“Temos sorte de estar vivos”. Glaciar colapsa em frente a canonistas no Alasca

© SIC Notícias

Vídeo capta o exacto momento em que o glaciar colapsa.

Andrew Hooper e Josh Bastyr testemunharam na primeira fila o momento em que o glaciar caiu na água. Ambos tinham as câmaras apontadas para um colapso que estava anunciado.

No vídeo publicado pelo canonista ouve-se o gelo a quebrar e, uns minutos mais tarde, vê-se o glaciar a cair com violência na água. Nesse momento é projectada uma massa de água na direcção dos dois homens.

Um dos protagonistas da história com um final feliz grita “temos sorte de estar vivos”.

msn notícias
SIC Notícias
19/08/2019

 

2233: Elon Musk alerta: Civilização pode colapsar daqui a 30 anos

Bret Hartman, TED / Flickr

De acordo com Elon Musk, uma “bomba populacional” vai surgir nas próximas décadas, quando uma população mundial cada vez mais idosa chocar com a queda das taxas de natalidade em todo o mundo.

Esta não é a primeira vez que Musk falou sobre um colapso mundial na população humana, relata o Business Insider, mas agora está a elaborar a sua teoria, dizendo que vamos começar a ver os efeitos mais terríveis em 2050.

O empresário Elon Musk abordou a temática pela primeira vez há dois anos, em 2017, quando respondeu à revista New Scientist no Twitter. “A população mundial está a acelerar em direcção ao colapso, mas poucos parecem notar ou importar-se”, escreveu o empresário à época, acrescentando que esta “bomba” iria explodir em 2076.

Agora, Musk regressou à ideia de uma bomba populacional na sexta-feira, respondendo no Twitter a uma publicação sobre superpopulação global, que projectava que a população global cresceria em cerca de 1,6 mil milhões em 2050, para argumentar que o envelhecimento e uma brecha entre a demografia seria um problema maior até 2050.

World of Engineering @engineers_feed

1950 (historical) world population – 2,556,000,053

Current world population – 7,712,343,478

2050 (projected) world population – 9,346,399,468

Elon Musk

@elonmusk

Real issue will an aging & declining world population by 2050, *not* overpopulation. Randers estimate far more accurate than UN imo: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Projections_of_population_growth 

Musk citou Jørgen Randers, um académico norueguês que, no seu livro de 2012 “2052: Uma Previsão Global para os Próximos Quarenta Anos” disse que a população humana começaria a diminuir por volta de 2040.

Porém, a ideia não é universalmente aceite. O relatório das Nações Unidas sobre População Mundial de 2019 estimou que a população da Terra poderia chegar a 9,7 mil milhões em 2050. No entanto, também concluiu que a população mundial está a crescer a uma taxa de desaceleração e observou o “envelhecimento sem precedentes da população mundial”.

Musk considera que a população mundial começará a parecer-se com uma pirâmide invertida nas próximas três décadas. “A demografia, estratificada pela idade, parece uma pirâmide de cabeça para baixo com muitos idosos e menos jovens”, escreveu.

ZAP //

Por ZAP
26 Junho, 2019

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2175: Troféus feitos de crânios podem explicar o fim da civilização Maia

CIÊNCIA

axelrd / Flickr

A descoberta recente de dois crânios usados como troféu nas selvas de Belize pode ajudar a esclarecer o colapso pouco explicado da civilização maia clássica.

Os crânios humanos foram pintados e tinham o propósito de serem usados como um colar em volta do pescoço. Foram enterrados há mais de mil anos com um guerreiro na cidade maia de Pacbitun e, possivelmente, eram troféus de guerra feitos dos restos de inimigos derrotados, de acordo com o artigo do antropólogo Gabriel D. Wrobel no The Conversation.

Os autores destes pendentes extravagantes gastaram muito tempo a prepará-los. Primeiro, tiraram a carne ao crânio com uma lâmina afiada e, depois, fizeram dois furos em cada extremidade, a fim de ancorar uma corda para suspender o crânio. Um dos troféus do crânio foi esculpido com um desenho ornamentado e pintado com pigmento vermelho.

Este achado, juntamente com o crescente número de descobertas em Belize, Honduras e México, parece mostrar que eclodiu um conflito civil entre os poderes do norte e as dinastias estabelecidas do sul. Em muitas cidades do norte, as descobertas deste período têm um sentido militarista.

Os vasos de cerâmica encontrados próximos aos crânios datam do século 8 ou 9, quando se iniciou o declínio da cidade de Pacbitun, enquanto os centros políticos no norte se tornaram dominantes.

Estudos anteriores concentraram-se na degradação ambiental como a principal causa do colapso do poderoso império. No entanto, embora os factores ambientais tenham tido um grande impacto, não explicam o declínio ao longo de um século e meio.

Para explicar a complexidade do que aconteceu, segundo o estudo publicado na revista Latin American Antiquity, os arqueólogos contemplam agora a violência e a guerra como factores que contribuem para o declínio de algumas cidades do sul, como evidenciado pelas fortificações construídas tão rapidamente em alguns lugares.

Embora as evidências dos crânios não mostram conclusivamente que as planícies do sul foram invadidas por guerreiros do norte, está claro que foi a violência e a guerra que puseram um ponto final na ordem política do império.

Anteriormente, os especialistas da Universidade de Cambridge mostraram que, no momento do colapso, produziram-se graves secas, que a chuva reduziu até 70%. As condições climáticas severas terão sido um golpe fatal para a civilização.

Enquanto a razão para o colapso permanece incerta, esta relíquia talvez sirva como uma horrível lembrança da sua queda no caos e na ruína.

ZAP //

Por ZAP
15 Junho, 2019

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1375: “O tempo está a esgotar-se”. David Attenborough prevê “colapso da civilização”

CIÊNCIA

Foreign and Commonwealth Office / Flickr

Se os governos nada fizerem, a civilização e o mundo natural estão em risco de colapsar. O alerta foi feito pelo naturalista britânico, David Attenborough, durante a Cimeira do Clima que decorreu na Polónia na segunda-feira.

“Neste momento, estamos a assistir a um desastre global, feito pelo homem, e que é a maior ameaça que enfrentámos em milhares de anos: as alterações climáticas”, disse o britânico de 92 anos. “Se não fizermos nada, o colapso da nossa civilização e de boa parte do mundo natural está no horizonte.”

David Attenborough, apresentador e narrador de programas sobre a vida selvagem da BBC, foi escolhido para representar a voz das pessoas do mundo na 24ª Cimeira da ONU para o Clima (COP24). Um dos principais objectivos da conferência é encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

A forma encontrada pelas Nações Unidas para dar voz aos anónimos foi, dias antes do arranque da conferência, pedir a pessoas de todo o mundo que enviassem as suas mensagens para que estas pudessem ser apresentadas aos cerca de 200 representantes de governo reunidos na Polónia.

Foi através de uma montagem, segundo o Observador, que a plateia assistiu às mensagens vindas de todos os cantos do planeta. “Não vêm o que se passa à vossa volta?”, pergunta uma jovem. “Já estamos a ver o impacto das alterações climáticas na China”, diz outra. “Isto costumava ser a minha casa”, diz outra, apontando para ruínas queimadas pelo fogo.

Nesta montagem são também apontados números: 95% dos inquiridos dizem já ter vivenciado de alguma forma as alterações climáticas, enquanto dois terços concluem que esta é a maior ameaça que o mundo enfrenta.

“As pessoas do mundo falaram: o tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os tomadores de decisão, ajam agora. Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos”, concluiu Attenbrough na sua apresentação.

A COP24 decorre até dia 14 de Dezembro em Katovice. As novas tecnologias favoráveis ao clima, a população como líder da mudança e o papel da floresta são os temas centrais que a Polónia quer ver discutidos na reunião mundial do clima que começou no domingo.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Dezembro, 2018

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1178: A “Partícula de Deus” pode ter salvado o Universo do colapso cósmico

CIÊNCIA

NRAO/AUI/NSF; Dana Berry / SkyWorks; ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

O Universo vai expandir-se para sempre ou, eventualmente, entrará em colapso? Esta é uma questão que há anos tira o sono aos cientistas – e parece estar para ficar. Publicações recentes têm deixado a comunidade científica em polvorosa, trazendo mais dúvidas do que certezas.

O campo da Física está a fermentar. Neste momento, há uma nova conjectura que está a causar excitação na comunidade científica que estuda a Teoria das Cordas. Timm Wrase, da Universidade de Tecnologia de Viena, veio acender ainda mais o debate com a publicação de novos artigos científicos.

Na Teoria das Cordas, uma mudança de paradigma pode estar à espreita. No passado mês de Junho, uma equipa de teóricos das cordas, de Harvard e Caltech, publicou uma nova conjectura, que parecia bastante revolucionária.

De acordo com o artigo dos teóricos, disponibilizado para pré-publicação no Arxiv.org, a Teoria das Cordas é fundamentalmente incompatível com a nossa compreensão actual da energia escura – mas só a energia escura é que é capaz de explicar a atual e acelerada expansão do Universo.

O nosso Universo está envolvido por uma vasta e invisível força que parece opor-se à gravidade. Os físicos apelidaram esta força de energia escura e acreditam que esta esteja constantemente a empurrar o nosso Universo para fora – ou seja, a expandi-lo.

Mas, o artigo publicado em Junho sugere que a energia escura vai mudando com o tempo. Na prática, isto significa que o Universo pode não se expandir para sempre, podendo, eventualmente, entrar em colapso e tornar-se do tamanho que tinha antes do Big Bang.

Apesar de promissora, esta conjectura levantou quase de imediato várias questões, tendo vários grupos de cientistas publicado outros artigos nos quais sugeriam revisões à teoria apresentada pelos teóricos de Harvard e Caltech.

Também Wrase percebeu rapidamente que havia algo estranho com a teoria: da forma que está descrita, é incompatível com o bosão de Higgs, a partícula celebrizada como a “Partícula de Deus” – que sabemos existir, desde 2013, graças ao Grande Colisionador de Hadrões (LHC) localizado na fronteira da Suíça com a França.

De acordo com os seus cálculos, que contaram com a participação de cientistas da Universidade da Columbia em Nova York e da Universidade de Heidelberg, a hipótese do Universo em constante expansão não pode ainda ser descartada – e foi a partícula descoberta no LHC que causou o maior “buraco” na teoria revolucionária de Junho.

Ainda assim, explicou Wrase em declarações ao Live Science, a conjectura do Universo em colapso poderia ser viável, mas precisaria de alguns ajustes teóricos. O artigo que baralhou a teoria revolucionária sobre a Teoria das Cordas foi publicado no passado dia 2 de Outubro na revista Physical Review D.

Sinteticamente, o artigo de Junho sugere que a Teoria das Cordas – um dos maiores modelos no campo da Física – invalida a expansão infinita do universo. “As pessoas ficam muito emotivas porque, a ser verdade e a ser descoberta, seria espectacular”, disse Wrase.

O debate acalorado sobre a Teoria das Cordas e a energia escura continua um pouco por todo o mundo. Wrase espera que toda esta discussão conduza a avanços científicos.

“Toda esta controvérsia é boa para a Teoria das Cordas”, reitera o físico. De repente, muitas pessoas surgem com ideias completamente novas sobre as quais ninguém tinha pensado até então”.

A Teoria de Tudo

Já muito se disse e escreveu sobre a Teoria das Cordas. Esta teoria, também conhecida com a Teoria de Tudo, representa uma estrutura matematicamente elegante para unir a teoria da Relatividade Geral de Einstein à Mecânica Quântica. No entanto, e tal como nota a Phys.org, ainda não foi comprovada experimentalmente.

A Teoria das Cordas é, no fundo, uma teoria da unificação, uma vez que propõe relacionar a gravidade à física quântica, entendendo as leis da natureza, que descrevem todo o mundo físico desde de as partículas mais pequenas até à maior estrutura do Universo.

Nesta hipótese, as cordas são os blocos fundamentais da matéria. A teoria sugere que as partículas que compõem o universo não são realmente pontos, mas antes cordas uni-dimensionais que vibram.

Para que a Teoria das Cordas seja uma explicação viável para o Universo, deve incorporar a energia escura. Originalmente, a ideia partiu de Einstein, que a adicionou como uma “constante cosmológica” à teoria da Relatividade Geral, de forma a construir um Universo que não se expande.

Quando, em 1929, o Hubble comprovou que o Universo estava efectivamente em expansão, Einstein retratou as suas equações e considerou este o maior erro da sua vida. Entretanto, com a descoberta da expansão acelerada do Universo, a constante cosmológica foi reintroduzida como energia escura no actual modelo padrão da cosmologia.

Para o bem da Ciência, as hipóteses que vão emergindo serão, pelo menos em parte, testadas experimentalmente. No futuro, a expansão do Universo será medida com mais precisão do que nunca – até lá, o debate promete continuar aceso.

Por SA
22 Outubro, 2018

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1130: Colapso do Etna para o mar pode causar tsunami devastador na Europa

(CC0/PD) notiziecatania / pixabay
Catania, na Sicília, com o Etna ao fundo

O vulcão do Monte Etna, na parte oriental da Sicília, está a escorregar lentamente para o mar. Um novo estudo mostra agora que há um risco muito maior do que o anteriormente previsto de um colapso originar um tsunami.

Após ter sido comprovado que o Monte Etna está a deslizar para o Mediterrâneo, um novo estudo explica agora o motivo pelo qual este monte se desloca cerca de três a cinco centímetros por ano. O estudo foi publicado a 10 de Outubro na revista Science Advances.

Nos primeiros estudos, os cientistas apontavam como causa para o deslocamento a acumulação de pressão proveniente do magma interno do vulcão.

Contudo, uma equipa de investigação liderada pela Dr.ª Morelia Urlaub, do Centro de Investigação do Oceano GEOMAR Helmholt, estudou os movimentos do fundo do mar durante um período em que a derrapagem do vulcão acelerou.

Entre os dias 12 e 20 de maio de 2017, os investigadores registaram, em pouco mais de uma semana, locais que se distanciaram cerca de 3,9 centímetros um do outro. Este valor foi observado longe da câmara de magma, onde os efeitos de pressão seriam mais significativos de acordo com a primeira teoria avançada pelos especialistas.

Além disso, os investigadores não registaram a existência de qualquer aumento de magma, o que fez cair por terra a teoria de que o deslocamento seria causado pela acumulação de pressão do magma.

Retirada essa hipótese de cima da mesa, Urlaub e a sua equipa acreditam que a explicação para esse fenómeno se prende com a atracção gravitacional da margem continental que se afundou no mar e que está a puxar partes da montanha atrás dela.

O artigo descreve o deslizamento gravitacional como “o processo vector” que causa colapsos, estimulando mudanças no magma que induziram erupções subsequentes.

O resultado que mais se destaca neste trabalho é a percepção de que um colapso do flanco submarino do Etna é muito mais provável do que aquilo que se pensava anteriormente, isto porque as causas do deslizamento se alteraram.

Segundo os investigadores, o deslizamento gravitacional irá continuar e poderá até tornar-se mais repentino e mais forte, sendo capaz de criar um tsunami devastador.

O Etna é o maior vulcão activo da Europa e um dos vulcões mais activos do mundo. É também a mais alta montanha de Itália. A extensão total da sua base é de 1190 km², com uma circunferência de 140 km, o que o torna quase três vezes maior que o Vesúvio.

Por ZAP
11 Outubro, 2018

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894: Novas evidências contrariam teoria do colapso da civilização da Ilha de Páscoa

MastaBaba / Flickr

A povoação indígena da Ilha de Páscoa, os Rapa Nui, colapsou no século XVII, quando o povo esgotou os recursos naturais da ilha – ou, pelo menos, é o que aponta a principal teoria. Uma análise das ferramentas utilizadas pelos Rapa Nui para construir os icónicos moais sugere uma conclusão muito diferente.

O novo estudo, publicado na semana passada no Journal of Pacific Archaeology aponta que os Rapa Nui eram uma sociedade altamente organizada e coesa, deitando por terra as teorias mais aceites que acreditam que a civilização acabou por colapsar por falta de recursos.

Segundo Laure Dussubieux, antropóloga e investigadora do Museu Field de História Natural de Chicago, nos EUA, e autora da pesquisa, a grande descoberta revela que a sociedade dos construtores dos míticos moais era bastante complexa, havendo muita interacção e troca de informação entre os seus habitantes.

No entanto, para compreender todo o cenário é necessário recuar um pouco no tempo. Os míticos moais – que são cerca de 900 – foram construídos na Ilha de Páscoa, um dos lugares habitados mais remotos do mundo, a 3.7 mil quilómetros da costa do Chile, no Oceano Pacífico, nota a BBC.

Foi por volta do ano 1100 que os marinheiros polinésios descobriram o local, tornando-se o povo Rapa Nui. As gigantescas esculturas foram erguidas entre 1250 e 1500.

Até então, acreditava-se que a povoação tivesse sido destruída logo após a construção dos moais, como consequência directa de guerras e fome causadas pela exploração excessiva dos recursos naturais.

Contudo, e de acordo com o novo estudo, a história pode não ter sido bem assim. Os cientistas analisaram quimicamente as ferramentas utilização durante a construção das esculturas e descobriram que as relações dos Rapa Nui eram complexas, uma vez que encontraram evidências de partilha de informação e colaboração entre os habitantes da ilha chilena.

“A ideia de competição e colapso na Ilha de Páscoa pode ser exagerada”, afirma o principal autor da pesquisa, o antropólogo e arqueólogo Dale Simpson Jr., da Universidade de Queenslan, na Austrália.

“Para mim, a organização industrial das esculturas em pedra é uma evidência sólida de que havia cooperação entre famílias e grupos de artesãos”, sustentou.

De acordo com o investigador, para a construção dos moais foram utilizados materiais que não eram originários de determinada região da ilha. A diversificação dos materiais indica que houve trocas entres os diferentes grupos que habitavam a ilha. Além disso, os padrões de distribuição de alguns elementos mostram que havia uma organização hierárquica claramente definida.

Mais de 30 anos de pesquisa

O grupo que conduziu a investigação está há 35 anos a conduzir pesquisas na Ilha de Páscoa – só Simpson, já participou em 17 anos.

O cientista recorda ainda que a análise do tamanho e da quantidade dos moais também mostra que era necessária uma sociedade complexa para levar a cabo a construção. A maior parte dos quase 900 moais mede entre 4 a 6 metros de altura, e o seu peso médio é de 14 toneladas. O mais alto dos moais tem quase 10 metros e há ainda uma estátua inacabada que, caso tivesse sido concluída, teria cerca de 21 metros.

“Os antigos Rapa Nui tinham chefes, sacerdotes e organizavam-se em associações de profissionais que pescavam, cultivavam os terrenos e esculpiam”, explicou.

“Era necessário um certo nível de organização político-social, ou então não seria possível esculpir quase mil estátuas.”

O trabalho de Simpson, Dussubieux e da restante da equipa, consistiu em analisar detalhadamente 21 das cerca de 1,6 mil ferramentas de pedra – feitas basicamente a partir de basalto – recolhidas durante escavações arqueológicas na ilha.

Na essência do trabalho, estava a ideia de que o estudo destas ferramentas poderia revelar a forma como eram usadas e, consequentemente, como era a interacção entre os escultores ancestrais. Além disso, as ferramentas traziam pistas de como funcionava a “indústria” Rapa Nui de produção de estátuas.

Dussubieux conta que foi possível descobrir a origem das matérias-primas utilizadas na fabricação dos artefactos. Com isso, foi possível compreender as relações entre as diferentes comunidades da ilha – as matérias-primas provinham de, pelo menos, três pedreiras de basalto distintas.

“Como todos usavam o mesmo tipo de pedra, fica claro que as comunidades tinham de colaborar. É por isso que foram bem-sucedidos: os Rapa Nui trabalhavam em juntos“, argumenta Simpson.

Segundo os cientistas, o estudo desmente a narrativa oficial que conta que os habitantes da Ilha de Páscoa acabaram por ficar sem recurso, acabando por entrar em colapso.

A civilização Rapa Nui já estava em decadência quando os europeus chegaram à ilha em 1722. Havia cerca de 2 mil a 3 mil pessoas a habitar a ilha. Quando a ilha foi anexada pelo Chile, em 1888, havia pouco mais de 100 descendentes de Rapa Nui a viver lá.

Outras teorias

Ao longo dos anos, as teorias sobre a mítica Ilha de Páscoa foram-se multiplicando. Não faltam teorias sobre o que seriam os moais, nem tão pouco para o que teria causado o desaparecimento dos Rapa Nui.

Quanto às estátuas, a explicação mais aceite é que as esculturas seriam monumentos em homenagem a líderes mortos. Porém, há quem veja nos moais uma espécie de reprodução da distribuição astronómica das estrelas ou até uma forma de pára-raios para as constantes tempestades que atingem a Ilha.

Em igual sentido, também já muito se falou e escreveu sobre o desaparecimento dos Rapa Nui. Em 2016, o biólogo espanhol Valentí Rull, autor do livro La Isla de Pascua: Una Visión Cientifica, publicou um estudo no qual propunha uma reavaliação holística sobre o que teria acontecido com esta sociedade.

O investigador espanhol levantou todas as hipóteses mais comummente aceites – desde do fim dos recursos da ilha, à dizimação por doenças europeias e tráfico de escravos até à devastação do ecossistema – e propôs que se desse uma resposta consistente como resultado da soma de todas estas teorias.

“As diferentes interpretações podem ser complementares, mas não excludentes. Na última década, houve um boom de novos estudos, que exigem que reconsideremos as questões climáticas, ecológicas e culturais que ali ocorreram”, defendeu o cientista.

Rapa Nui, a origem do nome

O governo chileno anunciou, no início deste mês, que deverá rebaptizar a Ilha de Páscoa em referência ao passado ancestral do local. Assim, e seguindo uma proposta apresentada por parlamentares chilenos em 2016, a ilha deve passar a chamar-se Ilha Rapa Nui.

A mudança de nome, justifica o executivo do Chile, deve ocorrer porque o nome actual recorda um “passado de invasão, roubos, escravidão e o fim da cultura da ilha”.

Rapa Nui, significa “Ilha Grande” e era o nome ancestral do local. Ilha de Páscoa foi a denominação dada pelo explorador holandês Jakob Roggeveen (1659-1729), oficialmente o primeiro europeu a pisar na ilha – como o descobridor chegou num domingo de Páscoa, resolveu dar-lhe esse nome.

ZAP // BBC / Gizmodo

Por ZAP
20 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros de ortografia do texto original)

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837: Seca extrema e prolongada ditou colapso da civilização maia

Cientistas quantificaram pela primeira vez o fenómeno. Entre os anos 800 e 1000 d.C. houve entre 41% e 70% menos chuva na região. As alterações climáticas abruptas podem mesmo pôr termo a uma civilização.

Um dos templos da época áurea dos maias.
© Mark Brenner

Sabe-se que um período prolongado de secas extremas contribuiu decisivamente para que a lendária e ainda muito misteriosa civilização maia se desintegrasse completamente há cerca de um milénio. Mas um grupo internacional de cientistas deu agora um importante passo para aprofundar esse conhecimento, ao conseguir pela primeira vez quantificar a dimensão dessas secas devastadoras.

Recorrendo ao estudo dos sedimentos do lago Chichancanab na região do Iucatão, no México, onde a civilização maia floresceu, sobretudo a partir do ano 250 a.C., a equipa que reuniu cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, descobriu que ao longo de um período de cerca de dois séculos, entre os anos 800 e 1000 d.C., o regime de precipitação se alterou profundamente naquela região do mundo.

No estudo que publicam nesta quinta-feira na revista Science, os autores mostram que durante aquele curto período de 200 anos houve fases de quebras anuais entre 41% e 54%, que chegaram a défices de 70% no pico da crise da seca, enquanto o teor da humidade no ar chegou a ter valores inferiores entre 2% e 7% em relação ao clima actual. A seca extrema e prolongada acabou por ditar o abandono da região pelas populações, a que se seguiu o declínio e a falência das estruturas sociais que sustentavam o modo de vida da civilização maia.

O lago Chichancanab.
© Mark Brenner

“O papel das alterações climáticas no colapso da civilização maia tem sido de alguma forma controverso, em parte porque os estudos anteriores só tinham permitido reconstruções qualitativas do clima da época”, explica Nick Evans, investigador da universidade britânica de Cambridge e o principal autor da investigação. “O nosso estudo representa um avanço substancial, porque pela primeira vez conseguimos fazer estimativas robustas da precipitação e dos níveis de humidade [atmosférica] durante esse período”, sublinha.

O estudo acaba por demonstrar também como as alterações climáticas, produzindo um impacto profundo no equilíbrio das estruturas e das actividades de uma sociedade, podem contribuir para o seu fim.

O que os sedimentos de um lago contam

A primeira vez que os problemas relacionados com uma seca severa emergiram no contexto do declínio dos maias foi em 1995, quando o especialista em paleoclimatologia David Hodell, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, publicou um estudo sobre isso.

Mais de década e meia depois, em 2012, Martín Medina-Elizalde, do Centro de Investigações Científicas do Iucatão, no México, e Eelco Rohling, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, conseguiram ir um pouco mais além, ao analisar uma estalagmite local, designada na região com o nome de Chaac – por ironia, o mesmo do deus maia das chuvas. E o que essa estalagmite revelou foi que na fase final da sociedade maia, entre os anos de 800 e 1000 d.C, aproximadamente, as chuvas de verão sofreram quebras entre os 25% e os 40%.

Naquele monólito que se ergue do chão, no interior de uma caverna, na região, estão registados parâmetros climáticos milenares, incluindo os da pluviosidade, e foi com base nesses registos que os investigadores fizeram na altura as suas contas.

Agora a equipa de Nick Evans foi mais longe, ao analisar os isótopos dos sedimentos do lago Chichancanab. Como a equipa explica, em períodos de seca, há mais água a evaporar-se e, como os isótopos mais leves se evaporam mais depressa, os que ficam são os mais pesados.

Mapeando a proporção dos diferentes isótopos nas diferentes camadas, que representam as diferentes épocas, os investigadores conseguiram reconstituir o ciclo climático e hidrológico daqueles anos fatais de secura, que afectaram todas as actividades básicas daquela sociedade, incluindo a agricultura, cuja falência terá sido determinante para o desfecho que se conhece.

Diário de Notícias
Filomena Naves
02 Agosto 2018 — 19:00

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824: A partir de hoje a Humanidade vive da natureza a crédito

Nicolas Raymond / Flickr

A Humanidade terá consumido, esta quarta-feira, o total dos recursos que a natureza consegue renovar este ano, sendo que os seres humanos vão viver os próximos cinco meses “a crédito”.

O dia 1 de Agosto é “a data em que terão sido utilizadas todas as árvores, água, solos férteis e peixes que a Terra consegue fornecer num ano para alimentar e abrigar os seres humanos e terá sido emitido mais carbono do que os oceanos e florestas conseguem absorver”, afirmou a porta-voz da WWF, Valérie Gramond, organização que pertence à rede Global Footprint Network.

“Hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades”, ilustrou ainda, num comunicado divulgado na segunda-feira.

O total dos recursos renováveis consumidos nunca tinha sido atingido tão cedo desde que a data começou a ser assinalada, nos anos 70, quando o total só era consumido a 29 de Dezembro. No ano passado, a data foi 3 de Agosto.

Um terço dos alimentos acumulados pelos seres humanos acaba no lixo, indicou, afirmando que a antecipação progressiva da data se deve ao excesso de consumo.

A distribuição do consumo é desigual no mundo, com países pequenos e com poucos habitantes como, por exemplo, o Qatar e o Luxemburgo com uma pegada ecológica muito forte. Se todos os países consumissem desta forma, a data seria atingida logo no mês de Fevereiro, alerta ainda a organização.

ZAP // Lusa

Por Lusa
1 Agosto, 2018

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413: O colapso da civilização nas próximas décadas é uma certeza inevitável

indyrandhawa / Flickr

O cientista Paul Ehrlich deu uma entrevista ao jornal The Guardian na qual aborda possíveis consequências trágicas da superpopulação e poluição crescente do nosso planeta.

De acordo com Paul Ehrlich, o colapso da civilização é inevitável nas próximas décadas, e pode ser iniciado devido a vários factores, disse o cientista ao The Guardian.

“Pode ser causado por guerra nuclear, por secas e inundações que causariam fome massiva, pela destruição da bolha de endividamento, por desordens políticas ou por uma maior desigualdade económica, por guerras comerciais, pelo terrorismo, bem como pela combinação de vários factores”, afirmou o cientista.

Para o profissional, as previsões negativas estão intimamente ligadas ao excesso populacional e de consumo, disse também à Sputnik. Paul Ehrlich está seguro que estes dois factores vão empurrar a civilização ao abismo.

“O problema principal corresponde à destruição dos sistemas de suporte de vida devido ao crescimento do consumo, como fruto do aumento da população e do consumo per capita. Várias desigualdades, sejam de género, raciais ou religiosas, diminuem as probabilidades de as pessoas prestarem a ajuda necessária para evitar o colapso”, argumenta.

De acordo com Ehrlich, a situação já se deteriorou muito desde que há 50 anos, publicou o seu livro “The Population Bomb” (Bomba Demográfica).

“A população foi duplicada em quantidade, as mudança climáticas são ainda mais notáveis e isso já traz problemas. Em breve, nos oceanos haverá mais plástico do que peixe, as hormonas sintéticas estão a contaminar a Terra de um extremo ao outro, e mostram ser a principal causa da diminuição do número de espermatozóides em todo o mundo. Quase metade da fauna foi exterminada na maior extinção dos últimos 66 milhões de anos”, relata o biólogo.

De acordo com o biólogo, as probabilidades de uma guerra mundial nuclear vir a exterminar a nossa civilização são “maiores do que em qualquer período da Guerra Fria, com excepção da crise dos mísseis de Cuba”.

Apesar das advertências feitas pelos cientistas de que as pessoas estão a ameaçar a vida terrestre, os governos e comunidade internacional ainda não conseguiram reduzir a ameaça. Ehrlich acredita que haja motivos para a não resolução.

Por exemplo, “o buraco da educação em disciplinas básicas, em especial entre economistas e políticos que consideram o crescimento económico como a cura de todas as doenças, sendo o crescimento económico a doença principal”, opina o analista, acrescentando que o papel-chave é desempenhado pelos traços negativos do ser humano tais como “avidez, tolice e arrogância”.

Sobre as medidas que devem ser aplicadas para melhorar a situação, o cientista respondeu ser importante “garantir a contracepção através de todos os meios modernos e apoiar abortos, garantir direitos iguais tanto para mulheres como para homens, acabar com a discriminação racial e religiosa para que as pessoas se sintam livres para resolver dilemas humanos, bem como redistribuir riquezas”.

Foram vendidas cerca de dois milhões de cópias do best-seller Bomba Demográfica, que foi escrito em conjunto com a sua esposa Anne em 1968.

No livro é destacado que “centenas de milhões de pessoas vão morrer de fome” nos anos 70, contudo, segundo declarou o cientista, este desfecho trágico foi prevenido pela revolução agrária.

Em Maio de 2018, a obra completa 50 anos e o autor continua comprometido com as suas previsões. Apesar de algumas suposições e alguns prazos não terem sido verdadeiros, Ehrlich tem a certeza absoluta que a ideia geral do seu livro corresponde à realidade.

ZAP //
Por ZAP
28 Março, 2018

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