1619: NASA descobre “girinos” no Sol que podem desvendar antigo enigma da astrofísica

Um estudo recente da NASA sobre um dos fenómenos mais notáveis do nosso sistema planetário pode desvendar um mistério antigo da astrofísica. O enigma reside na camada mais externa do Sol, a coroa, que atinge temperaturas de um milhão de graus Celsius, quase 200 vezes mais do que a superfície do Sol.

Os cientistas, que há mais de um século tentam perceber por que motivo a camada externa do Sol é mais quente do que a sua superfície, estão agora mais perto de resolver o enigma graças aos chamados “girinos” que foram encontrados em regiões com um campo magnético mais intenso da superfície solar.

​O espectrógrafo de imagens infravermelhas da NASA permitiu detectar uma espécie de jactos alongados de plasma quente semelhantes a girinos, que saem das manchas solares – regiões da superfície solar relativamente frias e magneticamente activas – elevando-se a cerca de 4.800 quilómetros até a coroa interior.

Segundo uma simulação computacional levada a cabo pela equipa, estes jactos poderiam levar energia e plasma suficiente para aquecer a camada solar externa.

Até à descoberta deste “girinos” — formalmente apelidados pseudo-choques — apenas duas teorias sobre as possíveis razões para o aquecimento da coroa foram consideradas.

A primeira hipótese sustenta que o calor da atmosfera externa solar é injectado por inúmeras pequenas explosões que libertam ondas de partículas carregadas e quentes. Já a segunda alicerça-se na ideia de que a energia se transporta até ali através de ondas electromagnéticas que poderiam empurrar partículas carregadas até à atmosfera, tal como uma onda do oceano empurra o surfista.

Agora, os especialistas esperam conseguir obter algumas pistas complementares da sonda espacial Parker Solar Probe, lançada em Agosto passado, para estudar como é que a energia e o calor se deslocam através da coroa solar.

“[Estas informações] poderiam fornecer uma imagem abrangente do aquecimento coronal”, afirmou Aleida Higginson, investigadora do laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, na cidade de Laurel, nos Estados Unidos.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1618: Astrónomos determinam de onde vêm os meteoritos que caem com mais frequência na Terra

josemiguelmartinez / Flickr

Um estudo conduzido pelo astrónomo Peter Jenniskens, identificou a fonte dos meteoritos mais comuns, conhecidos como condritos L.

É possível classificar os meteoritos em várias categorias pela textura e composições química e mineralógica, sendo os condritos os mais comuns de todos eles, representando 82% dos meteoritos.

Através do estudo, publicado na revista Meteoritics & Planetary Science, os cientistas conseguiram determinar que este tipo de meteorito vem de pelo menos dois campos de detritos no cinturão de asteróides – região circular do Sistema Solar formada por múltiplos objectos irregulares denominados asteróides – , originários de planetas outrora anões que colidiram há muito tempo. A colisão constante desses fragmentos produzem os meteoritos que caem na Terra.

Meteoritos que caíram em 2012 na cidade norte-americana de Novato, no estado da Califórnia, e em 2015 perto da cidade de Creston, também situada no mesmo estado, foram comparados e identificados como condritos L.

A princípio, os 33 investigadores envolvidos no estudo acharam que os meteoritos poderiam ter vindo do mesmo campo de detritos, mas foi determinado que o meteorito de Novato demorou três anos a contornar o Sol, enquanto o outro demorou um ano e meio para fazer o mesmo movimento.

Isso sugere que o primeiro meteorito caído foi enviado por uma ressonância mais distante do Sol e mais profunda no cinturão de asteróides.

Durante a grande colisão há 470 milhões de anos, o meteorito de Novato perdeu a maior parte dos seus gases nobres ou inertes, como o argónio, enquanto que o de Creston “não perdeu o argónio dos minerais nos últimos 4,3 mil milhões de anos”, afirmou o geoquímico Matthias Meier.

“Isso provavelmente significa que o asteróide do qual o meteorito de Creston se originou não sofreu a colisão que afectou o de Novato há 470 milhões de anos”, acrescentou Meier.

Embora estes meteoritos provenham de diferentes colisões em diferentes partes do cinturão de asteróides, têm muito em comum e parecem estar relacionados entre si, sugerem os autores do estudo.

Por exemplo, ter-se-iam tornado matéria sólida no mesmo corpo paternal, que poderia ter sido quebrado e as suas partes poderiam acabar em lugares diferentes no cinturão de asteróides.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1617: A mais pequena lua de Neptuno pode ter nascido da sua segunda maior lua

NASA

A lua mais pequena de Neptuno, a Hipocampo, parece ser um fragmento da segunda maior lua do planeta, a Proteu, sugerem astrónomos num estudo esta quinta-feira divulgado pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrónomos chegaram a esta conclusão a partir de observações com o telescópio espacial Hubble, operado pela ESA e pela agência espacial norte-americana NASA, e de dados mais antigos da sonda Voyager 2, que se aproximou de Neptuno em 1989.

Segundo o estudo, citado hoje em comunicado, a lua Hipocampo terá resultado da fragmentação da lua Proteu quando foi atingida por um cometa há mil milhões de anos, formando uma cratera na sua superfície.

“Em 1989, pensávamos que a cratera era o fim da história. Com o Hubble, sabemos agora que um pequeno pedaço de Proteu ficou para trás e que é Hipocampo”, afirmou, citado no comunicado da ESA/Hubble, o coordenador da equipa de astrónomos, Mark Showalter, do Instituto norte-americano SETI, que foi fundado pelo cosmólogo e divulgador de ciência Carl Sagan (1934-1996).

A lua Hipocampo, que terá cerca de 34 quilómetros de diâmetro, foi descoberta em 2013 e a sua órbita está muito próxima da de Proteu, lua que, de acordo com os astrónomos, teve origem num cataclismo envolvendo os satélites naturais de Neptuno, um dos ‘gigantes’ gasosos e o último planeta do Sistema Solar.

“O Hipocampo é um ponto não resolvido nas imagens do [telescópio] Hubble. Como tal, não conseguimos saber mais nada além de determinar a sua órbita e saber qual a quantidade de luz que reflete”, descreveu ao jornal Público Mark Showalter. “Supomos ainda que a sua superfície tenha a mesma cor (cinzento muito escuro) de outras luas próximas”, avançou.

SETI Institute
Comparação de tamanho das sete luas internas de Neptuno

Há mil milhões de anos, Neptuno capturou um corpo enorme da cintura de Kuiper, que, defendem os especialistas, corresponde à maior lua do planeta, Tritão.

Os resultados foram esta quinta-feira publicados na revista especializada Nature.

ZAP // Lusa

Por ZAP
21 Fevereiro, 2019

 

1616: “Rio” com 4000 estrelas flui surpreendentemente perto do Sol

ESO/Digitized Sky Survey 2/Davide De Martin

Uma equipa de cientistas da Universidade de Viena, na Áustria, acaba de descobriu um “rio de estrelas”, uma corrente estelar que cobre a maior parte do céu do hemisfério Sul.

A corrente é formada por pelo menos de 4000 estrelas que se estão a mover juntas no espaço desde que se formaram, há aproximadamente mil milhões de anos. “[A corrente] é enorme e está surpreendentemente perto do Sol“, disse João Alves, co-autor do estudo.

“A maior parte dos aglomerados de discos galácticos dispersam-se rapidamente após o nascimento, pois não possuem estrelas suficientes para criar um potencial gravitacional profundo, noutras outras palavras, não têm cola suficiente para mantê-los juntos”, explicou Stefan Meingast, o autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Astronomy and Astrophysics.

Para a investigação, os cientistas recorreram a dados do satélite ESA Gaia. A partir destas informações, conseguiram estudar o movimento tridimensional das estrelas e imediatamente foram confrontados por um grupo até então desconhecido e não estudado que, surpreendentemente, se movia como uma corrente.

De acordo com os cientistas, foi este surpreendente grupo de estrelas que demonstrou com precisão as características esperadas de um grupo estelar que nasceu junto, sendo depois separado pelo campo gravitacional da Via Láctea.

“Assim que investigamos este grupo específico de estrelas com mais detalhes, soubemos que tínhamos encontrado o que procurávamos: uma estrutura ondulada e contemporânea que se estende por centenas de parsecs ao longo de um terço do céu”, afirmou Verena Fürnkranz, co-autora e aluna de mestrado da Universidade de Viena. “Foi muito emocionante fazer parte de una nova descoberta”, confessou.

Tendo em conta a sua relativa proximidade da Terra, o “rio” recém-descoberto pode ajudar os cientistas a estudar a força da gravidade da Via Láctea, medir a massa da galáxia e ainda ajudar na procura de novos exoplanetas.

ZAP //

Por ZAP
20 Fevereiro, 2019

 

1613: InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte

O “lander” InSight da NASA colocou a sua sonda de calor, de nome HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), na superfície de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DLR

O “lander” InSight da NASA colocou o seu segundo instrumento na superfície de Marte. Novas imagens confirmam que o HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package) foi implantado com sucesso no dia 12 de Fevereiro a cerca de 1 metro do sismómetro do InSight, que o módulo recentemente cobriu com um escudo protector. O HP3 mede o calor que se move através do subsolo de Marte e pode ajudar os cientistas a descobrir quanta energia é necessária para construir um mundo rochoso.

Equipado com um espigão auto-martelante, o instrumento vai cavar até 5 metros abaixo da superfície, mais do que qualquer missão anterior no Planeta Vermelho. Em comparação, o “lander” Viking 1 da NASA escavou 22 centímetros. O módulo de aterragem Phoenix, primo do InSight, escavou 18 cm.

“Estamos ansiosos por quebrar alguns recordes em Marte,” disse Tilman Spohn, investigador principal do HP3 do Centro Aeroespacial Alemão, que forneceu a sonda térmica para a missão InSight. “Dentro de alguns dias, vamos finalmente começar a escavar usando uma parte do nosso instrumento que chamamos de toupeira.”

O HP3 parece-se um pouco com um macaco hidráulico, mas com um tubo de metal vertical na frente para segurar a toupeira com 40 centímetros de comprimento. Um cabo liga a estrutura de suporte do HP3 ao “lander” enquanto uma corda presa no topo da toupeira possui sensores de calor para medir a temperatura do subsolo de Marte. Entretanto, os sensores de calor na própria toupeira vão medir a condutividade térmica do solo – quão facilmente o calor se move pela sub-superfície.

“A nossa sonda está construída para medir o calor que vem de dentro de Marte,” disse Sue Smrekar, vice-investigadora principal do InSight, no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “É por isso que queremos colocá-la no subsolo. As temperaturas mudam à superfície, tanto das estações quanto do ciclo dia-noite, e podem adicionar ‘ruído’ aos nossos dados.”

A toupeira vai parar a cada 50 centímetro para medir a condutividade térmica do solo. Dado que o martelamento cria fricção e liberta calor, a toupeira pode arrefecer durante dois dias. De seguida, é aquecida até mais ou menos 10º C ao longo de 24 horas. Os sensores de temperatura dentro da toupeira medem a rapidez com que isto acontece, o que informa os cientistas da condutividade do solo.

Se a toupeira encontrar uma grande rocha antes de atingir pelo menos 3 metros, a equipa precisará de um ano marciano completo (dois anos terrestres) para filtrar o ruído dos seus dados. Esta é uma razão pela qual a equipa seleccionou cuidadosamente um local de aterragem com poucas pedras e porque passou semanas a escolher onde colocar o instrumento.

“Escolhemos o local de pouso ideal, quase sem rochas à superfície,” disse Troy Hudson, cientista e engenheiro que ajudou a projectar o HP3. “Isto dá-nos razão para acreditar que não há muitas rochas grandes no subsolo. Mas temos que esperar e ver o que vamos encontrar à sub-superfície.”

Independentemente da profundidade que atinja, não há como debater que a toupeira é um feito da engenharia.

“Pesa menos do que um par de sapatos, usa menos energia do que um ‘router’ Wi-Fi e precisa de escavar pelo menos 3 metros noutro planeta,” explicou Hudson. “Foi preciso muito tempo para obter uma versão que pudesse fazer dezenas de milhares de marteladas sem se partir; algumas versões anteriores falharam antes de chegar a 5 metros, mas a versão que enviámos para Marte provou a sua robustez várias vezes.”

Astronomia On-line
19 de Fevereiro de 2019

 

1612: Terramoto na Bolívia revelou uma cadeia montanhosa “escondida” nas profundezas da Terra

Kyle McKernan / Princeton University

Um forte terramoto, que atingiu a Bolívia em 1994, ajudou um grupo de investigadores a estudar uma “fronteira” entre o manto superior e inferior da Terra.

A maioria das crianças na escola aprende que a Terra tem três (ou quatro) camadas: a crosta, o manto e e o núcleo, que, por vezes, é dividido entre núcleo interior e exterior. Isto não está errado, mas exclui outras camadas que os cientistas têm identificado no interior da Terra, incluindo a zona de transição dentro do manto.

Num estudo publicado na revista Science, Jessica Irving e Wenbo Wu, geofísicos da Universidade de Princeton , em colaboração com Sidao Ni, do Instituto de Geodésia e Geofísica da China, usaram dados de um enorme terramoto na Bolívia para encontrar montanhas e outras topografias na base da zona de transição, uma camada de 660 quilómetros que separa o manto superior e inferior.

Para espiar profundamente a Terra, os cientistas usam as ondas mais poderosas do planeta, que são geradas por terramotos massivos.

Os grandes terramotos são mais poderosos que os pequenos – a energia aumenta 30 vezes a cada degrau da escala Richter. A investigadora obtém os melhores dados de terramotos de magnitude 7,0 ou mais, enquanto as ondas de choque que enviam em todas as direcções podem viajar através do núcleo para o outro lado do planeta – e vice versa.

Para este estudo, os principais dados vieram das ondas captadas após um terramoto de magnitude 8,2 – o segundo maior terramoto já registado – que abalou a Bolívia em 1994.

“Terramotos tão grandes não acontecem com frequência”, disse. “Temos sorte agora que temos muito mais sismógrafos do que há 20 anos. A sismologia é um campo diferente do que era há 20 anos entre instrumentos e recursos computacionais ”.

De acordo com um comunicado publicado pela Universidade de Princeton, sismólogos e cientistas de dados usam computadores poderosos para simular o complicado comportamento das ondas de dispersão na Terra profunda.

A tecnologia depende de uma propriedade fundamental das ondas: a capacidade de dobrar e saltar. Assim como as ondas de luz podem reflectir num espelho ou refractar ao passar por um prisma, ondas de terramotos viajam directamente através de rochas homogéneas, mas refletem ou refractam quando encontram qualquer limite ou rugosidade.

“Sabemos que quase todos os objectos têm aspereza da superfície e, portanto, dispersam a luz”, disse Wu. “É por isso que podemos ver estes objectos – as ondas espalhadas carregam as informações sobre a aspereza da superfície. Neste estudo, investigamos ondas sísmicas dispersas que viajavam dentro da Terra para restringir a aspereza do limite de 660 quilómetros da Terra.”

Os investigadores ficaram surpresos com o quão difícil este limite é – mais áspero do que a camada superficial em que todos vivemos. “A topografia mais forte do que as Montanhas Rochosas ou os Apalaches está presente no limite de 660 quilómetros”, disse Wu.

O modelo estatístico não permitia determinações precisas de altura, mas há probabilidades de estas montanhas serem maiores do que qualquer coisa na superfície da Terra. A aspereza não foi igualmente distribuída.

Assim como a superfície da crosta tem chão oceânico suave e montanhas enormes, o limite de 660 quilómetros tem áreas irregulares e áreas lisas. Os cientistas também examinaram uma camada de 410 quilómetros abaixo, no topo da “zona de transição” do manto e não encontraram rugosidade semelhante.

“As camadas profundas da Terra são tão complicadas como o que observamos na superfície”, disse a sismóloga Christine Houser, do Instituto de Tecnologia de Tóquio.

“Encontrar mudanças de elevação entre um e três quilómetros num um limite que tenha mais de 660 quilómetros de profundidade com recurso a ondas que viajam por toda a Terra é um feito inspirador. As descobertas sugerem que, à medida que os terramotos ocorrem, continuaremos a detectar novos sinais de pequena escala que revelam novas propriedades das camadas da Terra”.

A presença de rugosidade no limite de 660 quilómetros tem implicações significativas para entender como o planeta se formou e continua a funcionar. A camada divide o manto, que representa cerca de 84% do volume da Terra.

Durante anos, os geo-cientistas debateram o quão importante é este limite. Em particular, investigaram como o calor viaja através do manto – se as rochas quentes são levadas suavemente do limite do manto central até o topo do manto ou se a transferência é interrompida neste camada.

Algumas evidências geoquímicas e mineralógicas sugerem que o manto superior e inferior são quimicamente diferentes, o que suporta a ideia de que as duas secções não se misturam termicamente ou fisicamente.

As áreas mais lisas do limite de 660 quilómetros podem resultar de uma mistura vertical mais completa, enquanto as áreas montanhosas mais ásperas podem-se ter formado onde o manto superior e inferior não se misturam.

Além disso, a rugosidade, que existia em grandes, moderadas e pequenas escalas, poderia, teoricamente, ser causada por anomalias de calor ou por heterogeneidades químicas. Mas, por causa da forma como o calor transportado dentro do manto, qualquer anomalia térmica em pequena escala seria suavizada em poucos milhões de anos. Isto deixa apenas diferenças químicas para explicar a aspereza de pequena escala.

As rochas que costumavam pertencer à crosta agora descansam em silêncio no manto e podem ser responsáveis pelas diferenças químicas. Os cientistas há muito que debatem o destino das lajes do fundo do mar que são empurradas para o manto nas zonas de subducção.

Wu e Irving sugerem que os remanescentes destas placas podem estar logo acima ou logo abaixo do limite de 660 quilómetros”.

ZAP //

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1609: A parte perdida do Universo pode ter sido finalmente encontrada

NASA/CXC/K. Williamson, Springel et al.

Uma equipa de astrofísicos acredita ter encontrado uma nova e importante pista que pode ajudar a dar resposta a um dos maiores mistérios do Cosmos: onde se esconde cerca de um terço de todo o Universo?

A matéria que “falta” no Universo é uma massa diferente da matéria escura (outro grande puzzle científico no campo da Astronomia), composta por hidrogénio, hélio e outros elementos que surgiram logo após o Big Bang, tendo-se depois transformado em estrelas, planetas, poeira cósmica e outros objectos observáveis por telescópios.

Apesar de ser perfeitamente normal, os cientistas não conseguiram ainda encontrar um terço da matéria “normal” que deveria “morar” no Universo. Este cenário pode, contudo, estar prestes a mudar: uma equipa de cientistas afirma ter descoberto uma importante pista que nos poderá levar até lá, graças ao telescópio orbital Chandra da NASA.

“Se encontrarmos esta massa perdida, poderemos resolver um dos maiores enigmas da Astrofísica. Onde escondeu o Universo tanto da sua matéria que forma coisas como estrelas, planetas e nós?”, disse citado em comunicado Orsolya Kovacs, do centro de astrofísica Harvard-Smithsonian, nos Estados Unidos, autor principal do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica Astrophysical Journal.

Existem algumas teorias que tentam explicar a matéria perdida do Universo. A mais popular destas explicações sustenta que a massa em falta acumula-se em estruturas gigantes como fios de gás quente (com temperaturas abaixo dos 100.000 graus Kelvin) e muito quente (mais de 100.000 graus Kelvin) no espaço intergaláctico.

Apesar de os filamentos em causa serem invisíveis às lentes dos telescópios ópticos, alguns podem ser rastreados noutras faixas – e foi a partir desta premissa que os cientistas levaram a investigação a cabo.

Recorrendo ao telescópio orbital de raios-X Chandra, os astrofísicos procuraram e estudaram filamentos de gás quente encontrados num quasar, o H1821+643. Esta brilhante fonte de raios-X é alimentada por um buraco negro super-massivo de rápido crescimento, localizado a 3.500 milhões de anos luz da Terra.

Os cientistas pensaram que se o que está em falta no Universo se esconde através de filamentos intergalácticos, então alguns dos raios-X do quasar poderiam ser absorvido por esse mesmo gás quente. Simplificando: as acumulações de gás intergaláctico podem conter a tão procurada massa do Universo.

“A nossa procura é semelhante ao princípio de como conduzir uma procura eficiente por animais nas vastas planícies de África”, explicou Akos Bogdan, co-autor da investigação e astrofísico do Harvard Smithsonian Center for Astrophysics, na mesma nota. “Sabemos que os animais precisam beber e, por isso, faz sentido procurar à volta dos poços de água”.

O sinal de absorção de gás quente é muito fraco e difícil de reconhecer no espectro de um quasar, especialmente no contexto  de interferência. Cientes disto, os cientistas debruçaram a sua procura em apenas algumas partes do espectro. Graças a este novo método, escreveram os cientistas, foi possível identificar 17 possíveis filamentos de gás entre o quasar estudado e nós, e obter as respectivas distâncias.

“Estamos empolgados por termos conseguidos rastrear parte deste material perdido e, no futuro, podemos aplicar este mesmo método a outros dados do quasar para confirma que este mistério de longa data foi finalmente resolvido”, adiantou Randall Smith, outro dos cientistas envolvidos na investigação.

SA, ZAP //

Por SA
19 Fevereiro, 2019

 

1608: Astrónomos descobrem dois “Saturnos quentes” (e estão a escaldar)

ESO

Os astrónomos acabaram de encontrar um par de planetas semelhantes a Saturno que emitem muito calor. Embora ainda se aguarde a confirmação oficial, os investigadores dizem que estão virtualmente certos de que ambos estão por aí.

Os dois mundos orbitam a estrela TOI-216 na constelação de Dorado, a 580 anos-luz de distância. Isto é realmente muito longe da Terra.

“Estamos muito, muito confiantes de que este é um sistema planetário real“, disse David Kipping, professor assistente de astronomia da Universidade de Columbia e principal autor do estudo.

Os cientistas fizeram a descoberta depois de analisar dados do TESS, o telescópio espacial lançado pela NASA em Abril do ano passado.

O planeta exterior – TOI-216c – tem o tamanho de Júpiter ou Saturno, os dois maiores planetas do nosso Sistema Solar. O planeta interior – TOI-216b – é um pouco menor, “entre o tamanho de Saturno e Neptuno”, segundo Kipping.

A estrela que orbitam é semelhante ao nosso Sol, embora seja cerca de 15% mais pequena e mais fria. Embora os cientistas estejam a chamar a estes mundos de “Saturno quente”, há uma ressalva. “Quente” não significa agradável, temperado ou parecido com a Terra. O planeta interior regista mais de 315ºC e o exterior 226ºC.

Outros mundos, mais hospitaleiros, podem “esconder-se” nas proximidades. O sistema poderia ser um lugar agradável para exoluas. Isto é particularmente intrigante para Kipping. Os dois Saturnos “são exactamente o tipo de planetas” para ter satélites, garantiu.

De facto, no nosso Sistema Solar, os grandes planetas têm muitas luas. Como Saturno, com 62. Além disso, os mundos orbitam a sua estrela numa “ressonância dois-para-um”. O TOI-216b completa a rotação sobre si próprio a cada 17 dias. O TOI-216c precisa de 34, exactamente o dobro do tempo.

Essa ressonância é um indício de que o sistema é relativamente sereno, referiu Kipping, não um “com uma história violenta” – o que é um bom cenário é bom para as luas. “Se há luas em torno destas coisas, quase certamente teriam sobrevivido até hoje”.

A TESS, que vê 85% do céu, está a apontar para as estrelas mais próximas e mais brilhantes. A sonda já identificou 365 objectos de interesse. Com isso, a próxima geração de telescópios espaciais – como o James Webb, da NASA – terá alvos viáveis.

As novas missões tentarão discernir os detalhes dos mundos da TESS e medirão atmosferas e procurarão satélites – e até sinais de vida alienígena. “Estes são os planetas que vamos estudar nos próximos 100 anos”.

ZAP // Forbes

Por ZAP
19 Fevereiro, 2019

 

1604: Pela primeira vez, a estrela mais brilhante no céu nocturno vai “apagar-se” temporariamente

Ivan Kodzhanikolov / Flickr

Sirius, a estrela mais brilhante no céu nocturno e a quinta estrela mais próxima do nosso sistema solar, será brevemente “apagada” na segunda-feira por um asteróide que se move em redor do Sol.

Esta é a primeira vez que este evento foi previsto pelos astrónomos e será visível como um escurecimento da luz brilhante de Sirius por uma fracção de segundo por volta das 22h30 da noite de na segunda-feira no oeste do México, EUA central e Canadá.

Os astrónomos chamam a este evento “ocultação”, que é quando um objeto celeste é escondido da vista por outro objeto celestial.

Sirius é uma das estrelas mais fáceis de encontrar em todo o céu nocturno. Por um lado, é um dos corpos mais brilhantes e, por outro, porque as três estrelas no Cinturão de Orion apontam para baixo para Sirius nesta época do ano.

A estrela vai ser ocultada por um asteróide chamado 4388 Jürgenstock. É um asteróide de cinco quilómetros de largura do cinturão de asteróides. Foi baptizado em honra do homem que o descobriu, o astrónomo venezuelano Jürgen Stock. Este corpo orbita o Sol uma vez a cada 3 anos e 7 meses.

“Esta é a primeira ocultação de Sirius já prevista”, disse David W. Dunham na International Occultation Timing Association. “Os catálogos de estrelas e as efemérides de asteróides não eram precisos o suficiente para prever tais eventos antes de 1975, por isso ninguém tentou prever as ocultações antes daqueles anos”. Dunham explica que Sirius está longe da eclíptica, onde a maioria dos asteróides vagueiam, e onde estrelas como Regulus, em Leão, são mais frequentemente ocultadas.

Os observadores vão poder ver “a estrela desvanecer ao longo de um período de vários décimos de segundo, provavelmente não desaparecerá completamente e depois recuperará o seu brilho total ao longo de outros vários décimos de segundo”.

Uma estrela brilhante é ocultada por um asteróide razoavelmente grande a cada dois ou três anos. “A última foi uma ocultação de Regulus que foi ocultada pelo grande asteróide Adorea a 13 de Outubro de 2016″, explicou Dunham. As estrelas visíveis a olho nu mais fracas são ocultadas com mais frequência.

Esta ultra-rara ocultação de Sirius pode ajudar os astrónomos a calcular o quão longe está. Ainda nenhum telescópio espacial ou câmara estelar conseguiu medir a sua distância com precisão.

“A missão Gaia tem câmaras sensíveis que foram projectadas para mapear cerca de dois mil milhões de estrelas até à 20ª magnitude”, diz Dunham. “O Sirius é cem milhões de vezes mais brilhante que as mais fracas estrelas, por isso foi muito difícil projectar um sistema que mapeasse ambos”. Embora Gaia tenha algumas técnicas de filtro para obter dados sobre algumas das estrelas mais brilhantes, Sirius é demasiado brilhante para elas.

ZAP // Forbes

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019

 

1601: Cientistas conseguiram finalmente provar uma grande teoria da formação do Sistema Solar

NASA

Há algum tempo que os investigadores tinham uma ideia sobre a formação do Sistema Solar, mas nunca a tinham testado e confirmado – até agora.

Planetas, estrelas e buracos negros crescem a consumir material de um disco giratório. Embora esses discos possam diferir em tamanho, todos dependem, em grande parte, da grande força da gravidade, que os mantém a girar em torno da massa central.

A gravidade permite que pequenos aglomerados cresçam para aglomerados maiores. Mas não é suficiente puxar todo o disco para o meio num grupo gigante, porque o momento angular está a puxar esses blocos para longe do centro à medida que giram.

Isso é uma boa notícia, porque significa que o universo é composto por mais do que apenas aglomerados de matéria gigantes e solitários. É também por isso que a Terra gira à volta do Sol, em vez de cair e incendiar-se.

Porém, este tipo de acumulação central às vezes acontece, e é por isso que vemos coisas como planetas, estrelas e buracos negros activos no universo em nosso redor. Algo parecia estar a faltar no momento angular básico versus a teoria da gravidade.

A chave é que estes discos giratórios de material também têm uma carga eléctrica. E, como estão em movimento, significa que estão a gerar um campo magnético. O movimento turbulento de muitos pequenos objectos neste campo magnético leva a instabilidades, e os objectos começam a trocar o momento angular: alguns perdem-no e caem mais perto do centro, enquanto outros ganham-no e afastam-se mais.

Investigadores do Laboratório de Física de Plasma de Princeton apresentaram uma maneira de testar este princípio básico, chamado de instabilidade magneto-rotacional, ou ressonância magnética. Os resultados foram publicados na revista científica Communications Physics.

As pessoas assumiram durante muito tempo que a ressonância magnética fará com que os discos de material se espalhem, empurrando o material para perto do centro, onde pode cair numa estrela central ou buraco negro, e material externo mais distante.

Procurar evidências de ressonância magnética no espaço é complicado. Os investigadores conseguem ver os resultados do material a acumular-se no centro de um sistema – uma estrela nasce ou um buraco negro dispara jactos activos. Mas medir o fluxo de material com precisão suficiente para testar a ressonância magnética está além das nossas habilidades actuais.

Nos laboratórios, o análogo mais próximo de um disco giratório gigante de plasma e poeira carregados seria um tanque circular de metal líquido, que também é difícil de medir – para não mencionar caro e ocasionalmente perigoso.

Assim, Eric Blackman, autor do artigo, e os seus colegas adoptaram a abordagem mais simples, com molas em vez de campos magnéticos e pesos, em vez de nuvens de materiais carregados. Encheram cilindros rotativos concêntricos com água e fixaram uma bola com peso com uma mola ao centro. Girando os cilindros, poderiam reproduzir os efeitos da ressonância magnética.

Acontece que a ressonância magnética funciona exactamente como os investigadores previram há muito tempo: empurra materiais próximos. “Não importa o quanto pensemos que algo é verdade e como soa plausível”, referiu Blackman, “Depois de teste, isso torna-o mais robusto”.

O resultado pode não ser surpreendente, e pode não mudar a maneira como os astrónomos entendem a formação de estrelas e planetas. Mas é a função mais fundamental da ciência: provar por experiência algo que as pessoas até agora acreditavam ser verdade.

ZAP // Discover

Por ZAP
16 Fevereiro, 2019

 

1600: Astrónomos registam “explosão mortífera” em estrela recém-nascida

NASA

Um grupo de investigadores registou uma explosão fortíssima na superfície de uma jovem estrela localizada na constelação de Órion, cuja força supera em dez milhões de vezes fenómenos parecidos no Sol.

“Nós examinamos as estrelas vizinhas, tentando entender como surgiu o Sistema Solar. Anteriormente, não tínhamos observado explosões tão fortes nos astros jovens. A sua descoberta permitiu pela primeira vez investigar detalhadamente as características físicas de tais objectos”, declarou Steve Mairs, do Observatório em Hawai, EUA, no estudo publicado na revista The Astrophysical Journal.

No Sol, acontecem periodicamente erupções solares, lançando energia em forma de luz, calor e radiação, bem como perturbando o funcionamento das telecomunicações, satélites e ameaçando a saúde de cosmonautas.

A tempestade solar de 1859, também conhecida como Evento Carrington, é considerada a explosão mais poderosa. O fenómeno produziu 20 vezes mais energia do que a queda do meteorito que destruiu os dinossauros e os grandes répteis marinhos.

Em 2012, os planetólogos da missão Kepler encontraram centenas de astros da classe do Sol, na superfície dos quais aconteceram explosões mais poderosos de que o Evento Carrington. Isto levou os cientistas a supor que o Sol pode originar estes cataclismos um dia, mas a sua potência máxima não foi determinada com precisão devido à diferença de idade, composição química e histórias de evolução das várias estrelas.

Mairs e os seus colegas descobriram que explosões ainda mais fortes podem ocorrer em astros não muito grandes, examinando vários aglomerados estelares na nebulosa de Órion.

Em 2016, os cientistas detectaram uma explosão extremamente potente nos arredores da estrela recém-nascida JW 566, afastada da Terra a uns 1.500 anos-luz. Os astrónomos examinaram-na com ajuda dos telescópios ópticos do Observatório do Hawai, bem como dos observatórios de raios X e de radioastronomia, tendo conseguido calcular a potência desse acontecimento.

A explosão teria sido muito mais forte que as explosões mais brilhantes de outras estrelas recém-nascidas e dez mil milhões de vezes mais potente que o Evento Carrington.

Ainda não foi descoberta a frequência destes cataclismos na JW 566 e outras estrelas recém-nascidas, não se conhecendo os processos magnéticos na sua atmosfera que levam a essas emissões de energia.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
17 Fevereiro, 2019