3844: A mais longa cauda de um cometa estendeu-se por mais de mil milhões de quilómetros

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Uma equipa de cientistas detectou a cauda de cometa mais longa alguma vez observada, com um comprimento superior a mil milhões de quilómetros.

As descobertas da sonda Cassini, da NASA, revelaram um cometa com uma cauda que se estendia mais de sete vezes a distância entre a Terra e o Sol, um comprimento superior a mil milhões de quilómetros.

Para fazer esta descoberta, os astrónomos tiveram de analisar dados de há quase 20 anos. Em 2002, a sonda Cassini detectou um número crescente de protões enquanto viajava entre as órbitas de Júpiter e Saturno.

Os cientistas não encontraram uma justificação para este fenómeno, mas Geraint Jones, da University College London, suspeita que estes protões são provenientes da cauda ionizada do cometa 153P/Ikeya-Zhang.

Segundo o New Scientist, as interacções entre o Sol e um cometa em órbita podem fazer com que o corpo solte dois tipos de cauda. A mais conhecida é a cauda de poeira, produzida à medida que a radiação solar derrete o núcleo do cometa, deixando um rasto de poeira e gás preso na chamada “bola de neve suja”.

Há ainda a causa de iões, formada quando a radiação ioniza o gás neutro no núcleo do cometa. Neste caso, os protões removidos do hidrogénio durante a ionização podem ter sido transportados pelo vento solar na direcção de Cassini.

Apesar do impressionante comprimento da cauda do 153P/Ikeya-Zhang, é importante ressalvar que as sondas espaciais raramente se cruzam com as caudas dos cometas. O artigo científico está disponível para consulta no arXiv.

ZAP //

Por ZAP
15 Junho, 2020

 

spacenews

 

3770: Solar Orbiter atravessa as caudas do cometa ATLAS

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS), obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA no dia 23 de Abril de 2020. O Hubble conseguiu resolver aproximadamente 25 fragmentos do cometa nesta imagem.
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA), Q. Ye (Universidade de Maryland)

A Solar Orbiter da ESA irá atravessar as caudas do Cometa ATLAS durante os próximos dias. Embora a recém-lançada aeronave não estivesse, neste momento, programada para receber dados científicos, especialistas da missão trabalharam para garantir que os quatro instrumentos mais relevantes fossem ligados durante o singular encontro.

A Solar Orbiter foi lançada no dia 10 de Fevereiro de 2020. Desde então, e com excepção de uma breve desactivação devida à pandemia de coronavírus, cientistas e engenheiros têm vindo a realizar uma série de testes e rotinas de configuração conhecidas como comissionamento.

A data de conclusão desta fase foi fixada a 15 de Junho, para que a sonda pudesse estar totalmente funcional para a sua primeira passagem próxima ao Sol, ou periélio, em meados de Junho. No entanto, a descoberta do encontro casual com o cometa tornou as coisas mais urgentes.

O voo fortuito pela cauda de um cometa é um evento raro para uma missão espacial, algo que os cientistas sabem que aconteceu anteriormente apenas seis vezes em missões que não estavam especificamente em perseguição a cometas. Todos esses encontros foram descobertos nos dados da aeronave após o evento. A próxima travessia da Solar Orbiter é a primeira prevista com antecedência.

Foi observado por Geraint Jones, do UCL Mullard Space Science Laboratory, Reino Unido, que tem 20 anos de história a investigar estes encontros. Descobriu a primeira travessia acidental da cauda em 2000, enquanto investigava uma estranha perturbação nos dados registados pela sonda solar Ulysses da ESA/NASA, em 1996. Este estudo revelou que a sonda havia passado pela cauda do Cometa Hyakutake, também conhecido como “O Grande Cometa de 1996”. Logo após o anúncio, Ulysses cruzou a cauda de outro cometa e depois um terceiro em 2007.

No início deste mês, ao perceber que a Solar Orbiter estaria a 44 milhões de quilómetros a jusante do cometa C/2019 Y4 (ATLAS) dentro de algumas semanas, Geraint alertou imediatamente a equipa da ESA.

Ciência extra

A Solar Orbiter está equipada com um conjunto de 10 instrumentos de sensoriamento remoto e in situ para investigar o Sol e o fluxo de partículas carregadas que este liberta para o espaço – o vento solar. Felizmente, os quatro instrumentos in situ também são perfeitos para detectar as caudas do cometa, porque medem as condições ao redor da aeronave e, assim, podem enviar dados sobre os grãos de poeira e as partículas electricamente emitidas pelo cometa. Estas emissões criam as duas caudas do cometa: a cauda de poeira, que é deixada para trás na órbita do cometa, e a cauda de iões que aponta directamente para o Sol.

A Solar Orbiter cruzou a cauda de iões do cometa ATLAS entre 31 de maio e 1 de Junho e vai cruzar a cauda de poeira a 6 de Junho. Se a cauda de iões for densa o suficiente, o magnetómetro da Solar Orbiter (MAG) poderá detectar a variação do campo magnético interplanetário devido à sua interacção com iões na cauda do cometa, enquanto o instrumento SWA (Solar Wind Analyser) poderá capturar directamente algumas partículas da cauda.

Quando a Solar Orbiter cruzar a cauda de poeira, dependendo da sua densidade – o que é extremamente difícil de prever – é possível que um ou mais grãos minúsculos de poeira atinjam a aeronave a velocidades de dezenas de quilómetros por segundo. Embora não haja risco significativo para a aeronave, os grãos de poeira serão vaporizados no impacto, formando pequenas nuvens de gás ou plasma electricamente carregado, os quais podem ser detectados pelo instrumento RPW (Radio and Plasma Waves).

“Um encontro inesperado como este oferece uma missão com oportunidades e desafios únicos, mas isso é bom! Oportunidades como esta fazem parte da aventura da ciência,” diz Günther Hasinger, Director de Ciências da ESA.

Um desses desafios era que parecia improvável que todos os instrumentos estivessem prontos a tempo devido ao comissionamento. Agora, graças a um esforço especial das equipas de instrumentos e da equipa de operações de missão da ESA, todos os quatro instrumentos no local estarão ligados e a recolher dados, mesmo que em determinados momentos os instrumentos precisem voltar ao modo de comissionamento, de modo a garantir que o prazo de 15 de Junho é cumprido.

“Com estas advertências, estamos prontos para o que o Cometa ATLAS tem para nos dizer,” diz Daniel Müller, Cientista do Projecto Solar Orbiter da ESA.

Esperar o inesperado

Outro desafio envolve o comportamento do cometa. O Cometa ATLAS foi descoberto no dia 28 de Dezembro de 2019. Durante os meses seguintes, ficou tão brilhante que os astrónomos se questionaram se seria visível a olho nu em maio.

Infelizmente, no início de Abril o cometa fragmentou-se. Como resultado, o seu brilho também caiu significativamente, roubando as vistas aos observadores do céu. Uma fragmentação adicional, em meados de maio, diminuiu ainda mais o cometa, tornando-o menos provável de ser detectado pela Solar Orbiter.

Embora as probabilidades de detecção tenham diminuído, ainda vale a pena fazer o esforço, de acordo com Geraint.

“A cada encontro com um cometa, aprendemos mais sobre estes intrigantes objectos. Se a Solar Orbiter detectar a presença do Cometa ATLAS, aprenderemos mais sobre como os cometas interagem com o vento solar e podemos verificar, por exemplo, se as nossas expectativas em relação ao comportamento da cauda de poeira estão de acordo com os nossos modelos,” explica. “Todas as missões que encontram cometas fornecem peças do quebra-cabeças.”

Geraint é o principal investigador da futura missão Comet Interceptor da ESA, que consiste em três naves espaciais e está programada para ser lançada em 2028. A missão fará um sobrevoo muito mais próximo de um cometa ainda desconhecido que será seleccionado entre os cometas recém-descobertos mais perto do tempo do lançamento (ou mesmo depois disso).

Tocar ao de leve o Sol

Actualmente, a Solar Orbiter está a circular a nossa estrela-mãe entre as órbitas de Vénus e Mercúrio, com o seu primeiro periélio a ocorrer a 15 de Junho, a cerca de 77 milhões de quilómetros do Sol. Nos próximos anos, ficará muito mais próximo, dentro da órbita de Mercúrio, a cerca de 42 milhões de quilómetros da superfície solar. Enquanto isso, o Cometa ATLAS já está lá, aproximando-se do seu próprio periélio a 31 de maio, a cerca de 37 milhões de quilómetros do Sol.

“Este cruzamento da cauda também é emocionante porque ocorrerá, pela primeira vez, a distâncias tão próximas do Sol, com o núcleo do cometa dentro da órbita de Mercúrio,” diz Yannis Zouganelis, Cientista Adjunto do Projecto Solar Orbiter da ESA.

Compreender o ambiente de poeira na região mais interna do Sistema Solar é um dos objectivos científicos da Solar Orbiter.

“Os cometas próximos do Sol, como o Cometa ATLAS, são fontes de poeira na heliosfera interna e, portanto, este estudo não apenas nos ajudará a entender o cometa, mas também o ambiente de poeira da nossa estrela,” acrescenta Yannis.

Olhar para um objecto gelado em vez do Sol escaldante é certamente uma maneira emocionante – e inesperada – para a Solar Orbiter iniciar a sua missão científica, mas essa é a natureza da ciência.

“A descoberta científica baseia-se num bom planeamento e acaso. Nos três meses desde o lançamento, a equipa da Solar Orbiter já provou que está pronta para os dois,” diz Daniel.

Astronomia On-line
2 de Junho de 2020

 

spacenews

 

3703: Astrónomo amador descobre cometa graças a dados da NASA

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESA/NASA/SOHO

Um astrónomo amador norte-americano descobriu um cometa recorrendo a dados captados por uma sonda espacial da NASA.

A informação é avançada pela própria agência espacial norte-americana numa nota no seu site oficial, na qual detalha que o corpo celeste descoberto por Michael Mattiazzo será visível a olho nu no final de maio e início de Junho.

O cometa, descoberto com a ajuda de um instrumento do observatório solar do SOHO, foi detectado pela primeira vez em Abril passado por Mattiazzo.

Apesar de os dados do SOHO terem já culminado na descoberta de 3.932 cometas, o corpo encontrado por Mattiazzo é apenas o 12.º descoberto recorrendo à ajuda de um instrumento específico deste aparelho, o Solar Wind Anisotropies (SWAN).

Recorrendo a esta ferramenta, escreve ainda a NASA, este astrónomo amador já tinha descoberto antes outros 8 cometas.

Baptizado de C / 2020 F8, apesar de ser também conhecido como “Cometa SWAN”, este corpo aproximou-se da Terra no passado dia 13 de Maio, ficando a 13 milhões de quilómetros do nosso planeta. A sua maior aproximação ocorrerá a 27 deste mês.

“Actualmente, o cometa é pouco visível a olho nu no hemisfério sul, pouco antes do nascer do Sol, proporcionando aos observadores dos céus uma visão relativamente rara de um cometa brilhante o suficiente para ser visto sem um telescópio”, nota a NASA.

Os cientistas esperam agora que o “cometa SWAN” permaneça brilhante o suficiente para ser visto a olho nu enquanto continua a sua jornada.

ZAP //

Por ZAP
16 Maio, 2020

 

spacenews

 

3622: Hubble captura fragmentação do Cometa ATLAS

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagens do Cometa ATLAS, pelo Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de abril.
Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA), Q. Ye (Universidade de Maryland)

O Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA forneceu aos astrónomos a visão mais nítida até ao momento do colapso do Cometa C/2019 Y4 (ATLAS). O telescópio resolveu aproximadamente 30 fragmentos do frágil cometa no dia 20 de Abril e 25 pedaços no dia 23 de Abril.

O cometa foi descoberto pela primeira vez em Dezembro de 2019 pelo sistema robótico de levantamento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) no Hawaii, EUA. Aumentou rapidamente de brilho até meados de Março, e alguns astrónomos previram inicialmente que talvez ficasse visível a olho nu em maio para se tornar um dos cometas mais espectaculares vistos nas últimas duas décadas. No entanto, o cometa começou abruptamente a ficar mais fraco, levando os astrónomos a especular que o núcleo de gelo podia estar a fragmentar-se, ou até a desintegrar-se. A fragmentação do ATLAS foi confirmada pelo astrónomo amador José de Queiroz, que fotografou cerca de três fragmentos do cometa no dia 11 de Abril.

As novas observações da fragmentação do cometa, pelo Telescópio Espacial Hubble, obtidas nos dias 20 e 23 de Abril, revelam que os pedaços estão todos envoltos numa cada de poeira cometária, varrida pela luz do Sol. Estas imagens fornecem mais evidências de que a fragmentação dos cometas é provavelmente comum e pode até ser o mecanismo dominante pelo qual os núcleos sólidos e gelados dos cometas morrem.

“A sua aparência muda substancialmente entre os dois dias, tanto que é bastante difícil ligar os pontos,” disse David Jewitt da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), líder de uma das equipas que fotografou o cometa condenado com o Hubble. “Não sei se isto é porque as peças individuais piscam quando refletem a luz do Sol, agindo como luzes cintilantes numa árvore de Natal, ou porque fragmentos diferentes aparecem em dias diferentes.”

“Isto é realmente emocionante – tanto porque estes eventos são incríveis de observar e porque não acontecem com muita frequência. A maioria dos cometas que se fragmentam são demasiado fracos para ver. Eventos a esta escala só acontecem duas vezes por década,” disse o líder da segunda equipa de observação do Hubble, Quanzhi Ye, da Universidade de Maryland.

Tendo em conta que a fragmentação cometária ocorre de forma rápida e imprevisível, as observações fiáveis são raras. Portanto, os astrónomos permanecem bastante incertos sobre a causa da fragmentação. Uma sugestão é que o núcleo original se quebre em pedaços por causa da acção dos jactos que expelem gelos via sublimação. Dado que este fluxo provavelmente não está disperso uniformemente pelo cometa, agudiza a fragmentação. “Uma análise mais aprofundada dos dados do Hubble pode mostrar se este mecanismo é ou não responsável,” disse Jewitt. “Independentemente disso, é maravilhoso o Hubble observar este cometa moribundo.”

As imagens nítidas do Hubble podem fornecer novas pistas sobre a separação. O telescópio distinguiu peças distintas tão pequenas quanto uma casa. Antes da fragmentação, todo o núcleo não podia ter mais do que o comprimento de dois campos de futebol.

O cometa ATLAS, em desintegração, está actualmente localizado dentro da órbita de Marte, a uma distância de mais ou menos 145 milhões de quilómetros da Terra quando as últimas observações do Hubble foram feitas. O cometa fará a sua maior aproximação à Terra no dia 23 de maio a uma distância de aproximadamente 115 milhões de quilómetros e, oito dias depois, passará pelo Sol a 37 milhões de quilómetros de distância.

Astronomia On-line
1 de Maio de 2020

 

spacenews

 

3538: Borisov, segundo viajante interestelar partiu-se em dois e veio para “morrer”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Oumuamua e Borisov são os dois únicos objectos interestelares que foram “avistados” a passar pelo Sistema Solar. O primeiro foi descoberto a 19 de Outubro de 2017. Na altura, este enigmático asteróide foi mesmo alvo de especulação quando foi referido por alguns investigadores poder tratar-se de uma nave alienígena encalhada. Posteriormente, a 30 de Agosto de 2019, um astrónomo amador, Gennady Borisov, descobria aquele que era o segundo viajante vindo de muito longe.

Agora, os astrónomos estão quase certos de que o 2I/Borisov é um cometa e que se parece bastante com os cometas que temos no “nosso bairro cósmico”. No entanto, o corpo acaba de proporcionar uma surpresa: começou a dividir-se em dois. Como já foi previsto, é provável que tenha chegado até aqui para “morrer”.

Cometa “partiu-se” em dois no caminho da sua morte

As imagens do telescópio espacial Hubble do objecto interestelar mostram uma mudança distinta na aparência deste cometa único. Segundo os registos de 23 de Março, é perceptível um único núcleo com brilho interno, como se viu em todas as imagens Hubble anteriores do 2I/Borisov.

Contudo, foram nestas imagens que apareceu posteriormente uma novidade. No dia 30 de Março novas imagens deram conta que existem agora “dois componentes não resolvidos separados por 0,1 segundos de arco (180 quilómetros à distância do cometa) e alinhados com o eixo principal do maior ponto de detritos”. Ou seja, existem dois organismos distintos.

Imagem captada pelo Telescópio Hubble do cometa interestelar Borisov que é 14 vezes maior que a Terra

A dupla aparência, que indica a ejecção de um fragmento do núcleo, é confirmada nos dados de Hubble de 28 de Março. Estas imagens foram publicadas na sua conta do Twitter pelo utilizador Astropierre.

astropierre @astropierre

La comète 2I/Borisov, première comète détectée à provenir d’en-dehors du Système solaire et découverte l’année dernière, aurait commencé à se scinder en deux la semaine dernière.http://www.astronomerstelegram.org/?read=13611 

Borisov, o cometa que é 14 vezes maior que a Terra

Segundo vários cientistas do The Astronomer’s Telegram, se a ejecção ocorreu em 23 de Março, então a velocidade estimada do plano do céu é de 0,3 metros por segundo, um valor típico das velocidades de separação observadas em cometas divididos (sistema solar) e comparáveis à velocidade gravitacional de fuga do núcleo de raio de sub-quilómetro do 2I/Borisov.

A 12 de Março, já tinham sido registadas explosões no núcleo do cometa. Tal fenómeno seria causado pela abordagem de Borisov ao Sol. Portanto, esta tem sido uma possibilidade que os cientistas têm considerado desde a sua aproximação à nossa estrela em Dezembro.

O que está a acontecer com Borisov será possivelmente o que acontece a todos os cometas. Tendo em conta que são um corpo formado a partir de detritos espaciais congelados, ao passar perto de uma fonte de calor, a reacção é a da interacção desse calor com o seu gelo.

Pplware
05 Abr 2020
spacenews

 

 

3497: Sais de amónio descobertos no cometa da Rosetta

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esquerda – uma superfície cometária “artificial” criada em laboratório; Direita – imagem do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.
Crédito: Esquerda – O. Poch, IPAG, UGA/CNES/CNRS; Direita – ESA/Rosetta/NavCam

Através da análise de dados recolhidos pelo instrumento VIRTIS (Visible, Infrared and Thermal Imaging Spectrometer) da missão Rosetta da ESA, entre Agosto de 2014 e Maio de 2015, os cientistas detectaram sais de amónio na superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko.

O novo estudo, liderado por Olivier Poch do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, França, e publicado na revista Science, acrescenta às medições complementares obtidas na atmosfera do cometa, ou cabeleira, usando outro instrumento, o ROSINA (Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis) da Rosetta e publicadas na Nature Astronomy no início deste ano.

À medida que o VIRTIS mapeava o cometa durante a primeira metade da missão da Rosetta, os dados revelaram como a sua superfície é tão escura quanto carvão e ligeiramente avermelhada por uma mistura de compostos à base de carbono e minerais opacos. O instrumento também detectou manchas locais de água gelada e dióxido de carbono gelado, juntamente com uma característica de absorção intrigante, mas quase omnipresente, que ronda os 3,2 µm (no infravermelho). A natureza da substância que podia provocar esta característica, no entanto, permaneceu incerta até agora.

Para resolver o enigma, uma equipa de cientistas tem criado superfícies cometárias “artificiais” em laboratório, testando as suas propriedades e comparando-as com as observações VIRTIS. Com este objectivo, os cientistas produziram finas partículas de água gelado contendo grãos de poeira escura e uma variedade de compostos. Em seguida, expuseram estas partículas a condições semelhantes às dos cometas – vácuo e baixa temperatura. Após várias horas, todo o gelo havia sublimado, deixando uma superfície feita de poeira porosa, análoga a uma superfície cometária.

O resultado de tais experiências indica que a misteriosa característica de absorção observada pelo VIRTIS no Cometa 67P é predominantemente devida a sais de amónio (NH4+), misturados com poeira escura e detectados em todos os tipos de terrenos do cometa.

A presença destes sais pode aumentar consideravelmente a quantidade de azoto que os cientistas esperavam encontrar anteriormente neste cometa e, possivelmente, noutros cometas também. Os resultados estão em concordância com a detecção recente, pelo instrumento ROSINA na Rosetta, de gases produzidos pela sublimação de sais de amónio em grãos de poeira ejectados do cometa.

Uma característica de absorção parecida também foi observada em vários asteróides, tanto nos da cintura principal como na família de Troianos de Júpiter, além de na lua de Júpiter, Himalia, sugerindo que estes corpos também contêm sais de amónio. A presença destes sais pode sugerir uma ligação na composição química entre asteróides, cometas e possivelmente a nebulosa proto-solar, fornecendo um cenário tentador para a entrega do azoto – um elemento-chave para a química da vida como a conhecemos na Terra – aos planetas do Sistema Solar interior.

Astronomia On-line
17 de Março de 2020

 

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A Rosetta e o cometa “camaleónico”

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, obtida pela sonda Rosetta no dia 7 de Julho de 2015 a uma distância de 154 km do centro do cometa.
Crédito: ESA/Rosetta/NAVCAM

Uma grande síntese dos dados da Rosetta mostrou como o seu cometa alvo mudou de cor repetidamente durante os dois anos em que foi observado pela sonda. O núcleo camaleónico do cometa tornou-se progressivamente menos vermelho ao passar mais perto do Sol, e depois novamente vermelho ao regressar ao espaço profundo.

O cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko muda de cor dependendo do seu ambiente, assim como um camaleão. Ao contrário do camaleão, as mudanças de cor em 67P/C-G refletem a quantidade de água gelada exposta à superfície e nos arredores do cometa.

No início da missão da Rosetta, a nave encontrou-se com o cometa enquanto ainda estava longe do Sol. A tais distâncias, a superfície estava coberta de camadas de poeira e pouco gelo era visível. Isto significava que a superfície parecia vermelha quando analisada com o instrumento VIRTIS (Visible and Infrared Thermal Imaging Spectrometer).

À medida que o cometa se aproximava, atravessou uma fronteira importante, conhecida como linha de neve. A uma distância de aproximadamente 3 vezes a distância Terra-Sol, qualquer coisa dentro da linha de neve será aquecida o suficiente pelo Sol para que o gelo se transforme em gás, um processo chamado sublimação.

À medida que a Rosetta seguia 67P/C-G através da linha de neve, o instrumento VIRTIS começou a notar a cor do cometa a mudar. Enquanto este se aproximava do Sol, o aquecimento aumentou e a água gelada oculta começou a sublimar, afastando também os grãos de poeira. Isto revelou camadas de gelo cristalino, o que fez o núcleo ficar mais azul, como visto pelo VIRTIS.

Em torno do núcleo do cometa, a situação foi revertida. Quando o cometa estava longe do Sol, havia pouca poeira ao redor do cometa, mas a que existia continha água gelada e, portanto, parecia mais azul. Esta nuvem de poeira em redor é chamada de coma ou cabeleira.

Quando o cometa atravessou a linha de neve, o gelo nos grãos de poeira em redor do núcleo sublimou rapidamente, deixando apenas os grãos de poeira desidratados. E assim a coma ficou mais vermelha ao aproximar-se do periélio, a sua menor distância ao Sol.

Quando o cometa estava a voltar para o Sistema Solar exterior, o VIRTIS mostrou que a situação das cores reverteu-se novamente, de modo que o núcleo ficou mais vermelho e a cabeleira mais azul.

Para rastrear a evolução do cometa, a equipa do VIRTIS teve que analisar mais de 4000 observações separadas ao longo de dois anos da missão Rosetta.

“Para responder à grande questão de como um cometa funciona, é muito importante ter uma série temporal longa como esta,” diz Gianrico Filacchione, do INAF-IAPS (Instituto de Astrofísica e Planetologia Espacial), que liderou o estudo.

A razão é que os cometas são ambientes extremamente dinâmicos. Os jactos tendem a aparecer rapidamente às suas superfícies e depois diminuem de forma igualmente repentina. Portanto, comparar instantâneos ocasionais arrisca a que a nossa compreensão da evolução a longo prazo do cometa seja influenciada pelas mudanças transitórias. No entanto, com uma quantidade tão grande de medições, significa que até mesmo mudanças a curto prazo podem ser rastreadas.

“A correlação do que está a acontecer no núcleo é algo completamente novo que não pode ser feito a partir da Terra,” diz Gianrico.

Isto porque as observações a partir do solo não podem resolver o núcleo de um cometa, que no caso de 67P/C-G tem apenas mais ou menos 3 km de tamanho. Agora que a equipa pode descrever e entender a evolução a longo prazo do cometa e os passos dados ao longo do caminho, isto significa que as leituras de outros instrumentos a bordo da Rosetta podem ser contextualizadas.

Mas isso não significa que sabemos tudo sobre cometas. A análise espectral mostra que a cor vermelha da poeira é criada pelas chamadas moléculas orgânicas. Estas são moléculas feitas de carbono e há uma rica variedade delas no cometa. Os cientistas pensam que são importantes para entender como a vida se formou na Terra.

No entanto, para as estudar mais de perto e para identificar estas moléculas, seria necessário que uma amostra da superfície do cometa fosse enviada para a Terra.

“Trazer para a Terra um pedaço do cometa é realmente o Santo Graal de uma missão cometária,” diz Gianrico.

Até que isso seja possível, continuará a usar os dados do VIRTIS para investigar substâncias orgânicas em 67P/C-G.

“Definitivamente, estão por chegar resultados mais emocionantes,” diz Matt Taylor, cientista do projecto Rosetta da ESA, “a recolha de dados pode ter terminado, mas a análise e os resultados vão continuar durante anos, aumentando o rico legado de conhecimento cometário fornecido pela Rosetta.”

Astronomia On-line
11 de Fevereiro de 2020

 

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3373: Portuguesa Zita Martins participa em missão espacial inédita que vai interceptar cometa primitivo

CIÊNCIA

Uma missão espacial europeia, com a participação da astro-bióloga portuguesa Zita Martins, vai procurar interceptar pela primeira vez um cometa primitivo, inalterado pela radiação do Sol, para obter respostas sobre a origem da vida na Terra.

© Orlando Almeida / Global Imagens

A missão da Agência Espacial Europeia (ESA) “Comet Interceptor” (Interceptor de Cometa, em tradução livre) tem lançamento previsto para 2028 e será a primeira a recolher informação sobre um cometa que nunca se aproximou do Sol e, por isso, se manteve inalterado desde a sua formação.

“Apanhar” tais cometas tem sido difícil, uma vez que só podem ser detectados quando se aproximam do Sol pela primeira vez, deixando pouco tempo para planear e enviar uma missão espacial na sua direcção.

A missão “Comet Interceptor”, que conta com a colaboração da agência espacial japonesa (JAXA), vai colocar uma sonda a 1,5 milhões de quilómetros da Terra, na direcção contrária ao Sol.

Em conjunto com telescópios terrestres, um deles a ser construído no Chile, o aparelho irá permitir detectar um cometa proveniente da Nuvem de Oort, região nos confins do Sistema Solar, e eventualmente corpos interestelares que entraram no Sistema Solar pela primeira vez e estão na trajectória de aproximação ao Sol.

Assim posicionada, a sonda, a principal, será um “ponto de espera” a um desses cometas, disse à Lusa Zita Martins, especialista no estudo da origem da vida na Terra e a única cientista portuguesa que integra a equipa internacional que vai analisar os dados recolhidos na missão.

Depois de identificar o cometa até então desconhecido, a sonda viajará durante meses ou anos pelo espaço para estar no sítio e no momento certos para interceptar o cometa quando este cruzar o plano da elíptica, o plano da órbita da Terra em relação ao Sol.

Duas sondas mais pequenas serão libertadas da sonda principal antes de se aproximarem do cometa. São estes dois aparelhos que vão circundar o cometa e recolher o máximo de informação possível, incluindo sobre a composição da sua superfície, a forma e estrutura.

Todos os dados obtidos serão transmitidos para telescópios terrestres através da sonda principal com a qual comunicam.

Para Zita Martins, professora no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, interceptar um cometa primitivo é como entrar na “máquina do tempo”, uma vez que possibilitará desvendar quais “as moléculas orgânicas” disponíveis no início da formação do Sistema Solar e, assim, dar pistas mais concretas sobre a origem da vida na Terra.

Os cometas, vulgarmente descritos como “bolas de gelo sujas”, têm na sua composição, além de gelo, poeira, fragmentos rochosos, gás e compostos orgânicos (estes últimos terão chegado à Terra fruto do impacto dos cometas na superfície terrestre).

Missões espaciais anteriores estudaram cometas que entraram várias vezes no Sistema Solar e passaram perto do Sol, que produziu alterações na sua superfície, escondendo a sua aparência original.

A sonda europeia Rosetta orbitou durante dois anos, entre 2014 e 2016, o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter. Foi a primeira vez que uma sonda orbitou um cometa e teve um módulo robótico na sua superfície.

A missão “Comet Interceptor” será lançada à boleia de uma outra, a Ariel, também da ESA, que vai estudar a composição química da atmosfera de exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) já descobertos e que conta também com a participação de cientistas portuguesas.

Diário de Notícias

DN/Lusa

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3250: As estrelas estão a “lançar” cometas para a Terra

CIÊNCIA

ESO

Já muitos astrónomos o suspeitavam, mas nunca tinha sido confirmado. Agora, cientistas observaram, pela primeira vez, estrelas a “lançar” cometas em direcção ao nosso Sistema Solar.

Os astrónomos polacos conseguiram identificar as duas estrelas “culpadas”, depois de estudar em detalhe os movimentos de outras 600 estrelas próximas, todas a uma distância máxima de 13 anos-luz do Sol. A descoberta valida uma teoria que já tem mais de 50 anos.

Segundo a teoria, explica o Canal Tech, as estrelas e os cometas formam uma espécie de parceiros de dança no Universo. De acordo com a tese, os cometas são atirados para dentro do Sistema Solar a partir da nuvem de Oort pela acção da gravidade de alguns astros brilhantes que passam brevemente perto da nossa vizinhança.

A nuvem de Oort, proposta inicialmente em 1932 por Ernst Öpik e retomada em 1950 pelo astrónomo Jan Oort, é um aglomerado de objectos que fica a pelo menos 50 mil unidades astronómicas de distância do Sol – é cerca de 66 vezes a distância de Neptuno ao astro. Acredita-se que este seja o limite do Sistema Solar.

A tese é que os cometas são objectos que saem desta nuvem para entrar no sistema, empurrados pela acção de alguma estrela de outro sistema.

O novo artigo sugere que a teoria pode ter alguma correlação com a realidade. Aceite para ser publicado no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, o estudo, que está disponível no ArXiv, descreve o cálculo que os astrónomos fizeram para identificar que algumas estrelas mudaram significativamente a órbita de alguns cometas no Sistema Solar.

“No nosso estudo, descobrimos apenas dois casos em que isso realmente aconteceu e, ainda assim, observamos dúzias de cometas todo ano”, disse a autora principal do estudo, Rita Wysoczańska, citada pelo Live Science. Foram observadas cerca de 650 estrelas, calculando as suas trajectórias e, então, verificando se as suas órbitas têm alguma coincidência com as de 270 cometas de longo período.

Foram criados modelos para os pares possíveis de estrelas e cometas, para identificar um ponto em comum entre eles. Depois, removiam a estrela para se certificar de que o astro realmente influenciou a órbita de cada cometa.

Agora, segundo a ABC, os cientistas acreditam que a órbita dos cometas é influenciada por um conjunto forças gravitacionais de estrelas ainda mais distantes, que criam as órbitas de longo período dos cometas. Ao entrarem no Sistema Solar, os objectos passam a sofrer a influência dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
23 Dezembro, 2019

 

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3220: 2I/Borisov aproxima-se da Terra a mais de 170.000 km/hora

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

2I/Borisov, o primeiro cometa interestelar já confirmado no Sistema Solar, continua a sua viagem e aproxima-se da Terra a 177.000 quilómetros por hora, segundo novos dados do Telescópio Espacial Hubble. 2I/Borisov

No próximo dia 28 de Dezembro, o cometa, que foi descoberto no fim de Agosto pelo astrónomo amador russo Guennadi Borísov, passará na sua distância mínima ao nosso planeta, a cerca de 289,8 milhões de quilómetros, avança a SciNews.

Depois, continuará o seu caminho rumo ao outro lado do nosso sistema planetário.

A velocidade do 2I/Borisov aumentou após passar o perélio – o ponto da sua trajectória mais próximo do Sol, atingindo os 177.000 quilómetros por hora. Este é o cometa mais rápido já observado. Por norma, estes corpos viajam a metade desta velocidade.

De acordo com os cientistas, a sua velocidade, bem como a sua trajectória incomum, indicam sem dúvidas que se trata de um corpo que veio de fora do Sistema Solar.

Além disso, o 2I/Borisov tem ainda uma peculiaridade que o diferencia de outros objectos semelhantes: a sua trajectória aproxima-se mais de uma linha recta do que de uma eclipse, o que o distingue claramente dos corpos do nosso Sistema Solar.

Os cientistas não sabem ainda de que sistema estelar é oriundo o 2I/Borisov, apesar de terem conseguido definir com bastante precisão a sua trajectória.

Pouco depois da sua descoberta, uma equipa de astrónomos da Polónia apontou o sistema binário Kruger 60, na constelação de Cepheus, como local de formação deste corpo. Contudo, uma verificação posterior levada a cabo pelos mesmos autores refutou a teoria.

Alguns cientistas acreditam que o 2I/Borisov vai “morrer” ainda antes de chegar à Terra, defendendo que o cometa se vai desintegrar ao aproximar-se do Sol.

O cometa interestelar pode ser “assassinado” antes de chegar à Terra

Um visitante interestelar, que está a atravessar o nosso Sistema Solar, pode estar próximo de “morrer”, uma vez que provavelmente…

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18 Dezembro, 2019

 

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3154: NASA gravou acidentalmente a explosão de um cometa a aproximar-se do Sol

CIÊNCIA

Rolando Ligustri / phys.org

Astrónomos usaram dados do telescópio espacial TESS para estudar a explosão de um cometa durante a sua aproximação ao Sol.

A investigação resultou num artigo publicado em Novembro na revista científica Astrophysical Journal Letters. Foi a primeira vez que a humanidade conseguiu imagens tão claras de um evento deste género.

O cometa em questão é o 46P/Wirtanen, que teve o ponto de maior aproximação com a Terra em 16 de Dezembro do ano passado. A explosão de gás e poeira captada pelo TESS, entretanto, começou em 26 de Setembro, dissipando-se durante os 20 dias seguintes.

A explosão começou com um brilho forte e aconteceu em duas fases. O primeiro episódio durou cerca de uma hora e foi seguido por outro mais gradual, que foi aumentando a intensidade durante 8 horas. Os investigadores acreditam que a segunda fase pode ter ocorrido pelo espalhamento gradual da poeira, que aumentou a intensidade do brilho.

NASA @NASA

Boom: the most detailed observation of the formation & dissipation of a naturally-occurring comet outburst. @UofMaryland astronomers used @NASA_TESS data to capture a clear start-to-finish image sequence of the explosive emission of dust, ice & gases. https://go.nasa.gov/2RoOb95 

Após a explosão, de acordo com o CanalTech, o 46P/Wirtanen ficou praticamente indetectável durante duas semanas. Imagens do TESS são captadas a cada 30 minutos, o que permitiu aos astrónomos analisar cada fase da explosão com bastante detalhe.

“Com imagens frequentes num período de 20 dias, pudemos avaliar as mudanças de brilho com muita facilidade”, explicou Tony Farnham, autor principal do estudo, em comunicado. “Não conseguimos prever quando um cometa vai explodir. Mas mesmo que, de alguma forma, pudéssemos agendar essas observações, não poderíamos ter acertado melhor no tempo. A explosão aconteceu poucos dias depois de as observações começarem”.

Os cometas viajam pelo Sistema Solar geralmente acompanhados de um pouco de evaporação do gelo no seu núcleo. Conforme se aproximam do Sol, os gases aumentam, formando uma atmosfera difusa chamada “coma”. Essa actividade pode ser intensificada pela explosão espontânea de uma área da superfície.

Ainda não se sabe o que pode causar estas explosões, mas as imagens do TESS são o primeiro passo para compreendermos estes eventos, que até são comuns. Sabe-se que está relacionado com a actividade na superfície do cometa, mas o gatilho que faz com que uma gigantesca nuvem de gás e poeira se espalhe rapidamente é desconhecido.

De acordo com cálculos estimados dos cientistas, o cometa 46P/Wirtanen soltou cerca de um milhão de quilogramas de massa durante a explosão, o que pode ter criado uma cratera de aproximadamente 20 metros de diâmetro na sua superfície.

O Cometa 46P/Wirtanen foi descoberto em Janeiro de 1948 pelo astrónomo norte-americano Carl Wirtanen, e é um dos poucos cometas que são, às vezes, visíveis a olho nu – fica tão brilhante como uma estrela fraca.

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7 Dezembro, 2019

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3146: O cometa interestelar pode ser “assassinado” antes de chegar à Terra

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

Um visitante interestelar, que está a atravessar o nosso Sistema Solar, pode estar próximo de “morrer”, uma vez que provavelmente se desintegrará ao aproximar-se do Sol.

Os cientistas estão a acompanhar cada movimento do cometa, que se está a aproximar do periélio, local que deve atingir em breve, de acordo com o portal Astronomy.

O cometa 2I/Borisov chega ao periélio no dia 8 de Dezembro e, se sobreviver, passará pelo ponto mais próximo da Terra pouco depois do Natal, no dia 28. Depois, afastar-se-á para nunca mais regressar.

Porém, a aventura do segundo visitante interestelar observado pela humanidade no Sistema Solar pode estar próxima do fim, uma vez que pode desintegrar-se quando estiver a chegar perto do Sol.

Recentemente, os cientistas já tinham anunciado que o cometa se estava a começar a evaporar, reagindo ao efeito de aquecimento do Sol e adquirindo uma aparência “fantasmagórica”.

O 2I/Borisov não é muito diferente de outros cometas do nosso sistema, mas apresenta uma órbita mais extensa em formato de arco aberto, conhecida como hiperbólica, o que significa que essa será a sua única passagem pelo Sistema Solar. A sua cauda terá quase 160 mil quilómetros de largura, que é a longitude média do diâmetro da Terra.

Os estudos feitos até agora mostram que o 2I/Borisov tem velocidade aproximada de 117 mil quilómetros por hora. Estima-se que o núcleo do viajante interestelar tenha aproximadamente 6,5 quilómetros, mas há cientistas que acreditam que tenha agora cerca de 1,6 quilómetros. Alguns cientistas acreditam que estas características podem significar que o Borisov esteja mesmo perto de um fim trágico.

O astrónomo amador Guennadi Borísov, residente na Crimeia, detectou o cometa em 30 de Agosto usando um telescópio de 0,65 metros de diâmetro fabricado por ele próprio. Este cometa é o segundo objecto interestelar descoberto na história.

Estudos recentes revelaram que o Borisov vem de um sistema binário de estrelas anãs vermelhas localizado a 13,15 anos-luz de distância do Sol. O sistema, onde ainda não foram encontrados exoplanetas, é conhecido como Kruger 60 e localiza-se na constelação de Cepheus.

Os astrónomos estão a aproveitar a “visita de Borisov” para obter valiosas informações sobre a composição dos planetas em sistemas diferentes do nosso.

O primeiro objecto interestelar detectado, o Oumuamua ou “Mensageiro das Estrelas”, está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Investigadores também sugeriram que milhares de objectos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

O Oumuamua parece ter vindo da direcção da estrela brilhante Vega, mas, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, os cientistas não acreditam que esse é o local de onde o objecto veio originalmente, sugerindo que provavelmente veio de um recém-formado sistema estelar.

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6 Dezembro, 2019

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3107: O cometa interestelar está a vir em nossa direcção (e está a evaporar-se)

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

Uma equipa de astrónomos da Universidade de Yale capturou uma imagem do cometa interestelar 2I/Borisov no domingo, usando o Observatório WM Keck, localizado no Havai.

De acordo com um comunicado, Gregory Laughlin, professor de astronomia da Universidade de Yale, indicou que o 2I/Borisov está a evaporar-se, à medida que se aproxima do nosso planeta, deixando um rastro de gás e pó por onde passa.

O núcleo sólido do cometa interestelar deverá ter pouco mais de um quilómetro e meio de diâmetro. Segundo os investigadores, quando começou a reagir ao efeito de aquecimento do Sol, o cometa adquiriu uma aparência “fantasmagórica”.

Estima-se que o cometa alcance a sua posição mais próxima do Sol – a cerca de 305 milhões de quilómetros – em meados de Dezembro e da Terra no fim deste mês, para depois se distanciar do nosso Sistema Solar.

A equipa de investigadores da Universidade Yale também criou uma ilustração para perceber como é que o nosso planeta seria visto ao lado do cometa. A sua cauda terá quase 160 mil quilómetros de largura, que é a longitude média do diâmetro da Terra. “É surpreendente dar conta do quão pequena é a Terra perto deste visitante de outro sistema”, afirmou o astrónomo Pieter van Dokkum.

Pieter van Dokkum, Cheng-Han Hsieh, Shany Danieli & Gregory Laughlin

O astrónomo amador Guennadi Borísov, residente na Crimeia, detetou o cometa em 30 de Agosto usando um telescópio de 0,65 metros de diâmetro fabricado por ele próprio. Este cometa é o segundo objecto interestelar descoberto na história.

Estudos recentes revelaram que o Borisov vem de um sistema binário de estrelas anãs vermelhas localizado a 13,15 anos-luz de distância do Sol. O sistema, onde ainda não foram encontrados exoplanetas, é conhecido como Kruger 60 e localiza-se na constelação de Cepheus.

Os astrónomos estão a aproveitar a “visita de Borisov” para obter valiosas informações sobre a composição dos planetas em sistemas diferentes do nosso.

O primeiro objecto interestelar detectado, o Oumuamua ou “Mensageiro das Estrelas”, está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Investigadores também sugeriram que milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

O Oumuamua parece ter vindo da direcção da estrela brilhante Vega, mas, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, os cientistas não acreditam que esse é o local de onde o objecto veio originalmente, sugerindo que provavelmente veio de um recém-formado sistema estelar.

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28 Novembro, 2019

 

2937: Há água no cometa interestelar que entrou no Sistema Solar

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

Dois meses depois da observação do primeiro cometa interestelar no Sistema Solar, os astrónomos continuam a descobrir mais mistérios do 2l/Borisov.

As últimas observações revelaram a primeira detecção de água neste objecto. No artigo disponível no ArXiv, investigadores norte-americanos recolheram imagens de alta qualidade do cometa e conseguiram detectar emissões de oxigénio – um sinal clássico da presença de água – nas ejecções de gás do objecto.

Para já, o único elemento confirmado que foi detectado no Borisov é cianeto. O rácio entre a quantidade de cianeto e a libertação da água é entre três e nove partes por mil. Esse intervalo varia da média de um cometa típico e de um ligeiramente mais activo.

O cometa está a ser constantemente monitorizado em muitos observatórios, para que estes valores sejam refinados nas próximas semanas.

Mesmo que Borisov seja um cometa mais activo em comparação com a média do Sistema Solar, ainda está alinhado com as evidências que sugerem que, apesar de não ser originário do Sistema Solar, não é tão diferente de outros corpos gelados que estudamos até agora. Isto tem consequências importantes, de acordo com o IFLScience, uma vez que sugere que o mecanismo de formação de cometas deverá ser bastante semelhante nos diferentes sistemas estelares.

Recentemente, o astrónomo amador Guennadi Borísov, residente na Crimeia, detectou o cometa em 30 de Agosto usando um telescópio de 0,65 metros de diâmetro fabricado por ele próprio. Este cometa é o segundo objeto interestelar descoberto na história.

Estudos recentes revelaram que o Borisov vem de um sistema binário de estrelas anãs vermelhas localizado a 13,15 anos-luz de distância do Sol. O sistema, onde ainda não foram encontrados exoplanetas, é conhecido como Kruger 60 e localiza-se na constelação de Cepheus.

Espera-se que o 2I/Borisov se aproxime do nosso planeta em 10 de Dezembro, a uma distância de cerca de 1,8 unidades astronómicas. O cometa permanecerá dentro do Sistema Solar durante cerca de seis meses. De acordo com uma simulação da trajectória esperada do cometa, o objecto celeste passaria entre as órbitas de Júpiter e Marte.

O primeiro objecto interestelar detectado, o Oumuamua ou “Mensageiro das Estrelas”, está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Investigadores também sugeriram que milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

O Oumuamua parece ter vindo da direcção da estrela brilhante Vega, mas, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, os cientistas não acreditam que esse é o local de onde o objecto veio originalmente, sugerindo que provavelmente veio de um recém-formado sistema estelar.

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31 Outubro, 2019

 

2883: Cometa Halley vai brindar o céu com uma chuva de estrelas esta noite

CIÊNCIA

Lucas / Flickr
Imagem do Cometa Halley, capturada por Edward Emerson Barnard, a 29 de maio de 1910, no Observatório Yerkes, em Wisconsin (EUA).

Na noite desta terça-feira, o cometa Halley passou pelo céu naquele que foi o culminar do fenómeno. A chuva de estrelas acontecerá a um ritmo de 20 meteoros por hora.

Visto pela última vez em 1986, o cometa Halley vai fazer esta madrugada de terça-feira uma aparição nos céus. Esta vai tornar-se no primeiro cometa a ser visto duas vezes pela mesma geração.

Cada vez que um cometa entra no sistema solar deixa um trilho de partículas, que quando entram na nossa atmosfera criam uma chuva de estrelas. Quem olhar para o céu, às 20h desta terça-feira, será presenteado com uma chuva de estrelas chamada Oriónidas. Isto porque, segundo o CNET, se rastrearmos o seu percursos, elas parecem originar da constelação de Órion.

A chuva de estrelas já pode ser vista desde o dia 2 de Outubro e prolonga-se até ao dia 7 de Novembro, mas, de acordo com o Observador, o pico do fenómeno acontece hoje.

Para quem perder a oportunidade de o ver, tem ainda mais uma chance de presenciar a sua passagem. Está previsto que Halley volte a passar pela Terra em Agosto de 2061. Com sorte, a mesma pessoa pode observar o cometa três vezes na sua vida, algo que seria igualmente único.

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22 Outubro, 2019

 

2851: Hubble captou as primeiras imagens do cometa interestelar

O próximo ano servirá para aprender mais sobre o 2I/Borisov.

O Telescópio Espacial Hubble captou no dia 12 de Outubro as primeiras imagens do cometa interestelar 2I/Borisov, as quais revelam que este corpo celeste tem um aspecto semelhante aos que ‘habitam’ o nosso Sistema Solar.

“Os ovos cometas são sempre imprevisíveis. A forma como por vezes brilham de repente ou mesmo começar a fragmentar à medida que são expostos ao intenso calor do Sol pela primeira vez. O Hubble está posicionado para vigiar tudo o que acontecer a seguir com a sua resolução e sensibilidade superiores”, pode ler-se no comunicado de um dos observadores, Max Mutchler.

O 2I/Borisov ficará visível para observação durante o próximo ano e é possível que venham a surgir mais detalhes sobre este corpo celeste.

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17/10/2019

 

2835: O novo Oumuamua é surpreendentemente familiar

CIÊNCIA

Gemini Observatory

A revista científica especializada Nature Astronomy acaba de publicar novas informações sobre o cometa 2I/Borisov, o segundo objecto interestelar até agora detectado – é o “novo” Oumuamua.

O novo artigo, publicado na Nature esta quinta-feira, confirma que o corpo celeste vem de fora do Sistema Solar e não é muito diferente dos cometas dos cometas do Sistema Solar. Tal como observa o portal Gizmodo, o 2I/Borisov é surpreendentemente familiar.

O primeiro objecto interestelar, o asteróide Oumuamua (“mensageiro”), com a forma de um charuto, foi detectado em 2017 com um telescópio no Havai, nos Estados Unidos. O novo cometa foi identificado pelos especialistas depois do alerta, a 30 de Agosto, de um astrónomo amador, Gennadiy Borisov, natural da Crimeia, para um objecto estranho no céu.

Após análises aos dados recolhidos, mediante observações com telescópios em Espanha e no Havai, astrónomos profissionais concluíram que o objecto provém de outro sistema solar, desconhecido, dada a sua órbita.

O cometa é formado essencialmente por poeira ligeiramente avermelhada, na cauda, tendo o seu núcleo sólido cerca de um quilómetro de raio. Precisa o jornal Público que o 2I/Borisov é avermelhado, de cauda curta e com uma longa cabeleira, fazendo lembrar a cor e a morfologia dos cometas nativos do Sistema Solar.

“O 2I/Borisov é um cometa com uma órbita altamente hiperbólica, o que significa que veio do espaço interestelar”, revelou um dos líderes da investigação, Piotr Guzik, da Universidade Jaguelónica, na Polónia, em declarações ao mesmo diário.

“Morfologicamente, parece um cometa típico do nosso Sistema Solar e a sua cor também é compatível com a que observamos nos cometas do nosso sistema”, acrescentou.

Quanto às comparações com o primeiro corpo interestelar, os cientistas frisam que o 2I/Borisov é maior e mais brilhante do que o Oumuamua.

O cometa “2I/Borisov” poderá ser observado melhor em Dezembro quando estiver ainda mais próximo do Sol. “Nesse encontro, o cometa poderá ser observado sobretudo por telescópios profissionais, mas mesmo assim parecerá muito ténue. Poderá ser detectado por astro-fotógrafos amadores, mas não será visível mesmo em telescópios amadores grandes”, disse ainda Piotr Guzik, citado pelo jornal Público.

ZAP // Lusa

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15 Outubro, 2019

 

2750: Asteróides perigosos para a Terra podem estar escondidos na sombra de Júpiter

CIÊNCIA

Júpiter e a sua enorme força gravitacional é visto como um escudo protector da Terra contra asteróides potencialmente destrutivos. Assim, a gravitar o maior planeta do sistema solar está um grupo de asteróides e cometas capturados pela força deste astro. Contudo, estas rochas podem representar uma ameaça escondida para a Terra.

Segundo os astrónomos, se existirem mudanças severas nas suas órbitas, as rochas espaciais podem ser lançadas contra Terra e astros vizinhos.

Asteróides e cometas guardados por Júpiter podem ser ameaça para a Terra

Segundo um estudo recente, a conclusão de que estes asteróides podem ser um perigo potencial baseou-se na identificação de pelo menos um objecto que poderia experimentar tal mudança orbital. Assim, identificar e vigiar outros objectos escondidos nesta população poderia ajudar a identificar perigos potenciais para a Terra com muita antecedência.

O maior planeta do sistema solar, Júpiter, esconde muitos asteróides e cometas na sombra. Alguns deles, como as suas luas, estão gravitacionalmente ligados ao planeta. Contudo, outros seguem uma órbita semelhante à de Júpiter, circundando o Sol. Para estes “devotos”, uma alta inclinação, ou um ângulo com o plano do sistema solar de mais de 40 graus, está ligada a uma baixa excentricidade, dando-lhes uma órbita quase circular.

E se uma alteração os levasse a não ter uma baixa inclinação por uma alta excentricidade?

Um artigo recente examina o que poderia acontecer se os objectos estáveis que orbitam perto de Júpiter trocassem a sua baixa inclinação por uma alta excentricidade, criando uma órbita mais oval. De acordo com o autor, Kenta Oshima, investigador do Observatório Astronómico Nacional do Japão, tal mudança poderia ser uma má notícia para a Terra.

Apontamos a possibilidade de que populações de asteróides potencialmente perigosos não detectados existem em locais de alta inclinação de [esses objectos].

Escreveu Oshima.

Uma armada escondida

Escondidos na sombra de Júpiter, muitos desses objectos são difíceis de ver da Terra. Neste momento, enquanto as suas órbitas estão estáveis, isso não é um problema. No entanto, se as suas órbitas se deslocarem, eles podem mover-se da segurança de Júpiter para um caminho de colisão com a Terra ou outros planetas internos.

Quando começarem a “dançar” ao redor da Terra, estes devem tornar-se visíveis aos caçadores de objectos potencialmente perigosos. Contudo, o seu perigo inerente significa que os astrónomos devem estar a trabalhar já para os identificar.

Um objecto com uma alta inclinação mergulhará dentro e fora do plano do sistema solar em que os planetas orbitam, por isso, as interacções serão poucas e distantes entre si. Em termos mais práticos, para que possamos entender, este “voo” dos asteróides podem ser exemplificados com o caso dos aviões.

Se os aviões voarem acima do solo, podem colidir com algo enquanto aterram ou descolam. Assim, se voarem muito baixo, a probabilidade de chocar com uma montanha ou mesmo com um edifício aumenta significativamente. O mesmo acontece com os asteróides. Se tiverem uma rota baixa, perto dos astros, há uma probabilidade de colisão muito maior. Essas colisões podem fazer com que mudem de órbita.

Asteróide 2004 AE9 faz “voos rasantes a Marte”

Oshima já identificou um membro potencial desta armada oculta, o 2004 AE9. O objecto orbita cerca de 1,5 unidades astronómicas (UAs; uma unidade astronómica é a distância entre a Terra e o Sol) dentro do caminho de Júpiter.

Ocasionalmente, o asteróide passa por Marte nas suas órbitas, aproximando-se de 0,1 AU. Estes fly-bys mudaram a órbita do asteróide ao longo do tempo. A órbita não só se aproximou do plano do sistema solar, como também se tornou mais excêntrica. Embora não haja o perigo de ela afectar a Terra num futuro próximo. No entanto, o AE9 de 2004 pode um dia mudar a sua órbita o suficiente para deixar Júpiter e colidir com um planeta rochoso.

Objectos que originalmente se movem em órbitas altamente inclinadas, mas quase circulares, têm uma baixa probabilidade de impacto. Se elas se tornarem instáveis e a inclinação for trocada por excentricidade, o caminho pode se tornar um cruzamento de planeta com uma inclinação baixa, o que se traduz numa maior probabilidade de impacto.

Explicou Carlos de la Fuente Marcos, que estuda a dinâmica do sistema solar na Universidade Complutense de Madrid.

De acordo com este investigador, o processo levaria pouco menos de um milhão de anos. É um desenvolvimento bastante rápido em termos astronómicos.

NASA / JPL-Caltech

Júpiter atraiu asteróides troianos

Um punhado de planetas e cometas foram identificados como co-orbitais de Júpiter nos últimos anos. Além disso, o planeta também atraiu um grupo de corpos chamados asteróides troianos, que orbitam imediatamente em frente e atrás de Júpiter, e cujas órbitas provavelmente não mudarão. Contudo, outros perigos futuros podem estar escondidos perto do planeta gigante; identificá-los é importante.

Vale a pena ficar de olho, especialmente catalogando-os para fazer um censo e conhecer melhor o tamanho real dessa população potencialmente perigosa.

Referiu Carlos de la Fuente Marcos.

Se por um lado os caminhos de alta inclinação tornaram estas rochas improváveis causadoras de impactos com a Terra (ou com algo dentro do sistema solar interno), por outro também os tornam difíceis de encontrar. Isso porque a maioria das investigações concentra-se no plano do sistema solar, onde os objectos mais propensos a colidir com a Terra se encontram.

Se os objectos ocultos representam ou não um perigo para a Terra permanece desconhecido, o que não é nada tranquilizador.

Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, tanto em diâmetro quanto em massa, e é o quinto mais próximo do Sol. Este astro é observável da Terra a olho nu e recolhe a … Continue a ler Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

2748: Astrónomos detectam moléculas de gás em 2I/Borisov

CIÊNCIA

Composição colorida de 2I/Borisov, com quatro exposições de 60 segundos obtidas pelo Observatório Gemini. Os riscos azuis e vermelhos são estrelas de fundo que parecem “mover-se” devido ao movimento do cometa.
Crédito: composição por Travis Rector; Observatório Gemini/NSF/AURA

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo investigadores da Queen’s University em Belfast, Irlanda do Norte, fez uma descoberta histórica, detectando moléculas de gás num cometa que entrou no nosso Sistema Solar, vindo de outra estrela.

É a primeira vez que os astrónomos conseguem detectar este tipo de material num objecto interestelar.

A descoberta representa um importante passo em frente para a ciência, pois agora permitirá que os cientistas decifrem exactamente a composição destes objectos e como o nosso Sistema Solar se compara com outros na nossa Galáxia.

“Pela primeira vez, podemos medir com precisão a composição de um visitante interestelar e compará-lo com o nosso próprio Sistema Solar,” disse o professor Alan Fitzsimmons do Centro de Investigação Astrofísica da Queen’s University em Belfast.

O Cometa Borisov foi descoberto pelo astrónomo amador da Crimeia, Gennady Borisov, em Agosto. Observações ao longo dos 12 dias seguintes mostraram que não estava em órbita do Sol, apenas a passar pelo Sistema Solar no seu próprio percurso em torno da nossa Galáxia.

A 24 de Setembro recebeu a designação oficial 2I/Borisov, o segundo objecto interestelar já descoberto pelos astrónomos. Ao contrário do primeiro objecto, descoberto há dois anos, 1I/’Oumuamua, este objecto parecia um cometa ténue, com uma atmosfera circundante de partículas de poeira e uma cauda curta.

Alan Fitzsimmons e colegas da Europa, dos EUA e do Chile usaram o Telescópio William Herschel em La Palma, nas Ilhas Canárias, para detectar o gás no cometa. Mas isto foi complicado.

Ele disse: “A nossa primeira tentativa foi na sexta-feira, 13 de Setembro, mas tivemos azar e fomos impedidos de o fazer devido ao brilho do céu, tão perto do Sol. Mas a tentativa seguinte foi bem-sucedida.”

Os astrónomos do observatório apontaram o telescópio gigante para o cometa antes e durante o amanhecer, entre as 6 e as 7 da manhã da sexta-feira seguinte. Ao passar a fraca radiação do cometa por um espectrógrafo, os astrónomos conseguiram medir a quantidade de luz emitida pelo cometa em função do comprimento de onda ou cor.

O professor Fitzsimmons explicou: “Um espectro permite-nos detectar tipos individuais de gás graças às suas impressões digitais espectrais. Recebemos os dados ao meio-dia e às 17 horas sabíamos que havíamos detectado gás com sucesso e pela primeira vez.”

O gás detectado foi o cianogénio, composto por um átomo de carbono e um átomo de azoto ligados entre si. É um gás tóxico se inalado, mas é relativamente comum nos cometas.

Ao combinar estes espectros com imagens filtradas do cometa obtidas com o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos, a equipa também mediu a quantidade de poeira expelida pelo cometa e estabeleceu limites para o tamanho do núcleo central.

O Dr. Emmanuel Jehin está a monitorizar o cometa usando o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos e forneceu dados cruciais para medir a quantidade de poeira cometária emitida por 2I. Ele disse: “Estamos habituados a ver imagens de cometas, mas este é tão especial! Observo-o há duas semanas, quase todas as manhãs, estou fascinado pelo facto deste objecto não ser como os outros que tenho observado, que realmente veio de outra estrela, provavelmente muito distante.”

A professora Karen Meech da Universidade do Hawaii já havia observado anteriormente o cometa e usou os novos dados para calcular o possível tamanho do cometa.

Ela relatou: “A nossa análise preliminar, usando a quantidade de gás vista a sair do núcleo, sugere que é provável que grande parte da superfície esteja activa, em contraste com os típicos cometas de curto período.”

A equipa concluiu que a característica mais notável do cometa é que parece vulgar em termos de gás e poeira que está a emitir. Parece que nasceu há 4,6 mil milhões de anos atrás, juntamente com os outros cometas no nosso Sistema Solar, mas veio de um sistema estelar ainda não identificado.

À medida que o cometa se aproxima do Sol, ficará mais brilhante e mais visível para os astrónomos. O Dr. Olivier Hainaut, do ESO, acrescentou: “O próximo ano será extremamente empolgante, pois poderemos acompanhar a evolução de 2I à medida que passa pelo nosso Sistema Solar. Em comparação, tivemos apenas algumas semanas para estudar ‘Oumuamua antes que ficasse ténue demais.”

A ESA aprovou este ano uma missão espacial que poderá visitar um futuro visitante interestelar. A missão Comet Interceptor tem lançamento previsto para 2028.

Astronomia On-line
1 de Outubro de 2019

 

2719: C / 2018 W2

CIÊNCIA

C/2018 W2 (Africano) is a hyperbolic comet that is currently observable in the constellation of Pegasus. It was discovered at the Mount Lemmon Survey by B. Africano on 27th November 2018.

C/2018 W2 came to perihelion on September 5th. Its closest approach to Earth was yesterday, at a distance of 1.486 AU (222 million km).

Northolt Branch Observatories
CometWatch
Qhyccd

Comet C/2018 W2 (Africano)

C/2018 W2 (Africano) is a hyperbolic comet that is currently observable in the constellation of Pegasus. It was discovered at the Mount Lemmon Survey by B. Africano on 27th November 2018.C/2018 W2 came to perihelion on September 5th. Its closest approach to Earth was yesterday, at a distance of 1.486 AU (222 million km).Northolt Branch ObservatoriesCometWatchQhyccd

Publicado por Northolt Branch Observatories em Sexta-feira, 27 de setembro de 2019

 

Descoberto “portal” de cometas para o Sistema Solar interior

Impressão de artista do potencial aspecto do Centauro SW1 como um Cometa da Família de Júpiter do Sistema Solar interior a uma distância de 0,2 UA (30 milhões de quilómetros) da Terra. A Lua está no canto superior direito da imagem para efeitos de escala.
Crédito: Universidade do Arizona/Heather Roper

Um novo estudo liderado por um investigador da Universidade da Florida Central pode alterar fundamentalmente a nossa compreensão de como os cometas chegam da periferia do Sistema Solar e são canalizados para o Sistema Solar interior, aproximando-se da Terra.

Publicado a semana passada na revista The Astrophysical Journal Letters, Gal Sarid e co-autores descrevem no artigo a descoberta de um “portal” orbital através do qual muitos cometas passam antes de se aproximarem do Sol. O portal foi descoberto como parte de uma simulação de centauros, pequenos corpos gelados que viajam em órbitas caóticas entre Júpiter e Neptuno. A equipa do estudo modelou a evolução dos corpos para lá da órbita de Neptuno, através da região do planeta gigante e para dentro da órbita de Júpiter. Estes corpos gelados são considerados restos quase intocados de material do nascimento do nosso Sistema Solar.

O percurso dos cometas desde o seu local de formação original em direcção ao Sol há muito tempo que é debatido.

“Como é que os cometas novos, controlados pela influência de Júpiter, substituem os que são perdidos? Onde está a transição entre residir no Sistema Solar exterior, como pequenos corpos adormecidos, e tornarem-se activos no Sistema Solar interior, exibindo uma cabeleira e uma cauda generalizadas de gás e poeira?” pergunta Sarid, o principal cientista do estudo. Estas perguntas permaneceram um mistério até agora. “O que descobrimos, o modelo de portal como um ‘berço de cometas’, vai mudar o modo como pensamos sobre a história dos corpos gelados,” diz.

Pensa-se que os centauros tenham origem na Cintura de Kuiper, uma região para lá de Neptuno, e são considerados como a fonte dos Cometas da Família de Júpiter (CFJ) que ocupam o Sistema Solar interior. A natureza caótica das órbitas dos centauros obscurece os seus percursos exactos, dificultando a previsão do seu futuro como cometas. Quando corpos gelados como os centauros ou cometas se aproximam do Sol, começam a libertar gás e poeira para produzir a aparência difusa da cabeleira e as caudas longas que chamamos de cometas. Esta exibição está entre os fenómenos observáveis mais impressionantes do céu nocturno, mas também é um lampejo de beleza fugaz que é rapidamente seguido pela destruição do cometa ou pela sua evolução para um estado adormecido, explica Sarid.

O objetivo original da investigação era explorar a história de um centauro peculiar – 29P/Schwassmann-Wachmann 1 (SW1), um centauro de tamanho médio numa órbita quase circular logo a seguir a Júpiter. SW1 há muito que intriga os astrónomos com a sua alta actividade e frequentes surtos explosivos que ocorrem a uma distância do Sol onde o gelo efectivamente não deverá vaporizar. Tanto a sua órbita quanto a sua actividade colocam SW1 num meio termo evolutivo entre os outros centauros e os Cometas da Família de Júpiter. A equipa de investigação queria explorar se as circunstâncias de SW1 eram consistentes com a progressão orbital dos outros centauros, acrescentou Sarid.

“Mais de um em cada cinco centauros que rastreámos encontrava-se numa órbita semelhante à de SW1 em algum momento da sua vida,” disse Maria Womack, cientista do Instituto Espacial da Florida e co-autora do estudo. “Em vez de ser um ‘outlier’ peculiar, SW1 é um centauro apanhado no ato de evoluir dinamicamente para um CFJ.” Além da natureza comum da órbita de SW1, as simulações levam a uma descoberta ainda mais surpreendente, realça Womack.

“Os centauros que passam por esta região são a fonte de mais de dois-terços de todos os CFJs, tornando-se no portal principal através do qual estes cometas são produzidos,” diz Womack. Esta região não hospeda objectos durante muito tempo, sendo que a maioria dos centauros se tornam CFJs em alguns milhares de anos. Esta é uma parte curta da vida útil de qualquer objecto do Sistema Solar, que pode durar milhões e por vezes milhares de milhões de anos.

A presença do portal fornece um meio há muito procurado de identificar os centauros numa trajectória iminente em direcção ao Sistema Solar interior. SW1 é actualmente o maior e mais activo dos poucos objectos descobertos nesta região, o que o torna num “principal candidato a avançar o nosso conhecimento das transições orbitais e físicas que moldam a população de cometas que vemos hoje,” disse Sarid.

A nossa compreensão dos cometas está intimamente ligada ao conhecimento da composição inicial do nosso Sistema Solar e à evolução das condições para o surgimento de atmosferas e da vida, explicaram os investigadores.

Astronomia On-line
24 de Setembro de 2019

 

2654: Cometa recém-descoberto é provavelmente visitante interestelar

CIÊNCIA

Esta ilustração mostra a trajectória do cometa C/2019 Q4. Classificado como um possível objecto interestelar, a sua maior aproximação à Terra será de 300 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Um cometa recém-descoberto empolgou a comunidade astronómica a semana passada porque parece ter tido origem fora do Sistema Solar. O objecto – designado C/2019 Q4 (Borisov) – foi descoberto no dia 30 de Agosto de 2019 por Gennady Borisov no Observatório MARGO em Nauchnij, Crimeia. A confirmação oficial de que o Cometa C/2019 Q4 é um cometa interestelar ainda não foi feita, mas se for interestelar, seria apenas o segundo objecto detectado dessa classe. O primeiro, ‘Oumuamua, foi observado e confirmado em Outubro de 2017.

O novo cometa, C/2019 Q4, ainda está a dirigir-se em direcção ao Sol, mas permanecerá para lá da órbita de Marte e não chegará a menos de 300 milhões de quilómetros da Terra.

Após as detecções iniciais do cometa, o sistema Scout, localizado no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, sinalizou automaticamente o objecto como possivelmente interestelar. Davide Farnocchia do CNEOS (Center for Near-Earth Object Studies) da NASA, no JPL, trabalhou com astrónomos e com o NEOCC (Near-Earth Object Coordination Center) da ESA em Frascati, Itália, para obter observações adicionais. Trabalhou de seguida com o Centro de Planetas Menores em Cambridge, Massachusetts, para estimar a trajectória precisa do cometa e determinar se teve origem dentro do nosso Sistema Solar ou se veio de outro lugar da Galáxia.

Actualmente, o cometa está a 420 milhões de quilómetros do Sol e vai alcançar o seu ponto mais próximo, ou periélio, no dia 8 de Dezembro de 2019, a uma distância de 300 milhões de quilómetros.

“A velocidade actual do cometa é alta, cerca de 150.000 km/h, bem acima das velocidades típicas de objectos que orbitam o Sol a essa distância,” disse Franocchia. “A alta velocidade indica não apenas que o objecto provavelmente teve origem fora do nosso Sistema Solar, mas também que irá sair e voltar para o espaço interestelar.”

Actualmente numa trajectória de entrada, o cometa C/2019 Q4 está a dirigir-se para o Sistema Solar interior. No dia 26 de Outubro, passará pelo plano da eclíptica – o plano no qual a Terra e os outros planetas orbitam o Sol – vindo de cima, aproximadamente a um ângulo de 40 graus.

C/2019 Q4 foi estabelecido como sendo cometário devido à sua aparência difusa, o que indica que o objecto tem um corpo central gelado que está a produzir uma nuvem circundante de poeira e partículas à medida que se aproxima do Sol e aquece. A sua localização no céu (a partir do ponto de vista da Terra) coloca-o perto do Sol – uma área do céu geralmente não examinada por grandes levantamentos terrestres de asteróides ou pela sonda caçadora de asteróides NEOWISE da NASA

C/2019 Q4 só poderá ser observado com telescópios profissionais nos próximos meses. “O objecto terá o seu pico de brilho em meados de Dezembro e continuará a ser observável com telescópios de tamanho médio até Abril de 2020,” acrescentou Farnocchia. “Depois, só será observável com telescópios profissionais maiores até Outubro de 2020.”

As observações concluídas por Karen Meech e pela sua equipa na Universidade do Hawaii indicam que o núcleo do cometa tem entre 2 e 16 quilómetros em diâmetro. Os astrónomos vão continuar a recolher observações para caracterizar ainda mais as propriedades físicas do cometa (tamanho, rotação, etc.) e vão também continuar a melhor identificar a sua trajectória.

Astronomia On-line
17 de Setembro de 2019