3048: Estamos sozinhos no Universo? Cientistas detalham que exoplanetas poderiam albergar vida

CIÊNCIA

(CC0/PD) Buddy_Nath / Pixabay

Através da modelagem climática, uma equipa de cientistas da Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, apontou que tipo de planetas têm maior probabilidade de serem habitáveis. A descoberta pode ajudar os astrónomos a seleccionar áreas específica no Universo para procurar vida.

Existem milhares de planetas para lá do Sistema Solar (exoplanetas), mas é extremamente difícil saber quais são as condições destes mundos.

“Existem muitas estrelas e planetas, o que significa que existem muitos objectivos (…) O nosso estudo pode ajudar a limitar o número de locais para os quais os telescópios apontam”, explicou o autor principal da investigação, Daniel Horton, em comunicado.

Para reduzir o número de alvos, os autores começara por combinar modelagem climática em 3D com fotoquímica e química atmosférica, para explorar a habitabilidades dos planetas em torno de estrelas anãs vermelhas do tipo M.

Estas estrelas são fracas e frias quando comparadas com o Sol, mas são as mais comuns, representando cerca de 70% de todas as estrelas da Via Láctea.

As simulações revelaram que os planetas que orbitam em torno de estrelas activas – ou seja, em torno daquelas que emitem muita radiação ultravioleta – são vulneráveis a perderem quantidades significativas de água devido à vaporização.

Por outro lado, exoplanetas que orbitam estrelas inactivas ou “silenciosas” têm maior probabilidade de manter água no estado líquido, um dos pressupostos que se acredita ser necessário para sustentar vida noutros mundos.

A equipa também observou que os planetas com camadas finas de ozono não podem sustentar vida, mesmo que a temperatura superficial seja ideia, uma vez que grandes quantidades de radiação ultravioleta acabam por penetrar o planeta.

Os autores do estudo acreditam que estes dados podem ajudar os astrónomos a limitar os locais onde poderá existir vida no Universo. O Telescópio Hubble, da NASA, é capaz de detectar vapor de água e ozono em exoplanetas, mas precisa de saber onde vasculhar.

“Estamos sozinhos? Esta é uma das maiores perguntas sem resposta (…) Se pudermos prever quais os planetas que têm maior probabilidade de abrigar vida, estaremos muito mais próximos de responder a esta pergunta durante as nossas vidas”, disse o co-autor do estudo Howard Chen, citado na mesma nota de imprensa.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Astrophysical Journal.

O Universo pode “guardar” mundos melhores do que a Terra para albergar vida

O Universo pode “guardar” outros mundos (exoplanetas) com melhores condições do que a própria Terra para albergar vida de forma…

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18 Novembro, 2019

 

3047: Viagens ao Espaço têm um novo perigo desconhecido para os astronautas

CIÊNCIA

NASA

Há um perigo inerente às longas viagens espaciais dos astronautas desconhecido até aos dias de hoje. Um novo estudo aponta que os cosmonautas podem ver o seu fluxo sanguíneo revertido na parte superior do corpo.

A gravidade não só afecta a vida na Terra, como também a falta dela pode representar um problema para os astronautas no Espaço. Como não há gravidade para puxar o sangue para a parte inferior dos nossos corpos, a cabeça e o peito ficam mais rosados e inchados.

Além disso, um novo estudo publicado esta semana na revista científica JAMA Netw Open, aponta que a circulação sanguínea pode reverter-se na parte superior do corpo dos astronautas.

A presença durante um longo período de tempo no Espaço, de acordo com o estudo divulgado pelo Tech Explorist, pode ter influência na forma como o sangue circula em várias artérias do corpo dos cosmonautas. Este representa um problema de saúde perigoso que era desconhecido até então.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores trabalharam de perto com 11 astronautas da Estação Espacial Internacional. Ao fim de 50 dias de missão, sete membros da tripulação apresentaram um fluxo sanguíneo estagnado ou invertido na veia jugular interna esquerda — responsável por levar sangue ao cérebro, à cara e ao pescoço. Um dos astronautas até desenvolveu um trombo na veia durante o voo.

“Esta foi uma descoberta inesperada. Não esperávamos ver estase e fluxo invertido. Isso é muito incomum. Na Terra, suspeitar-se-ia imediatamente de uma trombose, um tumor ou algo assim”, explicou Michael B. Stenger, autor principal do estudo.

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17 Novembro, 2019

 

3046: O Árctico pode ficar sem gelo no verão de 2044

CIÊNCIA

Kathryn Hansen / NASA / Flickr

As mudanças climáticas provocadas pelo Homem estão muito perto de tornar o Árctico livre de gelo, já a partir do verão de 2044.

Um artigo científico, publicado recentemente na Nature Climate Change por investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, coloca em foco as previsões dos cientistas para um período de 25 anos – e não são animadoras.

Os cientistas tentaram prever o futuro do gelo do Árctico por várias décadas, contando com uma série de modelos climáticos globais que simulam de que forma o sistema climático reagirá ao dióxido de carbono que entra na atmosfera.

Segundo o Europa Press, as previsões não são unânimes: algumas apontam para um Setembro sem gelo a partir de 2026; enquanto que outras sugerem que o fenómeno começará em 2132.

Chad Thackeray, autor principal do estudo, explica que as previsões sobre a perda de gelo divergem muito dependendo da maneira como as pesquisas interpretam o “feedback de albedo”, um fenómeno que ocorre quando um pedaço de gelo marinho derrete completamente, descobrindo uma superfície de água do mar mais escura e que absorve mais luz solar.

Esta mudança na reflectividade da superfície da luz solar causa um maior aquecimento local, o que leva a um maior derretimento do gelo, adianta o cientista, num comunicado da UCLA. Por sua vez, este ciclo agrava o aquecimento, uma das razões pelas quais o Árctico está a aquecer duas vezes mais rápido do que o resto do mundo.

Para esta investigação, a equipa de investigadores determinaram quais os modelos mais realistas tendo em conta a forma como pesam os efeitos do feedback de albedo.

Este fenómeno acontece durante todo o verão, quando o gelo derrete. Além disso, e felizmente em termos de pesquisa, o feedback de albedo acontece durante longos períodos de tempo, devido à acção das alterações climáticas.

A equipa analisou a representação de 23 modelos de degelo sazonal entre 1980 e 2015 e compararam-nos com observações de satélite. Depois, mantiveram os seis modelos “mais realistas” e descartaram todos os outros, o que lhes permitiu reduzir o intervalo de previsões de um Árctico livre de gelo.

De acordo com a investigação, avizinha-se um período infeliz. Ainda que seja difícil imaginar, os cientistas afirmam que estamos a caminho de tornar o Árctico livre de gelo marinho, durante um certo período de tempo (nomeadamente o verão de cada ano), a partir do ano 2044 até 2067.

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18 Novembro, 2019

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3045: Antes de morrer, os glóbulos brancos fazem uma dança da morte

CIÊNCIA

Cientistas da Universidade La Trobe, na Austrália, revelaram, pela primeira vez, de que forma os glóbulos brancos controlam os momentos finais da sua própria morte.

A equipa de investigadores da universidade australiana identificou uma proteína nas células moribundas, chamada Plexin B2, que é responsável pela coordenação de um estágio chave da apoptose (morte celular).

O artigo científico, publicado dia 12 de Novembro na Cell Reports, é um avanço significativo no entendimento do que pode desencadear vários estados de doenças, como a inflamação ou a auto-imunidade.

A líder da investigação, Georgia Atkin-Smith, adiantou que a função principal da Plexin B2 foi descoberta quando a equipa de cientistas usou a tecnologia de edição genética CRISPR para eliminar a proteína dos glóbulos brancos.

“Normalmente, os glóbulos brancos sofrem morte dinâmica e disparam estruturas longas, frisadas e em forma de colar, fragmentando-se em pequenos pedaços”, disse Atkin-Smith. “No entanto, nunca entendemos como ou por que motivo acontece esta dança da morte.”

Esta nova investigação identificou a proteína Plexin B2 como a primeira molécula que controla este evento, destaca o Phys.org.

Atkin-Smith disse que a exclusão genética desta proteína impede que as células moribundas formem estruturas com “contas”. “Surpreendentemente, esse defeito no processo da morte celular comprometeu significativamente a sua remoção pelos ‘camiões de lixo’ do corpo, conhecidos como fagócitos.”

As células moribundas costumam enviar sinais para os fagócitos – “come-me” – mas a eliminação da Plexin B2 pode limitar o número de fragmentos que estão prontos para ‘se comer’.

Esta investigação é o seguimento de uma outra pesquisa, publicada em Junho na Cell Death and Differentiation, que também demonstrou a importância da fragmentação da célula moribunda, por meio de um processo chamado blebbing, explica a Cosmos.

Para Atkin-Smith, entender de que forma as células moribundas são removidas pelos fagócitos é fundamental. “Defeitos neste processo desencadeiam uma grande variedade de distúrbios inflamatórios, como a auto-imunidade“, acrescentou a investigadora.

“Agora, e pela primeira vez, temos uma nova visão do que pode ser a causa subjacente destas doenças”. O próximo passo é analisar as principais descobertas de biologia e aplicá-las em modelos pré-clínicos de auto-imunidade.

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18 Novembro, 2019

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3044: Reconstruida mulher xamã que foi uma das últimas caçadoras-colectoras da Suécia

CIÊNCIA

Uma mulher caçadora-colectora que viveu há sete mil anos no que é actualmente a Suécia foi trazida à vida numa reconstrução.

A mulher de olhos azuis usava uma capa de penas, um colar de ardósia e um cinto feito de 130 dentes de animal. A sua pele escura estava pintada com padrões brancos e sentava-se pernas cruzadas num “trono” de chifres de veado, de acordo com a descrição do LiveScience.

O seu corpo foi encontrado nos anos 80, enterrado na vertical numa sepultura em Skateholm – um sítio arqueológico na costa sul da Suécia – entre outros enterros que datam de 5.500 a.C. a 4.600 a.C, de acordo com a National Geographic.

Como o seu corpo estava tão ricamente enfeitado, acredita-se que a mulher tenha sido uma pessoa importante na sua comunidade de caçadores-colectores.

A reconstrução em tamanho real será revelada ao público numa exposição que será inaugurada em 17 de Novembro no Museu Trelleborg da Suécia, segundo anunciaram representantes do museu em comunicado.

Conhecida como Enterro XXII pelos arqueólogos, a mulher tinha entre 30 e 40 anos quando morreu e tinha cerca de dois metros de altura. Com base nas evidências de ADN recolhidas noutras sepulturas em Skateholm, os cientistas determinaram que as pessoas que viviam na região na época tinham olhos de cor clara e pele escura.

Durante esta época da Idade da Pedra, por volta de 10.000 a.C. até 8.000 a.C., os humanos europeus antigos estavam a voltar-se para a agricultura e a abandonar o estilo de vida de caçadores-colectores. No entanto, os enterros de Skateholm e outros locais na Europa sugerem que grupos de caçadores-colectores persistiram por quase 1.000 anos após o surgimento da agricultura, segundo Nat Geo.

Foi Oscar Nilsson, arqueólogo e escultor especializado em reconstruções faciais, que criou o rosto expressivo da mulher. Trabalhando a partir de uma tomografia computorizada do crânio, Nilsson juntou o rosto músculo por músculo, construindo a sua expressão singular através de camadas de cartilagem e tecidos moles.

“O rosto humano é um motivo que nunca deixa de me fascinar: a variação da estrutura subjacente e a variedade de detalhes parecem infinitas”, escreve Nilsson no seu site. “E todos os rostos que reconstruo são únicos. São todos individuais.”

Durante a reconstrução, Nilsson imaginou a mulher caçadora-colectora como xamã. De facto, o seu enterro ornamentado sugere que ocupava “algum tipo de posição especial na sociedade”, mas é impossível dizer com certeza qual era seu papel, segundo disse Ingela Jacobsson, directora do Museu Trelleborg.

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18 Novembro, 2019

 

3043: Pombos estão a perder dedos ou patas por causa da poluição

CIÊNCIA

robert.claypool

Basta passar algum tempo na praça de uma cidade para ver que alguns pombos têm patas feridas ou dedos em falta. Embora possamos pensar que isto é causado por algum vírus ou pelos eventuais desentendimentos entre estes pássaros, a verdade é que nós também podemos ser os culpados.

De acordo com o IFLSCience, que cita um estudo publicado na Biological Conservation, muitos deles ficam com cabelos e fios enrolados nos dedos, que lhes cortam a circulação e resultam em necrose e na eventual perda do membro.

Para iniciar a investigação, a equipa de investigadores andou pelas ruas de Paris, em França, onde categorizou 46 locais com base em tipos de habitat como, por exemplo, densidade de pessoas, folhagem e prédios próximos.

Os cientistas encontraram 30 pombas com dedos mutilados, entre Abril e maio de 2013, anotando o estado dos danos em cada um deles. Também registaram a cor dos pássaros devido à ligação entre a coloração e a resposta imune celular.

Na sua amostra, um em cada cinco pombos adultos foi mutilado. A equipa não encontrou correlação entre deformidades nas patas e doença e, quando uma pata estava ferida, a outra não tinha mais probabilidade de ser magoada do que o normal.

Em vez disso, a equipa descobriu que “a mutilação dos dedos em pombos urbanos ocorre em áreas onde a poluição é alta, identificada aqui como poluição atmosférica e sonora, e que a mutilação é mais numerosa quando os habitantes humanos são mais numerosos”.

Os cientistas sugerem que a poluição do ar não é a causa directa, mas sim uma aproximação para quantas pessoas estão numa determinada área. Também observaram um aumento nas lesões nos dedos com a maior densidade de fios e cabelos no chão, como é o caso de zonas com cabeleireiros.

“Isto também acontece com outras aves urbanas”, afirma Frédéric Jiguet, investigador do Museu Nacional de História Natural (MNHN) e autor do estudo, acrescentando que ainda recentemente libertou um corvo com fios de plástico nos dedos.

“Os seres humanos costumam acusar os pombos de serem animais sujos, com doenças, mas a verdade é que são mutiladas porque vivem na sua sujidade. Na verdade, são vítimas da poluição humana. Sofrem muito mais com a nossa poluição do que nós com a sua presença”, acusa.

Outras hipóteses propostas anteriormente para este problema incluem infecções nas patas por andarem em cima dos seus excrementos, infecções provocadas pela bactéria Staphylococcus, lesões por impedimentos químicos ou físicos (como fios em edifícios) e deformidades hereditárias.

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17 Novembro, 2019

 

3041: Com a ajuda de um radar, cientistas revelaram pegadas de mamutes e humanos pré-históricos

CIÊNCIA

(dr) Cornell University
Os cientistas no Monumento Nacional de White Sands, no Novo México, nos EUA

Espalhados pelo Monumento Nacional de White Sands, nos Estados Unidos, encontram-se os “rastos fantasma” de mamutes mortos há milhares de anos. Agora, investigadores conseguiram revelar pegadas de humanos.

De acordo com o Science Alert, esta descoberta, que remete para o final do Plistoceno, há cerca de 12 mil anos, foi possível graças ao radar de penetração no solo (GPR), capaz de analisar o que se passa por baixo da superfície do solo sem ser necessário escavar.

“Nunca pensámos analisar pegadas. Mas acontece que o próprio sedimento tem uma memória que regista os efeitos do peso e do momento do animal. Isso dá-nos uma forma de entender a biomecânica da fauna extinta que nunca tivemos antes”, declara em comunicado o investigador Thomas Urban, da Universidade de Cornell.

Entre as trilhas descobertas estão 800 metros de pegadas humanas, cruzadas com as impressões de um grande Proboscidea, possivelmente um mamute-colombiano (Mammuthus columbi).

Os resultados coincidem com a análise realizada no ano passado pela mesma equipa. Neste caso, no entanto, foram revelados muito mais detalhes sobre o sedimento subjacente, que podem mostrar como estas criaturas antigas estavam a caminhar.

“Mas há implicações maiores do que apenas este caso de estudo. A técnica poderia ser aplicada em muitos outros locais com pegadas fossilizadas, incluindo potencialmente de dinossauros”, explica Urban, um dos autores do estudo agora publicado na revista científica Scientific Reports.

Com o GPR, os cientistas não precisam de esperar pelas condições perfeitas para identificar e analisar as pegadas, algo que é particularmente útil nas paisagens instáveis de White Sands, assim como noutros lugares espalhados pelo mundo.

“Embora nunca possamos encontrar os restos fossilizados do animal que especificamente fez estas pegadas, sabemos como se moveu, quão grande era, quão rápido estava a andar, apenas por olhar para estas pegadas”, afirma a paleontóloga Lisa Buckley, que não esteve envolvida na pesquisa, em declarações à Gizmodo.

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16 Novembro, 2019

 

3040: Encontrado templo milenar usado em rituais pagãos de veneração da água

CIÊNCIA

(h) Andina

O local tem 3.000 anos, onde investigadores encontraram 21 sepulturas, bem como várias peças de cerâmica e anéis de cobre. O templo era usado em rituais pagãos de veneração da água.

Uma equipa de arqueólogos encontrou um templo cerimonial com 3 mil anos na região de Lambayeque, no noroeste do Peru. No sítio arqueológico também foram achadas 21 sepulturas e uma série de itens usados como oferendas durante os enterros da época, relata a Agencia Andina.

O templo tem 40 metros de largura e 56 metros de comprimento. A descoberta, entre grandes blocos de granito, possui também sinais de gravuras rupestres, e é a única estrutura megalítica da região. “É um templo para venerar a água, porque na frente há um altar com buracos, que eram altares ligados à adoração da água“, explicou Walter Alva, director do Museu das Tumbas Reais de Sipán, à agência peruana.

Alva afirmou que a descoberta teve lugar numa zona onde se encontram dois rios, um ponto conhecido como Tinkuy, que era considerado um espaço sagrado pelas culturas da época.

Nas sepulturas estavam localizadas peças cerâmicas, elementos metálicos como facas e tupus (ornamentos usados pelas mulheres incas) e anéis de cobre de criança.

Além disso, os objectos também forneceram pistas para conhecer as diferentes fases do templo. “Todos eles tinham vasos colocados como oferendas e mostram que depois de quase 2 mil anos, eles usaram este lugar novamente como um espaço para enterros populares“, acrescentou o director do museu.

Alva acredita que a descoberta é importante para o desenvolvimento de investigações sobre Lambayeque.

ZAP // Sputnik News

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16 Novembro, 2019

 

3038: Caracóis estão a ficar amarelos para se adaptarem às alterações climáticas

CIÊNCIA

Mad Max / Wikimedia

Nas áreas urbanas, os caracóis estão a ficar com as cascas amarelas para se adaptarem às alterações climáticas. Os cientistas vão agora analisar os padrões das penas dos pássaros, para perceberem se também há uma adaptação da sua parte.

Uma equipa de investigadores deu oportunidade às pessoas de, por momentos, se tornarem elas mesmas cientistas. Com recurso a uma aplicação para o smartphone, os investigadores pediram às pessoas que fotografassem caracóis para perceberem como é que os ambientes urbanos afectam este molusco.

Segundo o Massive Science, os caracóis são altamente sensíveis à mudança de temperatura, daí as suas conchas pálidas os ajudarem a manter-se frescos. A espécie estudada, Cepaea nemoralis, pode ter até três tonalidades de cor: rosa, amarelo e castanho.

O estudo publicado em Julho na revista científica Communications Biology procurou perceber se havia uma predominância de caracóis com cores mais claras na cidade, devido às adaptações à temperatura mais quente.

As fotografias captadas pelos utilizadores da app eram analisadas por um algoritmo, que concluiu que havia mais caracóis amarelos nas áreas urbanas. Isto confirma a ideia inicial dos investigadores, já que o amarelo reflete mais o sol em comparação com as outras cores.

Por outro lado, aperceberam-se que os espécimes das áreas urbanas não tinham menos riscas pretas do que os das florestas. A equipa de investigadores acredita que esta se pode tratar de uma forma única de ajustar a radiação de calor.

Agora, para o futuro, os cientistas esperam voltar a recorrer à população e às novas tecnologias para ajudar a analisar os padrões de penas em pássaros nas áreas urbanas. Os cientistas holandeses esperam perceber a forma como as alterações climáticas podem afectar os animais voadores.

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17 Novembro, 2019

 

3037: Cientistas desvendam novas pistas sobre o maior macaco que já existiu

CIÊNCIA

(dr) Wei Wang

O mítico “Bigfoot” é uma criatura lendária mas, durante milhões de anos, o verdadeiro — um símio com o dobro do tamanho de um ser humano adulto — percorreu as florestas do Sudeste Asiático, antes de se extinguir há centenas de milhares de anos.

Segundo o Live Science, o Gigantopithecus blacki tinha cerca de três metros e pesava até 270 quilos. Mas, por mais robusto que tenha sido em vida, os fósseis deste primata são poucos e difíceis de encontrar — dentes e quatro mandíbulas parciais —, deixando muitas perguntas sobre a linhagem e aparência evolutiva deste macaco já extinto.

Por exemplo, na Ásia subtropical onde viveu, o único ADN viável veio de fósseis de outros animais com mais de dez mil anos, de acordo com um novo estudo publicado agora na revista Nature.

No entanto, os autores do estudo desenvolveram recentemente um novo método para recuperar e reconstruir sequências de proteínas do esmalte dentário e testaram essa técnica num molar datado de há 1,9 milhões de anos. Então, os cientistas compararam o que encontraram com um banco de dados de sequências de proteínas de grandes símios que ainda existem nos dias de hoje.

“O que observámos foi o número de diferenças nas sequências. Assumimos que quanto menor o número de diferenças, mais próximas as duas espécies se relacionam, e mais tarde divergiram”, disse o autor principal do estudo, Enrico Cappellini, professor associado da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca.

A equipa descobriu que o “Bigfoot” extinto não é um parente humano próximo, tal como os chimpanzés e os bonobos. Em vez disso, as sequências que mais se assemelhavam às proteínas do Gigantopithecus pertenciam aos orangotangos atuais, e acredita-se que a linhagem dos macacos gigantes se separou da dos primos há cerca de 12 a 10 milhões de anos, escreveram os cientistas no estudo.

O sucesso do seu método levanta possibilidades intrigantes para investigar sequências de proteínas noutros primatas extintos de áreas tropicais, “ou seja, espécies extintas mais intimamente associadas à nossa própria linhagem evolutiva”, disse Cappellini.

Nas reconstruções, o Gigantopithecus geralmente assemelha-se a um orangotango de grande dimensão. No passado, essas representações artísticas baseavam-se em informações limitadas dos fósseis e no que se sabia sobre a variedade de primatas e o habitat antigo.

Mas, embora as novas evidências confirmem uma estreita relação evolutiva entre os Gigantopithecus e os orangotangos, os dados não podem dizer aos cientistas qual era a aparência do macaco extinto, acrescentou o investigador.

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17 Novembro, 2019

 

3036: Sondas sob a forma de raias podem ser perfeitas para explorar o lado mais sombrio de Vénus

CIÊNCIA

CRASH Lab, University at Buffalo

A agência espacial norte-americana (NASA) acaba de aceitar o conceito de uma nave espacial inspirado em raias, que foi proposto por um grupo de cientistas para explorar Vénus, especialmente o seu lado mais sombrio.

Criado pelo Laboratório CRASH, da Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, o projecto em causa pressupõe uma estrutura que se transforma com asas que flutuam como as barbatanas peitorais das raias, explicam os cientistas em comunicado.

De acordo com os cientistas, o projecto poderia facilitar o uso eficaz dos ventos fortes que se fazem sentir nas camadas superiores de Vénus, bem como oferecer aos cientistas um controlo sobre o veículo sem precedentes.

O projecto – BREEZE – é um dos doze conceitos revolucionários seleccionados pela NASA para o programa Advanced Innovative Concepts, que financia tecnologias, em estados iniciais, que podem “mudar o que é possível no Espaço”.

“Ao seguir as nossas dicas da natureza, especificamente as das raias do mar, procuramos maximizar a eficiência do voo. O design permitirá um grau de controlo até agora inatingível para uma nave espacial”, apontou o autor principal do projecto, Javid Bayandor, professor associado de engenharia mecânica e aeroespacial.

Seis outros objectos escolhidos em anos anteriores receberam financiamentos adicionais.

Segundo conta a Russia Today, o BREEZE contornaria Vénus a cada quatro a seis dias. Os seus painéis solares carregavam as baterias a cada dois ou três dias na parte iluminada do planeta para iniciar as ferramentas para que estas pudessem recolher amostras atmosféricas, rastrear padrões climáticos e monitorizar actividades vulcânicas, entre outros.

As asas do BREEZE seriam activadas por um sistema interno de tensão que forneceria a capacidade de atingir empuxo – ato de puxar para si -, controlo, estabilidade, elevação adicional e a compressão mecânica necessária para o controlo activo da elevação.

Todas estas características são muito importantes nas condições inóspitas do planeta, que incluem temperaturas superficiais próximas dos 500 centígrados e nuvens espessas de ácido sulfúrico, pode ler-se na mesma nota de imprensa.

Vénus leva 243 dias para completar uma rotação em torno do seu eixo, mais do que os 225 dias necessários para o planeta orbitar o Sol. Na prática, um dia em Vénus dura mais do que o seu próprio ano. Por este mesmo motivo, grandes partes do planeta permanecem no escuro, contrastando com a parte iluminada.

A tecnologia sob a qual assentam as “raias espaciais” poderá ser futuramente utilizada na exploração de outras partes do Sistema Solar, como Titã, a lua de Saturno, ou até mesmo o ambiente subaquático da Terra.

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16 Novembro, 2019

 

Estrela “fugitiva” foi expulsa do “Coração da Escuridão”

CIÊNCIA

Impressão de artista da expulsão de S5-HVS1 por Sagitário A*, o buraco negro no centro da Via Láctea. O buraco negro e a parceira estelar de S5-HVS1 podem ser vistas no plano de fundo, perto do canto inferior esquerdo da imagem. S5-HVS1 está no plano da frente, afastando-se a grandes velocidades.
Crédito: James Josephides (Produções Astronómicas de Swinburne)

Uma estrela que viaja a velocidades ultra-rápidas após ser expelida pelo buraco negro super-massivo no coração da nossa Galáxia foi avistada por uma equipa internacional de astrónomos. O seu trabalho foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Viajando a uma incrível velocidade de 6 milhões de quilómetros por hora, a estrela está a mover-se tão depressa que deixará a Via Láctea e entrará no espaço intergaláctico.

De nome S5-HVS1, a estrela foi descoberta na direcção da constelação de Grou pelo autor principal Sergey Koposov da Universidade Carnegie Mellon como parte do levantamento S5 (Southern Stellar Stream Spectroscopic Survey) liderado por Ting Li de Carnegie. Estava a mover-se 10 vezes mais depressa do que a maioria das estrelas da Galáxia.

“A velocidade da estrela é tão alta que inevitavelmente deixará a Galáxia para nunca mais regressar,” disse o co-autor Douglas Boubert da Universidade de Oxford.

As estrelas de alta velocidade têm sido uma grande fonte de curiosidade para os astrónomos desde a sua descoberta há duas décadas. Dado que S5-HVS1 se move tão depressa e por ter passado relativamente perto da Terra – a 29.000 anos-luz, o que é praticamente “aqui ao lado” por padrões astronómicos – forneceu uma oportunidade sem precedentes para melhor entender estes fenómenos. Graças a estas circunstâncias únicas, os investigadores conseguiram traçar a sua viagem de volta ao centro da Via Láctea, onde existe um buraco negro com 4 milhões de vezes a massa do Sol.

“Isto é muito emocionante, pois há muito que suspeitamos que os buracos negros podem expulsar estrelas com velocidades muito altas. No entanto, nunca tivemos uma associação inequívoca de uma estrela tão rápida com o Centro Galáctico,” explicou Koposov. “Nós pensamos que o buraco negro ejectou a estrela a uma velocidade de milhares de quilómetros por segundo há cerca de 5 milhões de anos. Esta expulsão ocorreu quando os antepassados do ser humano estavam apenas a aprender a andar erectos.”

Há trinta anos, o astrónomo Jack Hills propôs que estrelas super-rápidas pudessem ser expelidas por buracos negros através de um processo que agora tem o seu nome.

“Esta é a primeira demonstração clara do mecanismo Hills em acção,” disse Li.

“Ver esta estrela é realmente incrível,” acrescentou. “Achamos que deve ter-se formado no Centro Galáctico, um local muito diferente do nosso ambiente local. É uma visitante de uma terra estranha.”

Originalmente, S5-HSV1 vivia com uma companheira num sistema binário, mas aproximaram-se demais do Sagitário A*, o buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea. Na luta gravitacional que se seguiu, a estrela companheira foi capturada pelo buraco negro, enquanto S5-HSV1 foi expulsa a uma velocidade extremamente alta.

“A minha parte favorita desta descoberta é pensar de onde esta estrela veio e para onde está a ir,” disse Ji. “Nasceu num dos locais mais loucos do Universo, perto de um buraco negro super-massivo com muitas outras amigas estelares próximas; mas vai deixar a nossa Galáxia e morrer sozinha, no meio do nada.”

A descoberta inicial foi feita com o Telescópio Anglo-Australiano e acompanhada com observações do satélite Gaia da ESA, que permitiu aos astrónomos revelar totalmente a velocidade da estrela e a sua viagem.

“As observações não teriam sido possíveis sem as capacidades únicas do instrumento 2dF do AAT,” disse Daniel Zucker, astrónomo da Universidade Macquarie em Sydney e membro do Comité Executivo do S5.

“Estou tão empolgado por esta estrela ter sido descoberta pelo S5,” acrescentou Kyler Kuehn do Observatório Lowell e outro membro do Comité Executivo do S5. “Embora o principal objectivo científico do S5 seja investigar os fluxos estelares – a perturbação por galáxias anãs e enxames globulares – nós dedicámos recursos do instrumento para procurar alvos interessantes na Via Láctea e ‘voilá!’, encontrámos algo incrível ‘de graça’.”

Astronomia On-line
15 de Novembro de 2019

 

3031: A NASA pode já ter encontrado o misterioso Planeta X

CIÊNCIA

NASA

O misterioso Planeta X, um planeta gigante desconhecido nos confins do Sistema Solar e que mexe com as órbitas de algumas das rochas do Cinturão de Kuiper, pode já ter sido visto pela NASA.

Acredita-se que o Planeta X tenha cerca de cinco vezes a massa da Terra. Não se sabe exactamente o que é nem onde se localiza – e muito menos onde começar a procurá-lo. No entanto, agora, uma equipa de investigadores acredita que podemos já ter todos os dados que precisamos.

De acordo com os autores do estudo publicado no mês passado na revista especializada Research Notes of the AAS, Matthew J Holman, Matthew J Payne e Andras Pa, o satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA pode já ter visto este planeta misterioso, mas ainda não tivemos tempo de procurá-lo nas fotografias nas vastas áreas de dados captadas pelo caçador de planetas.

O TESS procura exoplanetas usando o método de trânsito – ou seja, aguarda enquanto observa os trechos do céu, esperando que algo se atravesse na frente da luz das estrelas distante. No entanto, uma única exposição não poderia capturar algo tão distante e fraco como o Planeta X, por isso, o TESS usa o método de rastreamento digital.

O rastreamento digital envolve o empilhamento de imagens do mesmo campo de visão um sobre o outro, aumentando assim o brilho de objectos distantes. Até agora, a técnica tem sido usada com grande efeito na busca de novos asteróides, mas ainda não foi usada na busca pelo Planeta X ou qualquer outro objecto misterioso e massivo que exista além de Neptuno.

Por outro lado, o Planeta X é um alvo em movimento. Por isso, de acordo com o Russia Today, são necessários alguns cálculos para descobrir a sua trajectória à medida que se move pelo espaço. “Para descobrir novos objectos, com trajectórias desconhecidas, podemos tentar todas as órbitas possíveis!”, escreveram os autores.

O rastreamento digital tem sido usado em conjunto com o Telescópio Espacial Hubble para descobrir vários objectos além de Neptuno. Embora seja teoricamente possível, na prática, qualquer pessoa que queira encontrar o Planeta X nos dados do TESS teria de testar todas as órbitas possíveis – e até os supercomputadores mais poderosos do mundo precisariam de algum tempo para realizar essa tarefa.

A existência do Planeta X, que os cientistas acreditam ser gigante e gélido, foi prevista pela primeira vez no trabalho de Konstantin Batygin e Mike Brown em Janeiro de 2016. As suas propriedades físicas e químicas devem ser semelhantes às de Úrano e Neptuno e o misterioso mundo deverá ter um longo período de órbita: 15 mil anos.

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Há cientistas que sustentam ainda que o “novo” membro do Sistema Solar possa ser também responsável pela inclinação incomum do Sol.

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15 Novembro, 2019

 

3030: Cientistas reconstruiram a cara mutilada de uma guerreira Viking

CIÊNCIA

(dr) National Geographic

Um esqueleto encontrado num cemitério Viking em Solør, na Noruega, tinha sido identificado como sendo de uma mulher há vários anos, mas os especialistas não tinham a certeza se tinha sido verdadeiramente uma guerreira.

Agora, a reconstrução da sua face mutilada parece confirmar o seu estatuto. Ao jornal britânico The Guardian, Ella Al-Shamahi, arqueóloga, explicou que que esta última parte só estava em disputa “porque a ocupante era uma mulher” – apesar do seu local de enterro estar preenchido com um arsenal de armas que incluía flechas, espada, escudo, lança e um machado.

Cientistas britânicos assumem que o aparente ferimento na cabeça no seu crânio tenha tido origem numa espada, embora ainda não se saiba se essa foi a causa da morte da mulher. O exame aos seus restos mortais mostrou sinais de cura, o que pode indicar que essa lesão era muito mais antiga.

No entanto, a reconstrução facial 3D trouxe o seu rosto completo de lacerações brutais de volta à vida depois de mais de mil anos. Al-Shamahi acredita que esta é “a primeira evidência já encontrada de uma mulher viking com um ferimento de batalha“.

Para Al-Shamahi, olhar para a reconstrução da mulher, cujos restos mortais estão agora preservados no Museu de História Cultural de Oslo, foi uma vitória científica.

Caroline Erin, que trabalhou na reconstrução na Universidade de Dundee, no Centro de Anatomia e Identificação Humana, deixou claro que os resultados não são perfeitos. O processo começou por adicionar tecido muscular e depois estratificar a pele. “A reconstrução resultante nunca é 100% precisa, mas é suficiente para gerar reconhecimento de alguém que os conhecia bem na vida real”, explicou.

“Estou tão empolgada porque este rosto não era visto há mil anos”, disse Al-Shamahi. “De repente, tornou-se realmente real”, disse, acrescentando que o túmulo estava “completamente cheio de armas”. Segundo o Ancient Origins, muitos guerreiros vikings acreditavam que as armas poderiam ser usadas na vida após a morte.

Para o especialista em Vikings e consultor arqueológico do projecto, Neil Price, estas últimas descobertas são apenas o começo. Price acredita que as mulheres desempenharam um papel substancial na guerra viking.

Al-Shamahi deverá apresentar um próximo documentário da National Geographic sobre a conquista.

Esta evidência contraria a ideia de que as mulheres Viking não eram guerreiras. Mas, de acordo com o All That’s Interesting, não é a primeira vez que esse conceito é contrariado, uma vez que, em 2017, um teste de ADN confirmou que um esqueleto Viking enterrado com armas e cavalos na Suécia era, ao contrário do que se pensava, do sexo feminino.

ZAP //

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15 Novembro, 2019

 

3029: “Veado rato”, desaparecido durante quase 30 anos, foi reencontrado por cientistas

CIÊNCIA

O veado rato vietnamita (Tragulus versicolor) é uma espécie de animal que estava desaparecida há quase 30 anos e que foi agora reencontrada por cientistas.

O animal é uma espécie de pequeno veado, com pequenas presas, mas que tem o tamanho de um hamster. Conhecido como “veado rato”, e visto pela última vez há quase 30 anos, foi apanhado por câmaras instaladas estrategicamente pelos cientistas. A espécie é considerada endémica do Vietname, país onde foi novamente avistada.

“Não havia motivo para pensar que estava extinto, mas, ao mesmo tempo, não sabíamos que não estava extinto”, disse o autor do estudo, Andrew Tilker, da Global Wildlife Conservation, citado pela Live Science. “Nenhum cientista tinha ideia se ainda andava por aí”, acrescentou.

Tilker confessou ainda que a sua equipa há muito que tem feito esforços para reencontrar esta espécie. O artigo foi com os detalhes foi publicado, esta segunda-feira, na revista Nature Ecology & Evolution. De acordo com a National Geographic, a equipa de especialistas espera que esta redescoberta sirva para aprimorar a protecção da espécie.

Graças às câmaras activadas por sensor de movimento, os investigadores conseguiram captar 275 fotografias da espécie, durante cinco meses. Posteriormente, voltaram a instalar ainda mais câmaras durante o mesmo período de tempo e conseguiram outras 1.881 fotos.

Global Widlife Conservation

Os cientistas continuam sem saber quantos espécimes tem a população e se, de facto, a espécie continua em vias de extinção. No Vietname, a caça ilegal é um problema que ameaça várias espécie.

“Queremos perceber o quão ameaçada a espécie está e desenvolver estratégias de conservação baseadas em evidências para protegê-la. Se não implementarmos esforços de conservação para proteger esta espécie agora, da próxima vez que ela desaparecer, talvez não a encontremos novamente”, explicou Tilker.

ZAP //

Por ZAP
14 Novembro, 2019

 

3026: Descoberta a primeira vespa polinizadora da época dos dinossauros

CIÊNCIA

(dr) Instituto Geológico y Minero de España.

Uma equipa de cientistas encontrou a primeira vespa polinizadora (prosphex anthophilos), que conviveu com dinossauros há cerca de 100 milhões de anos.

O animal foi encontrado num fragmento de resina fossilizada em Mianmar, na Birmânia, segundo detalha a agência de notícias espanhola EFE.

“Foi a primeira vez que um insecto polinizador coberto com grãos de angiospermas da era dos dinossauros foi descoberto e justamente quando essas plantas começaram a ser muito importantes nos ecossistemas terrestres”, explicou Eduardo Barrón, cientista do Instituto Geológico e Mineiro de Espanha e especialista em pólen fóssil.

A investigação teve início no Museu Americano de História Natural, quando foi descoberta uma vespa com o ferrão coberto de grãos de pólen numa amostra de resina.

As plantas com flores das quais a vespa se alimentava, poderiam ser encontradas na vegetação rasteira e em áreas costeiras de correntes de água e lagoas.

A descoberta, que contou com a participação de investigadores norte-americanos e espanhóis, foi publicada na Communications Biology, da revista Nature, informou o Instituto Geológico e Mineiro de Espanha.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

3024: NASA: Cientistas fazem descoberta desconcertante sobre o oxigénio de Marte

CIÊNCIA

A atmosfera de Marte tem oxigénio, contudo, são apenas leves traços. Na verdade, além do gás que sustenta a nossa vida, o “ar que se respira” no planeta vermelho é composto por 95% de dióxido de carbono, azoto, argão, água e metano.

Segundo a NASA, a sonda Curiosity, descobriu um padrão de comportamento do oxigénio muito estranho. De tal forma que os investigadores nunca viram comportamento igual e não são capazes de explicar quimicamente o que descobriram.

Marte tem oxigénio que o ser humano respira

Pela primeira vez na história da exploração espacial, os cientistas mediram as mudanças sazonais nos gases que enchem o ar directamente acima da superfície da Cratera Gale em Marte.

Como resultado, foi descoberto algo desconcertante: o oxigénio, o gás que muitas criaturas da Terra usam para respirar, comporta-se de uma maneira que até agora os cientistas não conseguem explicar através de nenhum processo químico conhecido.

Como é a atmosfera de Marte?

Ao longo de três anos de Marte (ou quase seis anos da Terra), um instrumento no laboratório de química portátil Sample Analysis at Mars (SAM) dentro da barriga da sonda Curiosity da NASA inalou o ar da Gale Crater e analisou a sua composição.

Os resultados obtidos depois do SAM cuspir as amostram apresentaram e confirmaram a composição da atmosfera marciana na superfície.

Assim, o ar é composto por 95% em volume de dióxido de carbono (CO2), 2,6% de azoto molecular (N2), 1,9% de argão (Ar), 0,16% de oxigénio molecular (O2) e 0,06% de monóxido de carbono (CO).

Além disso, foi também revelado o processo de como as moléculas do ar marciano se misturam e circulam com as mudanças na pressão do ar ao longo do ano.

Percebeu-se que essas mudanças são causadas quando o gás CO2 congela sobre os pólos no inverno, diminuindo assim a pressão do ar em todo o planeta após a redistribuição do ar para manter o equilíbrio da pressão. Quando o CO2 evapora na primavera e no verão e se mistura, provoca um aumento da pressão do ar.

Há mais oxigénio em Marte no verão

Os dados agora recolhidos, permitiram aos investigadores medir as alterações nos gases da atmosfera imediatamente acima da Cratera Gale. Como resultado, foi descoberto que o nitrogénio e o argão seguem um padrão expectável. As concentrações destes gases aumentam e diminuem naquela região ao longo do ano face à quantidade de CO2 existente no ar.

Contudo, em contracorrente do que eram as expectativas, o mesmo não acontece com o oxigénio.

Surpreendentemente, a quantidade do oxigénio no ar aumentou durante toda a primavera e verão em cerca de 30%. Posteriormente, como voltou aos níveis previstos no outono marciano.

Apesar de ser algo novo para os investigadores, este notaram que o acontecimento não foi um caso isolado. Este padrão repetiu-se a cada primavera.

Na primeira vez que observamos o fenómeno, foi chocante.

Referiu Sushil Atreya, professor de ciências climáticas e espaciais.

O mistério do oxigénio de Marte sem explicação

Assim que os cientistas descobriram o enigma do oxigénio, os especialistas de Marte começaram a trabalhar para o explicar.

Primeiro verificaram a precisão do instrumento SAM que usaram para medir os gases: o Espectrómetro de Massa Quadrupolar. O instrumento estava bem.

A seguir consideraram a possibilidade de que as moléculas de CO2 ou água (H2O) pudessem ter liberado oxigénio quando se separaram na atmosfera, levando ao aumento de curta duração. Contudo, seria necessário cinco vezes mais água acima de Marte para produzir o oxigénio extra, e o CO2 decompõe-se muito lentamente para gerá-lo em tão pouco tempo.

E quanto à diminuição do oxigénio? Poderia a radiação solar ter quebrado as moléculas de oxigénio em dois átomos que explodiram no espaço?

Segundo os cientistas nada disto faz sentido. Isto porque seriam necessários pelo menos 10 anos para que o oxigénio desaparecesse através deste processo.

Estamos a lutar para explicar isto. O facto de que o comportamento do oxigénio não é perfeitamente repetível a cada estação faz-nos pensar que não é um problema que tem a ver com a dinâmica atmosférica. Tem que ser alguma fonte química e sumidouro que ainda não podemos explicar.

Referiu Melissa Trainer, cientista planetária do Goddard Space Flight Center da NASA.

A história do oxigénio marciano

Para os cientistas que estudam Marte, a história do oxigénio é curiosamente semelhante à do metano. Deste modo, o metano está constantemente no ar dentro da Gale Crater em quantidades tão pequenas (0,00000004% em média) que é dificilmente discernível mesmo pelos instrumentos mais sensíveis de Marte.

Ainda assim, o gás foi medido pelo Espectrómetro Laser da SAM. O instrumento revelou que enquanto o metano sobe e desce sazonalmente, aumenta em abundância em cerca de 60% nos meses de verão por razões inexplicáveis. (Na verdade, o metano também aumenta de forma aleatória e dramática. Os cientistas estão a tentar perceber porquê).

Estamos a começar a perceber uma correlação tentadora entre metano e oxigénio durante boa parte do ano de Marte. Julgo que terá algo a ver com isso. Só não tenho ainda as respostas ainda. Ninguém tem.

Concluiu Atreya.

Terá sido produzido por “seres vivos”?

O oxigénio e o metano podem ser produzidos biologicamente (por micróbios, por exemplo) e abiologicamente (da química relacionada à água e às rochas).

Apesar destas tantas dúvidas, os cientistas estão a considerar todas as opções, embora não tenham nenhuma evidência convincente da actividade biológica em Marte.

A sonda da NASA não possui instrumentos para dizer se a fonte do metano ou do oxigénio marciano é biológica ou geológica. Então, os cientistas esperam que as explicações não biológicas sejam mais prováveis e estão a trabalhar rápido para obter respostas definitivas.

Mars Curiosity Rover encontra evidências de um antigo oásis em Marte

Conforme a própria NASA por várias vezes referiu, onde há água há vida e o encontrar de água em Marte é uma prioridade. Nesse sentido, numa última caminhada pela Cratera Gale em Marte, o … Continue a ler


Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

3023: O misterioso monstro Tully acabou de ficar ainda mais misterioso

CIÊNCIA

Sean McMahon / Yale University
Ilustração do pré-histórico Monstro Tully, criatura marinha que terá vivido há 300 milhões de anos.

Uma nova investigação desmente um anterior estudo que argumentava que Tully era um vertebrado. A verdadeira natureza desde “monstro” continua um mistério para a comunidade científica.

De vez em quando, os cientistas descobrem fósseis que são tão bizarros que desafiam a classificação, já que diferem de qualquer outro animal ou planta viva. Tullimonstrum (também conhecido como monstro Tully), um fóssil de 300 milhões de anos descoberto no Illinois, nos EUA, é uma dessas criaturas.

À primeira vista, Tully parece superficialmente parecido com uma lesma. Mas onde se esperaria que estivesse a boca, a criatura tem um apêndice longo e fino que parece um par de garras. Depois, há os olhos, que se projectam para fora do corpo.

Tully é tão estranho que os cientistas nem conseguiram concordar se é um vertebrado ou um invertebrado. Em 2016, um grupo de cientistas disse ter resolvido o mistério de Tully, fornecendo as evidências mais fortes de que era um vertebrado. No entanto, uma nova equipa de cientistas protagonizou um novo estudo que questiona essa conclusão, o que significa que este monstro está mais misterioso do que nunca.

O monstro Tully foi originalmente descoberto nos anos 50 por um coleccionador de fósseis chamado Francis Tully. Desde a sua descoberta, os cientistas questionaram-se a que grupo de animais modernos Tully pertence.

Houve muitas tentativas de classificar o monstro Tully. A maioria desses estudos concentrou-se na aparência de algumas das suas características mais importantes. O corpo do monstro Tully é tão incomum que expandirá bastante a diversidade de qualquer grupo ao qual ele finalmente pertença, mudando a maneira como pensamos sobre esse grupo de animais.

A investigação de 2016 argumentou que o animal deveria ser agrupado com vertebrados porque os olhos contêm pigmentos chamados melanossomas, que são organizados por forma e tamanho da mesma maneira que os olhos de vertebrados. Contudo, este novo estudo mostra que os olhos de alguns invertebrados, como polvos e lulas, também contêm melanossomas divididos por forma e tamanho de maneira semelhante aos olhos de Tully, e que esses também podem ser preservados em fósseis.

Investigação de acelerador de partículas

Para fazer isto, os cientistas usaram um tipo de acelerador de partículas, que permitiu explorar a composição química de amostras de fósseis e de animais.

Primeiro, descobriram que os melanossomas dos olhos dos vertebrados modernos têm uma proporção maior de zinco e cobre do que os invertebrados modernos estudados. A equipa ficou surpreendida ao descobrir o mesmo padrão em vertebrados fossilizados e invertebrados encontrados no Illinois.

Em seguida, analisaram a química dos olhos de Tully e a proporção de zinco e cobre era mais semelhante à dos invertebrados do que dos vertebrados. Isto sugere que o animal pode não ter sido um vertebrado, contradizendo os esforços anteriores para classificá-lo.

Também descobriram que os olhos de Tully contêm tipos diferentes de cobre aos encontrados nos olhos dos vertebrados — mas o cobre também não era idêntico ao dos invertebrados estudados. Portanto, embora o novo estudo acrescente peso à ideia de que Tully não era um vertebrado, também não o identifica claramente como um invertebrado.

Qual é agora o caminho a seguir? Uma análise mais ampla da química dos melanossomas e outros pigmentos nos olhos de uma ampla gama de invertebrados seria um bom próximo passo. Isto pode ajudar a diminuir ainda mais o grupo de animais aos quais Tully pertence.

O enigma de que tipo de criatura é o monstro Tully continua. Ainda assim, esta nova investigação demonstra como o estudo de fósseis nos níveis químico e molecular pode desempenhar um papel importante na descoberta da identidade desta e de outras criaturas enigmáticas.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
13 Novembro, 2019

 

3021: Asteróide “potencialmente perigoso” aproxima-se da Terra esta quarta-feira

CIÊNCIA

Um asteróide com 147 metros de diâmetro, caracterizado pela NASA como “potencialmente perigoso” vai aproximar-se da Terra esta quarta-feira.

Em causa está o corpo rochoso UN12 2019, explica a agência espacial norte-americana, dando conta que o asteróide se aproximará a uma distância mínima de 0,0095 unidades astronómicas (1.421.179,77 km), a uma velocidade de 103.000 quilómetros por hora.

A NASA define como “potencialmente perigosos” os asteróides que se podem aproximar da Terra através de um caminho que pode ser ameaçador, especialmente aqueles corpos que possuem uma distância mínima de intersecção da órbita (MOID) de 0,05 UA ou menos, e uma magnitude absoluta de 22,0 ou menos, nota a Russia Today.

Para que o UN12 2019 se aproxime da Terra novamente, este corpo deverá esperar até Junho de 2023, quando a sua distância mínima será de 0,07 UA.

Em Setembro passado, A Agência Espacial Europeia (ESA) revelou que estima que existam 878 asteróides na lista dos potencialmente perigosos que podem colidir com o nosso planeta. “A lista da ESA junta todos os asteróides dos quais temos conhecimento e que têm hipóteses ‘não nulas’ de colidir com a Terra nos próximos 100 anos – destacando que o impacto, sendo bastante improvável, não pode ser excluído”.

Também a NASA está atenta a estes corpos, tendo reunido esforços para melhorar a capacidade de detecção de asteróide. Em Abril último, uma equipa de astrónomos propôs uma nova estratégia para a detecção precoce de rochas espaciais em rota de colisão com a Terra, que consiste no rastreamento do calor.

“Se encontrarmos um objecto apenas alguns dias dias antes do impacto, as nossas opções são limitadas”, começou por explicar a cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da agência espacial norte-americana, Amy Mainzer.

ZAP //

Por ZAP
12 Novembro, 2019

 

Espécie “rara” de abutre avistada em Mogadouro

CIÊNCIA

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro.

Investigadores da Palombar, uma associação transmontana que se dedica à conservação da natureza, registou a presença de um “raro” grifo-de-rüppell (‘Gyps rueppellii’), em Bruçó, no concelho de Mogadouro, revelou à Lusa o biólogo, José Pereira.

“Trata-se de uma espécie de ave rupícola (grifo/abutre) que se encontra ameaçada no mundo, tendo sido registada a sua presença, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, em Pleno Parque Natural do Douro Internacional [PNDI]”, indicou o técnico da Palombar.

Os técnicos constataram que o avistamento do abutre havia sido registado por câmaras de armadilhagem fotográfica no passado dia 19 de Junho, num campo de alimentação para aves necrófagas em Bruçó, no concelho de Mogadouro, gerido pela Palombar, no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

“A Palombar confirmou que se tratava de um indivíduo da espécie ‘Gyps rueppellii’, tendo consultado outros especialistas em abutres, que deram igualmente um parecer afirmativo, corroborando que, de facto, se trata de um grifo-de-rüppell”, frisou José Pereira.

Segundo vários especialistas envolvidos no projecto, devido às “alterações climáticas que se verificam e à progressiva ‘africanização’ do clima na Península Ibérica, muitas espécies de aves africanas parecem estar a colonizar este território, incluindo alguns abutres”.

Em Setembro de 2018,a Palombar anunciava o avistamento, também no PNDI, de uma outra “espécie rara”, uma águia-imperial-ibérica, igualmente no âmbito do projecto “LIFE Rupis”.

Segundo o biólogo, esta espécie encontra-se principalmente na África central e habita sobretudo na savana aberta e árida, em áreas semi-desérticas, em zonas limites do deserto e em zonas de montanha.

Apesar de ainda não existirem registos definitivos que comprovem a ocorrência de reprodução dessa espécie na Europa, o grifo-de-rüppell tem sido avistado com cada vez mais frequência na Península Ibérica, acreditam os técnicos ligados à conservação da natureza.

“O grifo-de-rüeppell é uma espécie de abutre africana que chegou ao Douro Internacional”, vincou José Pereira.

Quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente”

Para os ambientalistas e técnicos da conservação da natureza, a Europa poderá passar a ter uma quinta espécie de abutre “ameaçada globalmente” no seu território.

Segundo esta associação, os campos de alimentação para aves necrófagas “são fundamentais para assegurar a conservação de espécies de aves com hábitos alimentares necrófagos”.

“Isto porque uma das principais ameaças que estas aves enfrentam é a falta de disponibilidade de alimento, a qual foi agravada com a chamada crise das ‘Vacas Loucas’, que levou a que as carcaças de gado não pudessem mais ficar no campo. Esta sempre foi a principal fonte de alimentação das aves necrófagas “, indicam estudos da Palombar.

O projecto Life Rupis, lançado há cerca de quatro anos por nove entidades ibéricas ligadas à conservação da natureza no Douro Internacional, apresenta resultados “positivos”, nomeadamente no reforço da população de aves como a águia-perdigueira e o britango.

O projecto teve início em Julho de 2015 e tem uma duração de quatro anos, estando dotado com um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia e cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

Os parceiros envolvidos neste projecto são a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Associação Transumância e Natureza, Palombar, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Junta de Castilla y León, Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, Vulture Conservation Foundation, EDP Distribuição e GNR.

Diário de Notícias

Lusa
12 Novembro 2019 — 15:27

 

3018: NICER avista explosão recorde de raios-X

CIÊNCIA

Ilustração que mostra uma explosão de raios-X do Tipo I. A explosão expele primeiro a camada de hidrogénio, que se expande e acaba por se dissipar. Em seguida, a radiação cresce até ao ponto em que liberta a camada de hélio, que ultrapassa a camada de hidrogénio. Alguns dos raios-X emitidos na explosão são espalhados para o disco de acreção. A bola de fogo arrefece rapidamente e o hélio assenta novamente para a superfície.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith(USRA)

O telescópio NICER (Neutron star Interior Composition Explorer) da NASA, na Estação Espacial Internacional, detectou um pico repentino de raios-X por volta das 22:04 do dia 20 de Agosto. A explosão foi provocada por um enorme flash termonuclear à superfície de um pulsar, os remanescentes esmagados de uma estrela que há muito tempo explodiu como super-nova.

O surto de raios-X, o mais brilhante visto até agora pelo NICER, veio de um objecto chamado SAX J1808.4-3658, ou J1808 para abreviar. As observações revelam muitos fenómenos que nunca foram vistos juntos numa única explosão. Além disso, o surto em diminuição aumentou novamente e brevemente de brilho por razões que os astrónomos ainda não conseguem explicar.

“Esta explosão foi notável,” disse o investigador Peter Bult, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e da Universidade de Maryland em College Park. “Vemos uma mudança de brilho em duas etapas, que pensamos ser provocada pela libertação de camadas separadas da superfície do pulsar e outras características que nos ajudarão a descodificar a física destes eventos poderosos.”

A explosão, que os astrónomos classificam como uma explosão de raios-X do Tipo I, libertou tanta energia em 20 segundos quanto o Sol em quase 10 dias. Os detalhes que o NICER capturou desta erupção recorde ajudarão os astrónomos a entender melhor os processos físicos que impulsionam surtos termo-nucleares deste e de outros pulsares explosivos.

Os pulsares são uma espécie de estrela de neutrões, o núcleo compacto deixado para trás quando uma estrela massiva fica sem combustível, colapsa sob si própria e explode. Os pulsares podem girar rapidamente e hospedar pontos quentes emissores de raios-X nos seus pólos magnéticos. À medida que o objecto gira, varre os seus pontos quentes na nossa linha de visão, produzindo pulsos regulares de radiação altamente energética.

J1808 está localizado a mais ou menos 11.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Sagitário. Gira 401 vezes por segundo e é membro de um sistema binário. A sua companheira é uma anã castanha, um objecto maior do que um planeta gigante gasoso, mas pequeno demais para ser uma estrela. Um fluxo constante de hidrogénio gasoso flui da companheira para a estrela de neutrões e acumula-se numa vasta estrutura de armazenamento chamada disco de acreção.

O gás nos discos de acreção não se move para dentro facilmente. Mas a cada poucos anos, os discos em redor de pulsares como J1808 tornam-se tão densos que uma grande quantidade de gás é ionizado ou despojado dos seus electrões. Isto dificulta a movimentação da luz pelo disco. A energia aprisionada inicia um processo descontrolado de aquecimento e ionização que retém ainda mais energia. O gás torna-se mais resistente ao fluxo e começa a espiralar para dentro, caindo finalmente no pulsar.

A “chuva” de hidrogénio até à superfície forma um “mar” global quente e cada vez mais profundo. Na base desta camada, as temperaturas e as pressões aumentam até que os núcleos do hidrogénio se fundem para formar núcleos de hélio, o que produz energia – um processo em funcionamento no núcleo do nosso Sol.

“O hélio acumula-se e cria a sua própria camada,” disse Zaven Arzoumanian, vice-investigador principal do NICER e co-autor do artigo. “Quando a camada de hélio tem alguns metros de profundidade, as condições permitem que os núcleos de hélio se fundam em carbono. Então, o hélio entra em erupção explosiva e lança uma bola de fogo termonuclear por toda a superfície do pulsar.”

Os astrónomos empregam um conceito chamado limite de Eddington – em honra ao astrofísico inglês Sir Arthur Eddington – para descrever a intensidade máxima de radiação que uma estrela pode ter antes que a radiação faça com que se expanda. Este ponto depende fortemente da composição do material acima da fonte de emissão.

“O nosso estudo explora este conceito de longa data de uma nova maneira,” disse o co-autor Deepto Chakrabarty, professor de física no MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge. “Aparentemente, estamos a ver o limite de Eddington para duas composições diferentes na mesma explosão de raios-X. Esta é uma maneira muito poderosa e directa de acompanhar as reacções de queima nuclear subjacentes ao evento.”

Ao início da explosão, os dados do NICER mostram que o brilho dos raios-X diminuiu durante quase um segundo antes de aumentar novamente num ritmo mais lento. Os cientistas interpretam esta “paralisação” como o momento em que a energia da explosão se acumulou o suficiente para fazer explodir a camada de hidrogénio do pulsar para o espaço.

A bola de fogo continuou a crescer por mais dois segundos e, em seguida, atingiu o seu pico, explodindo a camada de hélio mais massiva. O hélio expandiu-se mais rapidamente, ultrapassou a camada de hidrogénio antes que pudesse dissipar-se e, em seguida, diminuiu de velocidade, parou e assentou-se à superfície do pulsar. Após esta fase, o pulsar aumentou novamente de brilho, cerca de 20%, mas apenas brevemente, por razões que a equipa ainda não entende.

Durante esta recente actividade de J1808, o NICER detectou outra explosão de raios-X, muito mais fraca, que não exibiu nenhuma das principais características observadas no evento de 20 de Agosto.

Além de detectar a expansão de diferentes camadas, as observações da explosão pelo NICER revelam raios-X reflectidos pelo disco de acreção e registam o piscar das “oscilações de rajada” – sinais de raios-X que aumentam e diminuem na frequência de rotação do pulsar, mas que ocorrem em locais da superfície diferentes dos pontos quentes responsáveis pelos seus pulsos normais de raios-X.

O artigo que descreve estas descobertas foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e está disponível online.

Astronomia On-line
12 de Novembro de 2019

 

3017: Cientistas continuam a refinar o ritmo de expansão do Universo

CIÊNCIA

A análise da equipa abre caminho para melhores medições, no futuro, usando os telescópios do CTA.
Crédito: Daniel López/IAC

Utilizando tecnologias e técnicas de ponta, uma equipa de astrofísicos da Universidade de Clemson, Carolina do Sul, EUA, acrescentou uma nova abordagem para quantificar uma das leis mais fundamentais do Universo.

Num artigo publicado na passada sexta-feira, dia 8 de Novembro, na revista The Astrophysical Journal, os cientistas Marco Ajello, Abhishek Desai, Lea Marcotulli e Dieter Hartmann colaboraram com outros seis cientistas espalhados pelo mundo para conceber uma nova medição da Constante de Hubble, a unidade de medida usada para descrever o ritmo de expansão do Universo.

“O objectivo da cosmologia é entender a evolução do nosso Universo – como evoluiu no passado, o que está a fazer agora e o que acontecerá no futuro,” disse Ajello, professor associado no departamento de física e astronomia da Faculdade de Ciências da Universidade de Clemson. “O nosso conhecimento baseia-se em vários parâmetros – incluindo a Constante de Hubble – que procuramos medir com a maior precisão possível. Neste artigo, a nossa equipa analisou dados obtidos com telescópios espaciais e no solo para obter uma das mais recentes medições de quão rápido o Universo está a expandir-se.”

O conceito de um Universo em expansão foi introduzido pelo astrónomo americano Edwin Hubble (1889-1953), que o Telescópio Espacial Hubble honra com o seu nome. No início do século XX, Hubble tornou-se um dos primeiros astrónomos a deduzir que o Universo era composto por várias galáxias. A sua subsequente pesquisa levou à sua descoberta mais famosa: a de que as galáxias estavam a afastar-se umas das outras a uma velocidade proporcional à sua distância.

Hubble originalmente determinou que este ritmo de expansão rondava os 500 km/s/Mpc (quilómetros por segundo por mega-parsec; um mega-parsec é equivalente a 3,26 milhões de anos-luz). Hubble concluiu que uma galáxia a dois mega-parsecs da Via Láctea estava a afastar-se ao dobro da velocidade de uma galáxia situada a apenas um mega-parsec. Esta estimativa ficou conhecida como a Constante de Hubble, que provou pela primeira vez que o Universo estava a expandir-se. Os astrónomos têm vindo a recalibrá-la desde então – com resultados um tanto ou quanto confusos.

Com a ajuda das tecnologias aeroespaciais, os astrónomos apresentaram medições que diferem significativamente dos cálculos originais de Hubble – diminuindo o ritmo de expansão para o intervalo entre 50 e 100 km/s/Mpc. E, na última década, instrumentos ultra-sofisticados, como o satélite Planck, aumentaram a precisão das medições originais de Hubble de maneira relativamente dramática.

No novo artigo científico, a equipa colaborativa comparou os dados mais recentes da atenuação de raios-gama do Telescópio Espacial de Raios-gama Fermi e dos Telescópios IACT (Imaging Atmospheric Cherenkov Telescopes) para elaborar as suas estimativas a partir de modelos da luz extra-galática de fundo. Esta nova estratégia levou a uma medição de aproximadamente 67,5 km/s/Mpc.

Os raios-gama são a forma mais energética de luz. A luz extra-galática de fundo (LEF) é uma “neblina” cósmica composta de toda a radiação (ultravioleta, luz visível, infravermelha) emitida pelas estrelas ou pela poeira nas suas proximidades. Quando a LEF e os raios-gama interagem, deixam uma impressão observável – uma perda gradual de fluxo – que os cientistas foram capazes de analisar ao formular a sua hipótese.

“A comunidade astronómica está a investir uma quantidade muito grande de dinheiro e recursos na cosmologia de precisão com todos os diferentes parâmetros, incluindo a Constante de Hubble,” disse Dieter Hartmann, professor de física e astronomia. “A nossa compreensão destas constantes fundamentais definiu o Universo como o conhecemos agora. Quando o nosso conhecimento das leis se torna mais preciso, a nossa definição do Universo também se torna mais precisa, o que leva a novas ideias e descobertas.”

Uma analogia comum da expansão do Universo é um balão pontilhado de pontos, cada ponto representando uma galáxia. Quando o balão incha, os pontos afastam-se cada vez mais uns dos outros.

“Há quem teorize que o balão vai expandir-se até um ponto particular no tempo e que depois volta a colapsar,” explicou Desai, assistente no departamento de física e astronomia. “Mas a ideia mais aceite é a de que o Universo vai continuar a expandir-se até que tudo esteja tão distante que não haverá mais luz observável. Nesse ponto, o Universo sofrerá uma morte fria. Mas isso não é motivo para preocupações. Se tal acontecer, será daqui a biliões de anos.”

Mas se a analogia do balão está correta, o que é que está a fazer com que o balão inche?

“A matéria – as estrelas, os planetas, até nós – é apenas uma pequena fracção da composição geral do Universo,” explicou Ajello. “A grande maioria do Universo é composta por energia escura e matéria escura. E pensamos que é a energia escura que está a ‘inchar o balão’. A energia escura está a afastar os objectos astronómicos uns dos outros. A gravidade, que atrai objectos uns para os outros, é a força mais forte a nível local, razão pela qual algumas galáxias continuam a colidir. Mas a distâncias cósmicas, a energia escura é a força dominante.”

“É incrível estarmos a usar raios-gama para estudar cosmologia. A nossa técnica permite-nos usar uma estratégia independente – uma nova metodologia independente das existentes – para medir propriedades cruciais do Universo,” disse Alberto Dominguez, da Universidade Complutense de Madrid, ex-investigador do grupo de Ajello. “Os nossos resultados mostram a maturidade alcançada ao longo da última década pelo campo relativamente recente da astrofísica de alta energia. A análise que desenvolvemos abre caminho para melhores medições no futuro, usando o CTA (Cherenkov Telescope Array), que ainda está em desenvolvimento e que será a mais ambiciosa rede de telescópios terrestres de alta energia de sempre.”

Muitas das mesmas técnicas utilizadas neste presente trabalho estão relacionadas com trabalhos anteriores realizados por Ajello e colegas. Num projecto anterior, publicado na revista Science, Ajello e a sua equipa foram capazes de medir toda a luz estelar já emitida na história do Universo.

“O que sabemos é que os fotões dos raios-gama de fontes extra-galáticas viajam pelo Universo em direcção à Terra, onde podem ser absorvidos pela interacção com os fotões da luz das estrelas,” explicou Ajello. “O ritmo de interacção depende da distância que viajam. E a distância que viajam depende da expansão. Se a expansão for baixa, viajam uma pequena distância. Se a expansão for grande, percorrem uma distância muito grande. De modo que a quantidade de absorção que medimos depende fortemente do valor da Constante de Hubble. O que fizemos foi ‘voltar isto do avesso’ e usá-la para restringir o ritmo de expansão do Universo.”

Astronomia On-line
12 de Novembro de 2019