1526: Os smartphones podem estar a pôr em risco elementos da Tabela Periódica

(dr) University of St Andrews

Elementos químicos vitais foram incluídos numa “lista ameaçada”. A culpa, dizem os cientistas, é da mania de trocar de telemóvel cada vez que surge um modelo novo no mercado.

2019 é o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, dado que este ano se assinalam 150 anos desde que esta tabela foi criada. No entanto, vivemos num momento em que o avanço tecnológico é também uma ameaça e um risco inesperado. E tudo por causa dos telemóveis.

Os smartphones são compostos por cerca de 30 elementos químicos. A equipa de especialistas da Universidade de St Andrews, na Escócia, onde se descobriu a mais antiga tabela periódica do mundo, considera que isso tem feito aumentar as preocupações com a sua crescente escassez.

Em alguns casos, estes recursos são limitados, sobretudo aqueles localizados em áreas de conflito. Além disso, a incapacidade de reciclar os equipamentos só agrava a situação.

Cobre, ouro e prata, na composição; lítio e cobalto na bateria; alumínio, silício, oxigénio e potássio no ecrã: estes são os elementos químicos mais utilizados nos smartphones. A Visão acrescenta também que as cores brilhantes que aparecem no visor têm pequenas quantidades de outros elementos mais raros, como o ítrio, o térbio e o disprósio, que também ajudam o telemóvel a vibrar.

Este problema levou o professor emérito da Universidade de St Andrews, David Cole-Hamilton, a questionar se as pessoas têm, de facto, necessidade de mudar de telemóvel a cada dois anos. “Há uma quantidade finita de cada um destes elementos e estamos a gastar alguns tão rapidamente que certamente desaparecerão em menos de 100 anos.”

Mas, além de lançar a questão, o especialista projectou uma nova Tabela Periódica na qual deixou bem visível o grau de escassez de cada um dos elementos usados nos dispositivos electrónicos.

A nova tabela foi apresentada na terça-feira, no Parlamento Europeu, sendo que o novo design é também parte de projecto da European Chemical Society, representando mais de 160 mil químicos.

Só na União Europeia, são descartados ou substituídos cerca de 10 milhões de smartphones todos os meses.

ZAP //

Por ZAP
27 Janeiro, 2019

 

1434: Há uma gigantesca fonte de CO2 por toda a parte (responsável por 8% das emissões globais)

CIÊNCIA

(CC0/PD) skeeze / Pixabay

O cimento é o material feito pelo Homem mais usado que existe. O seu processo de produção é encarado como uma gigantesca fonte de dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o instituto de pesquisa britânico Chatham House, o cimento é fonte de aproximadamente 8% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2). Se esta indústria fosse um país, seria o terceiro maior emissor desse gás do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos.

A BBC faz ainda outra comparação: as emissões do cimento superam as do combustível de aviação (2,5%) e não ficam muito atrás das geradas pelo agro-negócio global (12%), por exemplo.

Com emissões nesta produção, o cimento esteve em cima da mesa durante a conferência da ONU sobre as mudanças climáticas – a COP24. Durante o evento, representantes do sector debateram algumas formas de atender aos requisitos do Acordo de Paris, um compromisso mundial para reduzir a emissão de gases na atmosfera.

Desta forma, para que o acordo seja cumprido, as emissões anuais de cimento deverão ser reduzidas em, pelo menos, 16% até 2030. Mas esta não é uma tarefa fácil.

A produção de cimento envolve a extracção e o esmagamento de matérias-primas, principalmente calcário e argila, que são trituradas e misturadas com outros materiais – como minério de ferro ou cinzas – e, na etapa seguinte do processo, introduzidas em grandes fornos cilíndricos e aquecidas a cerca de 1.450°C.

O processo de calcinação – como é conhecida a reacção química da decomposição térmica usada para transformar calcário em cal virgem – divide o material em óxido de cálcio e dióxido de carbono. Este processo dá origem a uma nova substância, chamada clínquer. Trata-se não só do principal componente do cimento, mas do material cuja produção emite a maior quantidade de CO2 nesta indústria.

No formato de pequenos grãos com uma tonalidade acinzentada, o clínquer é arrefecido, moído e misturado com gesso e calcário. Em seguida, está pronto para ser transportado para os fabricantes.

Em 2016, a produção mundial de cimento gerou cerca de 2,2 mil milhões de toneladas de CO2o equivalente a 8% do total mundial. Mais da metade teve origem no processo de calcinação. Juntamente com a combustão térmica, 90% das emissões deste sector poderiam ser atribuídas à produção de clínquer.

Apesar disso, é de notar que este sector fez progressos: melhorias na eficiência energética nas fábricas, nomeadamente na queima de materiais residuais em vez de combustíveis fósseis. Este avanço levou a uma redução de 18% nas emissões médias de CO2 por tonelada de produto nas últimas décadas, adianta a Chatham House.

Ainda assim, são precisos esforços adicionais, já que a substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas e captura e armazenamento do carbono não são suficientes. A indústria precisa de desenvolver esforços para produzir novos tipos de cimento, argumentam os especialistas.

Cimentos de baixo carbono poderiam eliminar completamente a necessidade de clínquer. A empresa BioMason, na Carolina do norte, é uma das mais concentradas nos cimentos alternativos.

A BioManson usa bilhões de bactérias para cultivar tijolos de “bio-concreto”, uma técnica que envolve colocar areia em moldes e injectar nela microrganismos, desencadeando um processo muito semelhante ao que cria o coral. O processo acontece à temperatura ambiente, sem a necessidade de combustíveis fósseis ou calcinação – duas das principais fontes de emissão de CO2 da indústria cimenteira.

Muitos especialistas acreditam que os “cimentos verdes” e tecnologias como a da BioManson podem oferecer uma solução eficaz para a problemática das emissões do sector.

LM, ZAP // BBC

Por LM
21 Dezembro, 2018

 

1358: Um simples ingrediente que usamos à mesa pode ter gerado a vida na Terra

CIÊNCIA

esparta / Flickr

Um novo estudo levado a cabo por investigadores do Earth-Life Science Institute (ELSI) no Instituto de Tecnologia de Tóquio, no Japão, sugere que o cloreto de sódio – ou seja, o sal comum – pode ter estado na origem da vida na Terra.

Como é que começou a vida na Terra? Esta é uma das questões fundamentais para as quais a Ciência ainda não tem uma resposta. Uma das hipóteses mais aceites na comunidade científica aponta que terá sido um caldo primordial – uma mistura de aminoácidos, nucleotídeos e outros elementos básicos – a surgir nos oceanos após o impacto de raios cósmicos e das altas temperaturas – assim terá surgido a vida.

Esta teoria foi apoiada pelo famoso procedimento de Miller e Urey, que mostrou que as moléculas orgânicas necessárias para gerar vida podem ser formadas a partir de componentes inorgânicos. A investigação revelou que as descargas eléctricas que imitavam os raios contribuíram para a criação em tubos selados com água, metano, amoníaco e hidrogénio de elementos orgânicos como os aminoácidos, considerados pilares fundamentais para a existência de vida.

Agora, e de acordo com o novo estudo, a equipa do ELSI contribui para a compreensão de como o ácido ribonucleico (RNA) – considerado como a molécula chave para a formação da vida, sugerindo que o ácido pode ter surgido de forma abiótica (ou seja, num meio onde não há condições para que surja vida).

Os cientistas descobriram que o elemento que acabou por ser crucial na criação dos blocos de construção que compõem o RNA foi o cloreto de sódio ou, noutras palavras, o sal comum que diariamente usamos à mesa.

O trabalho, publicado recentemente na revista Chemistry Select, mostrou que há uma série de componentes necessários para a síntese de RNA que apenas são formados quando um único elemento, combinado com o cloreto de sódio, é exposto aos raios gama.

Por norma, os químicos não costumam dar muito valor ao cloreto de sódio nas reacções, mas, argumentam os cientistas, é exactamente o sal de mesa, uma vez exposto à radiação gama, que ajuda a criar composto de alta energia que, por sua vez, podem ajudar a construir as moléculas complexas de RNA.

“Agora a questão não é tanto sobre como fazer todos os elementos principais para criar o RNA, mas antes como combiná-los num ‘pequeno lago morno’ para criar os primeiros polímeros de RNA”, explicou a equipa do instituto japonês em comunicado.

“Um dos principais desafios é entender como é que outras moléculas, e não aquelas que são importantes na criação de RNA, podem afectar este processo”, remataram.

ZAP // RT

Por ZAP
1 Dezembro, 2018

 

1336: Encontrado no Brasil o mais antigo dinossauro de pescoço longo

CIÊNCIA

(dr) CAPPA / UFSM

Encontrado no Rio Grande do Sul, o Macrocollum itaquii tinha 3,5 metros de comprimento e terá vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no Brasil.

O Rio Grande do Sul, no Brasil, ficou marcado na história da paleontologia por uma grande descoberta. Foi encontrado na região o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Os fósseis do Macrocollum itaquii foram localizados em 2013, e a estimativa é de que o animal tenha vivido naquela região há 225 milhões de anos. Esta descoberta é uma marca histórica não só por se tratar de uma nova espécie, mas também porque esta é a primeira vez que são encontrados esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Segundo a Deutsche Welle, investigadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul.

Com os seus imponentes 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço muito longo, sendo esta uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes com grandes pescoços, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas triássicas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, esta descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros. Apesar de haver vários esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, esqueletos como estes, com aproximadamente 225 milhões de anos, são bastante raros. Diz respeito a um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, dado que antecede o período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

De acordo com os cientistas, que analisaram a dentição de Macrocollum itaquii, este dinossauro alimentava-se de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas e, consequentemente, garantir o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.

O nome Macrocollum significa pescoço longo e itaquii é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2018

 

1323: Cientistas norte-americanos tropeçaram numa “medusa psicadélica”

CIÊNCIA

Foi quase por acaso que cientistas norte-americanos descobriram uma medusa tão estranha no fundo do mar, com tentáculos que podem atingir um alcance de 360 graus para picar as suas presas, que a apelidaram de “psicadélica”.

Esta “medusa psicadélica” foi encontrada a pairar junto ao fundo do mar no âmbito da expedição intitulada “Oceano Profundo 2018”.

Veículos operados remotamente, enviados a partir de um navio da marinha dos EUA, o Okeanos Explorer,  conseguiram detectar e registar imagens da medusa que foi cientificamente baptizada como Rhopalonematid jelly Crossota millsae.

Estes veículos conseguem descer até mais de 1000 metros de profundidade, e estão apetrechados para enviarem as imagens captadas directamente para os cientistas no navio.

O registo destas criaturas marinhas pode ajudar os cientistas a perceberem melhor as partes mais profundas e mais escuras do oceano, e consequentemente, a facilitar o caminho da preservação da vida marinha.

O navio da marinha norte-americana Okeanos Explorer está a ser usado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA na sigla original em Inglês) para explorar o fundo do mar, na zona entre a costa de Porto Rico e as Ilhas Virgens. A expedição arrancou a 30 de Outubro passado.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2018

 

1310: Hora H para a biodiversidade é agora. Ou, talvez, nunca

CIÊNCIA

Delegados à cimeira das Nações Unidas sobre a Convenção da Biodiversidade têm duas semanas para mostrarem o que valem. Com as espécies a perderem terreno, políticos têm pouco tempo para inverter essa tendência

É necessário criar mais áreas marinhas protegidas no planeta
© Arquivo Global Imagens

Sem alarido, os trabalhos da Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas (COP 14) – sim, a biodiversidade também tem uma COP – arrancaram este sábado no Egipto. Apesar da ausência de mediatismo, porém, o que está em causa nesta cimeira – preservar os habitats naturais que estão a regredir a grande velocidade e salvar da extinção a maioria das espécies – é tão crucial para o futuro do planeta como o que se discute nas muito mais mediáticas COP do clima.

A natureza regride à frente dos nossos olhos. Ainda há duas semanas, a directora executiva da Convenção da Biodiversidade da ONU, Cristiana Pasca Palmer, alertava, em entrevista ao The Guardian, para números alarmantes: desde 1970, 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis desapareceram da face do planeta. A perda de biodiversidade, disse a directora da convenção, “é um assassino silencioso”. Porquê? Porque as pessoas não se apercebem dessa realidade, ao contrário do que sucede com as alterações climáticas, que “são sentidas no dia-a-dia”, afirmou.

Em vésperas desta COP, que decorre em Sharm El-Sheikh até 29 deste mês, com representantes dos 196 países signatários da convenção, Cristiana Pasca Palmer não poupou palavras, alertando para necessidade de um novo acordo para a preservação do mundo natural nos próximos dois anos. A não ser assim, avisou, o que pode estar em causa é a extinção da própria humanidade.

Preparar compromisso para Pequim

O dramatismo das afirmações da directora da Convenção da Biodiversidade da ONU surge do pouco se andou nesta área até agora. Há oito anos, em Aichi, no Japão, os 196 países signatários da convenção da biodiversidade celebraram um protocolo com metas concretas, mas os resultados são demasiado escassos.

O acordo previa a redução para metade da perda dos habitats naturais, a garantia de actividades de pesca sustentáveis em todas as regiões do mundo e a expansão de reservas naturais de 10% para 17% da superfície do planeta até 20120. Mas a dois anos de terminar o prazo, os avanços foram poucos ou nenhuns, como se verá nas contas desta COP.

“A perda de biodiversidade e a destruição continuam a um ritmo sem precedentes, sobretudo devido à perda de habitats, às alterações climáticas, à poluição e às espécies invasoras”, afirmou Cristiana Pasca Palmer ao site de informação ambiental Unearthed, ligado à Greenpeace, antes do início dos trabalhos em Sharm El-Sheikh.

Durante as próximas duas semanas, os delegados à COP têm uma árdua tarefa pela frente: voltar a pôr nos carris esta pesada carruagem, que dentro de dois anos, tem de estar afinada para que a cimeira de Pequim, em 2020, possa traçar novas metas.

O objectivo é conseguir na capital chinesa um compromisso com uma ambição política idêntica à do Acordo de Paris para o clima – embora não seja completamente claro neste momento se ficar abaixo de 1,5 graus de aumento de temperatura até final do século é exequível, face aos níveis de emissões de gases com efeito de estufa que persistem. Mas, para a biodiversidade, apesar de alguns sinais positivos, as dificuldades parecem ser ainda mais duras.

Como sublinhou Cristiana Pasca Palmer, há dados que deixam alguma esperança, Por exemplo, na Ásia, a cobertura florestal cresceu 2,5% nos últimos anos, e há hoje mais áreas marítimas protegidas do que há 10 anos, mas não chega. E para que, de Pequim, possa sair em 2020 um compromisso robusto, é necessário que este COP no Egipto comece já a trabalhar nele.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Novembro 2018 — 20:26

 

1303: Cientistas encontraram um pássaro que é três espécies numa só

CIÊNCIA

(dr) Lowell Burket

Cientistas encontraram um pássaro incomum na Pensilvânia que guarda um incrível segredo genético: esta toutinegra é o híbrido de três espécies diferentes de pássaros.

Uma equipa de cientistas encontrou um passo incomum na Pensilvânia, cuja mãe era um híbrido de dois toutinegras e o pai era uma toutinegra de um terceiro género totalmente diferente. Assim, este pássaro é três espécies numa só, algo “extremamente raro”, afirma David Towes, do Cornell Lab of Ornithology.

Híbridos de pássaros não são incomuns. Aliás, a toutinegra de Brewster (que, neste caso, era o híbrido da mãe deste pássaro “3 em 1”) é conhecida desde 1874. Além disso, sabe-se que a hibridação pode levar ao desenvolvimento de novas espécies.

No entanto, em casos normais, entram apenas duas espécies na equação. O facto de este pássaro ser um híbrido de três espécies é algo muito incomum que, além de fascinante, revela também algo alarmante sobre o declínio do número de toutinegras em Appalachia, uma região no leste dos Estados Unidos.

(dr) Cornell Lab of Ornithology

Segundo o ScienceAlert, este pássaro foi visto, pela primeira vez, em maio de 2018 por Lowell Burket, que chegou à conclusão que esta ave tinha uma coloração semelhante às das toutinegras de asas douradas (Vermivora chrysoptera) e às de asa azul (Vermivora cyanoptera). No entanto, o seu canto era muito mais parecido com a de uma toutinegra Setophaga pensylvanica.

Depois de avistar o pássaro várias vezes, Burket relatou a sua descoberta no site de observação de pássaros do The Cornell Lab of Ornithology, o eBird. “Tentei fazer com que o email soasse um pouco intelectual para que os investigadores não pensassem que eu era um maluco”, disse Burket.

“Uma semana depois estava já com David Toews a recolher as medidas e uma amostra de sangue desta espécie. Foi uma manhã muito interessante e muito emocionante para nós”, lembra Burket. Poucos dias depois, Towes enviou uma mensagem a Burket, pontuada com vários pontos de exclamação – o observador amador de pássaros estava correto em relação às suas observações.

Os investigadores estudaram os genes que codificam a coloração e usaram-nos para descobrir como seria a ave mãe – chegando a uma mãe toutinegra de Brewster e a um pai toutinegra dos castanheiros. Esta é a primeira vez que esta combinação híbrida é vista. O estudo foi publicado recentemente na Biology Letters.

Mas o que é fascinante, é também preocupante, dado que algumas populações de toutinegras de asas douradas diminuíram drasticamente em Appalachia. Um novo tipo de evento de hibridação pode indicar que não há parceiros suficientes para todos, de modo a que as aves são obrigadas a procurar outras espécies para opções reprodutivas.

Persiste, todavia, uma outra preocupação. Sabemos que alguns híbridos de aves continuam férteis e são capazes de se reproduzir, mas não se sabe se este híbrido triplo será capaz de fazer o mesmo. Mesmo que consiga, as parceiras achá-lo-ão demasiado estranho para o escolherem como companheiro.

Mas nada como esperar por novos desenvolvimentos. Quem sabe se este pássaro “3 em 1” não será pai em breve.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

 

 

1301: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

 

1274: Celtas decapitavam e embalsamavam as cabeça do inimigo como troféus

CIÊNCIA

(dr) Fouille Programmée Le Cailar-UMR5140-ASM
Um dos crânios encontrado no assentamento Celta no sul da França

Os antigos Celtas levavam as suas conquistas ao extremo, celebrando-as de forma macabra: os guerreiros colocavam as cabeças decepadas do inimigo ao pescoço dos seus cavalos, exibindo-as como troféus sangrentos.

Agora, e pela primeira vez, os arqueólogos encontraram na França evidências disso mesmo – cabeças decapitadas e embalsamadas datadas de há mais de dois mil anos.

Textos gregos e romanos antigos davam já conta que os celtas da região da Gália – território onde actualmente fica a França e as regiões vizinhas -, conhecidos por serem fortes e temíveis guerreiros, decapitavam os seus inimigos após as batalhas, colocando as cabeças dos guerreiros do inimigo ao pescoço dos seus cavalos.

E assim voltavam para casa das batalhas que venciam, com as cabeças decapitadas do inimigo a adornar – como se de um colar se tratasse – os seus animais. Relatos de embalsamento estavam também presentes na literatura antiga.

“As cabeças dos mais distintos inimigos eram embalsamadas em óleo cedro e cuidadosamente preservadas num baú”, escreveu o historiador grego Diodorus Siculus (90 a 30 a.C) no quinto volume da sua obra “Biblioteca Histórica”.

Em igual sentido, o historiador greco-romano Strabo (63 a.C a 23 d.C) escreveu no livro “Geographica“: “As cabeças dos inimigos de alta reputação eram, no entanto, embalsamadas em óleo cedro e exibidas para os estranhos”.

De acordo com Réjane Roure, arqueóloga da Paul Valéry University of Montpellier, na França, os celtas exibiam as cabeças “como troféu, de forma a aumentar a sua influência e poder, tentando assustar os seus inimigos”.

No entanto, e vale a pena salientar, os Gregos e os Romanos eram inimigos dos Celtas e, como tal, os seus relatos podem não ser totalmente fiéis à História antiga. Agora, e de acordo com a recente publicação na revista Journal of Archaeological Science, os especialistas conseguiram finalmente provar esta prática macabra.

Crânios confirmam a prática

Para a descoberta, a equipa de arqueólogos analisou fragmentos de crânios do assentamento Celta de Le Cailar, no sul da França, descobertos já em 2000. O território foi fortificado na Idade de Ferro e servia como porto para os comerciantes do Mediterrâneo.

Entre 2003 e 2013, os arqueólogos encontrara no local cerca de 50 crânios, fragmentados em 2.500 peças. Os crânios foram encontrados ao lado de armas e junto do que era, segundo os cientistas, um dos portões do assentamento. A disposição das armas bem como dos crânios sugere que os restos mortais estavam lá já há muito tempo, num grande espaço de exibição aberto no interior do assentamento.

O local em causa foi ocupado desde de o século VI a.C até ao século I d.C após os Romanos conquistarem Gália. De acordo com os cientistas, os crânios datam do século III a.C, época marcada por muitas batalhas e guerras por quase toda a Europa Ocidental.

Quanto aos rumores do embalsamento, os cientistas analisaram 11 crânios, tentando encontrar traços ou substâncias desta técnica. Seis destes crânios tinham vestígios de resina de coníferas, juntamente com moléculas que apenas são formadas quando a resina de plantas como o pinheiro são aquecidas até temperaturas elevadas.

Uma vez mais, esta é a primeira vez que uma análise química encontrou evidências de que os Celta embalsamavam cabeças durante a Idade do Ferro, explicaram os cientistas.

Investigações futuras podem explorar se estas cabeças foram embalsamadas durante todo o século III a.C ou se a prática aconteceu apenas durante um curto período deste século. “Além disso, há muitas outras cabeças decepadas da Idade do Ferro na Europa, e seria muito interessante saber se todas elas foram embalsamadas”, rematou Roure.

Conhecidos pelas suas capacidades em batalha, os Celtas habitaram a região onde hoje se localizada a França e as regiões vizinhas da Itália e Bélica, possuindo dezenas de pequenas vilas. Este povo guerreiro foi o principal derrotado pelo imperador romano Júlio César, no século I a.C, que impulsionou assim o seu poder.

O próprio imperador de Roma registou por escrito os impressionantes feitos militares de seus inimigos, famoso pelo poder e força da sua cavalaria.

ZAP // LiveScience / ScienceAlert

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1273: O código neuronal da ansiedade pode ter sido finalmente descoberto

CIÊNCIA

Massachusetts General Hospital / Wikimedia

Os cientistas podem ter descoberto a assinatura neuronal da ansiedade e da tristeza. De acordo com um novo estudo, estes sentimentos podem estar associados à “conversa” entre duas áreas do cérebro. 

Para a descoberta, os cientistas rastrearam as conversas eléctricas que ocorrem no cérebro, isto é, ouviram e analisaram os sinais que estas regiões cerebrais partilham mutuamente.

Quando uma pessoa se sentia mais em baixo, descobriram os cientistas, a comunicação entre as células neuronais de duas áreas específicas aumentava. Segundo a publicação, divulgada nesta quarta-feira na revista Cell, estas áreas cerebrais estão directamente envolvidas na memória e não emoção

Apesar de se verificar um aumento na comunicação celular destas duas áreas, não é ainda certo se este acréscimo é a causa ou o efeito dos sentimentos em si, como o mau humor, notaram os cientistas. No entanto, a pesquisa permitiu definir qual é a área do cérebro onde se desenrola o fenómeno.

De forma bem mais clara, a pesquisa evidenciou que a ansiedade, a depressão  o humor tem manifestações físicas no cérebro – e isso é bom para os pacientes. “Para muitos pacientes é muito importante saberem se, quando estão deprimidos, isso se deve a algo mensurável e concreto no seu cérebro”, disse o co-autor do estudo Vikaas Sohal, psiquiatra da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

“Para alguns pacientes, [a descoberta] pode fornecer uma validação importante e remover o estigma, impulsionando-os a procurar um tratamento adequado”, sustentou.

Procedimento experimental

Para obter estes resultados, a equipa recorreu a uma técnica apelidada de  electroencefalograma intra-craniana (EEG) que, tal como o próprio nome indica, implica implantar eléctrodos ou fios eléctricos dentro do crânio e do próprio cérebro. Depois da implantação, os cientistas conseguem registar a actividade eléctrica das células cerebrais.

Estudos realizados anteriormente sobre a actividade cerebral e as emoções recorreram, na sua grande maioria, a ressonâncias magnéticas funcionais (fMRI) – imagens que medem as mudanças no fluxo sanguíneo no cérebro. Contudo, este era um método de medição de “forma indirecta”, que não é capaz de “medir as mudanças na actividade cerebral que ocorrem muito rapidamente”, exemplificou Sohal.

Em contrapartida, implantar eléctrodos no cérebro de um paciente é um procedimento mais invasivo. Tendo isto em conta, os médicos seleccionaram para o estudo pacientes que estavam à espera de cirurgia tendo, por isso, eléctrodos já implantados – neste caso, foram acompanhados 21 pacientes com epilepsia cujos eléctrodos foram utilizados para mapear as zonas do cérebro que estavam a causar convulsões.

Os cientistas acompanharam a actividade cerebral dos pacientes entre sete a dez dias, registando os seu humor através de “diários de humor”.

A investigações descobriu que em 13 dos 21 pacientes o mau humor estava associado a um aumento entre a comunicação da amigada (região cerebral associada ao processamento de emoções) com o hipocampo (região envolvida na memória).

“A ideia de que as memórias de experiências e emoções negativas está intimamente relacionadas é uma pressuposto antigo da Psiquiatria e está no cerne da terapia cognitivo-comportamental”. Agora, as novas descobertas “podem representar uma base biológica para essa relação”, concluiu o cientista.

Tal como nota a Medical News Today, esta é a primeira vez que uma investigação científica analisa padrões cerebrais profundos ao longo de vários dias. Mais do que isso, a pesquisa regista as medições neuronais em situações diárias, podendo revelar-se importante para combater a condição médica e o estigma que lhe está associado.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
12 Novembro, 2018

 

1266: Estamos cada vez mais próximos do tele-transporte quântico complexo

CIÊNCIA

(CC0/PD) insspirito / pixabay

Uma equipa de cientistas austríacos desenvolveu novos métodos para aperfeiçoar o domínio experimental de sistemas quânticos complexos – fundamentais para o futuro de tecnologias como computadores quânticos e criptografia quântica, e que poderão permitir o  tele-transporte de sistemas quânticos complexos.

Nos últimos anos, grandes empresas como a Google e a IBM têm competido com institutos de investigação em todo o mundo para produzir bits quânticos entrelaçados – que, tal como os bits normais nos computadores convencionais, são a menor unidade de informação em sistemas quânticos – em quantidades cada vez maiores. O objectivo: desenvolver um computador quântico funcional.

De acordo com um novo estudo, publicado a 29 de Outubro na revista Nature, físicos da Universidade de Viena e da Academia de Ciência da Áustria propuseram-se a usar sistemas quânticos mais complexos do que os bits quânticos entrelaçados bidimensionais para aumentar a capacidade de informação transmitida com o mesmo número de partículas.

Para aumentar esta capacidade, a nova investigação concentrou-se na sua complexidade, em vez de aumentar apenas o número de partículas envolvidas.

“A diferença na nossa experiência é que, pela primeira vez, envolve três fotões além da natureza bidimensional convencional”, explicou o principal autor do estudo, Manuel Erhard.

A equipa de cientistas usou sistemas quânticos com mais de dois estados possíveis – neste caso particular, o momento angular de partículas de luz individuais. Estes fotões individuais têm uma capacidade de informação mais alta que os bits quânticos.

O entrelaçamento dessas partículas, contudo, mostrou-se difícil ao nível conceptual. Mas os investigadores superaram o desafio utilizando um algoritmo de computador, chamado Melvin, que procura uma implementação experimental. Desta forma, determinaram a melhor configuração experimental para produzir o entrelaçamento.

Depois de algumas simplificações na configuração experimental, os físicos ainda enfrentaram grandes desafios tecnológicos. Para resolvê-los, usaram tecnologia laser de última geração e uma multi-porta especialmente desenvolvida. “Esta multi-porta é o coração da nossa experiência e combina os três fotões para que eles sejam entrelaçados em três dimensões”, explicou Erhard.

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