2691: Alguns planetas podem orbitar um buraco negro super-massivo em vez de uma estrela

CIÊNCIA

NASA Goddard

Estamos habituados à ideia de que um planeta orbita estrelas. No entanto, estes corpos celestes podem também existir em torno de buracos negros super-massivos.

Os cientistas já haviam adoptado a ideia de que há planetas a orbitar buracos negros mais pequenos, mas nada se sabe sobre a possibilidade de estes corpos espaciais orbitarem buracos negros super-massivos. Keiichi Wada, da Universidade de Kagoshima, no Japão, decidiu aplicar modelos de formação planetária para ver se esta hipótese pode ser real.

“Este é o primeiro estudo que afirma a possibilidade de formação” directa “de objectos semelhantes a planetas que não estão associados a estrelas, mas sim a buracos negros super-massivos”, afirmou a cientista, citada pelo New Scientist.

Os cientistas desconfiam que a formação de planetas começa com um disco de poeira e gás em torno de uma estrela. Gradualmente, este material agrupa-se e a gravidade atrai ainda mais material, construindo assim um planeta.

Wada e a sua equipa analisaram de que forma os discos conhecidos por cercar buracos negros super-massivos se comportariam e mostraram que este processo, muito semelhante ao da formação planetária, pode mesmo acontecer. “Basicamente, trata-se do mesmo processo que a formação de planetas normais ao redor das estrelas”, resume Wada.

Graças à sua enorme massa e força gravitacional, os buracos negros super-massivos distorcem o tempo espacial de maneiras estranhas. No entanto, os planetas em órbita podem não sentir efeitos estranhos, como a dilatação do tempo. Wada diz que, provavelmente, estes planetas orbitariam a uma grande distância – entre 10 e 30 anos-luz -, onde os efeitos extremos da relatividade geral seriam “desprezíveis”.

Os sistemas planetários em torno de um buraco negro super-massivo podem não ser como os sistemas estelares. “A quantidade de poeira é enorme”, o que significa que a massa dos planetas seria muito grande – cerca de 10 vezes mais massivos do que a Terra. Além disso, poderia haver até 10.000 planetas em torno de um único buraco negro. O artigo científico da equipa foi publicado no arXiv.org.

Sean Raymond, da Universidade de Bordeaux, diz que a lógica da equipa da universidade japonesa é plausível. Ainda assim, o cientista afirma que pode ser possível que os planetas se aproximem de um buraco negro super-massivo e existam em números ainda maiores.

Teoricamente, é possível que milhões de planetas orbitem um buraco negro super-massivo, mas isso exige que muitas coisas sejam perfeitas”, afirmou.

Detectar directamente estes planetas seria muito difícil por causa das vastas distâncias envolvidas. Ainda assim, através da astronomia infravermelha, pode ser possível observar o disco proto-planetário e, desta forma, conseguir provas indirectas de que planetas orbitam em torno de buracos negros super-massivos.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2689: Cientista diz que avanços científicos podem levar à extinção humana

CIÊNCIA

fotorince / Canva

A evolução da ciência e tecnologia pode ser fundamental para evitar catástrofes, mas, ironicamente, pode também ser a causadora do fim da nossa espécie.

O estudo das mudanças climáticas baseia-se em simulações cada vez mais de longo prazo. As previsões da ciência já não são meras hipóteses de validação ou invalidação, mas geralmente são ameaças graves — de crescente alcance e severidade — que devem ser evitadas.

Prever o perigo que se aproxima exige uma resposta proactiva. Isto significa que, cada vez mais, a procura pela tecno-ciência tende a não apenas investigar passivamente o mundo natural, mas também a intervir activamente nele.

No caso do clima, uma coisa que isto gerou foi a proposta de “geo-engenharia” — o aproveitamento em larga escala dos sistemas naturais da Terra, a fim de combater as consequências desastrosas das mudanças climáticas.

As nossas antecipações dos perigos da natureza motivam-nos a tentar intervir nela e reinventá-la para os nossos próprios propósitos e fins. Assim, cada vez mais vivemos num mundo da nossa própria autoria, no qual a divisão entre o “natural” e o “artificial” está em colapso. Vemos isso desde a edição genética até às inovações farmacêuticas e novos materiais.

Embora algumas destas tecnologias sejam correctamente consideradas o auge do progresso e da civilização, a nossa ânsia por antecipar e impedir o desastre em si gera os seus próprios perigos. Isto foi o que nos levou à nossa situação actual: a industrialização, que foi originalmente impulsionada pelo nosso desejo de controlar a natureza, talvez a tenha apenas tornado mais incontrolável.

Os nossos esforços para prever o mundo tendem a mudá-lo de maneiras imprevisíveis. Além de desbloquear oportunidades radicais, como novos medicamentos e tecnologias, representa novos riscos para a nossa espécie. É um veneno e uma cura. Embora a consciência desta dinâmica possa parecer incrivelmente contemporânea, ela na verdade é surpreendentemente mais distante na história.

Cometas e colisões

Foi em 1705 que o cientista britânico Edmond Halley previu correctamente o regresso do cometa em 1758, que agora carrega o seu nome. Esta foi uma das primeiras vezes que os números foram aplicados com sucesso à natureza para prever o seu curso a longo prazo. Este foi o começo da conquista do futuro pela ciência.

Na década de 1830, outro cometa — o Cometa de Biela — tornou-se objecto de atenção quando John Herschel levantou a hipótese de que um dia se cruzaria com a Terra. Tal encontro “apagaria-nos” do Sistema Solar.

Em 1827, um jornal de Moscovo publicou um conto a prever os efeitos de uma iminente colisão de cometas na sociedade. Estratégias de mitigação plausíveis foram discutidas. A história evocava máquinas gigantes que actuariam como “defesas” planetárias para “repelir” o míssil extraterrestre. A conexão entre prever a natureza e intervir artificialmente já estava a começar a ser entendida.

O príncipe russo

O conto tinha sido escrito pelo excêntrico príncipe russo Vladimir Odoievsky. Numa outra história, “O Ano 4338”, escrita alguns anos depois, descreve a sua representação da futura civilização humana. O título veio de cálculos contemporâneos que previam a futura colisão da Terra com o Cometa de Biela, 2.500 anos depois.

Kirill Gorbunov / Wikimedia

A humanidade tornou-se numa força planetária. No entanto, a visão de Odoyevsky desse futuro resplandecente (completo com aeronaves, uso recreativo de drogas, telepatia e túneis de transporte através do manto da Terra) é-nos transmitida inteiramente sob essa ameaça iminente de total extinção. Mais uma vez, os cientistas neste futuro planeiam repelir a ameaça do cometa com sistemas de defesa balística. Também há menção a sistemas de controle climático.

Isto demonstra perfeitamente que foi a descoberta de tais perigos que primeiro arrastaram — e continuam a arrastar — as nossas preocupações ainda mais para o futuro. A humanidade apenas se afirma tecnologicamente, em níveis cada vez mais planetários, quando percebe os riscos que enfrenta.

Não é surpresa que, nas notas anexas do livro, Odoyevsky forneça talvez aquela que é a primeira metodologia para uma “ciência geral da futurologia”.

Fim da humanidade

Em 1799, o filósofo alemão Johann Fichte antecipou a nossa actual mega-estrutura de previsão planetária. Ele anteviu um tempo de previsão perfeita e argumentou que isso domesticaria o planeta inteiro, apagaria a natureza selvagem e até erradicaria inteiramente “furacões”, “terramotos” e “vulcões”. O que Fichte não previu foi o facto de que a própria tecnologia que nos permite prever também cria riscos novos e imprevistos.

Mas Odoyevsky gostou disto. Em 1844, ele publicou outra história intitulada “O Último Suicídio”. Desta vez, imaginou uma humanidade futura que se tornara novamente uma força planetária. A urbanização saturou o espaço global, com as cidades a crescer e a fundirem-se numa Ecumenópole — uma única e gigantesca cidade global.

No entanto, Odoyevsky alerta para os perigos que vêm com a aceleração da modernidade. Este é um mundo em que o progresso tecnológico descontrolado causou sobre-população e esgotamento de recursos. A natureza tornou-se inteiramente artificial, com espécies não-humanas e ecossistemas totalmente obliterados.

Alienado e deprimido, o mundo recebe um líder demagogo que convence a humanidade a extinguir-se. Numa última expressão do poder tecnológico, a civilização armazena todas as suas armas e começa a explodir o planeta inteiro.

Odoyevsky prenuncia, assim, a discussão contemporânea sobre o “risco existencial” e o potencial dos nossos desenvolvimentos tecnológicos para desencadear a própria extinção de espécies. Em 1844, a sua visão é sombria, mas surpreendentemente presciente ao reconhecer que o poder necessário para evitar uma catástrofe existencial é também o poder necessário para causá-la.

Séculos depois, agora que temos esse poder, não podemos recusá-lo ou rejeitá-lo — devemos exercê-lo com responsabilidade. Vamos torcer para que a ficção de Odeovskii não se torne na nossa realidade.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
22 Setembro, 2019

 

2687: Estudo mostra que os golfinhos também já são resistentes aos antibióticos

CIÊNCIA

ST33VO via Foter.com / CC BY

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos mostra que os golfinhos Tursiops truncatus também já mostram resistência aos antibióticos.

Não é segredo que os seres humanos usam demasiados antibióticos, tanto que estamos a desenvolver uma resistência a estes medicamentos. No entanto, de acordo com um novo estudo publicado na revista científica Aquatic Mammals, o mesmo já está a acontecer com os golfinhos.

“Ao contrário dos humanos, os golfinhos selvagens não tomam antibióticos e, por isso, não se espera um aumento da sua resistência”, explica Adam Schaefer ao IFLScience, o autor principal do estudo e epidemiologista do FAU Harbor Branch.

“É preocupante porque significa que as bactérias resistentes a antibióticos e os antibióticos estão a entrar no ambiente marinho. Uma vez nesse ambiente, os genes de resistência estão a ser trocados entre bactérias na água, sendo que algumas dessas bactérias são potenciais patógenos humanos”, acrescenta.

Os cientistas analisaram amostras retiradas da narina, fluido gástrico e fezes de 171 golfinhos Tursiops truncatus entre 2003 e 2015, na Indian River Lagoon, nos Estados Unidos.

A prevalência geral de resistência a pelo menos um antibiótico foi de 88,2%. A eritromicina assumiu a liderança com uma prevalência de 91,6%. O segundo e o terceiro lugares da tabela foram ocupados pela ampicilina (77,3%) e pela cefalotina (61,7%).

“Provavelmente vêm de fontes terrestres. O IRL onde o estudo foi realizado é cercado por uma maior população humana. Os inputs do tratamento de águas residuais, canais e agricultura afectam a saúde da lagoa em geral”, afirma Schaefer.

“O nosso estudo não pôde confirmar se estas bactérias resistentes estão a causar infecções nos golfinhos. Em vez disso, como um predador no topo da cadeia alimentar, os golfinhos podem ser um barómetro para a saúde dos ambientes em que vivem. Estas são as mesmas águas que os seres humanos usam para a pesca e para a recreação. Portanto, estes animais também podem identificar possíveis ameaças à saúde pública”.

ZAP //

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22 Setembro, 2019

 

2683: O mistério da origem do estanho da Idade do Bronze foi finalmente resolvido

CIÊNCIA

Sangjun Yi / Flickr

A origem do estanho usado na Idade do Bronze tem sido um dos maiores enigmas da pesquisa arqueológica. Agora, investigadores resolveram parte do quebra-cabeças.

Um grupo de arqueólogos da Universidade de Heidelberg e do Centro de Arqueometria Curt Engelhorn, em Mannheim, na Alemanha, resolveram o mistério da origem do estanho utilizado durante a Idade do Bronze.

Para descobrir a sua origem geográfica, os especialistas analisaram 27 lingotes de estanho datados do segundo milénio antes de Cristo encontrados em sítios arqueológicos de Israel, Turquia e Grécia, comprovando que o metal não provinha da Ásia Central, como se suponha anteriormente, mas sim de jazidas de estanho na Europa.

Este facto indica que deviam existir rotas comerciais de longo alcance entre a Europa e o Mediterrâneo Oriental já na Idade do Bronze. Assim, os investigadores assinalam que este metal, assim como o âmbar, o vidro e o cobre, foi uma das grandes forças impulsionadoras desta rede de comércio internacional.

Algo interessante descoberto pelo cientistas foi o facto de que peças de estanho de Israel, por exemplo, coincidiam, na sua maioria, com estanho de Cornwall e Devon, no Reino Unido.

“Os objectos e depósitos de estanho são raros na Europa e na Ásia. A região do Mediterrâneo Oriental, onde alguns dos objectos que estudamos se originou, praticamente não possuía depósitos próprios. Então, a matéria-prima nessa região deve ter sido importada”, explicou em comunicado um dos autores do estudo, Ernst Pernicka.

Os resultados deste trabalho, publicado na revista especializada PLOS ONE, são de grande relevância, uma vez que a origem deste metal é especificamente identificada pela primeira vez e abre novos caminhos para futuras investigações arqueológicas.

ZAP //

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21 Setembro, 2019

 

2681: Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil

CIÊNCIA

Frank Hadley Collins / Sanofi Pasteur / Flickr
Fêmea de Aedes aegypti, mosquito que pode transmitir três doenças: zika, dengue e chikungunya

Mosquitos geneticamente modificados estão a reproduzir-se no Brasil, segundo uma investigação recentemente publicada. A empresa responsável pela criação destes insectos mutantes realça que não há perigo para a saúde das pessoas.

O plano para reduzir a população local de mosquitos na cidade de Jacobina, no Brasil, saiu totalmente furado. Com a ideia geral de travar a disseminação de doenças transmitidas por este insecto, como febre amarela, dengue e zika, os cientistas soltaram 450 mil mosquitos geneticamente modificados.

“A alegação era de que os genes da cepa libertada não entrariam na população geral porque as suas crias morreriam. Isso obviamente não foi o que aconteceu“, explicou Jeffrey Powell, autor do estudo publicado na semana passada na revista Scientific Reports.

A verdade é que os mosquitos geneticamente modificados conseguiram reproduzir-se com os outros mosquitos, elevando ainda mais a sua população na região. A experiência iniciada em 2013 foi realizada pela empresa de biotecnologia britânica Oxitec e os resultados conseguidos estão a levantar preocupações em relação à sua segurança.

O objectivo inicial da Oxitec era reduzir a população em 90%, sem afectar a sua integridade genética. De acordo com o Gizmodo, apesar de assegurarem o contrário, cientistas da Universidade de Yale acompanharam o desenvolvimento da experiência e detectaram material genético dos mosquitos geneticamente modificados na população local.

Os investigadores descobriram “claras evidências” de que partes do genoma dos mosquitos transgénicos “foram incorporados na população-alvo”.

“Baseado amplamente em estudos de laboratório, é possível prever qual será o resultado provável da libertação de mosquitos transgénicos, mas estudos genéticos do tipo que fizemos devem ser feitos durante e após essas libertações para determinar se aconteceu algo diferente do previsto”, explicou Powell.

A Oxitec previa que três quartos das crias de mosquitos conseguiriam sobreviver até à idade adulta, mas que seriam demasiado fracos para se reproduzirem. Contudo, não foi isso que se verificou.

Inicialmente, as suas aspirações até estavam bem encaminhadas, com a população de mosquitos em Jacobina a decrescer significativamente. Porém, viria a recuperar, chegando quase aos níveis iniciais. Os cientistas acreditam que isto se tenha devido a uma discriminação por parte das fêmeas, que se recusaram em acasalar com machos modificados geneticamente.

Um porta-voz da Oxitec disse à Gizmodo que a empresa está “actualmente a trabalhar com os editores da Nature Research [a revista científica responsável pela publicação] para remover ou corrigir substancialmente o artigo, que contém inúmeras alegações e declarações falsas, especulativas e sem fundamento sobre a tecnologia dos mosquitos da Oxitec”.

De acordo com o porta-voz, a investigação não identificou nenhum “efeito negativo, deletério ou imprevisto para as pessoas ou para o meio ambiente da libertação dos mosquitos”.

Entretanto, a Scientific Reports adicionou uma nota no artigo em que realça que a investigação está sujeita a críticas que estão a ser consideradas por responsáveis da revista científica.

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21 Setembro, 2019

 

2679: Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

UNSW

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sidney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infra-estrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da acção climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido accionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, co-autores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, co-autor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em Julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Actualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, directora do programa global de água do WRI.

As acções globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a activista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adoptadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2678: Asteróide “sorrateiro” pregou um susto à NASA e quase colidiu com a Terra em Julho

CIÊNCIA

State Farm / Wikimedia

Em finais de Julho, um asteróide do tamanho de um campo de futebol pregou um susto à NASA quando passou a apenas 65.0175 quilómetros da Terra. Foi a maior rocha espacial a passar tão perto num século.

Mais alarmante do que o sobrevoo em si, foi o quanto o asteróide apanhou a NASA de surpresa. “Este apareceu na nossa frente”, escreveu um especialista da NASA em um e-mail interno, de acordo com documentos internos da agência obtidos pelo BuzzFeed News.

O asteróide, que recebeu o nome de 2019 OK – como para tranquilizar os astrónomos – passou de forma quase imperceptível no espaço, passando a uma distância aproximadamente cinco vezes mais próxima da Terra do que a lua a 88 mil quilómetros por hora.

“Se 2019 OK tivesse entrado na atmosfera terrestre, a onda de explosão poderia ter causado devastação localizada numa área de aproximadamente 80 quilómetros de diâmetro”, de acordo com um comunicado de imprensa enviado pelo Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA quando finalmente notaram a rocha gigante a passar pelo nosso planeta.

Apesar de a NASA notar que o asteróide não era um perigo para a Terra, o que é posto em cima da mesa é o facto de não ter sido detectado com maior antecedência.

“Este objecto deslizou por toda uma série das nossas redes de captura”, escreveu Paul Chodas, do JPL, num e-mail obtido pelo BuzzFeed dois dias após o asteróide passar, observando que era uma pequena rocha espacial “sorrateira”.

Embora a NASA tenha desculpas por não ter percebido que a rocha espacial vinha a caminho, este não é um grande começo para o Departamento de Coordenação de Defesa Planetária (PDCO), cujo objectivo era “encontrar e caracterizar asteróides e cometas que passam perto da órbita da Terra ao redor do sol”.

Em 2005, os legisladores ordenaram que a agência espacial norte-americana detectasse 90% dos asteróides perigosos, mas não financiaram telescópios e naves espaciais suficientemente grandes para fazer esse trabalho, segundo concluíram as Academias Nacionais de Ciências dos EUA num relatório de Junho.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2677: Maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje da Noruega

CIÊNCIA

M.Hoppmann / Alfred Wegener Institute
A expedição MOSAIC vai estudar o Árctico através do navio quebra-gelo RV Polarstern

A maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje para estudar durante um ano os efeitos visíveis das alterações climáticas no Pólo Norte.

O quebra-gelo Polarstern, do instituto Alfred-Wegener, de Bremerhaven, na Alemanha, partirá do porto de Tromso, na Noruega, levando a bordo a equipa internacional que irá sendo rendida, envolvendo no total cerca de 600 investigadores.

Espera-os uma viagem de 2.500 quilómetros até um destino onde estarão 150 dias na penumbra do Árctico, debaixo de temperaturas que poderão cair até aos 45 graus negativos.

Os ursos polares, a atmosfera, o oceano, o gelo e todo o ecossistema serão objectos de estudo para os cientistas, que esperam recolher dados para avaliar como as alterações climáticas afectam a região e o mundo inteiro.

“Nenhuma outra parte da Terra aqueceu tão depressa nas últimas décadas como o Árctico”, salientou o chefe da missão, Markus Rex, notando que é lá que “praticamente se situa o epicentro do aquecimento global” e que é uma região ainda “muito pouco compreendida”.

É impossível “fazer previsões corretas em relação ao clima” sem dados fiáveis sobre o Árctico, assinalou, considerando que a situação é preocupante quando, como no início do ano, “no centro do Árctico fez tanto calor como na Alemanha”.

O “Polarstern” faz parte de uma frota com outros quatro quebra-gelo da Rússia, China e Suécia, apoiada por aviões e helicópteros para reabastecer e transportar as equipas em rotação.

O orçamento de 140 milhões de euros é partilhado por 60 instituições de 19 países.

ZAP // Lusa

Por Lusa
20 Setembro, 2019

 

2676: Algo está a matar galáxias no Universo (e não se sabe o que é)

CIÊNCIA

Hubble / NASA / ESA

Nas regiões mais extremas do Universo, galáxias estão a ser assassinadas. As suas formações estelares estão a ser desligadas e os astrónomos não sabem porquê.

O primeiro grande projecto liderado pelo Canadá em um dos principais telescópios do mundo quer descobrir. O novo programa – VERTICO – está a investigar, em detalhes brilhantes, a forma como as galáxias são mortas pelo meio ambiente.

Toby Brown é o principal investigador da VERTICO e lidera a equipa de 30 especialistas que usam o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) para mapear o gás molecular de hidrogénio, o combustível do qual novas estrelas são produzidas, em alta resolução em 51 galáxias no nosso aglomerado de galáxias mais próximo, chamado Virgo Cluster.

Comissionado em 2013 a um custo de 1,27 mil milhões de euros, o ALMA é uma variedade de antenas de rádio conectadas a uma altitude de cinco mil metros no deserto de Atacama, no norte do Chile. É uma parceria internacional entre Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Chile.

O maior projecto astronómico terrestre existente, o ALMA é o telescópio milimétrico de comprimento de onda mais avançado já construído e ideal para estudar as nuvens de denso gás frio das quais se formam novas estrelas, que não podem ser vistas usando luz visível. Grandes programas de pesquisa do ALMA, como o VERTICO, são projectados para abordar questões científicas estratégicas que levarão a um grande avanço ou avanço no campo.

Os sítio onde as galáxias vivem no universo e como interagem com o ambiente (o meio intergaláctico que as cerca) e entre si são importantes influências na capacidade de formar estrelas. Mas precisamente como esse chamado ambiente dita a vida e a morte das galáxias permanece um mistério.

Os aglomerados de galáxias são os ambientes mais massivos e extremos do universo, contendo muitas centenas ou até milhares de galáxias. De acordo com o The Conversation, onde há massa, há gravidade e as enormes forças gravitacionais presentes nos aglomerados aceleram as galáxias a grandes velocidades, geralmente milhares de quilómetros por segundo, e super-aquecem o plasma entre as galáxias a temperaturas tão altas que brilham com raios-X luz

No interior denso e inóspito desses aglomerados, as galáxias interagem fortemente com o ambiente e entre si. São essas interacções que as podem matar ou extinguir a sua formação estelar. Compreender que mecanismos de extinção impedem a formação de estrelas e como o fazem é o foco principal da pesquisa da colaboração da VERTICO.

À medida que as galáxias caem através de aglomerados, o plasma intergaláctico pode remover rapidamente os seus gases num processo violento chamado extracção de pressão de carneiro. Quando se remove o combustível para a formação de estrelas, efectivamente mata-se a galáxia, transformando-a num objecto morto no qual não é formada nenhuma nova estrela.

Além disso, a alta temperatura dos aglomerados pode parar o arrefecimento de gás quente e a condensação nas galáxias. Nesse caso, o gás na galáxia não é removido activamente pelo meio ambiente, mas é consumido à medida que forma estrelas. Este processo leva a um desligamento lento e inexorável da formação estelar, conhecida, de maneira mórbida, como fome ou estrangulamento.

Embora estes processos variem consideravelmente, cada um deles deixa uma impressão única e identificável no gás formador de estrelas da galáxia. Reunir estas impressões para formar uma imagem de como os aglomerados geram mudanças nas galáxias é um dos principais focos da colaboração da VERTICO. Com base em décadas de trabalho para fornecer informações sobre como o ambiente impulsiona a evolução das galáxias, pretendemos adicionar uma nova peça crítica do quebra-cabeça.

O Cluster de Virgem é o local ideal para um estudo detalhado do meio ambiente. É o aglomerado de galáxias massivo mais próximo e está em processo de formação, o que significa que podemos obter um instantâneo de galáxias em diferentes estágios dos seus ciclos de vida. Isto permite-nos construir uma imagem detalhada de como a formação de estrelas é interrompida nos aglomerados de galáxias.

As galáxias no aglomerado de Virgem foram observadas em quase todos os comprimentos de onda no espectro electromagnético (por exemplo, rádio, luz óptica e ultravioleta), mas as observações do gás formador de estrela (feito em comprimentos de onda milimétricos) com a sensibilidade e resolução necessárias ainda não existe.

A VERTICO vai fornecer mapas de alta resolução de gás hidrogénio molecular – o combustível bruto para a formação de estrelas – para 51 galáxias. Com os dados do ALMA para essa grande amostra de galáxias, será possível revelar exactamente que mecanismos de extinção, redução da pressão do aríete ou inanição estão a matar galáxias em ambientes extremos.

Ao mapear o gás formador de estrelas nas galáxias, que são os exemplos de armas fumegantes de extinção por meio do ambiente, a VERTICO avançará a nossa compreensão actual sobre como as galáxias evoluem nas regiões mais densas do Universo.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

Rochas “saltitantes” e colapsos de penhascos no Cometa 67P/C-G

CIÊNCIA

Exemplo de um pedregulho a mover-se pela superfície do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, capturado em imagens da câmara OSIRIS da Rosetta.
Crédito: ESA/Rosetta/MPS para Equipa OSIRIS MPS/UPD/LAM/IAA/SSO/INTA/UPM/DASP/IDA

Cientistas que analisam o tesouro de imagens obtidas pela missão da Rosetta da ESA descobriram mais evidências de curiosas rochas “saltitantes” e quedas dramáticas de penhascos.

A Rosetta operou no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko entre Agosto de 2014 e Setembro de 2016, recolhendo dados sobre o ambiente de poeira, gás e plasma do cometa, sobre as suas características de superfície e sobre a sua estrutura interior.

Como parte da análise de cerca de 76.000 imagens de alta resolução capturadas com a sua câmara OSIRIS, os cientistas têm procurado mudanças na superfície. Em particular, estão interessados em comparar o período da maior aproximação do cometa ao Sol – conhecido como periélio – com aquele após esta fase mais activa, para entender melhor os processos que impulsionam a evolução da superfície.

Por todo o cometa existem detritos soltos, mas algumas vezes os pedregulhos são fotografados no ato de serem lançados para o espaço, ou de rolar pela superfície. Um novo exemplo de uma rocha saltitante foi recentemente identificado na região lisa do pescoço que liga os dois lóbulos do cometa, uma área que passou por muitas mudanças visíveis de superfície em larga escala ao longo da missão. Lá, uma rocha com mais ou menos 10 metros aparentemente caiu do penhasco próximo e saltou várias vezes pela superfície sem quebrar, deixando “pegadas” no material superficial pouco consolidado.

“Nós pensamos que caiu do penhasco de 50 metros nas proximidades e é o maior fragmento deste deslizamento de terra, com uma massa de cerca de 230 toneladas,” disse Jean-Baptist Vincent do Instituto DLR para Pesquisa Planetária, que apresentou os resultados na conferência EPSC-DPS em Genebra.

“Entre maio e Dezembro de 2015 aconteceram tantas coisas neste cometa, quando estava mais activo, mas infelizmente por causa desta actividade tivemos que manter a Rosetta a uma distância segura. Como tal, não temos uma visão suficientemente próxima para discernir com resolução suficiente as superfícies iluminadas e assim identificar exactamente a localização ‘anterior’ da pedra.”

O estudo de movimentos de rochas como estas, em diferentes partes do cometa, ajuda a determinar as propriedades mecânicas do material em queda e do terreno da superfície em que pousa. O material do cometa é, de modo geral, muito fraco em comparação com o gelo e com as rochas a que estamos habituados cá na Terra: os pedregulhos do Cometa 67P/C-G são cerca de cem vezes mais fracos do que a neve recém-compactada.

Outro tipo de mudança também foi testemunhado em vários locais em redor do cometa: o colapso de faces de penhascos ao longo de linhas de fraqueza, como a dramática captura da queda de um segmento de 70 metros no desfiladeiro Aswan, observada em Julho de 2015. Mas Ramy El-Maarry e Graham Driver de Birbeck, Universidade de Londres, podem ter encontrado um evento de colapso ainda maior, ligado a uma explosão brilhante vista no dia 12 de Setembro de 2015 ao longo da divisão do hemisfério norte-sul.

“Este parece ser um dos maiores colapsos de penhascos que vimos no cometa durante a vida da Rosetta, com o colapso de uma área com cerca de 2000 metros quadrados,” disse Ramy, que também falou na conferência.

Durante a passagem pelo periélio, o hemisfério sul do cometa foi submetido a altos fluxos solares, resultando num aumento dos níveis de actividade e numa erosão mais intensa do que em outras partes do cometa.

“A inspecção das imagens ‘antes e depois’ permitem-nos verificar que a escarpa estava intacta até pelo menos maio de 2015, pois ainda temos imagens de resolução suficientemente alta dessa região para a ver,” explicou Graham, estudante que trabalha com Ramy para investigar o vasto arquivo de imagens de Rosetta.

“Esta região particularmente activa aumenta a probabilidade de o evento de colapso estar vinculado à explosão ocorrida em Setembro de 2015.”

A observação detalhada dos detritos em torno da região colapsada sugere que aconteceram aqui no passado outros grandes eventos de erosão. Ramy e Graham descobriram que os detritos incluem blocos que variam até algumas dezenas de metros em tamanho, substancialmente maiores do que a população de rochas após o colapso do desfiladeiro Aswan, que é composto principalmente por rochas com alguns metros de diâmetro.

“Esta variabilidade na distribuição de tamanho dos detritos caídos sugere diferenças na força dos materiais dos materiais em camadas do cometa e/ou nos mecanismos variados de colapso do penhasco,” acrescentou Ramy.

O estudo de mudanças no cometa, como estas, não fornecem apenas uma visão da natureza dinâmica destes corpos pequenos em escalas de tempo curtas, mas o colapso de um penhasco a maior escala fornece informações sobre a estrutura interna do cometa, ajudando-nos a juntar o puzzle da evolução do cometa em escalas de tempo mais longas.

“Os dados da Rosetta continuam a surpreender-nos e é maravilhoso que a próxima geração de estudantes já esteja a fazer descobertas emocionantes,” acrescentou Matt Taylor, cientista do projecto Rosetta da ESA.

Astronomia On-line
20 de Setembro de 2019

 

2673: Cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana

CIÊNCIA

(dr) Maayan Harel

Feito o mapa metílico do genoma dos Denisovanos, os cientistas tentaram reconstruir pela primeira vez o rosto de uma mulher deste grupo de hominídeos. Mas nem todos os cientistas concordam com o resultado final.

Há 15 mil anos, os Homo sapiens partilharam as suas cavernas (e acasalaram) com os chamados hominídeos de Denisova ou Denisovanos, deixando uma escassa linha genética que ainda hoje é detectável em alguns povos dos dias de hoje.

Mas como é que eram estes hominídeos fisicamente? De acordo com o Live Science, foi a esta mesma pergunta que uma equipa internacional de investigadores tentou responder através de uma análise genética sem precedentes.

Ao fazer um mapa metílico do genoma dos Denisovanos, ou seja, um mapa que mostra como as alterações químicas na expressão genética podem influenciar características físicas, os cientistas reconstruiram pela primeira vez o rosto de uma Denisovana.

A mulher agora representada tem uma testa baixa, uns maxilares protuberantes e um queixo quase inexistente — uma anatomia não muito diferente dos Neandertais, outro grupo de humanos extintos que ocuparam a Terra na mesma época.

“Estava à espera que as características dos Denisovanos fossem semelhantes aos Neandertais, uma vez que estes são os seus parentes mais próximos. Porém, nos poucos traços em que diferem, as diferenças são extremas”, explica ao site David Gokhman, geneticista da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e o autor principal do estudo agora publicado na revista científica Cell.

No total, os investigadores encontraram 56 traços nos Denisovanos que previam ser diferentes dos Neandertais e dos humanos modernos, sendo que 32 deles resultaram em claras diferenças anatómicas.

A equipa descobriu, por exemplo, que estes hominídeos tinham arcadas dentárias significativamente mais longas, assim como o topo do crânio era também visivelmente mais largo, quando comparados com os Neandertais e com os humanos modernos.

De forma mais específica, também perceberam que a pélvis e a caixa torácica eram mais largas do que as dos humanos modernos e tinham também rostos mais finos e planos quando comparados com os dos Neandertais.

Estes resultados dão aos cientistas alguma esperança de que os dois crânios parciais recentemente encontrados na China possam pertencer a antigos Denisovanos e, assim, acrescentar mais uma descoberta à pequena lista que existe actualmente (composta por um maxilar, alguns dentes e um mindinho).

No entanto, nem todos os cientistas estão convencidos com este novo trabalho. Em declarações ao New Scientist, Sheela Athreya, professora associada da Texas A&M University foi bastante clara na sua opinião.

“Não, isto não nos dá uma ideia de como eram os indivíduos de Altai [região na Sibéria onde foi encontrada a caverna com ossos dos Denisovanos]. É baseado em tantas suposições que a minha cabeça anda às voltas com isto”.

“Embora este resultado pareça muito persuasivo, na verdade não é. Estudar as diferenças de metilação do ADN é uma avenida promissora de pesquisa, mas ainda estamos longe de entender como as suas diferenças podem estar relacionadas com as diferenças no esqueleto”, conclui também John Hawks, da Universidade de Wisconsin-Madison.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2671: Afinal, o universo pode ser 2 mil milhões de anos mais novo do que pensávamos

CIÊNCIA

NASA

Novos cálculos sugerem que o universo pode ser dois mil milhões de anos mais novo do que aquilo que se pensava. Contudo, é difícil saber com exactidão a sua verdadeira idade.

Os cientistas calculam a idade do universo usando a movimentação das estrelas para medir o quão rápido se está a expandir — um método conhecido como constante de Hubble. “Temos uma grande incerteza sobre como as estrelas estão a mover-se na galáxia”, confessou Inh Jee, a cientista responsável pelo estudo publicado este mês na revista científica Science.

As estimativas anteriores previam que o universo tivesse cerca de 13,7 mil milhões de anos, baseando-se numa constante de Hubble de 70. Contudo, a recente investigação de cientistas do Max Planck Institute baseia-se numa de 82,4 e calcula que o universo tenha, portanto, 11,4 mil milhões de anos.

Segundo o Phys, Jee e a sua equipa usou um conceito chamado efeito de lentes gravitacionais, no qual a gravidade distorce a luz e faz os objectos distantes parecerem mais próximos. Um tipo especial desse efeito permite alterar a luminosidade de objectos distantes para recolher informações para os seus cálculos.

Esta não é a primeira tentativa de sugerir uma constante de Hubble com um valor diferente. Ao longo dos anos, vários cientistas de renome sugeriram valores distintos na tentativa de resolver este debate que divide a comunidade científica.

No entanto, a própria Inh Jee tem algumas reservas em relação à idade calculada, uma vez que só foram usadas duas lentes gravitacionais. Como tal, a margem de erro é tão grande que o universo pode ser, na verdade, mais velho do que o sugerido — mas  não será dramaticamente mais novo.

“É difícil ter certezas das conclusões quando não se compreende completamente a régua que se está a usar”, disse o astrónomo Avi Loeb, que não participou no estudo em causa.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

Something Is Killing the Universe’s Most Extreme Galaxies

And scientists are looking for the killer.

The spiral galaxy NGC 4330 is located in the Virgo Cluster. Ram-pressure stripped hot gas is shown in red, and a blue overlay shows star-forming gas.
(Image: © Fossatie et al. (2018),

In the most extreme regions of the universe, galaxies are being killed. Their star formation is being shut down and astronomers want to know why.

The first ever Canadian-led large project on one of the world’s leading telescopes is hoping to do just that. The new program, called the Virgo Environment Traced in Carbon Monoxide survey (VERTICO), is investigating, in brilliant detail, how galaxies are killed by their environment.

As VERTICO’s principal investigator, I lead a team of 30 experts that are using the Atacama Large Millimeter Array (ALMA) to map the molecular hydrogen gas, the fuel from which new stars are made, at high resolution across 51 galaxies in our nearest galaxy cluster, called the Virgo Cluster.

Commissioned in 2013 at a cost of US$1.4 billion, ALMA is an array of connected radio dishes at an altitude of 5,000 metres in the Atacama Desert of northern Chile. It is an international partnership between Europe, the United States, Canada, Japan, South Korea, Taiwan and Chile. The largest ground-based astronomical project in existence, ALMA is the most advanced millimetre wavelength telescope ever built and ideal for studying the clouds of dense cold gas from which new stars form, which cannot be seen using visible light.

Large ALMA research programs such as VERTICO are designed to address strategic scientific issues that will lead to a major advance or breakthrough in the field.

Galaxy clusters

Where galaxies live in the universe and how they interact with their surroundings (the intergalactic medium that surrounds them) and each other are major influences on their ability to form stars. But precisely how this so-called environment dictates the life and death of galaxies remains a mystery.

Galaxy clusters are the most massive and most extreme environments in the universe, containing many hundreds or even thousands of galaxies. Where you have mass, you also have gravity and the huge gravitational forces present in clusters accelerates galaxies to great speeds, often thousands of kilometres-per-second, and superheats the plasma in between galaxies to temperatures so high that it glows with X-ray light.

In the dense, inhospitable interiors of these clusters, galaxies interact strongly with their surroundings and with each other. It is these interactions that can kill off — or quench — their star formation.

Understanding which quenching mechanisms shut off star formation and how they do it is the main focus of the VERTICO collaboration’s research.

The life cycle of galaxies

As galaxies fall through clusters, the intergalactic plasma can rapidly remove their gas in a violent process called ram pressure stripping. When you remove the fuel for star formation, you effectively kill the galaxy, turning it into a dead object in which no new stars are formed.

In addition, the high temperature of clusters can stop hot gas cooling and condensing onto galaxies. In this case, the gas in the galaxy isn’t actively removed by the environment but is consumed as it forms stars. This process leads to a slow, inexorable shut down in star formation known, somewhat morbidly, as starvation or strangulation.

While these processes vary considerably, each leaves a unique, identifiable imprint on the galaxy’s star-forming gas. Piecing these imprints together to form a picture of how clusters drive changes in galaxies is a major focus of the VERTICO collaboration. Building on decades of work to provide insight into how environment drives galaxy evolution, we aim to add a critical new piece of the puzzle.

An ideal case study

The Virgo Cluster is an ideal location for such a detailed study of environment. It is our nearest massive galaxy cluster and is in the process of forming, which means that we can get a snapshot of galaxies in different stages of their life cycles. This allows us to build up a detailed picture of how star formation is shut off in cluster galaxies.

Galaxies in the Virgo cluster have been observed at almost every wavelength in the electromagnetic spectrum (for example, radio, optical and ultraviolet light), but observations of star-forming gas (made at at millimeter wavelengths) with the required sensitivity and resolution do not exist yet. As one of the largest galaxy surveys on ALMA to date, VERTICO will provide high resolution maps of molecular hydrogen gas — the raw fuel for star formation — for 51 galaxies.

With ALMA data for this large sample of galaxies, it will be possible to reveal exactly which quenching mechanisms, ram pressure stripping or starvation, are killing galaxies in extreme environments and how.

By mapping the star-forming gas in galaxies that are the smoking gun examples of environment-driven quenching, VERTICO will advance our current understanding of how galaxies evolve in the densest regions of the Universe.

This article is republished from The Conversation under a Creative Commons license. Read the original article.

LiveScience
By Toby Brown – McMaster University
19/09/2019

 

2669: Lua de Saturno Enceladus está a atirar bolas de neve contra as outras luas

CIÊNCIA

Saturno é um planeta rico em motivos de curiosidade cósmica. Este gigante gasoso tem mais de sessenta satélites naturais na sua órbita. Contudo, a maioria deles são corpos pequenos, sendo que somente nove luas possuem diâmetro superior a cem quilómetros. Uma delas, Enceladus, está a travar uma luta cósmica de bolas de neve.

Segundo os astrónomos, as luas internas do planeta são estranhamente brilhantes. Isso tem uma razão de ser e os investigadores pensam que se deve ao facto desta lua estar a atirar neve às demais.

NASA: Cassini morreu, mas ainda há muito para descobrir

Muitas das descobertas feitas neste planeta, a uma distância média da Terra de 1.280.4000.000 Km, são das imagens e das análises feitas pela nave espacial Cassini. Esta, como é sabido, terminou a sua missão a voar até ao interior de Saturno em 2017.

Além de imagens fantásticas, Cassini trazia consigo um instrumento de radar que usava ondas de rádio para examinar as luas geladas de Saturno.

Alice Le Gall da Universidade de Paris-Saclay, na França, e os seus colegas analisaram essas observações de radar e descobriram que três das luas, Mimas, Encélado e Tétis, parecem ser duas vezes mais brilhantes do que se pensava anteriormente.

Saturno: Porque será que tem uma Lua assim brilhante?

Há alguns dados que podem explicar essa candura da lua Enceladus. Esta lua tem enormes géiseres que lançam água do seu oceano subterrâneo para o espaço. Posteriormente, esta água congela e cai como neve nas luas próximas. Além disso, muita desta neve cai na superfície do Enceladus. Le Gall e os seus colegas calcularam que esta camada de gelo e neve deveria ter pelo menos algumas dezenas de centímetros de espessura.

Agora sabemos que a neve está realmente a acumular-se, não é apenas uma fina camada de revestimento, mas uma camada muito mais espessa de gelo de água.

Explicou a astrónoma Le Gall.

Isso ajuda a explicar a razão das luas serem são brilhantes em comprimentos de onda de rádio. Esta tecnologia permite penetrar mais fundo sob a superfície do que a luz visível. Contudo, mesmo a neve profunda não consegue explicar completamente o brilho das luas.

Isso sugere que algo mais deve estar enterrado sob a neve ou a descansar em cima dela. Isto porque as ondas rádio do radar da nave foram reflectidas.

Le Gall e a sua equipa estão em processo de modelagem de diferentes estruturas que poderiam responder a estas questões. Desta forma, a explicar uma destas realidades pode estar uma camada de bolas de neve, enormes picos de gelo ou fendas generalizadas. No entanto, estas várias probabilidades ainda não têm correspondência nas observações feitas para que seja geologicamente plausível.

Temos muitas estruturas para testar, e é realmente muito importante para missões futuras que podem pousar nessas luas.

Concluiu Le Gall.

Na verdade, este é um processo importante, pois se um dia quisermos pousar lá, precisamos saber primeiro como é a superfície.

pplware
19 Set 2019
Imagem: NASA/JPL/Space Science Institute

 

2667: A misteriosa mega-estrutura alienígena pode ser uma exolua órfã a ser despedaçada

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech
Esta ilustração mostra um hipotético anel disforme de poeira em redor de KIC 8462852, também conhecida como Estrela de Boyajian ou Estrela de Tabby.

Uma exolua órfã gradualmente a ser dilacerada pode explicar o estranho comportamento obscuro de uma estrela que intriga os cientistas há anos – e que pode ser evidência potencial de uma “mega-estrutura alienígena”.

Os astrónomos observaram a estrela Tabby, também conhecida como KIC 8462852, pela primeira vez na década de 1890. Mas em 2015, Tabetha Boyajian, astrofísica da Louisiana State University, descobriu algo incomum – o brilho da estrela diminuía irregularmente durante um período de dias ou semanas.

As observações de Boyajian mostraram que, às vezes, o brilho da estrela reduzia apenas um pouco, mas noutros momentos, caía até 22%. Investigações subsequentes de outra equipa de cientistas mostraram que o brilho geral da estrela – que está localizada a mais de mil anos-luz da Terra na constelação de Cygnus – também estava a diminuir com o tempo.

O escurecimento irregular da estrela – que só foi visto em poucas outras estrelas – foi objecto de intenso debate entre os cientistas, que propuseram várias explicações, mas nenhuma das quais explica definitivamente o comportamento incomum.

Uma das hipóteses apresentadas afirma que as reduções de luz estão a ser causadas por uma nuvem de cometas em desintegração que orbitam a estrela. Outros cientistas até sugeriram que a existência de “megaestrutura alienígena” em redor da estrela poderia ser a responsável.

Em 1960, o físico americano Freeman Dyson propôs a ideia de que uma civilização alienígena extremamente avançada e sedenta de poder poderia, em teoria, aproveitar a maioria da energia da sua estrela hospedeira, construindo uma vasta estrutura em torno dela para absorver a sua radiação.

Alguns sugeriram que uma esfera de Dyson em redor da estrela de Tabby poderia estar a bloquear a sua luz de uma maneira incomum. No entanto, essa ideia foi descartada pelos cientistas da grande maioria, que dizem que não explica de forma satisfatório o comportamento da estrela.

Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Columbia propôs uma nova explicação baseada em modelos astronómicos. Os astrónomos dizem que o escurecimento está a ser causado por uma exolua despedaçada, que está a derramar poeira e detritos, que se acumulam ao redor da estrela. As suas descobertas foram publicadas este mês na revista especializada Monthly Notices da Royal Astronomical Society.

“A exolua é como um cometa de gelo que está a evaporar e a expelir estas rochas para o espaço”, disse Brian Metzger, autor do estudo, em comunicado, citado pelo Newsweek. “Eventualmente, a exolua evaporará completamente, mas demorará milhões de anos para que a lua seja derretida e consumida pela estrela. Temos muita sorte por ver este evento de evaporação acontecer”.

A exolua – qualquer satélite natural que orbita um corpo fora do nosso Sistema Solar – terá orbitado um exoplaneta dentro do Sistema Solar. No entanto, as poderosas forças gravitacionais do KIC 8462852 destruíram-no, de modo que a lua acabou por ficar em órbita ao redor da estrela.

Segundo os cientistas, a forte radiação da estrela bombardeou a lua, soprando camadas de gelo, poeira e rocha e formando nuvens que bloqueiam a luz ao redor da estrela em intervalos irregulares.

Se os resultados mais recentes forem confirmados por estudos futuros, os investigadores afirmam que isto forneceria evidências de que as exoluas são comuns em sistemas planetários de todo o universo.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2665: Primeiros humanos talhavam elefantes com ferramenta de 5 centímetros

CIÊNCIA

Ran Barkai / Tel Aviv University

Retirar o máximo de carne possível de uma carcaça era algo importante há milhares de anos atrás. Para um melhor aproveitamento, eram usadas lâminas de apenas cinco centímetros, que os arqueólogos ignoraram até agora.

Normalmente, ao pensar em ferramentas de corte usadas por antigos humanos, somos remetidos para grandes ferramentas como machados e cutelos. Contudo, um estudo recentemente publicado na revista Scientific Reports, mostra que os primeiros humanos tinham um kit de talhante sofisticado. As pequenas ferramentas de sílex descobertas era recicladas a partir de instrumentados maiores que eram descartados.

As ferramentas foram encontradas no sítio arqueológico de Revadim, no sul de Israel, e pertencem à cultura acheuliana do paleolítico inferior. Os cientistas estimam que estas tenham entre 300 e 500 mil anos. No passado, já tinham sido encontrados vários machados e restos de elefantes em Revadim.

“A análise incluiu observações microscópicas do desgaste do uso, bem como resíduos orgânicos e inorgânicos. Estávamos à procura de sinais de danos nas bordas, polimentos e resíduos orgânicos presos nas depressões das pequenas lâminas de sílex, tudo para entender para o quê que eram usadas”, disse a arqueóloga responsável pelo estudo, Flavia Venditti, citada pelo Phys.

Ran Barkai, outro dos cientistas envolvidos no estudo, explica ainda que durante décadas os arqueólogos ignoraram estas pequenas lâminas de apenas cinco centímetros. “O ênfase estava nos grandes e elaborados machados e outras ferramentas de pedra”, explicou. “No entanto, agora temos provas sólidas do uso vital destas lâminas”.

A cultura acheuliana era conhecida por as ferramentas grandes mencionadas pelos arqueólogos, que eram usadas principalmente para talhar grandes animais. Contudo, segundo o estudo, estas pequenas lâminas eram usadas em processos que exigiam um corte mais preciso, como separação de tendões, remoção do periósteo para retirar a medula óssea.

“Os humanos antigos dependiam da carne e, especialmente, da gordura dos animais para a sua existência e bem-estar. Portanto, um talhamento de qualidade dos grandes animais e a extracção de todas as calorias possíveis eram de uma crucial importância para eles“, realçou Barkai.

Isto mostra que os primeiros humanos eram mais avançados do que aquilo que se pensava. “As minúsculas lâminas agiam como instrumentos cirúrgicos criados e usados para o corte delicado de partes exactas das carcaças de elefantes e de outros animais”, acrescentou o arqueólogo.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2664: Dragões de Komodo têm uma “armadura” debaixo da pele

CIÊNCIA

zoofanatic / Flickr

Um novo estudo mostra que debaixo da sua pele escamosa, os dragões de Komodo estão quase todos cobertos por uma armadura de pequenos ossos.

Os dragões de Komodo (Varanus komodoensis) são conhecidos por serem fortes, rápidos e perigosos. Mas agora, de acordo com o Science Alert, uma nova investigação descobriu que têm outra característica especial: sob a pele escamosa, estes animais estão cobertos por uma armadura de pequenos ossos semelhante a uma cota de malha.

Investigadores da Universidade do Texas e do Fort Worth Zoo, nos Estados Unidos, fizeram tomografias computorizadas a dois dragões já falecidos (um adulto e um jovem). A equipa descobriu que o animal mais velho estava completamente blindado, mas o mais novo não apresentava nada do género. A descoberta sugere que os osteodermos, como estes pequenos ossos são chamados, não se desenvolvem até à idade adulta.

“Os dragões de Komodo jovens passam bastante tempo nas árvores e, quando são grandes o suficiente para sair delas, é quando podem começar a entrar em conflito com dragões da sua espécie. Esse seria o momento em que uma armadura extra dava jeito”, explica num comunicado o paleontólogo Christopher Bell, da Universidade de Texas.

Os osteodermos não são uma nova descoberta e, na verdade, podem ser encontrados noutros répteis e anfíbios. No entanto, como a pele dos dragões de Komodo é geralmente removida para outros estudos científicos, e como estas placas ósseas ficam dentro da pele, acabaram por nunca serem bem estudadas ou compreendidas.

(dr) University of Texas / Jackson School of Geosciences
A “armadura” do dragão de Komodo

No caso do dragão adulto, os cientistas analisaram apenas a cabeça (uma vez que o seu corpo era tão grande que não cabia na máquina), mas foi suficiente para revelar detalhes fascinantes sobre esta armadura.

A cabeça do animal estava quase toda envolvida nesta malha de ossos minúsculos, com quatro formas distintas, e completamente diferente das outras espécies de lagartos analisados para comparação.

Os outros lagartos parecem ter uma dispersão muito mais esparsa dos ossos, às vezes com áreas onde estão completamente ausentes e com apenas uma ou duas formas ósseas. No caso da cabeça do dragão de Komodo, esta estava quase totalmente tapada (só os olhos, narinas, borda da boca e olho parietal estavam destapados).

“Ficámos impressionados quando vimos isto. A maioria dos lagartos Varanus possui apenas osteodermos vermiformes (em forma de verme), mas o dragão de Komodo tem quatro morfologias muito distintas, o que é muito incomum entre os lagartos”, disse a paleontóloga Jessica Maisano, da Universidade do Texas.

Agora, os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista The Anatomical Record, querem estudar mais dragões de Komodo com diferentes idades para lançar mais algumas luzes sobre esta misteriosa armadura.

ZAP //

Por ZAP
19 Setembro, 2019

 

2662: Vulcão de lua de Júpiter prestes a entrar em erupção

CIÊNCIA

Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

© NASA / JPL / USGS Os investigadores conseguiram determinar um padrão na actividade do Loki.

O maior vulcão da lua Io de Júpiter está prestes a entrar em erupção e os investigadores estão atentos para reunir todos os dados e detalhes do evento. O vulcão, de nome Loki, tem sido alvo de uma observação atenta da parte dos investigadores, que identificaram até um padrão nas erupções do vulcão.

De acordo com o ‘paper’ publicado pela cientista planetária Julie Rathburn do Instituto de Ciência Planetária, as erupções do Loki tinham um ciclo de 530 dias. O ‘paper’ em questão foi fruto de observações feitas entre 1988 e 2000, com os investigadores a notarem que, no início da erupção, o vulcão se iluminava e permanecia neste estado durante 230 dias até voltar a apagar-se.

Porém, como conta o Science Alert, o ciclo encurtou em 2013 e verificou que em vez dos 530 dias a duração era agora de 475 dias. É este novo ciclo que leva os investigadores a acreditarem que o Loki entrará em erupção ainda durante este mês.

“Os vulcões são tão difíceis de prever porque são muito complicados. Há muitas coisas que podem influenciar as erupções vulcânicas, incluindo a taxa de abastecimento de magma, a composição do magma – em particular a presença de bolhas no magma, o tipo de rocha em que o vulcão se encontra, o estado fracturado da rocha e muitas outras questões”, indica Rathburn. “Consideramos que o Loki pode ser previsível porque é tão grande. Devido ao seu tamanho, as físicas básicas provavelmente dominam-no quando entra em erupção, por isso as complicações pequenas que afectam os vulcões pequenos provavelmente não afectam muito o Loki.

msn notícias
Miguel Patinha Dias
18/09/2019

 

2660: Descoberto em Ílhavo primeiro sítio pré-histórico subaquático português

CIÊNCIA

Antonio da Silva Martins / Flickr

Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de uma mancha de ocupação ou possível acampamento do neolítico a cerca de dois metros de profundidade na Ria de Aveiro, em Ílhavo.

“Temos estado a apanhar algumas surpresas valentes. O neolítico não estávamos à espera e muito menos no sítio onde está”, avança Tiago Fraga, director científico da equipa de arqueólogos, sobre os vestígios daquele que será o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país.

No âmbito do acompanhamento arqueológico dos trabalhos de dragagem no Canal de Ílhavo, também conhecido como Rio Bôco, foram encontrados em Agosto passado vários artefactos datados entre 4.000 a.C. e 3.000 a.C. e uma estrutura que se encontra submersa.

“Inicialmente encontrámos cerâmicas com mamilos e decoração, que se vê claramente que são da pré-história. Mais para a frente, começaram a sair líticos, ou seja, pedras talhadas, percutores e esse tipo de materiais”, descreveu o arqueólogo.

Para verificação dos materiais descobertos pelas arqueólogas Soraya Sarmento e Natália Quitério ocorreram diversos mergulhos de arqueologia subaquática que identificaram uma estrutura no local que provavelmente estará associada. “Sabemos por isso que não são peças perdidas no rio. É mesmo um sítio coeso que está lá debaixo de água”, reforçou o responsável que tem liderado várias missões arqueológicas de investigação e salvaguarda.

A equipa de arqueólogos suspeita que se possa tratar de “uma grande mancha de ocupação relacionada com um povoado” que está ali “algures” e acreditam que, muito provavelmente, “vão continuar a aparecer mais materiais”.

“A linha do nível médio do mar estava a 60 quilómetros daqui [Rio Bôco], portanto, toda esta zona eram planícies que estão neste momento debaixo de água. Agora, não estávamos à espera de encontrar estes materiais, muito menos na zona do Rio Bôco, onde foram localizadas, e é o primeiro sítio pré-histórico subaquático do país”, disse Tiago Fraga.

A descoberta já foi comunicada à Direcção-Geral do Património Cultural que irá determinar o que será feito relativamente ao local do achado. “A decisão poderá ir da manutenção no local, até à sua conservação por registo que é a escavação integral do sítio, para se poder continuar a fazer a empreitada. Neste caso, como o sítio arqueológico não está em perigo, deverá ficar no solo”, explicou.

A equipa liderada por Tiago Fraga foi contratada para fazer o acompanhamento arqueológico dos trabalhos de desassoreamento da Ria de Aveiro, uma empreitada promovida pela Polis Litoral da Ria de Aveiro que começou no passado mês de Abril e que se irá estender ao longo de quase 100 quilómetros de canais.

Entre as várias acções desenvolvidas pelos arqueólogos está a protecção de estruturas arqueológicas, o estudo de materiais que vão aparecendo e a valorização e divulgação dos achados.

“Como é uma empreitada de grande envergadura, é necessário fazer acompanhamento arqueológico e a valorização patrimonial dos sítios arqueológicos já conhecidos, com o objectivo de aumentar o conhecimento da zona, perceber como é que Ílhavo e Aveiro apareceram e como era o tráfego marítimo na zona”, explicou Tiago Fraga.

Os arqueólogos estão também a fazer o despiste de “cinco possíveis túmulos de lastro” que foram identificados, no âmbito do estudo de impacto ambiental da empreitada. “Já fizemos o primeiro e não é um túmulo de lastro. Estamos com esperanças que um deles seja um naufrágio”, disse o responsável.

Apesar de todo o património arqueológico subaquático que já foi encontrado na Ria de Aveiro, Tiago Fraga diz que ainda há muito por descobrir no fundo da laguna.

“Toda a gente sabe que existem mais de 14 naufrágios aqui e um deles é o mais antigo de Portugal – ainda está em sítio na zona do Canal de Mira. Sabemos o que se passa no Canal de Mira e, agora, apanhámos esta surpresa no canal do Bôco, mas não sabemos nada do que se passa na zona Norte, em direcção a Ovar, que era o antigo canal da época islâmica e aí poderemos ter outras surpresas”, afirmou.

ZAP // Lusa

Por Lusa
17 Setembro, 2019

 

2659: O Oceano Atlântico pode começar do outro lado do mundo

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

Uma questão chave para os cientistas do clima é sobre a possível desaceleração do sistema de circulação principal do Oceano Atlântico, o que poderia ter consequências dramáticas para a Europa e outras zonas.

Porém, um novo estudo sugere que a ajuda para este oceano pode vir de uma fonte inesperada: o Oceano Índico. O novo estudo, conduzido por Shineng Hu, da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia-San Diego, e Alexey Fedorov, da Yale University, publicado na revista Nature Climate Change, é o mais recente de uma crescente corpo de pesquisa que explora a forma como o aquecimento global pode alterar os componentes do clima global, como a circulação de retorno do Atlântico Sul (AMOC).

A AMOC é um dos maiores sistemas de circulação de água do planeta. De acordo com a Europa Press, funciona como uma escada rolante líquida: transporta água quente até ao Atlântico Norte através de uma corrente superior e envia água mais frio para o sul através de uma corrente mais profunda.

Ainda quem se tenha mantido estável durante milhares de anos, os dados dos últimos 15, assim como as projecções de modelos de computador, têm preocupado alguns cientistas porque tem mostrado sinais de desaceleração durante esse período. Desconhece-se, porém, se é o resultado do aquecimento ou apenas uma anomalia a curto prazo relacionada com a variabilidade natural do oceano.

“Ainda não há consenso”, admite Fedorov, “mas acredito que a questão da estabilidade do AMOC não deve ser ignorada. A mera possibilidade de colapso deve ser motivo de preocupação numa época em que a actividade humana está a forçar mudanças significativas nos sistemas da Terra”.

“Sabemos que a última vez que a AMOC enfraqueceu substancialmente foi há 15 mil a 17 mil anos e teve um impacto global”, acrescentou. “Estamos a falar de Invernos duros na Europa, com mais tempestades ou um Sahel mais seco na África devido à mudança descendente da faixa de chuva tropical, por exemplo”.

Grande parte do trabalho de Fedorov e Hu concentra-se em mecanismos e características climáticas específicas que podem estar a mudar devido ao aquecimento global. Usando uma combinação de dados de observação e modelos sofisticados de computador, rastreiam os efeitos que as alterações podem ter com o tempo.

Para o novo estudo, analisaram o aquecimento no Oceano Índico. “O Oceano Índico é uma das impressões digitais do aquecimento global”, disse Hu. “O aquecimento do Oceano Índico é considerado um dos aspectos mais fortes do aquecimento global”.

Os investigadores apontam que o seu modelo indica uma série de efeitos em cascata que se estendem do Oceano Índico ao Atlântico: à medida que o Oceano Índico aquece cada vez mais rápido, gera chuvas adicionais. Isto, por sua vez, atrai mais ar de outras partes do mundo, incluindo o Atlântico, para o Oceano Índico.

Com tantas chuvas no Oceano Índico, haverá menos chuvas no Oceano Atlântico. Menos chuvas levarão a uma maior salinidade nas águas da porção tropical do Atlântico, porque não haverá tanta água da chuva para diluí-la. A água salgada no Atlântico, ao chegar ao norte através do AMOC, arrefecerá muito mais rápido que o normal e afundará mais rápido.

“Isso funcionaria como um impulso para o AMOC, intensificando a circulação”, explica Fedorov. “Por outro lado, não sabemos por quanto tempo esse aquecimento melhorado do Oceano Índico continuará. Se o aquecimento de outros oceanos tropicais, especialmente o Pacífico, chegar ao oceano Índico, a vantagem do AMOC vai parar”.

Esta última descoberta ilustra a natureza intrincada e interconectada do clima global. À medida que os cientistas tentam entender os efeitos das mudanças climáticas, devem tentar identificar todas as variáveis ​​e mecanismos climáticos que podem desempenhar um papel.

ZAP //

Por ZAP
18 Setembro, 2019

 

2658: Nova espécie de salamandra-gigante pode ser o maior anfíbio do mundo

CIÊNCIA

(dr) Zoological Society of London
A nova espécie de salamandra-gigante-da-china, Andrias sligoi

Cientistas identificaram duas novas espécies da salamandra-gigante-da-china, sendo que uma delas pode ser afinal o maior anfíbio do mundo.

Até agora, pensava-se que a salamandra-gigante-da-china — Andrias davidianus — era uma única espécie e, por isso, o maior anfíbio do mundo. Mas agora, avança o IFLScience, investigadores da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) e do Museu de História Natural de Londres descobriram que, afinal, há três espécies distintas.

Os cientistas, cujo estudo foi publicado na revista científica Ecology and Evolution, consideram que as três espécies são geneticamente distintas devido a uma questão geográfica: além da A. davidianus, identificaram também a Andrias sligoi, proveniente do sul da China, e uma espécie que ainda não foi baptizada proveniente das montanhas Huangshan, no leste do país.

A primeira evidência que apontava para o facto de haver mais do que uma espécie foi apresentada em 1920, quando uma incomum salamandra do sul da China foi trazida para o jardim zoológico de Londres.

“A descrição original da Megalobatrachus sligoi foi feita antes de aparecer a genética que, desde então, nos deu uma poderosa ferramenta alternativa para entender as relações entre diferentes populações de animais”, declara ao site o professor Samuel Turvey, autor do artigo e investigador do Instituto de Zoologia da ZSL.

“Na época em que a sligoi foi identificada, havia também uma confusão sobre se as salamandras-gigantes japonesas e chinesas eram distintas entre si, logo os personagens originalmente usados para ‘distinguir’ os sligoi eram em grande parte aqueles que separavam os animais chineses dos japoneses. Como tal, assumiu-se mais tarde que os sligoi provavelmente eram semelhantes a outras salamandras-gigantes da China”.

Ao analisar o ADN de 17 exemplares de salamandra-gigante-da-china do início do século XX (incluindo a salamandra “incomum” que viveu no zoo londrino durante 20 anos), a equipa confirmou que se tratava de uma nova espécie: A. sligoi.

Os autores do estudo revelam que todas divergiam de um ancestral comum com uma idade compreendida entre há 3,1 e 2,4 milhões de anos, depois de já se ter separado da salamandra gigante japonesa. Cada uma foi então separada por distribuição geográfica.

Com esta nova classificação, os investigadores aperceberam-se que também tinham de repensar o título de “maior anfíbio do mundo”, anteriormente atribuído à A. davidianus.

“O animal com 1,8 metros de comprimento capturado em 1920 é a maior salamandra-gigante conhecida da China, e historicamente tem sido interpretado como um espécime de A. davidianus porque todos os animais chineses foram pensados para representar essa espécie. Porém, este enorme animal é, na verdade, um indivíduo potencial da espécie sligoi, com base na localização geográfica (foi capturado no sul da China)”, explica Turvey.

Actualmente, a A. davidianus é uma espécie ameaçada, por isso, a equipa de investigadores considera ser crucial que as duas novas espécies também estejam na mesma lista.

“Esperamos que estes resultados levem à protecção legal individual de cada espécie e aos esforços de conservação adaptados às suas necessidades individuais”, afirma ao IFLScience Melissa Marr, co-autora do estudo e investigadora do Museu de História Natural.

ZAP //

Por ZAP
18 Setembro, 2019

 

2657: Astrónomos detectaram a estrela de neutrões mais densa de sempre

CIÊNCIA

Apesar de ter apenas 30 quilómetros de diâmetro, tem uma massa duas vezes maior que a do sol, muito perto do limite que, em teoria, provoca o colapso da estrela, transformando-a num buraco negro.

Estrelas de neutrões são as mais densas que se conhecem. Um cubo de açúcar feito do material destas estrelas pesaria 100 milhões de toneladas na Terra
© Foto ESO/L. Calçada/M. Kornmesser

Uma equipa de astrónomos norte-americanos detectou a estrela de neutrões mais densa identificada até hoje no Universo. Com cerca de 30 quilómetros, a estrela J0740 + 6620 está a 4600 anos-luz de distância e tem 2,17 vezes a massa do sol e 333 mil vezes a massa da Terra. A descoberta foi divulgada esta segunda-feira no jornal Nature Astronomy.

As estrelas de neutrões formam-se após a explosão de grandes estrelas – são, na verdade, uma fase final da vida da estrela. Nas estrelas de neutrões já não existem as reacções nucleares que fornecem energia a estes corpos celestes. Sem esta condicionante, a força da gravidade comprime a matéria dentro de um raio muito pequeno, de apenas algumas dezenas de quilómetros, pelo que as estrelas de neutrões são as mais pequenas e densas que se conhecem.

Um exemplo, dado pelo próprio Observatório que fez a descoberta, através do telescópio Green Bank, na Virgínia: um cubo de açúcar feito do material de uma estrela de neutrões pesaria, na Terra, 100 milhões de toneladas.

Astronomers using the Green Bank Telescope have discovered the most massive neutron star to date.

Learn more https://bit.ly/2kfU7D7 #neutronstar #star #astronomy #radioastronomy #GBT #GreenBankTelescope #NRAO #NSF

Image credit: BSaxton, NRAO/AUI/NSF

A estrela de neutrões que agora foi detectada quase desafia os limites da Física, dado que tem uma densidade já muito próxima do limite em que deverá colapsar e transformar-se num buraco negro, o que é suposto acontecer, em termos teóricos, se tiver uma massa maior do que 2,2 massas solares. A J0740+6620 não está longe: tem 2.17 vezes a massa do Sol.

A estrela agora detectada é um pulsar, um tipo específico de estrela de neutrões que emite ondas de rádio a partir dos pólos magnéticos. “Esses feixes varrem o espaço de maneira semelhante a um farol”, explica o Observatório – “Alguns giram centenas de vezes a cada segundo. Como os pulsares giram com velocidade e regularidade, os astrónomos podem usá-los como o equivalente cósmico dos relógios atómicos”.

A acrescer a isto, o trabalho da equipa de investigadores beneficiou da proximidade de uma estrela anã relativamente à estrela de neutrões. Os dois objectos celestes orbitam entre si e a gravidade que exercem é tal que deforma o espaço, distorcendo assim a radiação emitida pela estrela de neutrões, que por força deste efeito demora mais tempo a “viajar” no espaço – um fenómeno conhecido como atraso de Shapiro ou atraso de tempo gravitacional -, o que permitiu aos investigadores calcular a massa do J0740+6620.

Diário de Notícias
DN
17 Setembro 2019 — 14:18