1246: Cientistas do CERN podem ter descoberto nova “partícula fantasma”

inphoar / Deviant Art
Conceito artístico dos fenómenos que ocorrem no Large Hadron Collider (LHC), acelerador de partículas do CERN

Ainda não está confirmado, mas o Grande Colisionador de Hadrões pode ter detectado uma nova e inesperada partícula. Os teóricos estão entusiasmados, enquanto os experimentalistas se mostram cépticos. Os cientistas investigam agora se a partícula, apelidada de “partícula fantasma”, foi realmente identificada no acelerador de partículas do CERN. 

Recorrendo ao Compact Muon Solenoid (CMS), detector multi-funcional do acelerador, a equipa de cientistas diz ter encontrado um sinal que pode ser o cartão de visita de uma nova partícula com o dobro da massa de um átomo de carbono. No entanto, e justificando o cepticismo, a “partícula fantasma” não encaixa nas teorias.

Por esse mesmo motivo, e de acordo com o artigo disponibilizado em pré-publicação no arXiv, a confirma-se a sua existência, a partícula pode causar algum alvoroço na Física. A publicação terá agora que passar pela revisão dos pares.

“Eu diria que os teóricos estão entusiasmos e os experimentalistas estão muito cépticos”, disse Alexandre Nikitenko, teórico da equipa do CMS que analisou os dados recolhidos, em declarações ao The Guardian. “Como físico, devo ser muito crítico, mas, como autor da análise, devo ter algum optimismo também”.

Apesar de a equipa de cientistas ter discutido os novos dados recolhidos, pode levar bastante tempo até que descubra se a “partícula fantasma” é ou não efectivamente real. A descoberta sugere uma acumulação de muões – electrões pesados – no interior do CSM.

De acordo com a publicação, a partícula tem uma massa de 28 GeV, que corresponde a um quarto da massa do Bosão de Higgs (125 GeV) – partícula que sabemos existir desde 2013 graças ao LHC, tendo depois sido celebrizada como a “Partícula de Deus“.

Confirmar se esta partícula é ou não real não será tarefa fácil, podendo mesmo levar um ano para o conseguir. No entanto, e tal como nota o Science Alert, a sua confirmação não será exactamente uma mudança fracturante no campo da Física.

Contudo, e tal como explicaram os cientistas a sua existência é um fenómeno “estranho”, uma vez que uma massa foi formada onde não era expectável encontrar nenhuma massa. O sinal detectado pode ser apenas uma falha, resultante do ruído aleatório do LHC.

Como são detectadas as novas partículas

Localizado na fronteira entre a França e a Suíça, o LHC cria novas partículas ao esmagar protões subatómicos a uma velocidade semelhante à da luz. Quando estas partículas se encontram, a energia da colisão é convertida em massa e, aí, as partículas ficam em linha com a célebre equação de Einstein (E=mc2), como explica o diário britânico.

Muitas das partículas criadas no LHC são altamente instáveis, decaindo imediatamente para partículas mais leve e estáveis como os fotões e electrões. E é exactamente por estas partículas que os cientistas procuram: um excesso de fotões e electrões pode denotar, aparentemente e de acordo com um impacto registado nos dados recolhidos, a existência de uma nova partícula.

Mas, e como seria esperar da Física de partículas, descobrir uma partícula não é tão simples quanto isso. Os progressos registados podem ser apenas flutuações estatística que vão surgindo de forma mais habitual do que os físicos gostariam.

Por tudo isto, a melhor forma de validar uma nova partícula passa incontornavelmente por analisar mais dados. Só assim é que o “lixo” estatístico acaba por desvanecer – e é exactamente isso que os cientistas farão agora com os dados da “partícula fantasma”.

É ainda muito cedo para nos deixamos levar por todo o entusiasmo dos novos dados, ficando, para já, a descoberta por confirmar. No entanto, há uma coisa que é certa – este é um grande momento para Física.

SA, ZAP // IFLScience / ScienceAlert

Por SA
6 Novembro, 2018

[vasaioqrcode]

 

530: NASA vai acabar com programa que monitoriza gases com efeito estufa na Terra

fauxto_digit / Flickr
Após décadas de degradação, a camada de ozono está a recuperar

A agência espacial norte-americana NASA vai terminar o programa que monitoriza o dióxido de carbono e o metano na atmosfera, disse um porta-voz, na sequência de um artigo publicado na revista Science.

No artigo, publicado na quinta-feira, a Science denunciou que a Casa Branca tem “matado silenciosamente” um programa da NASA que monitoriza os níveis de dióxido de carbono e o metano na atmosfera, gases responsáveis pelo efeito de estufa.

“A administração do Presidente dos Estados Unidos Donald Trump tem matado calmamente” o programa Carbon Monitoring System (CMS) da agência espacial norte-americana, escreveu a revista Science.

O CMS procura fontes de emissão e de fuga de dióxido de carbono, que provocam o efeito estufa no planeta Terra, explicou a revista norte-americana.

Segundo o mesmo artigo, a NASA “recusou-se a explicar a razão para o cancelamento deste programa, referindo apenas as restrições orçamentais e a existência de prioridades mais urgentes, no orçamento para a ciência”.

De acordo com o porta-voz da NASA, o Presidente dos Estados Unidos tentou cancelar no ano passado cinco programas da agência, incluindo o CMS.

A mesma fonte declarou que, após uma longa deliberação, o Congresso decidiu manter o financiamento para quatro dos cinco programas, mas o programa CMS acabou por ser removido.

Os subsídios já atribuídos serão honrados, mas nenhum novo estudo será lançado, apontou o artigo da Science.

O cancelamento deste programa pode ameaçar o controlo das emissões de gases de efeito de estufa dos países que estão no acordo de Paris, declarou o director do Centro Internacional de Políticas para o Meio Ambiente da Universidade Tufts nos Estados Unidos, Kelly Sims Gallagher.

“Se não podermos medir as reduções de emissões, não podemos confiar que os países estão cumprir o acordo”, disse.

Em meados do ano passado, Trump anunciou a retirada do país do Acordo de Paris, argumentando que o pacto põe em “permanente desvantagem” a economia e os trabalhadores norte-americanos.

Com esta decisão, os Estados Unidos cessaram todas as implementações dos seus compromissos climáticos fixados em Paris, que incluem a meta proposta pelo ex-presidente Barack Obama de reduzir até 2025 as emissões de gases de efeito de estufa entre 26% e 28% em relação aos níveis de 2005.

Concluído em 12 de Dezembro de 2015 na capital francesa, assinado por 195 países e já ratificado por 147, o acordo entrou formalmente em vigor a 4 de Novembro de 2016, e visa limitar a subida da temperatura mundial através da redução das emissões de gases com efeito de estufa.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Maio, 2018

[vasaioqrcode]

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=c3b3d9d3_1526080234482]