2667: A misteriosa mega-estrutura alienígena pode ser uma exolua órfã a ser despedaçada

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech
Esta ilustração mostra um hipotético anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.

Uma exolua órfã gradualmente a ser dilacerada pode explicar o estranho comportamento obscuro de uma estrela que intriga os cientistas há anos – e que pode ser evidência potencial de uma “mega-estrutura alienígena”.

Os astrónomos observaram a estrela Tabby, também conhecida como KIC 8462852, pela primeira vez na década de 1890. Mas em 2015, Tabetha Boyajian, astrofísica da Louisiana State University, descobriu algo incomum – o brilho da estrela diminuía irregularmente durante um período de dias ou semanas.

As observações de Boyajian mostraram que, às vezes, o brilho da estrela reduzia apenas um pouco, mas noutros momentos, caía até 22%. Investigações subsequentes de outra equipa de cientistas mostraram que o brilho geral da estrela – que está localizada a mais de mil anos-luz da Terra na constelação de Cygnus – também estava a diminuir com o tempo.

O escurecimento irregular da estrela – que só foi visto em poucas outras estrelas – foi objecto de intenso debate entre os cientistas, que propuseram várias explicações, mas nenhuma das quais explica definitivamente o comportamento incomum.

Uma das hipóteses apresentadas afirma que as reduções de luz estão a ser causadas por uma nuvem de cometas em desintegração que orbitam a estrela. Outros cientistas até sugeriram que a existência de “megaestrutura alienígena” em redor da estrela poderia ser a responsável.

Em 1960, o físico americano Freeman Dyson propôs a ideia de que uma civilização alienígena extremamente avançada e sedenta de poder poderia, em teoria, aproveitar a maioria da energia da sua estrela hospedeira, construindo uma vasta estrutura em torno dela para absorver a sua radiação.

Alguns sugeriram que uma esfera de Dyson em redor da estrela de Tabby poderia estar a bloquear a sua luz de uma maneira incomum. No entanto, essa ideia foi descartada pelos cientistas da grande maioria, que dizem que não explica de forma satisfatório o comportamento da estrela.

Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Columbia propôs uma nova explicação baseada em modelos astronómicos. Os astrónomos dizem que o escurecimento está a ser causado por uma exolua despedaçada, que está a derramar poeira e detritos, que se acumulam ao redor da estrela. As suas descobertas foram publicadas este mês na revista especializada Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

“A exolua é como um cometa de gelo que está a evaporar e a expelir estas rochas para o espaço”, disse Brian Metzger, autor do estudo, em comunicado, citado pelo Newsweek. “Eventualmente, a exolua evaporará completamente, mas demorará milhões de anos para que a lua seja derretida e consumida pela estrela. Temos muita sorte por ver este evento de evaporação acontecer”.

A exolua – qualquer satélite natural que orbita um corpo fora do nosso Sistema Solar – terá orbitado um exoplaneta dentro do Sistema Solar. No entanto, as poderosas forças gravitacionais do KIC 8462852 destruíram-no, de modo que a lua acabou por ficar em órbita ao redor da estrela.

Segundo os cientistas, a forte radiação da estrela bombardeou a lua, soprando camadas de gelo, poeira e rocha e formando nuvens que bloqueiam a luz ao redor da estrela em intervalos irregulares.

Se os resultados mais recentes forem confirmados por estudos futuros, os investigadores afirmam que isto forneceria evidências de que as exoluas são comuns em sistemas planetários de todo o universo.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

1398: O exoplaneta com a atmosfera de hélio que se está a esvaziar como um balão

O HAT-P-11b é quatro vezes maior que a Terra e está 20 vezes mais perto da sua estrela, na constelação de Cisne, que o nosso planeta do Sol.

Um artista imagina o exoplaneta HAT-P-11b e a sua atmosfera de hélio, junto à sua estrela
© DR/Denis Bajram

Uma equipa de astrónomos descobriu que um exoplaneta a 124 anos-luz da Terra, na constelação de Cisne (Cygnus), tem a sua atmosfera inchada devido à presença de hélio e está a esvaziar-se como um balão.

O HAT-P-11b, que foi descoberto em 2009, é quatro vezes maior do que a Terra (tem o tamanho de Neptuno), mas está 20 vezes mais próximo da sua estrela que o nosso planeta. Por isso, as temperaturas rondam os 550 graus Celsius.

A atmosfera deste exoplaneta está cheia de hélio, que faz com que o HAT-P-11b pareça inchado como um balão. Mas, segundo a equipa de astrónomos, esse hélio está a escapar-se da atmosfera gasosa do planeta. As descobertas foram publicadas na revista Science.

O hélio foi detectado pela primeira vez como uma linha amarela desconhecida na assinatura espectral durante um eclipse solar em 1868 e baptizado em homenagem ao deus grego do Sol, Hélio. Apesar de ser um elemento raro na Terra, é o segundo mais comum no universo, depois do hidrogénio.

A equipa de astrónomos é liderada por investigadores da Universidade de Genebra e inclui especialistas da Universidade de Exeter. A equipa observou o exoplaneta usando um espectrógrafo baptizado de Carmenes, que está instalado num telescópio de quatro metros em Calar Alto, Espanha.

O HAT-P-11b passa em frente à sua estrela, na constelação de Cisne, na visão de um artista
© NASA/JPL-Caltech

“O hélio é soprado do lado diurno do planeta para o lado nocturno a mais de dez mil quilómetros por hora”, disse Vincent Bourrier, um dos co-autores do estudo e membro do projecto Future of Upper Atmospheric Characterisation of Exoplanets with Spectroscopy, do Conselho Europeu de Investigação. “Por ser um gás tão leve, escapa facilmente da atracção do planeta e forma uma nuvem alargada em seu redor”, acrescentou, citado no comunicado de imprensa divulgado pela Universidade de Exeter.

“Esta é uma descoberta excitante, especialmente porque o hélio só foi detetado na atmosfera de exoplanetas pela primeira vez no início deste ano. As observações mostram que o hélio está a ser soprado para fora do planeta por causa da radiação da sua estrela. Esperamos usar este novo estudo para descobrir que tipos de planetas têm grandes envelopes de hidrogénio e hélio e durante quanto tempo conseguem segurar os gases nas suas atmosferas”, indicou Jessica Spake, no departamento de astronomia de Exeter.

Diário de Notícias
Susana Salvador
08 Dezembro 2018 — 23:22

[vasaioqrcode]