1398: O exoplaneta com a atmosfera de hélio que se está a esvaziar como um balão

O HAT-P-11b é quatro vezes maior que a Terra e está 20 vezes mais perto da sua estrela, na constelação de Cisne, que o nosso planeta do Sol.

Um artista imagina o exoplaneta HAT-P-11b e a sua atmosfera de hélio, junto à sua estrela
© DR/Denis Bajram

Uma equipa de astrónomos descobriu que um exoplaneta a 124 anos-luz da Terra, na constelação de Cisne (Cygnus), tem a sua atmosfera inchada devido à presença de hélio e está a esvaziar-se como um balão.

O HAT-P-11b, que foi descoberto em 2009, é quatro vezes maior do que a Terra (tem o tamanho de Neptuno), mas está 20 vezes mais próximo da sua estrela que o nosso planeta. Por isso, as temperaturas rondam os 550 graus Celsius.

A atmosfera deste exoplaneta está cheia de hélio, que faz com que o HAT-P-11b pareça inchado como um balão. Mas, segundo a equipa de astrónomos, esse hélio está a escapar-se da atmosfera gasosa do planeta. As descobertas foram publicadas na revista Science.

O hélio foi detectado pela primeira vez como uma linha amarela desconhecida na assinatura espectral durante um eclipse solar em 1868 e baptizado em homenagem ao deus grego do Sol, Hélio. Apesar de ser um elemento raro na Terra, é o segundo mais comum no universo, depois do hidrogénio.

A equipa de astrónomos é liderada por investigadores da Universidade de Genebra e inclui especialistas da Universidade de Exeter. A equipa observou o exoplaneta usando um espectrógrafo baptizado de Carmenes, que está instalado num telescópio de quatro metros em Calar Alto, Espanha.

O HAT-P-11b passa em frente à sua estrela, na constelação de Cisne, na visão de um artista
© NASA/JPL-Caltech

“O hélio é soprado do lado diurno do planeta para o lado nocturno a mais de dez mil quilómetros por hora”, disse Vincent Bourrier, um dos co-autores do estudo e membro do projecto Future of Upper Atmospheric Characterisation of Exoplanets with Spectroscopy, do Conselho Europeu de Investigação. “Por ser um gás tão leve, escapa facilmente da atracção do planeta e forma uma nuvem alargada em seu redor”, acrescentou, citado no comunicado de imprensa divulgado pela Universidade de Exeter.

“Esta é uma descoberta excitante, especialmente porque o hélio só foi detetado na atmosfera de exoplanetas pela primeira vez no início deste ano. As observações mostram que o hélio está a ser soprado para fora do planeta por causa da radiação da sua estrela. Esperamos usar este novo estudo para descobrir que tipos de planetas têm grandes envelopes de hidrogénio e hélio e durante quanto tempo conseguem segurar os gases nas suas atmosferas”, indicou Jessica Spake, no departamento de astronomia de Exeter.

Diário de Notícias
Susana Salvador
08 Dezembro 2018 — 23:22