Primeiros resultados científicos do “flyby” da New Horizons por Ultima Thule

Esta composição do binário de contacto 2014 MU69 (com a alcunha Ultima Thule) – capa da edição de 17 de maio da revista Science – foi compilada a partir de dados obtidos pela sonda New Horizons da NASA quando passou pelo objecto no dia 1 de Janeiro de 2019. A imagem combina dados de cor melhorados (perto do que o olho humano veria) com imagens pancromáticas de alta-resolução. Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI/Roman Tkachenko

A equipa da missão New Horizons da NASA publicou o seu perfil do mundo mais distante já explorado, um bloco de construção planetária e objecto da Cintura de Kuiper chamado 2014 MU69.

Analisando apenas os primeiros conjuntos de dados recolhidos durante o “flyby” de Ano Novo de 2019 da New Horizons por MU69 (apelidado de Ultima Thule), a equipa da missão rapidamente descobriu um objecto muito mais complexo do que o esperado. A equipa publicou os seus primeiros resultados científicos e interpretações revistas por pares – apenas quatro meses depois da passagem rasante – na edição de 17 de maio da revista Science.

Os dados iniciais resumidos na revista Science revelam muito sobre o desenvolvimento, a geologia e a composição do objecto. É um binário de contacto com dois lóbulos distintamente diferentes. Com cerca de 36 quilómetros de comprimento, Ultima Thule é composto por um lóbulo maior e estranhamente achatado (chamado “Ultima”) ligado a um lóbulo mais pequeno e mais redondo (chamado “Thule”) num ponto chamado “pescoço”. O modo como os dois lóbulos adquiriram a sua forma invulgar é um mistério imprevisto que provavelmente se relaciona com o modo como se formaram há milhares de milhões de anos.

Os lóbulos provavelmente orbitavam-se um ao outro, como muitos dos chamados mundos binários na Cintura de Kuiper, até que algum processo os reuniu no que os cientistas mostraram ser uma fusão “gentil”. Para que isso aconteça, grande parte do momento orbital do binário deve ter-se dissipado para os objectos se unirem, mas os cientistas ainda não sabem se isso ocorreu devido às forças aerodinâmicas do gás na antiga nebulosa solar, ou se Ultima e Thule expulsaram outros lóbulos, formados juntamente com eles, para dissiparem energia e encolherem a sua órbita. O alinhamento dos eixos de Ultima e Thule indica que, antes da fusão, os dois lóbulos devem ter ficado com bloqueio de marés, o que significa que os mesmos lados estavam sempre virados um para o outro enquanto orbitavam em torno do mesmo ponto.

“Estamos a estudar os remanescentes bem preservados do passado,” disse Alan Stern, investigador principal da New Horizons, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “Não há dúvida de que as descobertas feitas sobre Ultima Thule vão avançar as teorias de formação do Sistema Solar.”

Tal como o artigo na Science divulga, os investigadores da New Horizons também estão a investigar uma série de características da superfície de Ultima Thule, como pontos brilhantes e manchas, colinas e vales, crateras e buracos. A maior depressão é uma característica com 8 km de diâmetro que a equipa apelidou de cratera Maryland – provavelmente formada a partir de um impacto. No entanto, algumas depressões mais pequenas no objecto da Cintura de Kuiper podem ter sido criadas por material caindo em espaço subterrâneo, ou devido a gelos exóticos que passam do estado sólido para o estado gasoso (processo chamado sublimação) e deixando buracos em seu lugar.

Em cor e composição, Ultima Thule assemelha-se com muitos outros objectos encontrados na sua área da Cintura de Kuiper. É muito vermelho – mais vermelho do que Plutão, muito maior, com 2400 km de diâmetro, que a New Horizons explorou na orla interna da Cintura de Kuiper em 2015 – e é, na verdade, o objecto do Sistema Solar mais vermelho já visitado por uma sonda espacial; pensa-se que o seu tom avermelhado seja provocado por modificação dos materiais orgânicos à superfície. Os cientistas da New Horizons encontraram evidências de metanol, água gelada e moléculas orgânicas à superfície de Ultima Thule – uma mistura muito diferente da maioria dos objectos gelados explorados anteriormente pela sonda.

A transmissão de dados do “flyby” continua e continuará até ao final do verão de 2020. Entretanto, a New Horizons continua a realizar novas observações de objetos adicionais da Cintura de Kuiper que passa à distância. Estes KBOs (Kuiper Belt Objects) estão demasiado distantes para revelar descobertas como aquelas em MU69, mas a equipa pode medir aspectos como o brilho do objecto. A New Horizons também continua a mapear o ambiente de radiação de partículas carregadas e da poeira na Cintura de Kuiper.

A sonda New Horizons está agora a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e avançando mais profundamente na Cintura de Kuiper a quase 53.000 quilómetros por hora.

Astronomia On-line
21 de Maio de 2019

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2026: Astrónomo conhece “muito bem” a órbita do misterioso Planeta X

Kevin Gill / Flickr

Um astrónomo afirmou recentemente conhecer a ordem do famoso Planeta X, também conhecido como nono planeta do Sistema Solar, apesar de não existirem observações conhecidas do hipotético astro.

O Planeta X é um mundo teórico que, se existisse, teria cerca de dez vezes a massa da Terra, orbitando a extremidade mais distante do Sistema Solar, no Cinturão de Kuiper. De acordo com o Express, o facto de este planeta invisível ser tão grande poderia explicar por que motivo alguns corpos celestes do Cinturão de Kuiper surgem aglomerados, devido à gravidade de um grande planeta.

A existência de um nono planeta foi sugerida pela primeira vez em 2016 por astrónomos do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos. O professor Michael Brown, que originalmente inventou a teoria do astro em questão, está convicto de que os cientistas não estão muito longe de descobrir finalmente o hipotético planeta.

Michael Brown deu uma entrevista recentemente, na qual revela que está muito optimista em relação à identificação da órbita do misterioso Planeta X. “Se soubéssemos exactamente onde está o Planeta X, não teríamos que deduzir, iríamos apenas olhar para o astro e dizer: ‘Olha, lá está ele’”.

“Não sabemos exactamente onde se encontra, porque tudo o que sabemos é o seu efeito gravitacional prolongado sobre outros corpos. Conhecemos muito bem sua órbita por causa de todas as simulações computacionais, que mostram que, se não fosse suficientemente maciço, não afectaria o Sistema Solar exterior”, explica o investigador.

“Por isso, podemos deduzir todos estes detalhes a partir das simulações computacionais detalhadas que temos feito nos últimos tempos”, remata Brown.

Segundo o astrónomo, o Planeta X segue uma órbita elíptica muito além das franjas do Cinturão de Kuiper – cuja maior aproximação do Sistema Solar mede sete vezes a distância do Sol a Neptuno. Graças a essas distâncias gigantescas, a gravidade do nono planeta não tem impacto em nenhum outro, muito menos na Terra.

O Cinturão de Kuiper é uma área do Espaço densamente povoada por asteróides rochosos e outros corpos gelados conhecidos como Objectos do Cinturão de Kuiper (KBOs). Estimativas da NASA indicam que, se este misterioso planeta realmente existir, levaria entre 10 mil e 20 mil anos para orbitar o Sol.

“A existência deste mundo distante é, por enquanto, apenas teórica, não tendo sido feita nenhuma observação directa do objecto apelidado de ‘nono planeta’”, afirmou a agência espacial norte-americana.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
22 Maio, 2019


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2021: O Ultima Thule é uma cápsula do tempo

News Horizonts / NASA

Os dados recolhidos pela missão da NASA New Horizons permitiu aos cientistas publicar os resultados iniciais da sua exploração do 2014 MU69 – conhecido como Ultima Thule.

O asteróide é um objecto que está localizado na periferia do Sistema Solar, numa região conhecida como Cinturão de Kuiper e que nunca tinha sido explorada até agora.

Num artigo publicado na revista Science, os cientistas, liderados por Alan Stern, investigador do Southweast Research Institute no Texas, EUA, confirmaram que Ultima Thule é uma relíquia que se manteve inalterada desde o nascimento do Sistema Solar, há 4.500 milhões de de anos. Além disso, publicaram numerosas informações relacionadas com a composição, forma e origem do corpo.

“Esta foi a primeira vez que a humanidade observou um objecto tão pequeno neste lugar tão distante do Sistema Solar”, disse Kelsi Singer, investigador da missão New Horizons, à ABC. “Este objecto é um sobrevivente das origens do Sistema Solar, o que não aconteceu muito desde a formação. Portanto, dá importantes revelações sobre como o Sistema Solar foi formado, que não podemos obter de nenhuma outra forma”.

O interesse fundamental deste corpo é o facto de ser um fóssil que explica o que aconteceu no Sistema Solar há 4.500 milhões de anos, quando os mundos rochosos, como a Terra, se formaram. O Ultima Thule pertence a uma categoria conhecida como o Objecto Frio Clássico do Cinturão de Kuiper, que agrupa os objectos que permaneceram inalterados desde o nascimento do Sistema Solar e que estão até a salvo do aquecimento solar.

O asteróide está localizado dentro de um vasto anel povoado por planetas anões e por um imenso enxame de pequenos corpos, incluindo cometas, cobertos por compostos voláteis congelados. Graças às baixas temperaturas, o MU69 é um fóssil real que esconde importantes pistas sobre as nossas origens.

Ultima Thule é um “binário de contacto”, um corpo com a forma de um boneco de neve, criado quando dois blocos menores colidiam a uma velocidade muito baixa. Mede cerca de 35 quilómetros e estava a uma distância aproximada de 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra quando a sonda New Horizons o visitou.

Os cientistas concluíram que o MU69 foi formado depois de os dois lóbulos, que se originaram próximos uns dos outros, orbitaram um ao redor do outro até se unirem. As análises revelaram que os lóbulos são esmagados e que cada um deles foi formado a partir da adição ou união de numerosas unidades.

Em geral, Ultima Thule é um corpo vermelho-escuro, mas foi detectado que existem superfícies mais claras no pescoço, localizadas entre os lóbulos e em vários lugares dentro de duas crateras. Essa coloração responde à presença de resíduos de gelo e moléculas orgânicas processadas pela luz ultravioleta e pelos raios cósmicos. Entre estes, poderia haver água e metanol.

A superfície do Ultima Thule está relativamente intacta. A falta de crateras levou à conclusão de que a região do cinturão de Kuiper é habitada por menos corpos pequenos, com menos de um quilómetro de comprimento, levando a mudar muitas suposições sobre esta parte do sistema solar. Não foram encontrados vestígios de satélites, anéis ou atmosfera residual.

As conclusões foram obtidas depois de analisar apenas 10% de todos os dados recolhidos pela missão. Segundo Singer, “esta é apenas a ponta do icebergue”. A sonda New Horizons tentará encontrar outro objecto do cinturão de Kuiper para estudar mais tarde, embora não se saiba se haverá possibilidade. Espera-se que os próximos telescópios terrestres gigantes possam observar mais objectos neste lugar.

Em menos de cinco anos, a missão New Horizons revolucionou a nossa compreensão do Sistema Solar, tendo feito revelações impressionantes sobre a geologia e a natureza de Plutão e Caronte.  “Ambas são peças do quebra-cabeça que nos permitirão entender todos os processos que podem ocorrer no sistema solar”, explicou Kelsi Singer. “Seria difícil seleccionar o mais importante. Todos eles são novos e fascinantes”.

ZAP //

Por ZAP
21 Maio, 2019



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1953: A dinâmica do anel de Haumea

Por meio de simulações computacionais, investigadores desvendam detalhes deste objecto do Sistema Solar localizado para lá da órbita de Plutão, na Cintura de Kuiper.
Crédito: NASA

Observado pela primeira vez em 2004, Haumea é um planeta anão localizado para lá da órbita de Plutão, numa região do Sistema Solar chamada Cintura de Kuiper. Foi por causa da descoberta desse e de outros planetas anões que, em 2006, Plutão foi oficialmente desclassificado como planeta.

Haumea foi reconhecido oficialmente como planeta anão em 2008. Tem um formato alongado que lembra uma bola de futebol americano, além de duas luas e um anel.

Por ter um anel, Haumea integra o grupo de objectos do Sistema Solar composto por Saturno, Úrano, Neptuno e Júpiter, além dos asteróides Chariklo e Chiron, que desenham órbitas entre Júpiter e Neptuno.

O anel de Haumea nunca foi observado directamente. A sua existência foi inferida por um grupo internacional de astrónomos em 2017, a partir da análise do brilho de uma estrela que passou atrás do planeta anão.

“A descoberta foi feita por ocultação. O brilho da estrela foi observado da Terra e diminuiu quando Haumea passou na frente. Isso permitiu obter informações sobre o formato do planeta anão”, disse Othon Cabo Winter, professor titular na Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá.

“Mas o brilho da estrela também diminuiu quando o anel passou em sua frente, permitindo, assim, que os pesquisadores obtivessem informações sobre o anel”, disse.

O trabalho faz parte do Projecto Temático “A relevância dos pequenos corpos em dinâmica orbital”, financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e contou com apoio também da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os investigadores que descobriram o anel em 2017 chegaram a sugerir que ele ocuparia em torno de Haumea uma órbita muito próxima à chamada região de ressonância 1 para 3 (1:3) – a cada três rotações completas que o planeta anão dá em torno do próprio eixo, as partículas que formam o anel completam uma órbita em seu redor.

Um novo estudo feito por Winter, Taís Ribeiro e Gabriel Borderes Motta, do Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostrou ser necessária uma certa excentricidade (medida que representa o afastamento de uma órbita da forma circular) para que a tal ressonância actuasse sobre as partículas do anel.

Segundo Winter, o facto de o anel ser estreito e praticamente circular inviabiliza a actuação dessa ressonância. Em contrapartida, o grupo identificou um tipo peculiar de órbitas periódicas (que se repetem de maneira idêntica) estáveis e quase circulares, na mesma região onde se localiza o anel de Haumea.

“Nosso estudo não é observacional. Não observamos directamente os anéis. Ninguém jamais o fez”, disse Winter. Isso porque os anéis são muito ténues e estão por demais distantes para poderem ser observados pelos observatórios astronómicos da Terra. A distância média de Haumea em relação ao Sol é 43 vezes maior do que a distância da Terra ao Sol.

“Nosso estudo é inteiramente computacional. Foi a partir de simulações com os dados obtidos que chegamos à conclusão de que o anel não se encontra naquela região do espaço devido à ressonância 1:3, mas sim devido a uma família de órbitas periódicas estáveis”, disse Winter.

Num artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os cientistas da Unesp exploraram a dinâmica de partículas individuais na região em que o anel está localizado.

“O objectivo principal do trabalho foi identificar a estrutura da região do anel de Haumea em termos de localização e tamanho das regiões estáveis e também a razão de sua existência. De particular interesse foi tentar entender a estrutura dinâmica associada à ressonância 1:3”, disse Winter.

Regiões estáveis

Os pesquisadores usaram o método de Superfície de Secção de Poincaré para explorar a dinâmica na região em que se localiza o anel. Com a simulação da evolução das trajectórias das partículas na região, foram gerados em computador gráficos (secções) que mostram visualmente as regiões de estabilidade representadas por ilhas (curvas fechadas), enquanto as regiões instáveis aparecem como uma distribuição de pontos dispostos irregularmente.

As ilhas de estabilidade que foram identificadas em consequência da ressonância 1:3 têm trajectórias muito excêntricas, mais do que seria compatível com o anel (estreito e circular).

“Por outro lado, identificamos ilhas de estabilidade na mesma região, mas com trajectórias de baixa excentricidade, compatíveis com o anel. Essas ilhas foram identificadas por causa de uma família de órbitas periódicas”, disse Winter.

Haumea tem um diâmetro de 1456 quilómetros, menos da metade de Marte, e possui um formato oval, sendo duas vezes mais longo do que largo. Leva 284 anos para completar uma volta em torno do Sol. O planeta anão fica tão distante, e a radiação solar que lá chega é tão rarefeita, que a temperatura à superfície é de 223°C negativos.

Por ter sido detetado pelas lentes dos observatórios gigantes instalados no cume do vulcão extinto Mauna Kea, no Hawaii, os seus descobridores baptizaram-no com o nome da deusa da fertilidade da mitologia havaiana. O planeta anão possui duas luas: Namaka e Hi’iaka, as filhas da deusa Haumea. Acredita-se que essas luas se formaram como resultado de uma colisão entre Haumea e algum outro corpo.

Haumea completa uma rotação a cada quatro horas, o que o torna um dos objectos grandes com rotação mais rápida no Sistema Solar. Tal aspecto pode estar relacionado a um passado violento.

Estima-se que, na origem do Sistema Solar, Haumea era muito parecido com Plutão, metade rocha e metade água. Há milhares de milhões de anos atrás, um grande objecto pode ter colidido com Haumea, expulsando a maior parte do gelo de sua superfície e fazendo com que girasse muito depressa em comparação com outros planetas anões.

Astronomia On-line
10 de Maio de 2019

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1756: A enigmática geologia do Ultima Thule está a fascinar os cientistas

News Horizonts / NASA

O asteróide Ultima Thule não tem paralelo. Uma análise a novos dados enviados pela New Horizons da NASA, que baptizou o objeto que se localiza para lá de Neptuno no Cinturão de Kuiper, está a fascinar a comunidade científica.  

Este estranho e misterioso corpo celeste é o primeiro sistema binário de contacto primordial já explorado. As imagens de aproximação ao Ultima Thule sugeriram uma forma estranha, semelhante a um boneco de neve, para este sistema composto por dois corpos celestes. Contudo, uma análise mais aprofundada destas imagens, captadas a 3.500 quilómetros, revelaram novos dados sobre a forma incomum deste objeto.

Com 35 quilómetros de extensão, o Ultima Thule consiste num grande e plano lóbulo (apelidado de “Ultima”) conectado com um menor e mais redondo (apelidado de “Thule”). A equipa de cientistas apresentou as novas conclusões na 50th Lunar and Planetary Science Conference, que decorreu em The Woodlands, no estado norte-americano do Texas.

Até então, esta estranha forma é a maior surpresa das imagens recolhidas durante o sobrevoo. “Nunca vimos nada assim em lado nenhum do Sistema Solar”, disse o líder da New Horizons, Alan Stern, do Southwest Research Institute, citado em comunicado.

“[Isto] envia a comunidade científica planetária à mesa [das descobertas] para perceber como são formados os planeplanetesimais, os componentes básicos dos planetas.”

Tendo em conta que se encontra em óptimas condições de preservação, o Ultima Thule oferece uma visão mais clara sobre a era de acreção planetesimal e sobre os primeiros estágios da formação planetária. Ao que parece, os dois lóbulos do corpo rochoso orbitavam-se mutuamente – tal como muitos dos chamados “mundos binários” que orbitam o Cinturão de Kuiper – até que algum fenómeno os uniu numa fusão “suave”.

“[Esta explicação] está em linha com as ideias gerais sobre o início do nosso Sistema Solar”, explicou William McKinnon, cientista da New Horizons na Universidade de Washington em St. Louis. “Grande parte do impulso orbital do binário Ultima Thule deve ter-se esgotado para unir-se desta forma. Contudo, ainda não sabemos quais fora os processos mais importantes para fazer com que a fusão acontecesse”, sustentou.

Esta fusão pode ter deixado marcas na superfície do corpo celeste. O “pescoço” do Ultima Thule, que conecta o sistema, está remodelado, segundo explicaram os cientistas, podendo indicar um cisalhamento entre os lóbulos. Vários geólogos estão agora a braços com o objeto, tentando descrever e entender as muitas características do Ultima Thule, que vão desde pontos brilhantes e manchas, até colinas e vales, passando ainda por cratera e poços – é todo um mundo novo e fascinante a nível geológico .

A complexa geologia de Ultima Thule

Mais vermelho do que Plutão

Relativamente às suas cores e composição, a nova análise revelou que o corpo se assemelha aos demais vizinhos do Cinturão de Kuiper. Em linha com as observações do pré-voo do telescópio Hubble, o Ultima Thule é muito avermelhado, sendo até mais vermelho do que Plutão.

“É a primeira vez que se explora um deste objectos ‘ultra-vermelhos’, e as nossas observações abrem [caminho para] todo o tipo de novas perguntas”, disse Carly Howett, membro da New Horizons. “A imagem colorida revela inclusivamente diferenças subtis na coloração de toda a superfície e nós queremos realmente saber o porquê”, rematou.

A equipa de cientistas encontrou ainda evidências de metanol, água gelada e moléculas orgânicas na superfície do corpo. A transmissão de dados de Ultima Thule continua e, por isso, podemos esperar novidade sobre o asteróide que está a fascinar cientistas de todos os quadrantes. Contudo, os dados do sobrevoo só chegarão à Terra no verão de 2020. Até lá, a New Horizons vai continuar a acompanhar remotamente outros objectos do cinturão e a mapear o ambiente de radiação de partículas carregadas e poeira no Cinturão de Kuiper.

A nave da NASA, projectada para estudar o anão Plutão e o Cinturão de Kuiper, encontra-se a a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e acelerando mais no região do Cinturão de Kuiper, onde atinge quase os 53.000 quilómetros por hora.

SA, ZAP //

Por SA
24 Março, 2019

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1662: Cicatrizes de Plutão revelam que objectos no Cinturão de Kuiper são “relíquias primordiais” do Sistema Solar primitivo

Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory / Southwest Research Institute / NASA

Plutão pode ter descido para o estatuto de planeta anão, mas os seus mistérios são ainda muito grandes. Investigadores estiveram a tentar desvendar os segredos do Cinturão de Kuiper.

Quando a sonda de reconhecimento da New Horizons da NASA passou por Plutão e pela sua lua Charon em 2015, as imagens resultantes revelaram um mundo inédito de picos gelados, planos glaciais e vulcões congelados não vistos em nenhum outro lugar do sistema solar.

Agora, os investigadores estão a olhar novamente para as imagens à procura de pistas sobre uma das regiões mais enigmáticas do sistema solar: o vasto anel de destroços de gelo conhecido como Cinturão de Kuiper.

Num novo estudo publicado na revista Science, um grupo de cientistas planetários liderados pelo Southwest Research Institute, no Colorado, EUA, debruçou-se nos mapas da New Horizons para contar as cicatrizes deixadas por milhares de milhões de colisões com objectos do Cinturão de Kuiper. Estes corpos gelados orbitam o Cinturão de Kuiper na borda do sistema solar – e Plutão é o maior deles.

Ao estudar impactos de crateras, os investigadores encontraram Plutão e Caronte foram mais atingidos por objectos grandes do que pequenos nos últimos quatro mil milhões de anos. Isto sugere que o Cinturão de Kuiper é primariamente povoado por objectos grandes e antigos que datam da formação do sistema solar.

“As crateras dão uma visão para o passado”, disse Kelsi Singer. “Podemos usar o número de crateras para dizer quantos anos uma superfície tem, o que nos ajuda a aprender mais sobre o Cinturão de Kuiper como um todo.”

Geralmente, partes da superfície de um planeta salpicadas de muitas crateras são consideradas relativamente antigas, enquanto regiões sem crateras são consideradas novos desenvolvimentos.

Em Plutão, por exemplo, há uma camada brilhante de gelo de nitrogénio conhecida como Coração, assim chamada pela forma que apresenta. Como não há crateras de impacto nesta região, acredita-se ser relativamente jovem em comparação com o resto da superfície de Plutão.

Em contraste, evidências anteriores sugeriram que algumas regiões ricas em crateras em Plutão têm cerca de quatro mil milhões de anos. Ao estudar de perto o tamanho das crateras nessas regiões, os investigadores conseguem obter uma visão geral dos tipos de objectos que se moviam no Cinturão de Kuiper há milhares de milhões de anos, não muito tempo depois de o sistema solar se formar.

No novo estudo, a equipa examinou quase três mil crateras de impacto das observações de 2015 da New Horizons. Algo se destacava: embora as crateras tivessem uma grande variedade de tamanhos, pouquíssimas crateras provinham de pequenos objectos que mediam entre um e dois quilómetros de diâmetro.

“Foi surpreendente para nós, porque baseamos as nossas expectativas sobre o Cinturão de Kuiper no que sabíamos sobre o cinturão de asteróides [entre Marte e Júpiter]”, disse Singer. “Acontece que há muito menos objectos pequenos no Cinturão de Kuiper do que pensávamos”.

Pequenos objectos celestes são criados por colisões entre objectos maiores. Um pequeno número de pequenos objectos no Cinturão de Kuiper significa que ocorreram menos colisões ao longo do tempo – e isto significa que muitos dos objectos em órbita naquela região são mais propensos a serem relíquias “primordiais” do sistema solar primitivo.

As descobertas encaixam-se em observações recentes do KBO, chamado Ultima Thule, um objeto em formato de boneco de neve, com cerca de 34 quilómetros de diâmetro, orbitando a cerca de um milhar de milhão de quilómetros além da órbita de Plutão.

“Quando a New Horizons chegou ao Ultima Thule em Janeiro, parecia um corpo bastante primordial”, disse Singer. “Talvez haja uma grande cratera de impacto e não parece que foi quebrado e reformado.”

Se o cinturão de Kuiper está realmente cheio de objectos antigos como estes, estudar os mistérios da região poderia lançar luz sobre os primeiros dias do sistema solar. Por seu turno, a New Horizons continuará a mergulhar na fronteira de detritos gelados na borda do sistema solar.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Março, 2019

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1638: Novas imagens de Ultima Thule

As imagens mais detalhadas de Ultima Thule – obtidas minutos antes da maior aproximação da sonda às 05:33 de dia 1 de Janeiro – têm uma resolução de aproximadamente 33 metros por pixel. A combinação de alta resolução espacial com um ângulo de visão favorável fornecem uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície de Ultima Thule, que se pensa ser o objeto mais primitivo já explorado por uma nave espacial. Esta composição já processada combina nove imagens individuais obtidas com o instrumento LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), cada com um tempo de exposição de 0,025 segundos, apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da sonda a Ultima Thule (designação oficial 2014 MU69). A imagem foi captada às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, quando a nave estava a 6628 km de Ultima Thule e a 6,6 mil milhões de quilómetros da Terra. O ângulo entre a nave, Ultima Thule e o Sol – conhecida como ângulo de fase – era de 33 graus.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/SwRI, NOAO

Era uma meta opcional – pouco antes da maior aproximação, apontar com precisão as câmaras da sonda New Horizons da NASA para tirar as fotos mais nítidas possíveis do objeto da Cintura de Kuiper apelidado de Ultima Thule, o seu alvo de Ano Novo e o objeto mais distante alguma vez explorado.

Agora que a New Horizons enviou essas imagens armazenadas para a Terra, a equipa pode confirmar com entusiasmo que a sua ambiciosa meta foi alcançada.

Estas novas imagens de Ultima Thule – obtidas pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) apenas seis minutos e meio antes da maior aproximação da New Horizons ao objeto (com designação oficial 2014 MU69) às 05:33 (hora portuguesa) de dia 1 de Janeiro de 2019 – têm uma resolução de 33 metros por pixel. A sua combinação da alta resolução espacial e ângulo de visão favorável dá à equipa uma oportunidade sem precedentes para investigar a superfície, bem como a origem e evolução de Ultima Thule, que é considerado o objecto mais primitivo já estudado por uma sonda espacial.

“Na mouche!” exclamou o investigador principal da New Horizons, Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute). “A captura destas imagens exigia que soubéssemos precisamente onde estavam Ultima Thule e a New Horizons – momento a momento – enquanto passavam um pelo outro a mais de 50.000 km/h na fraca luz da Cintura de Kuiper, bem para lá de Plutão. Esta foi uma observação muito mais difícil do que as de 2015 em Plutão.

“Estas observações adicionais eram arriscadas, porque havia uma chance real de termos apenas parte ou até mesmo falharmos em colocar Ultima no campo de visão da câmara,” continuou Stern. “Mas as equipas de ciência, operações e navegação foram impecáveis e o resultado é um tesouro para a nossa equipa científica! Alguns dos detalhes que vemos agora na superfície de Ultima Thule são diferentes de qualquer objecto já explorado.”

A resolução mais alta realça muitas características de superfície que não eram aparentes nas imagens anteriores. Entre elas estão várias regiões de terreno brilhante, enigmáticas e aproximadamente circulares. Além disso, muitos pequenos buracos escuros perto do terminador (a fronteira entre o lado iluminado pelo Sol e o lado não iluminado) estão mais nítidos. “Ainda está a ser debatido se estas características são crateras produzidas por objectos, se são poços de sublimação, poços de colapso ou algo totalmente diferente,” disse John Spencer, cientista do projecto no SwRI.

O cientista do projecto, Hal Weaver, do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, explicou que as imagens mais recentes devem ter a resolução espacial mais alta de todas as imagens obtidas pela New Horizons – ou que ainda poderá obter – durante toda a missão. Passando a apenas 3500 km, a sonda voou cerca de três vezes mais perto de Ultima Thule do que quando passou por Plutão em Julho de 2015.

Ultima é um objecto mais pequeno do que Plutão, mas o “flyby” foi feito com a mais alta precisão de navegação já alcançada por uma sonda espacial. Esta precisão sem precedentes foi alcançada graças às campanhas de ocultação terrestre de 2017 e 2018 realizadas na Argentina, Senegal, África do Sul e Colômbia, bem como pela missão Gaia da ESA, que forneceu os locais das estrelas usadas durante as campanhas de ocultação.

A New Horizons continua a operar sem falhas. Está a quase 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra; a essa distância, os sinais de rádio, viajando à velocidade da luz, alcançam as grandes antenas da DSN (Deep Space Network) da NASA seis horas e nove minutos depois da New Horizons os transmitir.

Astronomia On-line
26 de Fevereiro de 2019

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1582: Afinal, o Ultima Thule é um objecto plano “parecido com uma panqueca gigante”

Os investigadores estão surpreendido com as características recentemente descobertas do objeto espacial 2014 MU69, também conhecido como Ultima Thule.

Depois de observarem as novas imagens de 2014 MU69, localizado no cinturão de Kuiper, cientistas do Laboratório Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, chegaram à conclusão que os seus “lóbulos” são planos, conforme afirmaram na última sexta-feira no seu site.

“O lóbulo maior, apelidado de Ultima, parece mais uma panqueca gigante e o lóbulo menor, apelidado de Thule’ tem uma forma de noz amassada”, detalha a nova publicação, que acrescenta ainda mais mistério em torno deste antigo objeto espacial, uma vez que outros objectos similares – cometas, por exemplo – são geralmente redondos.

“Seria mais exacto dizer que a sua forma é mais plana, como uma panqueca”, ressalta Alan Stern, líder da missão da sonda New Horizons, que estuda o 2014 MU69. Ultima Thule gira em torno do Sol como se fosse “uma ampulheta gigante”.

Essa é a descrição mais recente que a NASA, a agência espacial norte-americana, fez do Ultima Thule após receber as novas fotografias tiradas pela sonda, que sobrevoou o asteróide a uma velocidade de 50 mil quilómetros por hora no dia 1 de Janeiro.

Alan Stern afirma que “esta é uma sequência de imagens realmente incrível tirada por uma sonda a explorar um mundo pequeno a quatro mil milhões de milhas da Terra. Nada assim alguma vez foi captado em imagens”.

NASA

Até agora, os cientistas diziam que Ultima Thule, com 33 quilómetros de altura, era semelhante a um boneco de neve por acharem que era composto por duas rochas esféricas fundidas uma na outra. É um fenómeno chamado “contacto binário” e acontece quando “dois objectos completamente separados se juntam” a uma velocidade extremamente baixa.

Segundo o cientistas, as novas imagens estão a criar enigmas científicos sobre como um objeto desta natureza pode ter sido formado, observando que “nunca vimos algo assim a orbitar o Sol”.

Os cientistas, que acreditam que o MU69 é um objeto congelado desde a origem do Sistema Solar há cerca de 4 mil milhões de anos, estão convencidos que, à medida que a New Horizons forneça novas imagens, continuarão a descobrir coisas estranhas nunca vistas antes.

ZAP //

Por ZAP
12 Fevereiro, 2019

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1534: Melhor imagem, até agora, de Ultima Thule

O objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, informalmente conhecido como Ultima Thule, visto pela sonda New Horizons da NASA.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

As maravilhas – e mistérios – do objeto da Cintura de Kuiper, 2014 MU69, continuam a multiplicar-se à medida que a sonda New Horizons da NASA transmite novas imagens do seu alvo do “flyby” que teve lugar no dia de Ano Novo de 2019.

Esta imagem, obtida durante o voo histórico de 1 de Janeiro, pelo objeto informalmente conhecido como Ultima Thule, é a visão mais clara até agora deste notável e antigo objeto nos confins do Sistema Solar – o primeiro “KBO” (Kuiper Belt Object, inglês para objeto da Cintura de Kuiper) pequeno já explorado por uma nave espacial.

Obtida com o componente MVIC (Multicolor Visible Imaging Camera) do instrumento Ralph da New Horizons, a imagem foi captada quando o KBO estava a 6700 km, às 05:26 (UT) de dia 1 de Janeiro – apenas sete minutos antes da maior aproximação. Com uma resolução original de 135 metros por pixel, a imagem foi armazenada na memória da sonda e transmitida para a Terra nos dias 18 e 19 de Janeiro. Os cientistas seguidamente melhoraram a imagem para realçar detalhes (este processo – com o nome deconvolução – também amplifica a granulação da imagem quando vista em alto contraste).

A iluminação oblíqua da imagem revela novos detalhes topográficos ao longo da linha que separa a noite do dia, chamada terminador, perto do topo. Estes detalhes incluem várias cavidades com até 0,7 km de diâmetro. A grande característica circular, com 7 km de diâmetro, no lóbulo mais pequeno, também parece ser uma depressão profunda. Não está claro se esses poços são crateras de impacto ou características resultantes de outros processos, como “poços de colapso” ou ventilações antigas de materiais voláteis.

Ambos os lóbulos mostram muitos padrões interessantes de luz e escuridão de origem desconhecida, que podem revelar pistas sobre como este corpo foi produzido durante a formação do Sistema Solar há 4,5 mil milhões de anos. Um dos mais notáveis é o “colarinho” brilhante que separa os dois lóbulos.

“Esta nova imagem está a começar a revelar diferenças no carácter geológico dos dois lóbulos de Ultima Thule, e também nos fornece novos mistérios,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. “No próximo mês teremos imagens com melhores cores e em mais alta resolução que, esperamos, ajudem a desvendar os muitos mistérios de Ultima Thule.”

A New Horizons está aproximadamente a 6,64 mil milhões de quilómetros da Terra, operando normalmente e a afastar-se do Sol (e de Ultima Thule) a mais de 50.700 quilómetros por hora. A essa distância, o seu sinal de rádio demora seis horas e nove minutos a chegar à Terra.

Astronomia On-line
29 de Janeiro de 2019

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1453: New Horizons explora Ultima Thule

Esta imagem obtida pelo instrumento LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) é a mais detalhada de Ultima Thule já transmitida até à data pela New Horizons. Foi obtida às 05:01 (UT) de dia 1 de Janeiro de 2019, apenas 30 minutos antes da maior aproximação, a 28.000 km, com uma escala original de 140 metros por pixel.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons da NASA passou por Ultima Thule nas primeiras horas do dia de Ano Novo, inaugurando a era da exploração da enigmática Cintura de Kuiper, uma região de objectos primordiais que detém a chave para entender as origens do Sistema Solar.

Os sinais que confirmaram que a nave está de boa saúde e tinha ocupado o seu armazenamento digital com dados científicos de Ultima Thule chegaram ao centro de operações da missão no Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins, às 15:29 de dia 1 (hora portuguesa), quase 10 horas depois da maior aproximação da New Horizons pelo objecto.

“A New Horizons teve um desempenho como planeado, levando a cabo a exploração mais longínqua de um objecto na história da Humanidade- a 6,4 mil milhões de quilómetros do Sol,” disse o investigador principal Alan Stern, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano da Califórnia. “Os dados que temos parecem fantásticos e já estamos a aprender mais sobre Ultima Thule de perto. A partir daqui os dados vão ficar cada vez melhores!”

Os cientistas da missão New Horizons da NASA divulgaram as primeiras imagens detalhadas do objecto mais distante já explorado. A sua aparência notável, diferente de tudo o que já vimos antes, ilumina os processos que construíram os planetas há 4,5 mil milhões de anos.

“Este ‘flyby’ é uma conquista histórica,” disse Stern. “Nunca antes tinha uma nave espacial estudado um corpo tão pequeno, a uma velocidade tão elevada, tão longe nos confins do Sistema Solar. A New Horizons estabeleceu um novo marco para a navegação espacial de última geração.”

As novas imagens – obtidas a uma distância de 27.000 km – revelaram Ultima Thule como um “binário de contacto”, consistindo de duas esferas ligadas. De ponta a ponta, mede 31 km. A equipa apelidou a esfera maior de “Ultima” (19 km de comprimento) e a mais pequena de “Thule” (14 km de comprimento).

A equipa diz que as duas esferas provavelmente uniram-se logo no início da formação do Sistema Solar, colidindo a uma velocidade não superior à de um pequeno acidente entre dois automóveis.

Os dados recebidos já resolveram um dos mistérios de Ultima Thule, mostrando que o objecto da Cintura de Kuiper gira como uma hélice, com o eixo apontando aproximadamente na direcção da New Horizons. Isso explica porque, em imagens obtidas anteriormente, o seu brilho não parecia variar à medida que girava. A equipa ainda não determinou o período de rotação.

Além disso, dos dados mais recentes recebidos ficámos a saber:

  • Não existem evidências de anéis ou satélites com mais de 1,6 km em órbita de Ultima Thule;
  • Não existem evidências de uma atmosfera;
  • A cor de Ultima Thule coincide com a cor de mundos parecidos na Cintura de Kuiper, como determinado por medições telescópicas;
  • Os dois lóbulos de Ultima Thule – o primeiro binário de contacto visitado na Cintura de Kuiper – são quase idênticos em termos de cor. Isto coincide com o que sabemos sobre sistemas binários que ainda não entraram em contacto um com o outro, mas que orbitam, ao invés, um ponto gravitacional comum.

“A New Horizons é como uma máquina do tempo, levando-nos de volta ao nascimento do Sistema Solar. Estamos a ver uma representação física do início da formação planetária, congelada no tempo,” comenta Jeff Moore, líder da equipa de Geologia e Geofísica da New Horizons. “O estudo de Ultima Thule está a ajudar-nos a entender como os planetas se formam – tanto aqueles no nosso Sistema Solar como aqueles em órbita de outras estrelas da Via Láctea.”

A sonda New Horizons continuará a transmitir imagens e outros dados nos próximos dias e meses, completando o envio de todos os dados científicos em 20 meses, com imagens de muito maior resolução ainda por vir. Em 2015, a sonda começou a sua exploração da Cintura de Kuiper com uma passagem por Plutão e pelas suas luas. Quase 13 anos após o lançamento, a sonda vai continuar a explorar a Cintura de Kuiper até pelo menos 2021. Os membros da equipa planeiam propor a exploração de ainda outro objecto da Cintura de Kuiper além de Ultima Thule.

Astronomia On-line
4 de Janeiro de 2019

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998: PLUTÃO, PLANETA? NOVA INVESTIGAÇÃO DIZ QUE SIM

Imagem de alta-resolução de Plutão, com cores melhoradas de modo a realçar diferenças na sua composição superficial.
Crédito: NASA/APL de Johns Hopkins/SwRI

Segundo uma nova investigação da Universidade da Florida Central, a razão pela qual Plutão perdeu o seu estatuto de planeta não é válida.

Em 2006, a União Astronómica Internacional, um grupo global de peritos em astronomia, estabeleceu que um planeta deveria “limpar” a sua órbita ou, por outras palavras, ser a maior força gravitacional na sua órbita.

Dado que a gravidade de Neptuno influencia o seu vizinho Plutão, e que Plutão partilha a sua órbita com gases gelados e objectos na Cintura de Kuiper, isso significou retirar a Plutão o estatuto de planeta.

No entanto, num novo estudo publicado na quarta-feira passada na revista online Icarus, o cientista planetário Philip Metzger, da Universidade da Florida Central e do Instituto Espacial da Florida, informou que esse padrão de classificação de planetas não é suportado na literatura de investigação.

Metzger, que é o autor principal do estudo, examinou a literatura científica dos últimos 200 anos e encontrou apenas uma publicação – de 1802 – que utilizou o requisito de limpar a órbita para classificar planetas, e foi baseado num raciocínio refutado.

Ele disse que luas como Titã (Saturno) e Europa (Júpiter) têm sido rotineiramente chamadas planetas por cientistas planetários desde a época de Galileu.

“A definição da UAI diria que o objecto fundamental da ciência planetária, o planeta, deve ser definido com base num conceito que ninguém usa nas suas pesquisas,” comenta Metzger. “E deixaria de fora o segundo planeta mais complexo e interessante do nosso Sistema Solar.”

“Agora temos uma lista com mais de 100 exemplos recentes de cientistas planetários usando o termo planeta de uma forma que viola a definição da UAI, mas fazem-no porque é funcionalmente útil,” realça.

“É uma definição desleixada,” diz Metzger sobre a definição da UAI. “Não dizem o que querem dizer com ‘limpar a órbita’. Se formos pela aplicação literal, então não existem planetas, porque nenhum planeta limpa a sua órbita.”

O cientista planetário diz que a revisão da literatura mostrou que a divisão real entre planetas e outros corpos celestes, como asteróides, ocorreu no início da década de 1950 quando Gerard Kuiper publicou um artigo que fez a sua distinção com base no modo como foram formados.

No entanto, até esta lógica já não é considerada um factor que determina se um corpo celeste é um planeta, realça Metzger.

Kirby Runyon, co-autor do estudo e do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano de Maryland, diz que a definição da UAI é errónea, pois a revisão da literatura mostrou que a limpeza da órbita não é uma norma usada para distinguir asteróides de planetas, como a UAI afirmou ao elaborar a definição de 2006 do termo planeta.

“Nós mostrámos que esta é uma alegação histórica falsa,” diz Runyon. “Portanto, é falacioso aplicar o mesmo raciocínio a Plutão.”

Definindo “Planeta”

Metzger diz que a definição de planeta deve basear-se nas suas propriedades intrínsecas, ao invés daquelas que podem mudar, como por exemplo a dinâmica da órbita de um planeta.

“A dinâmica não é constante, está sempre a mudar,” realça Metzger. “Portanto, não é uma descrição fundamental de um corpo, é apenas a ocupação de um corpo na era actual.”

Em vez disso, Metzger recomenda classificar um planeta se for grande o suficiente para que a sua gravidade permita que se torne esférico.

“E isso não é apenas uma definição arbitrária,” observa. “Acontece que este é um marco importante na evolução de um corpo planetário, porque aparentemente quando isso acontece, dá início a geologia activa no corpo.”

Plutão, por exemplo, tem um oceano subterrâneo, uma atmosfera com várias camadas, compostos orgânicos, evidências de antigos lagos e múltiplas luas, diz.

“É mais dinâmico e vivo que Marte,” diz Metzger. “O único planeta que tem geologia mais complexa é a Terra.”

Astronomia On-line
11 de Setembro de 2018

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935: Sonda New Horizons tira primeiro retrato na fronteira do sistema solar

A imagem, tirada à maior distância de sempre do Sol, mostra Ultima Thule, o misterioso objecto que a sonda da NASA visita a 1 de Janeiro de 2019. Será o primeiro rendez-vous de sempre naquela região dos sistema solar

A primeira foto “de perto” de Ultima Thule
© NASA/JHUAPL/SwRI

A sonda New Horizons, da NASA, que já se encontra muito para lá de Plutão, depois da bombástica visita que ali fez em 2015, acaba de obter a primeira imagem do seu próximo alvo: o Ultima Thule, um misterioso objecto no coração da cintura de Kuyper, na fronteira do sistema solar, com o qual a nave tem o seu próximo encontro marcado, a 1 de Janeiro de 2019.

A quatro meses desse pioneiro rendez-vous – será o primeiro de sempre para uma sonda terrestre naquela região externa, e gelada, do sistema solar – a equipa da missão apontou a câmara telescópica da nave ao alvo e conseguiu obter essa primeira imagem, que passa deter o recorde da foto tirada à maior distância de sempre do Sol.

Fotografado à distância de 160 milhões de quilómetros de distância – aquela a que a sonda ainda se encontra do seu objectivo -, Ultima Thule não passa ainda de um pequeno ponto num mar de estrelas brilhantes em fundo. Mas para os cientistas da New Horizons é um marco.

“Num campo de visão recheado de estrelas brilhantes, o que torna muito difícil encontrar objectos esbatidos, foi como encontrar agulha em palheiro”, explica, satisfeito, Hal Weaver, o investigador principal do instrumento que obteve estas primeiras imagens, onde Ultima Thule surge como um pequeno ponto sombreado.
À medida que a nave se for aproximando, no entanto, esse ponto “vai tornar-se cada vez mais brilhante e fácil de observar”, sublinha o investigador.

Ultima Thule, localizado a mais de 1,6 mil milhões de quilómetros para lá da órbita de Plutão, é um dos milhares de corpos que orbitam o interior da cintura de Kuyper, e será o primeiro de sempre a receber a atenção de uma nave terrestre.

A New Horizons vai sobrevoá-lo daqui a quatro meses e recolher dados sobre ele, tal como fez com Plutão em Julho de 2015, revelando novos e surpreendentes detalhes sobre o planeta-anão.

Com o Ultima Thule será mais ainda a exploração de uma “Terra Incógnita”, e o seu seu nome acaba por reflectir bem a aura de mistério que envolve estes objectos na cintura de Kuyper. A expressão era usada na Idade Média para designar tudo o que estava para lá do mundo conhecido, e acaba por assentar na perfeição a este objecto, sobre o qual os astrónomos desconhecem quase tudo – por enquanto. Se tudo correr bem, isso está prestes a mudar.

Diário de Notícias
Filomena Naves
29 Agosto 2018 — 16:58

(Foram corrigidos 8 erros ortográficos ao texto original)

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639: A New Horizons está a chegar ao objecto mais distante que já visitámos

JHUAPL / NASA
A New Horizons a meio caminho entre Úrano e Neptuno

A sonda New Horizons, da NASA, começou a preparar-se para um sobrevoo histórico: a 31 de Dezembro, irá estudar e fotografar o misterioso Ultima Thule – o objecto mais distante que alguma vez tentámos visitar.

Depois de 9 anos de viagem, a New Horizons passou por Plutão em Julho de 2015 e entrou em modo de hibernação a 21 de Dezembro do ano passado, para preservar recursos. A semana passada, a sonda foi acordada pela equipa de operações da missão, do Laboratório de Física Aplicada Johns Hopkins (EUA), conforme o programado.

Agora, a New Horizons está a aproximar-se de Ultima Thule, a uma velocidade de mais de 1,2 milhões de quilómetros por dia. Quando ultrapassar este misterioso objecto, por volta do Ano Novo, a New Horizons deverá ter-nos fornecido informações vitais sobre como o nosso sistema solar se formou.

A sonda está a mais de 6 mil milhões de quilómetros de distância da Terra, viajando através da faixa gelada de detritos do sistema solar – a Cintura de Kuiper.

“A nossa equipa já está envolvida no planeamento e nas simulações do nosso próximo voo em Ultima Thule, e está muito empolgada com o facto de a New Horizons estar de novo activa”, explicou o líder da missão, Alan Stern, investigador do Southwest Research Institute em Boulder, nos EUA, em comunicado.

Nos próximos dois meses, a equipa irá testar os comandos da sonda, actualizar a sua memória, recuperar dados científicos sobre a Cintura de Kuiper e completar uma série de verificações de sistemas.

Após essas etapas iniciais, as operações de sobrevoo e observações distantes de Ultima Thule devem iniciar-se no final de Agosto.

Ultima Thule

Oficialmente chamado 2014 MU69, Ultima Thule é um objecto transneptuniano localizado na Cintura de Kuiper. O seu nome, segundo Stern, vem de uma frase nórdica que significa “além das fronteiras mais distantes”.

De fato, se a missão for bem-sucedida, será um recorde: Ultima Thule tornar-se-á o objecto mais longínquo alguma vez visitado pela humanidade, embora a New Horizons não seja a sonda espacial a viajar até mais longe. O título é detido pelas sondas Voyager 1 e 2.

Os cientistas não têm a certeza das dimensões exactas de Ultima Thule. No entanto, a NASA afirmou que parece ser uma rocha em forma de amendoim, e os cientistas suspeitam que tenha até 32 quilómetros de comprimento e 20 de largura.

A New Horizons poderá vir a manter o seu recorde durante décadas, já que nenhuma outra investigação está preparada para fazer uma jornada tão impressionante.

A sonda levou cerca de nove anos, a mais de 56.000 km/h, a chegar Plutão e à Cintura de Kuiper, uma região colossal para lá Neptuno com restos congelados e dispersos da formação do sistema solar. A zona também pode abrigar um planeta do tipo super-terra ainda não descoberto.

“A Cintura de Kuiper é realmente o equivalente a uma escavação arqueológica da história do nosso sistema solar”, disse Stern à rádio WBUR. “Como é muito distante e a luz do sol é muito fraca lá fora, as temperaturas são muito baixas – quase zero absoluto. Isso permite a preservação de vestígios de material, intocado até hoje”.

Mal podemos esperar pelas revelações que a New Horizons nos vai trazer.

ZAP // HypeScience / Space.com / Business Insider

Por HS
12 Junho, 2018

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458: CARONTE RECEBE OS PRIMEIROS NOMES OFICIAIS DE CARACTERÍSTICAS À SUPERFÍCIE

Mapa de Caronte com as recém-nomeadas características. Crédito: União Astronómica Internacional

Exploradores e visionários lendários, reais e fictícios, estão entre os imortalizados pela UAI (União Astronómica Internacional) no primeiro conjunto de nomes oficiais de características à superfície da maior lua de Plutão, Caronte. Os nomes foram propostos pela equipa da New Horizons e aprovados pelo Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários.

A UAI, a autoridade internacionalmente reconhecida para dar o nome a corpos celestes e outras características superficiais, aprovou recentemente uma dúzia de designações propostas pela equipa da New Horizons da NASA, que liderou o primeiro reconhecimento de Plutão e das suas luas em 2015 com a sonda New Horizons. A equipa da New Horizons tinha vindo a usar muitos dos nomes escolhidos, informalmente, para descrever os vários vales, fendas e crateras descobertas durante o primeiro olhar de perto da superfície de Caronte.

Caronte é um dos maiores corpos da Cintura de Kuiper e é muito rico em características geológicas, bem como crateras parecidas àquelas vistas na maioria das outras luas. Estas características e algumas das crateras de Caronte receberam agora nomes oficiais da UAI.

A equipa da New Horizons foi instrumental na passagem dos novos nomes pela aprovação e incluiu o líder das missões da New Horizons, o Dr. Alan Stern, e os membros da equipa Mark Showalter – o presidente do grupo e contacto da UAI – Ross Beyer, Will Grundy, William McKinnon, Jeff Moore, Cathy Olkin, Paul Schenk e Amanda Zangari. A equipa reuniu a maioria das suas ideias durante a campanha de nomenclatura pública online “Our Pluto” em 2015.

Os nomes aprovados pela UAI abrangem a diversidade de recomendações que a equipa recebeu de todo o mundo durante a campanha “Our Pluto”. Juntamente com os esforços da equipa da New Horizons, os membros do público em todo o mundo ajudaram a dar nomes às características de Caronte, contribuindo com sugestões para os nomes das características desta lua distante.

Honrando a exploração épica de Plutão que a New Horizons alcançou, muitos dos nomes no sistema de Plutão prestam homenagem ao espírito de exploração humana, agraciando viajantes, exploradores e cientistas, viagens pioneiras e destinos misteriosos. Rita Schulz, presidente do Grupo de Trabalho da UAI para a Nomenclatura de Sistemas Planetários, comentou: “Estou satisfeita que as características de Caronte tenham recebido nomes com espírito internacional.”

Os nomes aprovados para características em Caronte focam-se na literatura e na mitologia da exploração. Estes são:

  • Argo Chasma tem o nome do navio utilizado por Jasão e pelos Argonautas, no épico poema Argonautica, durante a sua busca pelo Tosão de Ouro;
  • Butler Mons homenageia Octavia E. Butler, a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa MacArthur e cuja trilogia “Xenogenesis” descreve a saída da Humanidade da Terra e o seu posterior regresso;
  • Caleuche Chasma tem o nome do mitológico navio fantasma que percorre os mares em redor da pequena ilha de Chiloé, na costa do Chile; de acordo com a lenda, Caleuche explora a costa recolhendo os mortos, que passam a viver para sempre a bordo;
  • Clarke Montes homenageia Sir Arthur C. Clarke, o prolífico escritor de ficção científica e futurista cujos romances e pequenas histórias (incluindo 2001: Uma Odisseia no Espaço) são representações imaginativas da exploração espacial;
  • Dorothy Crater reconhece a protagonista da série de livros infantis escritos por L. Frank Baum, que segue as viagens de Dorothy Gale no mundo mágico de Oz;
  • Kubrick Mons homenageia o director de cinema Stanley Kubrick, cujo icónico “2001: A Space Odyssey” conta a história da evolução da humanidade desde a utilização das ferramentas até à exploração espacial e além;
  • Mandjet Chasma tem o nome de um dos barcos da mitologia egípcia que transportava o deus do Sol, Ra (Re) através do céu cada dia – tornando-se um dos primeiros exemplos mitológicos de um navio que viaja pelo espaço;
  • Nasreddin Crater tem o nome do protagonista de milhares de contos humorísticos contados em todo o Médio Oriente, Europa do Sul e partes da Ásia;
  • Nemo Crater tem o nome do capitão do Nautilus, o submarino dos livros “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1870) e “A Ilha Misteriosa” (1874) de Júlio Verne;
  • Pirx Crater tem o nome do personagem principal da série de contos de Stanislaw Lem, que viaja entre a Terra, Lua e Marte;
  • Revati Crater tem o nome do personagem principal da narrativa épica hindu Mahabharata – amplamente considerada como a primeira da história (cerca de 400 AC) a incluir o conceito de viagem no tempo;
  • Sadko Crater reconhece o aventureiro que viajou até ao fundo do mar no épico medieval russo Bylina.

Astronomia On-line
13 de Abril de 2018

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