3179: Descobertos os primeiros exemplares dos misteriosos cones egípcios

CIÊNCIA

(dr) Stevens et al., Antiquity, 2019

Há uma peça usada recorrentemente no Antigo Egipto que, desde sempre, intrigou os cientistas. Em estátuas, murais, ou caixões, os cones na cabeça estavam sempre presentes.

Segundo o Science Alert, arqueólogos conseguiram identificar, pela primeira vez, dois desses cones, feitos de cera e que adornavam as cabeças de esqueletos de há 3.300 anos encontrados em Amarna, localidade que funcionou como capital durante o reinado do faraó Aquenáton sob o nome Aquetaton.

De acordo com o estudo, agora publicado na revista científica Antiquity, estes cones confirmam que eram usados nos mortos e que não eram exclusivamente um adereço das grandes elites.

Além disso, “a descoberta de Amarna reforça a ideia de que os cones também eram usados pelos vivos, embora seja ainda difícil determinar com que frequência e porquê”, acrescentam os investigadores.

Os dois esqueletos pertenciam a uma mulher, com cerca de 29 anos, e a uma outra pessoa cujo sexo não foi determinado, com uma idade entre os 15 e os 20 anos.

Embora estas descobertas não revelem o verdadeiro objectivo dos cones, fornecem mais alguns detalhes. Por exemplo, as duas sepulturas eram simples e sem inscrição, de um cemitério que se pensa ter sido principalmente para a classe trabalhadora.

De acordo com o mesmo site, isto pode significar uma de duas coisas: ou os cones eram usados por todas as classes da sociedade ou, como se trata de um enterro relativamente recente, os trabalhadores decidiram copiar a nobreza.

Há várias teorias sobre o principal propósito destes cones. Uma delas acabou de ser deitada por terra, uma vez que sugeria que os cones não eram um objecto real, mas algo semelhante aos halos que aparecem à volta das cabeças dos santos católicos.

Outra hipótese é a de que os cones continham uma substância perfumada que, ao derreter, caía no cabelo e no corpo da pessoa numa espécie de ritual de purificação. Porém, a análise feita aos cones e ao cabelo nos restos mortais não encontrou esse tipo de vestígios.

Em vez disso, os cones pareciam ser uma concha oca, moldada ou reforçada por tecido. É possível que fossem criados apenas para fins de enterro, e que os chapéus usados no quotidiano fossem feitos de maneira diferente. Mas também parece plausível que os cones possam ter sido um tipo de chapéu formal para certos eventos.

“Não há razão para supor que também não fossem usados em vida. Mesmo perfumados, podiam não ter a intenção de derreter, servindo mais para marcar a pessoa como alguém que estava num estado purificado, protegido ou ‘especial’”, escrevem os investigadores.

“No caso de Aquetaton, podemos provavelmente interpretar estes cones como parte de um conjunto de apetrechos pessoais considerados apropriados para usar numa série de celebrações e rituais, envolvendo os vivos, os mortos, Áton e outras divindades”.

ZAP //

Por ZAP
12 Dezembro, 2019

spacenews