2536: Cientistas criam o primeiro lagarto mutante geneticamente modificado

CIÊNCIA

(CC0/PD) torstensimon / Pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, conseguiu criar o primeiro lagarto geneticamente modificado recorrendo à técnica de edição genética CRISPR.

No novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Cell Reports, a equipa explica que a técnica de CRISPR consiste numa série de “tesouras moleculares” capazes de inserir, remover, modificar ou substituir partes de ADN do genoma de um organismos vivo.

Outros cientistas tinham já utilizado este método para modificar o ADN de mamíferos, peixes, pássaros e anfíbios, mas esta foi a primeira vez que a técnica CRISPR foi aplicada em répteis. Os especialistas enfrentavam dificuldades com a edição genética neste tipo de animais devido à forma como estes se reproduzem. Ao contrário dos outros animais, os répteis fertilizam os seus óvulos em momentos imprevisíveis.

Para a nova investigação, escreve o jornal britânico Daily Star, a equipa inserir algumas modificações ao método, permitindo assim que esta limitação fosse superada.

Os cientistas injectaram reagentes CRISPR em óvulos não fertilizados em ovários de lagartos. Quando os ovos eclodiram, aproximadamente metade dos lagartos mutantes herdaram genes da mãe e do pai com o ADN modificado.

Os cientistas escolheram levar a cabo a edição genética num o animal albino, uma vez que esta é uma mutação não prejudicial ao espécime.

Além disso, e tendo em conta que os humanos com albinismo têm, por norma, problemas de visão, os cientistas esperam ainda utilizar os lagartos modificados para estudar como é que a perda deste gene afecta o desenvolvimento da retina.

Após esta edição genética bem sucedida, os  geneticistas planeiam agora usar esta mesma técnica noutros animais e esperam poder ajudar a curar doenças e prolongar a esperança de vida humana.

ZAP //

Por ZAP
29 Agosto, 2019

 

995: Cientistas ponderam clonar potro pré-histórico encontrado na Sibéria

CIÊNCIA

Michil Yakovlev/SVFU/The Siberian Times

No mês passado, foi encontrado um potro mumificado com cerca de 40 mil anos na gigante cratera de Batagaika, na Sibéria, também conhecida como o “Portão do Inferno”. Cientistas russos e sul-coreanos consideram agora clonar o animal.

A equipa de cientistas tem esperança que o espécime encontrado possa fornecer material genético para clonar espécies extintas da Idade do Gelo.

De acordo com o director do museu-laboratório de mamutes da Universidade Federal do Nordeste (SVFU), na Rússia, Sergei Semenov, o achado único foi encontrado por uma equipa internacional de cientistas na república de Yakutia durante uma expedição da SVFU e da Universidade Kindai, no Japão.

Durante esta semana, os especialistas russos anunciaram que planeiam cooperar com a fundação Sooam Biotech Research – líder no campo de clonagem de animais – para criar clones do potro encontrado bem como de outros animais extintos.

“Se no corpo [do potro] for encontrada uma célula viva, esperamos que, com ajuda da grande experiência dos colegas sul-coreanos, consigamos obter um clone do cavalo antigo”, disse Grigoriev, um dos investigadores.

De acordo com o The Siberian Times, um dos cientistas envolvidos na análise do potro mumificado é Woo-Suk Hwang, um investigador de células-tronco e pioneiro da clonagem da Coreia do Sul.

Hwang, antigo professor da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, foi criticado em 2006 por falsificar dados e, três anos mais tarde, for condenado a dois anos de prisão por violação de condutas bioética e desvio de verbas, de acordo com a Nature. Actualmente, o pioneiro da clonagem dirige a Sooam Biotech Research Foundation, que estuda e realiza procedimentos de clonagem animal, principiante e cães.

Grigoriev sublinhou que o animal foi encontrado em condições de preservações quase perfeitas, o que aumentas as possibilidade de obter boas amostras a partir dos seus tecidos. Segundo o cientista, o potro terá morrido entre 30 a 40 mil anos, durante o Paleolítico Superior, e terá morrido 20 dias depois de ter nascido.

Possibilidades “astronómicas”

No entanto, vários cientistas que não estão envolvidos no análise do potro têm algumas dúvidas sobre se será efectivamente possível clonar com sucesso o animal mumificado.

Especialistas ouvidos pelo Live Science mantém-se cépticos quanto à possibilidade de os cientistas encontrarem ADN viável no corpo em primeiro lugar, sem mencionar o enorme desafio de clonar uma espécie extinta há milénios.

A clonagem só é possível quando o ADN original do animal está intacto e, a maioria – se não todo o material genético -, obtido a partir de amostras de gelo costuma estar tipicamente degradado “em dezenas de milhões de pedaços”, sustentou Love Dalén, professor de genética evolucionária do Museu de História Natural da Suécia, em Estocolmo.

“Muitos destes desafios serão também enfrentados quando os cientistas tentarem clonar mamutes”, considerou Beth Shapiro professora de Ecologia e Biologia na Universidade da Califórnia, em Santa Cruz, nos Estados Unidos.

“Se for possível recuperar ADN suficiente dos restos mortais do potro mumificado, os cientistas podem ser capazes de construir uma sequência do genoma, comparando o ADN do potro extinto com os genomas de espécies vivas”, acrescentou Shapiro.

Contudo, a possibilidade de encontrar um genoma intacto ou ate mesmo uma célula viva é “astronómica”, disse Vicent Lynch, professor assistente do Departamento de Genética Humana da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

“Os cientistas raramente dizem que algo é impossível, mas certamente estará próximo disso”, concluiu Lynch.

Por ZAP
11 Setembro, 2018

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