2716: Já se sabe qual será a ementa dos futuros colonos de Marte (e inclui insectos e ovos falsos)

CIÊNCIA

Se uma colónia de um milhão de humanos alguma vez existir em Marte, será necessário que dezenas de milhares de naves espaciais de suprimentos vão até ao Planeta Vermelho para deixar comida.

Só depois de 100 anos é que os novos colonos serão autos-suficientes – e apenas se comerem plantas, insectos, algas, ovos falsos e leite falso. Esta é a conclusão de um relatório feito por Kevin Cannon e Daniel Britt, da University of Central Florida, nos Estados Unidos, que foi publicado em Agosto na revista especializada New Space: The Journal of Space Entrepreneurship and Innovation.

“Uma cidade marciana não será alimentada com alface e tomates“, de acordo com o artigo que defende que, como as plantas não conseguem crescer no exterior e criar animais também não será possível, a tecnologia alimentar será crucial. “Computadores de alimentos, quintas automatizadas de insectos e agricultura celular permitirão dietas completas produzidas localmente em Marte”.

Segundo o artigo, poderá demorar cerca de 100 anos até que as colónias se tornem autos-suficientes. “Modelamos as necessidades calóricas e as exigências de terra para um assentamento marciano permanente que atinja uma população de um milhão de pessoas e se torne auto-suficiente em alimentos dentro de um século. No modelo, as necessidades calóricas foram atendidas com alimentos produzidos localmente em Marte, combinados com as importações da Terra“.

De facto, seriam importadas grandes quantidades de alimentos. “Seriam necessárias dezenas de milhares de naves de suprimentos cheios de comida, mas esse número poderia ser muito reduzido por um aumento na capacidade de produção de alimentos durante os primeiros anos do assentamento”, de acordo com os investigadores, que argumentam que o alto custo inicial do desenvolvimento de uma indústria comercial de alimentos em Marte economizariam muito dinheiro a longo prazo, porque seriam necessários menos lançamentos.

O relatório não está ligado com os projectos de enviar humanos para Marte da NASA ou outras agências espaciais comerciais, mas sim com a proposta de assentamento permanente de Elon Musk, CEO da SpaceX. O empresário quer estabelecer uma colónia independente em Marte num calendário ambicioso.

Em 2020, quer enviar uma missão para confirmar recursos hídricos, identificar perigos e implementar uma infraestrutura inicial de energia, mineração e suporte de vida. Dois anos depois, quer enviar uma tripulação inicial para construir um depósito de propulsores e preparar-se para futuros voos da tripulação. Além disso, quer que naves levem entre 100 a 200 pessoas para Marte a cada 26 meses. Dentro de 50 a 100 anos, quer criar uma colónia de um milhão de habitantes.

“Ao fornecer uma espinha dorsal do transporte, a SpaceX espera estimular as empresas e os indivíduos a mudarem-se para Marte e assumir projectos de desenvolvimento para apoiar um crescente assentamento”. No entanto, os investigadores sugerem que serão necessários naves de reabastecimento de carga para materiais extras, como urânio para energia nuclear e platina para projectos de fabricação.

Cannon e Britt pensam que são necessárias muito mais investigações sobre a produção de alimentos em Marte antes que se tente estabelecer um assentamento marciano.

Os marcianos vão precisar de culturas de alto rendimento, como trigo e milho, geneticamente editadas para crescer em condições mais altas de CO2, provavelmente usando estufas internas de luz artificial, porque as tempestades de poeira bloqueariam a luz.

Também é necessário descobrir uma forma eficiente de produzir carne feita de insectos com melhor sabor, usando nutrientes em Marte.

O envio de alimentos para Marte será astronomicamente caro, portanto, os marcianos devem construir instalações de alimentos o mais cedo possível que usem principalmente recursos locais de Marte. Isso reduzirá drasticamente o número de naves de carga, embora tudo dependa das taxas de imigração.

A proteína será difícil de chegar a Marte. Os cientistas espaciais devem conversar com o movimento alternativo de proteínas para aproveitar os mais recentes desenvolvimentos em produtos de carne unicelular e proteínas à base de plantas.

Além disso, nada deve ser desperdiçado numa colónia humana marciana. O desperdício de alimentos deve ser dado como alimento aos insectos e o desperdício humano deve ser usado para fertilizar as plantas.

Nos primeiros anos de uma colónia marciana, só se pensaria numa coisa: sobrevivência. No entanto, as coisas podem mudar. “Para atender ao direito humano de sobrevivência, algum requisito diário mínimo de calorias e nutrição será uma actividade necessária para se estabelecer em qualquer lua ou planeta. Qualquer coisa acima desses requisitos mínimos, no entanto, poderia ser uma actividade comercial“, disse Ken Davidian, editor-chefe da New Space, segundo a Forbes.

Por isso, é possível que acabe por haver café, frutas extra ou qualquer outro alimento que exceda os requisitos mínimos. Os autores até sugerem que a produção e distribuição de alimentos podem formar uma parte significativa de uma economia crescente em Marte.

ZAP //

Por ZAP
27 Setembro, 2019

 

2543: ESA já sabe qual será a casa dos humanos que colonizarem a Lua: cavernas subterrâneas

CIÊNCIA

(dr) Anton Chikishev / Hebrew University

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer que os humanos que, um dia, colonizarem a Lua se abriguem em cavernas subterrâneas.

Enquanto que a superfície da Lua foi explorada, relativamente pouco se sabe sobre o que se esconde abaixo da superfície. A ESA quer explorar sob esta superfície, particularmente os poços que os geólogos planetários sugeriram que poderiam ser causados ​​pelo colapso de tubos de lava quando a lava fluiu sob a superfície há mais de mil milhões de anos.

Os mares lunares – planícies grandes e escuras – foram causados ​​por enormes fluxos de lava basáltica, quase exactamente o mesmo tipo se veria no Hawai, que inundou após impactos de vários tipos de rocha espacial.

“Explorando e mapeando esses tubos poderia fornecer novas informações sobre a geologia da Lua, mas também poderiam ser uma opção interessante como abrigo a longo prazo para futuros visitantes humanos à Lua”, disse Francesco Sauro, director do treinamento de astronauta em geologia planetária da ESA PANGEA em comunicado. “Eles protegem os astronautas da radiação cósmica e micro-meteoritos e, possivelmente, fornecem acesso à água gelada e outros recursos presos no subsolo.”

A agência solicitou ideias sobre como explorar áreas sob os mares lunares e que mais locais essas missões poderiam investigar. A ESA diz que está à procura de ideias para missões além de como aceder e navegar pelas cavernas – por exemplo de que forma poderia ser estabelecido um sistema de comunicação entre as cavernas subterrâneas e o mundo exterior.

“Conceitos de missão podem ser baseados num único rover ou num sistema distribuído de sistemas de satélites, robóticos ou rover que operam juntos”, disse Loredana Bessone, que está a liderar a busca por ideias como chefe de testes de campo analógicos e treino de exploração na ESA. “De qualquer maneira, estamos à procura de sistemas que pousem na superfície lunar, identifiquem e acedam uma caverna e contribuam para a exploração científica da Lua.”

À semelhança da ESA, a Agência Espacial Norte-Americana também está a planear a exploração das cavernas lunares e está a testar o “Moon Diver”, um robô especializado em percorrer os territórios nunca antes analisados do satélite natural da Terra, nos túneis de lava do Havai.

Em 2024, a NASA planeia lançar uma missão para pousar a primeira mulher na Lua como parte do programa de exploração lunar Artemis. Recentemente, revelou detalhes da nave espacial que será usada durante esta missão histórica.

A NASA vai agora trabalhar com empresas privadas para desenvolver a nave espacial. Está a planear enviar duas pessoas do espaço para trabalhar no Pólo Sul da Lua.

Cientistas chineses recentemente publicaram novos planos para um posto robótico no lado oposto da lua para a NASA e a Agência Espacial Europeia, que também está a planear a sua própria “aldeia lunar” no sul lunar.

Pequim anunciou anteriormente planos para lançar uma missão lunar tripulada na próxima década antes da construção de uma base do pólo norte.

Já a Rússia prepara-se para ir à Lua em 2030, 61 anos depois de os EUA terem ganho a corrida lunar à União Soviética, que tinha sido pioneira nas viagens espaciais.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019

 

2045: Os futuros colonos de Marte poderão ter miopia, ossos mais densos e até outra cor de pele

CIÊNCIA

Caso os seres humanos consigam colonizar Marte, os novos colonos do Planeta Vermelho vão sofrer uma série de mutações que os distanciará dos humanos da Terra. Estas alterações serão tão drásticas que os habitantes de Marte não poderão ter filhos com os habitantes da Terra.

Esta é a conclusão de Scott Solomon, professor da Rice University, nos Estados Unidos. Num artigo na Inverse, o investigador explica que Marte tem difíceis condições de vida, o que levará a uma alta taxa de mortalidade entre os primeiros colonos.

Para inverter a mortalidade, e tendo em conta o elevado nível de radiação, os colonos vão sofrer uma série de mutações genéticas que os ajudará na adaptação ao planeta.

“Se uma mutação aparece em pessoas que vivem em Marte e lhes dá uma vantagem de sobrevivência de 50%, é uma grande vantagem, certo? E isso significa que os indivíduos vão transmitir estes genes a uma taxa muito mais rápida do que noutros casos”, sustenta.

Segundo o biólogo, o aumento da densidade óssea, o aparecimento da miopia como característica congénita, a mudança da cor de pele e a capacidade de usar oxigénio de uma forma mais eficiente são algumas das adaptações mais prováveis entre os colonos.

Contudo, explicou o biólogo, a maior e mais rápida mudança seria a perda do sistema imunológico, já que este será desnecessário no ambiente estéril da novas colónias. Neste ambiente, sem microrganismos, os residentes não necessitarão de ter um corpo capaz de combater germes ou bactérias. Solomon acredita que este ambiente poderia até fornecer uma oportunidade para erradicar doenças.

É também a ausência de sistema imunitário que impedirá que marcianos e terráqueos possam ter filhos. Poderia ser letal. No entender do biólogo, esta questão pode forçar humanos e futuros marcianos a separarem-se irreversivelmente.

As adaptações mais vantajosas poderiam ser aceleradas através da edição de genes, acredita o cientista. “Por que esperar que esta mutação ocorra se pudermos fazê-la acontecer por nos próprios?, questiona o cientista.

Contudo, importa frisar, a trajectória evolutiva da população marciana dependeria da diversidade genética. Ou seja, para obter o melhor resultado possível, a colónia deveria ter centenas de milhares de pessoas de todas as populações genéticas da Terra.

ZAP //

Por ZAP
25 Maio, 2019

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2015: As colónias espaciais de Bezos flutuam, são auto-sustentáveis e até se podem parecer com Florença

CIÊNCIA

O CEO da Amazon e fundador da empresa de transporte aeroespacial Blue Origin levantou o véu sobre os seus planos futuros, detalhando as suas ideias para a colonização do Espaço. Jeff Bezos sonha com “cápsulas” flutuantes próximas da Terra que possam abrigar pelo menos um milhão de pessoas cada.

Bezos, que discursava num evento na cidade norte-americana de Washington, começou por recordar que, no futuro, a Humanidade ficará sem energia na Terra. Contudo, explicou, se o Homem procurar energia na direcção do Sistema Solar, terá recursos ilimitados.

O empresário considerou que o ideal não seria colocar humanos a viver noutros planetas, já que estes mundos se encontram muito longe da Terra, não têm gravidade suficiente e não são suficientemente grandes. Por isso, Bezos propôs a criação de colónias espaciais, que poderiam alojar cidades inteiras, áreas agrícolas e até parques.

Estes habitats especiais – a que chamou O’Neill – teriam que ser grandes o suficiente para conter cerca de um milhão de pessoas cada e estar perto o suficiente da Terra para que os seus cidadão pudessem viajar até ao seu planeta de origem.

Segundo sustentou o fundador da Amazon, estas colónias seria “lugares realmente agradáveis para se viver”, uma vez que seria, dotadas com um clima ideal durante todo o ano e com boas infra-estruturas. Bezos disse que estes espaço poderiam mesmo imitar a arquitectura de algumas cidades históricas do planeta, como a da Florença, tal como se pode observar na imagens apresentadas.

No fundo, estas estruturas são uma espécie de “cápsula” flutuante, onde seria possível simular um ambiente sustentável semelhante aos da Terra, precisa o Business Insider.

“As crianças que estão aqui [no evento], e os vossos filhos, e os vossos netos, vão construir as colónias de O’Neill. O trabalho desta geração, o trabalho da minha geração é construir uma estrutura para que vocês possam alcança-la”, afirmo.

Para que a Humanidade possa viver no Espaço e para que possa também viajar até à Lua  são necessárias duas condições: a redução radical nos custos de lançamento e a exploração de recursos espaciais.

“As colónias são lindas. As pessoas vão querer lá morar”, vaticinou Bezos.

ZAP //

Por ZAP
19 Maio, 2019


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1503: O país que inventou o vinho quer ser o primeiro a plantar uvas em Marte

Youtube / MarsOneProject

Os primeiros colonizadores humanos em Marte terão de abandonar diversos confortos comuns da vida na Terra, mas pelo menos um hábito poderão manter: beber um copo de vinho.

Essa será a missão do projecto IX Millennium, que envolverá diversos estudos para a construção de uma infra-estrutura para a plantação de uvas em Marte, que incluirá a identificação de quais variedades de uvas têm maior probabilidade de sobreviver à alta radiação, às mudanças bruscas de temperatura e às tempestades de areia.

A investigação tem o intuito de desenvolver toda a infra-estrutura necessária para o cultivo de uvas em Marte até 2024 — ano em que a Space X planeia lançar a sua primeira missão de colonização ao planeta.

O projecto está a ser desenvolvido pela Geórgia, país que se auto-intitula “criador do vinho” e que possui uma tradição vinícola que remonta a 6.000 a.C. De acordo com Nikoloz Doborjginidze, fundador da Agência de Pesquisa Espacial da Geórgia, é uma obrigação do país serem os primeiros a levarem vinho a Marte.

Os estudos começarão ainda este ano com a instalação de uma “estufa vertical” dentro de um hotel em Tbilisi, capital do país. Nessa estufa, serão colocados recipientes com solo e sementes de uvas, morangos e rúcula que se irão desenvolver num sistema hidropónico com luzes e mínima interferência humana, simulando as prováveis condições que as culturas enfrentariam em Marte.

Enquanto isso, especialistas em vinho do país vão estudar quais são as variedades de uva que possuem maiores condições de sobreviver no inóspito planeta.

Dentro dos próximos anos, investigadores da Universidade de Tecnologia e Negócios de Tbilisi irão criar em laboratório um ambiente que simula as condições marcianas, expondo as plantas a temperaturas abaixo de zero, altos níveis de dióxido de carbono na atmosfera e uma pressão atmosférica equivalente à de Marte.

Ainda que se espere que estas experiências gerem os primeiros frutos apenas em 2022, os cientistas já apostam que as uvas utilizadas para a criação de vinho branco serão as que melhor se adaptarão às condições do Planeta Vermelho, já que possuem uma casca reforçada que as tornam resistentes a vírus. Acredita-se que a casca possa reflectir a radiação e torná-las uma forte candidata a ser umas das primeiras culturas de Marte.

Apesar da inovação, os estudos da Geórgia não são as primeiras voltadas para o desenvolvimento de uma cultura agrícola fora da Terra. Os astronautas da ISS (Estação Espacial Internacional) já cultivam a sua própria salada em ambientes de micro-gravidade. A sonda Chang’e 4, enviada recentemente à Lua pela China, também plantou algodão no nosso satélite natural.

A iniciativa também não é a primeira que envolve bebidas alcoólicas. A Budweiser já enviou sementes de cevada ao espaço com o objectivo de se tornar “a primeira cerveja de Marte”.

A destilaria de whisky escocesa Ardmore enviou para a ISS em 2011 uma grade do melhor uísque da marca para testar os efeitos da micro-gravidade no envelhecimento de bebidas. Nos três anos que ficou na Estação, o whisky deixou de ser um dos mais saborosos do mundo para ficar com sabor a borracha queimada.

ZAP // Live Science

Por ZAP
20 Janeiro, 2019

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765: Podíamos já ter ido a Marte nos anos 60


O popular astronauta Chris Hadfield diz que a tecnologia que nos levou à lua e nos trouxe de volta na década de 60 poderia ter-nos enviado também a Marte.

O canadiano Chris Hadfield foi astronauta durante 18 anos da sua vida. De 1995 a 2013, Hadfield voou em dois space shuttles da NASA e numa nave russa Soyuz, além de ter vivido a bordo da Estação Espacial Internacional.

Ao todo, Hadfield passou 166 dias em órbita. Recentemente, ficou conhecido por ter gravado a música “Space Oddity”, de David Bowie, em gravidade zero.

Hadfield reformou-se entretanto, e desde então passou a partilhar o seu conhecimento como astronauta num novo curso online na plataforma de ensino MasterClass.

Num artigo publicado na semana passada, o Business Insider perguntou a Hadfield se tem esperança de que a NASA, a SpaceX, a Blue Origin ou outra empresa ou governo que fazem parte da nova corrida espacial possam mandar pessoas para Marte e começar a colonizar o planeta vermelho na próxima década.

E a resposta de Hadfield foi surpreendente.

Poderíamos ter mandado pessoas para Marte há décadas atrás”, disse Hadfield ao Business Insider. “A tecnologia que nos levou à Lua e nos trouxe de volta quando eu era apenas uma criança, essa tecnologia poderia ter-nos levado a Marte”, afirmou o antigo astronauta.

Segundo o Business Insider, cientistas como Wernher von Braun, engenheiro-chefe do foguete Saturno V, da NASA, estiveram a planear uma missão tripulada a Marte já em 1952 – mais de 15 anos antes da primeira missão Apollo. Mas então, se já tínhamos a tecnologia, porque não estamos agora mesmo a andar sobre o solo de Marte?

Porque a tecnologia para a viagem não chega.

Hadfield realça que ter a capacidade de ir não significa que seja fácil, seguro ou que valeria o risco das vidas humanas em jogo, mesmo considerando novas naves espaciais. “A maioria dos astronautas que enviássemos nessas missões não sobreviveria”, aponta.

Riscos elevados

O maior risco de uma missão tripulada para Marte é a distância. “Marte está mais longe do que a maioria das pessoas pensa”, aponta Hadfield. E é verdade: há uma imensa distância entre a Terra e Marte. O planeta vermelho está cerca de 660 vezes mais longe de nós do que a Lua. Uma viagem de ida e volta pode demorar 500 dias ou mais.

À medida que os dois planetas giram à volta do Sol, essa distância é, ainda por cima, variável. O mais próximo que a Terra e Marte podem estar é à distância de 54,5 milhões de quilómetros.

O lançamento de veículos para Marte até agora levou 128 a 333 dias. Esse é um período de tempo muito grande para se estar a bordo de uma nave espacial. E tão longe da Terra, a oportunidade de lançar missões de resgate seria quase impossível.

Além disso, há riscos de longo prazo. Por exemplo, os astronautas teriam problemas de saúde decorrentes da exposição à radiação do espaço profundo. De acordo com um estudo de 2016 publicado na revista Nature, voos para a lua expuseram 24 astronautas que fizeram a viagem a um risco muito maior de doença cardíaca.

Os riscos mais directos das viagens espaciais também são numerosos, e não muito diferentes daqueles enfrentados pelos tripulantes das missões Apollo na década de 60.

Além do incêndio da Apollo 1, que matou três astronautas no solo durante um exercício de treinamento, a NASA quase perdeu a tripulação da Apollo 13. Também a Apollo 11 quase ficou sem combustível antes de aterrissar na superfície lunar.

Tudo isso aconteceu quando a NASA estava apenas a tentar enviar pessoas a 384 mil quilómetros de distância da Terra, durante cerca de uma semana.

Tecnologias que poderiam diminuir os problemas de uma viagem deste tipo, que, além da radiação e dos riscos de explosões, incluem outros problemas, ainda não existem. E naves com protecção leve, mas eficaz, cápsulas de hibernação e sistemas de suporte à vida bio-regenerativos fazem parte apenas da imaginação ou dos filmes, por enquanto.

Navegadores

Hadfield compara os últimos planos de exploração de Marte às primeiras viagens nas naus do século 15. “Fernão de Magalhães, quando zarpou em 1519, tinha cinco navios e 250 pessoas para tentar fazer a sua viagem à volta do mundo, e quase todos morreram”, realça Hadfield. “Só regressaram umas 15 ou 18 pessoas e um dos cinco navios”.

Segundo Hadfield, os foguetes de hoje são comparáveis às velas dos veleiros usados nas viagens do século 15, por ainda queimarem combustíveis químicos (além de oxigénio) para partir da Terra e viajar pelo espaço. “A queima de foguetes químicos é o equivalente a usar um veleiro ou um pedalzinho para tentar viajar pelo mundo”, compara Hadfield.

Ao projectar uma nave espacial, os engenheiros precisam de sacrificar a protecção contra radiação, suprimentos, ferramentas e espaço vital para garantir que haja combustível suficiente para a viagem.

É por isso que Hadfield acredita que o Sistema de Lançamento Espacial da NASA, o Big Falcon Rocket da SpaceX, ou o foguete New Glenn da Blue Origin, não irão revolucionar as viagens espaciais, como os seus criadores gostam de sugerir.

Todos estes projectos planeiam queimar combustível como propulsão. Ou seja, são todos veleiros a tentar viajar por um mundo muito grande.

“O meu palpite é que nunca iremos a Marte com os motores que existem em qualquer um desses três foguetes”, dia Hadfield ao Business Insider. “Não acho que seja uma forma prática de enviar pessoas a Marte, porque é são perigosa e demora demasiado tempo, e isso expõe-nos a um risco maior, durante um longo tempo”.

Não é que Hadfield esteja contra que a humanidade tente chegar a Marte, ou até colonizar o planeta. Pelo contrário, se não tivermos objectivos grandiosos, jamais conseguiremos avançar na exploração espacial.

Mas, diz o antigo astronauta canadiano, devemos estar atentos aos graves riscos envolvidos em qualquer tentativa de chegar ao planeta vermelho usando as tecnologias de que dispomos nos dias de hoje.

O ex-astronauta acredita que os cientistas irão eventualmente encontrar uma forma de chegar a Marte com segurança, e confia nisso devido aos avanços nas tecnologias de viagem espacial que tem visto.

O voo espacial era impossível quando nasci. E ainda estou vivo. Não passou muito tempo, e passámos do impossível para Peggy Whitson – que passou 665 dias no espaço – e para seis pessoas a viver numa nave espacial nos últimos 17 anos e meio, em contínuo. Deixámos a Terra, estabelecemo-nos no espaço apenas ao virar do século. Portanto, fizemos avanços extremamente rápidos”.

Mas, diz Hadfield, se a NASA ou empresas privadas estiverem interessadas em visitar e eventualmente colonizar Marte, como espera o fundador da SpaceX, Elon Musk, deveriam investir ainda mais em investigação científica básica.

Alguém tem que inventar algo em que ainda não pensámos”, diz Hadfield. “Parece estranho, mas descobrimos como aproveitar a electricidade e o que os electrões fazem, e isso parecia uma loucura, e revolucionou a nossa vida e as viagens”, conclui.

ZAP // Ciberia // HypeScience / Business Inside

Por ZAP
15 Julho, 2018

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455: Missão espacial chinesa vai tentar cultivar batatas na Lua

 

A missão lunar chinesa Chang E 4, que deve ser lançada no final deste ano, vai tentar cultivar plantas na Lua, nomeadamente batatas, parte de uma experiência que visa constituir colónias espaciais, informou hoje a imprensa chinesa.

A Chang E 4, a segunda sonda chinesa que aterrará na superfície lunar, transportará um recipiente com sementes de batatas e de arabidopsis, uma planta herbácea, visando testar o seu cultivo na Lua.

Serão ainda levados ovos de bichos-da-seda e a sua evolução gravada em vídeo, para ser observada a partir da Terra. Designada “mini biosfera lunar”, a experiência foi seleccionada entre mais de 200 propostas ao programa espacial chinês, e conta com a participação de 28 universidades do país.

O programa Chang E começou em 2007, com o lançamento de uma primeira sonda orbital e, desde então, levou à Lua quatro sondas.

A longo prazo o programa chinês tem como objectivo lançar uma missão tripulada à Lua. Chang E é o nome de uma deusa que vive na Lua, segundo uma lenda chinesa.

© Stringer UK Missão espacial chinesa vai tentar cultivar batatas na Lua

O programa espacial chinês iniciou-se há duas décadas e hoje dispõe de foguetões, taikonautas e uma estação espacial próprios, além de planos para a instalação de uma base autónoma na Lua.

msn notícias
12/04/2018
Lusa

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