4409: Não é um quasar. Astrónomos descobrem galáxia com radiação UV intensa

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

DESI Legacy Imaging Surveys / Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)
BOSS-EUVLG1 e impressão de artista com explosão da formação estelar em BOSS-EUVLG1

Cientistas descobriram uma galáxia jovem que brilha em comprimentos de onda ultravioleta, de maneira tão brilhante quanto um quasar.

Uma equipa de cientistas descobriu a galáxia BOSS-EUVLG1, com a ajuda do Gran Telescopio Canarias de La Palma, nas ilhas Canárias, e do rádio telescópio ALMA, no Chile. De acordo com o SciTechDaily, a galáxia está localizada a quase 12 mil milhões de anos-luz de distância.

Por ser tão brilhante, o corpo celeste foi inicialmente confundido com um quasar. O seu brilho intenso é causado pelo número de estrelas jovens massivas e pela quantidade surpreendentemente pequena de poeira. Segundo os cientistas, a BOSS-EUVLG1 pode estar a formar estrelas de forma mil vezes mais rápida do que a Via Láctea.

“Esta taxa de formação de estrelas é comparável apenas às galáxias infravermelhas mais luminosas, mas a ausência de poeira em BOSS-EUVLG1 permite que a sua emissão ultravioleta e visível chegue até nós quase sem atenuação”, explicou Ismael Pérez Fournon, investigador do Instituto de Astrofísica de Canarias (IAC).

O artigo científico, publicado recentemente na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters, esclarece que as estrelas que formam esta galáxia ainda não enriqueceram o seu entorno com elementos mais pesados do que o hélio, o que contribui para evitar a formação de poeira que, por sua vez, poderia ofuscar a galáxia.

“A BOSS-EUVLG1 parece estar dominada por um surto de formação de estrelas jovens e muito massivas, quase sem poeiras e com uma quantidade muito baixa de metais”, resumiu Rui Marques-Chaves, cientista do Centro de Astrobiologia e autor principal do estudo.

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IAC Astrofísica
@IAC_Astrofisica

Investigadores del @C_Astrobiologia, con participación del @IAC_Astrofisica, ha descubierto BOSS-EUVLG1, la primera galaxia cuya luminosidad ultravioleta es comparable a la de un cuásar

Más información: ow.ly/fZNJ50BAY2U

Crédito: Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)

Imagem

Os investigadores esperam que, dentro de algumas centenas de milhões de anos, esta galáxia brilhante tenha uma grande quantidade de poeira e emita menos radiação ultravioleta.

ZAP //

Por ZAP
30 Setembro, 2020

 

spacenews

 

4408: Não há limite de velocidade num universo de super fluidos (e já sabemos porquê)

CIÊNCIA/FÍSICA

(dr) Lancaster University
Partículas exóticas aderem a todas as superfícies do superfluido

O super-fluido ainda obedece às leis da Relatividade Geral. Ainda assim, é seguro afirmar que, num super-fluido, não há limite de velocidade.

Um superfluido é um líquido a uma temperatura extremamente baixa, próxima do zero absoluto. Um dos elementos mais utilizados para se fazer super-fluidos é o hélio-3, um isótopo de hélio de massa atómica igual a 3 unidades e extremamente raro na Terra.

Até agora, a velocidade crítica de Landau integrava os modelos teóricos dos cientistas, na medida em que determinava que se um submarino fosse colocado num mar de super fluidos, a embarcação não poderia ultrapassar a velocidade crítica sem destruir esse superfluido.

Mas uma nova investigação, levada a cabo por uma equipa de cientistas da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, mostrou que é possível ultrapassar esse limite de velocidade dentro de um superfluido, avança o Live Science.

O estudo, cujo artigo científico foi publicado a 21 de Setembro na Nature Communications, explica que o ” superfluido hélio-3 funciona como vácuo para uma haste que se move através dele, embora seja um líquido relativamente denso”.

Não há resistência absolutamente nenhuma. Acho isso muito intrigante”, comentou o autor principal Samuli Autti.

Nesta equação entra o fermião, uma partícula elementar de spin semi-inteiro. Os cientistas explicam que, por vezes, dois fermiões juntam-se e comportam-se como um único bosão, num fenómeno conhecido como pares de Cooper.

Os super-fluidos podem ser constituídos tanto por bosões como por pares de fermiões. O superfluido de hélio-3, utilizado no estudo, utiliza os pares de fermiões. No entanto, por ser composto por partículas ligadas, e não uma única, poderia ser muito frágil. Ao quebrar a barreira da velocidade de Landau, estes objectos poderiam ocasionar a quebra dos pares de Cooper, acabando com o estado de super-fluidez do hélio-3.

O colapso só não acontece porque a haste possui uma protecção, uma espécie de capa formada por estas partículas exóticas que a isola do superfluido. “Ao fazer a haste mudar de direcção de movimento, pudemos concluir que a haste ficará oculta do superfluido pelas partículas ligadas que o cobrem, mesmo quando a velocidade for muito alta”, esclarece Ash Jennings, um dos co-autores do estudo.

Uma das principais aplicações dos super fluidos é o desenvolvimento de super-condutores.

ZAP //

Por ZAP
30 Setembro, 2020

 

spacenews

 

4407: 5 naves da NASA que estão a deixar o nosso sistema solar para sempre

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A NASA tem já um vasto leque de naves a viajar pelo Universo. Algumas destas peças de tecnologia, depois de terem feito o seu trabalho, continuam a transportar mensagens dos terráqueos para os extraterrestres que possam aparecer no seu caminho. A agência espacial norte-americana já lançou cinco sondas robóticas que estão a viajar para o espaço interestelar. O seu futuro é viver entre as estrelas distantes.

Nunca mais irão cruzar-se com a Terra e as comunicações serão também cada vez menos, até um dia deixarem de comunicar. Se algum alienígena as encontrar, nós estamos aqui, como diz nas mensagens. Então quais são as embaixadoras da Terra para lá do sistema solar?

Nas naves da NASA

Desde há mais de 50 anos, a NASA tem colocado naves especiais no espaço. Cada uma destas naves foi projectada principalmente para explorar mundos no sistema solar externo. Contudo, quando terminaram os seus trabalhos, o seu ímpeto continuou a levá-las para mais longe do sol.

Os astrónomos sabiam que o seu destino final era viver entre as estrelas distantes. Assim, todas essas naves, excepto uma, carregam uma mensagem para qualquer inteligência extraterrestre que possa encontrá-la ao longo do caminho.

Pioneer 10 e Pioneer 11

Estávamos no ano 1972, a NASA ainda não tinha terminara o envio dos astronautas da Apollo à Lua e começou a lançar as primeiras missões que acabariam no espaço interestelar. Contudo, a agência espacial não tinha como objectivo enviar as naves para tal destino.

Sonda Pioneer 10 antes de ser colocada no foguetão Centaur em 1972. | Imagem: NASA

Conforme reza a história, a Pioneer 10 e 11 foram planeadas principalmente para fazerem o primeiro grande reconhecimento da humanidade de outros planetas no nosso sistema solar.

A Pioneer 10 realizou o primeiro sobrevoo a Marte, a primeira viagem através da cintura de asteróides e o primeiro sobrevoo a Júpiter. Esta maravilha da tecnologia levava com ela um segredo. O sucesso do seu desempenho teve muito a ver com a energia nuclear. Nenhuma nave espacial da NASA já havia sido lançada com uma fonte eléctrica movida a energia nuclear antes.

Como tal, os astrónomos ficaram surpresos ao verem que depois que a Pioneer 10 ultrapassou Júpiter em 1973, ela ainda tinha muita energia para continuar. Na verdade, a missão continuou a comunicar-se com a Terra durante 30 anos, em vez dos 21 meses inicialmente planeados pela NASA.

Lançamento da Pioneer 11 em 5 de Abril de 1973. | Imagem: NASA

Posteriormente, a Pioneer 11 teve um sucesso semelhante. Esta nave sobrevoou Júpiter em 1974 antes de se tornar a primeira missão a encontrar Saturno em 1979. A Pioneer 11 revelou do que o planeta anelado é feito, assim como identificou novas luas e um novo anel ao redor do gigante gasoso.

E embora os engenheiros possam não ter apostado na Pioneer 10 ou na Pioneer 11 durante muito tempo, os cientistas sempre estiveram cientes que os caminhos das sondas os conduziriam para fora do sistema solar. Portanto, como houve quem acreditasse neste desfecho, as naves foram para o espaço equipadas com placas especiais concebidas para apresentar os seus criadores.

Além disso, esta informação mostra também os seus caminhos no espaço. No entanto, como a Pioneer 11 foi redireccionada para além de Saturno após o lançamento, a sua placa tem informação imprecisa.

Placas Pioneer metálicas colocadas nas naves espaciais Pioneer 10 (1972) e Pioneer 11 (1973) com uma mensagem pictórica que possa, eventualmente, ser intercetada por vida extraterrestre.

As placas idênticas da Pioneer mostram um homem e uma mulher nus junto com um diagrama orbital do nosso sistema solar. A NASA não recebe mais sinais da nave espacial Pioneer, mas se alguma vida extraterrestre os encontrar, eles deverão ser capazes de deduzir a aparência da nossa espécie e de onde viemos.

Voyager 1 e Voyager 2

Estas são ainda hoje as míticas sondas que mostraram do que os humanos são capazes de criar. Há meio século, a NASA construiu as suas duas naves espaciais Voyager idênticas. A agência espacial norte-americana tinha o objetivo de explorar um raro alinhamento dos planetas mais externos que só acontece uma vez a cada 175 anos.

Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno estavam perfeitamente posicionados, permitindo aos cientistas traçar um curso que enviaria a nave por cada um desses gigantes gasosos. Então, este caminho também significava que, depois de concluírem o seu tour no nosso sistema solar, tanto a Voyager 1 quanto a Voyager 2 continuariam no espaço interestelar.

A Voyager 1 foi lançada em 1977, sobrevoou Júpiter em 1979 e passou por Saturno em 1980. Contudo, em vez de continuar para Neptuno e Úrano, como a Voyager 2 fez, a NASA decidiu enviar a Voyager 1 num desvio além da lua de Saturno, Titã – o único outro mundo conhecido no sistema solar com uma atmosfera espessa o suficiente para hospedar um ciclo de chuva.

Essa escolha fez a Voyager 1 desviar da sua grande viagem pelos planetas externos e dirigir-se para cima e para longe do plano orbital do nosso sistema solar. Assim, a nave era colocada a caminho do espaço interestelar. Enquanto isso, a Voyager 2 foi enviada numa missão ainda mais ousada para explorar os planetas exteriores.

A Voyager 2 continuou a passar por Saturno e encontrou Neptuno e Úrano. Ainda é a única nave a ver esses dois planetas de perto.

É fantástico saber que até hoje, tanto a Voyager 1 quanto a Voyager 2 permanecem em comunicação com a NASA. E cada nave já passou além da heliopausa, uma região onde o vento solar do Sol perde o controlo.

Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Está há 26 anos no espaço e acaba agora de chegar aos limites do nosso sistema solar, tendo conseguido ultrapassar com sucesso a região conhecida como “Choque Terminal” onde partículas eléctricas provenientes do Sol … Continue a ler Voyager 1 chega ao “fim do Espaço”…

Em 25 de Agosto de 2012, a Voyager 1 alcançou a heliopausa e entrou no que alguns consideram o espaço interestelar. A Voyager 2 realizou o mesmo feito em 5 de Novembro de 2018.

Este marco foi realmente apenas o primeiro passo numa longa jornada rumo às estrelas.

Voyager 2: NASA anuncia que a nave entrou no espaço interestelar

A Voyager 2 segue a Voyager 1 ao se aventurar no espaço interestelar, de acordo com Ed Stone, da NASA, que fez o anúncio numa reunião da União Geofísica Americana. A nave, que deixou … Continue a ler Voyager 2: NASA anuncia que a nave entrou no espaço interestelar

A nave espacial pode estar a avançar a uma velocidade impressionante de 56.327 km/h. No entanto, ainda levará muitos milénios para realmente deixar o sistema solar. O curso da Voyager 1 pode levá-la para perto de outra estrela em cerca de 40.000 anos, enquanto a Voyager 2 não chegará perto de outra estrela por cerca de 300.000 anos, de acordo com a NASA.

No entanto, a NASA preparou-se para a possibilidade de que alguém (ou algo) tropece nestas sondas no seu longo caminho. Conforme foi apresentado, ambas as naves contêm cópias do Golden Record. E como Carl Sagan observou:

A nave espacial será encontrada e o disco será reproduzido apenas se houver civilizações avançadas de viajantes espaciais no espaço interestelar.

 

Teremos apenas que esperar para que os gira-discos sejam populares noutros sistemas estelares.

New Horizons

Os cientistas lutaram durante décadas para aprovar uma missão a Plutão. Contudo, meses após o lançamento da New Horizons, Plutão foi despromovido de planeta a planeta anão. No entanto, isso não tornou as descobertas da nave espacial menos incríveis.

Em Plutão, a New Horizons encontrou sinais de vulcões de gelo, montanhas gigantes e até um oceano de água líquida. Em seguida, a sonda avançou para as profundezas do Cinturão de Kuiper, onde explorou 486958 Arrokoth, um mundo primordial de gelo e rocha.

Agora, a New Horizons está a seguir os passos das missões Pioneer e Voyager. Isto é, esta sonda já é a quinta nave espacial lançada num caminho que a levará para fora do sistema solar. Contudo, ao contrário das outras naves espaciais interestelares, a New Horizons não carrega uma placa ou um disco dourado projectado para ensinar alienígenas sobre a raça humana. Sim, foi intencional.

Depois de entrarmos no projecto em 2002, sugerimos que adicionássemos uma placa. Eu rejeitei isso simplesmente por uma questão de foco. Tínhamos uma pequena equipa com um orçamento apertado e eu sabia que seria uma grande distracção.

Explicou Alan Stern, investigador principal da New Horizons, numa entrevista para CollectSPACE.com em 2008.

Sonda Espacial New Horizons tira a foto mais distante da Terra

O Espaço está repleto de mistérios e de lugares que somos incapazes de imaginar, mas graças à tecnologia que temos actualmente à nossa disposição, somos capazes de ir mais longe e ver, através de … Continue a ler Sonda Espacial New Horizons tira a foto mais distante da Terra

.Autor: Vítor M.
28 Set 2020

4404: OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta impressão de artista mostra a sonda OSIRIS-REx da NASA a descer até ao asteroide Bennu para recolher amostras da superfície.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Aproxima-se um momento histórico para a missão OSIRIS-REx da NASA. Daqui a apenas algumas semanas, a sonda robótica OSIRIS-REx vai descer até à superfície do asteróide Bennu, repleta de pedregulhos, pousar por alguns segundos e recolher uma amostra das rochas e poeira do asteróide – marcando a primeira vez que a NASA agarra pedaços de um asteróide, que serão entregues à Terra para estudo.

No dia 20 de Outubro, a missão realizará a primeira tentativa do seu evento de recolha de amostras TAG (Touch-And-Go). Esta série de manobras trará a espaço-nave ao local “Nightingale”, uma área rochosa com 16 metros em diâmetro no hemisfério norte de Bennu, onde o braço robótico da sonda tentará recolher uma amostra. O local “Nightingale” foi seleccionado como o local de amostragem principal da missão porque contém a maior quantidade de material de granulação fina desobstruído, mas a região é cercada por rochas do tamanho de prédios. Durante o evento de amostragem, a nave, que tem apenas o tamanho de uma carrinha, tentará pousar numa área do tamanho de alguns lugares de estacionamento, e a apenas alguns passos de várias destas grandes rochas.

Durante o evento de recolha de amostras de 4,5 horas, a sonda realizará três manobras separadas para alcançar a superfície do asteróide. A sequência de descida começa com a OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores para uma manobra de partida orbital para deixar a sua segura órbita actual a aproximadamente 770 metros da superfície de Bennu. Depois de viajar quatro horas nesta trajectória descendente, a nave realizará a manobra de “Checkpoint” a uma altitude aproximada de 125 metros. Esta queima do propulsor ajusta a posição e a velocidade da OSIRIS-REx para descer abruptamente em direcção à superfície. Cerca de 11 minutos depois, a sonda realizará a queima “Matchpoint” a uma altitude aproximada de 54 metros, desacelerando a sua descida e apontando um percurso para coincidir com a rotação do asteróide no momento do contacto. A nave desce então até à superfície, pousa no solo por menos de 16 segundos e dispara uma das suas três garrafas de azoto pressurizado. O gás agita e levanta material da superfície de Bennu, que é então apanhado na cabeça do braço robótico da nave. Após este breve toque, a OSIRIS-REx disparará os seus propulsores para se afastar da superfície de Bennu e navegar até uma distância segura do asteróide.

Após a manobra de partida de órbita, a sonda realizará uma sequência de reconfigurações a fim de se preparar para a amostragem. Primeiro, a OSIRIS-REx estende o seu braço robótico – o TAGSAM (Touch-And-Go Sample Acquisition Mechanism) – da sua posição dobrada de armazenamento para a sua posição de recolha de amostras. Os dois painéis solares da espaço-nave então movem-se para uma configuração em forma de Y para cima do corpo da nave, o que os posiciona em segurança para cima e para longe da superfície do asteróide durante o pouso. Esta configuração também coloca o centro de gravidade da sonda directamente sobre a cabeça do colector TAGSAM, que é a única parte da nave que entrará em contacto com a superfície de Bennu durante o evento de recolha de amostras.

Tendo em conta que a nave e Bennu estão a mais ou menos 334 milhões de quilómetros da Terra durante a manobra TAG, levará cerca de 18,5 minutos para os sinais viajaram entre “cá e lá”. Este desfasamento evita o comando ao vivo das actividades de voo do solo durante o evento TAG, de modo que a espaço-nave está construída para realizar toda a sequência de recolha de amostras de forma autónoma. Antes do início do evento, a equipa da OSIRIS-REx fará a transmissão de todos os comandos à sonda e, em seguida, enviará o comando “GO” para começar.

Para navegar autonomamente até ao local “Nightingale”, a OSIRIS-REx usa o sistema de navegação NFT (Natural Feature Tracking). A sonda começará a recolher imagens de navegação cerca de 90 minutos após a partida de órbita. Em seguida, comparará essas imagens em tempo real com um catálogo de imagens a bordo, usando características de superfície identificadas para garantir que está no caminho certo em direcção ao local de pouso. À medida que se aproxima da superfície, a OSIRIS-REx actualizará as manobras “Checkpoint” e “Matchpoint” com base na estimativa da posição e velocidade da nave pelo NFT. A OSIRIS-REx continuará a usar as estimativas do NFT conforme desce para a superfície após a manobra “Matchpoint” para monitorizar a sua posição e ritmo de descida. A nave abortará autonomamente caso a sua trajectória varie para fora dos limites predefinidos.

Para garantir que a nave pousa numa área segura que evita os muitos pedregulhos da região, o sistema de navegação está equipado com um mapa de perigo do local “Nightingale”, que delineia áreas dentro do local de amostragem que podem potencialmente danificar a sonda. Se o sistema NFT detectar que está em curso para tocar numa destas zonas perigosas, a OSIRIS-REx irá cancelar a sua aproximação assim que atingir uma altitude de 5 metros. Isto mantém a espaço-nave segura e permite uma tentativa de recolha de amostras subsequente numa data futura.

À medida que a sonda realiza cada evento da sequência de recolha de amostras, envia actualizações de telemetria de volta para a equipa da OSIRIS-REx, embora a uma velocidade extremamente lenta. A equipa irá monitorizar a telemetria durante a excursão e será capaz de confirmar que a nave pousou com sucesso na superfície de Bennu logo após a ocorrência da manobra TAG. As imagens e outros dados científicos recolhidos durante o evento serão transmitidos depois da nave se afastar do asteróide e quando puder apontar a sua antena maior de volta para a Terra para transmitir em velocidades de comunicação mais altas.

A OSIRIS-REx tem a responsabilidade de recolher pelo menos 60 gramas do material rochoso de Bennu para trazer para a Terra – a amostra espacial mais pesada desde o programa Apollo – e a missão desenvolveu dois métodos de verificar que esta recolha de amostras realmente ocorreu. No dia 22 de Outubro, a câmara SamCam da OSIRIS-REx irá capturar imagens da cabeça TAGSAM para ver se contém material da superfície de Bennu. A sonda também realizará uma manobra de rotação no dia 24 de Outubro para determinar a massa do material recolhido. Se estas manobras mostrarem uma recolha bem-sucedida, será tomada a decisão de colocar a amostra na cápsula SRC (Sample Return Capsule) para envio à Terra. Se não tiverem sido recolhidas amostras suficientes no local “Nightingale”, a sonda tem cargas de azoto a bordo para mais duas tentativas. Uma tentativa TAG no local secundário, “Osprey”, não seria feita antes de Janeiro de 2021.

A equipa da missão passou os últimos meses preparando-se para o evento de recolha de amostras enquanto maximizava o trabalho remoto como parte da sua resposta à pandemia de COVID-19. No dia da manobra TAG, um número limitado de membros da equipa irá monitorizar a nave a partir da Área de Apoio à Missão Espacial da Lockheed Martin, tomando as devidas precauções de segurança. Outros membros da equipa também estarão noutros locais para fazer a cobertura do evento, observando também os protocolos de segurança.

A sonda está programada para partir de Bennu em 2021 e entregará a amostra à Terra no dia 24 de Setembro de 2023.

Astronomia On-line
29 de Setembro de 2020

 

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4403: Par de estrelas bebés massivas envoltas em vapor de água salgada

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Composição ALMA do binário proto-estelar massivo IRAS 16547-4247. Diferentes cores mostram diferentes distribuições de partículas de poeira (amarelo), cianeto de metila (CH3CN, vermelho), sal (NaCl, verde) e vapor de água quente (H2O, azul). A poeira e o cianeto de metila estão distribuídos largamente em torno do binário, ao passo que o sal e o vapor de água concentram-se no disco em torno de cada proto-estrela. Os jactos de uma proto-estrela, visto como vários pontos na imagem, é visto a azul claro.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Tanaka et al.

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos avistaram um par de enormes estrelas bebés crescendo numa sopa cósmica salgada. Cada estrela está envolta por um disco gasoso, que inclui moléculas de cloreto de sódio, normalmente conhecido como sal de cozinha, e vapor de água aquecido. Ao analisar as emissões de rádio do sal e da água, a equipa descobriu que os discos estão a girar em sentido contrário. Esta é a segunda detecção de sal em torno de estrelas jovens massivas, assinalando que o sal é um excelente marcador para explorar as redondezas imediatas de estrelas bebés gigantes.

Existem estrelas de muitas massas diferentes no Universo. As mais pequenas têm apenas um-décimo da massa do Sol, enquanto as maiores têm dez vezes ou mais a massa do Sol. Independentemente da massa, todas as estrelas formam-se em nuvens cósmicas de gás e poeira. Os astrónomos têm estudado avidamente a origem das estrelas; no entanto, o processo de formação estelar massiva permanece velado. Isto porque os locais de formação de estrelas massivas estão localizados mais longe da Terra, e nuvens enormes cercam estrelas bebés massivas com estruturas complicadas. Estes dois factos impedem os astrónomos de obter uma visão clara de grandes estrelas jovens e dos seus locais de formação.

Uma equipa de astrónomos liderados por Kei Tanaka do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) utilizou o poder do ALMA para investigar o ambiente onde estrelas massivas estão a formar-se. Observaram o jovem binário massivo IRAS 16547-4247. A equipa detectou emissões de rádio de uma ampla variedade de moléculas. Particularmente, cloreto de sódio (NaCl) e água quente (H2O) estão associados perto de cada estrela, isto é, o disco circunstelar. Por outro lado, outras moléculas como cianeto de metila (CH3CN), que os astrónomos observaram frequentemente em estudos anteriores de estrelas jovens massivas, foram detectadas mais longe, mas não traçam estruturas nas proximidades das estrelas.

“O cloreto de sódio é conhecido como simples sal de cozinha, mas não é uma molécula comum no Universo,” diz Tanaka. “Esta foi apenas a segunda detecção de cloreto de sódio em torno de estrelas jovens massivas. O primeiro exemplo foi em torno de ‘Orion KL Source I’, mas essa é uma fonte tão peculiar que não tínhamos a certeza se o sal era adequado para ver discos de gás em torno de estrelas massivas. Os nossos resultados confirmaram que o sal é realmente um bom marcador. Como as estrelas bebés ganham massa por meio de discos, é importante estudar o movimento e as características dos discos para entender como as estrelas bebés crescem.”

Uma investigação mais aprofundada dos discos mostra uma pista interessante para a origem do par. “Encontrámos um sinal tentador de que os discos estão a girar em direcções opostas,” explica Yichen Zhang, investigador do RIKEN. Se as estrelas nascem como gémeas num grande disco gasoso comum, os discos giram naturalmente na mesma direcção. “A rotação contrária dos discos pode indicar que estas duas estrelas não são gémeas reais, mas um par de estranhas que se formaram em nuvens separadas e emparelhadas posteriormente.” As estrelas massivas quase sempre têm algumas companheiras e, portanto, é fundamental investigar a origem dos sistemas binários massivos. A equipa espera que observações e análises adicionais forneçam informações mais confiáveis sobre os segredos do seu nascimento.

A presença de vapor de água aquecido e cloreto de sódio, libertados pela destruição de partículas de poeira, sugere uma natureza quente e dinâmica dos discos em torno de estrelas bebés massivas. Curiosamente, as investigações de meteoritos indicam que o disco do Sistema proto-solar também sofreu altas temperaturas nas quais partículas de poeira evaporaram. Os astrónomos serão capazes de rastrear estas moléculas libertadas de partículas de poeira usando o VLA (Very Large Array) de próxima geração, actualmente em planeamento. A equipa prevê que pode até obter pistas para entender a origem do nosso Sistema Solar estudando discos quentes com cloreto de sódio e vapor de água quente.

As estrelas bebés IRAS 16547-4247 estão localizadas a 9500 anos-luz de distância, na direcção da constelação de Escorpião. A massa total das estrelas está estimada em 25 vezes a massa do Sol, rodeadas por uma nuvem gigantesca com uma massa de 10.000 sóis.

Astronomia On-line
29 de Setembro de 2020

 

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4402: Astrónomos modelam e determinam como discos galácticos evoluem tão suavemente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra como duas amostras de órbitas estelares são dispersadas de órbitas quase circulares pela gravidade de aglomerados massivos no interior das galáxias. Os investigadores descobriram que milhões de mudanças orbitais, como as aqui mostradas, suavizam o perfil geral de brilho dos discos galácticos. A estrela azul é dispersada várias vezes. A estrela laranja é capturada pela gravidade de um aglomerado e move-se em seu redor. No plano de fundo, uma típica e relativamente suave galáxia espiral (UGC 12224).
Crédito: ilustração por Jian Wu; imagem da galáxia pelo SDSS

Simulações de computador estão a mostrar aos astrofísicos como aglomerados massivos de gás, dentro das galáxias, espalham algumas das estrelas das suas órbitas, eventualmente criando o esmaecimento exponencial e suave no brilho de muitos discos galácticos.

Investigadores da Universidade Estatal do Iowa, da Universidade de Wisconsin-Madison e da IBM avançaram estudos que começaram há quase 10 anos. Concentraram-se originalmente no modo como os aglomerados massivos em galáxias jovens afectam as órbitas das estrelas e criam discos galácticos com centros brilhantes desvanecendo para orlas escuras.

(Como Curtis Struck, professor de física e astronomia da Universidade Estatal do Iowa, escreveu num resumo de uma investigação de 2013: “Nos discos das galáxias, as cicatrizes de uma infância difícil, e marcas adolescentes, desvanecem com o tempo.”)

Agora, o grupo é co-autor de um novo artigo que diz que as suas ideias sobre a formação de discos exponenciais aplicam-se a mais do que galáxias jovens. É também um processo robusto e universal em todos os tipos de galáxias. Os discos exponenciais, afinal de contas, são comuns em galáxias espirais, galáxias elípticas anãs e em algumas galáxias irregulares.

Como é que os astrofísicos podem explicar isso?

Ao usarem modelos realistas para rastrear a dispersão de estrelas nas galáxias, “sentimos que temos uma compreensão muito mais profunda dos processos físicos que resolvem este problema-chave com quase 50 anos,” disse Struck.

Os investigadores descobriram que os impulsos gravitacionais de aglomerados massivos alteram as órbitas das estrelas. Como resultado, a distribuição geral das estrelas do disco muda, e o perfil de brilho exponencial é um reflexo dessa nova distribuição estelar.

As descobertas dos astrofísicos encontram-se detalhadas num artigo publicado online na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Os co-autores são Struck; Jian Wu, estudante de doutoramento em física e astronomia da Universidade Estatal do Iowa; Elena D’Onghia, professora associada de astronomia em Wisconsin; e Bruce Elmegreen, cientista investigador do Centro de Investigação Thomas J. Watson da IBM em Yorktown Heights, Nova Iorque.

As estrelas são espalhadas, os discos são suavizados

A modelagem por computador mais recente – liderada por Wu – é a pedra angular de anos de melhorias, disse Struck. Os modelos anteriores trataram as forças gravitacionais dos componentes galácticos de forma mais aproximada, e os investigadores estudaram menos casos.

Os modelos mais recentes mostram como enxames estelares e aglomerados de gases interestelares dentro das galáxias podem alterar as órbitas de estrelas próximas. Alguns eventos de dispersão estelar mudam significativamente as órbitas das estrelas, até mesmo “apanhando” algumas estrelas em “loops” em torno de aglomerados massivos antes que possam escapar para o fluxo geral de um disco galáctico. Muitos outros eventos de dispersão são menos poderosos, com menos estrelas espalhadas e as órbitas permanecem mais circulares.

“A natureza da dispersão é muito menos complexa do que imaginávamos anteriormente,” disse Struck. “Apesar de toda esta complexidade em escalas pequenas, ainda tende para a média da distribuição de luz a largas escalas.”

De acordo com o artigo científico dos cientistas, os modelos também dizem algo sobre o tempo que leva para estes discos galácticos exponenciais se formarem. Os tipos de aglomerados e densidades iniciais dos discos afectam a velocidade da evolução, mas não a suavidade final no brilho.

A velocidade, neste caso, é um termo relativo porque as escalas de tempo para estes processos são milhares de milhões de anos.

Ao longo de todo esses anos, e mesmo com modelos de galáxias cujas estrelas são inicialmente distribuídas de várias maneiras, Wu disse que os modelos mostram a ubiquidade do processo de dispersão estelar para queda exponencial.

“A dispersão estelar é muito geral e universal,” disse. “Funciona para explicar a formação de discos exponenciais em muitos casos.”

Astronomia On-line
29 de Setembro de 2020

 

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4398: Astrónomos provam que há água “presa” na poeira interestelar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Pixabay / Canva

As partículas de poeira no Espaço estão cobertas de gelo. Esta descoberta facilita as tentativas futuras de identificar a estrutura e composição da poeira em diferentes ambientes astrofísicos.

O meio interestelar é composto por gás e uma grande quantidade de poeira. Aliás, os planetas e as estrelas originaram-se neste ambiente exactamente porque as partículas de poeira se aglomeraram e fundiram-se em corpos celestes.

No entanto, para que tal processo aconteça é necessário haver água. Em ambientes cósmicos particularmente frios, a água surge na forma de gelo, mas a conexão entre gelo e poeira nestas regiões não era clara. Até agora.

Um novo estudo, levado a cabo por cientistas da Universidade Jena e do Instituto Max Planck, na Alemanha, acaba de provar que as partículas de poeira e o gelo estão misturados. O artigo científico com os resultados da investigação foi publicado no dia 21 de Setembro na Nature Astronomy.

“Até agora, não sabíamos se o gelo estava fisicamente separado da poeira ou misturado com as porções de poeira individuais”, explicou o autor Alexey Potapov em comunicado. “Algumas moléculas de água estão tão fortemente ligadas ao silicato que permanecem na superfície ou dentro das partículas de poeira. Suspeitamos que essa ‘água aprisionada‘ também exista sobre ou dentro de partículas de poeira no Espaço.”

Segundo o EurekAlert, para chegar a esta conclusão, a equipa fez várias experiências em laboratório que serviram para concluir que os grãos parecem redes macias de poeira, com finas camadas de gelo.

Os resultados vão ser muito úteis para os cientistas estimarem melhor a quantidade de material e fazerem afirmações mais precisas sobre a estrutura, composição e temperatura dos grãos em diferentes regiões do meio interestelar.

A “água aprisionada” pode também ajudar a entender como se acumula a poeira, uma vez que pode promover a aderência de partículas mais pequenas para formar partículas maiores. Este efeito pode até funcionar na formação de planetas.

“Se tivermos sucesso em provar que a ‘água aprisionada’ existiu, ou poderia existir, nos blocos de construção da Terra, talvez até haja novas respostas para a questão de como surgiu a água na Terra”, rematou Potapov.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2020

 

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4397: Um dos maiores predadores do Cretáceo era um “monstro” do rio

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA

Gustavo Monroy-Becerril / Wikimedia

A descoberta de um enorme conjunto de registos dentários mostra que um dos maiores predadores do Cretáceo era habitante do rio – e não um caçador terrestre.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, examinou uma colecção de mais de mil dentes e concluiu que os gigantes espinossauros eram enormes “monstros do rio”.

Estudos no início deste ano já tinham trazido peso à teoria de que podiam ser dinossauros que viviam na água, uma vez que foi descoberto que as suas caudas eram perfeitamente adaptadas para a locomoção aquática.

O gigante nadador Spinosaurus aegyptiacus podia atingir comprimentos de 15 metros do focinho à cauda, ​​pesando cerca de seis toneladas.

Esta última investigação analisou 1.261 dentes e fragmentos de dentes recuperados de um antigo leito de rio chamado Kem Kem, em Marrocos, que, no seu apogeu, atravessava o Deserto do Saara há cerca de 100 milhões de anos.

Enquanto vasculhavam as suas descobertas, ficou claro que os espinossauros, cujos dentes são fáceis de localizar graças à sua superfície distinta com secções transversais arredondadas que brilham na luz, contribuiu para a maioria da colheita.

“O grande número de dentes que colhemos no leito do rio pré-histórico revela que os espinossauros estavam lá em grandes números, respondendo por 45% do total de restos dentários”, disse David Martill, professor de paleo-biologia da Universidade de Portsmouth, em comunicado divulgado pelo EurekAlert. “Não conhecemos nenhum outro local onde tal massa de dentes de dinossauro tenha sido encontrada em rochas com ossos”.

“A maior abundância de dentes de espinossauros, em relação a outros dinossauros, é um reflexo do seu estilo de vida aquático. Um animal que vive grande parte da sua vida na água tem muito mais probabilidade de contribuir com dentes para o depósito do rio do que aqueles dinossauros que talvez só visitavam o rio para beber e se alimentar ao longo das suas margens”, explicou.

O leito do rio Kem Kem é um local popular para os restos mortais de espinossauros em geral, que são frequentemente encontrados entre um elenco diversificado de criaturas do Cretáceo, incluindo peixes-serra, celacantos, crocodilos, répteis voadores e dinossauros terrestres.

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Os cientistas afirmam que, embora alguns restos de dinossauros que vivem na terra sejam encontrados dentro do Kem Kem, o grande volume dos dentes de espinossauro prova que viveram e morreram no rio – em vez de ao longo das margens.

Este estudo será publicado em Janeiro de 2021 na revista científica Cretaceous Research.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2020

 

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4396: Cientistas descobrem nova espécie de crustáceo no lugar mais quente da Terra

CIÊNCIA/BIOLOGIA

M. Pallmann SMNS / Pallmann
Phallocryptus fahimii

Uma equipa de cientistas descobriu uma nova espécie de crustáceo de água doce durante uma expedição ao deserto de Lute, no Irão, também conhecido como o lugar mais quente do planeta.

Hossein Rajaei, do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart, e Alexander Rudov, da Universidade de Teerão, fizeram a descoberta durante uma expedição ao deserto de Lute, que tinha como principal objectivo entender a ecologia, biodiversidade, geo-morfologia e paleontologia do deserto.

Segundo o Tech Explorist, espécie identificada pertence ao género Phallocryptus, do qual apenas quatro espécies eram conhecidas em diferentes regiões áridas e semi-áridas. Os biólogos baptizaram a nova espécie de Phallocryptus fahimii em homenagem ao biólogo conservacionista iraniano Hadi Fahimi, que participou na expedição de 2017.

Os espécimes pertencem a uma nova espécie de crustáceos de água doce. “Durante uma expedição a um lugar tão extremo, estamos sempre em alerta, principalmente ao encontrar água. Descobrir crustáceos neste ambiente quente e seco foi realmente sensacional”, comentou Rajaei.

O artigo científico, publicado na Zoology in the Middle East, detalha que Phallocryptus fahimii difere na sua morfologia geral e na sua genética de todas as outras espécies Phallocryptus conhecidas.

“Estes crustáceos são capazes de sobreviver durante décadas nos sedimentos secos e eclodirão na próxima estação chuvosa, quando o habitat aquático se reabastecer. Estão perfeitamente adaptados para viver em ambientes desertos. A sua capacidade de sobreviver, até mesmo no deserto de Lute, destaca a sua resiliência”, disse Martin Schwentner, do Museu de História Natural de Viena.

Com 51.800 km2, o deserto de Lute é o segundo maior deserto iraniano e detém o recorde actual da mais alta temperatura de superfície já registada.

Com base nas medições de satélite de 2006, a NASA relatou uma temperatura recorde na superfície de 70,7° C, que mais recentemente aumentou para 80,3° C. Os seixos escuros presentes na superfície são uma das causas destas temperaturas recordes, sendo que as temperaturas médias diárias variam de -2,6° C no inverno e 50,4° C no verão.

ZAP //

Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

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4395: NASA vai procurar aquíferos nos desertos com tecnologia já usada em Marte

CIÊNCIA/GEOLOGIA/NASA

JPL-Caltech / NASA
Satélite da NASA que vai identificar aquíferos

Uma parceria entre a NASA e a Fundação Qatar tem como objectivo procurar as cada vez mais escassas águas que estão enterradas nos desertos do Saara e da Península Arábica. Este processo deverá ser desenvolvido com tecnologia de radar já utilizada em Marte.

Muitos dos aquíferos (formação ou grupo de formações geológicas que podem armazenar água subterrânea) localizados nestas regiões estão a esgotar-se a um ritmo alarmante, o que está a fazer com que muito rapidamente estes comecem a ser escassos, e não tenham capacidade para atender às necessidades das comunidades locais.

O projecto OASIS – Orbiting Arid Subsurfaces and Ice Sheet Sounder – quer colocar um satélite na órbita da Terra para mapear a distribuição de aquíferos rasos debaixo da superfície do deserto.

Os cientistas planeiam usar o instrumento de radar do satélite – uma tecnologia já usada em Marte –  para tentarem perceber como é que os aquíferos se criam, e como é que as águas subterrâneas se movem sob os desertos, através de um sistema complexo de fracturas de sub-superfície que se vão espalhando como uma teia.

Os dados recolhidos no processo serão essenciais para auxiliar numa melhor gestão dos aquíferos localizados nos desertos.

James Graf, diretor de Ciência e Tecnologia da Terra no Jet Propulsion Laboratory, explica que o desenvolvimento do projecto pode ser muito benéfico. “A comunidade científica está muito animada com esta missão. O OASIS será o primeiro radar espacial projectado especificamente para detectar directamente as águas subterrâneas do planeta Terra”, disse num comunicado.

De acordo com o comunicado, os investigadores do projecto também pretendem estudar a topografia da terra sob mantos de gelo na Gronelândia e na Antárctida, para perceberem a espessura dos mantos de gelo que se têm criado, e como estes fluem para o oceano – um fenómeno que está a ser cada vez mais assustador.

Essas informações poderiam melhorar os modelos de respostas actuais, o que ajudaria os investigadores a entender melhor as contribuições da camada de gelo para o aumento do nível do mar.

Os investigadores e os engenheiros do projecto de estudo OASIS deverão passar os próximos dois anos a formular o conceito da missão.

ZAP //

Por AMM
26 Setembro, 2020

 

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4393: “Surpreendente e fascinante”. Descoberta pela primeira vez uma aurora sobre um cometa

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ESA

ESA/Rosetta/NAVCAM

A nave Rosetta da Agência Espacial Europeia (ESA) detectou uma aurora boreal sobre o cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko (67P / C-G).

Em comunicado, os cientistas envolvidos na detecção frisam que esta é a primeira vez quem um fenómeno deste tipo é detectado num comenta.

Anteriormente, foram detectadas auroras apenas em objectos muito mais massivos, como a Terra e outros planetas e luas do Sistema Solar, além das próprias estrelas.

Uma aurora é criada quando os electrões do vento solar colidem com moléculas e átomos na atmosfera de um grande corpo celeste que possuiu o seu próprio campo magnético. No caso deste cometa, que não tem não tem magnetosfera, este fenómeno é “surpreendente e fascinante”, disse o vice-presidente do Southwest Research Institute, Jim Burch.

Inicialmente, os cientistas pensaram que o brilho observado no cometa era causo pela interacção dos fotões e do gás que cercava o corpo celeste. Contudo, depois de analisarem os dados, descobriram que o fenómeno estava associado a electrões que dividiam as moléculas de água e outras substâncias.

“Os átomos excitados resultantes criam essa luz distinta”, explicou Joel Parker, do Southwest Research Institute, citado na mesma nota de imprensa.

A Rosetta é uma missão da ESA com contribuições dos seus estados membros e da NASA.

A descoberta foi descrita num artigo recentemente publicado na Nature Communications.

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Por ZAP
26 Setembro, 2020

 

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4392: O Bennu “esconde” diferentes pedaços de outros asteróides na sua superfície

CIÊNCIA/ASTRONOMIA


– Vídeo editado através de captura de écran por não se encontrar disponibilizado o endereço original.

A espaço-nave OSIRIS-REx da NASA avistou algumas rochas de cor estranhamente clara na superfície do asteróide Bennu. Depois de algumas investigações, os cientistas descobriram a razão: são fragmentos de um asteróide totalmente diferente e muito maior.

Desde Dezembro de 2018, a pequena espaço-nave OSIRIS-REx, da NASA, tem observado de perto Bennu, um asteróide próximo da Terra com apenas 500 metros de diâmetro.

Durante as suas investigações a analisar uma série de scans da superfície de Bennu, a equipa do OSIRIS-REx ficou intrigada com umas rochas estranhas. “Encontrámos seis pedras com tamanhos de cerca de 1,5 a 4,3 metros espalhadas pelo hemisfério sul de Bennu e perto do equador”, disse Daniella DellaGiustina, do Laboratório Lunar & Planetário da Universidade do Arizona, em comunicado da NASA. “Estas rochas são muito mais brilhantes do que o resto de Bennu e combinam com o material de Vesta”.

De acordo com os scans feitos pelo conjunto de câmaras da OSIRIS-REx, as rochas pareciam ser dez vezes mais brilhantes do que os seus arredores.

O asteróide Vesta, descoberto há mais de 200 anos pelo astrónomo alemão Heinrich Wilhelm Matthias Olbers, é um dos maiores objectos do cinturão de asteróides, medindo mais de 500 quilómetros de comprimento. Os cientistas preveem que é responsável por cerca de 9% da massa de todo o cinturão de asteróides.

Ao analisar as leituras do espectrómetro do OSIRIS, a equipa descobriu que as rochas leves provavelmente eram feitas de piroxena mineral – exactamente o tipo de material que tinha sido visto em Vesta e nos seus fragmentos menores – conhecidos como vestóides – que foram soltos quando Vesta foi bombardeado por asteróides mais pequenos.

A equipa concluiu que era improvável que as rochas brilhantes se tenham formado no próprio Bennu, porque a piroxena forma-se em temperaturas extremamente altas.

As rochas de Bennu, que contêm principalmente minerais que contém água, não teriam passado por esse tipo de temperatura. Além disso, um impacto poderoso não poderia ter resultado nessas temperaturas – na verdade, tal impacto teria acabado por separar Bennu.

Graças à descoberta, os cientistas puderam obter detalhes sobre a trajectória de Bennu – a forma como a órbita da rocha é afectada por factores que incluem forças gravitacionais de planetas próximos e pequenos impactos de asteróides. “Estudos futuros de famílias de asteróides, bem como a origem de Bennu, devem reconciliar a presença de material semelhante ao Vesta, bem como a aparente falta de outros tipos de asteróides”, disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona.

Se tudo correr conforme o planeado, o OSIRIS-REx fará a sua primeira tentativa de recolha de uma amostra em Outubro e a levará de volta à Terra em 2023. “Estamos ansiosos para a amostra, que esperançosamente contém pedaços deste tipo de rochas intrigantes”, afirmou Lauretta.

Esta não é a primeira vez que astrónomos avistam pedaços de um asteróide na superfície de outro. A nave espacial Hayabusa 2 da agência espacial japonesa avistou um material mais escuro de um asteróide “tipo S” no asteróide “tipo C” Ryugu, muito mais escuro, em 2018.

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26 Setembro, 2020

 

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4391: Poderá ter sido descoberto o primeiro planeta de outra galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Carsten Frenzl / Flickr
Galáxia de Whirlpool

Um enorme planeta poderá estar a orbitar um sistema estelar binário, numa galáxia muito longe da nossa. Se este planeta for real, poderá ser o mundo mais distante alguma vez descoberto.

De acordo com a Futurism, que cita a New Scientist, cientistas do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, afirmam ter descoberto o que poderá ser o primeiro exoplaneta numa galáxia diferente.

A equipa liderada por Rosanne Di Stefano encontrou evidências de que um objecto do tamanho de Saturno, potencialmente um gigante gasoso – chamado M51-ULS-1b – passou à frente de uma das estrelas do seu sistema binário, na galáxia Whirlpool.

Na nossa própria galáxia – a Via Láctea – podem existir milhares de milhões de planetas que orbitam uma estrela diferente. Mas encontrar novos mundos noutras galáxias, é uma tarefa mais difícil. Ao longo dos anos, alguns cientistas encontraram sinais de exoplanetas noutras galáxias, mas essas teorias nunca foram confirmadas.

“É emocionante, mas não inesperado”, disse à New Scientist Angelle Tanner, astrónomo da Universidade do Estado do Mississippi, que não participou no estudo. “Não há absolutamente nenhuma razão para pensar que não existem planetas noutras galáxias”, concluiu.

No entanto, a confirmação da existência do M51-ULS-1b poderá estar a décadas de distância. Segundo explica a New Scientist, o exoplaneta estará a orbitar a estrela à mesma distância que Saturno orbita o Sol, o que significa que pode levar décadas até dar uma volta completa e voltar a passar no mesmo sítio. O que será essencial para os cientistas confirmarem a sua descoberta.

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26 Setembro, 2020

 

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4390: Encontrado dente de leite com 48.000 anos que pertenceu a “um dos últimos” neandertais de Itália

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Randii Oliver / NASA

Uma equipa de cientistas da Universidade de Bolonha e Ferrara, em Itália, encontrou um dente de leite na região do Veneto, que acreditam ter pertencido a um dos últimos neandertais a habitar no país.

Análises levadas a cabo revelaram que o dente, um canino, pertenceu a um menino com 11 ou 12 anos, que terá vivido na zona há 48.000 anos, detalha o portal Phys.org.

Citado pela Russia Today, o principal autor do estudo, Matteo Romandini, frisa que a descoberta é fruto da “sinergia entre diferentes disciplinas e especializações“.

“A arqueologia de campo pré-histórico de alta resolução permitiu-nos encontrar o dente; depois, aplicamos abordagens virtuais para analisar a sua forma, genoma, tafonomia [ estudo de organismos em decomposição ao longo do tempo] e perfil radiométrico. Seguindo este processo, conseguimos identificar este dente como pertencente a uma criança que era um dos últimos neandertais de Itália”, explicou.

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newswise
@newswise
A 48,000 years old tooth that belonged to one of the last Neanderthals in Northern Italy. “Little milk-tooth is the most recent finding of the Neanderthal period in Northern Italy and one of the latest in the entire peninsula” @UniboMagazine newswise.com/articles/a-48-

Imagem

“As técnicas que utilizamos para analisar o dente levaram às seguintes descobertas: trata-se de um dente canino superior que pertenceu a um menino neandertal, de 11 ou 12 anos, que viveu entre 48.000 e 45.000 anos atrás”, detalharam, por sua vez, Gregorio Oxilia e Eugenio Bortolini, co-autores do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Journal of Human Evolution.

“Segundo esta datação, este pequeno dente de leite é a descoberta mais recente do período neandertal no norte de Itália e uma das últimas em toda a península”.

Stefano Benazzi, professor da Universidade de Bolonha e coordenador da pesquisa, considerou a descoberta “extremamente importante”.

“Isto é ainda mais relevante se tivermos em conta que, quando esta criança que vivia no Veneto e perdeu o dente, já existiam comunidades Homo Sapiens a 1.000 quilómetros de distância, na Bulgária”, sublinhou o investigador.

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26 Setembro, 2020

 

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O primeiro “Neptuno Ultra-Quente”, LTT 9779b, é um dos planetas mais improváveis da natureza

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do Neptuno Ultra-Quente.
Crédito: Ricardo Ramirez

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo um grupo da Universidade de Warwick, descobriu o primeiro planeta “Neptuno Ultra-Quente” em órbita da estrela próxima LTT 9779.

O exoplaneta orbita tão perto da sua estrela que o seu ano dura apenas 19 horas, o que significa que a radiação estelar aquece o planeta a mais de 1700 graus Celsius.

A estas temperaturas, os elementos pesados como o ferro podem ser ionizados na atmosfera e as moléculas desassociadas, fornecendo um laboratório único para estudar a química de planetas para lá do nosso Sistema Solar.

Embora o mundo tenha o dobro da massa de Neptuno, é também ligeiramente maior e tem uma densidade semelhante. Portanto, LTT 9779b deve ter um núcleo enorme com cerca de 28 massas terrestres e uma atmosfera que representa cerca de 9% da massa planetária total.

O sistema propriamente dito tem aproximadamente metade da idade do Sol, com 2 mil milhões de anos, e dada a intensa radiação, não seria de esperar que um planeta parecido com Neptuno mantivesse a sua atmosfera por tanto tempo, fornecendo um quebra-cabeças intrigante para resolver; como é que surgiu um sistema tão improvável.

LTT 9779 é uma estrela parecida com o Sol localizada a uma distância de 260 anos-luz, perto em termos astronómicos. É super-rica em metais, tendo na sua atmosfera o dobro do ferro do que o Sol. Este pode ser um indicador chave de que o planeta era originalmente um gigante gasoso muito maior, já que estes corpos se formam preferencialmente perto de estrelas com as maiores abundâncias de ferro.

As indicações iniciais da existência do planeta foram feitas usando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), como parte da sua missão para descobrir pequenos planetas em trânsito orbitando estrelas brilhantes e nas proximidades por todo o céu. Estes trânsitos são encontrados quando um planeta passa directamente em frente da sua estrela hospedeira, bloqueando parte da luz estelar, e a quantidade de luz bloqueada revela o tamanho do companheiro. Mundos como estes, uma vez totalmente confirmados, podem permitir que os astrónomos investiguem as suas atmosferas, proporcionando uma compreensão mais profunda dos processos de formação e evolução planetária.

O sinal de trânsito foi rapidamente confirmado no início de Novembro de 2018 como proveniente de um corpo de massa planetária, usando observações obtidas com o instrumento HARPS (High Accuracy Radial-velocity Planet Searcher), acoplado ao telescópio de 3,6 metros no Observatório de la Silla do ESO no norte do Chile. O HARPS usa o efeito Doppler para medir as massas de planetas e características orbitais como o período. Quando são encontrados objectos em trânsito, as medições Doppler podem ser organizadas para confirmar a natureza planetária de uma maneira eficiente. No caso de LTT 9779b, a equipa conseguiu confirmar a existência do planeta após apenas uma semana de observações.

A Universidade de Warwick é uma instituição líder do consórcio NGTS (Next-Generation Transit Survey), cujos telescópios no Paranal, Chile, fizeram observações de acompanhamento para ajudar a confirmar a descoberta do planeta. O Dr. George King, do Departamento de Física, trabalhou na análise dos resultados.

Ele disse: “Ficámos muito satisfeitos quando os nossos telescópios NGTS confirmaram o sinal de trânsito deste novo planeta emocionante. A queda no brilho é de apenas dois décimos de um por cento, e muito poucos telescópios são capazes de fazer medições tão precisas.”

O professor James Jenkins do Departamento de Astronomia da Universidade do Chile, que liderou a equipa, acrescentou: “A descoberta de LTT 9779b, tão cedo na missão do TESS, foi uma surpresa completa: uma aposta que valeu a pena. A maioria dos eventos de trânsito com períodos inferiores a um dia tendem a ser falsos positivos, normalmente estrelas binárias eclipsantes de fundo.”

LTT 9779b é de facto raro, existindo numa região esparsamente povoada do espaço paramétrico planetário. “O planeta existe no que é conhecido como o ‘Deserto de Neptuno’, uma região desprovida de planetas quando olhamos para a população de massas e tamanhos planetários. Embora os gigantes gelados pareçam ser um subproduto bastante comum do processo de formação de planetas, este não é o caso muito perto das suas estrelas. Nós pensamos que estes planetas perdem a sua atmosfera ao longo do tempo cósmico, transformando-se no que chamamos de Planetas de Período Ultra-curto,” explicou Jenkins.

Os cálculos do Dr. King confirmaram que LTT 9779b deveria ter despojado a sua atmosfera através de um processo chamado foto-evaporação. Ele salientou: “os intensos raios-X e raios ultravioleta da jovem estrela-mãe terão aquecido a atmosfera superior do planeta e devem ter levado os gases atmosféricos para o espaço”. Por outro lado, os cálculos do Dr. King mostraram que não havia aquecimento de raios-X suficiente para LTT 9779b ter começado como um gigante gasoso muito mais massivo. “A foto-evaporação deveria ter resultado numa rocha nua ou num gigante gasoso,” explicou. “O que significa que deve haver algo novo e invulgar que temos de tentar explicar no que toca à história deste planeta.”

O professor Jenkins observou: “Os modelos de estrutura planetária dizem-nos que o planeta é um mundo dominado por um núcleo gigante mas, crucialmente, deve haver duas a três massas terrestres de gás atmosférico. Mas se a estrela é tão velha, porque é que existe uma atmosfera sequer? Bem, se LTT 9779b começou a vida como um gigante gasoso, então um processo chamado Fluxo do Lóbulo de Roche poderia ter transferido quantidades significativas de gás atmosférico para a estrela.”

O Fluxo do Lóbulo de Roche é um processo pelo qual um planeta chega tão perto da sua estrela que a gravidade mais forte da estrela pode capturar as camadas externas do planeta, fazendo com que sejam transferidas para a estrela e, assim, diminuindo significativamente a massa do planeta. Os modelos preveem resultados semelhantes aos do sistema LTT 9779, mas também requerem alguns ajustes.

“Também pode ser que LTT 9779b tenha chegado à sua órbita actual bastante tarde e, portanto, não tenha tido tempo para ficar sem atmosfera. As colisões com outros planetas no sistema podem tê-lo jogado na direcção da estrela. Na verdade, por ser um mundo tão único e raro, podem ser plausíveis cenários mais exóticos,” acrescentou Jenkins.

Uma vez que o planeta parece ter uma atmosfera significativa e dado que orbita uma estrela relativamente brilhante, estudos futuros da atmosfera planetária podem desvendar alguns dos mistérios relacionados com a formação deste género de exoplanetas, como evoluem e os detalhes da sua composição. Jenkins concluiu: “O planeta é muito quente, o que motiva a busca por elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio, juntamente com núcleos atómicos ionizados. É preocupante pensar que este ‘planeta improvável’ é provavelmente tão raro que não encontraremos outro laboratório igual para estudar em detalhe a natureza dos Neptunos Ultra-Quentes. Portanto, devemos extrair cada grama de conhecimento que pudermos deste diamante em bruto, observando-o com instrumentos espaciais e no solo ao longo dos próximos anos.”

Astronomia On-line
25 de Setembro de 2020

 

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4385: Asteróide Bennu tem pedaços de Vesta à sua superfície

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Durante a primavera de 2019, a sonda OSIRIS-REx da NASA capturou estas imagens, que mostram fragmentos do asteróide Vesta presentes à superfície do asteróide Bennu. Os pedregulhos brilhantes (com o círculo à volta) têm material rico em piroxenas de Vesta. Parte deste material brilhante parece ser rochas individuais (esquerda), enquanto outros parecem ser partes de rochas maiores (direita).
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Incrivelmente, de acordo com a sonda OSIRIS-REx da NASA, parece que alguns pedaços do asteróide Vesta acabaram no asteróide Bennu. O novo resultado lança luz sobre a intrincada dança orbital dos asteróides e sobre a origem violenta de Bennu, que é um asteróide “pilha de entulho” que coalesceu a partir dos fragmentos de uma colisão massiva.

“Encontrámos seis rochas que variam entre 1,5 e 4,3 metros espalhadas pelo hemisfério sul de Bennu e perto do equador,” disse Daniella DellGiustina do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona, Tucson, EUA. “Estes pedregulhos são muito mais brilhantes do que o resto de Bennu e combinam com o material de Vesta.”

“A nossa hipótese principal é que Bennu herdou este material do seu asteróide parental depois de um ‘vestoide’ (um fragmento de Vesta) o ter atingido,” disse Hannah Kaplan do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Então, quando o asteróide parental foi catastroficamente perturbado, uma parte dos seus detritos acumularam-se sob a sua própria gravidade para formar Bennu, incluindo parte das piroxenas de Vesta.”

DellaGiustina e Kaplan são os autores principais de um artigo sobre esta investigação, publicado na edição de 21 de Setembro da revista Nature Astronomy.

Os pedregulhos invulgares em Bennu chamaram a atenção da equipa pela primeira vez em imagens da OCAMS (OSIRIS-REx Camera Suite) da nave espacial OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification, Security-Regolith Explorer). Pareciam extremamente brilhantes, alguns quase dez vezes mais brilhantes do que outras rochas nas proximidades. Analisaram a luz dos pedregulhos usando o instrumento OVIRS (OSIRIS-REx Visible and Infrared Spectrometer) para obter pistas sobre a sua composição. Um espectrómetro separa a luz nas suas cores componentes. Dado que os elementos e os compostos têm padrões distintos de assinaturas claras e escuras ao longo de uma gama de cores, estes podem ser identificados usando este tipo de instrumento. A assinatura dos pedregulhos era característica do mineral piroxena, semelhante ao que é visto em Vesta e nos vestoides, asteróides mais pequenos que são fragmentos expelidos de Vesta quando sofreu impactos significativos de asteróides.

Claro, é possível que as rochas se tenham formado no asteróide parental de Bennu, mas a equipa pensa que isto é improvável com base no modo como as piroxenas se formam normalmente. Este mineral normalmente forma-se quando o material rochoso derrete a altas temperaturas. No entanto, a maior parte de Bennu é composta por rochas contendo minerais com água, de modo Bennu (e o seu parente) não deve ter passado por fases de altas temperaturas. Em seguida, a equipa considerou o aquecimento localizado, talvez devido a um impacto. Um impacto necessário para derreter material suficiente e criar grandes rochas de piroxenas seria tão significativo que teria destruído o corpo parental de Bennu. Portanto, a equipa descartou estes cenários e, ao invés, considerou outros asteróides ricos em piroxenas que podem ter implantado este material em Bennu ou no seu corpo parente.

As observações revelam que não é invulgar um asteróide ter material de outro asteróide “espirrado” à sua superfície. Os exemplos incluem material escuro nas paredes de crateras vistas pela sonda Dawn em Vesta, uma rocha negra vista pela nave Hayabusa no asteróide Itokawa e, mais recentemente, material de asteróides do tipo S observados pela Hayabusa2 no asteróide Ryugu. Isto indica que muitos asteróides estão a participar numa dança orbital complexa que às vezes resulta em misturas cósmicas.

À medida que os asteróides se movem pelo Sistema Solar, as suas órbitas podem ser alteradas de várias maneiras, incluindo a atracção gravitacional de planetas e de outros objectos, impactos de meteoroides e até mesmo a leve pressão da luz solar. O novo resultado ajuda a definir a complexa jornada que Bennu e outros asteróides traçaram pelo Sistema Solar.

Com base na sua órbita, vários estudos indicam que Bennu foi entregue da região interior da cintura de asteróides por meio de uma via gravitacional bem conhecida que pode levar objectos da cintura principal interior até órbitas próximas da Terra. Existem duas famílias de asteróides da cintura principal interna (Polana e Eulalia) que se parecem com Bennu: escuros e ricos em carbono, o que as torna prováveis candidatas ao parente de Bennu. Da mesma forma, a formação dos vestoides está ligada à formação das bacias de impacto Veneneia e Rheasilvia em Vesta, há cerca de 2 mil milhões e mil milhões de anos atrás, respectivamente.

“Estudos futuros de famílias de asteróides, bem como da origem de Bennu, deverão reconciliar a presença de material semelhante ao de Vesta, bem como a aparente falta de outros tipos pertencentes a outros asteróides. Estamos ansiosos pela entrega da amostra, que esperançosamente contém pedaços destes tipos de rochas intrigantes,” disse Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx da Universidade Estatal do Arizona em Tucson. “Esta restrição é ainda mais convincente dada a descoberta de material do tipo S no asteróide Ryugu. Esta diferença mostra o valor de estudar vários asteróides por todo o Sistema Solar.”

A sonda fará a sua primeira tentativa de recolher amostras de Bennu em Outubro e entregá-las-á à Terra em 2023 para uma análise detalhada. A equipa da missão examinou de perto quatro potenciais locais de recolha de amostras em Bennu para determinar o seu valor científico e de segurança antes de fazer uma selecção final em Dezembro de 2019. A equipa de DellaGiustina e de Kaplan pensa que podem encontrar pedaços mais pequenos de Vesta em imagens destes estudos mais íntimos.

Astronomia On-line
25 de Setembro de 2020

 

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4384: Dois dinossauros morreram como as vítimas de Pompeia. Foi há 125 milhões de anos, na China

CIÊNCIA/PALEONTOLOGIA/ARQUEOLOGIA

RBINS
Fóssil de um dos dinossauros encontrados pelos arqueólogos

Um grupo de arqueólogos na China acabou de descobrir dois fósseis de uma nova espécie de dinossauro, que estiveram presos no subsolo por 125 milhões de anos devido a uma erupção vulcânica pré-histórica. Os investigadores acreditam que os dinossauros foram sufocados pelas cinzas vulcânicas enquanto dormiam na sua toca subterrânea.

Segundo a CNN, os investigadores acreditam que os dinossauros viviam em tocas subterrâneas profundas, e que o seu ninho foi invadido por lava e cinzas. Os animais foram apelidados de Changmiania liaoningensis, ou de “eterno dorminhoco de Liaoning”.

Num comunicado à imprensa, os arqueólogos explicaram que encontraram os fósseis na actual província de Lianoning nos Leitos Lujiatun, que são as camadas mais antigas da Formação Yixian, uma geológica da China.

O paleontólogo Pascal Godefroit, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais, explicou que os dinossauros “foram cobertos por sedimentos finos enquanto ainda estavam vivos ou logo após sua morte”, portanto acredita que “as espécies foram presas pela erupção vulcânica quando estavam no fundo das suas tocas, há 125 milhões de anos”.

Godefroit disse que os dinossauros encontrados pertencem à família do “dinossauro ornitópode, o mais primitivo até hoje”. Os ornitópodes eram dinossauros herbívoros que andavam sobre as suas duas pernas e tinham caudas e focinhos em forma de pá, mediam cerca de um metro de comprimento e possuíam “pernas muito poderosas”, sugerindo que corriam rapidamente.

De acordo com o estudo publicado no jornal Peer J em Setembro, acredita-se que os ornitópodes pré-históricos estavam a descansar quando foram mortos.

Curiosamente, acredita-se que os dinossauros morreram da mesma forma que as vítimas de Pompeia, que foram mortas pela mítica erupção do Monte Vesúvio. A morte deverá ter sido angustiante, já que as nuvens de cinza devem ter coberto toda a floresta pré-histórica de Liaoning.

Segundo um estudo de 2018, os habitantes de Pompeia que moravam perto do Monte Vesúvio morreram quando o seu sangue ferveu, o que fez com que os seus crânios explodissem.

Afinal, o abraço das Duas Donzelas de Pompeia pode ter sido dado entre dois homens

O abraço entre dois corpos petrificados, conhecidos como “As Duas Donzelas”, é uma imagem icónica da destruição trágica de Pompeia,…

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Apesar de destruidora, a queda de cinzas em Pompeia preservou tudo o que revestiu – tal como aconteceu com estas espécies de dinossauros. Nos últimos anos, os cientistas chegaram a encontrar um cavalo na cidade que foi invadida depois da erupção do Monte Vesúvio.

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24 Setembro, 2020

 

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4383: Cientistas medem, pela primeira vez, a distância até um magnetar na Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO

Com a ajuda do observatório Very Long Baseline Array (VLBA), uma equipa de astrónomos conseguiu medir, pela primeira vez, a distância até ao magnetar XTE J1810-197, localizado na Via Láctea. 

Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões, com um campo magnético bastante forte, capazes de emitir raios X e raios gama. Aliás, é por esse motivo que muitos cientistas pensam que os magnetares são os responsáveis pelas rajadas rápidas de rádio (FRBs).

Nesta nova investigação, cujo artigo científico foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, a equipa de cientistas analisou o XTE J1810-197 durante 2019 e 2020, observando-o em lados opostos na órbita da Terra durante o trajecto em torno do Sol. Os investigadores notaram uma pequena mudança no efeito paralaxe, isto é, a posição que o objecto aparenta ter em relação a outros no fundo, mais distantes.

Através da paralaxe, é possível calcular a distância directa do objecto.

De acordo com o Tech Explorist, esta é a primeira medida do paralaxe de um magnetar, e revela que XTE J1810-197 está entre os magnetares mais próximos conhecidos – a “apenas” 1.800 anos-luz.

“Ter uma distância precisa deste magnetar significa que podemos calcular a força dos pulsos de rádio vindos deste corpo celeste. Se ele emitir uma FRB, vamos descobrir a força do pulso”, resumiu Adam Deller, membro da Universidade de Tecnologia da Austrália.

O XTE J1810-197 é um dos seis conhecidos que emite pulsos de ondas de rádio. O magnetar ficou activo de 2003 a 2008 e fez um intervalo longo de dez anos na sua actividade. Em Dezembro de 2019, “ressuscitou” e voltou a emitir ondas de rádio.

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25 Setembro, 2020

 

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4381: Há duas formas de medir um dia na Terra (e nós usamos a mais longa)

CIÊNCIA/ESPAÇO

Quanto tempo demora o planeta Terra a completar uma rotação de 360º? Não são exactamente 24 horas, mas sim 23 horas e 56 minutos.

O nosso planeta demora 23 horas e 56 minutos a completar uma volta completa ao seu redor, e não 24 horas. Estes quatro minutos a menos são explicados pelo facto de a Terra orbitar constantemente o Sol e, depois de uma rotação completa de 360º, um ponto diferente do planeta se voltar para a estrela.

Segundo o Science Alert, para que o Sol alcance exactamente a mesma posição no céu, a Terra precisa de girar mais um grau. Isto significa que os seres humanos medem um dia não pela rotação exacta do planeta, mas pela posição do Sol no céu.

Tecnicamente, há dois tipos diferentes de dia: um deles é medido pela conclusão de uma rotação de 360º e é conhecido como dia sideral; enquanto que o outro se baseia na posição do Sol e é chamada de dia solar. Este último é quatro minutos mais longo do que o anterior, totalizando assim as 24 horas que contamos diariamente.

Como nos baseamos nos dias solares para desenhar os calendários, um ano tem 365 dias. No entanto, a Terra completa uma rotação (dia sideral) 366 vezes por ano.

James O’Donoghue, cientista planetário da agência espacial japonesa (Jaxa), publicou no YouTube um vídeo no qual mostra a diferença entre o dia sideral e o dia solar.

Em entrevista ao Business Insider, o especialista descreveu a diferença como uma escolha com base no objecto de fundo que escolhemos como base de comparação para a rotação da Terra. No fundo, se usarmos o dia sideral como referência, “o Sol nasceria cerca de quatro minutos mais cedo todos os dias”.

“Depois de seis meses, o Sol nasceria 12 horas mais cedo.”

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24 Setembro, 2020

 

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4379: Pegadas com 120 mil anos mostram como é que os humanos saíram de África

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(h)

Uma equipa de investigadores encontrou centenas de pegadas na Arábia Saudita que podem retratar como é que os antigos humanos saíram de África para a Eurásia.

Há cerca de 120 mil anos, naquilo que hoje é o norte da Arábia Saudita, um pequeno grupo de homo sapiens parou para beber num lago raso que também era frequentado por camelos, búfalos e elefantes maiores do que qualquer espécie vista hoje. Possivelmente, os humanos caçaram os animais, mas a sua estadia não foi longa.

Este é o cenário pintado por um conjunto de pegadas humanas e de animais encontradas no deserto de Nefude, na Arábia Saudita. O comportamento deste humanos ancestrais foi reconstruido por uma equipa de investigadores e os resultados do estudo foram publicados, na semana passada, na revista científica Science Advances.

A investigação mostra uma possível rota usada pelos nossos ancestrais à medida que saíam do continente africano, escreve a Phys.

Hoje, a Península Arábica é uma vasta região árida, deserta e praticamente inóspita. No entanto, nem sempre foi o caso, revelam os autores do estudo. Devido às alterações climáticas, outrora, a Península Arábica era muito mais verdejante e húmida.

“As pegadas são uma forma única de evidência fóssil, pois fornecem retratos no tempo, normalmente representando algumas horas ou dias, uma resolução que dificilmente obtemos de outros registos”, explica o autor do estudo, Mathew Stewart, do Instituto Max Planck.

No total, sete das centenas de pegadas descobertas foram identificadas como pertencentes a hominídeos, incluindo quatro que, devido à orientação semelhante, distâncias entre si e diferenças de tamanho, foram interpretadas como dois ou três indivíduos a viajarem juntos.

“Sabemos que humanos estavam a visitar este lago ao mesmo tempo que os animais e, incomum para a área, não há ferramentas de pedra”, salientou Stewart, o que indicaria que os humanos teriam feito um assentamento de longo prazo lá. Assim, sabe-se que passagem pelo lago foi curta, provavelmente para apenas recolherem mantimentos.

A presença de elefantes também comprova a ideia de que haveria recursos abundantes de água e vegetação, ao contrário dos dias de hoje.

Os cientistas já sabiam que os primeiros humanos se espalharam para a Eurásia através do sul da Grécia e do Levante. Esta nova investigação mostra que os humanos podem ter também optado por “rotas interiores, seguindo lagos e rios”.

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23 Setembro, 2020

 

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4378: Terra Pi: cientistas descobrem planeta que completa uma órbita em 3.14 dias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Recebemos diariamente novidades de descobertas feitas no Espaço, que o vão desconstruindo e nos fazem percebe-lo cada vez melhor. Agora, uma equipa de cientistas descobriu um planeta do tamanho da Terra que se desloca à volta da sua estrela durante 3,14 dias.

Num cruzamento entre a matemática e a astronomia, os cientistas apelidaram-no de Terra Pi (pi Earth).

Um novo planeta que abraça matematicamente a sua estrela 

Recuando a 2017, um grupo de cientistas do MIT descobriu sinais do planeta, em dados obtidos durante a missão Kepler Space Telescope’s K2 da NASA. Este ano, a equipa confirmou que os sinais outrora detectados correspondiam a um planeta que estava a orbitar a sua estrela. Aliás, esse agora chamado de Terra Pi ainda hoje demora 3,14 dias a orbitar a sua estrela.

Conforme os dados disponíveis, o Terra Pi adquiriu o rótulo de K2-315b. Assim, é o 315º sistema planetário descoberto através dos dados do K2. Ademais, os investigadores acreditam que o seu tamanho seja muito semelhante ao da nossa Terra. Além disso orbita a sua estrela fria de massa baixa, que representa um quinto do tamanho do Sol.

Apesar da sua massa estar ainda por determinar, os cientistas consideram que o Terra Pi é terrestre, assim como o nosso planeta. Como referimos, completa uma volta à sua estrela em 3,14 dias, a cerca de 81 quilómetros por segundo.

Apesar de ser terrestre, o planeta não é habitável. Isto, porque orbita a sua estrela suficientemente perto para o aquecer acima de 170º C.

SPECULOOS e MIT na frente desta descoberta

Os investigadores do MIT, responsáveis pela descoberta do Terra Pi, são membros da SPECULOOS (The Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars). Por isso, têm à sua disposição 4 telescópios no Atacama Desert, no Chile, para o hemisfério sul. Ademais, têm acesso a um outro, recentemente adicionado, voltado para o hemisfério norte.

Este sistema de telescópios foi concebido para procurar planetas semelhantes ao nosso nas proximidades, como é o caso do Terra Pi. Assim, os astrónomos podem encontra-los e pesquisar sobre a sua atmosfera e as suas características próprias.

Assim, os investigadores do MIT admitem que o Terra Pi poderá ser um promissor candidato para ser seguido pelo James Webb Space Telescope (JWST). Para já a equipa continua a pesquisar outros dados que se possam juntar aos que já possuem.

Autor: Ana Sofia
23 Set 2020

 

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4377: Terra vai ter em Dezembro uma estranha “mini lua” na sua órbita

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Este fenómeno não é estranho, embora desperte várias perguntas ainda por responder. Contudo, tal como no passado, no próximo mês de Dezembro, a Terra irá ter uma nova Lua. Não será um astro como o nosso satélite natural, que nos acompanha há milhões de anos, mas é um novo companheiro. Sim, vem na nossa direcção um “objecto”, mas que vai ter um comportamento diferente e é apelidado de mini-lua.

Será um asteróide? Poderá ser, mas não parece. Será algo extraterrestre? Também não tem tais características, parece ser algo mais “mundano”!

Será um cometa, um asteroide… será um extraterrestre?

Quando estes objectos são detectados, as contas são feitas numa grande velocidade para que se perceba qual será o seu caminho, ao passar pela nossa vizinhança. Embora seja um fenómeno mais ou menos compreendido pelo homem, na realidade só conseguimos confirmar duas destas mini-luas: 2006 RH120, que nos visitou em 2006 e 2007; e 2020 CD3, na órbita da Terra de 2018 a 2020.

A Terra tem uma nova pequena Lua, mas será por pouco tempo

A nossa Lua tem agora uma companhia. A força gravítica da Terra puxou para perto de si um asteróide. Os astrónomos no Catalina Sky Survey, no Arizona, avistaram no passado dia 15 de Fevereiro … Continue a ler A Terra tem uma nova pequena Lua, mas será por pouco tempo

Agora, os astrónomos detectaram um novo objecto, chamado 2020 SO. Este eventual astro tem uma trajectória de entrada que provavelmente fará com que a gravidade da Terra “capture” este objecto a partir do próximo mês de Outubro até maio de 2021.

Objecto que tem uma órbita caótica

As contas que se fizeram, aquelas muito rápidas, levaram a que as simulações mostrassem a trajectória do objecto. Segundo o professor de física e astrofísico Tony Dune, esta mini-lua “terá um caminho altamente caótico”. Portanto, o seu caminho terá que ser submetido a várias revisões enquanto estiver próximo. Nada é dado como totalmente certo.

Não será um asteróide a passar muito perto da Terra?

Segundo a classificação feita pela NASA, 2020 SO foi classificado como um asteróide do tipo Apolo, uma classe de asteróides cujo caminho atravessa a órbita da Terra. Conforme temos visto, estes corpos rodeiam frequentemente o nosso planeta, mas este tem especificamente algumas peculiaridades: a órbita é semelhante à Terra e a baixa velocidade de 2020 SO sugerem que não é realmente um asteróide.

Na verdade, as suas características, segundo os especialistas, são mais consistentes com algo criado pelo homem. Os objectos vindos da Lua também têm uma velocidade mais lenta do que os asteróides, mas este objecto é ainda mais lento.

É por isso que tudo aponta para que estejamos perante lixo espacial. Muito provavelmente será uma secção de um foguete Atlas-Centaur que lançou uma carga experimental chamada Surveyor 2 à Lua em Setembro de 1966, explicada pelo astrónomo Paul Chodas do JPL da NASA.

Esta explicação tem algum cabimento porque durante décadas uma espécie de foguetes com múltiplas fases (algo como peças “destacáveis”) foram usados à medida que a viagem progredia. A fase de reforço regressa à Terra e é reutilizada, mas o resto permanece no espaço. E há muitos destes objectos pelo espaço, além de que são muito fáceis de perder pelos radares humanos, o que explicaria que não tinha sido detectado antes.

Astrónomos apostam as fichas em como é uma secção de um foguete Atlas-Centaur

Conforme é explicado, o tamanho estimado do objecto 2020 SO corresponde ao tamanho de uma destas etapas do Centaur dos anos 60. De acordo com a base de dados CNEOS da NASA, o objecto mede entre 6,4 e 14 metros de comprimento (um Centauro mede 12,68 metros). Além disso, esta base de dados diz que este objecto provavelmente fará duas voltas perto da Terra. No dia 1 de Dezembro de 2020, passará a uma distância de cerca de 50.000 quilómetros. Por volta de 2 de Fevereiro de 2021, voará a 220.000 km.

Nem está perto o suficiente para entrar na atmosfera da Terra, por isso o objecto não representa nenhum perigo. Mas estas distâncias, particularmente a uma velocidade lenta, podem ser suficientes para estudá-lo mais de perto e determinar o que é o SO 2020.

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Autor: Vítor M.
23 Set 2020

 

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