3222: Constelação do Pintor. Hipotético sistema planetário é afinal actividade da estrela

CIÊNCIA

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Investigadores portugueses conseguiram esclarecer a “discordância” científica sobre um “hipotético” sistema planetário na constelação do Pintor e defendem que o que parecia ser “o sinal de dois planetas em órbita”, provavelmente é “actividade da própria estrela”.

Em comunicado, o Instituto de Astrofísica e Ciência do Espaço (IA) explica hoje que o estudo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics, permitiu, através dos primeiros dados obtidos com o espectrógrafo ESPRESSO, esclarecer a “discordância” que existia no seio da comunidade científica sobre um suposto sistema planetário à volta da estrela HD 41248, na constelação do Pintor, do hemisfério celeste sul.

“O estudo (…) concluiu que o que parecia ser o sinal de dois planetas em órbita é muito provavelmente actividade da própria estrela“, revela o instituto português.

De acordo com o IA, a estrela, localizada a cerca de 181 anos-luz da Terra e “pouco mais pequena e menos massiva que o Sol”, foi objecto de estudo de três artigos científicos que, com base nos dados obtidos pelo espectrógrafo HARPS, “discordavam” quanto à existência de dois planetas a orbitá-la.

“Quando se procura planetas tão pequenos como a Terra, esses efeitos podem diluir-se no ‘ruído’ da actividade estelar, criado por manchas estelares ou zonas de alto brilho. Esta actividade pode mesmo imitar a presença de um ou mais planetas, que de facto não existem”, sustenta o IA.

Citado no comunicado, João Faria, investigador do IA e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), afirma que este novo estudo é “o primeiro avanço na utilização do ESPRESSO” para a detecção de um planeta como a Terra.

“O nosso trabalho demonstra que detectar pequenos planetas, até mesmo maiores do que a Terra, não é uma tarefa fácil. A contaminação causada pela própria estrela tem de ser tida em conta e corrigida”, sublinha o investigador líder.

O instituto português adianta ainda que o artigo, que reúne também dados de 2003 e 2014 do espectrógrafo HARPS, representa a “estreia” do ESPRESSO na procura por exoplanetas, sendo que a sua precisão “põe em evidência” processos físicos das estrelas ainda não totalmente compreendidos.

“Com uma precisão (menor margem de erro) sem precedentes na medição de velocidades radiais, estas novas observações permitem distinguir os sinais provenientes dos planetas daqueles causados pela actividade estelar”, refere o IA.

No comunicado, João Faria acrescenta ainda que é necessário “entender melhor” o modo como a actividade estelar afecta as variações de velocidade medidas, estando por isso a desenvolver uma ferramenta informática.

“Esta é a primeira análise de dados do ESPRESSO e demonstra que o instrumento está a produzir velocidades radiais com a precisão esperada, e que será suficiente para detectar planetas parecidos com a Terra”, conclui o investigador.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Dezembro, 2019

 

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