2190: Astrónomos descobrem uma misteriosa “ponte intergaláctica” gigante

INAF

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma “ponte intergaláctica”, uma misteriosa corrente de ondas de rádio que abrange dez milhões de anos-luz e conecta dois aglomerados de galáxias que estão em processo de colisão lenta.

No Universo, a matéria é distribuída na forma de uma “teia cósmica”, que consiste de estruturas filamentosas cujas intersecções formam concentrações colossais de milhares de galáxias chamadas aglomerados.

Os investigadores, liderados por Federica Govoni, do Instituto Nacional de Astrofísica de Cagliari, em Itália, estudaram dois grupos denominados Abell 0399 e Abell 0401, usando a rede de radiotelescópios LoFar.

Os aglomerados de galáxias são os maiores objectos ligados gravitacionalmente no universo. Estes aumentam lentamente em massa, capturando gás nas proximidades e fundindo-se com outros aglomerados. Estão em pontos cruciais da distribuição de matéria no universo.

Observações anteriores descobriram um filamento que ligava as enormes concentrações de galáxias. O novo estudo, publicado na revista Science, determinou pela primeira vez que este filamento tem um campo magnético.

Os dois aglomerados localizam-se a cerca de 330 milhões de anos-luz da Terra. Um filamento de gás que conecta os dois aglomerados contém partículas carregadas electricamente aceleradas, emitindo radiação sincrotrão e produzindo um sinal de rádio caracteristicamente difuso (muitas vezes chamado de halo). Os próprios aglomerados de galáxias possuem esses halos.

“Normalmente observamos esse mecanismo de emissão em acção em galáxias individuais e até mesmo em aglomerados de galáxias, mas nunca antes foi observada uma emissão de rádio a conectar dois desses sistemas”, explicou Matteo Murgia, do Instituto Nacional de Astrofísica, em comunicado.

“A presença desse filamento despertou a nossa curiosidade e levou-nos a investigar se o campo magnético poderia estender-se além do centro dos aglomerados, permeando o filamento da matéria que os conecta. Com grande satisfação, a imagem obtida com o radiotelescópio LOFAR confirmou a nossa intuição, mostrando o que pode ser definido como uma espécie de “aurora” em escalas cósmicas”, continuou Govoni.

Agora, o objectivo é entender “se esse filamento magnetizador é um fenómeno comum na rede cósmica”.

ZAP //

Por ZAP
18 Junho, 2019

2166: Asteróide do tamanho de um campo de futebol pode atingir a Terra em Setembro

CIÊNCIA

(dr) Detlev van Ravenswaay

Em Setembro, a Terra tem uma probabilidade de 1 em 7.000 de ser visitada pelo asteróide 2006 QV89. Aliás, há menos probabilidade de ganhar a lotaria do que sermos atingidos pelo objecto celeste – 1 em 100.000.

De acordo com a lista de objectos espaciais da Agência Espacial Europeia (ESA) que poderia colidir com a Terra, a rocha espacial deve visitar-nos em 9 de Setembro de 2019. A lista actualizada em 6 de Junho e, entre os 10 objectos incluídos, o asteróide 2006 QV89 ficou em quarto lugar.

Comparado com o asteróide de dez quilómetros que aniquilou os dinossauros há cerca de 66 milhões de anos, o 2006 QV89 é muito menor, medindo apenas 40 metros de diâmetro. Apesar disso, este asteróide tem o tamanho de um campo de futebol.

A ESA está actualmente a monitorizar o caminho do asteróide, embora ainda seja improvável que a rocha vá realmente atingir a Terra. De acordo com o modelo da agência, o 2006 QV89 está provavelmente a 6,7 ​​milhões de quilómetros do planeta – a Lua está a 384.400 quilómetros de distância.

Este asteróide foi descoberto em 29 de Agosto de 2006 através do Catalina Sky Survey, uma organização sediada num observatório perto de Tucson, no Arizona, quando estava a três mil milhões de quilómetros do nosso planeta. Na realidade, este asteróide até é um visitante frequente da Terra. Após o seu sobrevoo previsto para 2019, espera-se que o objecto volte a passar pelo Planeta Azul em 2032, 2045 e 2062.

A NASA, que rastreia objectos próximos da Terra, emparelhou-se com a ESA no mês passado para publicar informações sobre como o governo e os cientistas deveriam lidar com um ataque real de asteróides.

Um estudo publicado em Março na revista Icarus descobriu que quanto maior o asteróide, mais difícil será explodi-lo. De acordo com um relatório de 2018, há mais de 18 mil objectos próximos da Terra – ou Near Earth Objects (NEO).

Casos de colisão de asteróides com a Terra são raros, mas é conhecido o incidente do ano 1908, o Evento de Tunguska, quando a queda de um meteorito na Rússia provocou uma grande explosão e destruiu 2.000 quilómetros quadrados de floresta.

No ano de 2013, um asteróide destruiu-se, entrando na atmosfera da Terra e os estilhaços do meteorito que caíram provocaram cerca de 2.000 feridos e causaram vários danos na região russa de Chelyabinsk.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

2157: A Terra pode mesmo ser engolida por um buraco negro

CIÊNCIA

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

Um físico da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, afirmou recentemente que há possibilidade de o planeta Terra ser engolido por um buraco negro.

Não é uma hipótese tão remota quanto imaginávamos. A Via Láctea tem um buraco negro super-massivo no seu centro que, um dia, colidirá com o buraco negro super-massivo que vive na nossa vizinha Andrómeda. Desta colisão catastrófica, a Terra pode não sair ilesa.

Ao Daily Star, o físico Fabio Pacucci, da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, explicou que há dois tipos principais de buracos negros. Os menores, chamados buracos negros de massa estelar, que têm uma massa de até 100 vezes maior que a do nosso Sol, e os maiores, que são mil milhões de vezes maiores. Ambos podem destruir o nosso planeta, ou mesmo toda a galáxia, revelou.

O especialista acrescentou ainda que vários objectos destes género estão em movimento, “tão próximos quanto 3.000 anos-luz de distância”. Aliás, na nossa Via Láctea, pode mesmo haver “até 100 milhões de pequenos buracos negros“.

Estes buracos negros menores, completamente “vazios no Espaço”, representam um verdadeiro perigo, na medida em que são incertos. A probabilidade de colisão é muito pequena, mas basta uma “passagem rasante” entre buracos negros para empurrar o nosso planeta para o forno nuclear e, assim, engolir a Terra.

“Apesar da sua grande massa, os buracos negros estelares têm apenas um raio de cerca de 300 quilómetros ou menos, tornando minúsculas as hipóteses de um impacto directo com a Terra. Apesar de os seus campos gravitacionais poderem afectar um planeta a grande distância, eles podem ser perigosos mesmo sem uma colisão directa”, disse o especialista.

Pacucci ressaltou ainda que “se um típico buraco negro de massa estelar passasse na região de Neptuno, a órbita da Terra seria consideravelmente modificada, com resultados terríveis”.

Quanto aos buracos negros super-massivos, o físico alertou que “estes gigantes podem atingir proporções imensas, engolindo matéria e fundindo-se com outros buracos negros”. “Ao contrário dos seus primos estelares, os buracos negros super-massivos não estão a vaguear pelo Espaço. O nosso Sistema Solar está numa órbita estável em torno de um buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea, a uma distância segura de 25.000 anos-luz”, esclarece o cientista, avisando no entanto que “isso pode mudar“.

“Se a nossa galáxia colidir com outra, a Terra pode ser lançada para o centro galáctico, suficientemente perto do buraco negro super-massivo para ser eventualmente engolida. Prevê-se que uma colisão com a galáxia Andrómeda aconteça daqui a quatro mil milhões de anos”, rematou.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
12 Junho, 2019

2141: This Asteroid Has a 1-in-7,000 Chance of Hitting Earth This Fall

Credit: Shutterstock

This fall, Earth has about a 1-in-7,000 chance of getting an uninvited extraterrestrial visitor: asteroid 2006 QV89.

The space rock is expected to whiz by our planet on Sept. 9, 2019, according to European Space Agency’s (ESA) list of space objects that could collide with Earth. That list was updated online June 6. Out of 10 objects on the list, 2006 QV89 ranked fourth.

Compared to the 6-mile-long (10 kilometers) asteroid that killed the nonavian dinosaurs about 66 million years ago, 2006 QV89 is pretty dinky, measuring just 130 feet (40 meters) in diameter, or about the length of two bowling alleys placed end to end. [Images: Russian Meteor Explosion]

The ESA is monitoring the asteroid’s route, but the space rock is unlikely to careen into Earth. According to the ESA’s modeling, 2006 QV89 will likely get as close as about 4.2 million miles (6.7 million km) to the planet. To put that in perspective, the moon is 238,900 miles (384,400 km) away.

That said, there is a 1-in-7,299 chance that 2006 QV89 will hit the planet, the ESA said.

As its name suggests, asteroid 2006 QV89 was discovered on Aug. 29, 2006; it was spotted by the Catalina Sky Survey, an organization based at an observatory near Tucson, Arizona. The asteroid is actually quite a frequent visitor to our planet. After its 2019 flyby, the object is expected to swoop by Earth in 2032, 2045 and 2062, the ESA reported.

NASA, which also tracks near-Earth objects, paired up with the ESA last month to live-tweet information about how the government and scientists should handle an actual asteroid strike. However, fans of the movie “Armageddon” should forget about blowing up big asteroids with bombs. A study that came out in March in the journal Icarus found that the larger the asteroid, the harder it will be to blow up.

Originally published on Live Science.
By Laura Geggel, Associate Editor

2059: Estrela zombie nasce após rara colisão entre anãs brancas

(dr) Gvaramadze et al / Nature 2019

Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Academia de Ciências da Rússia encontraram uma rara estrela entre as nuvens de gás a 10.000 anos-luz da Terra.

A estrela incomum, conhecida como J005311, surgiu muito provavelmente a partir do seu cataclismo cósmico depois da colisão de duas estrelas mortas na constelação de Cassiopeia. A descoberta, publicada recentemente na revista Nature, revela a natureza da exótica estrela zombie e as suas propriedades incomuns.

Para fazer a observação, a equipa utilizou o telescópio espacial Wide-field Survey Explorer, da NASA, e um telescópio terrestre do Observatório Astrofísico Especial da Rússia.

Quando uma estrela pequena esgota o seu combustível, transforma-se numa “anã branca”, ou seja, uma pequena e densa estrela morta. No entanto, os cientistas analisaram a radiação emitida pela estranha estrela e descobriram que não possuía hidrogénio nem hélio, elementos geralmente presentes numa anã branca.

Graças a um sinal emitido pela J005311, os astrónomos suspeitam ter detectado o resultado daquilo que pensam ter sido uma fusão cósmica entre duas anãs brancas que circulavam entre si há milhares de milhões de anos.

“Este é um evento extremamente raro”, explicou Gotz Grafener, co-autor do artigo científico, num relatório divulgado recentemente, no qual adianta ainda que há menos de meia dúzia de objectos como este na Via Láctea.

Habitualmente, colisões entre anãs brancas terminam em grandes explosões estelares, chamadas de super-novas. O curioso é que a J005311 não explodiu – pelo contrário, foi reanimada e começou a queimar novamente.

Este evento, que deixou os cientistas muito surpreendidos, atrasou apenas a morte da estrela alguns milhares de anos, já que o seu destino não pode ser outro: ela irá, eventualmente, morrer. Assim como da primeira vez, a sua vida chegará ao fim no exacto momento em que esgotar todo o seu combustível.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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1947: Asteróide destruiu a cidade de Nova Iorque numa simulação

CIÊNCIA

Andrew Rowe / Flickr

Na semana passada, a NASA e várias agências federais, juntamente com várias organizações internacionais, planearam um exercício que pode, no futuro, salvar milhões de vidas: simularam o que aconteceria se um asteróide fosse descoberto em rota de colisão com a Terra.

O exercício, parte da Conferência de Defesa Planetária, permite que os investigadores resolvam os desafios científicos, técnicos e políticos que terão que ser superados para proteger com sucesso o nosso planeta do impacto de um asteróide.

A simulação condensa oito anos de ficção em cinco dias. Graças a observações terrestres, descobriu-se que o asteróide fictício 2019 PDC tem uma probabilidade de 1 em 100 de atingir a Terra. No Dia 2, calcula-se que o risco é agora de 1 em 10 e provavelmente atingirá Denver, Colorado, em 29 de Abril de 2027.

As fases de planeamento das missões de reconhecimento e de defesa aumentam um pouco. No dia 3, no final de Dezembro de 2021, a primeira nave de reconhecimento chegou ao asteróide. Na missão de deflexão, várias naves devem entrar no asteróide em Agosto de 2024 para retirá-lo da órbita.

O dia 4 começou alguns dias depois da deflexão e trouxe boas notícias e algumas más. O corpo principal do asteróide foi desviado com sucesso, mas um fragmento com entre 50 e 80 metros de tamanho ainda estava em rota de colisão com a Terra – mais especificamente a cidade de Nova Iorque. Além disso, os detritos libertados pelo impacto destruíram a nave de reconhecimento, tornando muito mais difícil saber o que estava a acontecer.

“Precisamos nos desafiar e fazer as perguntas difíceis. Não se aprende nada se não se estudar o pior caso possível a cada dia”, explicou Paul Chodas, director do Centro de Estudos de Objectos da Terra no JPL da NASA, e criador do cenário, em comunicado.

Tendo ficado sem opções, a equipa reformulou a opção nuclear que foi discutida no segundo dia, mas foi arquivada devido a controvérsias e riscos generalizados. Os investigadores analisaram o envio de um dispositivo nuclear de 300 quilotonatos para explodir a menos de 145 metros do fragmento de asteróide, o que poderia desviá-lo ou fragmentá-lo, mostraram os cálculos.

Mas mesmo com a confiança nos números – a mesma estratégia conseguiu salvar Tóquio na simulação do ano passado – a missão não pôde ser implementada devido a divergências políticas e o asteróide não pôde ser parado. Tudo o que restava era preparar Nova Iorque para o impacto.

O dia 5 começou apenas 10 dias antes do impacto. O asteróide entraria na atmosfera a 19 quilómetros por segundo e libertaria o equivalente a 5-20 megatons de energia na explosão. Explodiria a cerca de 15 quilómetros acima do Central Park, destruindo a cidade e criando um raio “não-seguro” de 15 quilómetros.

Nesse cenário, é o trabalho da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) de evacuar e realojar dez milhões de pessoas, os seus animais de estimação e pertences, proteger instalações nucleares e químicas na área e transferir obras de arte. O tom da conversa mudou do técnico e científico, para o sociológico, legal e político.

“Este exercício é valioso na medida em que continua o trabalho actualmente em andamento para identificar as principais questões para este cenário de baixa probabilidade, mas de altas consequências”, disse Leviticus Lewis, da FEMA.

Tóquio salvou-se no exercício do ano passado, mas outras vítimas fictícias de asteróides incluem a Riviera Francesa, Daca e Los Angeles. No entanto, a probabilidade de um asteróide impactar a Terra permanece altamente improvável e os exercícios são planeados para ser o pior caso dentro do campo de possibilidades. O próximo exercício acontecerá em Viena em 2021.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
9 Maio, 2019

 

1934: Cataclismo cósmico na vizinhança do Sistema Solar pode ter brindado a Terra com metais preciosos

NASA Goddard

Uma nova investigação, levada a a cabo por cientistas norte-americanos, sugere que uma violenta colisão entre duas estrelas de neutrões há 4,6 milhões de anos brindou a Terra com metais preciosos. O novo estudo pode abrir portas para melhor compreender a formação e composição do Sistema Solar.

De acordo com a publicação, cujos resultados foram na passada semana publicados na revista científica especializada Nature, este evento cósmico único, que ocorreu na vizinhança do Sistema Solar, deu origem a 0,3% dos elementos mais pesados da Terra, que incluem outro, platina e urânio.

“Os resultados significam que cada um de nós encontrou o valor de uma pestana destes elementos, principalmente na forma de iodo, que é essencial para a vida”, explicou o astrofísico Imre Bartos, da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, que liderou o estudo em parceria com o especialista Szabolcs Marka, da Universidade de Columbia.

“Um anel de casamento, que expressa uma conexão humana profunda, é também uma conexão com o nosso passado cósmico ainda antes da Humanidade e da formação da Terra, com cerca de 10 miligramas daqueles que, provavelmente, se formaram há 4,6 mil milhões de anos”, acrescentou o cientista, citado em comunicado.

Bartos frisou que os “meteoritos formados no início do Sistema Solar carregam traços de isótopos radioactivos” e, por isso, completou Marka, são importantes para rastrear o momento em que foram criados, uma vez que “à medida que estes isótopos se vão partindo, agem como relógios” que podem apontar para o momento da sua génese.

Para chegar a esta conclusão, Bartos e Marka compararam a composição dos meteoritos com as simulações numéricas da Via Láctea. Os astrofísicos descobriram que uma única colisão de estrelas de neutrões poderia ter ocorrido 100 milhões de anos antes da formação da Terra, na vizinhança do Sistema Solar, a cerca de 1.000 anos-luz da nuvem de gás que eventualmente formou o Sistema Solar.

A Via Láctea tem um diâmetro de 100.000 anos luz – 100 vezes a distância deste evento cósmico que ocorreu no berço da Terra. “Se um evento semelhante ocorresse hoje em dia a uma distância semelhante do Sistema Solar, a radiação resultante poderia eclipsar todo o céu nocturno”, referiu Marka, ilustrando a dimensão do evento cósmico.

Os astrofísicos acreditam que a sua investigação traz novas e importantes formações sobre um fenómeno singular e importante para a história da Humanidade. “[A investigação] lança luz sobre os processos envolvidos na origem e composição do nosso Sistema Solar e irá um novo tipo de investigação em várias disciplinas, como Química, Biologia e Geologia, para resolver o quebra-cabeça cósmico”, rematou Bartos.

Apesar de a investigação fornecer novas evidências sobre o berço da Terra, ficam ainda por responder várias questões antigas. “Os nosso resultados abordam a procura fundamental da Humanidade: de onde viemos e para onde vamos? É muito difícil descrever as tremendas emoções que sentimos quando percebemos o que tínhamos encontrado e o que significa para o futuro enquanto continuámos a procurar uma explicação para o nosso lugar no Universo”, completou Marka.

Pensar num evento cósmico catastrófico como a origem de uma aliança de casamento pode parecer estranho, mas estes elementos pesados – onde se incluem, para além do ouro, o plutónio e outros elementos mais pesados do que o ferro – só podem ser fruto de um evento extremo do Cosmos.

Tal como explica o portal Live Sicence, estes elementos pesados são resultado de um processo de captura rápida de neutrões – também conhecido como processo r -, no qual um núcleo atómico aglomera-se rapidamente num grupo de neutrões livres antes que o seu núcleo tenha tempo decair radio-activamente.

O fenómeno pode ocorrer durante dois tipos de eventos: explosões de super-novas ou colisão entre estrelas de neutrões. Apesar de os “pais” dos metais preciosos estarem há anos identificados, os cientistas continuam a dividir-se sobre qual dos dois processos é o responsável pela produção de elementos pesados no Universo.

Para já, a culpa ficará solteira.

SA, ZAP //

Por SA
7 Maio, 2019

artigo relacionado: Livescience

 

1907: NASA realiza exercícios “apocalípticos” para preparar um possível impacto na Terra

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A NASA está a levar a cabo uma série de “exercícios de mesa” durante a Conferência de Defesa Planetária, que está a decorrer desde esta segunda-feira e que se estende até 3 de maio no estado norte-americano de Maryland.

O encontro, que conta com a participação de agências federais dos Estados Unidos, organizações internacionais e vários especialistas, visa traçar um plano de defesa face a um possível impacto de asteróides ou cometas na Terra.

Tal como explicou a agência espacial norte-americana, os trabalhos realizados durante a conferência vão lidar com um cenário fictício de um impacto de um Near Earth Objects (NEO), desenvolvido pelo NEO Study Center do Laboratório de Propulsão (JPL) da NASA.

Os cientistas trabalham com a hipótese de um suposto asteróide, (falsamente) descoberto a 26 de Março, qualificado como potencialmente perigoso para a Terra.

“Os participantes discutirão missões de reconhecimento e possível deflexão, bem como formas de mitigar os efeitos do impacto caso o plano de deflexão não seja capaz de evitar a crise”, explicou Lindley Johnson, do departamento de Defesa Planetária da NASA, citada em comunicado. “Este exercício vai ajudar-nos a desenvolver comunicações mais efectivas entre nós e com os nossos Governos”, completou.

Num tweet publicado nesta segunda-feira, a NASA recorda que, à semelhança dos treinamentos e dos simulacros estudados para terramotos, incêndios e tornados, este é momento para saber o que fazer face a uma hipotética queda de um asteróide na Terra.

“Gostaríamos de estar preparados. Enquanto a Terra está a salvo de todos os asteróides conhecidos, esta semana estamos a reunir os nosso parceiros para praticar o que teremos que fazer numa situação diferente”, pode ler-se na mesma publicação.

✅Fire drill

✅Earthquake drill

✅Tornado drill

🔲Asteroid drill We like to be prepared. While Earth is safe from all known asteroids, this week we’re joining our partners to practice what to do if in a different situation. Follow this :

NASA @NASA

We like to be prepared. While Earth is safe from all known asteroids, this week we’re joining our partners to practice what to do if in a different situation. Follow this #ExerciseOnly: https://go.nasa.gov/2GHURIe 

Outro dos cenários que será analisado pelos especialistas que participam no encontro é a possível ameaça de um cometa, detectado a 4 de Abril, que poderia impactar a Terra a 28 de Fevereiro de 2021. À semelhança do asteróide, importa frisar, também este cometa foi “inventado” como o propósito de servir de mote para os exercícios de preparação.

Este tipo de exercícios, que fazem parte de um plano desenvolvido já há seis anos e que em 2018 foi publicado pela Casa Branca, é frequentemente utilizado para planear a gestão de possíveis desastres, bem como para ajudar a informar as partes envolvidas. No fundo, o projecto visa antecipar um potencial evento “apocalíptico”, tendo como principal objectivo accionar uma resposta planeada de forma a mitigá-lo ou minimizá-lo.

Além da NASA e do Departamento de Coordenação de Defesa Planetária, participam também neste evento representantes dos Departamentos de Estado e Defesa dos Estados Unidos, a Rede Internacional de Alerta de Asteróides, entre outros organismos como a Agência Federal de Gestão de Emergências nos Estados Unidos (FEMA).

“A NASA e a FEMA vão continuar a realizar exercícios periódicos com uma comunidade cada vez maior de agências do Governo dos Estados Unidos e parceiros internacionais”, apontou Johnson. Estes exercícios “são uma óptima forma de aprendermos a trabalhar juntos e atender às necessidades de todos, bem como aos objectivos estabelecidos no Plano de Acção Nacional de Preparação para possíveis NEOs da Casa Branca, rematou.

ZAP //

Por ZAP
30 Abril, 2019

 

1875: Cientistas têm nova estratégia para detectar asteróides em rota de colisão com a Terra

ESA

Uma equipa de astrónomos da NASA propôs uma nova estratégia para a detecção precoce de rochas espaciais em rota de colisão com a Terra, que consiste no rastreamento do calor que estes corpos rochosos emitem durante a sua trajectória.

“Se encontrarmos um objeto apenas alguns dias dias antes do impacto, as nossas opções são limitadas”, começou por explicar a cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da agência espacial norte-americana, Amy Mainzer.

“Por isso, concentramos os nossos esforços para encontrar NEOs (Near-Earth Object), quando estes se encontram ainda muito longe do planeta, fornecendo o máximo tempo possível e abrindo uma gama mais ampla de possibilidade para a mitigação” do objeto”.

Contudo, a identificação não é fácil. De acordo com Mainzer, detectar um asteróide é como identificar um pedaço de carvão no céu nocturno. “Os NEOs são intrinsecamente fracos porque são, na sua grande maioria, muito pequenos e distantes de nós no Espaço. Alguns destes objectos são tão escuros como o tinteiro de uma impressora. Tentar detectá-los no preto do Espaço é realmente muito difícil”.

Tentando fintar esta dificuldade, a cientista pretende utilizar o calor dos NEOs em vez da luz visível para os detectar. e cometas são aquecidos pelo Sol e, por isso, brilham intensamente nos comprimentos de onda térmicos (infravermelho), tornando-os mais fáceis de detectar com o telescópio de exploração infravermelho de campo amplo de objectos próximos da Terra (NEOWISE).

“Com a missão NEOWISE, podemos detectar objectos independentemente da cor da sua superfície e usá-los para medir as suas dimensões e outras propriedades da sua superfície,  disse Mainzer, explicando que conhecer estas propriedade é crucial para que os cientistas possam definir uma estratégia defensiva contra um eventual impacto.

“Esses objectos são intrinsecamente interessantes, uma vez que se acredita que alguns [destes corpos] são tão antigos quanto o material original que formou o Sistema Solar”.

“Estamos a propor à NASA a criação de um novo telescópio, o NEOCam (Near Earth Object Camera), para fazer um trabalho muito mais completo de mapeamento quer nas trajectórias dos objectos, quer nas suas dimensões”, concluiu.

Na apresentação dos resultados, que foram esta semana publicados na revista científica, Bulletin of the American Physical Society, Mainzer explica como é que a NASA trabalha com a comunidade espacial global visando atingir um esforço o internacional para defender a Terra de um eventual impacto. Além da agência espacial norte-americana, também a Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) está focada em estudar estes objectos, tendo em desenvolvimento uma missão que visa recolher amostras de um asteróide.

ZAP //

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22 Abril, 2019

 

1783: Colisões de asteróides em Marte podem ter produzido “ingredientes-chave” para a vida

JPL-Caltech / NASA
Curiosity / Mars Science Laboratory aproximando-se de Marte, conceito de artista

Um novo estudo revela que os impactos de asteróides no passado de Marte podem ter produzido ingredientes essenciais para a vida caso a atmosfera marciana tenha sido rica em hidrogénio.

Uma atmosfera inicial rica em hidrogénio também explicaria como o planeta permaneceu habitável depois da sua atmosfera ter ficado mais fina. O estudo usou dados do rover Curiosity da NASA e foi realizado por investigadores da equipa do instrumento SAM (Sample Anaylsis at Mars) do Curiosity e por colegas internacionais.

Estes ingredientes-chave são nitritos (NO2-) e nitratos (NO3-), formas fixas de azoto que são importantes para o estabelecimento e sustentabilidade da vida como a conhecemos. O Curiosity descobriu estes elementos em amostras de solo e rocha ao atravessar a Cratera Gale, local de antigos lagos e sistemas de águas subterrâneas em Marte.

Para compreender como o azoto fixado pode ter sido depositado na cratera, os cientistas precisaram de recriar a atmosfera primitiva de Marte aqui na Terra.

O estudo, liderado pelo Dr. Rafael Navarro-González e pela sua equipa de cientistas do Instituto de Ciências Nucleares da Universidade Nacional Autónoma do México, na Cidade do México, usou uma combinação de modelos teóricos e dados experimentais para investigar o papel do hidrogénio na alteração de azoto em nitritos e nitratos usando a energia de impactos de asteróide. O artigo foi publicado na edição de Janeiro da revista Journal of Geophysical Research: Planets.

No laboratório, o grupo usou pulsos laser para simular as ondas de choque altamente energéticas criadas por asteróides que colidem com a atmosfera. Os pulsos foram focados num frasco contendo misturas dos gases hidrogénio, azoto e dióxido de carbono, representando a atmosfera primitiva de Marte.

Após os pulsos laser, a mistura resultante foi analisada para determinar a quantidade de nitratos formados. Os resultados foram, no mínimo, surpreendentes.

“A grande surpresa foi que a quantidade de nitrato aumentou quando o hidrogénio foi incluído nas experiências que simularam os impactos de asteróides,” disse Navarro-González. “Isto foi contra-intuitivo, já que o hidrogénio leva a um ambiente pobre em oxigénio, enquanto a formação de nitratos requer oxigénio.

No entanto, a presença de hidrogénio levou a um arrefecimento mais rápido do gás aquecido pelo choque, prendendo óxido nítrico, o percursor do nitrato, a temperaturas elevadas onde a sua quantidade produzida era maior.”

Embora estas experiências tenham sido realizadas num ambiente controlado de laboratório, a milhões de quilómetros do Planeta Vermelho, os cientistas queriam simular os resultados obtidos com o Curiosity usando o instrumento SAM. O SAM recolhe amostras perfuradas de rochas ou tiradas da superfície pelo braço mecânico do rover e “cozinha-as” para examinar as impressões digitais químicas dos gases libertados.

“O SAM, a bordo do Curiosity, foi o primeiro instrumento a detectar nitrato em Marte,” disse Christopher McKay, co-autor do artigo do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia. “Devido aos baixos níveis de azoto gasoso na atmosfera, o nitrato é a única forma biologicamente útil de azoto em Marte. Assim, a sua presença no solo é de grande importância astrobiológica. Este artigo científico ajuda-nos a entender as possíveis fontes desse nitrato.”

Porque é que os efeitos do hidrogénio são tão fascinantes? Embora a superfície de Marte seja hoje fria e inóspita, os cientistas pensam que uma atmosfera mais espessa, enriquecida com gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e vapor de água, pode ter aquecido o planeta no passado. Alguns modelos climáticos mostram que pode ter sido necessária a adição de hidrogénio na atmosfera a fim de elevar a temperatura o suficiente para ter água líquida à superfície.

“Ter mais hidrogénio como gás de efeito estufa na atmosfera é interessante tanto para a história climática de Marte quanto para a sua habitabilidade,” acrescentou Jennifer Stern, geoquímica planetária do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, co-investigadora do estudo.

“Se temos uma ligação entre duas coisas boas para a habitabilidade – um clima potencialmente mais quente com água líquida à superfície e um aumento na produção de nitratos, que são necessários para a vida – é muito emocionante. Os resultados deste estudo sugerem que estes dois itens, que são importantes para a vida, encaixam juntos e melhoram a presença um do outro.”

Mesmo que a composição da atmosfera primitiva de Marte continue a ser um mistério, estes resultados podem fornecer mais peças para resolver este enigma climático.

1627: Há três datas prováveis para o Apocalipse. Duas das quais ainda este século

(CC0/PD) photoshopper24 / pixabay

A humanidade corre o risco de ser extinta devido à colisão da Terra com um corpo celeste, a uma catástrofe natural ou até tecnológica. Este cenário não é uma fantasia saída dos filmes de Hollywood, mas antes fruto das previsões de vários cientistas.

Apesar de existirem várias e diferentes opiniões sobre a data do fim do mundo, não é ainda certo quando vai acontecer. Ainda assim, o cientistas estão certos de uma coisa: vai ocorrer ainda este século. Tendo em conta as várias correntes sobre o fenómeno, a Sputnik News compilou três previsões científicas próximas sobre o evento apocalíptico.

2036

Entre os possíveis eventos que poderiam levar ao fim do mundo um dos mais populares é a colisão da Terra com um asteróide. É a velha máxima: A questão não é se um asteróide vai colidir com a Terra, é quando.

De momento, o asteróide mais preocupante para os cientistas é o Apophis, que em 13 de Abril de 2029 se aproximará do nosso planeta a uma distância de 38 mil quilómetros (uma distância dez vezes menor do que a existente entre a Terra e a Lua).

Há uma pequena possibilidade de o asteróide entrar numa zona perigosa de 600 metros, onde o campo gravitacional da Terra mudará a sua trajectória de voo. Se isso acontecer, o Apophis colidirá com a Terra em 2036.

Segundo os cientistas da Universidade Técnica Estatal Bauman de Moscovo, na Rússia, na zona de risco, e caso se dê a colisão do Apophis com a Terra em 2036, encontra-se o Extremo Oriente russo, os países da América Central e África Ocidental.

2026

Há mais de 50 anos, o cientista americano Heinz von Foerster publicou com os seus colegas um artigo na revista científica Science, no qual revelou a data exacta do Dia do Juízo Final – 13 de Novembro de 2026. Nesse dia, a população da Terra deixará de crescer exponencialmente e tenderá ao infinito, escreveram os especialistas.

Para fazer os cálculos, Foerster usou dois parâmetros que determinam o destino de qualquer forma de vida: fertilidade e esperança de vida. Em 1975, o astrofísico alemão Sebastian von Hoerner teve em contra outros parâmetros ligados à actividade humana e estabeleceu que o Apocalipse chegará entre 2020 e 2050, quando a população da Terra aumentará a tal ponto que não será capaz de se alimentar.

Os cientistas americanos, por sua vez, usaram números actuais nas fórmulas produzidas de von Hoerner e revelaram que o fim do mundo não deverá acontecer antes de 2300 e 2400 devido ao aquecimento global provocado pelas actividades humanas.

Século XXI

Em 1972 o Clube de Roma, organização informal que reúne intelectuais, cientistas e futurólogos, apresentou um relatório sobre os limites de desenvolvimento da civilização. Os autores analisaram o crescimento da população, a indústria e o consumo dos recursos não renováveis, a deterioração do ambiente e revelaram que existe uma grande possibilidade de o colapso acontecer já no século XXI, se a humanidade não mudar seu comportamento, política e desenvolvimento tecnológico.

Nos anos 1980, diversos matemáticos estabeleceram que, conhecendo o início e duração da humanidade, é possível prever quando esta termina. Esta hipótese chama-se “argumento do Dia do Juízo Final”. Segundo os matemáticos, se quisermos analisar um qualquer processo, o mais possível é que o façamos em meados desse processo, mas não no seu início ou no fim, ou seja, a nossa civilização está a metade do caminho e ainda teremos pela frente alguns séculos ou milénios.

Entretanto, há quem que acredite que colapso da humanidade ocorrerá já em breve. Por exemplo, o futurologista Aleksei Turchin, no livro “Estrutura da Catástrofe Global”, analisa diferentes métodos de cálculo da data exacta do Apocalipse e a maioria aponta que o Dia do Juízo final chegará no século XXI.

Estas previsões vão ao encontro do Relógio do Apocalipse que, no passado mês de Janeiro, actualizou os seus ponteiros, dando conta que estamos a dois minutos do fim – no ano passado, os ponteiros marcavam já esta posição, assinalando, pela terceira vez desde que o relógio existe, a maior aproximação à meia noite.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
23 Fevereiro, 2019