999: PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM

Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI

Segundo uma nova investigação da Universidade da Florida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objectos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Florida Central e do Instituto Espacial da Florida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação – de 1802 – que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

“A definição da UAI diria que o objecto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas,” comenta Metzger. “E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar.”

“Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil,” realça.

“É uma definição desleixada,” diz Metzger sobre a definição da UAI. “Não dizem o que querem dizer com ‘limpar a órbita’. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita.”

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteróides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um factor que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, co-autor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteróides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

“Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa,” diz Runyon. “Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão.”

Definindo “Planeta”

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

“A dinâmica não é constante, está sempre a mudar,” realça Metzger. “Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era actual.”

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

“E isso não é apenas uma definição arbitrária,” observa. “Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia activa no corpo.”

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

“É mais dinâmico e vivo que Marte,” diz Metzger. “O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra.”

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

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936: Sonda New Horizons tira primeiro retrato na fronteira do sistema solar

A imagem, tirada à maior distância de sempre do Sol, mostra Ultima Thule, o misterioso objecto que a sonda da NASA visita a 1 de Janeiro de 2019. Será o primeiro rendez-vous de sempre naquela região dos sistema solar

A primeira foto “de perto” de Ultima Thule
© NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons, da NASA, que já se encontra muito para lá de Plutão, depois da bombástica visita que ali fez em 2015, acaba de obter a primeira imagem do seu próximo alvo: o Ultima Thule, um misterioso objecto no coração da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar, com o qual a nave tem o seu próximo encontro marcado, a 1 de Janeiro de 2019.

A quatro meses desse pioneiro rendez-vous – será o primeiro de sempre para uma sonda terrestre naquela região externa, e gelada, do sistema solar – a equipa da missão apontou a câmara telescópica da nave ao alvo e conseguiu obter essa primeira imagem, que passa deter o recorde da foto tirada à maior distância de sempre do Sol.

Fotografado à distância de 160 milhões de quilómetros de distância – aquela a que a sonda ainda se encontra do seu objectivo -, Ultima Thule não passa ainda de um pequeno ponto num mar de estrelas brilhantes em fundo. Mas para os cientistas da New Horizons é um marco.

“Num campo de visão recheado de estrelas brilhantes, o que torna muito difícil encontrar objectos esbatidos, foi como encontrar agulha em palheiro”, explica, satisfeito, Hal Weaver, o investigador principal do instrumento que obteve estas primeiras imagens, onde Ultima Thule surge como um pequeno ponto sombreado.
À medida que a nave se for aproximando, no entanto, esse ponto “vai tornar-se cada vez mais brilhante e fácil de observar”, sublinha o investigador.

Ultima Thule, localizado a mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Plutão, é um dos milhares de corpos que orbitam o interior da cintura de Kuyper, e será o primeiro de sempre a receber a atenção de uma nave terrestre.

A New Horizons vai sobrevoá-lo daqui a quatro meses e recolher dados sobre ele, tal como fez com Plutão em Julho de 2015, revelando novos e surpreendentes detalhes sobre o planeta-anão.

Com o Ultima Thule será mais ainda a exploração de uma “Terra Incógnita”, e o seu seu nome acaba por reflectir bem a aura de mistério que envolve estes objectos na cintura de Kuyper. A expressão era usada na Idade Média para designar tudo o que estava para lá do mundo conhecido, e acaba por assentar na perfeição a este objecto, sobre o qual os astrónomos desconhecem quase tudo – por enquanto. Se tudo correr bem, isso está prestes a mudar.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Agosto 2018 — 16:58

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

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639: A New Horizons está a chegar ao objecto mais distante que já visitámos

JHUAPL / NASA
A New Horizons a meio caminho entre Úrano e Neptuno

A sonda New Horizons, da NASA, começou a preparar-se para um sobrevoo histórico: a 31 de Dezembro, irá estudar e fotografar o misterioso Ultima Thule – o objecto mais distante que alguma vez tentámos visitar.

Depois de 9 anos de viagem, a New Horizons passou por Plutão em Julho de 2015 e entrou em modo de hibernação a 21 de Dezembro do ano passado, para preservar recursos. A semana passada, a sonda foi acordada pela equipa de operações da missão, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (EUA), conforme o programado.

Agora, a New Horizons está a aproximar-se de Ultima Thule, a uma velocidade de mais de 1,2 milhões de quilómetros por dia. Quando ultrapassar este misterioso objecto, por volta do Ano Novo, a New Horizons deverá ter-nos fornecido informações vitais sobre como o nosso sistema solar se formou.

A sonda está a mais de 6 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, viajando através da faixa gelada de detritos do sistema solar – a Cintura de Kuiper.

“A nossa equipa já está envolvida no planeamento e nas simulações do nosso próximo voo em Ultima Thule, e está muito empolgada com o facto de a New Horizons estar de novo activa”, explicou o líder da missão, Alan Stern, investigador do Southwest Research Institute em Boulder, nos EUA, em comunicado.

Nos próximos dois meses, a equipa irá testar os comandos da sonda, actualizar a sua memória, recuperar dados científicos sobre a Cintura de Kuiper e completar uma série de verificações de sistemas.

Após essas etapas iniciais, as operações de sobrevoo e observações distantes de Ultima Thule devem iniciar-se no final de Agosto.

Ultima Thule

Oficialmente chamado 2014 MU69, Ultima Thule é um objecto transneptuniano localizado na Cintura de Kuiper. O seu nome, segundo Stern, vem de uma frase nórdica que significa “além das fronteiras mais distantes”.

De fato, se a missão for bem-sucedida, será um recorde: Ultima Thule tornar-se-á o objecto mais longínquo alguma vez visitado pela humanidade, embora a New Horizons não seja a sonda espacial a viajar até mais longe. O título é detido pelas sondas Voyager 1 e 2.

Os cientistas não têm a certeza das dimensões exactas de Ultima Thule. No entanto, a NASA afirmou que parece ser uma rocha em forma de amendoim, e os cientistas suspeitam que tenha até 32 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

A New Horizons poderá vir a manter o seu recorde durante décadas, já que nenhuma outra investigação está preparada para fazer uma jornada tão impressionante.

A sonda levou cerca de nove anos, a mais de 56.000 km/h, a chegar Plutão e à Cintura de Kuiper, uma região colossal para lá Neptuno com restos congelados e dispersos da formação do sistema solar. A zona também pode abrigar um planeta do tipo super-terra ainda não descoberto.

“A Cintura de Kuiper é realmente o equivalente a uma escavação arqueológica da história do nosso sistema solar”, disse Stern à rádio WBUR. “Como é muito distante e a luz do sol é muito fraca lá fora, as temperaturas são muito baixas – quase zero absoluto. Isso permite a preservação de vestígios de material, intocado até hoje”.

Mal podemos esperar pelas revelações que a New Horizons nos vai trazer.

ZAP // HypeScience / Space.com / Business Insider

Por HS
12 Junho, 2018

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458: CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE

Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características. Crédito: União Astronómica Internacional

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter – o presidente do grupo e contacto da UAI – Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online “Our Pluto” em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha “Our Pluto”. Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: “Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional.”

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia “Xenogenesis” descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o director de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico “2001: A Space Odyssey” conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia – tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1870) e “A Ilha Misteriosa” (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata – amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Astronomia On-line
13 de Abril de 2018

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