em comunicado.

A equipa observou o sistema KELT-9 pela segunda vez no verão passado, visando confirmar detecções anteriores, mas também procurar elementos adicionais. O estudo incluiu 73 átomos, alguns quais metais de terras raras.

Tal como o nome indica, as terras raras são elementos incomuns na Terra, apesar de serem altamente cobiçados pela sua utilidade em materiais e dispositivos tecnológicos avançados, podendo ser usadas em baterias de smartphones ou carros eléctricos. Na tabela periódica, estas “preciosidades” posicionam-se na segunda linha a partir da parte inferior, indo do elemento com o lantânio ao lutécio, abrangendo ainda o escândio o ítrio (39).

Os elementos que constituem o grupo das terras raras foram inicialmente isolados sob a forma de óxidos, recebendo então a designação de “terras”, à época a denominação genérica dada aos óxidos da maioria dos elementos metálicos. Por apresentarem propriedades muito similares e por serem de difícil separação, foram considerados “raros” – tendo daí resultado a denominação terras raras, ainda hoje utilizada.

“A nossa equipa previu que o espectro deste planeta poderia funcionar bem, ser um tesouro onde pode ser possível detectar uma infinidade de compostos que não foram observados na atmosfera de qualquer outro planeta até então”, afirmou Jens Hoeijmakers, do CSH), outro dos autores do estudo.

“Com mais observações, muitos mais elementos podem ser descobertos utilizando a mesma técnica na atmosfera deste planeta no futuro, e talvez também possamos encontrar estes elementos noutros planetas com temperaturas igualmente altas”, completou.

Heng completa, considerando que a descoberta pode ser importante para várias áreas científicas, entre as quais a Astrobiologia. “As possibilidades de um dia encontrarmos as chamadas bio-assinaturas, ou seja, sinais de vida, num exoplaneta, recorrendo às mesmas técnicas, são boas (…) Em última análise, queremos usar a nossa pesquisa para entender a origem e o desenvolvimento do Sistema Solar, bem como a origem da vida”, rematou.

SA, ZAP //

Por SA
20 Maio, 2019

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1398: O exoplaneta com a atmosfera de hélio que se está a esvaziar como um balão

O HAT-P-11b é quatro vezes maior que a Terra e está 20 vezes mais perto da sua estrela, na constelação de Cisne, que o nosso planeta do Sol.

Um artista imagina o exoplaneta HAT-P-11b e a sua atmosfera de hélio, junto à sua estrela
© DR/Denis Bajram

Uma equipa de astrónomos descobriu que um exoplaneta a 124 anos-luz da Terra, na constelação de Cisne (Cygnus), tem a sua atmosfera inchada devido à presença de hélio e está a esvaziar-se como um balão.

O HAT-P-11b, que foi descoberto em 2009, é quatro vezes maior do que a Terra (tem o tamanho de Neptuno), mas está 20 vezes mais próximo da sua estrela que o nosso planeta. Por isso, as temperaturas rondam os 550 graus Celsius.

A atmosfera deste exoplaneta está cheia de hélio, que faz com que o HAT-P-11b pareça inchado como um balão. Mas, segundo a equipa de astrónomos, esse hélio está a escapar-se da atmosfera gasosa do planeta. As descobertas foram publicadas na revista Science.

O hélio foi detectado pela primeira vez como uma linha amarela desconhecida na assinatura espectral durante um eclipse solar em 1868 e baptizado em homenagem ao deus grego do Sol, Hélio. Apesar de ser um elemento raro na Terra, é o segundo mais comum no universo, depois do hidrogénio.

A equipa de astrónomos é liderada por investigadores da Universidade de Genebra e inclui especialistas da Universidade de Exeter. A equipa observou o exoplaneta usando um espectrógrafo baptizado de Carmenes, que está instalado num telescópio de quatro metros em Calar Alto, Espanha.

O HAT-P-11b passa em frente à sua estrela, na constelação de Cisne, na visão de um artista
© NASA/JPL-Caltech

“O hélio é soprado do lado diurno do planeta para o lado nocturno a mais de dez mil quilómetros por hora”, disse Vincent Bourrier, um dos co-autores do estudo e membro do projecto Future of Upper Atmospheric Characterisation of Exoplanets with Spectroscopy, do Conselho Europeu de Investigação. “Por ser um gás tão leve, escapa facilmente da atracção do planeta e forma uma nuvem alargada em seu redor”, acrescentou, citado no comunicado de imprensa divulgado pela Universidade de Exeter.

“Esta é uma descoberta excitante, especialmente porque o hélio só foi detetado na atmosfera de exoplanetas pela primeira vez no início deste ano. As observações mostram que o hélio está a ser soprado para fora do planeta por causa da radiação da sua estrela. Esperamos usar este novo estudo para descobrir que tipos de planetas têm grandes envelopes de hidrogénio e hélio e durante quanto tempo conseguem segurar os gases nas suas atmosferas”, indicou Jessica Spake, no departamento de astronomia de Exeter.

Diário de Notícias
Susana Salvador
08 Dezembro 2018 — 23:22

 

1279: ESO apresenta primeiro vídeo de sempre de um planeta a orbitar uma estrela

Astrónomos europeus conseguiram observar pela primeira vez como um dos exoplanetas próximos à Terra orbita em torno da sua estrela.

A Beta Pictoris é a segunda estrela mais brilhante na constelação de Pictor e está localizada a 64 anos-luz do Sistema Solar. Com uma massa 1,75 vezes maior que a do Sol e possui uma luminosidade 8,7 vezes maior. O sistema de Beta Pictoris é muito jovem, tendo apenas entre 8 e 20 milhões de anos.

Este corpo celeste atraiu a atenção dos astrónomos no início dos anos 1980, tendo uma radiação infravermelha invulgarmente forte. Verificou-se que a fonte era um disco de gases e poeira, que orbitava em torno da estrela, onde foi encontrado o planeta Beta Pictoris b.

As primeiras fotos deste mundo emergente e do seu “manto” de gases e poeira foram obtidas pelo telescópio Hubble em 2009. As observações posteriores do planeta revelaram várias particularidades estranhas, inclusive o seu tamanho gigante e uma órbita invulgarmente inclinada.

Utilizando a ferramenta NACO, através do telescópio VLT no Chile, ao longo dos últimos quatro anos os cientistas do Observatório Europeu do Sul observaram o Beta Pictoris b a orbitar em torno do astro e sobrevoando a borda do disco no momento em que a estrela e o exoplaneta “olham” em direcção à Terra.

ESO/Lagrange/SPHERE

A primeira gravação em vídeo do movimento de um planeta em torno de outra estrela, segundo os investigadores, ajudou a determinar a temperatura do mesmo, a duração do seu ano e outras características do Beta Pictoris b.

Devido às temperaturas muito altas, a vida dificilmente poderia existir na sua superfície, bem como nos satélites. Por outro lado, a observação destes mundos pode ajudar a entender como surgem os planetas e do que depende a localização de “zonas de vida” em grandes estrelas brilhantes.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
13 Novembro, 2018

 

1086: Astrónomos descobrem estrela morta que não deveria existir

Na constelação Cassiopeia há uma estrela morta que não deveria existir. A estrela de neutrões, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

A cerca de 24 mil anos-luz, na constelação de Cassiopeia, mora uma estrela de neutrões que não deveria existir, pelo menos tendo em conta o modelo actual. Esta estrela morta, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

Esta estrela tem um campo magnético muito forte – característica muito incomum, dado que, até hoje, os jactos relativísticos só foram observados em estrelas de neutrões com campos magnéticos mil vezes mais fracos.

Uma estrela de neutrões é o ponto final de uma estrela massiva que, um dia, foi uma super-nova. A maior parte do material da estrela explode no espaço, enquanto o núcleo colapsa em si mesmo, tornando-se num objecto super-denso com tamanha gravidade. Se a massa for abaixo de três vezes a massa do Sol, torna-se uma estrela de neutrões com cerca de 10 a 20 quilómetros de diâmetro; caso contrário, torna-se um buraco negro.

Este colapso do núcleo tem um efeito no campo magnético da estrela de neutrões, isto é, faz com que o campo magnético da estrela aumente muito a sua força, tornando-se biliões de vezes maior do que o Sol; mas depois, gradualmente, enfraquece novamente durante centenas de milhares de anos, explicou o astrónomo James Miller-Jones, da Curtin University e do Centro Internacional de Investigação em Radioastronomia (ICRAR).

A estrela em causa é parte de um sistema binário chamado Swift J0243.6 + 6124, descoberto em Outubro de 2017 pelo Swift Observatory. Os jactos não são novidade, até porque são fluxos de radiação e partículas muito conhecidos no Universo. No entanto, realça o cientista, “o forte campo magnético da estrela de neutrões é uma excepção”.

“O espectro de rádio do Swift J0243 é o mesmo de jactos de outras fontes e evolui da mesma maneira”, disse Van den Eijnden. “Pela primeira vez, observamos um jacto de uma estrela de neutrões com um forte campo magnético.” As conclusões foram publicadas recentemente na revista Nature.

Aliás, não é um campo magnético forte qualquer: o campo magnético ao redor Swift J0243.6 + 6124 da estrela de neutrões é de 10 biliões de vezes mais forte do que o do Sol. Esta característica desmente a teoria do campo magnético sobre a supressão de jactos e apela a uma nova investigação em torno de como são produzidos e lançados os jactos.

Até agora, pensava-se que os jactos das estrelas de neutrões eram canalizados a partir do campo magnético na parte interna do disco de acreção. Mas se o campo magnético for muito forte, poderia impedir o disco de ficar perto o suficiente para serem desencadeados. Excepto se esta nova descoberta colocar tudo o que sabíamos até hoje no lixo.

“Não sabemos qual a explicação. Mas, independentemente disso, a nossa descoberta é um grande exemplo de como a ciência funciona, com teorias a serem desenvolvidas e constantemente revistas à luz de novos resultados experimentais”, conclui Van den Eijnden.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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1079: Provável pátria do primeiro asteróide interestelar revelada

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: `Oumuamua.

Cientistas calcularam a trajectória do movimento do Oumuamua, o primeiro asteróide interestelar, mencionando alguns sistemas estelares de onde o asteróide pode ter saído em direcção ao Sol e à Terra há mais de um milhão de anos.

O astrónomo belga Olivier Hainaut e os seus colegas afirmaram que a pátria mais provável do Oumuamua poderá ser a anã vermelha HIP 3757 da constelação Cetus a 77 anos-luz da Terra.

Em Outubro do ano passado, através do telescópio automático Pan-STARRS1 foi descoberto o primeiro corpo celeste “interestelar”.

Este objecto foi classificado convencionalmente como sendo um “cometa” e recebeu o nome temporário de C/2017 U1. Depois de descoberto, dezenas de telescópios terrestres e orbitais começaram a vigiá-lo.

Antes de deixar o espaço próximo da Terra, os cientistas obtiveram um grande número de imagens e dados sobre as características físicas do “migrante”, revelando que ele é mais parecido com um asteróide do que com um cometa.

O asteróide foi renomeado para 1I/2017-U1, e mais tarde baptizado de Oumuamua, que tem um significa próximo a “um mensageiro longínquo que chegou primeiro” no idioma dos habitantes nativos das ilhas havaianas.

Os cientistas contaram todas as estrelas que estavam à distância de 2 parsecs da trajectória seguida pelo cometa em direcção ao Sol e à Terra e calcularam as condições em que o objecto poderia deixar esses sistemas estelares. A investigação foi publicada a 24 de Setembro no arquivo online arXiv.org.

Segundo o cientista belga Olivier Hainaut, apenas quatro das estrelas que a trajectória do Oumuamua atravessa poderiam gerar um objecto com tal tamanho e velocidade.

Além da anã vermelha HIP 3757, a pátria do Oumuamua pode ainda ser uma estrela semelhante ao Sol, chamada HD 292249, da constelação de Monoceros a 135 anos-luz. De acordo com os astrónomos, a distância de HIP 3757 e de HD 292249 até à Terra teria levado, respectivamente, um e quatro milhões de anos a percorrer.

Na lista dos cientistas entraram mais duas estrelas — a 2MASS J0233 e a NLTT 36959, das constelações Cetus e Virgo, a 66 e 300 anos-luz da Terra. As suas características tornam-nas semelhantes ao Sol e a outras anãs amarelas e laranja.

Contudo, os astrónomos ainda não descobriram sinais de presença de outros corpos celestes pequenos nas estrelas enumeradas, por isso não se pode concluir qual das hipóteses formuladas é na verdade a pátria do Oumuamua.

Em Março de 2018, uma publicação revelou que o asteróide teria vindo, provavelmente, de um sistema binário.

Por outro lado, a diminuição do número de candidatos a esse papel permite concluir que as estrelas geram com mais frequência este tipo de “viajantes interestelar” e qual a quantidade de viajantes no Sistema Solar.

Por SN
27 Setembro, 2018

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739: NUSTAR PROVA QUE ETA CARINAE DISPARA RAIOS CÓSMICOS

A Grande Erupção de Eta Carinae na década de 1840 criou esta nebulosa, fotografada aqui pelo Hubble. Agora com aproximadamente um ano-luz em diâmetro, a nuvem em expansão contém material suficiente para fazer, pelo menos, 10 cópias do nosso Sol. Os astrónomos ainda não conseguiram explicar o que provocou esta explosão.
Crédito: NASA, ESA e Equipa SM4 ERO do Hubble

Um novo estudo usando dados do Telescópio Espacial NuSTAR da NASA sugere que Eta Carinae, o sistema estelar mais luminoso e massivo até 10.000 anos-luz, está a acelerar partículas a altas energias – algumas das quais podem chegar à Terra como raios cósmicos.

“Sabemos que as ondas de choque de estrelas mortas podem acelerar partículas de raios cósmicos a velocidades comparáveis às da luz, um incremento incrível de energia,” disse Kenji Hamaguchi, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo. “Processos semelhantes devem ocorrer noutros ambientes extremos. A nossa análise indica que Eta Carinae é um deles.”

Os astrónomos sabem que os raios cósmicos com energias superiores a mil milhões de electrões-volt (eV) chegam até nós além do nosso Sistema Solar. Mas dado que todas estas partículas – electrões, protões e núcleos atómicos – transportam uma carga eléctrica, desviam-se do seu percurso sempre que encontram campos magnéticos. Isto baralha os percursos e mascara as suas origens.

Eta Carinae, localizada a cerca de 7500 anos-luz de distância na direcção da constelação de Quilha (Carina), é famosa por uma explosão do século XIX que brevemente a tornou na segunda estrela mais brilhante do céu. Este evento também expeliu uma enorme nebulosa em forma de ampulheta, mas a causa da erupção ainda é pouco conhecida.

O sistema contém um par de estrelas massivas cujas órbitas excêntricas as aproximam a cada 5,5 anos. As estrelas contêm 90 e 30 vezes a massa do nosso Sol e passam a 235 milhões de quilómetros na sua maior aproximação – mais ou menos a distância média entre Marte e o Sol.

“Ambas as estrelas de Eta Carinae dirigem poderosos fluxos chamados ventos estelares,” disse o membro da equipa Michael Corcoran, também de Goddard. “O local onde estes ventos chocam muda durante o ciclo orbital, o que produz um sinal periódico em raios-X de baixa energia que estamos a rastrear há mais de duas décadas.”

O Telescópio Espacial de raios-gama Fermi da NASA também observa uma mudança nos raios-gama – luz muito mais energética do que os raios-X – de uma fonte na direcção de Eta Carinae. Mas a visão do Fermi não é tão nítida quanto as dos telescópios de raios-X, de modo que os astrónomos não puderam confirmar a ligação.

Para preencher a lacuna entre a monitorização de raios-X de baixa energia e as observações do Fermi, Hamaguchi e colegas recorreram ao NuSTAR. Lançado em 2012, o NuSTAR pode focar-se em raios-X muito mais energéticos do que qualquer telescópio anterior. Utilizando tanto dados recolhidos recentemente como de arquivo, a equipa examinou observações do NuSTAR obtidas entre Março de 2014 e Junho de 2016, juntamente com observações de raios-X de baixa energia do satélite XMM-Newton da ESA no mesmo período.

Os raios-X de baixa energia de Eta Carinae vêm do gás na interface dos ventos estelares em colisão, onde as temperaturas excedem os 40 milhões de graus Celsius. Mas o NuSTAR detecta uma fonte emissora de raios-X acima dos 30.000 eV, cerca de três vezes mais do que pode ser explicado por ondas de choque nos ventos em colisão. Para comparação, a energia da luz visível varia de mais ou menos 2 eV para 3 eV.

A análise da equipa, apresentada na edição de 2 de Julho da Nature Astronomy, mostra que esses raios-X variam com o período orbital binário e indica um padrão de saída de energia similar ao dos raios-gama observados pelo Fermi.

Os investigadores dizem que a melhor explicação para os raios-X energéticos e a emissão de raios-gama é a aceleração de electrões em violentas ondas de choque ao longo da fronteira dos ventos estelares em colisão. Os raios-X detectados pelo NuSTAR e os raios-gama detectados pelo Fermi surgem da luz estelar, devido a um enorme aumento de energia pelas interacções com esses electrões.

Alguns dos electrões super-rápidos, bem como outras partículas aceleradas, devem escapar do sistema e talvez alguns deambulem eventualmente até à Terra, onde podem ser detectados como raios cósmicos.

“Nós sabemos há algum tempo que a região em torno de Eta Carinae é a fonte de emissão energética de raios-X e raios-gama de alta energia,” acrescenta Fiona Harrison, investigadora principal do NuSTAR e professora de astronomia no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. “Mas até que o NuSTAR foi capaz de identificar a radiação, mostrar que vinha do binário e de estudar as suas propriedades em detalhe, a origem permanecia misteriosa.”

Astronomia On-line
6 de Julho de 2018

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278: A estrela mais brilhante no céu esconde um ninho de estrelas

Harald Kaiser / ESA
A imagem obscurecida de Sirius permite revelar o cluster de estrelas Gaia 1

Se tem observado o céu nocturno nas últimas semanas, é possível que tenha “tropeçado” numa estrela muito brilhante perto da constelação de Orion. Recentemente, um astrónomo amador fotografou-a com um filtro que a obscureceu – revelando o cluster de estrelas Gaia 1.

A estrela em causa é Sirius, um sistema estelar binário, um dos mais próximos do Sol – apenas a 8 anos-luz de distância – e a estrela mais brilhante de todo o céu nocturno, visível de quase todos os lugares da Terra, excepto das regiões mais setentrionais.

Conhecida desde a Antiguidade, esta estrela desempenhou um papel fundamental na manutenção do tempo e da agricultura no antigo Egipto, uma vez que o seu retorno ao céu estava ligado à inundação anual do Nilo. Na mitologia da Grécia Antiga, representava o olho da constelação de Cão Maior, o cão que segue diligentemente Orionte, o Caçador.

As estrelas deslumbrantes, como Sirius, são uma bênção e uma maldição para os astrónomos. A sua aparência brilhante fornece muita luz para estudar as suas propriedades, mas também ofusca outras fontes celestiais que se encontram no mesmo ponto do céu.

Na imagem acima, obtida pelo astrónomo amador Harald Kaiser, no dia 10 de Janeiro, em Karlsruhe, uma cidade no sudoeste da Alemanha, Sirius foi encoberta com um filtro.

Assim que o brilho de Sirius é removido, um objecto interessante torna-se visível à sua esquerda: o enxame estelar Gaia 1, observado pela primeira vez o ano passado, utilizando dados do satélite Gaia da ESA.

Gaia 1 é um enxame aberto – uma família de estrelas nascidas ao mesmo tempo e mantidas unidas pela gravidade – e está localizado a cerca de 15.000 anos-luz de distância.

O seu alinhamento, por acaso, ao lado de Sirius, manteve-o escondido de gerações de astrónomos, que têm varrido o céu com os seus telescópios nos últimos quatro séculos. Mas não para o olho inquisitivo do observatório Gaia, que traçou mais de mil milhões de estrelas na nossa galáxia Via Láctea.

Harald Kaiser soube da descoberta deste aglomerado durante uma conferência sobre a missão do Gaia e esperou zelosamente por um céu claro para tentar observá-lo, usando o seu telescópio de 30 cm de diâmetro.

Depois de cobrir Sirius no sensor do telescópio – criando o círculo escuro na imagem – conseguiu registar algumas das estrelas mais brilhantes do aglomerado Gaia 1.

Gaia 1 é um dos dois grupos de estrelas, anteriormente desconhecidos, que foram descobertos ao contar estrelas a partir do primeiro conjunto de dados de Gaia, que foi lançado em Setembro de 2016.

Os astrónomos estão ansiosos pelo segundo lançamento de dados do Gaia, planeado para 25 de Abril, os quais oferecerão vastas possibilidades para novas e emocionantes descobertas.

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
5 Fevereiro, 2018

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197: Estrela que pisca com frequência inexplicável pode estar a devorar planetas

A estrela RZ Piscium fica a 550 anos-luz da Terra, na constelação de Pisces, e emite um brilho intermitente, com ritmo errático.

Cada episódio de escuridão pode durar até dois dias, e a estrela torna-se 10 vezes menos iluminada. Produz muito mais energia no comprimento de onda infravermelho do que estrelas como o Sol, o que indica que está cercada por um enorme disco de poeira.

“As nossas observações mostram que há aglomerados massivos de poeira e gás que ocasionalmente bloqueiam a luz da estrela e provavelmente estão a ir na sua direcção”, diz a doutoranda do Instituto de Tecnologia Rochester, Kristina Punzi.

Essas e outras observações fizeram com que os astrónomos concluíssem que a RZ Piscium é uma estrela jovem parecida com o Sol. Outra visão sugere que a estrela seja mais velha do que o Sol e que esteja a começar a sua transição para gigante vermelha.

Um disco de poeira do início da vida da estrela teria se dispersado depois de alguns milhões de anos, então os astrónomos precisavam de outra explicação para toda a poeira a sua volta. Uma explicação possível seria a de que a destruição de planetas com órbitas próximas criaria toda essa poeira.

Mas afinal de contas, a RZ Piscium é uma jovem estrela com disco de detritos ou uma idosa destruidora de planetas? De acordo com a pesquisa de Punzi, é um pouco dos dois.

No estudo, foram usadas informações captadas pelo satélite XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia, pelo observatório Lick na Califórnia e pelo observatório W. M. Keck no Havaí.

A estrela tem temperatura de 5.330 ºC, pouco menos que a do Sol. A sua superfície é rica em lítio, que é lentamente destruído por reacções nucleares que acontecem nas estrelas. Através do estudo da quantidade de lítio, é possível estimar a idade da estrela. A RZ Piscium tem entre 30 a 50 milhões de anos.

Apesar de ser considerada jovem, é muito velha para ainda estar cercada por tanto gás e poeira. “A maioria das estrelas parecidas com o Sol perde os seus discos formadores de planetas em poucos milhões de anos do nascimento. O facto de a RZ Piscium ainda ter tanto gás e poeira depois de dezenas de milhões de anos significa que está provavelmente a destruir planetas, em vez de os criar”, diz o pesquisador Ben Zuckerman, professor de astronomia da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

A observação dos investigadores mostra que essa poeira está a escapar da estrela e ao mesmo tempo a ser absorvida por ela.

A melhor explicação é que a estrela esteja cercada por detritos que representam o resultado de um desastre de proporções planetárias. É possível que a estrela esteja a arrancar materiais de vizinhos, produzindo a corrente intermitente de gás e poeira. Outra possibilidade é que planetas ricos em gás tenham passado por uma colisão catastrófica em um passado recente.

ZAP // HypeScience / Phys.org

Por HS
23 Dezembro, 2017

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37: Astrónomos descobrem estrela que “devorou” planetas gémeos da Terra

M. Garlick / Universidade de Warwick / ESO

Cientistas descobriram na constelação de Cassiopeia um estranho par de estrelas, uma das quais na sua vida passada teria absorvido cerca de uma dúzia de planetas semelhantes à Terra.

As estrelas podem de vez em quando destruir e “comer” os planetas que os orbitam. Isso pode acontecer quando os planetas acabam de nascer ou no fim da vida das estrelas, quando a camada exterior se expande e cobre os planetas, e mesmo após a morte da estrela, quando esta se torna uma anã branca ou estrela de neutrões.

Antigamente, os cientistas não prestavam atenção a esses processos, já que acreditavam que estes não causavam mudanças significativas na aparência e comportamento das estrelas.

Só mais recentemente, os planetólogos descobriram que, depois de “comerem” os planetas, as anãs brancas e as estrelas de neutrões mudam de aspecto exterior, enquanto as estrelas convencionais podem mudar de modo radical de comportamento, tornando-se maiores e menos brilhantes.

O especialista Semyeong Oh, da Universidade de Princeton (EUA), e os seus colegas encontraram um dos exemplos mais extraordinários do tal “canibalismo” espacial – o par de estrelas HD 240430 и HD 240429, recém-descobertas na constelação de Cassiopeia (também conhecida como Tamaquaré e Taquaré).

De acordo com os cientistas, estes astros são quase iguais. Formaram-se há cerca de 4 mil milhões de anos atrás e, desde então, têm viajado pelo espaço em conjunto, situados a apenas dois anos-luz um do outro.

Os astrónomos acreditam que as estrelas façam parte de um sistema estelar duplo, cujos elementos se comportam de forma diferente de outros pares de estrelas.

Os especialistas tentaram verificá-lo e encontraram uma característica estranha neste par de astros. O núcleo da primeira estrela contém muitos mais “metais”, elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio, do que a sua vizinha, conforme o artigo publicado na biblioteca virtual da Cornell University.

Titãs espaciais

Geralmente, essas diferenças indicam que as estrelas ter-se-iam formado em partes diferentes da galáxia. No entanto, o tamanho e a idade semelhantes das duas estrelas sugere o contrário.

Semyeong Oh e os seus colegas descobriram que este paradoxo “impossível” deve-se ao fato de uma das estrelas ter “comido” mais de uma dezena de planetas parecidos com a Terra, cuja massa total dos corpos “devorados” é 15 vezes maior que a da Terra. A estrela foi chamada Cronos, em homenagem ao titã na mitologia grega que devorava os filhos.

Como é que isso poderia ter acontecido? Segundo os cientistas, recentemente, Cronos e o irmão Crio ter-se-iam aproximado de outra estrela, cuja gravidade desestabilizou os sistemas planetários. Como resultado, uma parte ou mesmo todos os planetas foram absorvidos por Cronos.

Neste momento, os astrónomos estão à procura de planetas nos arredores deste sistema estelar que possam ter sofrido este cataclismo. Caso sejam descobertos, ajudarão a entender como é que Cronos “comeu” os seus “filhos”.

ZAP // Sputnik News

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