1662: Cicatrizes de Plutão revelam que objectos no Cinturão de Kuiper são “relíquias primordiais” do Sistema Solar primitivo

Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory / Southwest Research Institute / NASA

Plutão pode ter descido para o estatuto de planeta anão, mas os seus mistérios são ainda muito grandes. Investigadores estiveram a tentar desvendar os segredos do Cinturão de Kuiper.

Quando a sonda de reconhecimento da New Horizons da NASA passou por Plutão e pela sua lua Charon em 2015, as imagens resultantes revelaram um mundo inédito de picos gelados, planos glaciais e vulcões congelados não vistos em nenhum outro lugar do sistema solar.

Agora, os investigadores estão a olhar novamente para as imagens à procura de pistas sobre uma das regiões mais enigmáticas do sistema solar: o vasto anel de destroços de gelo conhecido como Cinturão de Kuiper.

Num novo estudo publicado na revista Science, um grupo de cientistas planetários liderados pelo Southwest Research Institute, no Colorado, EUA, debruçou-se nos mapas da New Horizons para contar as cicatrizes deixadas por milhares de milhões de colisões com objectos do Cinturão de Kuiper. Estes corpos gelados orbitam o Cinturão de Kuiper na borda do sistema solar – e Plutão é o maior deles.

Ao estudar impactos de crateras, os investigadores encontraram Plutão e Caronte foram mais atingidos por objectos grandes do que pequenos nos últimos quatro mil milhões de anos. Isto sugere que o Cinturão de Kuiper é primariamente povoado por objectos grandes e antigos que datam da formação do sistema solar.

“As crateras dão uma visão para o passado”, disse Kelsi Singer. “Podemos usar o número de crateras para dizer quantos anos uma superfície tem, o que nos ajuda a aprender mais sobre o Cinturão de Kuiper como um todo.”

Geralmente, partes da superfície de um planeta salpicadas de muitas crateras são consideradas relativamente antigas, enquanto regiões sem crateras são consideradas novos desenvolvimentos.

Em Plutão, por exemplo, há uma camada brilhante de gelo de nitrogénio conhecida como Coração, assim chamada pela forma que apresenta. Como não há crateras de impacto nesta região, acredita-se ser relativamente jovem em comparação com o resto da superfície de Plutão.

Em contraste, evidências anteriores sugeriram que algumas regiões ricas em crateras em Plutão têm cerca de quatro mil milhões de anos. Ao estudar de perto o tamanho das crateras nessas regiões, os investigadores conseguem obter uma visão geral dos tipos de objectos que se moviam no Cinturão de Kuiper há milhares de milhões de anos, não muito tempo depois de o sistema solar se formar.

No novo estudo, a equipa examinou quase três mil crateras de impacto das observações de 2015 da New Horizons. Algo se destacava: embora as crateras tivessem uma grande variedade de tamanhos, pouquíssimas crateras provinham de pequenos objectos que mediam entre um e dois quilómetros de diâmetro.

“Foi surpreendente para nós, porque baseamos as nossas expectativas sobre o Cinturão de Kuiper no que sabíamos sobre o cinturão de asteróides [entre Marte e Júpiter]”, disse Singer. “Acontece que há muito menos objectos pequenos no Cinturão de Kuiper do que pensávamos”.

Pequenos objectos celestes são criados por colisões entre objectos maiores. Um pequeno número de pequenos objectos no Cinturão de Kuiper significa que ocorreram menos colisões ao longo do tempo – e isto significa que muitos dos objectos em órbita naquela região são mais propensos a serem relíquias “primordiais” do sistema solar primitivo.

As descobertas encaixam-se em observações recentes do KBO, chamado Ultima Thule, um objeto em formato de boneco de neve, com cerca de 34 quilómetros de diâmetro, orbitando a cerca de um milhar de milhão de quilómetros além da órbita de Plutão.

“Quando a New Horizons chegou ao Ultima Thule em Janeiro, parecia um corpo bastante primordial”, disse Singer. “Talvez haja uma grande cratera de impacto e não parece que foi quebrado e reformado.”

Se o cinturão de Kuiper está realmente cheio de objectos antigos como estes, estudar os mistérios da região poderia lançar luz sobre os primeiros dias do sistema solar. Por seu turno, a New Horizons continuará a mergulhar na fronteira de detritos gelados na borda do sistema solar.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Março, 2019

 

1638: Novas imagens de Ultima Thule

As imagens mais detalhadas de Ultima Thule – obtidas minutos antes da maior aproximação da sonda às 05:33 de dia 1 de Janeiro – têm uma resolução de aproximadamente 33 metros por pixel. A combinação de alta resolução espacial com um ângulo de visão favorável fornecem uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície de Ultima Thule, que se pensa ser o objeto mais primitivo já explorado por uma nave espacial. Esta composição já processada combina nove imagens individuais obtidas com o instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), cada com um tempo de exposição de 0,025 segundos, apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da sonda a Ultima Thule (designação oficial 2014 MU69). A imagem foi captada às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, quando a nave estava a 6628 km de Ultima Thule e a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. O ângulo entre a nave, Ultima Thule e o Sol – conhecida como ângulo de fase – era de 33 graus.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI, NOAO

Era uma meta opcional – pouco antes da maior aproximação, apontar com precisão as câmaras da sonda New Horizons da NASA para tirar as fotos mais nítidas possíveis do objeto da Cintura de Kuiper apelidado de Ultima Thule, o seu alvo de Ano Novo e o objeto mais distante alguma vez explorado.

Agora que a New Horizons enviou essas imagens armazenadas para a Terra, a equipa pode confirmar com entusiasmo que a sua ambiciosa meta foi alcançada.

Estas novas imagens de Ultima Thule – obtidas pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da New Horizons ao objeto (com designação oficial 2014 MU69) às 05:33 (hora portuguesa) de dia 1 de Janeiro de 2019 – têm uma resolução de 33 metros por pixel. A sua combinação da alta resolução espacial e ângulo de visão favorável dá à equipa uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície, bem como a origem e evolução de Ultima Thule, que é considerado o objecto mais primitivo já estudado por uma sonda espacial.

“Na mouche!” exclamou o investigador principal da New Horizons, Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute). “A captura destas imagens exigia que soubéssemos precisamente onde estavam Ultima Thule e a New Horizons – momento a momento – enquanto passavam um pelo outro a mais de 50.000 km/h na fraca luz da Cintura de Kuiper, bem para lá de Plutão. Esta foi uma observação muito mais difícil do que as de 2015 em Plutão.

“Estas observações adicionais eram arriscadas, porque havia uma chance real de termos apenas parte ou até mesmo falharmos em colocar Ultima no campo de visão da câmara,” continuou Stern. “Mas as equipas de ciência, operações e navegação foram impecáveis e o resultado é um tesouro para a nossa equipa científica! Alguns dos detalhes que vemos agora na superfície de Ultima Thule são diferentes de qualquer objecto já explorado.”

A resolução mais alta realça muitas características de superfície que não eram aparentes nas imagens anteriores. Entre elas estão várias regiões de terreno brilhante, enigmáticas e aproximadamente circulares. Além disso, muitos pequenos buracos escuros perto do terminador (a fronteira entre o lado iluminado pelo Sol e o lado não iluminado) estão mais nítidos. “Ainda está a ser debatido se estas características são crateras produzidas por objectos, se são poços de sublimação, poços de colapso ou algo totalmente diferente,” disse John Spencer, cientista do projecto no SwRI.

O cientista do projecto, Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, explicou que as imagens mais recentes devem ter a resolução espacial mais alta de todas as imagens obtidas pela New Horizons – ou que ainda poderá obter – durante toda a missão. Passando a apenas 3500 km, a sonda voou cerca de três vezes mais perto de Ultima Thule do que quando passou por Plutão em Julho de 2015.

Ultima é um objecto mais pequeno do que Plutão, mas o “flyby” foi feito com a mais alta precisão de navegação já alcançada por uma sonda espacial. Esta precisão sem precedentes foi alcançada graças às campanhas de ocultação terrestre de 2017 e 2018 realizadas na Argentina, Senegal, África do Sul e Colômbia, bem como pela missão Gaia da ESA, que forneceu os locais das estrelas usadas durante as campanhas de ocultação.

A New Horizons continua a operar sem falhas. Está a quase 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra; a essa distância, os sinais de rádio, viajando à velocidade da luz, alcançam as grandes antenas da DSN (Deep Space Network) da NASA seis horas e nove minutos depois da New Horizons os transmitir.

Astronomia On-line
26 de Fevereiro de 2019

 

1582: Afinal, o Ultima Thule é um objecto plano “parecido com uma panqueca gigante”

Os investigadores estão surpreendido com as características recentemente descobertas do objeto espacial 2014 MU69, também conhecido como Ultima Thule.

Depois de observarem as novas imagens de 2014 MU69, localizado no cinturão de Kuiper, cientistas do Laboratório Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, chegaram à conclusão que os seus “lóbulos” são planos, conforme afirmaram na última sexta-feira no seu site.

“O lóbulo maior, apelidado de Ultima, parece mais uma panqueca gigante e o lóbulo menor, apelidado de Thule’ tem uma forma de noz amassada”, detalha a nova publicação, que acrescenta ainda mais mistério em torno deste antigo objeto espacial, uma vez que outros objectos similares – cometas, por exemplo – são geralmente redondos.

“Seria mais exacto dizer que a sua forma é mais plana, como uma panqueca”, ressalta Alan Stern, líder da missão da sonda New Horizons, que estuda o 2014 MU69. Ultima Thule gira em torno do Sol como se fosse “uma ampulheta gigante”.

Essa é a descrição mais recente que a NASA, a agência espacial norte-americana, fez do Ultima Thule após receber as novas fotografias tiradas pela sonda, que sobrevoou o asteróide a uma velocidade de 50 mil quilómetros por hora no dia 1 de Janeiro.

Alan Stern afirma que “esta é uma sequência de imagens realmente incrível tirada por uma sonda a explorar um mundo pequeno a quatro mil milhões de milhas da Terra. Nada assim alguma vez foi captado em imagens”.

NASA

Até agora, os cientistas diziam que Ultima Thule, com 33 quilómetros de altura, era semelhante a um boneco de neve por acharem que era composto por duas rochas esféricas fundidas uma na outra. É um fenómeno chamado “contacto binário” e acontece quando “dois objectos completamente separados se juntam” a uma velocidade extremamente baixa.

Segundo o cientistas, as novas imagens estão a criar enigmas científicos sobre como um objeto desta natureza pode ter sido formado, observando que “nunca vimos algo assim a orbitar o Sol”.

Os cientistas, que acreditam que o MU69 é um objeto congelado desde a origem do Sistema Solar há cerca de 4 mil milhões de anos, estão convencidos que, à medida que a New Horizons forneça novas imagens, continuarão a descobrir coisas estranhas nunca vistas antes.

ZAP //

Por ZAP
12 Fevereiro, 2019

 

1534: Melhor imagem, até agora, de Ultima Thule

O objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, informalmente conhecido como Ultima Thule, visto pela sonda New Horizons da NASA.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

As maravilhas – e mistérios – do objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, continuam a multiplicar-se à medida que a sonda New Horizons da NASA transmite novas imagens do seu alvo do “flyby” que teve lugar no dia de Ano Novo de 2019.

Esta imagem, obtida durante o voo histórico de 1 de Janeiro, pelo objeto informalmente conhecido como Ultima Thule, é a visão mais clara até agora deste notável e antigo objeto nos confins do Sistema Solar – o primeiro “KBO” (Kuiper Belt Object, inglês para objeto da Cintura de Kuiper) pequeno já explorado por uma nave espacial.

Obtida com o componente MVIC (Multicolor Visible Imaging Camera) do instrumento Ralph da New Horizons, a imagem foi captada quando o KBO estava a 6700 km, às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro – apenas sete minutos antes da maior aproximação. Com uma resolução original de 135 metros por pixel, a imagem foi armazenada na memória da sonda e transmitida para a Terra nos dias 18 e 19 de Janeiro. Os cientistas seguidamente melhoraram a imagem para realçar detalhes (este processo – com o nome deconvolução – também amplifica a granulação da imagem quando vista em alto contraste).

A iluminação oblíqua da imagem revela novos detalhes topográficos ao longo da linha que separa a noite do dia, chamada terminador, perto do topo. Estes detalhes incluem várias cavidades com até 0,7 km de diâmetro. A grande característica circular, com 7 km de diâmetro, no lóbulo mais pequeno, também parece ser uma depressão profunda. Não está claro se esses poços são crateras de impacto ou características resultantes de outros processos, como “poços de colapso” ou ventilações antigas de materiais voláteis.

Ambos os lóbulos mostram muitos padrões interessantes de luz e escuridão de origem desconhecida, que podem revelar pistas sobre como este corpo foi produzido durante a formação do Sistema Solar há 4,5 mil milhões de anos. Um dos mais notáveis é o “colarinho” brilhante que separa os dois lóbulos.

“Esta nova imagem está a começar a revelar diferenças no carácter geológico dos dois lóbulos de Ultima Thule, e também nos fornece novos mistérios,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “No próximo mês teremos imagens com melhores cores e em mais alta resolução que, esperamos, ajudem a desvendar os muitos mistérios de Ultima Thule.”

A New Horizons está aproximadamente a 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e a afastar-se do Sol (e de Ultima Thule) a mais de 50.700 quilómetros por hora. A essa distância, o seu sinal de rádio demora seis horas e nove minutos a chegar à Terra.

Astronomia On-line
29 de Janeiro de 2019

 

1453: New Horizons explora Ultima Thule

Esta imagem obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) é a mais detalhada de Ultima Thule já transmitida até à data pela New Horizons. Foi obtida às 05:01 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, apenas 30 minutos antes da maior aproximação, a 28.000 km, com uma escala original de 140 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons da NASA passou por Ultima Thule nas primeiras horas do dia de Ano Novo, inaugurando a era da exploração da enigmática Cintura de Kuiper, uma região de objectos primordiais que detém a chave para entender as origens do Sistema Solar.

Os sinais que confirmaram que a nave está de boa saúde e tinha ocupado o seu armazenamento digital com dados científicos de Ultima Thule chegaram ao centro de operações da missão no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, às 15:29 de dia 1 (hora portuguesa), quase 10 horas depois da maior aproximação da New Horizons pelo objecto.

“A New Horizons teve um desempenho como planeado, levando a cabo a exploração mais longínqua de um objecto na história da Humanidade- a 6,4 mil milhões de quilómetros do Sol,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. “Os dados que temos parecem fantásticos e já estamos a aprender mais sobre Ultima Thule de perto. A partir daqui os dados vão ficar cada vez melhores!”

Os cientistas da missão New Horizons da NASA divulgaram as primeiras imagens detalhadas do objecto mais distante já explorado. A sua aparência notável, diferente de tudo o que já vimos antes, ilumina os processos que construíram os planetas há 4,5 mil milhões de anos.

“Este ‘flyby’ é uma conquista histórica,” disse Stern. “Nunca antes tinha uma nave espacial estudado um corpo tão pequeno, a uma velocidade tão elevada, tão longe nos confins do Sistema Solar. A New Horizons estabeleceu um novo marco para a navegação espacial de última geração.”

As novas imagens – obtidas a uma distância de 27.000 km – revelaram Ultima Thule como um “binário de contacto”, consistindo de duas esferas ligadas. De ponta a ponta, mede 31 km. A equipa apelidou a esfera maior de “Ultima” (19 km de comprimento) e a mais pequena de “Thule” (14 km de comprimento).

A equipa diz que as duas esferas provavelmente uniram-se logo no início da formação do Sistema Solar, colidindo a uma velocidade não superior à de um pequeno acidente entre dois automóveis.

Os dados recebidos já resolveram um dos mistérios de Ultima Thule, mostrando que o objecto da Cintura de Kuiper gira como uma hélice, com o eixo apontando aproximadamente na direcção da New Horizons. Isso explica porque, em imagens obtidas anteriormente, o seu brilho não parecia variar à medida que girava. A equipa ainda não determinou o período de rotação.

Além disso, dos dados mais recentes recebidos ficámos a saber:

  • Não existem evidências de anéis ou satélites com mais de 1,6 km em órbita de Ultima Thule;
  • Não existem evidências de uma atmosfera;
  • A cor de Ultima Thule coincide com a cor de mundos parecidos na Cintura de Kuiper, como determinado por medições telescópicas;
  • Os dois lóbulos de Ultima Thule – o primeiro binário de contacto visitado na Cintura de Kuiper – são quase idênticos em termos de cor. Isto coincide com o que sabemos sobre sistemas binários que ainda não entraram em contacto um com o outro, mas que orbitam, ao invés, um ponto gravitacional comum.

“A New Horizons é como uma máquina do tempo, levando-nos de volta ao nascimento do Sistema Solar. Estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo,” comenta Jeff Moore, líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons. “O estudo de Ultima Thule está a ajudar-nos a entender como os planetas se formam – tanto aqueles no nosso Sistema Solar como aqueles em órbita de outras estrelas da Via Láctea.”

A sonda New Horizons continuará a transmitir imagens e outros dados nos próximos dias e meses, completando o envio de todos os dados científicos em 20 meses, com imagens de muito maior resolução ainda por vir. Em 2015, a sonda começou a sua exploração da Cintura de Kuiper com uma passagem por Plutão e pelas suas luas. Quase 13 anos após o lançamento, a sonda vai continuar a explorar a Cintura de Kuiper até pelo menos 2021. Os membros da equipa planeiam propor a exploração de ainda outro objecto da Cintura de Kuiper além de Ultima Thule.

Astronomia On-line
4 de Janeiro de 2019

 

998: PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM

Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI

Segundo uma nova investigação da Universidade da Florida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objectos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Florida Central e do Instituto Espacial da Florida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação – de 1802 – que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

“A definição da UAI diria que o objecto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas,” comenta Metzger. “E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar.”

“Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil,” realça.

“É uma definição desleixada,” diz Metzger sobre a definição da UAI. “Não dizem o que querem dizer com ‘limpar a órbita’. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita.”

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteróides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um factor que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, co-autor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteróides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

“Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa,” diz Runyon. “Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão.”

Definindo “Planeta”

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

“A dinâmica não é constante, está sempre a mudar,” realça Metzger. “Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era actual.”

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

“E isso não é apenas uma definição arbitrária,” observa. “Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia activa no corpo.”

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

“É mais dinâmico e vivo que Marte,” diz Metzger. “O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra.”

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

935: Sonda New Horizons tira primeiro retrato na fronteira do sistema solar

A imagem, tirada à maior distância de sempre do Sol, mostra Ultima Thule, o misterioso objecto que a sonda da NASA visita a 1 de Janeiro de 2019. Será o primeiro rendez-vous de sempre naquela região dos sistema solar

A primeira foto “de perto” de Ultima Thule
© NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons, da NASA, que já se encontra muito para lá de Plutão, depois da bombástica visita que ali fez em 2015, acaba de obter a primeira imagem do seu próximo alvo: o Ultima Thule, um misterioso objecto no coração da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar, com o qual a nave tem o seu próximo encontro marcado, a 1 de Janeiro de 2019.

A quatro meses desse pioneiro rendez-vous – será o primeiro de sempre para uma sonda terrestre naquela região externa, e gelada, do sistema solar – a equipa da missão apontou a câmara telescópica da nave ao alvo e conseguiu obter essa primeira imagem, que passa deter o recorde da foto tirada à maior distância de sempre do Sol.

Fotografado à distância de 160 milhões de quilómetros de distância – aquela a que a sonda ainda se encontra do seu objectivo -, Ultima Thule não passa ainda de um pequeno ponto num mar de estrelas brilhantes em fundo. Mas para os cientistas da New Horizons é um marco.

“Num campo de visão recheado de estrelas brilhantes, o que torna muito difícil encontrar objectos esbatidos, foi como encontrar agulha em palheiro”, explica, satisfeito, Hal Weaver, o investigador principal do instrumento que obteve estas primeiras imagens, onde Ultima Thule surge como um pequeno ponto sombreado.
À medida que a nave se for aproximando, no entanto, esse ponto “vai tornar-se cada vez mais brilhante e fácil de observar”, sublinha o investigador.

Ultima Thule, localizado a mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Plutão, é um dos milhares de corpos que orbitam o interior da cintura de Kuyper, e será o primeiro de sempre a receber a atenção de uma nave terrestre.

A New Horizons vai sobrevoá-lo daqui a quatro meses e recolher dados sobre ele, tal como fez com Plutão em Julho de 2015, revelando novos e surpreendentes detalhes sobre o planeta-anão.

Com o Ultima Thule será mais ainda a exploração de uma “Terra Incógnita”, e o seu seu nome acaba por reflectir bem a aura de mistério que envolve estes objectos na cintura de Kuyper. A expressão era usada na Idade Média para designar tudo o que estava para lá do mundo conhecido, e acaba por assentar na perfeição a este objecto, sobre o qual os astrónomos desconhecem quase tudo – por enquanto. Se tudo correr bem, isso está prestes a mudar.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Agosto 2018 — 16:58

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

See also Blogs Eclypse and Lab Fotográfico

639: A New Horizons está a chegar ao objecto mais distante que já visitámos

JHUAPL / NASA
A New Horizons a meio caminho entre Úrano e Neptuno

A sonda New Horizons, da NASA, começou a preparar-se para um sobrevoo histórico: a 31 de Dezembro, irá estudar e fotografar o misterioso Ultima Thule – o objecto mais distante que alguma vez tentámos visitar.

Depois de 9 anos de viagem, a New Horizons passou por Plutão em Julho de 2015 e entrou em modo de hibernação a 21 de Dezembro do ano passado, para preservar recursos. A semana passada, a sonda foi acordada pela equipa de operações da missão, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (EUA), conforme o programado.

Agora, a New Horizons está a aproximar-se de Ultima Thule, a uma velocidade de mais de 1,2 milhões de quilómetros por dia. Quando ultrapassar este misterioso objecto, por volta do Ano Novo, a New Horizons deverá ter-nos fornecido informações vitais sobre como o nosso sistema solar se formou.

A sonda está a mais de 6 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, viajando através da faixa gelada de detritos do sistema solar – a Cintura de Kuiper.

“A nossa equipa já está envolvida no planeamento e nas simulações do nosso próximo voo em Ultima Thule, e está muito empolgada com o facto de a New Horizons estar de novo activa”, explicou o líder da missão, Alan Stern, investigador do Southwest Research Institute em Boulder, nos EUA, em comunicado.

Nos próximos dois meses, a equipa irá testar os comandos da sonda, actualizar a sua memória, recuperar dados científicos sobre a Cintura de Kuiper e completar uma série de verificações de sistemas.

Após essas etapas iniciais, as operações de sobrevoo e observações distantes de Ultima Thule devem iniciar-se no final de Agosto.

Ultima Thule

Oficialmente chamado 2014 MU69, Ultima Thule é um objecto transneptuniano localizado na Cintura de Kuiper. O seu nome, segundo Stern, vem de uma frase nórdica que significa “além das fronteiras mais distantes”.

De fato, se a missão for bem-sucedida, será um recorde: Ultima Thule tornar-se-á o objecto mais longínquo alguma vez visitado pela humanidade, embora a New Horizons não seja a sonda espacial a viajar até mais longe. O título é detido pelas sondas Voyager 1 e 2.

Os cientistas não têm a certeza das dimensões exactas de Ultima Thule. No entanto, a NASA afirmou que parece ser uma rocha em forma de amendoim, e os cientistas suspeitam que tenha até 32 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

A New Horizons poderá vir a manter o seu recorde durante décadas, já que nenhuma outra investigação está preparada para fazer uma jornada tão impressionante.

A sonda levou cerca de nove anos, a mais de 56.000 km/h, a chegar Plutão e à Cintura de Kuiper, uma região colossal para lá Neptuno com restos congelados e dispersos da formação do sistema solar. A zona também pode abrigar um planeta do tipo super-terra ainda não descoberto.

“A Cintura de Kuiper é realmente o equivalente a uma escavação arqueológica da história do nosso sistema solar”, disse Stern à rádio WBUR. “Como é muito distante e a luz do sol é muito fraca lá fora, as temperaturas são muito baixas – quase zero absoluto. Isso permite a preservação de vestígios de material, intocado até hoje”.

Mal podemos esperar pelas revelações que a New Horizons nos vai trazer.

ZAP // HypeScience / Space.com / Business Insider

Por HS
12 Junho, 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=2281181f_1528805146950]

458: CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE

Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características. Crédito: União Astronómica Internacional

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter – o presidente do grupo e contacto da UAI – Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online “Our Pluto” em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha “Our Pluto”. Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: “Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional.”

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia “Xenogenesis” descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o director de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico “2001: A Space Odyssey” conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia – tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1870) e “A Ilha Misteriosa” (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata – amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Astronomia On-line
13 de Abril de 2018

[SlideDeck2 id=1476]

[powr-hit-counter id=8c13b4c0_1523614507022]