“NASA, temos um problema com o calendário Maia”

CIÊNCIA/CIVILIZAÇÕES

Depois de vários anúncios sobre o fim do mundo baseados em profecias e calendários da civilização maia, há uma nova data marcada para o Apocalipse: 21 de Junho (ou seja, é já amanhã)

Às 02.59 do dia 13 de Abril de 1970 o astronauta Jack Swigert comunicou ao Centro de Controlo da Missão Apolo 13 que tinha havido uma explosão na nave espacial em que os três astronautas se dirigiam para a Lua. Disse: Houston, we have a problem.” Foi essa a frase que ficou para a história apesar de a verdadeira ter sido: “Okay, Houston, we”ve had a problem here.” O trio norte-americano salvou-se de um fim trágico após vários dias de grande incerteza, em manobras orientadas desde a Terra, onde milhões assistiam ao desenrolar da odisseia Apolo – que tinha como número o 13, que muitos acreditam ser de grande azar – e a NASA tornou-se uma instituição ainda mais respeitada por ter saído bem dessa mais que provável tragédia.

Quatro décadas depois, a NASA teve de vir de novo em socorro do homem, não de três astronautas mas de toda a população do planeta porque foi dado como certo – na medida em que isso era possível – por vários profissionais das teorias da conspiração que o mundo iria acabar a 21 do 12 de 2012. Fizeram contas em cima do calendário dos maias e “descobriram” que esta civilização centro-americana prognosticava o fim do mundo para esse dia.

Nada aconteceu, e esses profetas e conspiradores deixaram passar mais algum tempo para nas últimas semanas apresentarem novas contas e apontarem nova data como o dia em que o Apocalipse acontecerá finalmente: 21 de Junho de 2020,

Perante a alegada ameaça do anterior cataclismo, para 2012, a NASA explicou no seu site nos dias antes que era preciso dar ouvidos à ciência e que esta não previa nada fora do normal para o planeta Terra. Aliás, no dia seguinte, publicou uma “notícia de última hora” com o título “O mundo não acabou a 21 do 12 de 2012”. Acrescentava o seguinte: “Como se devem ter apercebido, a profecia maia estava errada desde o princípio.”

Poucos anos depois, fez uma actualização desse desmentido, novamente por causa das profecias dos maias: “Várias pessoas previram o fim do mundo para 20 de Setembro de 2017, data em que um misterioso planeta entraria em colisão com a órbita da Terra. Esse planeta, Niburu, não existe e é uma história que se propagou sem razão de ser.”

Mas nada impede que novas previsões apocalípticas desafiem as explicações da NASA, que mantém no seu site estes esclarecimentos ao lado daquilo que é a sua razão de existir, a exploração espacial, mantendo a sua oposição contrária ao que os especuladores dizem existir no calendário Maia.

Desta vez, coube a um alegado cientista norte-americano, Paolo Tagaloguin, que colocou na sua conta do Twitter esse alerta sobre o fim do mundo em breve. Aviso: não vale a pena procurar porque nos últimos dias essa conta e todas as outras que tinha nas redes sociais foram apagadas – nem se sabe até que ponto Tagaloguin existe ou é ficção. Seria boa a sua intenção de preparar milhões de milhões de seres humanos para o dia do juízo final, afinal os maias tinham feito essa previsão há milénios e estava a chegar a hora de o planeta se confrontar com o seu destino.

Mas a NASA já tinha desmentido qualquer validade do antigo calendário maia e, ainda por cima, as contas estavam mal feitas mais uma vez. E, após ter desmentido essa mesma previsão no início deste milénio e, principalmente, a data do fim do mundo para 12 do 12 de 2012, referiu que o engano já tinha começado em 2000, 2003 e 2006, outras datas apontadas para o cataclismo final. Que geraram medo, principalmente a de 2012, que teve o benefício de uma campanha mundial muito bem orquestrada que vendeu muitos livros e ocupou muitos espectadores em horas de programas televisivos sobre o seu fim próximo.

Daí que a NASA não precisasse de ouvir a frase “Houston, we have a problem” para intervir e ter vindo a público novamente demonstrar a falibilidade dessas teorias e negar qualquer credibilidade nas previsões. E nos últimos dias essas palavras voltaram a ser recordadas, de forma a sossegar os milhões que ainda acreditam nessas fantasias que regressam periodicamente, como agora.

Factos: tudo terá começado numa notícia no jornal (tablóide) britânico The Mirror, publicada no passado dia 12 e que, entretanto, foi apagada do seu site. E tudo terá mesmo começado com um tweet de Paolo Tagaloguin a revelar que existia um erro de cálculo na adaptação do calendário maia em relação ao gregoriano, que a maior parte do planeta utiliza, e que teria adiado o Apocalipse para amanhã. A partir daí, as redes sociais foram fazendo o seu papel e muitos jornais publicaram artigos sobre o novo fim do mundo. Mesmo que dar fogo a esta previsão tivesse sido uma prioridade para órgãos de comunicação social popularuchos como muitos no Brasil e na Índia, também o espanhol La Vanguardia deu destaque nesta semana ao fim do mundo.

A tese do alegado cientista e alegado norte-americano Paolo Tagaloguin resumia-se ao “facto” de que refeitas as contas existiam 2948 dias a acrescentar à anterior previsão, a de 21 do 12 de 2012. Segundo o The Mirror, Tagaloguin teria avisado no Twitter que “se se seguisse o calendário juliano, o ano em que estaríamos tecnicamente seria o de 2012. Ao fazer a passagem para o calendário gregoriano, perderam-se a cada ano 11 dias entre 1752 e 2020. Ou seja, os tais 2948 dias que coincidem com este 21 de Junho.

A crer nesta nova contabilidade, tudo aconteceria já neste domingo. No entanto, houve quem fizesse essas mesmas contas do “cientista” Tagaloguin e encontrasse várias discrepâncias na mudança dos calendários juliano para o gregoriano e, pior, que o anterior dia do Apocalipse, o de 21 de Dezembro de 2012, já estava errado na conversão dos referidos calendários juliano para o gregoriano, em cima do calendário maia que serviu de inspiração original. Mais, os maias não utilizavam uma contagem do tempo como aquelas para que o seu calendário foi convertido, daí que qualquer previsão futura não passe de uma especulação.

Talvez este Apocalipse tivesse tido mais popularidade se não fosse o efeito da quarentena devido à pandemia da covid-19, essa sim um verdadeiro Apocalipse global!

No entanto, várias autoridades foram ouvidas nos últimos dias para esclarecer a probabilidade do fim do mundo segundo os maias. E o que acontece é uma quantidade de desmentidos pois, além de a NASA já ter afirmado que “estas teorias não passam de mentiras sem qualquer prova que sustente as conspirações nos livros publicados, documentários ou em tudo o que corre na Internet”, também um responsável da Astronomia do Dubai veio dizer que “a ciência requer um esforço para ser compreendida e esta é uma oportunidade de ouro para as pessoas não acreditarem neste tipo de mensagens”.

Outros especialistas recordam que a civilização maia jamais se preocupou em prever o fim do mundo e que esta data assume importância no seu calendário porque representava o fim de um ciclo do tempo, como o de o ano acabar em Dezembro. Opinião que um astrónomo da Universidade de Maryland, John B. Carlson, já explicara ao afirmar que o calendário maia não terminava a 21 de Dezembro de 2012 nem continha previsões apocalípticas, e que essas deduções eram “um engano e uma leitura incorrecta do calendário”. Que, referiu, regride na contagem do tempo a antes do Big Bang e que coloca a criação do mundo há pouco mais de cinco mil anos.

Diário de Notícias

 

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3874: A Via Láctea pode ter 36 civilizações extraterrestres inteligentes

CIÊNCIA/ASTROBIOLOGIA/ASTROFÍSICA

KELLEPICS / pixabay

Uma equipa de investigadores da Universidade de Nottingham calcularam que deverá haver 36 civilizações inteligentes a comunicar activamente na nossa galáxia.

Utilizando o suposição de que a vida inteligente se forma noutros planetas de forma semelhante à da Terra, os investigadores obtiveram uma estimativa do número de civilizações comunicantes inteligentes na Via Láctea. Os cientistas calculam que poderia haver mais de 30 civilizações inteligentes em comunicação activa na nossa galáxia.

“Deveria haver pelo menos algumas dúzias de civilizações activas na nossa galáxia, partindo do princípio de que são necessários cinco mil milhões de anos para a vida inteligente se formar noutros planetas, como na Terra”, disse Christopher Conselice, professor de Astrofísica na Universidade de Nottingham, em comunicado. “A ideia é olhar para a evolução, mas em escala cósmica. Chamamos esse cálculo de limite copernicano astrobiológico”.

“O método clássico para estimar o número de civilizações inteligentes baseia-se em adivinhar valores relacionados com a vida, em que as opiniões sobre tais questões variam substancialmente. O nosso novo estudo simplifica essas suposições usando novos dados, fornecendo uma estimativa sólida do número de civilizações na nossa galáxia“, explicou Tom Westby, autor principal do estudo.

Os dois limites astrobiológicos copernicanos são a vida inteligentes se forma em menos de cinco mil milhões de anos ou após cerca de cinco mil milhões de anos – semelhante à Terra, onde uma civilização comunicante se formou após 4,5 mil milhões de anos.

“Nos fortes critérios, segundo os quais é necessário um conteúdo metálico igual ao do Sol, calculamos que deve haver cerca de 36 civilizações activas na nossa galáxia”, disseram os investigadores.

O estudo mostra que o número de civilizações depende fortemente de quanto tempo estão activamente a enviar sinais da sua existência ao espaço, como transmissões de rádio de satélites, televisão, etc. Se outras civilizações tecnológicas durarem tanto quanto a nossa, que actualmente tem 100 anos, haverá cerca de 36 civilizações tecnologicamente inteligentes em toda a nossa galáxia.

No entanto, a distância média a essas civilizações estaria a 17 mil anos-luz de distância, dificultando a detecção e a comunicação com a nossa tecnologia actual.

Também é possível que sejamos a única civilização dentro da nossa galáxia, excepto se os tempos de sobrevivência de civilizações como a nossa sejam longos.

“A nossa nova investigação sugere que a busca por civilizações extraterrestres inteligentes não só revela a existência de como a vida se forma, mas também nos dá pistas de quanto tempo a nossa própria civilização durará. Se acharmos que a vida inteligente é comum, isso revelaria que a nossa civilização poderia existir durante muito mais do que algumas centenas de anos. Alternativamente, se descobrirmos que não há civilizações activas na nossa galáxia, é um mau sinal para a nossa própria existência a longo prazo. Ao procurar vida inteligente extraterrestre – mesmo que não encontremos nada – estamos a descobrir o nosso próprio futuro e destino“, concluiu Conselice.

O estudo foi publicado esta semana na revista científica The Astrophysical Journal.

ZAP //

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17 Junho, 2020

 

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3854: Are there really 36 alien civilizations out there? Well, maybe.

(Image: © Angela Harburn/Shutterstock)

How many intelligent alien civilizations are out there among the hundreds of billions of stars in the spiral arms of the Milky Way? According to a new calculation, the answer is 36.

That number assumes that life on Earth is more or less representative of the way that life evolves anywhere in the universe — on a rocky planet an appropriate distance away from a suitable star, after about 5 billion years. If that assumption is true, humanity may not exactly be alone in the galaxy, but any neighbors are probably too far away to ever meet.

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On the other hand, that assumption that life everywhere will evolve on the same timeline as life on Earth is a huge one, said Seth Shostak, a senior astronomer at the SETI Institute in Mountain View, California, who was not involved in the new study. That means that the seeming precision of the calculations is misleading.

“If you relax those big, big assumptions, those numbers can be anything you want,” Shostak told Live Science.

Distant neighbors

The question of whether humans are alone in the universe is a complete unknown, of course. But in 1961, astronomer Frank Drake introduced a way to think about the odds. Known as the Drake equation, this formulation rounds up the variables that determine whether or not humans are likely to find (or be found by) intelligent extraterrestrials: The average rate of star formation per year in the galaxy, the fraction of those stars with planets, the fraction of those planets that form an ecosystem, and the even smaller fraction that develop life. Next comes the fraction of life-bearing planets that give rise to intelligent life, as opposed to, say, alien algae. That is further divided into the fraction of intelligent extraterrestrial life that develops communication detectable from space (humans fit into this category, as humanity has been communicating with radio waves for about a century).

The final variable is the average length of time that communicating alien civilizations last. The Milky Way is about 14 billion years old. If most intelligent, communicating civilizations last, say, a few hundred years at most, the chances that Earthlings will overlap with their communications is measly at best.

Solving the Drake equation isn’t possible, because the values of most of the variables are unknown. But University of Nottingham astrophysicist Christopher Conselice and his colleagues were interested in taking a stab at it with new data about star formation and the existence of exoplanets, or planets that circle other stars outside our own solar system. They published their findings June 15 in The Astrophysical Journal.

“This paper couldn’t have been written a few years ago,” Conselice told Live Science.

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The team calculated the age distribution of stars in the Milky Way, looking for those at least 5 billion years old and presumably old enough to host a humanlike civilization. They found that 97% of stars in the Milky Way are older than 5 billion years. Our solar system, at 4.5 billion years old, is a relative newbie in the galaxy, Conselice said, so it made sense that many stars in the Milky Way are older.

The researchers then calculated the number of those stars that are dense enough and stable enough to host planetary systems. A third of the stars older than 5 billion years qualified. Next, using what astronomers now know about the distribution of exoplanets, the researchers estimated the number of rocky planets within the habitable zones of those stars. They also calculated which stars are metal-rich enough to have orbiting rocky planets with the kind of elements you might need to construct, say, a radio transmitter. Finally, they set a lower limit of the life span of a communicating civilization at 100 years, based on Earth’s timeline with radio technology so far.

The result? If life on other planets follows the same trajectory as on Earth, there are 36 intelligent, communicating extraterrestrial civilizations sharing the Milky Way with humans today. There is uncertainty in this estimate, with a range from four other civilizations up to 211. If alien civilizations are likely to be distributed evenly throughout the Milky Way, our nearest neighbor would likely be 17,000 light-years away.

That means we’re quite unlikely to get in touch. The researchers calculate that a theoretical alien civilization would have to be broadcasting detectable signals for approximately 3,060 years for us to pick them up. That means to establish a two-way conversation with such a civilization, humanity (and the aliens) would have to hold it together for another 6,120 years.

Questioning assumptions

There are more optimistic scenarios for meeting ET. If, for example, life can evolve any time after 5 billion years, but not necessarily right at 5 billion years, the number of possible civilizations in the Milky Way rises to about 928. In this case, a civilization has to communicate for just 1,030 years to make contact.

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The problem with these numbers is that the authors filled in some of the blanks in the Drake equation with astronomical data while dispensing with some of the most complicated, controversial variables without much discussion, Shostak said. Does life really evolve on any rocky planet within the habitable zone of a sun-like star? Does intelligent life really reliably show up about 4.5 billion years later? Had a chance asteroid not knocked Earth around 66 million years ago, killing off the dinosaurs, the timeline of the evolution of intelligent life on Earth could look quite different, after all. Perhaps the most limiting variable, Shostak said, is the assumption that a communicating civilization only transmits signals for a century. That seems pessimistic even for human civilization, which has its struggles but seems unlikely to stop using radio waves in the next couple of months, he said.

The answer to the Drake equation “depends a lot on the probability of life developing on a world and on [intelligent life] developing on a world and on the lifetime of intelligence,” Shostak told Live Science. “Those are all big things that could change the answer by an order of magnitude.”

Conselice said the calculations are a way of understanding humanity’s existence — and its future. If there turn out to be more civilizations out there in the galaxy than the new math predicts, that means that either life can evolve under far broader conditions than just Earth-like ones, or it means that civilizations tend to be far longer-lived than ours thus far.

“If we find a lot of them, that’s a good sign that we might have a very long lifetime for our civilization,” Conselice said.

On the other hand, if the search for extraterrestrial life continues to turn up empty, it could mean that life only rarely evolves, or that when civilization arises, it tends to self-destruct rapidly. Perhaps, the Milky Way was relatively bustling a few billion years ago, but those sparks of life have since gone out. In the end, Shostak said, there is only one way to find out.

“You’re only going to be able to write a paper in which you can make any estimate of how many alien societies there are once you find one or two,” Shostak said.

Originally published on Live Science.
16/06/2020
By Stephanie Pappas – Live Science Contributor

 

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3705: Director da Roscosmos acredita que sinais extraterrestre passem (silenciosamente) pela Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

encouragement / Flickr

Sinais de civilizações extraterrestres podem já ter atingido a Terra, mas há uma probabilidade de o Homem não ter conseguido entender estes sinais, acredita o director da Roscosmos, Alexander Bloshenko.

No entender do especialista da agência espacial russa (Roscosmos), não é possível afirmar com toda a certeza que o Universo está definitivamente “silencioso”, apesar de não ter sido ainda encontrado nenhum sinal de inteligência artificial.

O problema, continua citado pela agência russa TASSpode estar no “ouvido” humano, isto é, nas suas formas de detecção. Segundo Alexander Bloshenko, é bastante provável que estes sinais de origem extraterrestre passem pela Terra.

“É bastante provável que alguns sinais baseados em princípios não clássicos incompreensíveis para nós actualmente passem pela Terra”, considerou o director russo.

Nas mesma declarações, Alexander Bloshenko recordou que a descoberta de outros sistemas estelares na “zona habitável” aponta para a presença de outros lugares favoráveis ao aparecimento de vida no Universo.

“Actualmente, sabe-se conclusivamente que existem cerca de 4.000 exoplanetas. Ao mesmo tempo, mais de dois biliões de galáxias estão na parte visível do Universo e, em cada uma, podem existir biliões de planetas. E a probabilidade de existir vida semelhante à que conhecemos em qualquer um deles é bastante elevada”, continuou.

Apesar de reconhecer que é bastante possível que o Homem não esteja sozinho no Universo, Alexander Bloshenko frisa que não foram ainda encontradas quaisquer evidências de outras formas de vida alienígena.

A procura continua.

Os extraterrestres estão trancados nos seus próprios mundos (e é por isso que ainda não os encontramos)

Um cientista britânico fez uma nova leitura do controverso Paradoxo de Fermi, sugerindo que ainda não foram detectados sinais de…

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18 Maio, 2020

 

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3333: Extinção de mamíferos da idade do gelo pode ter forçado humanos a inventar a civilização

CIÊNCIA/HUMANIDADE

Daleyhl / Wikimedia

O surgimento das civilizações pode não ter sido algo planeado e ponderado, mas sim uma opção de último recurso devido à extinção de grandes mamíferos da idade do gelo.

O Homo sapiens moderno evoluiu pela primeira vez entre 250 mil e 350 mil anos atrás. Mas os passos iniciais rumo a uma civilização começaram apenas há cerca de 10 mil anos, com as primeiras civilizações a surgirem há 6.400 anos.

Durante 95% da história da nossa espécie, não cultivamos, criamos grandes assentamentos ou hierarquias políticas complexas. Vivíamos em pequenos grupos nómadas, a caçar e a colectar. Depois, algo mudou.

Passamos da vida de caçadores-colectores para a colheita de plantas, depois o cultivo e, finalmente, as cidades. Surpreendentemente, esta transição ocorreu apenas após o desaparecimento da mega-fauna da idade do gelo — mamutes, preguiças, veados e cavalos gigantes. As razões pelas quais os humanos começaram a cultivar ainda permanecem incertas, mas o desaparecimento dos animais dos quais dependíamos para alimentação pode ter forçado a nossa cultura a evoluir.

Os primeiros humanos eram inteligentes o suficiente para cultivar. Todos os grupos de humanos modernos têm níveis semelhantes de inteligência, sugerindo que as nossas capacidades cognitivas evoluíram antes que estas populações se separassem há cerca de 300.000 anos e depois mudassem pouco depois. Se os nossos ancestrais não cultivaram plantas, não é que não tenham sido suficientemente inteligentes. Algo no ambiente os impedia — ou eles simplesmente não precisavam.

O aquecimento global no final do último período glacial provavelmente facilitou a agricultura. No entanto, é improvável que a agricultura fosse impossível em todos os lugares. Os eventos anteriores de aquecimento do clima não estimularam a aventura na agricultura. As alterações climáticas não podem ter sido o único factor.

A migração humana provavelmente também contribuiu. Quando as nossas espécies se expandiram do sul de África para a Ásia, Europa e depois as Américas, encontramos novos ambientes e novas plantas. Contudo, pessoas ocupavam estas partes do mundo muito antes do início da agricultura. A domesticação das plantas atrasou a migração humana em dezenas de milénios.

Se já existiam oportunidades para inventar a agricultura, a sua invenção tardia sugere que os nossos ancestrais não precisavam ou não queriam cultivar.

Caça abandonada

No entanto, algo mudou. Há 10 mil anos atrás, os seres humanos abandonaram repetidamente o estilo de vida de caçadores-colectores para a agricultura. Pode ser que, após a extinção de mamutes e de mega-fauna da época do Plistoceno, e a caça excessiva, o estilo de vida dos caçadores-colectores se tenha tornado menos viável, levando as pessoas a colher e depois cultivar plantas.

Talvez a civilização não tenha nascido do desejo de progredir, mas do desastre, como uma catástrofe ecológica forçou as pessoas a abandonar os seus estilos de vida tradicionais.

À medida que os humanos deixaram África para colonizar novas terras, grandes animais desapareceram em todos os lugares em que pisamos. Na Europa e na Ásia, a mega-fauna, como rinocerontes lanudos, mamutes e alces irlandeses. Na Austrália, cangurus e vombates gigantes desapareceram. Na América do Norte e do Sul foram os cavalos, camelos, tatus gigantes, mamutes e preguiças caíram.

Após as pessoas se espalharam para as Caraíbas, Madagáscar, Nova Zelândia e Oceânia, a sua mega-fauna também desapareceu. As extinções seguiam inevitavelmente os humanos.

Caçar animais grandes oferece um maior retorno do que caçar animais pequenos como coelhos. Contudo, os animais grandes reproduzem-se lentamente e têm poucos filhos em comparação com pequenos animais, tornando-os vulneráveis. Isto significava que caçávamos animais grandes mais rápido do que eles se conseguiam reproduzir. Foi, sem dúvida, a primeira crise de sustentabilidade.

Os humanos seriam então forçados a inovar, concentrando-se cada vez mais na colecta e no cultivo de plantas para sobreviver. Isto permitiu que as populações humanas se expandissem.

Comer plantas em vez de carne é um uso mais eficiente da terra, pelo que a agricultura pode sustentar mais pessoas na mesma área em comparação com a caça. As pessoas poderiam estabelecer-se permanentemente, construir assentamentos e posteriormente civilizações.

A agricultura e a civilização podem ter sido inventadas não porque foram uma melhoria em relação ao nosso estilo de vida ancestral, mas porque não nos restava escolha. A agricultura foi uma tentativa desesperada de consertar as coisas quando levamos mais do que o ecossistema poderia sustentar. Neste caso, abandonamos a vida dos caçadores da era do gelo para criar o mundo moderno, não com previsão e intenção, mas por acidente, por causa de uma catástrofe ecológica que criamos há milhares de anos.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
8 Janeiro, 2020

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3301: Descoberto palácio da civilização Maia no meio da selva mexicana

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(dr) Mauricio Marat / INAH

Um antigo palácio da civilização Maia foi descoberto no meio da selva mexicana, no estado de Iucatã, perto da histórica cidade de Kulubá.

A descoberta foi anunciada, na passada terça-feira, através de um comunicado do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH). De acordo com a Newsweek,

O palácio tem 55 metros de comprimento, 15 metros de largura e seis metros de altura.

Os vestígios encontrados apontam para duas fases de ocupação: no período Clássico Tardio (600–900 d.C.) e no período Clássico Terminal (850–1050 d.C.).

“Foi no Clássico Terminal que Chichén Itzá, tornando-se uma metrópole de destaque no nordeste do actual Iucatã, ampliou a sua influência sobre locais como Kulubá, o qual podemos inferir que, devido aos dados e materiais de cerâmica que possuímos, se tornou um enclave de Itzá”, explica Alfredo Barrera Rubio, um dos arqueólogos envolvidos.

Vários outros achados de importância arqueológica foram descobertos perto do palácio, incluindo um altar, duas residências e uma construção redonda que se acredita ter sido um forno.

Este sítio arqueológico fica no meio da selva, o que o torna vulnerável às intempéries. Por isso, foram adicionados pisos e outros revestimentos para proteger os acabamentos originais do palácio.

Os arqueólogos estão neste momento a escavar a área à volta da cidade vizinha de Kulubá. Segundo o Yucatan Times, a antiga metrópole possui templos de até 80 metros de altura.

A civilização Maia durou quase dois mil anos e teve origem em Iucatã mas, durante o seu auge, estendeu a sua influência a outras partes do México, Guatemala, Belize e Honduras.

Segundo o INAH, as visitas públicas a Kulubá devem começar dentro de pouco tempo.

ZAP //

Por ZAP
3 Janeiro, 2020

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2889: Arqueólogo encontra dezenas de sítios maia graças a um mapa online gratuito

CIÊNCIA

Vviktor / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã

Um arqueólogo norte-americano descobriu 27 sítios maias com 3.000 anos graças a um mapa online gratuito, escreve o jornal The New York Times.

Takeshi Inomata, arqueólogo da Universidade do Arizona, nos Estado Unidos, utilizou um mapa LIDAR (Light Detection and Ranging), que encontrou online, em domínio público e totalmente gratuito no ano passado, conta o jornal norte-americano.

Estas revolucionária tecnologia, com um conjunto de vários lasers aéreos, permite “veratravés da vegetação, isto é, os cientistas podem procurar através de densas florestas sítios arqueológicos. Um processo que no passado levava décadas, pode agora ser concluído com a tecnologia LIDAR em dias a partir de imagens recolhidas num avião.

Trata-se de um sistema remoto que permite determinar a distância de um emissor laser a um objecto ou superfície recorrendo a um feixe de laser pulsado, gerando depois informações em três dimensões.

O mapa encontrado pelo arqueólogo foi publicado em 2011 pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México para que pudesse ser utilizado por empresas e cientistas, cobria 11.400 quilómetros quadrados dos Estados mexicanos de Tabasco e Chiapas.

Ao estudar o mapa, e apesar de a sua resolução ser baixa, Inomata conseguiu descobrir sítios arqueológicos até então desconhecidos – foram quase 30 construções antigas. Com estes locais descobertos, “podemos ver uma imagem muito melhor de toda a sociedade”.

@UAresearch

Learn how #UAResearcher Dr. Takeshi Inomata used lidar technology to discover La Carmelita, a Mayan site that holds insights into the origins of Mayan civilization: https://www.nytimes.com/2019/10/08/science/archaeology-lidar-maya.html 

À primeira vista, os locais em causa oferecem poucas evidências imediatas da sua escala e história, uma vez que os restos estão soterrados. Contudo, as novas descobertas podem revelar informações importante sobre as origens da civilização maia, podendo estas ser cruciais para compreender o seu desenvolvimento ao longo dos tempos.

“Se andar sobre os sítios arqueológicos, não se aperceberá”, disse o arqueólogo em declarações ao The New York Times. “[A área em causa] é tão grande que parece fazer parte da paisagem natural”, acrescentou.

Por sua vez, a antropóloga Daniela Triadan, também ouvida pelo diário norte-americano, descreveu o trabalho levado a cabo pela civilização maia na área como “impressionante”. “A massa de terra movimentada é inacreditável. Estas pessoas estavam a fazer coisas loucas”, disse, notando que cerca de uma centena de pessoas deve ter trabalhado em toda a região para cavar e carregar cestas de terra para construir as plataformas.

“Podemos ter populações relativamente móveis que colocaram muito esforço nestas grandes empresas comunitária”, rematou.

O trabalho de Inomata não foi ainda analisado e avaliado pelos pares, mas o arqueólogo apresentou já os resultados em quatro conferências científicas no ano passado.

Recentemente, foi também descoberta uma “cidade perdida” do Império Khmer sob a selva do Cambodja graças à tecnologia LIDAR. A metrópole, conhecida como Mahendraparvata, representa, segundo os cientistas, um “enorme e extraordinário experimento inicial no chamado planeamento urbano”, sendo a primeira “cidade-grade” em larga escala que o Império Khmer construiu.

ZAP //

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23 Outubro, 2019

 

2825: O impacto dos Maias no ambiente foi maior do que se pensava

CIÊNCIA

(dr) Universidad de Texas, Austin
Restos de campos agrícolas maias em Belize

Restos de grandes campos de cultivo criados pelos Maias, no Belize, revelam impactos extremos e antigos da acção humana nas florestas tropicais.

Uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade do Texas, em Austin, prova que os Maias deixaram certas características agrícolas em áreas húmidas.

O artigo científico, publicado recentemente na PNAS, aponta que a civilização aumentou o dióxido de carbono atmosférico e o metano devido às queimadas e aos eventos agrícolas que praticavam na altura.

Os cientistas já sabiam que as infraestruturas urbanas e rurais da civilização Maia alteravam os ecossistemas em florestas tropicais. No entanto, no primeiro estudo – que combinou imagens de LIDAR (detecção e alcance de luz) com evidências de escavação e datação de áreas húmidas -, os investigadores descobriram que o complexo de campos húmidos Birds of Paradise, no Belize, é cinco vezes maior do que o descoberto anteriormente. Além disso, encontraram um complexo ainda maior no mesmo país.

Estas descobertas apontam para “impactos antropogénicos, mais intensos e de maior alcance em florestas tropicais de importância global” por parte da civilização Maia. Esta evidência indica um Antropoceno anterior mais extenso, nomeadamente um período em que a actividade humana começou a afectar significativamente o meio ambiente.

Em comunicado, citado pelo Europa Press, Tim Beach, principal autor do artigo científico, adianta que a equipa está “a começar a entender a pegada humana do Antropoceno nas florestas tropicais”.

“Estas redes de grandes áreas húmidas podem ter mudado o clima muito antes da industrialização, e podem ser a resposta para a longa questão de como uma grande civilização da floresta tropical foi alimentada”, rematou o cientista.

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12 Outubro, 2019

 

2610: Os extraterrestres podem já ter explorado a Via Láctea (e visitado a Terra)

CIÊNCIA

Indigo Skies Photography / Flickr

A Via Láctea pode estar repleta de civilizações alienígenas interestelares. Mas não sabemos, porque não nos visitam há 10 milhões de anos.

De acordo com um estudo publicado no mês passado na revista especializada The Astronomical Journal, a vida extraterrestre inteligente pode demorar algum tempo a explorar a galáxia, aproveitando o movimento dos sistemas estelares para facilitar a troca de estrelas. O trabalho é uma nova resposta a uma pergunta conhecida como Paradoxo de Fermi, que pergunta por que razão não detectamos sinais de inteligência extraterrestre.

O paradoxo foi levantado pela primeira vez pelo físico Enrico Fermi, que perguntou: “Onde estão todos?”. Fermi questionava a viabilidade de viajar entre estrelas, mas, desde então, a sua pergunta passou a representar dúvidas sobre a própria existência de extraterrestres.

O astrofísico Michael Hart explorou a questão formalmente quando argumentou num artigo de 1975 que havia muito tempo para a vida inteligente colonizar a Via Láctea nos 13,6 mil milhões de anos desde que a galáxia se formou, mas ainda não ouvimos nada deles. Hart concluiu, portanto, que não deve haver civilizações avançadas na nossa galáxia.

O novo estudo, porém, oferece uma perspectiva diferente sobre a questão: talvez os alienígenas estejam a demorar um pouco e a ser estratégicos.

“Se não considerarmos o movimento das estrelas ao tentar resolver o problema, fica basicamente com uma de duas soluções”, disse Jonathan Business-Nellenback, cientista da computação e principal autor do estudo, ao Business Insider. “Ninguém sai do seu planeta ou somos de facto a única civilização tecnológica da galáxia.”

As estrelas orbitam o centro da galáxia em diferentes caminhos a diferentes velocidades. Ao fazê-lo, ocasionalmente cruzam-se. Assim, os alienígenas poderiam estar a esperar pelo próximo destino. Nesse caso, as civilizações demorariam mais tempo a espalhar-se pelas estrelas do que Hart calculou. Portanto, podem ainda não ter chegado até nós – ou talvez até já tenham chegado, muito antes dos humanos evoluírem.

Os investigadores já tentaram responder ao Paradoxo de Fermi de várias maneiras – estudos investigaram a possibilidade de que todas as formas de vida alienígena se formem nos oceanos abaixo da superfície de um planeta e postularam que as civilizações podem ser desfeitas pela sua insustentabilidade antes de realizar qualquer viagem interestelar.

Há também a “hipótese do zoológico”, que imagina que as sociedades da Via Láctea decidiram não entrar em contacto connosco pelas mesmas razões pelas quais mantemos a natureza ou mantemos protecções para alguns povos indígenas isolados.

Um estudo de 2018 sugeriu que há uma hipótese de 2 em 5 de estarmos sozinhos na nossa galáxia e uma hipótese de 1 em 3 de estarmos sozinhos em todo o cosmos.

Os autores do estudo mais recente apontam que investigações anteriores não tiveram em conta um facto crucial sobre a nossa galáxia: ela move-se. Assim como os planetas orbitam estrelas, os sistemas estelares orbitam o centro galáctico. O nosso sistema solar, por exemplo, orbita a galáxia a cada 230 milhões de anos.

Se civilizações surgirem em sistemas estelares distantes, podem tornar a viagem mais curta, esperando que o seu caminho orbital os aproxime de um sistema estelar habitável. Depois de se estabelecerem nesse novo sistema, os alienígenas poderiam esperar novamente por uma distância ideal de viagem para dar outro salto.

Nesse cenário, os alienígenas não se estão a mover pela galáxia. Estão à espera que a sua estrela se aproxime de outra estrela com um planeta habitável. “Se demorar mil milhões de anos, essa é uma solução para o paradoxo de Fermi”, disse Carroll-Nellenback. “Os mundos habitáveis ​​são tão raros que precisamos de esperar mais do que qualquer civilização dure antes que outro apareça.”

Para explorar os cenários, os investigadores usaram modelos numéricos para simular a propagação de uma civilização pela galáxia. Tiveram em consideração uma variedade de possibilidades para a proximidade de uma civilização hipotética a novos sistemas estelares, o alcance e a velocidade das suas sondas interestelares e a taxa de lançamento dessas sondas.

“Tentamos criar um modelo que envolvesse o menor número de suposições sobre sociologia que pudéssemos”, disse Carroll-Nellenback.

Ainda assim, parte do problema de modelar a expansão galáctica de civilizações alienígenas é que estamos a trabalhar apenas com um ponto de dados: nós próprios. Portanto, todas as nossas previsões são baseadas no nosso próprio comportamento. Mas mesmo com a limitação, os cientistas descobriram que a Via Láctea poderia ser preenchida com sistemas estelares estabelecidos que não conhecemos.

“Todos os sistemas podem ser habitáveis, mas os extraterrestres não nos visitam porque não estão suficientemente próximos“, disse Carroll-Nellenback. Até agora, detectámos cerca de 4.000 planetas fora do nosso Sistema Solar e nenhum hospedava vida.

Há pelo menos 100 mil milhões de estrelas na Via Láctea – e ainda mais planetas. Um estudo recente estimou que até 10 mil milhões desses planetas poderiam ser parecidos com a Terra.

Assim, os autores do estudo escreveram que concluir que nenhum desses planetas sustenta a vida seria como olhar para uma piscina e não encontrar golfinhos – e depois decidir que o oceano não tem golfinhos.

Outro elemento chave nos debates sobre a vida alienígena é o que Hart chamou de “Facto A”: não há visitantes interestelares na Terra e não há evidências de visitas passadas. Mas isso não significa que nunca estiveram por cá.

Se uma civilização alienígena chegou à Terra há milhões de anos – e a Terra tem 4,5 mil milhões de anos -, talvez já não haja sinais da sua visita. Estudos anteriores sugerem que talvez não consigamos detectar evidências de visitas alienígenas passadas. É possível que alienígenas tenham passado perto da Terra, mas decidiram não a visitar.

Além disso, os alienígenas podem não querer visitar um planeta que já tem vida. Assumir isso seria uma “projecção ingénua” de uma tendência humana de equiparar expansão à conquista.

Por agora, os investigadores consideram que não devemos desmotivar por causa do silêncio do Universo. Nos próximos anos, espera-se que a nossa capacidade de detectar e observar outros planetas potencialmente habitáveis melhore drasticamente à medida que novos telescópios são construídos e lançados para o Espaço.

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11 Setembro, 2019

 

2427: Achado arqueológico reescreve história da antiga civilização Maia

(CC0/PD) aladecuervo / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã

Uma equipa de cientistas norte-americanos descobriu, através de um achado arqueológico, que a antiga civilização Maia enfrentou conflitos militares violentos durante o chamado “período clássico”, entre 250 e 900 da nossa era.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Nature, estes conflitos brutais resultaram na morte de vários habitantes, bem como na destruição de cidades inteiras.

Até então, observa o portal Newsweek, os cientistas acreditavam que no período em causa as guerras tinham um carácter puramente local e que os conflitos não causavam vítimas entre os civis ou um grande impacto económico.

A comunidade científica datou os grandes conflitos de guerra mais tarde na História, durante os séculos IX e X, época na qual ocorreu o declínio da civilização.

Mas a narrativa da História da civilização Maia pode ter que mudar. A equipa descobriu inscrições gravadas numa estela de pedra que contradizem a datação comummente aceite. A pedra dá conta de uma batalha sangrenta que ocorreu a 21 de maio de 697 em Witzná, uma cidade maia localizada no norte da actual Guatemala.

Os estudos epigráficos levados a cabo revelaram que as inscrições continham o termo “puluuy”, que se traduz como “queimado” e admite duas interpretações distintas: a primeira está relacionada com algum tipo de ritual, enquanto que a segunda pode remeter para eventos de carácter estritamente bélico.

Posteriormente, os cientistas analisaram materiais dos terreno circundante, para perceber qual das duas teorias fazia mais sentido.

David Wahl, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e os seus colegas analisaram as rochas sedimentares de um lago localizado a dois quilómetros do antigo assentamento de Witzná e encontraram restos de carvão – a evidência arqueológica da existência de vários incêndios brutais no passado.

Escavações realizadas no local também mostraram que todos os principais edifícios da área, incluindo o palácio real e vários monumentos, foram consumidos pelas chamas no final do século VII, durante um período de guerra que vitimou muitos civis.

“Após este evento, a evidência mostra uma diminuição dramática na actividade humana, o que indica um grande impacto negativo sobre a população local”, apontaram os autores.

“Estas descobertas fornecem informações sobre as estratégias e o grande impacto social das guerras do período clássico”, mostrando também que “os mais se envolveram em tácticas semelhantes à da guerra total anterior e com mais frequência do que se pensava anteriormente”, lê-se ainda na mesma publicação.

O declínio da civilização maia terá ocorrido entre os séculos IX e X, tendo sido causado por vários factores, como epidemias, esgotamento dos recursos naturais, invasão de tribos inimigas e secas persistentes e repetidas, apontou um outro estudo científico publicado no ano passado na revista científica Science.

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10 Agosto, 2019

 

2370: Teoria sugere que lado oculto da Lua esconde uma antiga cidade alienígena

Scott Waring, um auto-proclamado especialista em Ovnis, diz ter encontrado evidências da existência de uma enorme cidade alienígena no lado oculto da Lua.

O Google Moon, com recurso à Lunar Reconnaissance Orbiter Camera da NASA, oferece um mapa detalhado da superfície lunar. Apesar de ainda não ter feito nenhuma descoberta cientificamente significante desde que foi lançada em 2009, Scott Waring, que se diz especialista em Ovnis, afirma ter descoberto fortes indícios da presença de extraterrestres na Lua.

Encontrei uma estrutura alienígena com mais de 15 quilómetros de comprimento na Cratera De Moraes”, disse Waring num vídeo publicado no YouTube através do seu blogue ET Data Base. As imagens ilustrativas são altamente granuladas, mas o norte-americano afirma que a estrutura “parece fazer parte de um tubo”.

Apesar de não ser claramente distinto, Waring diz que as imagem não parecem pixelizadas. “De perto, parece a lateral de um prédio alienígena”, sentencia o auto-proclamado especialista.

NASA

As imagens da NASA, segundo o Tech Explorist, parecem mostrar blocos quadrados, que os cépticos defendem serem provas de uma antiga civilização alienígena. Waring diz ainda que noutras fotos, a estrutura desaparece, alegando que a NASA tentou esconder a presença da suposta presença de extraterrestres. “O que a NASA fez foi editar esse objecto e colocar uma cratera falsa nesse local“, disse.

Durante o vídeo, Waring explica que editar estas imagens seria bastante fácil para a agência espacial. Esta teoria recebeu bastante apoio nos comentários, com vários utilizadores a questionarem a integridade da NASA.

Para os interessados, o autor do blogue ET Data Base deixou ainda as coordenadas para quem quiser ver pelos seus próprios olhos: 49°54’5.25″N 142°37’43.85″E.

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26 Julho, 2019

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2233: Elon Musk alerta: Civilização pode colapsar daqui a 30 anos

Bret Hartman, TED / Flickr

De acordo com Elon Musk, uma “bomba populacional” vai surgir nas próximas décadas, quando uma população mundial cada vez mais idosa chocar com a queda das taxas de natalidade em todo o mundo.

Esta não é a primeira vez que Musk falou sobre um colapso mundial na população humana, relata o Business Insider, mas agora está a elaborar a sua teoria, dizendo que vamos começar a ver os efeitos mais terríveis em 2050.

O empresário Elon Musk abordou a temática pela primeira vez há dois anos, em 2017, quando respondeu à revista New Scientist no Twitter. “A população mundial está a acelerar em direcção ao colapso, mas poucos parecem notar ou importar-se”, escreveu o empresário à época, acrescentando que esta “bomba” iria explodir em 2076.

Agora, Musk regressou à ideia de uma bomba populacional na sexta-feira, respondendo no Twitter a uma publicação sobre superpopulação global, que projectava que a população global cresceria em cerca de 1,6 mil milhões em 2050, para argumentar que o envelhecimento e uma brecha entre a demografia seria um problema maior até 2050.

World of Engineering @engineers_feed

1950 (historical) world population – 2,556,000,053

Current world population – 7,712,343,478

2050 (projected) world population – 9,346,399,468

Elon Musk

@elonmusk

Real issue will an aging & declining world population by 2050, *not* overpopulation. Randers estimate far more accurate than UN imo: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Projections_of_population_growth 

Musk citou Jørgen Randers, um académico norueguês que, no seu livro de 2012 “2052: Uma Previsão Global para os Próximos Quarenta Anos” disse que a população humana começaria a diminuir por volta de 2040.

Porém, a ideia não é universalmente aceite. O relatório das Nações Unidas sobre População Mundial de 2019 estimou que a população da Terra poderia chegar a 9,7 mil milhões em 2050. No entanto, também concluiu que a população mundial está a crescer a uma taxa de desaceleração e observou o “envelhecimento sem precedentes da população mundial”.

Musk considera que a população mundial começará a parecer-se com uma pirâmide invertida nas próximas três décadas. “A demografia, estratificada pela idade, parece uma pirâmide de cabeça para baixo com muitos idosos e menos jovens”, escreveu.

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26 Junho, 2019

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2175: Troféus feitos de crânios podem explicar o fim da civilização Maia

CIÊNCIA

axelrd / Flickr

A descoberta recente de dois crânios usados como troféu nas selvas de Belize pode ajudar a esclarecer o colapso pouco explicado da civilização maia clássica.

Os crânios humanos foram pintados e tinham o propósito de serem usados como um colar em volta do pescoço. Foram enterrados há mais de mil anos com um guerreiro na cidade maia de Pacbitun e, possivelmente, eram troféus de guerra feitos dos restos de inimigos derrotados, de acordo com o artigo do antropólogo Gabriel D. Wrobel no The Conversation.

Os autores destes pendentes extravagantes gastaram muito tempo a prepará-los. Primeiro, tiraram a carne ao crânio com uma lâmina afiada e, depois, fizeram dois furos em cada extremidade, a fim de ancorar uma corda para suspender o crânio. Um dos troféus do crânio foi esculpido com um desenho ornamentado e pintado com pigmento vermelho.

Este achado, juntamente com o crescente número de descobertas em Belize, Honduras e México, parece mostrar que eclodiu um conflito civil entre os poderes do norte e as dinastias estabelecidas do sul. Em muitas cidades do norte, as descobertas deste período têm um sentido militarista.

Os vasos de cerâmica encontrados próximos aos crânios datam do século 8 ou 9, quando se iniciou o declínio da cidade de Pacbitun, enquanto os centros políticos no norte se tornaram dominantes.

Estudos anteriores concentraram-se na degradação ambiental como a principal causa do colapso do poderoso império. No entanto, embora os factores ambientais tenham tido um grande impacto, não explicam o declínio ao longo de um século e meio.

Para explicar a complexidade do que aconteceu, segundo o estudo publicado na revista Latin American Antiquity, os arqueólogos contemplam agora a violência e a guerra como factores que contribuem para o declínio de algumas cidades do sul, como evidenciado pelas fortificações construídas tão rapidamente em alguns lugares.

Embora as evidências dos crânios não mostram conclusivamente que as planícies do sul foram invadidas por guerreiros do norte, está claro que foi a violência e a guerra que puseram um ponto final na ordem política do império.

Anteriormente, os especialistas da Universidade de Cambridge mostraram que, no momento do colapso, produziram-se graves secas, que a chuva reduziu até 70%. As condições climáticas severas terão sido um golpe fatal para a civilização.

Enquanto a razão para o colapso permanece incerta, esta relíquia talvez sirva como uma horrível lembrança da sua queda no caos e na ruína.

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15 Junho, 2019

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2148: Afinal, os Maias não sacrificavam os vencedores do jogo de bola

CIÊNCIA

(dr) Dallas Museum of Art

Os sacrifícios durante o jogo de bola não faziam parte integrante da actividade do povo maia, segundo o estudo recente de um cientista dinamarquês que desmente as crenças populares sobre a civilização pré-colombiana.

Cientistas da Universidade de Copenhaga concluíram que o mito popular sobre sacrifícios humanos dos vencedores do jogo de bola na civilização maia é apenas uma ficção, segundo a revista Live Science.

Este jogo foi popular entre os maias, astecas e outros povos da Mesoamérica. Em 1987, um estudo publicado na revista Res: Anthropology and Aesthetics afirmou que os vencedores eram sacrificados e que o jogo era considerado como uma acção ritual que personificava a luta do bem contra o mal.

Entretanto, novas investigações permitiram estudar melhor as regras. Os arqueólogos analisaram as obras de monges espanhóis, assim como os baixos-relevos maias, um deles é datado dos anos 700-800 da nossa era. Este baixo-relevo mostra pessoas a jogar com uma bola de borracha.

Especialistas revelaram que, em estádios antigos, faltavam frequentemente os anéis da pedra, os tais em que seria preciso fazer passar a bola, o que seria considerado como o objectivo principal do jogo. Às vezes o jogo era chamado de “basquetebol maia”.

Além disso, os investigadores provaram que os espectadores faziam apostas sobre o resultado da competição e ganhavam ou perdiam importâncias consideráveis. Os sacrifícios, segundo as conclusões deste estudo, representaram casos excepcionais. Provavelmente tratavam-se de prisioneiros de outras tribos.

“Isso seria, na verdade, terrível se os melhores jogadores fossem sacrificados regularmente. O mito de sacrifícios humanos foi criado por causa de desenhos descobertos em vários terrenos do jogo de bola que mostravam crânios e ossos. Mas será que os devemos interpretar literalmente?”, explica um dos co-autores do estudo, Christophe Helmke.

Segundo o cientista, o sacrifício não era parte integrante do jogo. Se alguém fosse morto, seria uma pessoa já condenada à morte antes do jogo. Entretanto, o investigador indica que as execuções de prisioneiros provavelmente terão aumentado a popularidade do jogo.

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10 Junho, 2019



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2082: A civilização Maia também lidou com alterações climáticas (e sobreviveu)

CIÊNCIA

Tony Hisgett / wikimedia
Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia, no Iucatã, que funcionou como centro político e económico da civilização maia.

As alterações climáticas não são nada de novo e, já na altura da civilização Maia, os povos tiveram de se readaptar para sobreviverem a uma nova realidade. Os Maias desenvolveram técnicas para remediarem situações de, por exemplo, épocas de seca.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiram 415 partes por milhão – um nível que se verificou pela última vez há mais de três milhões de anos, muito antes da evolução dos seres humanos. Esta notícia aumenta a preocupação crescente de que as mudanças climáticas provavelmente causarão sérios danos ao nosso planeta nas próximas décadas.

Apesar de a temperatura na Terra nunca ter estado tão alta, podemos aprender sobre como lidar com a mudança climática ao observar a civilização Maia, que prosperou entre 250-950 d.C. no leste da Mesoamérica, a região que hoje é ocupada pela Guatemala, Belize, México Oriental e partes de El Salvador e Honduras.

Muitas pessoas acreditam que a antiga civilização Maia terminou quando misteriosamente “entrou em colapso”. E é verdade que os Maias enfrentaram muitos desafios de mudanças climáticas, incluindo secas extremas que acabaram por contribuir para o colapso das suas grandes cidades-estado do Período Clássico.

No entanto, os Maias não desapareceram: mais de 6 milhões de pessoas com raízes Maia vivem hoje no leste da Mesoamérica. Além disso, com base na investigação de antropólogos na Península do Norte de Yucatán, acredita-se que a capacidade das comunidades Maias de adaptar as práticas de conservação de recursos desempenhou um papel crucial em permitir que sobrevivessem por tanto tempo.

Em vez de se concentrar nos momentos finais da civilização Maia, a sociedade pode aprender com as práticas que lhes permitiram sobreviver por quase 700 anos, quando consideramos os efeitos das mudanças climáticas nos dias de hoje.

Adaptação a condições secas

Uma combinação de factores, incluindo mudanças ambientais, contribuiu para o colapso de muitos grandes centros pré-clássicos após o início do primeiro milénio d.C.

Evidências disponíveis sugerem que, embora o clima tenha permanecido relativamente estável durante grande parte do Período Clássico, houve períodos ocasionais de diminuição da precipitação. Além disso, todos os anos, as épocas seca e chuvosa foram marcadamente divididas. Maximizar a eficiência e o armazenamento de água e correctamente sincronizar a época de plantio foi muito importante.

Se as chuvas não acontecessem como esperado por um ano ou dois, as comunidades poderiam contar com água armazenada. No entanto, secas mais prolongadas acentuaram a hierarquia política e complexas redes comerciais inter-regionais. A chave primordial para a sobrevivência foi aprender a adaptarem-se às mudanças ambientais.

Por exemplo, os Maias desenvolveram redes mais elaboradas de terraço e irrigação para proteger contra o escoamento do solo e o esgotamento de nutrientes. Projectaram também sistemas de drenagem e armazenamento que maximizaram a captação de água da chuva.

Declínio e colapso

Durante os séculos IX e X d.C., muitas das grandes cidades Maias clássicas caíram como resultado de várias tendências de longo prazo, como o crescimento populacional, a guerra cada vez mais frequente e uma burocracia cada vez mais complexa. O declínio das chuvas piorou a situação de risco.

No final, vários centros populacionais experienciaram eventos de abandono relativamente rápidos. No entanto, diferentes áreas decaíram ao longo de um período de mais de dois séculos. Chamar a esta série de eventos um colapso ignora a capacidade das comunidades Maias de se preservarem por gerações, apesar dos desafios crescentes.

Podemos ver padrões semelhantes em várias outras civilizações. As comunidades ancestrais de Puebloan no sudoeste dos Estados Unidos, anteriormente conhecidas como Anasazi, desenvolveram redes de irrigação para cultivar uma paisagem naturalmente árida começando por volta do início do primeiro milénio.

Quando as chuvas começaram a decair nos séculos XII e XIII, elas se reorganizaram em unidades menores e moveram-se pelas redondezas. Esta estratégia permitiu que eles sobrevivessem mais tempo do que teriam se se mantivessem no mesmo lugar.

ZAP // The Conversation

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31 Maio, 2019


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2079: Os extraterrestres poderão ajudar a salvar a Humanidade

KELLEPICS / pixabay

Avi Loeb, presidente do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, alertou que a Humanidade por estar a traçar o mesmo caminho que ditou o fim de civilizações alienígenas avançadas. No entender do especialista, o passado destes seres extraterrestres pode ser útil para salvar o futuro da Humanidade.

As alterações climáticas que há décadas mudam o planeta e a fabricação de armas cada vez mais poderosas podem ser indícios de um caminho perigoso para o Homem.

Segundo Avi Loeb, um comportamento semelhante a este pode ter dizimado raças avançadas de seres alienígenas. “Uma possibilidade é que estas civilizações, baseadas na forma como nos comportamos actualmente, tenham uma vida vida curta“, disse Loeb na semana passada, durante uma palestra na The Humans to Mars Summit, que decorreu na cidade norte-americana de Washington.

“[Estes seres alienígenas] pensam a curto prazo e produzem ferimentos auto-infligidos que podem acabar por matá-los”, defendeu o especialista, citado pelo Live Science.

No entender de Loeb, a procura por vida extraterrestre deve ser ampla o suficiente para rastrear artefactos deixados por civilizações entretanto desaparecidas, tais como superfícies planetárias queimadas e produtos de guerra nuclear em mundos alienígenas.

Caso se encontrem outros tipos de vida diferentes dos que conhecemos, esta será a maior descoberta científica de sempre, defende Loeb, considerando ainda que estes seres podem trazer um benefício adicional ao Homem: servir-lhe de exemplo, colocando a Humanidade num caminho mais orientado e sustentável.

“A ideia é que possamos aprender algo no processo. Podemos aprender a comportar-nos melhor uns com os outros, a não iniciar uma guerra nuclear, a monitorizar o nosso planeta e garantir que este seja habitável enquanto pudermos mantê-lo habitável”.

Potencialidades tecnológicas

Loeb aponta ainda que há outras razões para a procura de seres extraterrestres, sobretudo no que respeita às potencialidades tecnológicas. “A nossa tecnologia tem apenas um século, mas se uma outra civilização tiver tido mil milhões de anos para desenvolver viagens espaciais, podem ensinar-nos a fazê-lo”, afirmou.

“A minha esperança passa por encontrar civilizações mortas que nos inspirem a ter um melhor comportamento e a actuar melhor em grupo (…) A outra esperança que temos é que, assim que deixemos o Sistema Solar, receberemos uma mensagem de volta: ‘Bem-vindos ao clube interestelar’. E aí vamos descobrir que há muito tráfego que não conhecíamos”, elencou o especialista.

Na verdade, defende Loeb, podemos ter tido já um vislumbre deste tráfego com o Oumuamua, o primeiro objecto interestelar já observado no Sistema Solar. O objecto, que foi também rotulado de Mensageiro das Estrelas, pode ser uma nave alienígena, como já insistiu o Professor de Harvard.

Apesar de todas as hipóteses sobre este corpo – que passam também pela possibilidade deste ser um asteróide – o especialista enfatiza que o importante é manter a mente aberta, não descartando nenhuma opção de forma precipitada. “Devemos manter a mente aberta e não presumir que sabemos a resposta antecipadamente (…) Não precisamos fingir que sabemos de alguma coisa”, rematou.

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31 Maio, 2019

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2060: Civilizações avançadas podem estar a comunicar através de feixes de neutrinos

CIÊNCIA

Uma nova investigação, liderada pelo cientista Albert Jackson, sugere que civilizações avançadas no Universo podem ser capazes de se comunicar através de feixes de neutrinos que seriam transmitidos por constelações de satélites localizadas em torno de estrelas de neutrões ou buracos negros. 

A ideia da existência de “mega-estruturas” extraterrestres do tipo esfera de Dyson (estruturas hipotéticas que orbitariam uma estrela, capturando toda ou a maior parte da energia por ela emitida), colocadas como “faróis cósmicos“, depende de onde a civilização extraterrestre avançada em causa se encaixa na Escala de Kardashev.

Esta escala mede o grau de desenvolvimento tecnológico de uma civilização, isto é, se se trata de uma civilização planetária (tipo I), estelar (tipo II) ou galáctica (tipo III).

Numa nova investigação, cujos resultados foram esta semana disponibilizados no arXiv, Albert Jackson, investigador da Triton Systems, sugere que uma civilização Tipo II seria capaz de englobar uma estrela de neutrões ou um buraco negro através da criação de uma constelação de satélites de transmissão neutrinos.

Jackson cita no início da publicação um ensaio de Freeman Dyson, o “pai” destas “mega-estruturas”. Datado de 1966, o documento sob o título A procura pela tecnologia extraterrestre resume as suas metas na investigação: “A primeira regra do meu jogo é: pensar sobre as maiores actividades artificiais possíveis [no Universo] com limites apenas estabelecidos pelas leis das Física e procurá-las”.

Num estudo anterior, o cientista sugeriu que as civilizações avançadas poderia usar pequenos buracos negros como lentes gravitacionais para enviar sinais de ondas pela galáxia, visando assim transmitir informações.

Um outro estudo de Jackson defende que uma civilização suficientemente avançada poderia usar o mesmo tipo de lente gravitacional para criar um farol laser.

Em ambos os casos, observa a agência Europa Press, os requisitos tecnológicos seriam surpreendentes e exigiriam infra-estruturas de escala estelar. Ultrapassando estas condições, Jackson explora no novo estudo a possibilidade de neutrinos serem usados para transmitir informação, uma vez que estes – à semelhança das ondas gravitacionais – viajam bastante bem pelo meio interestelar.

Comparativamente com os feixes focalizados de fotões (também conhecidos como lasers), os neutrinos apresentam várias vantagens no que respeita aos faróis cósmicos, tal como explicou o especialista ao Universe Today.

“Os neutrinos chegam quase sem atenuação desde qualquer direcção de origem, o que seria [uma] vantagem no plano galáctico. Os fotões em comprimentos de onda – tal como os infravermelhos – também são bons, mas com o gás e o pó ainda há alguma absorção. Os neutrinos podem viajar pelo Universo quase sem absorção”, sustentou.

Mil milhões: o número de estrelas da Via Láctea

Simplificando: o novo conceito parte do fenómeno da lente gravitacional, onde os cientistas confiam a existência de objecto interveniente maciço para focalizar e ampliar a luz oriunda de um objecto mais distante. Neste estudo em particular, a fonte da luz seriam os neutrinos e o efeito de focá-los daria ao “farol cósmico” um sinal mais forte.

Ou seja, um buraco negro ou uma estrela de neutrões são as lentes gravitacionais, lente esta que foca os neutrinos num feixe intenso que, por sua vez, quando é visto à distância é tão “ajustado” que é necessário colocar uma constelações de transmissores de neutrinos na lente gravitacional para obter um transmissor isotrópico aproximado.

“Neste caso, o número de” transmissores” é cerca de 10 elevado para 18, ou seja, cerca de mil milhões de vezes o número das estrelas na Via Láctea”, estimou Jackson.

Tal como a construção de uma Esfera de Dyson, este tipo de estrutura só seria possível de ser alcançado por uma civilização de Tipo II. Noutras palavras, seria necessária uma civilização capaz de aproveitar e canalizar a energia irradiada pela sua própria estrela, que equivale a aproximadamente 4×1026 watts de energia – mil milhões de vezes maior do que a energia consumida anualmente por toda a Humanidade.

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27 Maio, 2019


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2005: Os extraterrestres podem estar a comunicar através de ondas gravitacionais

CIÊNCIA

Maxwell Hamilton / Flickr
Buracos negros em colisão e as ondas gravitacionais que se formam

Uma equipa de cientistas defende que os extraterrestres podem ser dotados de uma tecnologia avançada capaz de gerar ondas gravitacionais. Através destas ferramentas, sustentam os cientistas, poderá ser possível encontrar uma civilização avançada no interior da Via Láctea.

O Universo é demasiado vasto e pouco explorado para que a comunidade científica possa descartar totalmente a existência de outras formas de vida para lá do Sistema Solar. Além disso, vários cientistas defendem a existência de outras formas de vida, alicerçados no número cada vez maior de exoplanetas descobertos.

Estas formas de vida – que podem habitar Marte, a exótica Titã (Lua de Saturno) ou até o tórrido Vénus – não foram ainda encontradas. A procura têm sido em vão, mas os cientistas não desistem e vão procurando novas teorias para o silêncio destes seres.

Um dos principais problemas apontados pelos cientistas para justificar este silêncio é a falta de conhecimento e ou tecnologia humana para reconhecer e rastrear os sinais dos seres alienígenas, muitas vezes chamadas de bio-assinaturas.

Num novo esforço para encontrar vida extraterrestre, uma equipa de cientistas, liderada por Marek Abramowicz, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, sugere que estes seres podem ser dotados de uma tecnologia capaz de gerar ondas gravitacionais.

Estas ondas, previstas pela primeira vez por Albert Einstein, são ondulações fracas que se propagam no tecido espaço-tempo, podendo ser formadas por fenómenos violentos como colisões de estrelas ou buracos negros. No fundo, e tal como observa o diário ABC, estas ondulações são como as ondas geradas por uma pedra que cai num lago.

Apesar de estas ondas terem sido já teorizadas durante o século XX, a sua observação directa na Terra ocorreu só em 2015. Actualmente, estes fenómenos continuam a ser estudados, sendo encarados como uma janela científica para o Universo.

Baseado neste fenómeno, Abramowicz e a sua equipa defendem que uma pequena mudança operacional na antena da missão LISA – detector espacial de ondas gravitacionais projectado pela Agência Espacial Europeia (ESA) programado para ser lançado em 2034 – seria suficiente para permitir que esta missão procure também eventuais sinais de civilizações extraterrestres avançadas.

Segundo escreveram os cientistas, esta pequena mudança neste mega-detector poderá também permitir a descoberta de uma civilização avançada dentro da Via Láctea.

“A nossa existência no Universo é o resultado de uma rara combinação de circunstâncias. E o mesmo deve ser certo para qualquer civilização extraterrestre avançada”, pode ler-se no estudo, cujos resultados foram disponibilizados para pré-visualização no Arxiv.org.

“Se houver alguns [seres alienígenas] na Via Láctea, é provável que estejam espalhados por grandes distâncias no espaço e no tempo. No entanto, [os extraterrestres] sabem certamente da propriedade única do nosso centro galáctico: aloja um buraco negro massivo mais perto e acessível para nós”.

No entender da equipa de cientistas, “uma civilização suficientemente avançada pode ter colocado uma tecnologia na órbita deste buraco negro, visando estudá-lo, extrair energia ou até para fins de comunicação. Em qualquer das opções, o seu movimento orbital será necessariamente uma fonte de ondas gravitacionais”, escreveram.

Simplificando: os especialistas acreditam que o centro da Via Láctea seria um local ideal para colocar um “farol” que transmite mensagens para o resto da galáxia. Um dispositivo deste género, sustentou Abramowicz, enviaria as mensagens destes seres através das ondas gravitacionais porque “uma vez emitidas, estas ondas viajam pelo espaço sem serem praticamente perturbadas”.

Este farol, que os cientistas baptizaram de “O Mensageiro”, deveria ter o tamanho e a massa de Júpiter para conter energia suficiente para efectuar as comunicações. Nestas condições, argumentam os cientistas, a ferramenta “poderia sustentar-se por alguns mil milhões de anos e emitir de forma contínua um sinal inconfundível de ondas gravitacionais que seria observável com detectores do tipo LISA”, remataram.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



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1852: Stonehenge foi construído por antepassados de portugueses

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Os antepassados ​​da civilização que construiu Stonehenge – monumento do Período Neolítico localizado no condado de Wiltshire, no interior da Inglaterra – viajaram pelo Mediterrâneo até chegar à Grã-Bretanha.

Investigadores britânicos compararam amostras de ADN extraídas de restos mortais neolíticos encontrados na região com o de pessoas que viveram na Europa na mesma época. Elas terão saído da Anatólia (actual Turquia) para a Península Ibérica antes de seguirem para o norte. Chegaram à Grã-Bretanha por volta de 4.000 a.C.

Esta migração, de acordo com o estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution, fez parte de um grande êxodo de habitantes da Anatólia em 6.000 a.C., movimento que introduziu a agricultura na Europa. Antes disso, a Europa era povoada por pequenos grupos nómadas que caçavam animais e colhiam plantas silvestres.

Um grupo de agricultores primitivos seguiu o rio Danúbio até a Europa Central, enquanto outro avançou para o oeste pelo Mediterrâneo. As amostras de ADN revelam que os britânicos do Neolítico eram em grande parte descendentes dos grupos que usaram a rota do Mediterrâneo, beirando a costa ou percorrendo as ilhas de barco.

Quando os investigadores analisaram o ADN dos primeiros agricultores da Grã-Bretanha, descobriram que se pareciam mais com os povos neolíticos da Ibéria (actual Espanha e Portugal) – descendentes daqueles que tinham viajado pelo Mediterrâneo.

Da Ibéria, ou de algum lugar próximo, os agricultores mediterrâneos partiram rumo ao norte, passando por França. Eles podem ter entrado na Grã-Bretanha pelo País de Gales ou pelo oeste ou sudoeste da Inglaterra. As datas definidas pela técnica de datação por radio-carbono indicam que o povo neolítico chegou ligeiramente mais cedo ao oeste.

Além da agricultura, os migrantes neolíticos que chegaram à Grã-Bretanha parecem ter introduzido a tradição de construir monumentos usando grandes pedras conhecidas como megalitos. Stonehenge, em Wiltshire, é um exemplo desta prática.

Embora a Grã-Bretanha fosse habitada por grupos de “caçadores-colectores ocidentais”, quando os agricultores chegaram em aproximadamente 4.000 a.C., as amostras de ADN mostram que os dois grupos não se misturaram muito.

Os caçadores-colectores foram quase completamente substituídos pelos agricultores neolíticos, à excepção de um grupo na Escócia, que manteve uma elevada ascendência local. Isso pode ter ocorrido pelos grupos de agricultores serem a maioria. “Não encontramos nenhuma evidência detectável de ancestrais caçadores-colectores britânicos locais nos agricultores neolíticos depois que chegaram”, disse o co-autor Tom Booth, especialista em ADN antigo do Museu de História Natural de Londres.

“Isso não significa que não se misturassem de forma alguma, quer dizer apenas que talvez o tamanho da sua população fosse pequeno demais para deixar qualquer tipo de legado genético.”

Mark Thomas, co-autor do estudo e professor da University College London (UCL), afirmou que os agricultores neolíticos provavelmente tiveram de adaptar suas práticas a diferentes condições climáticas enquanto se deslocavam pela Europa. Mas quando chegaram à Grã-Bretanha, já estavam “equipados” e bem preparados para cultivar as terras no clima típico do noroeste da Europa.

O estudo também examinou o ADN dos caçadores-colectores britânicos. Um dos esqueletos analisados ​​foi o do Homem de Cheddar, um dos britânicos mais antigos de que se tem registo, cujos restos mortais datam de 7.100 a.C. As amostras de ADN apontam que, assim como a maioria dos caçadores-colectores europeus da época, o Homem de Cheddar tinha a pele escura e os olhos azuis.

No ano passado, o Museu de História Natural de Londres fez uma reconstrução detalhada do seu rosto, utilizando um scanner de alta tecnologia. A análise genética dos agricultores neolíticos mostra, em contrapartida, que tinham a pele mais clara, olhos castanhos e cabelos pretos ou castanho-escuros.

(dr) Royal Pavilion & Museum
Reconstrução facial da Menina Whitehawk, que viveu há 5,6 mil anos em Sussex, na Inglaterra

Perto do fim do período Neolítico, em cerca de 2.450 a.C., os descendentes dos primeiros agricultores foram quase totalmente substituídos pela chegada de um novo povo – chamado “povo Beaker” – que migrou da Europa continental.

A Grã-Bretanha viveu duas mudanças genéticas extremas no intervalo de apenas alguns milhares de anos. Segundo Thomas, este evento posterior aconteceu depois de a população neolítica já estar em declínio há algum tempo, tanto na Grã-Bretanha como na Europa.

ZAP // BBC

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1813: Descoberta misteriosa religião nas profundezas de um lago dos Andes

CIÊNCIA

(dr) Teddy Seguin

Há centenas de anos, a costa oeste da América do Sul era governada pelos Incas – um misterioso império considerado a sociedade mais avançada existente nas Américas antes da chegada de Colombo.

Porém, muito tempo antes de os Incas deterem o domínio sobre as vastas terras que se estendiam da Colômbia ao Chile, uma sociedade ainda mais misteriosa habitava na região dos Andes. Este império mais antigo foi chamado o estado de Tiwanaku, sobre o qual se sabe menos ainda. No seu auge, poderá ter tido entre 10 mil a 20 mil pessoas.

Os detalhes escassos que se sabe sobre o estado de Tiwanaku vêm de achados arqueológicos, descobrindo uma trilha de pistas sobre o povo Tiwanaku e a sua cultura há muito desaparecida. Agora, os cientistas acabam de anunciar a descoberta de uma grande peça nova do quebra-cabeça.

No primeiro mergulho e escavação arqueológica sistemática realizado nas águas do recife de Khoa, perto da Ilha do Sol no Lago Titicaca, na Bolívia, os investigadores encontraram evidências submersas de ofertas rituais feitas a divindades sobrenaturais – o que significa que a religião existia nesta parte do mundo – muito mais cedo do que se pensava.

“As pessoas costumam associar a Ilha do Sol aos Incas porque era um local de peregrinação importante para eles e porque deixaram para trás numerosas construções cerimoniais e ofertas na e em redor desta ilha”, disse o antropólogo José Capriles, da Pennsylvania State University.

“A nossa investigação mostra que o povo Tiwanaku, que se desenvolveu no Lago Titicaca entre 500 e 1.100 a.C, foi o primeiro a oferecer objectos de valor a divindades religiosas da região”, explicou.

Capriles e a sua equipa usaram sonar e fotogrametria 3D subaquática para monitorizar e mapear o recife durante uma visita de estudo de 19 dias ao Lago Titicaca durante 2013. Nos sedimentos no lago, encontraram queimadores de incenso em forma de puma, com fragmentos de carvão presentes nos depósitos escavados, e vários ornamentos de ouro, conchas e pedras.

(dr) Teddy Seguin
A equipa encontrou ofertas rituais, como queimadores de incenso; lamas sacrificados; e ornamentos de ouro, conchas e pedras

Acredita-se que o puma tenha sido um importante símbolo religioso para os Tiwanaku. Um motivo com um rosto com raios representado em dois medalhões de ouro sugere que as ofertas deveriam ser explicitamente para a principal figura mítica na sua iconografia religiosa, às vezes chamada de Viracocha.

Os investigadores dizem que as peças de oferta – datadas entre os séculos VIII e X a.C – não foram parar ao lago por acidente, mas parecem que foram projectadas para ficarem submersas. “A presença de âncoras perto das ofertas sugere que as autoridades oficiais podem ter depositado as ofertas durante rituais realizados em barcos”, referiu Capriles.

Os arqueólogos também encontraram evidências de peixes, anfíbios e ossos de aves, que, segundo a equipa, provavelmente se depositaram naturalmente no ecossistema submerso.

Mas há um animal na mistura que não é como os outros. Os ossos de quatro lamas também foram descobertos. Pensa-se que terão sido mortos no local ou perto dele e enterrados no mar como ofertas de sacrifício no antigo ritual.

Embora não se possa saber com certeza exactamente o que estes actos de oferta significaram para o povo Tiwanaku, o facto de que tais elaborados ritos foram realizados diz-nos algo mais sobre o estado e a sofisticação dos Tiwanaku.

Mais do que um mero culto num local extremo, as cerimónias em Khoa refletem uma interacção complexa de estar situado no centro do lago enquanto são realizadas por um pequeno grupo de elite”, escrevem os autores no artigo, publicado na revista PNAS.

“Eles também enfatizam a exibição de forças poderosas, como a disseminação de rituais focados na representação de uma divindade de rosto com raios e pumas cheios de fumo, o sacrifício de lamas e a disposição conspícua da riqueza.”

Os arqueólogos dizem que estes gestos simbólicos são todos os pilares de uma sociedade complexa emergente, que se poderia estar a expandir e talvez a procurar cooperar com outros grupos na região andina. Esses esforços podem ter valido a pena no curto prazo, até cerca de meio milénio depois.

ZAP // Live Science

Por ZAP
6 Abril, 2019

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1728: A nova geração de telescópios vai descobrir vida extraterrestre?

Portugal e mais seis países assinam em Roma acordo para a construção do maior radiotelescópio do mundo

© Expresso Expresso

Em 1961, o astrofísico norte-americano Frank Drake inventou uma equação que estima o número de civilizações extraterrestres na Via Láctea. N = R*× fp × ne × fl × fi × fc × L ficou conhecida por Equação Drake e parece uma fórmula demasiado complexa para o cidadão comum, mas é relativamente simples. Assim, “N” representa o número de civilizações extraterrestres, “R*” a taxa de formação de novas estrelas na nossa galáxia, “fp” a fracção de estrelas que possuem planetas em órbita, “ne” o número de planetas que potencialmente permitem a emergência de vida, “fl” a fracção destes planetas que realmente têm vida, “fi” a fracção dos planetas com vida inteligente, “fc” a fracção destes planetas que quer e tem meios para comunicar com outras civilizações, e “L” o tempo esperado de vida de uma civilização deste tipo.

Mas em 1961 os astrofísicos não sabiam qual era o valor destes sete parâmetros, apenas podiam fazer conjecturas. Os avanços da ciência permitiram, entretanto, chegar a números consistentes para os primeiros três parâmetros da famosa equação. Graças aos mais potentes telescópios espaciais e terrestres, já foram identificados 4000 planetas extras-solares na Via Láctea e 47 são parecidos com a Terra. Sabemos ainda que há mais planetas do que estrelas e que pelo menos 25% destes planetas têm a dimensão da Terra e situam-se na zona habitável da sua estrela, que permite a emergência de água no estado líquido. Como a nossa galáxia tem pelo menos 100 mil milhões de estrelas há, certamente, uma imensidão de planetas potencialmente com vida.

Mas isto não chega para calcular a Equação Drake. Há que esperar pela próxima geração de super-telescópios. A começar pelo SKA (Square Kilometer Array), o maior radiotelescópio do mundo, um projecto literalmente astronómico — considerado a maior infra-estrutura do planeta — que terá 2500 antenas instaladas na África do Sul e na Austrália. Vai estudar as ondas gravitacionais e a evolução do Universo, testar as teorias de Einstein, mapear centenas de milhões de galáxias e procurar sinais de vida extraterrestre.

Investir €2000 milhões

A convenção para construir o SKA foi assinada esta semana em Roma por Portugal, Holanda, Itália, Reino Unido, China, África do Sul e Austrália. E a Índia e a Suécia vão aderir em breve. O projecto envolve 1000 investigadores e engenheiros em 20 países de três continentes, 270 centros de investigação e empresas e um investimento de 2000 milhões de euros. Domingos Barbosa, investigador do Instituto de Telecomunicações e coordenador português do SKA, diz que “vai ser a máquina que mais dados irá produzir nos próximos 20 anos — dez vezes mais dados do que o tráfego global da Internet”. E Philip Diamond, director-geral da Organização SKA, salienta que “tal como o telescópio de Galileu no seu tempo, o SKA irá revolucionar a maneira como compreendemos o Universo e o nosso lugar nele”.

O Observatório Europeu do Sul (ESO), organização a que Portugal pertence, está também a construir o maior telescópio ótico do mundo, o E-ELT (European Extremely Large Telescope), no Deserto de Atacama, no Chile. Terá imagens 15 vezes mais nítidas do que as obtidas pelo telescópio espacial óptico Hubble e permitirá, entre outras coisas, estudar e caracterizar planetas extras-solares rochosos com a mesma massa da Terra, procurando indícios de vida. Há ainda outros projectos em curso com o mesmo objectivo, como os telescópios espaciais James Webb e WFIRST, da NASA.

Mas como se podem detectar sinais de vida num planeta extras-solar? Através da luz da estrela que este orbita, quando é reflectida por ele ou atravessa a sua atmosfera, porque os gases que a compõem absorvem diferentes comprimentos de onda dessa luz. Se estes corresponderem ao dióxido de carbono, metano ou oxigénio, a vida existe.

msn notícias
Virgílio Azevedo
16/03/2019

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1718: A radiação de Hawking pode ser a chave para encontrar vida alienígena

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

O Universo é assustadoramente antigo e vasto ao ponto de vários cientistas  considerarem a possibilidade de existirem civilizações alienígenas avançadas. Até ao momento, estes seres não foram encontrados, mas o problema pode estar no método de detecção – e um matemático acaba de propor uma nova forma de rastreamento, recorrendo à hipotética radiação de Stephen Hawking.

Louis Crane, matemático da Universidade Estadual no Kansas, no Estados Unidos, é o “cérebro” do novo método que propõe rastrear a radiação de Hawking que emana dos buracos negros para procurar naves estelares de civilizações avançadas distantes.

“Uma civilização avançada iria querer aproveitar um buraco negro microscópico porque poderia atirar-se na matéria e obter energia”, sustentou Crane ao Universe Today. “Seria a melhor fonte de energia. Em particular, poderia impulsionar uma nave espacial grande o suficiente para ser protegida de velocidades relativistas”, sustentou.

Em 2009, Crane foi co-autor de um estudo que versava sobre a viabilidade de recorrer à radiação de buracos negros do físico britânico como fonte de energia para impulsionar naves espaciais, algo até agora inacessível à Humanidade.

Agora, no seu novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no arXiv, o matemático argumenta que estas naves alienígenas, que seriam interceptadas por telescópios de raios gama de alta energia, manifestariam-se como pequenos pontos que seriam mais quentes de que qualquer outro objeto natural. Estes pontos emitiriam também uma enorme quantidade de partículas e raios gama como subproduto do buraco negro.

Segundo Crane, o cone da radiação gama apareceria em tons de vermelho durante a primeira metade da viagem de uma nave, passado depois para azul na sua segunda fase, quando começasse a desacelerar. O matemático nota que a detecção das naves estaria no limiar mais baixo do que é observável, frisando que há muitos factores desconhecidos.

“Se alguma civilização avançada tivesse já estas naves estelares, os actuais telescópios de raios gama VHE poderiam detectá-los de 100 a 1000 anos-luz se estivéssemos no seu feixes. [Os pontos] poderiam ser distinguidos das fontes naturais através dos seus constantes redshift durante um determinado período de anos”, afirmou.

Para investigar, remata, os cientistas “precisariam de fazer séries temporais de curvas de frequência das fontes de raios gama. Algo que não parecem estar a fazer actualmente”.

Dificuldades da radiação de Hawking

Assinado por Crane e Shawn Westmoreland, o artigo de 2009, também publicado no arXiv,  sugeria que um buraco negro com um raio de 2,8 metros e uma vida útil de cerca de um século, poderia produzir 15 petawatts de potência, sendo, por isso, talhado para alimentar naves e acelerá-las a velocidades próximas à da luz.

Uma das grandes dificuldades seria direccionar eficientemente a radiação de Hawking emitida pelo buraco negro. Por isso, os cientistas sugeriram que fosse bombardeado um reflector parabólico com radiação para impulsionar a nave.

Apesar da teorização de Crane e Westmoreland, os cientistas reconheceram que a Humanidade não dispõe ainda de materiais e tecnologias necessárias para a construção de uma nave deste tipo. Contudo, uma civilização alienígena avançada pode ter já conseguido atingir este feito – a procura continua.

Traçada por Hawking em 1974, acredita-se que esta radiação represente a transmissão da energia térmica no Espaço que é emitida por buracos negros devido a efeitos quânticos. A descoberta do britânico foi o primeiro vislumbre convincente sobre a gravidade quântica. Até então, a existência desta radiação continua controversa, permanecendo no campo do hipotético, tal como os seres alienígenas.

SA, ZAP //

Por SA
15 Março, 2019

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