2610: Os extraterrestres podem já ter explorado a Via Láctea (e visitado a Terra)

CIÊNCIA

Indigo Skies Photography / Flickr

A Via Láctea pode estar repleta de civilizações alienígenas interestelares. Mas não sabemos, porque não nos visitam há 10 milhões de anos.

De acordo com um estudo publicado no mês passado na revista especializada The Astronomical Journal, a vida extraterrestre inteligente pode demorar algum tempo a explorar a galáxia, aproveitando o movimento dos sistemas estelares para facilitar a troca de estrelas. O trabalho é uma nova resposta a uma pergunta conhecida como Paradoxo de Fermi, que pergunta por que razão não detectamos sinais de inteligência extraterrestre.

O paradoxo foi levantado pela primeira vez pelo físico Enrico Fermi, que perguntou: “Onde estão todos?”. Fermi questionava a viabilidade de viajar entre estrelas, mas, desde então, a sua pergunta passou a representar dúvidas sobre a própria existência de extraterrestres.

O astrofísico Michael Hart explorou a questão formalmente quando argumentou num artigo de 1975 que havia muito tempo para a vida inteligente colonizar a Via Láctea nos 13,6 mil milhões de anos desde que a galáxia se formou, mas ainda não ouvimos nada deles. Hart concluiu, portanto, que não deve haver civilizações avançadas na nossa galáxia.

O novo estudo, porém, oferece uma perspectiva diferente sobre a questão: talvez os alienígenas estejam a demorar um pouco e a ser estratégicos.

“Se não considerarmos o movimento das estrelas ao tentar resolver o problema, fica basicamente com uma de duas soluções”, disse Jonathan Business-Nellenback, cientista da computação e principal autor do estudo, ao Business Insider. “Ninguém sai do seu planeta ou somos de facto a única civilização tecnológica da galáxia.”

As estrelas orbitam o centro da galáxia em diferentes caminhos a diferentes velocidades. Ao fazê-lo, ocasionalmente cruzam-se. Assim, os alienígenas poderiam estar a esperar pelo próximo destino. Nesse caso, as civilizações demorariam mais tempo a espalhar-se pelas estrelas do que Hart calculou. Portanto, podem ainda não ter chegado até nós – ou talvez até já tenham chegado, muito antes dos humanos evoluírem.

Os investigadores já tentaram responder ao Paradoxo de Fermi de várias maneiras – estudos investigaram a possibilidade de que todas as formas de vida alienígena se formem nos oceanos abaixo da superfície de um planeta e postularam que as civilizações podem ser desfeitas pela sua insustentabilidade antes de realizar qualquer viagem interestelar.

Há também a “hipótese do zoológico”, que imagina que as sociedades da Via Láctea decidiram não entrar em contacto connosco pelas mesmas razões pelas quais mantemos a natureza ou mantemos protecções para alguns povos indígenas isolados.

Um estudo de 2018 sugeriu que há uma hipótese de 2 em 5 de estarmos sozinhos na nossa galáxia e uma hipótese de 1 em 3 de estarmos sozinhos em todo o cosmos.

Os autores do estudo mais recente apontam que investigações anteriores não tiveram em conta um facto crucial sobre a nossa galáxia: ela move-se. Assim como os planetas orbitam estrelas, os sistemas estelares orbitam o centro galáctico. O nosso sistema solar, por exemplo, orbita a galáxia a cada 230 milhões de anos.

Se civilizações surgirem em sistemas estelares distantes, podem tornar a viagem mais curta, esperando que o seu caminho orbital os aproxime de um sistema estelar habitável. Depois de se estabelecerem nesse novo sistema, os alienígenas poderiam esperar novamente por uma distância ideal de viagem para dar outro salto.

Nesse cenário, os alienígenas não se estão a mover pela galáxia. Estão à espera que a sua estrela se aproxime de outra estrela com um planeta habitável. “Se demorar mil milhões de anos, essa é uma solução para o paradoxo de Fermi”, disse Carroll-Nellenback. “Os mundos habitáveis ​​são tão raros que precisamos de esperar mais do que qualquer civilização dure antes que outro apareça.”

Para explorar os cenários, os investigadores usaram modelos numéricos para simular a propagação de uma civilização pela galáxia. Tiveram em consideração uma variedade de possibilidades para a proximidade de uma civilização hipotética a novos sistemas estelares, o alcance e a velocidade das suas sondas interestelares e a taxa de lançamento dessas sondas.

“Tentamos criar um modelo que envolvesse o menor número de suposições sobre sociologia que pudéssemos”, disse Carroll-Nellenback.

Ainda assim, parte do problema de modelar a expansão galáctica de civilizações alienígenas é que estamos a trabalhar apenas com um ponto de dados: nós próprios. Portanto, todas as nossas previsões são baseadas no nosso próprio comportamento. Mas mesmo com a limitação, os cientistas descobriram que a Via Láctea poderia ser preenchida com sistemas estelares estabelecidos que não conhecemos.

“Todos os sistemas podem ser habitáveis, mas os extraterrestres não nos visitam porque não estão suficientemente próximos“, disse Carroll-Nellenback. Até agora, detectámos cerca de 4.000 planetas fora do nosso Sistema Solar e nenhum hospedava vida.

Há pelo menos 100 mil milhões de estrelas na Via Láctea – e ainda mais planetas. Um estudo recente estimou que até 10 mil milhões desses planetas poderiam ser parecidos com a Terra.

Assim, os autores do estudo escreveram que concluir que nenhum desses planetas sustenta a vida seria como olhar para uma piscina e não encontrar golfinhos – e depois decidir que o oceano não tem golfinhos.

Outro elemento chave nos debates sobre a vida alienígena é o que Hart chamou de “Facto A”: não há visitantes interestelares na Terra e não há evidências de visitas passadas. Mas isso não significa que nunca estiveram por cá.

Se uma civilização alienígena chegou à Terra há milhões de anos – e a Terra tem 4,5 mil milhões de anos -, talvez já não haja sinais da sua visita. Estudos anteriores sugerem que talvez não consigamos detectar evidências de visitas alienígenas passadas. É possível que alienígenas tenham passado perto da Terra, mas decidiram não a visitar.

Além disso, os alienígenas podem não querer visitar um planeta que já tem vida. Assumir isso seria uma “projecção ingénua” de uma tendência humana de equiparar expansão à conquista.

Por agora, os investigadores consideram que não devemos desmotivar por causa do silêncio do Universo. Nos próximos anos, espera-se que a nossa capacidade de detectar e observar outros planetas potencialmente habitáveis melhore drasticamente à medida que novos telescópios são construídos e lançados para o Espaço.

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11 Setembro, 2019

 

2427: Achado arqueológico reescreve história da antiga civilização Maia

(CC0/PD) aladecuervo / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã

Uma equipa de cientistas norte-americanos descobriu, através de um achado arqueológico, que a antiga civilização Maia enfrentou conflitos militares violentos durante o chamado “período clássico”, entre 250 e 900 da nossa era.

De acordo com a nova investigação, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Nature, estes conflitos brutais resultaram na morte de vários habitantes, bem como na destruição de cidades inteiras.

Até então, observa o portal Newsweek, os cientistas acreditavam que no período em causa as guerras tinham um carácter puramente local e que os conflitos não causavam vítimas entre os civis ou um grande impacto económico.

A comunidade científica datou os grandes conflitos de guerra mais tarde na História, durante os séculos IX e X, época na qual ocorreu o declínio da civilização.

Mas a narrativa da História da civilização Maia pode ter que mudar. A equipa descobriu inscrições gravadas numa estela de pedra que contradizem a datação comummente aceite. A pedra dá conta de uma batalha sangrenta que ocorreu a 21 de maio de 697 em Witzná, uma cidade maia localizada no norte da actual Guatemala.

Os estudos epigráficos levados a cabo revelaram que as inscrições continham o termo “puluuy”, que se traduz como “queimado” e admite duas interpretações distintas: a primeira está relacionada com algum tipo de ritual, enquanto que a segunda pode remeter para eventos de carácter estritamente bélico.

Posteriormente, os cientistas analisaram materiais dos terreno circundante, para perceber qual das duas teorias fazia mais sentido.

David Wahl, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e os seus colegas analisaram as rochas sedimentares de um lago localizado a dois quilómetros do antigo assentamento de Witzná e encontraram restos de carvão – a evidência arqueológica da existência de vários incêndios brutais no passado.

Escavações realizadas no local também mostraram que todos os principais edifícios da área, incluindo o palácio real e vários monumentos, foram consumidos pelas chamas no final do século VII, durante um período de guerra que vitimou muitos civis.

“Após este evento, a evidência mostra uma diminuição dramática na actividade humana, o que indica um grande impacto negativo sobre a população local”, apontaram os autores.

“Estas descobertas fornecem informações sobre as estratégias e o grande impacto social das guerras do período clássico”, mostrando também que “os mais se envolveram em tácticas semelhantes à da guerra total anterior e com mais frequência do que se pensava anteriormente”, lê-se ainda na mesma publicação.

O declínio da civilização maia terá ocorrido entre os séculos IX e X, tendo sido causado por vários factores, como epidemias, esgotamento dos recursos naturais, invasão de tribos inimigas e secas persistentes e repetidas, apontou um outro estudo científico publicado no ano passado na revista científica Science.

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10 Agosto, 2019

 

2370: Teoria sugere que lado oculto da Lua esconde uma antiga cidade alienígena

Scott Waring, um auto-proclamado especialista em Ovnis, diz ter encontrado evidências da existência de uma enorme cidade alienígena no lado oculto da Lua.

O Google Moon, com recurso à Lunar Reconnaissance Orbiter Camera da NASA, oferece um mapa detalhado da superfície lunar. Apesar de ainda não ter feito nenhuma descoberta cientificamente significante desde que foi lançada em 2009, Scott Waring, que se diz especialista em Ovnis, afirma ter descoberto fortes indícios da presença de extraterrestres na Lua.

Encontrei uma estrutura alienígena com mais de 15 quilómetros de comprimento na Cratera De Moraes”, disse Waring num vídeo publicado no YouTube através do seu blogue ET Data Base. As imagens ilustrativas são altamente granuladas, mas o norte-americano afirma que a estrutura “parece fazer parte de um tubo”.

Apesar de não ser claramente distinto, Waring diz que as imagem não parecem pixelizadas. “De perto, parece a lateral de um prédio alienígena”, sentencia o auto-proclamado especialista.

NASA

As imagens da NASA, segundo o Tech Explorist, parecem mostrar blocos quadrados, que os cépticos defendem serem provas de uma antiga civilização alienígena. Waring diz ainda que noutras fotos, a estrutura desaparece, alegando que a NASA tentou esconder a presença da suposta presença de extraterrestres. “O que a NASA fez foi editar esse objecto e colocar uma cratera falsa nesse local“, disse.

Durante o vídeo, Waring explica que editar estas imagens seria bastante fácil para a agência espacial. Esta teoria recebeu bastante apoio nos comentários, com vários utilizadores a questionarem a integridade da NASA.

Para os interessados, o autor do blogue ET Data Base deixou ainda as coordenadas para quem quiser ver pelos seus próprios olhos: 49°54’5.25″N 142°37’43.85″E.

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26 Julho, 2019

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2233: Elon Musk alerta: Civilização pode colapsar daqui a 30 anos

Bret Hartman, TED / Flickr

De acordo com Elon Musk, uma “bomba populacional” vai surgir nas próximas décadas, quando uma população mundial cada vez mais idosa chocar com a queda das taxas de natalidade em todo o mundo.

Esta não é a primeira vez que Musk falou sobre um colapso mundial na população humana, relata o Business Insider, mas agora está a elaborar a sua teoria, dizendo que vamos começar a ver os efeitos mais terríveis em 2050.

O empresário Elon Musk abordou a temática pela primeira vez há dois anos, em 2017, quando respondeu à revista New Scientist no Twitter. “A população mundial está a acelerar em direcção ao colapso, mas poucos parecem notar ou importar-se”, escreveu o empresário à época, acrescentando que esta “bomba” iria explodir em 2076.

Agora, Musk regressou à ideia de uma bomba populacional na sexta-feira, respondendo no Twitter a uma publicação sobre superpopulação global, que projectava que a população global cresceria em cerca de 1,6 mil milhões em 2050, para argumentar que o envelhecimento e uma brecha entre a demografia seria um problema maior até 2050.

World of Engineering @engineers_feed

1950 (historical) world population – 2,556,000,053

Current world population – 7,712,343,478

2050 (projected) world population – 9,346,399,468

Elon Musk

@elonmusk

Real issue will an aging & declining world population by 2050, *not* overpopulation. Randers estimate far more accurate than UN imo: https://en.m.wikipedia.org/wiki/Projections_of_population_growth 

Musk citou Jørgen Randers, um académico norueguês que, no seu livro de 2012 “2052: Uma Previsão Global para os Próximos Quarenta Anos” disse que a população humana começaria a diminuir por volta de 2040.

Porém, a ideia não é universalmente aceite. O relatório das Nações Unidas sobre População Mundial de 2019 estimou que a população da Terra poderia chegar a 9,7 mil milhões em 2050. No entanto, também concluiu que a população mundial está a crescer a uma taxa de desaceleração e observou o “envelhecimento sem precedentes da população mundial”.

Musk considera que a população mundial começará a parecer-se com uma pirâmide invertida nas próximas três décadas. “A demografia, estratificada pela idade, parece uma pirâmide de cabeça para baixo com muitos idosos e menos jovens”, escreveu.

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26 Junho, 2019

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2175: Troféus feitos de crânios podem explicar o fim da civilização Maia

CIÊNCIA

axelrd / Flickr

A descoberta recente de dois crânios usados como troféu nas selvas de Belize pode ajudar a esclarecer o colapso pouco explicado da civilização maia clássica.

Os crânios humanos foram pintados e tinham o propósito de serem usados como um colar em volta do pescoço. Foram enterrados há mais de mil anos com um guerreiro na cidade maia de Pacbitun e, possivelmente, eram troféus de guerra feitos dos restos de inimigos derrotados, de acordo com o artigo do antropólogo Gabriel D. Wrobel no The Conversation.

Os autores destes pendentes extravagantes gastaram muito tempo a prepará-los. Primeiro, tiraram a carne ao crânio com uma lâmina afiada e, depois, fizeram dois furos em cada extremidade, a fim de ancorar uma corda para suspender o crânio. Um dos troféus do crânio foi esculpido com um desenho ornamentado e pintado com pigmento vermelho.

Este achado, juntamente com o crescente número de descobertas em Belize, Honduras e México, parece mostrar que eclodiu um conflito civil entre os poderes do norte e as dinastias estabelecidas do sul. Em muitas cidades do norte, as descobertas deste período têm um sentido militarista.

Os vasos de cerâmica encontrados próximos aos crânios datam do século 8 ou 9, quando se iniciou o declínio da cidade de Pacbitun, enquanto os centros políticos no norte se tornaram dominantes.

Estudos anteriores concentraram-se na degradação ambiental como a principal causa do colapso do poderoso império. No entanto, embora os factores ambientais tenham tido um grande impacto, não explicam o declínio ao longo de um século e meio.

Para explicar a complexidade do que aconteceu, segundo o estudo publicado na revista Latin American Antiquity, os arqueólogos contemplam agora a violência e a guerra como factores que contribuem para o declínio de algumas cidades do sul, como evidenciado pelas fortificações construídas tão rapidamente em alguns lugares.

Embora as evidências dos crânios não mostram conclusivamente que as planícies do sul foram invadidas por guerreiros do norte, está claro que foi a violência e a guerra que puseram um ponto final na ordem política do império.

Anteriormente, os especialistas da Universidade de Cambridge mostraram que, no momento do colapso, produziram-se graves secas, que a chuva reduziu até 70%. As condições climáticas severas terão sido um golpe fatal para a civilização.

Enquanto a razão para o colapso permanece incerta, esta relíquia talvez sirva como uma horrível lembrança da sua queda no caos e na ruína.

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15 Junho, 2019

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2148: Afinal, os Maias não sacrificavam os vencedores do jogo de bola

CIÊNCIA

(dr) Dallas Museum of Art

Os sacrifícios durante o jogo de bola não faziam parte integrante da actividade do povo maia, segundo o estudo recente de um cientista dinamarquês que desmente as crenças populares sobre a civilização pré-colombiana.

Cientistas da Universidade de Copenhaga concluíram que o mito popular sobre sacrifícios humanos dos vencedores do jogo de bola na civilização maia é apenas uma ficção, segundo a revista Live Science.

Este jogo foi popular entre os maias, astecas e outros povos da Mesoamérica. Em 1987, um estudo publicado na revista Res: Anthropology and Aesthetics afirmou que os vencedores eram sacrificados e que o jogo era considerado como uma acção ritual que personificava a luta do bem contra o mal.

Entretanto, novas investigações permitiram estudar melhor as regras. Os arqueólogos analisaram as obras de monges espanhóis, assim como os baixos-relevos maias, um deles é datado dos anos 700-800 da nossa era. Este baixo-relevo mostra pessoas a jogar com uma bola de borracha.

Especialistas revelaram que, em estádios antigos, faltavam frequentemente os anéis da pedra, os tais em que seria preciso fazer passar a bola, o que seria considerado como o objectivo principal do jogo. Às vezes o jogo era chamado de “basquetebol maia”.

Além disso, os investigadores provaram que os espectadores faziam apostas sobre o resultado da competição e ganhavam ou perdiam importâncias consideráveis. Os sacrifícios, segundo as conclusões deste estudo, representaram casos excepcionais. Provavelmente tratavam-se de prisioneiros de outras tribos.

“Isso seria, na verdade, terrível se os melhores jogadores fossem sacrificados regularmente. O mito de sacrifícios humanos foi criado por causa de desenhos descobertos em vários terrenos do jogo de bola que mostravam crânios e ossos. Mas será que os devemos interpretar literalmente?”, explica um dos co-autores do estudo, Christophe Helmke.

Segundo o cientista, o sacrifício não era parte integrante do jogo. Se alguém fosse morto, seria uma pessoa já condenada à morte antes do jogo. Entretanto, o investigador indica que as execuções de prisioneiros provavelmente terão aumentado a popularidade do jogo.

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10 Junho, 2019



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2082: A civilização Maia também lidou com alterações climáticas (e sobreviveu)

CIÊNCIA

Tony Hisgett / wikimedia
Chichén Itzá é uma cidade arqueológica maia, no Iucatã, que funcionou como centro político e económico da civilização maia.

As alterações climáticas não são nada de novo e, já na altura da civilização Maia, os povos tiveram de se readaptar para sobreviverem a uma nova realidade. Os Maias desenvolveram técnicas para remediarem situações de, por exemplo, épocas de seca.

As concentrações de dióxido de carbono na atmosfera da Terra atingiram 415 partes por milhão – um nível que se verificou pela última vez há mais de três milhões de anos, muito antes da evolução dos seres humanos. Esta notícia aumenta a preocupação crescente de que as mudanças climáticas provavelmente causarão sérios danos ao nosso planeta nas próximas décadas.

Apesar de a temperatura na Terra nunca ter estado tão alta, podemos aprender sobre como lidar com a mudança climática ao observar a civilização Maia, que prosperou entre 250-950 d.C. no leste da Mesoamérica, a região que hoje é ocupada pela Guatemala, Belize, México Oriental e partes de El Salvador e Honduras.

Muitas pessoas acreditam que a antiga civilização Maia terminou quando misteriosamente “entrou em colapso”. E é verdade que os Maias enfrentaram muitos desafios de mudanças climáticas, incluindo secas extremas que acabaram por contribuir para o colapso das suas grandes cidades-estado do Período Clássico.

No entanto, os Maias não desapareceram: mais de 6 milhões de pessoas com raízes Maia vivem hoje no leste da Mesoamérica. Além disso, com base na investigação de antropólogos na Península do Norte de Yucatán, acredita-se que a capacidade das comunidades Maias de adaptar as práticas de conservação de recursos desempenhou um papel crucial em permitir que sobrevivessem por tanto tempo.

Em vez de se concentrar nos momentos finais da civilização Maia, a sociedade pode aprender com as práticas que lhes permitiram sobreviver por quase 700 anos, quando consideramos os efeitos das mudanças climáticas nos dias de hoje.

Adaptação a condições secas

Uma combinação de factores, incluindo mudanças ambientais, contribuiu para o colapso de muitos grandes centros pré-clássicos após o início do primeiro milénio d.C.

Evidências disponíveis sugerem que, embora o clima tenha permanecido relativamente estável durante grande parte do Período Clássico, houve períodos ocasionais de diminuição da precipitação. Além disso, todos os anos, as épocas seca e chuvosa foram marcadamente divididas. Maximizar a eficiência e o armazenamento de água e correctamente sincronizar a época de plantio foi muito importante.

Se as chuvas não acontecessem como esperado por um ano ou dois, as comunidades poderiam contar com água armazenada. No entanto, secas mais prolongadas acentuaram a hierarquia política e complexas redes comerciais inter-regionais. A chave primordial para a sobrevivência foi aprender a adaptarem-se às mudanças ambientais.

Por exemplo, os Maias desenvolveram redes mais elaboradas de terraço e irrigação para proteger contra o escoamento do solo e o esgotamento de nutrientes. Projectaram também sistemas de drenagem e armazenamento que maximizaram a captação de água da chuva.

Declínio e colapso

Durante os séculos IX e X d.C., muitas das grandes cidades Maias clássicas caíram como resultado de várias tendências de longo prazo, como o crescimento populacional, a guerra cada vez mais frequente e uma burocracia cada vez mais complexa. O declínio das chuvas piorou a situação de risco.

No final, vários centros populacionais experienciaram eventos de abandono relativamente rápidos. No entanto, diferentes áreas decaíram ao longo de um período de mais de dois séculos. Chamar a esta série de eventos um colapso ignora a capacidade das comunidades Maias de se preservarem por gerações, apesar dos desafios crescentes.

Podemos ver padrões semelhantes em várias outras civilizações. As comunidades ancestrais de Puebloan no sudoeste dos Estados Unidos, anteriormente conhecidas como Anasazi, desenvolveram redes de irrigação para cultivar uma paisagem naturalmente árida começando por volta do início do primeiro milénio.

Quando as chuvas começaram a decair nos séculos XII e XIII, elas se reorganizaram em unidades menores e moveram-se pelas redondezas. Esta estratégia permitiu que eles sobrevivessem mais tempo do que teriam se se mantivessem no mesmo lugar.

ZAP // The Conversation

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31 Maio, 2019


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2079: Os extraterrestres poderão ajudar a salvar a Humanidade

KELLEPICS / pixabay

Avi Loeb, presidente do departamento de Astronomia da Universidade de Harvard, alertou que a Humanidade por estar a traçar o mesmo caminho que ditou o fim de civilizações alienígenas avançadas. No entender do especialista, o passado destes seres extraterrestres pode ser útil para salvar o futuro da Humanidade.

As alterações climáticas que há décadas mudam o planeta e a fabricação de armas cada vez mais poderosas podem ser indícios de um caminho perigoso para o Homem.

Segundo Avi Loeb, um comportamento semelhante a este pode ter dizimado raças avançadas de seres alienígenas. “Uma possibilidade é que estas civilizações, baseadas na forma como nos comportamos actualmente, tenham uma vida vida curta“, disse Loeb na semana passada, durante uma palestra na The Humans to Mars Summit, que decorreu na cidade norte-americana de Washington.

“[Estes seres alienígenas] pensam a curto prazo e produzem ferimentos auto-infligidos que podem acabar por matá-los”, defendeu o especialista, citado pelo Live Science.

No entender de Loeb, a procura por vida extraterrestre deve ser ampla o suficiente para rastrear artefactos deixados por civilizações entretanto desaparecidas, tais como superfícies planetárias queimadas e produtos de guerra nuclear em mundos alienígenas.

Caso se encontrem outros tipos de vida diferentes dos que conhecemos, esta será a maior descoberta científica de sempre, defende Loeb, considerando ainda que estes seres podem trazer um benefício adicional ao Homem: servir-lhe de exemplo, colocando a Humanidade num caminho mais orientado e sustentável.

“A ideia é que possamos aprender algo no processo. Podemos aprender a comportar-nos melhor uns com os outros, a não iniciar uma guerra nuclear, a monitorizar o nosso planeta e garantir que este seja habitável enquanto pudermos mantê-lo habitável”.

Potencialidades tecnológicas

Loeb aponta ainda que há outras razões para a procura de seres extraterrestres, sobretudo no que respeita às potencialidades tecnológicas. “A nossa tecnologia tem apenas um século, mas se uma outra civilização tiver tido mil milhões de anos para desenvolver viagens espaciais, podem ensinar-nos a fazê-lo”, afirmou.

“A minha esperança passa por encontrar civilizações mortas que nos inspirem a ter um melhor comportamento e a actuar melhor em grupo (…) A outra esperança que temos é que, assim que deixemos o Sistema Solar, receberemos uma mensagem de volta: ‘Bem-vindos ao clube interestelar’. E aí vamos descobrir que há muito tráfego que não conhecíamos”, elencou o especialista.

Na verdade, defende Loeb, podemos ter tido já um vislumbre deste tráfego com o Oumuamua, o primeiro objecto interestelar já observado no Sistema Solar. O objecto, que foi também rotulado de Mensageiro das Estrelas, pode ser uma nave alienígena, como já insistiu o Professor de Harvard.

Apesar de todas as hipóteses sobre este corpo – que passam também pela possibilidade deste ser um asteróide – o especialista enfatiza que o importante é manter a mente aberta, não descartando nenhuma opção de forma precipitada. “Devemos manter a mente aberta e não presumir que sabemos a resposta antecipadamente (…) Não precisamos fingir que sabemos de alguma coisa”, rematou.

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31 Maio, 2019

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2060: Civilizações avançadas podem estar a comunicar através de feixes de neutrinos

CIÊNCIA

Uma nova investigação, liderada pelo cientista Albert Jackson, sugere que civilizações avançadas no Universo podem ser capazes de se comunicar através de feixes de neutrinos que seriam transmitidos por constelações de satélites localizadas em torno de estrelas de neutrões ou buracos negros. 

A ideia da existência de “mega-estruturas” extraterrestres do tipo esfera de Dyson (estruturas hipotéticas que orbitariam uma estrela, capturando toda ou a maior parte da energia por ela emitida), colocadas como “faróis cósmicos“, depende de onde a civilização extraterrestre avançada em causa se encaixa na Escala de Kardashev.

Esta escala mede o grau de desenvolvimento tecnológico de uma civilização, isto é, se se trata de uma civilização planetária (tipo I), estelar (tipo II) ou galáctica (tipo III).

Numa nova investigação, cujos resultados foram esta semana disponibilizados no arXiv, Albert Jackson, investigador da Triton Systems, sugere que uma civilização Tipo II seria capaz de englobar uma estrela de neutrões ou um buraco negro através da criação de uma constelação de satélites de transmissão neutrinos.

Jackson cita no início da publicação um ensaio de Freeman Dyson, o “pai” destas “mega-estruturas”. Datado de 1966, o documento sob o título A procura pela tecnologia extraterrestre resume as suas metas na investigação: “A primeira regra do meu jogo é: pensar sobre as maiores actividades artificiais possíveis [no Universo] com limites apenas estabelecidos pelas leis das Física e procurá-las”.

Num estudo anterior, o cientista sugeriu que as civilizações avançadas poderia usar pequenos buracos negros como lentes gravitacionais para enviar sinais de ondas pela galáxia, visando assim transmitir informações.

Um outro estudo de Jackson defende que uma civilização suficientemente avançada poderia usar o mesmo tipo de lente gravitacional para criar um farol laser.

Em ambos os casos, observa a agência Europa Press, os requisitos tecnológicos seriam surpreendentes e exigiriam infra-estruturas de escala estelar. Ultrapassando estas condições, Jackson explora no novo estudo a possibilidade de neutrinos serem usados para transmitir informação, uma vez que estes – à semelhança das ondas gravitacionais – viajam bastante bem pelo meio interestelar.

Comparativamente com os feixes focalizados de fotões (também conhecidos como lasers), os neutrinos apresentam várias vantagens no que respeita aos faróis cósmicos, tal como explicou o especialista ao Universe Today.

“Os neutrinos chegam quase sem atenuação desde qualquer direcção de origem, o que seria [uma] vantagem no plano galáctico. Os fotões em comprimentos de onda – tal como os infravermelhos – também são bons, mas com o gás e o pó ainda há alguma absorção. Os neutrinos podem viajar pelo Universo quase sem absorção”, sustentou.

Mil milhões: o número de estrelas da Via Láctea

Simplificando: o novo conceito parte do fenómeno da lente gravitacional, onde os cientistas confiam a existência de objecto interveniente maciço para focalizar e ampliar a luz oriunda de um objecto mais distante. Neste estudo em particular, a fonte da luz seriam os neutrinos e o efeito de focá-los daria ao “farol cósmico” um sinal mais forte.

Ou seja, um buraco negro ou uma estrela de neutrões são as lentes gravitacionais, lente esta que foca os neutrinos num feixe intenso que, por sua vez, quando é visto à distância é tão “ajustado” que é necessário colocar uma constelações de transmissores de neutrinos na lente gravitacional para obter um transmissor isotrópico aproximado.

“Neste caso, o número de” transmissores” é cerca de 10 elevado para 18, ou seja, cerca de mil milhões de vezes o número das estrelas na Via Láctea”, estimou Jackson.

Tal como a construção de uma Esfera de Dyson, este tipo de estrutura só seria possível de ser alcançado por uma civilização de Tipo II. Noutras palavras, seria necessária uma civilização capaz de aproveitar e canalizar a energia irradiada pela sua própria estrela, que equivale a aproximadamente 4×1026 watts de energia – mil milhões de vezes maior do que a energia consumida anualmente por toda a Humanidade.

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27 Maio, 2019


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2005: Os extraterrestres podem estar a comunicar através de ondas gravitacionais

CIÊNCIA

Maxwell Hamilton / Flickr
Buracos negros em colisão e as ondas gravitacionais que se formam

Uma equipa de cientistas defende que os extraterrestres podem ser dotados de uma tecnologia avançada capaz de gerar ondas gravitacionais. Através destas ferramentas, sustentam os cientistas, poderá ser possível encontrar uma civilização avançada no interior da Via Láctea.

O Universo é demasiado vasto e pouco explorado para que a comunidade científica possa descartar totalmente a existência de outras formas de vida para lá do Sistema Solar. Além disso, vários cientistas defendem a existência de outras formas de vida, alicerçados no número cada vez maior de exoplanetas descobertos.

Estas formas de vida – que podem habitar Marte, a exótica Titã (Lua de Saturno) ou até o tórrido Vénus – não foram ainda encontradas. A procura têm sido em vão, mas os cientistas não desistem e vão procurando novas teorias para o silêncio destes seres.

Um dos principais problemas apontados pelos cientistas para justificar este silêncio é a falta de conhecimento e ou tecnologia humana para reconhecer e rastrear os sinais dos seres alienígenas, muitas vezes chamadas de bio-assinaturas.

Num novo esforço para encontrar vida extraterrestre, uma equipa de cientistas, liderada por Marek Abramowicz, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, sugere que estes seres podem ser dotados de uma tecnologia capaz de gerar ondas gravitacionais.

Estas ondas, previstas pela primeira vez por Albert Einstein, são ondulações fracas que se propagam no tecido espaço-tempo, podendo ser formadas por fenómenos violentos como colisões de estrelas ou buracos negros. No fundo, e tal como observa o diário ABC, estas ondulações são como as ondas geradas por uma pedra que cai num lago.

Apesar de estas ondas terem sido já teorizadas durante o século XX, a sua observação directa na Terra ocorreu só em 2015. Actualmente, estes fenómenos continuam a ser estudados, sendo encarados como uma janela científica para o Universo.

Baseado neste fenómeno, Abramowicz e a sua equipa defendem que uma pequena mudança operacional na antena da missão LISA – detector espacial de ondas gravitacionais projectado pela Agência Espacial Europeia (ESA) programado para ser lançado em 2034 – seria suficiente para permitir que esta missão procure também eventuais sinais de civilizações extraterrestres avançadas.

Segundo escreveram os cientistas, esta pequena mudança neste mega-detector poderá também permitir a descoberta de uma civilização avançada dentro da Via Láctea.

“A nossa existência no Universo é o resultado de uma rara combinação de circunstâncias. E o mesmo deve ser certo para qualquer civilização extraterrestre avançada”, pode ler-se no estudo, cujos resultados foram disponibilizados para pré-visualização no Arxiv.org.

“Se houver alguns [seres alienígenas] na Via Láctea, é provável que estejam espalhados por grandes distâncias no espaço e no tempo. No entanto, [os extraterrestres] sabem certamente da propriedade única do nosso centro galáctico: aloja um buraco negro massivo mais perto e acessível para nós”.

No entender da equipa de cientistas, “uma civilização suficientemente avançada pode ter colocado uma tecnologia na órbita deste buraco negro, visando estudá-lo, extrair energia ou até para fins de comunicação. Em qualquer das opções, o seu movimento orbital será necessariamente uma fonte de ondas gravitacionais”, escreveram.

Simplificando: os especialistas acreditam que o centro da Via Láctea seria um local ideal para colocar um “farol” que transmite mensagens para o resto da galáxia. Um dispositivo deste género, sustentou Abramowicz, enviaria as mensagens destes seres através das ondas gravitacionais porque “uma vez emitidas, estas ondas viajam pelo espaço sem serem praticamente perturbadas”.

Este farol, que os cientistas baptizaram de “O Mensageiro”, deveria ter o tamanho e a massa de Júpiter para conter energia suficiente para efectuar as comunicações. Nestas condições, argumentam os cientistas, a ferramenta “poderia sustentar-se por alguns mil milhões de anos e emitir de forma contínua um sinal inconfundível de ondas gravitacionais que seria observável com detectores do tipo LISA”, remataram.

ZAP //

Por ZAP
18 Maio, 2019



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1852: Stonehenge foi construído por antepassados de portugueses

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

Os antepassados ​​da civilização que construiu Stonehenge – monumento do Período Neolítico localizado no condado de Wiltshire, no interior da Inglaterra – viajaram pelo Mediterrâneo até chegar à Grã-Bretanha.

Investigadores britânicos compararam amostras de ADN extraídas de restos mortais neolíticos encontrados na região com o de pessoas que viveram na Europa na mesma época. Elas terão saído da Anatólia (actual Turquia) para a Península Ibérica antes de seguirem para o norte. Chegaram à Grã-Bretanha por volta de 4.000 a.C.

Esta migração, de acordo com o estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution, fez parte de um grande êxodo de habitantes da Anatólia em 6.000 a.C., movimento que introduziu a agricultura na Europa. Antes disso, a Europa era povoada por pequenos grupos nómadas que caçavam animais e colhiam plantas silvestres.

Um grupo de agricultores primitivos seguiu o rio Danúbio até a Europa Central, enquanto outro avançou para o oeste pelo Mediterrâneo. As amostras de ADN revelam que os britânicos do Neolítico eram em grande parte descendentes dos grupos que usaram a rota do Mediterrâneo, beirando a costa ou percorrendo as ilhas de barco.

Quando os investigadores analisaram o ADN dos primeiros agricultores da Grã-Bretanha, descobriram que se pareciam mais com os povos neolíticos da Ibéria (actual Espanha e Portugal) – descendentes daqueles que tinham viajado pelo Mediterrâneo.

Da Ibéria, ou de algum lugar próximo, os agricultores mediterrâneos partiram rumo ao norte, passando por França. Eles podem ter entrado na Grã-Bretanha pelo País de Gales ou pelo oeste ou sudoeste da Inglaterra. As datas definidas pela técnica de datação por radio-carbono indicam que o povo neolítico chegou ligeiramente mais cedo ao oeste.

Além da agricultura, os migrantes neolíticos que chegaram à Grã-Bretanha parecem ter introduzido a tradição de construir monumentos usando grandes pedras conhecidas como megalitos. Stonehenge, em Wiltshire, é um exemplo desta prática.

Embora a Grã-Bretanha fosse habitada por grupos de “caçadores-colectores ocidentais”, quando os agricultores chegaram em aproximadamente 4.000 a.C., as amostras de ADN mostram que os dois grupos não se misturaram muito.

Os caçadores-colectores foram quase completamente substituídos pelos agricultores neolíticos, à excepção de um grupo na Escócia, que manteve uma elevada ascendência local. Isso pode ter ocorrido pelos grupos de agricultores serem a maioria. “Não encontramos nenhuma evidência detectável de ancestrais caçadores-colectores britânicos locais nos agricultores neolíticos depois que chegaram”, disse o co-autor Tom Booth, especialista em ADN antigo do Museu de História Natural de Londres.

“Isso não significa que não se misturassem de forma alguma, quer dizer apenas que talvez o tamanho da sua população fosse pequeno demais para deixar qualquer tipo de legado genético.”

Mark Thomas, co-autor do estudo e professor da University College London (UCL), afirmou que os agricultores neolíticos provavelmente tiveram de adaptar suas práticas a diferentes condições climáticas enquanto se deslocavam pela Europa. Mas quando chegaram à Grã-Bretanha, já estavam “equipados” e bem preparados para cultivar as terras no clima típico do noroeste da Europa.

O estudo também examinou o ADN dos caçadores-colectores britânicos. Um dos esqueletos analisados ​​foi o do Homem de Cheddar, um dos britânicos mais antigos de que se tem registo, cujos restos mortais datam de 7.100 a.C. As amostras de ADN apontam que, assim como a maioria dos caçadores-colectores europeus da época, o Homem de Cheddar tinha a pele escura e os olhos azuis.

No ano passado, o Museu de História Natural de Londres fez uma reconstrução detalhada do seu rosto, utilizando um scanner de alta tecnologia. A análise genética dos agricultores neolíticos mostra, em contrapartida, que tinham a pele mais clara, olhos castanhos e cabelos pretos ou castanho-escuros.

(dr) Royal Pavilion & Museum
Reconstrução facial da Menina Whitehawk, que viveu há 5,6 mil anos em Sussex, na Inglaterra

Perto do fim do período Neolítico, em cerca de 2.450 a.C., os descendentes dos primeiros agricultores foram quase totalmente substituídos pela chegada de um novo povo – chamado “povo Beaker” – que migrou da Europa continental.

A Grã-Bretanha viveu duas mudanças genéticas extremas no intervalo de apenas alguns milhares de anos. Segundo Thomas, este evento posterior aconteceu depois de a população neolítica já estar em declínio há algum tempo, tanto na Grã-Bretanha como na Europa.

ZAP // BBC

Por ZAP
17 Abril, 2019

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1813: Descoberta misteriosa religião nas profundezas de um lago dos Andes

CIÊNCIA

(dr) Teddy Seguin

Há centenas de anos, a costa oeste da América do Sul era governada pelos Incas – um misterioso império considerado a sociedade mais avançada existente nas Américas antes da chegada de Colombo.

Porém, muito tempo antes de os Incas deterem o domínio sobre as vastas terras que se estendiam da Colômbia ao Chile, uma sociedade ainda mais misteriosa habitava na região dos Andes. Este império mais antigo foi chamado o estado de Tiwanaku, sobre o qual se sabe menos ainda. No seu auge, poderá ter tido entre 10 mil a 20 mil pessoas.

Os detalhes escassos que se sabe sobre o estado de Tiwanaku vêm de achados arqueológicos, descobrindo uma trilha de pistas sobre o povo Tiwanaku e a sua cultura há muito desaparecida. Agora, os cientistas acabam de anunciar a descoberta de uma grande peça nova do quebra-cabeça.

No primeiro mergulho e escavação arqueológica sistemática realizado nas águas do recife de Khoa, perto da Ilha do Sol no Lago Titicaca, na Bolívia, os investigadores encontraram evidências submersas de ofertas rituais feitas a divindades sobrenaturais – o que significa que a religião existia nesta parte do mundo – muito mais cedo do que se pensava.

“As pessoas costumam associar a Ilha do Sol aos Incas porque era um local de peregrinação importante para eles e porque deixaram para trás numerosas construções cerimoniais e ofertas na e em redor desta ilha”, disse o antropólogo José Capriles, da Pennsylvania State University.

“A nossa investigação mostra que o povo Tiwanaku, que se desenvolveu no Lago Titicaca entre 500 e 1.100 a.C, foi o primeiro a oferecer objectos de valor a divindades religiosas da região”, explicou.

Capriles e a sua equipa usaram sonar e fotogrametria 3D subaquática para monitorizar e mapear o recife durante uma visita de estudo de 19 dias ao Lago Titicaca durante 2013. Nos sedimentos no lago, encontraram queimadores de incenso em forma de puma, com fragmentos de carvão presentes nos depósitos escavados, e vários ornamentos de ouro, conchas e pedras.

(dr) Teddy Seguin
A equipa encontrou ofertas rituais, como queimadores de incenso; lamas sacrificados; e ornamentos de ouro, conchas e pedras

Acredita-se que o puma tenha sido um importante símbolo religioso para os Tiwanaku. Um motivo com um rosto com raios representado em dois medalhões de ouro sugere que as ofertas deveriam ser explicitamente para a principal figura mítica na sua iconografia religiosa, às vezes chamada de Viracocha.

Os investigadores dizem que as peças de oferta – datadas entre os séculos VIII e X a.C – não foram parar ao lago por acidente, mas parecem que foram projectadas para ficarem submersas. “A presença de âncoras perto das ofertas sugere que as autoridades oficiais podem ter depositado as ofertas durante rituais realizados em barcos”, referiu Capriles.

Os arqueólogos também encontraram evidências de peixes, anfíbios e ossos de aves, que, segundo a equipa, provavelmente se depositaram naturalmente no ecossistema submerso.

Mas há um animal na mistura que não é como os outros. Os ossos de quatro lamas também foram descobertos. Pensa-se que terão sido mortos no local ou perto dele e enterrados no mar como ofertas de sacrifício no antigo ritual.

Embora não se possa saber com certeza exactamente o que estes actos de oferta significaram para o povo Tiwanaku, o facto de que tais elaborados ritos foram realizados diz-nos algo mais sobre o estado e a sofisticação dos Tiwanaku.

Mais do que um mero culto num local extremo, as cerimónias em Khoa refletem uma interacção complexa de estar situado no centro do lago enquanto são realizadas por um pequeno grupo de elite”, escrevem os autores no artigo, publicado na revista PNAS.

“Eles também enfatizam a exibição de forças poderosas, como a disseminação de rituais focados na representação de uma divindade de rosto com raios e pumas cheios de fumo, o sacrifício de lamas e a disposição conspícua da riqueza.”

Os arqueólogos dizem que estes gestos simbólicos são todos os pilares de uma sociedade complexa emergente, que se poderia estar a expandir e talvez a procurar cooperar com outros grupos na região andina. Esses esforços podem ter valido a pena no curto prazo, até cerca de meio milénio depois.

ZAP // Live Science

Por ZAP
6 Abril, 2019

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1728: A nova geração de telescópios vai descobrir vida extraterrestre?

Portugal e mais seis países assinam em Roma acordo para a construção do maior radiotelescópio do mundo

© Expresso Expresso

Em 1961, o astrofísico norte-americano Frank Drake inventou uma equação que estima o número de civilizações extraterrestres na Via Láctea. N = R*× fp × ne × fl × fi × fc × L ficou conhecida por Equação Drake e parece uma fórmula demasiado complexa para o cidadão comum, mas é relativamente simples. Assim, “N” representa o número de civilizações extraterrestres, “R*” a taxa de formação de novas estrelas na nossa galáxia, “fp” a fracção de estrelas que possuem planetas em órbita, “ne” o número de planetas que potencialmente permitem a emergência de vida, “fl” a fracção destes planetas que realmente têm vida, “fi” a fracção dos planetas com vida inteligente, “fc” a fracção destes planetas que quer e tem meios para comunicar com outras civilizações, e “L” o tempo esperado de vida de uma civilização deste tipo.

Mas em 1961 os astrofísicos não sabiam qual era o valor destes sete parâmetros, apenas podiam fazer conjecturas. Os avanços da ciência permitiram, entretanto, chegar a números consistentes para os primeiros três parâmetros da famosa equação. Graças aos mais potentes telescópios espaciais e terrestres, já foram identificados 4000 planetas extras-solares na Via Láctea e 47 são parecidos com a Terra. Sabemos ainda que há mais planetas do que estrelas e que pelo menos 25% destes planetas têm a dimensão da Terra e situam-se na zona habitável da sua estrela, que permite a emergência de água no estado líquido. Como a nossa galáxia tem pelo menos 100 mil milhões de estrelas há, certamente, uma imensidão de planetas potencialmente com vida.

Mas isto não chega para calcular a Equação Drake. Há que esperar pela próxima geração de super-telescópios. A começar pelo SKA (Square Kilometer Array), o maior radiotelescópio do mundo, um projecto literalmente astronómico — considerado a maior infra-estrutura do planeta — que terá 2500 antenas instaladas na África do Sul e na Austrália. Vai estudar as ondas gravitacionais e a evolução do Universo, testar as teorias de Einstein, mapear centenas de milhões de galáxias e procurar sinais de vida extraterrestre.

Investir €2000 milhões

A convenção para construir o SKA foi assinada esta semana em Roma por Portugal, Holanda, Itália, Reino Unido, China, África do Sul e Austrália. E a Índia e a Suécia vão aderir em breve. O projecto envolve 1000 investigadores e engenheiros em 20 países de três continentes, 270 centros de investigação e empresas e um investimento de 2000 milhões de euros. Domingos Barbosa, investigador do Instituto de Telecomunicações e coordenador português do SKA, diz que “vai ser a máquina que mais dados irá produzir nos próximos 20 anos — dez vezes mais dados do que o tráfego global da Internet”. E Philip Diamond, director-geral da Organização SKA, salienta que “tal como o telescópio de Galileu no seu tempo, o SKA irá revolucionar a maneira como compreendemos o Universo e o nosso lugar nele”.

O Observatório Europeu do Sul (ESO), organização a que Portugal pertence, está também a construir o maior telescópio ótico do mundo, o E-ELT (European Extremely Large Telescope), no Deserto de Atacama, no Chile. Terá imagens 15 vezes mais nítidas do que as obtidas pelo telescópio espacial óptico Hubble e permitirá, entre outras coisas, estudar e caracterizar planetas extras-solares rochosos com a mesma massa da Terra, procurando indícios de vida. Há ainda outros projectos em curso com o mesmo objectivo, como os telescópios espaciais James Webb e WFIRST, da NASA.

Mas como se podem detectar sinais de vida num planeta extras-solar? Através da luz da estrela que este orbita, quando é reflectida por ele ou atravessa a sua atmosfera, porque os gases que a compõem absorvem diferentes comprimentos de onda dessa luz. Se estes corresponderem ao dióxido de carbono, metano ou oxigénio, a vida existe.

msn notícias
Virgílio Azevedo
16/03/2019

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1718: A radiação de Hawking pode ser a chave para encontrar vida alienígena

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

O Universo é assustadoramente antigo e vasto ao ponto de vários cientistas  considerarem a possibilidade de existirem civilizações alienígenas avançadas. Até ao momento, estes seres não foram encontrados, mas o problema pode estar no método de detecção – e um matemático acaba de propor uma nova forma de rastreamento, recorrendo à hipotética radiação de Stephen Hawking.

Louis Crane, matemático da Universidade Estadual no Kansas, no Estados Unidos, é o “cérebro” do novo método que propõe rastrear a radiação de Hawking que emana dos buracos negros para procurar naves estelares de civilizações avançadas distantes.

“Uma civilização avançada iria querer aproveitar um buraco negro microscópico porque poderia atirar-se na matéria e obter energia”, sustentou Crane ao Universe Today. “Seria a melhor fonte de energia. Em particular, poderia impulsionar uma nave espacial grande o suficiente para ser protegida de velocidades relativistas”, sustentou.

Em 2009, Crane foi co-autor de um estudo que versava sobre a viabilidade de recorrer à radiação de buracos negros do físico britânico como fonte de energia para impulsionar naves espaciais, algo até agora inacessível à Humanidade.

Agora, no seu novo estudo, cujos resultados foram esta semana publicados no arXiv, o matemático argumenta que estas naves alienígenas, que seriam interceptadas por telescópios de raios gama de alta energia, manifestariam-se como pequenos pontos que seriam mais quentes de que qualquer outro objeto natural. Estes pontos emitiriam também uma enorme quantidade de partículas e raios gama como subproduto do buraco negro.

Segundo Crane, o cone da radiação gama apareceria em tons de vermelho durante a primeira metade da viagem de uma nave, passado depois para azul na sua segunda fase, quando começasse a desacelerar. O matemático nota que a detecção das naves estaria no limiar mais baixo do que é observável, frisando que há muitos factores desconhecidos.

“Se alguma civilização avançada tivesse já estas naves estelares, os actuais telescópios de raios gama VHE poderiam detectá-los de 100 a 1000 anos-luz se estivéssemos no seu feixes. [Os pontos] poderiam ser distinguidos das fontes naturais através dos seus constantes redshift durante um determinado período de anos”, afirmou.

Para investigar, remata, os cientistas “precisariam de fazer séries temporais de curvas de frequência das fontes de raios gama. Algo que não parecem estar a fazer actualmente”.

Dificuldades da radiação de Hawking

Assinado por Crane e Shawn Westmoreland, o artigo de 2009, também publicado no arXiv,  sugeria que um buraco negro com um raio de 2,8 metros e uma vida útil de cerca de um século, poderia produzir 15 petawatts de potência, sendo, por isso, talhado para alimentar naves e acelerá-las a velocidades próximas à da luz.

Uma das grandes dificuldades seria direccionar eficientemente a radiação de Hawking emitida pelo buraco negro. Por isso, os cientistas sugeriram que fosse bombardeado um reflector parabólico com radiação para impulsionar a nave.

Apesar da teorização de Crane e Westmoreland, os cientistas reconheceram que a Humanidade não dispõe ainda de materiais e tecnologias necessárias para a construção de uma nave deste tipo. Contudo, uma civilização alienígena avançada pode ter já conseguido atingir este feito – a procura continua.

Traçada por Hawking em 1974, acredita-se que esta radiação represente a transmissão da energia térmica no Espaço que é emitida por buracos negros devido a efeitos quânticos. A descoberta do britânico foi o primeiro vislumbre convincente sobre a gravidade quântica. Até então, a existência desta radiação continua controversa, permanecendo no campo do hipotético, tal como os seres alienígenas.

SA, ZAP //

Por SA
15 Março, 2019

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1301: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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1249: O “Mensageiro das Estrelas” afinal pode mesmo ser uma nave espacial

M. Kornmesser / European Southern Observatory
Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: Oumuamua.

Um objecto interestelar que permanece um mistério: eis Oumuamua. Cientistas de Harvard levantam agora a hipótese de que o “Mensageiro das Estrelas” possa ser, afinal, uma sonda totalmente operacional enviada intencionalmente à vizinhança terrestre por uma civilização alienígena.

19 de Outubro de 2017. Foi nesta data que o Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System-1 (Pan-STARRS-1), no Havai, anunciou a primeira detecção de um asteróide interestelar. Baptizado de Oumuamua, este objecto espacial causou uma grande discussão na comunidade científica.

Com o tempo, foram surgindo novos dados que desmistificaram este objecto e, curiosamente, foram crescendo também as desconfianças de que Oumuamua pudesse ser uma nave interestelar.

Um estudo recente, realizado por astrónomos da Harvard Smithsonian Center for Astrophysics (CfA), deu um passo à frente nesta teoria, sugerindo que o Oumuamua pode mesmo ser uma nave espacial de origem alienígena.

O estudo, publicado no The Astrophysical Journal Letters este mês, levanta a ponta do véu sobre esta teoria de que o objecto espacial com aproximadamente 400 metros de comprimento e 40 metros de largura, pode, afinal, ser “um veleiro de origem artificial”, indicando que pode ter sido construído por uma civilização alienígena altamente avançada.

Oumuamua foi visto pela primeira vez quando já estava a abandonar o Sistema Solar. Na altura, os astrónomos afirmaram que o objecto parecia ter uma alta densidade, que indicava uma composição rochosa, e que estava a girar muito rapidamente.

Apesar de não mostrar qualquer sinal de fuga de gás quando passou perto do Sol, o que teria indicado que Oumuamua era um cometa, uma equipa de cientistas conseguiu obter espectros que indicavam que o objecto era mais gelado do que se pensava.

Quando fugia do Sistema Solar, o telescópio Hubble conseguiu tirar algumas imagens que revelaram um comportamento inesperado. Depois de analisadas, a equipa afirmou que as imagens revelavam que Oumuamua tinha aumentado a velocidade, em vez de desacelerar, como seria o esperado.

A explicação apontada como a mais provável era que Oumuamua estava a libertar material da sua superfície devido ao aquecimento solar – outgassing. A libertação deste material, que é consistente com a tese de que este objecto poderia mesmo ser um cometa, daria a Oumuamua o impulso necessário e constante para alcançar esse aumento de velocidade.

Mas Shmuel Bialy e Abraham Loeb, autores do novo estudo, lançam agora os seus trunfos para desmentir esta teoria. Assim, se Oumuamua fosse, de facto, um cometa, por que motivo não libertava gases quando se aproximava do Sol?

Assim, os cientistas consideram a possibilidade de Oumuamua ser uma nave espacial que depende da pressão da radiação para gerar propulsão. Esta nave pode, no entender dos investigadores, ter sido enviada por uma outra civilização para estudar o nosso Sistema Solar e procurar por sinais de vida.

Assim, a estranha “aceleração excessiva” do objecto pode ser um indício suficiente da sua artificialidade. “Considerando uma origem artificial, uma possibilidade é a de que o Oumuamua possa ser um veleiro a flutuar no espaço interestelar como um resíduo de um equipamento tecnológico avançado”, escrevem os investigadores.

“O excesso de aceleração de Oumuamua longe do Sol é explicado como sendo o resultado da força que a luz do Sol exerce na sua superfície”, explica Bialy. “Para que esta força explique o excesso de aceleração medido, o objecto precisa de ser extremamente fino, mas com dezenas de metros de tamanho, o que torna o objecto leve para a sua área de superfície e permite que ele actue como uma vela de luz.”

Com base nesta premissa, Bialy e Loeb calcularam a provável forma, espessura e relação massa-área que um objecto artificial teria. Os cientistas tentaram também, segundo o Phys.org, determinar se este objecto seria capaz de sobreviver no espaço interestelar, e se seria capaz de suportar as tensões de tracção causadas pelas forças de rotação e da maré.

Desta forma, descobriram que uma vela que tinha apenas uma fracção de milímetro de espessura (0,3-0,9 mm) seria suficiente para uma folha de material sólido sobreviver à jornada por toda a galáxia – embora isto dependa muito da densidade de massa de Oumuamua.

Grosso ou fino, adiantam, esta vela seria capaz de resistir a colisões com grãos de poeira e gás que permeiam o meio interestelar, bem como forças centrífugas e de maré.

Mas o que estaria esta nave espacial alienígena a fazer no nosso Sistema Solar? Para responder a esta questão, Bialy e Loeb oferecem algumas explicações.

Primeiro, sugerem que a sonda pode realmente ser uma vela desactivada a flutuar sob a influência da gravidade e da radiação estelar. Por outro lado, Oumuamua pode também ser uma peça activa de tecnologia alienígena que veio com o objectivo de explorar o nosso Sistema Solar, da mesma forma que esperamos explorar Alpha Centauri usando o Starshot e tecnologias similares.

Actualmente, Oumuamua está a afastar-se do Sol a uma velocidade aproximada de 112 mil quilómetros por hora em direcção à parte externa do Sistema Solar. Dentro de quatro anos,  passará a órbita de Neptuno a caminho do espaço interestelar.Até lá, pode ser que este mistério se desvende finalmente.

ZAP //

Por ZAP
6 Novembro, 2018

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1135: A civilização maia produzia sal há mais de mil anos (e usava-o como moeda de troca)

CIÊNCIA

Vviktor / Pixabay
Templo de Kukulcán, localizado em Chichén Itzá – uma cidade arqueológica maia, no Iucatã,

A antiga civilização maia não só produzia e armazenava sal há mais de mil anos, como também o utilizava como moeda de troca para obter outros produtos

De acordo com um novo estudo, publicado nesta segunda-feira na revista científica PNAS, os maias utilizavam o método tradicional de produção de sal, em que ser ferve a salmoura em salinas de madeira de forma a obter o mineral. Esta técnica foi depois aplicada em várias partes do mundo antigo em períodos posteriores.

Os maias utilizavam o sal para conservar alimentos, principalmente carne e peixe. Segundo com Heather McKillop, uma das autoras da publicação, foram descobertas marcas microscópicas em ferramentas que indiciam esse uso.

Os cientistas da Universidade norte-americana de Luisiana encontraram restos de uma antiga fábrica de sal em Belize, nas Caraíbas. No local, chamado de Salinas de Paynes Creek, foram descobertas várias ferramentas de pedra que revelaram que os maias produziam sal em grandes quantidades.

Nesta mesma zona, a equipa de investigação encontrou ainda mais de 4 mil postes de madeira que delimitam uma série de edifícios que eram usados como cozinhas, onde a salmoura era fervida em enormes panelas de modo a produzir sal.

Louisiana State University
Algumas das ferramentas encontradas

O sal produzido servia não só para o consumo local, mas também como moeda de troca. Quando se destinava à comercialização, o mineral era disposto em blocos de forma a facilitar a transacção. Além de sal, os maias trocavam também tecidos e cacau.

Para realizar as trocas, os maias que viviam na região viajavam em canoas ao longo da costa ou pelos rios próximos para chegar aos mercados vizinhos das grandes cidades da época, como Caracol e Tikal.

Por ZAP
12 Outubro, 2018

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1099: Explicada a estranha ausência de rastos de extraterrestres no Universo

*Psycho Delia* / Flickr

Astrofísicos norte-americanos propuseram uma nova abordagem ao Paradoxo de Fermi, que acentua a contradição entre as elevadas hipóteses de encontrar outras civilizações inteligentes no Universo e a falta de evidências que as comprove.

De acordo com um estudo disponibilizado recentemente no portal Arxiv.org, três cientistas da Universidade norte-americana da Pensilvânia criaram um modelo para avaliar quanto trabalho foi até agora realizado para encontrar vida alienígena no Universo.

A investigação debruçou-se em particular sobre os esforços produzidos no projecto Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI). Segundo os cientistas, a parte do espaço estudada pelo SETI é pequena demais para tirar quaisquer conclusões.

“Pode haver sinais de rádio bem claros e óbvios no céu, mas nós não os conheceríamos porque a nossa capacidade de procura é muito baixa no momento”, sustentaram.

Para esclarecer a situação, os cientistas desenvolveram uma metáfora sobre um “palheiro cósmico multidimensional”, no qual, consideram, o SETI procura “agulhas alienígenas”.

Neste sentido, os astrofísicos comparam o volume de espaço estudado ao volume de uma banheira comparativamente a todos os oceanos do mundo. Exemplificam ainda que é como estudar a ausência de animais marinhos com base num copo de água. Além disso, asseguram, existem diferentes tipos de “agulhas” para se procurar.

Continuando com a linguagem metafórica, os cientistas consideram ser necessário reavaliar por completo o “palheiro”, de forma a confirmar que não há “agulhas”. Para os cientistas, é necessário encontrar pelo menos uma prova sólida o suficiente que prove a existência de vida extraterrestre.

O paradoxo de Fermi

O paradoxo de Fermi é utilizado para descrever as enormes discrepâncias entre as estimativas optimistas da probabilidade de existirem civilizações extraterrestres e a falta de evidências da existência dessas mesmas civilizações.

Se o Universo é um espaço vasto e cheio de planetas potencialmente habitáveis, então onde é que estão todos os alienígenas? – esta é a grande questão do paradoxo.

Diversas teorias tentaram já explicar a ausência de sinais de vida extraterrestre – desde a ideia de que podem estar a hibernar até às explosões de raios gama, passando pela ideia de que os extraterrestres já morreram ou estão submersos nos seus planetas aquáticos.

Até então, não foi encontrada nenhuma outra forma de vida no Universo. Foi este o facto que levou o astrofísico italiano Enrico Fermi a questionar em 1950 onde estariam todos os seres alienígenas. A teoria, conhecida como Paradoxo de Fermi, ainda não tem solução, afirmando-se cada vez mais como um mistério da ciência.

Por ZAP
4 Outubro, 2018

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1097: Marcas pré-históricas indiciam a existência de uma civilização perdida na Índia

CIÊNCIA

Marathi Mayuresh Konnur / BBC
Entre as marcas encontradas, há figuras de tubarões, aves, rinocerontes e hipopótamos

Uma equipa de arqueólogos encontrou gravuras rupestres pré-históricas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia. De acordo com os cientistas, estes achados podem evidenciar uma antiga civilização até agora desconhecida.  

De acordo com a BBC, foram descobertas milhares destas gravuras rupestres – conhecidas como petróglifos – na região de Konkan, no estado indiano de Maharashtra.

As marcas pré-históricas, maioritariamente encontradas nas cidades de Ratnagiri e Rajapur, estavam gravadas em colinas rochosas e planas, tendo passado despercebidas durante milhares de anos.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a diversidade de gravuras encontradas, que vão desde animais, pássaros, figuras humanas e até desenhos geométricos. Grande parte das figuras estava escondida sob camadas de terra e lama, mas também havia algumas a céu aberto – estas eram consideradas sagradas, sendo pelos habitantes da região.

No entanto, a variedade das esculturas não foi o que mais surpreendeu os arqueólogos. A forma como os petróglifos foram desenhados e a sua semelhança como os demais já encontrados noutras partes do mundo levam os cientistas a acreditar que as marcas foram criadas durante o período pré-histórico e são, possivelmente, dos mais antigos até agora encontrados.

“A nossa primeira dedução após analisar estes petróglifos aponta que estes tenham sido criados por volta de 10.000 a.C”, disse o director do departamento de arqueologia do estado de Maharashtra, Texas Garge, em declarações à BBC.

Com a ajuda dos habitantes e anciãos locais, os arqueólogos encontraram petróglifos em cerca de 52 vilas da região – mas apenas cinco destas sabiam da sua existência.

Evidências de uma sociedade de caçadores-colectores

De acordo com Garge, as imagens evidenciam ter sido desenhadas por uma comunidade de caçadores-colectores que ainda não estava familiarizada com a agricultura. “Nós não encontramos imagens de actividades agrícolas, mas as marcas mostram animais caçados e há uma descrição bastante detalhadas das suas formas”, sustentou.

Shrikant Pradhan, investigador e historiador de arte da Faculdade Deccan de Pune, na Índia, estudou os petróglifos e disse que as figuras eram claramente inspiradas em actividades observadas na época.

“A maioria dos petróglifos mostra animais domésticos, mas há também imagens de tubarões e baleias, bem como anfíbios e tartarugas”, acrescenta Garge.

No entanto, os petróglifos recém-descobertos levantam questões ainda mais intrigantes para os arqueólogos. Os especialistas indagam por que motivo as gravuras retratam animais como hipopótamos e rinocerontes que não se encontram nesta região da Índia. A comunidade que as criou terá migrado da África para a Índia? Ou será que estes animais já habitaram a Índia?

As marcas, que passaram despercebidas durante milénios, continuam a intrigar os cientistas. Para resolver o mistério, o governo da Índia reservou um fundo de 3,2 milhões de euros para continuar a estudar os cerca de 400 petróglifos encontrados.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Outubro, 2018

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1050: Cientistas explicam por que se extinguiram as civilizações antigas

(CC0/PD) Wolk9 / Pixabay
Estátuas Moai, na ilha de Páscoa, no Chile

Cientistas da Universidade Wyoming, nos Estados Unidos, revelaram que o desaparecimento das civilizações antigas que existiram nos últimos 10 mil anos foi provocado pela globalização – o mistério pode estar (finalmente) desvendado.

De acordo com o novo estudo, publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estas populações antigas desapareceram devido a processos de globalização, isto é, a ruína de uma civilização causava o colapso de uma outra, num processo em cadeia.

Para a investigação, os especialistas estudaram documentos históricos dos últimos 130 anos, bem como os resultados de testes de radio-carbono de vários fósseis com idades até 10 mil anos, encontrados em diferentes partes do nosso planeta.

Com base nos resultados, os cientistas conseguiram estimar o consumo de energia das várias sociedades humanas antigas, bem como o seu grau de sincronização.

Segundo o estudo, o consumo energético destas sociedades era praticamente igual. Ou seja, o processo de globalização entre os povos pode ter contribuído para o colapso simultâneo de várias civilizações devido à vulnerabilidade face às alterações ambientais causadas pelo desenvolvimento socioeconómico.

“Quanto mais estreitamente conectados e interdependentes nos tornarmos, mais vulneráveis ficamos perante uma grande crise social ou ecológica noutro país, que se estende ao nosso”, disse o investigador Erick Robinson, citado pelo EurekAlert.

“Quanto mais sincronizados estamos, mais facilmente colocamos os nossos ovos numa mesma cesta e menos nos adaptamos a mudanças imprevistas“, sustentou.

Jacopo Baggio, outro cientista que participou na investigação, apontou que a ascensão e queda das sociedades parece ser uma parte inerente de uma civilização e, por isso, estes são factores que devem ser tidos em conta hoje em dia nas sociedades modernas.

“A nossa informação é de há pelo menos 400 anos, quando se deu uma grande mudança das economias orgânicas para as economias de combustível fóssil, mas as tendências de sincronização mantêm-se até aos dias de hoje, ainda mais tendo em conta as interdependências das nossas sociedades”, sustentou.

“A crise financeira de 2007 e 2008 é um bom exemplo”, rematou Robinson.

Por ZAP
21 Setembro, 2018

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1027: A mítica civilização maia já domesticava e vendia grandes felinos

CIÊNCIA

(dr) N. Sugiyama
Crânio de um puma que foi sepultado com uma jovem da civilização maia

Uma sepultura encontrada na antiga cidade maia de Copán, nas Honduras, tinha no seu interior os restos mortais de uma jovem com as pernas cruzadas. Curiosamente, a jovem não estava “sozinha” – ao seu lado foram encontrados ossos de dois veados e de um crocodilo.

No entanto, as surpresas não se ficam por aqui: de acordo com os investigadores, foi também encontrado um esqueleto completo de um puma na sepultura, aparentemente abatido como parte do ritual fúnebre.

Segundo a investigação, publicada esta quinta-feira na PLOS, os cientistas acreditam que o felino pode ter sido domesticado pela civilização antiga, explicando que o puma fazia parte de um vasto esquema de domesticação de grandes felinos.

O mesmo documento nota que todos os restos mortais encontrados estavam na sepultura desde de o ano 435 d.C – inicio da história maia.

“Os ossos de jaguares e pumas encontrados na zona maia de Cópan evidenciam a existência quer de cativeiro que de grandes redes de comércio” durante a civilização maia, disse em comunicado Nawa Sugiyama, arqueóloga da Universidade George Manson, nos Estados Unidos, e principal autora do estudo.

As novas descobertas vão ao encontro de pesquisa anteriores, que já davam conta que as culturas Mesoamericanas mantinham animais selvagens em cativeiro para uso posterior em rituais. Além disso, ficou também confirmado que as redes de comércio de animais na Mesoamérica antiga eram bem mais extensas do que se pensava até então.

Sepultamentos com animais exóticos

Não é incomum para os arqueólogos encontrar restos de grandes felinos e outros animais em cidades mesoamericanas. Perto de um altar em Copán, onde se faziam os sacrifícios com animais, os cientistas encontraram vestígios de grandes felinos tão compactados que acabaram por os chamar de “cozido de onça”, revela o artigo.

No entanto, estes animais revelaram detalhes além dos próprios rituais. Apesar de já ser conhecido que as populações de Copán tinham conseguido domesticar cães e perus, as novas análises realizadas aos ossos dos felinos e outros animais, revelaram que estes animais eram mantidos e criados em cativeiro.

A investigação revelou que pelo menos alguns dos animais não viviam na natureza, ou seja, não foram caçados, mas antes mantidos e alimentados como animais domésticos – o que significa que os primeiros mesoamericanos tiveram e comercializaram grandes felinos e outros animais muito antes do que os arqueólogos imaginavam.

Além de pumas e jaguares, veados e pássaros eram também comercializados na época em Copán, evidenciando que houve grande comércio de animais na América do Sul há mais de mil anos. Milhares de anos depois, a mítica civilização maia continua a revelar (alguns) dos seus mistérios.

Por ZAP
17 Setembro, 2018

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958: Descoberta máscara que pode representar o amado rei maia Pakal, o Grande

CIÊNCIA

(dr) INAH
Arqueólogos pensam ter encontrado máscara que representa Pakal, o Grande

Arqueólogos no México desenterraram um máscara de gesso em tamanho real no Palácio de Palenque, em Chiapas, que pode representar um dos mais importantes e amados reis da Mesoamérica: K’inich Janaab’ Pakal.

De acordo com o Science Alert, também conhecido como “Pakal, o Grande”, o seu reinado foi o mais longo da história das Américas, tendo chegado ao trono com apenas 12 anos em 615 A.C. e governou até morrer 68 anos depois, aos 80 anos de idade.

A máscara foi descoberta num edifício chamado Casa E, onde se pensa que Pakal tenha sido empossado como rei, anunciou no início deste mês o Instituto Nacional de Antropologia e História do México (INAH).

“Não é a representação de um deus. Depois de analisarmos várias imagens, é possível que seja Pakal, o Grande. Temos bastantes certezas disso neste momento”, afirma o arqueólogo Arnoldo González, citado pelo mesmo site.

A máscara estava juntamente com o que o instituto apelidou de uma “vasta oferenda”, já que no local se encontravam também fragmentos de alabastro, figuras e fragmentos de cerâmica, pérolas, jadeíta, sílex, madrepérola, obsidiana, cinábrio, pirita polida e ossos de animais.

A oferenda, associada ao fim da construção de um edifício ou secção do mesmo, teria sido de grande valor – os materiais encontrados eram estranhos a Palenque. Além disso, os vasos de cerâmica datam esta oferenda à fase cerâmica de Murciélagos, há cerca de 700 A.C., o que significa que talvez tenha sido dada no final do reinado de Pakal.

Os investigadores acreditam que a máscara tenha feito parte de alguma decoração arquitectónica, embora não se saiba ao certo onde e como. Curiosamente, parece representar um rosto fortemente alinhado o que, sabendo que Pakal reinou toda a vida, sugere que seja a primeira máscara encontrada que mostra o rei na sua velhice.

O rei Pakal quando era adolescente (à esquerda) e quando era um jovem adulto (à direita)

“É uma descoberta importante porque, ao contrário de outros sítios maias onde as representações são genéricas, em Palenque muitas das características que vemos em murais ou relevos são fiéis representações de personagens específicas”, explica o arqueólogo Benito Venegas Durán.

Os elementos representados na oferenda, segundo os investigadores, indicam um contexto aquático ou ligado à fertilidade. Alguns dos ossos descobertos eram de peixes ou de tartarugas e uma das figuras assemelha-se a um camarão, enquanto que um navio desenhado a esgrafito foi decorado com lírios e peixes.

A descoberta foi feita quando os arqueólogos seguiam o rasto de canais de água, com o objectivo de descobrir como a civilização maia drenava a água do edifício.

Em vez disso, a equipa canalizou a água até à Casa E, onde também encontraram restos de uma lagoa, com bancos ao lado, o que, relacionando com os temas da oferenda, “dá-nos a visão de uma possível relação com desportos aquáticos“, nota González.

“Palenque continua a deslumbrar-nos com tudo o que tem para oferecer no contexto arqueológico, antropológico e histórico”, considera Diego Prieto Hernández, director-geral do INAH.

ZAP //

Por ZAP
3 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 3 erros ortográficos ao texto original)

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