2114: Há 2.000 anos, o clima na Europa mudou (e a culpa foi dos Romanos)

CIÊNCIA

A actividade humana está a mexer com o clima, causando um aumento da temperatura, do nível das águas do mar e tornando clima extremo ainda mais extremo.

Mas não é de agora. Os Romanos já estavam a mudar o clima milhares de anos antes de nós. Um artigo publicado recentemente na revista Climate of the Past, uma revista interactiva da União Europeia de Geociência, observa as mudanças de temperatura provocadas pela actividade humana durante o Império Romano.

Para o estudo, uma equipa internacional de cientistas usou estudos existentes sobre o uso da terra sob os antigos romanos para estimar o nível de poluição do ar emitido durante o Império. Então, com um modelo climático global habilitado para aerossol, tentou quantificar os efeitos que os humanos tiveram no ambiente local.

Os cientistas descobriram que, embora a desflorestação e várias mudanças no uso da terra tivessem um efeito de aquecimento de 0,15°C, isso foi compensado por um efeito de arrefecimento causado pela dispersão das emissões de aerossóis da queima da agricultura. O resultado foi uma queda geral na temperatura de 0,17°C, 0,23°C ou 0,46ºC (dependendo do cenário de baixa, intermediária ou alta emissão, respectivamente).

No entanto, esse efeito de arrefecimento não terá sido universal. Os resultados do modelo sugerem que as áreas da Europa Central e Oriental sofreram o arrefecimento mais extremo, enquanto partes do norte da África e do Médio Oriente teriam experimentado aquecimento.

Apesar de os cientistas estudarem o efeito do Império Romano no clima da Europa nas últimas duas décadas, esta é aparentemente a primeira peça de estudo a considerar o efeito contrário das emissões de aerossol, disse Joy Singarayer, da Universidade de Reading, no Reino Unido, ao New Scientist. “A novidade aqui está no seu pensamento sobre qual seria a contribuição do aerossol, o que parece ser bastante considerável”, disse.

Em contraste com a mudança climática actual, é improvável que esse arrefecimento tenha sido suficientemente significativo para ter um grande efeito na vida quotidiana na Europa romana. Particularmente, dado o período quente romano – um período de aquecimento natural – que ocorreu entre 250 a.C a 400 d.C.

Mas a queima da agricultura pode ter afectado o clima de outras formas, disse Anina Gilgen, do ETH de Zurique, na Suíça. Por exemplo, pelo aumento da poluição do ar em cidades próximas, mudanças nos padrões de precipitação e, consequentemente, disponibilidade de água.

Embora possa ser difícil avaliar com precisão os eventos climáticos passados, o artigo conclui que é provável que a influência humana na terra e na atmosfera tenha afectado o clima de escala continental durante a Antiguidade Clássica.

ZAP //

Por ZAP
5 Junho, 2019



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1550: Erupção de vulcão escocês pré-histórico mudou o clima

Diliff / Wikimedia
Sgùrr nan Gillean, uma montanha na ilha de Skye, na Escócia

Há 56 milhões de anos, a erupção de um vulcão pré-histórico, localizado onde actualmente se encontra a Escócia, terá contribuído para um drástico aquecimento global.

Segundo uma equipa de cientistas, é muito provável que uma erupção vulcânica catastrófica na Ilha de Skye, na Escócia, tenha causado grandes mudanças no clima. Investigadores escoceses, suecos e ingleses relacionaram a erupção com o aumento do aquecimento global.

Esta é a primeira vez que uma erupção vulcânica explosiva em larga escala é confirmada na Escócia. O chamado Máximo Térmico do Paleoceno-Eoceno (PETM) desempenhou um papel muito importante na formação do mundo pré-histórico. O estudo sobre este fenómeno foi publicado recentemente na Scientific Reports.

Quando ocorreu o fenómeno, as temperaturas da Terra aumentaram cerca de oito graus Celsius. No entanto, existe ainda hoje um possível efeito desta ocorrência, ainda que seja quatro vezes mais fraca, revelam os cientistas.

Através do estudo da composição química e estrutura das rochas encontradas nas Ilhas Hébridas Interiores, os cientistas determinaram que a erupção deu origem à Ilha de Skye. A “explosão de Skye” está a ser identificada como um forte contribuinte para o aquecimento global durante o PETM.

A poeira da erupção vulcânica instalou-se na Terra, além de milhões de toneladas de gases de efeito de estufa, como o dióxido de carbono, que contaminam diariamente a atmosfera persistindo durante vários anos. Uma espécie de combo que contribui, assim, para o aquecimento global.

É por este motivo que os cientistas associam o PETM à actividade vulcânica na região do Atlântico Norte, especialmente no que hoje é a Gronelândia, as Ilhas Britânicas e o Mar do Norte. Esta investigação entra em contra-mão com a visão previamente aceite do sector escocês do Atlântico Norte, que garantia que esta região não havia tido registo de erupções explosivas na época do PETM.

Esta foi a primeira vez que um evento desta magnitude foi confirmado em território escocês. A ocorrência foi comparada pelos pesquisadores com a erupção do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883, considerado um dos desastres mais catastróficos na história da humanidade.

ZAP // BBC / SputnikNews

Por ZAP
3 Fevereiro, 2019

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1301: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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Calor “anormal” nos próximos quatro anos: 2018 foi só o início

Novo método de previsão estatística desenvolvido por dois climatólogos europeus sugere que 2018 é o primeiro ano de um período de quatro em que as temperaturas vão aumentar muito.

© José Sena Goulão/Lusa

O ano de 2018, com a inédita onda de calor deste verão que se prolongou por semanas e atingiu quase toda a Europa, grande parte da América do Norte e extensas regiões asiáticas, numa dimensão geográfica surpreendente, pode ser apenas o início de um período anormalmente quente que vai estender-se por vários anos, pelo menos até 2022.

A estimativa é de dois climatólogos europeus, Florian Sévellec, do CNRS, o centro nacional de investigação científica de França, e Sybren Drijfhout, da Universidade de Southampton e do Instituto de Meteorologia da Holanda, que desenvolveram um novo método estatístico para estimar a temperatura global da superfície terrestre e dos oceanos.

Pelas suas contas, os próximos quatro anos tenderão a ser “mais quentes do que o normal”, o que por sua vez “vai reforçar também a tendência de longo prazo do aquecimento do planeta”, como se lê no artigo que hoje publicam na revista científica Nature Communications.

O novo método desenvolvido pelos dois investigadores para fazer estas previsões não utiliza as técnicas de simulações geralmente utilizadas. Em vez disso, os dois cientistas usaram um método estatístico para identificar nos séculos XX e XXI situações análogas às actuais condições climáticas para deduzir, a partir daí, cenários para o futuro.

De acordo com os autores, o seu método demonstrou ser tão eficaz como os actuais modelos de previsão, uma vez que com ele conseguiram reproduzir as condições de temperatura observadas nas últimas décadas.

Em particular, o sistema de Sévellec e Drijfhout demonstrou muita precisão a reproduzir o já chamado hiato no aquecimento global ocorrido na primeira década deste século. Durante aquele período houve uma ligeira quebra na subida anual da temperatura global, que desde de 2010 regressou em força, tendo-se registado a partir daí alguns dos anos mais quentes desde que há registos.

O método de previsão usa um algoritmo que consegue fazer as estimativas em poucos segundos, ao contrário do que acontece com os modelos de simulação climática que têm de ser corridos em supercomputadores, e levam cerca de uma semana a dar resultados.

Para os próximos anos, até 2022, os cálculos feitos por este novo processo apontam então para altas temperaturas muito acima da média, o que também decorre de os cálculos darem uma baixa probabilidade de episódios de frio intenso.
As previsões estão feitas. Fiquemos atentos.

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Agosto 2018 — 18:33

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854: Eventos climáticos em cadeia podem transformar planeta numa estufa

Vagas de calor extremo como a dos últimos dias – e as catástrofes a elas associadas – poderão tornar-se cada vez mais frequentes, alerta um grupo de cientistas da Alemanha, Suécia, Dinamarca e Austrália num artigo publicado no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos

Icebergue que no início de Julho deste ano se aproximou da localidade de Innaarsuit na Gronelândia
Foto Reuters

Pinguim num icebergue no Yankee Harbour na Antártica
Foto Reuters/Alexandre Meneghini/File Photo

É um estudo novo, vem dos Estados Unidos, país que se retirou dos Acordos de Paris sobre o Clima por ordem do seu próprio presidente e mostra, mais uma vez, que a velocidade dos tempos da natureza não se compadece com a dos tempos da política.

Segundo um artigo que um grupo de cientistas internacionais publicou no jornal da Academia Nacional de Ciência dos EUA, com o título “Trajectories of the Earth System in the Anthropocene”, ou seja, “Trajetórias do Sistema Terrestre no Antropoceno”, uma sucessão de eventos como degelo, aquecimento dos oceanos, correntes instáveis e florestas moribundas poderá transformar o Planeta Terra num espécie de estufa e nem os esforços humanos para reduzir as emissões de CO2 terão impacto.

Os cientistas, da Alemanha, Suécia, Dinamarca e Austrália, tiveram em consideração uma interacção e uma combinação de 10 processos de alterações climáticas, como, por exemplo, a libertação de metano no permafrost da Sibéria e o impacto do degelo na Gronelândia. No dia 12 de Julho, um icebergue do tamanho de uma montanha aproximou-se de Innaarsuit, na costa oeste da Gronelândia. Causou o pânico. Os moradores foram retirados de casa. Em Junho do ano passado pelo menos quatro pessoas morreram na sequência de ondas provocadas pelo desprendimento de um icebergue no noroeste da Gronelândia.

Assim, o que dizem estes cientistas, tal como já têm vindo a dizer outros, mesmo que o mundo cumpra o que está no Acordo de Paris, manter o aumento da temperatura média global abaixo dos 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial e limitar o aumento a 1,5ºC, isso poderá já não ser suficiente. O referido efeito dominó, dizem, poderia mesmo fazer subir as temperaturas até 5ºC.

O nível das águas do mar, alerta aquele artigo, poderia subir entre 10 e 60 metros, inundando várias ilhas e cidades costeiras, tais como Veneza (Itália), Nova Iorque (EUA), Tóquio (Japão) e Sidney (Austrália). Estas zonas teriam que ser evacuadas e deixariam de poder ser habitadas. Os cientistas avisam que a trajectória para um planeta estufa iria “certamente inundar ambientes deltaicos, aumentar o risco de tempestades costeiras com efeito destruidor e eliminar recifes de coral até ao final deste século ou até antes”.

“Espero que estejamos errados. Mas como cientistas temos a responsabilidade de explorar se isto é real. Precisamos saber. É urgente. Esta é uma das questões mais existenciais da ciência”, disse, citado pelo Guardian, Johan Rockström, director executivo do Resilience Stockholm Centre, instituto independente de investigação, especializado em desenvolvimento sustentável. Rockström é um dos autores do artigo publicado esta segunda-feira no jornal da Academia Nacional de Ciência dos EUA.

O impacto das alterações climáticas levou a conceituada revista Economist a fazer, esta semana, capa com o tema. A ilustrá-lo, uma fotografia de incêndios, o ante-título “Na linha do fogo” e o título “O mundo está a perder a guerra contra as alterações climáticas”.

No texto da publicação britânica lê-se: “A Terra está a arder em lume brando. De Seattle à Sibéria, este verão as chamas consumiram parcelas do hemisfério norte. Um dos 18 fogos que varrem a Califórnia, um dos piores da sua história, está a gerar um calor tal que criou uma espécie de microclima. Os fogos que varreram a zona costeira de Atenas mataram 91 pessoas. Noutras partes as pessoas sufocam com o calor. 125 morreram com o calor no Japão em resultado da onda de calor que elevaram as temperaturas em Tóquio pela primeira vez acima dos 40ºC”.

Diário de Notícias
Patrícia Viegas
07 Agosto 2018 — 10:19

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674: Há uma relação entre o racismo e a negação das alterações climáticas

B. Bannon / UNHCR

Os motivos que estão por trás da negação das alterações climáticas parecem ser ainda mais complexos do que pensávamos. Um estudo concluiu que há uma ligação entre atitudes racistas e o cepticismo no que toca à mudança climática.

Um novo estudo examinou atitudes em relação às alterações climáticas durante a presidência de Barack Obama, nos Estados Unidos, e descobriu que os americanos brancos ficaram significativamente menos preocupados com as mudanças climatéricas durante a presidência.

Além disso, mostrou também que as atitudes racistas dos brancos poderiam estar a ajudar a alimentar o cepticismo em relação às alterações climáticas.

A mudança do clima é um problema real, atual, sobre o qual é preciso alertar, mas também um problema que parece ser ignorado por alguns.”Não estou a afirmar que a raça é o componente mais importante para explicar as atitudes ambientais, mas é algo significativo com que devemos estar preocupados”, disse o cientista político Salil Benegal, da Universidade DePauw.

Para chegar a esta conclusão, o cientista analisou até que ponto as atitudes racistas podem estar associadas ao cepticismo em relação às alterações climáticas. Para isso, Benegal estudou as tendências de opinião pública durante a presidência de Obama.

Barack Obama foi o primeiro Presidente negro e dedicou-se muito às causas ambientais, tornando-se num defensor nato. A equipa de cientistas queria, com base neste facto, estudar até que ponto o atual debate sobre o tema poderia ter sido influenciado pelo Presidente norte-americano.

No entanto, Benegal apercebeu-se de que, num período em que os problemas climáticos ganharam destaque nos Estados Unidos, o interesse sobre este tema diminuiu por parte de 18% da população apontada como racista.

Apesar de o raciocínio por trás desta divergência racial permaneça hipotético, Benegal sugere que é possível que os eleitores caucasianos com elevado nível de racismo tenham associado Obama às alterações climáticas e, consequentemente, ao poder político.

Estas conclusões basearam-se nas respostas a inquéritos desde os anos 60, recolhidos pela American National Election Studies (ANES). Estes inquéritos permitiram comparar as mudanças de opinião aquando do novo presidente.

Assim, os dados da ANES mostraram que, à medida que aumenta o ressentimento racial entre os eleitores caucasianos republicanos, é mais provável que discordem de que as alterações climáticas estejam mesmo a acontecer ou que sejam consequentes da actividade humana.

Na opinião do cientista, estes dois factores são evidências de “transbordamento racial” – a identidade racial e a preocupação com as alterações climáticas relacionaram-se de alguma forma ao longo de uma presidência de dois mandatos.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
21 Junho, 2018

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414: Há 11.000 anos, o Homem sobreviveu a uma mudança abrupta de clima

Há cerca de 11.000 anos atrás, os humanos tiveram de enfrentar uma súbita e abrupta quebra nas temperaturas, de 10 a 4 graus. Viveram assim durante mais de 100 anos.

Os cientistas têm alertado para o impacto das alterações climáticas na sobrevivência do próprio ser humano. Viver debaixo do sol abrasador do verão e, de repente, enfrentar temperaturas geladas, é um cenário verdadeiramente assustador. No entanto, os nossos antepassados viveram-no durante mais de cem anos, e a boa notícia é que sobreviveram.

Vestígios da Idade da Pedra média recolhidos no sítio arqueológico Star Carr, no Yorshire do Norte, em Inglaterra, mostram que há 11.000 anos atrás, os humanos tiveram de enfrentar uma súbita quebra nas temperaturas: de 10 a 4 graus Celsius, que duraram mais de um século.

De acordo com as conclusões, publicadas esta segunda-feira na Nature Ecology & Evolution, a população de Star Carr foi uma das primeiras colónias na Inglaterra, depois da última idade do gelo.

Esta população “teve de ser muito resiliente à instabilidade climática, capaz de preservar e manter uma sociedade estável, apesar do stresse ambiental”, explicou Ian Candy, autor do estudo e professor de geografia na Universidade Royal Holloway de Londres, à CNN.

Os especialistas que têm vindo a estudar o clima ao longo dos anos sabem que o clima na Terra não foi tão estável para os nossos antepassados como tem sido para nós. Muitas vezes, essas mudanças climáticas forçavam as populações a moverem-se para outros lugares, caso quisessem sobreviver.

Os cientistas acreditam que este episódio de queda abrupta e repentina de temperaturas tenha sido ainda maior do que o que aconteceu há 8200 anos – que, por sua vez, está já bastante estudado.

“Estas descobertas mudam a ideia que tínhamos da interacção entre as sociedades pré-históricas e as alterações climáticas. Os eventos climáticos de Star Carr são tão grandes, se não maiores, do que a magnitude do que aconteceu há 8200 anos e ainda assim as populações foram resilientes perante o impacto desses acontecimentos”, disse Ian Candy.

Os cientistas cruzaram as temperaturas que se fizeram sentir naquela época com os artefactos que foram encontrados no sítio arqueológico de Star Carr e as provas revelaram que a presença humana foi constante nos 100 anos de temperaturas baixas.

Embora as florestas tenham sido afectadas pelas baixas temperaturas, os nossos antepassados caçadores sobreviveram porque nunca lhes faltou as peles e a carne dos veados-vermelhos, por exemplo.

No entanto, é de sublinhar que a densidade populacional na altura era muito menor, facilitando a fuga para outros locais e a consequente sobrevivência dos humanos.

“A população actual coloca muito mais pressão nos recursos dos quais dependemos, muitos dos quais vão ser afectados pelas alterações climáticas futuras”, adverte o professor.

ZAP //

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