2865: A educação científica está sob ataque legislativo nos Estados Unidos

CIÊNCIA

argonne / Flickr

São inúmeros os professores de ciências que trabalham diariamente nas escolas públicas dos Estados Unidos para garantir que os alunos estão equipados com o conhecimento teórico e prático necessário para enfrentar o futuro. No entanto, há alguns projectos de lei que ameaçam a integridade da educação científica no país.

Nos estados do Indiana, Montana e Carolina do Sul, os projectos de lei procuravam exigir a deturpação dos tópicos supostamente controversos dentro da sala de aula. Por sua vez, no Connecticut, Florinda e Iowa, os projectos de lei iam mais longe e visavam além da sala de aula, incluindo tópicos supostamente controversos nos padrões científicos estaduais.

Apesar destas diferenças, os projectos de lei tinham um objectivo comum: minar o ensino da evolução ou das alterações climáticas, avança o Scientific American.

O Indiana, por exemplo, tinha o intuito de obrigar as escolas a ensinarem uma alternativa à evolução, enquanto que o projecto lei de Montana exigiria que as escolas públicas do estado negassem as alterações climáticas nas aulas.

Qualquer um destes projectos seria um ataque ao objectivo da educação de ciências nas escolas públicas, uma vez que é suposto que os alunos tenham o direito de aprender certos tópicos científicos de acordo com a compreensão da comunidade científica. Entre os cientistas, o nível de aceitação da evolução situa-se nos 99% e o das alterações climáticas cifra-se em 97%, pelo que deturpar estes tópicos seria frustrar o ensino científico.

A Associação Nacional de Ensino de Ciências concorda. Em comunicado, a NSTA descreve a evolução como “um importante conceito unificador na ciência” que “deve ser enfatizado nas estruturas e currículos de educação científica do ensino”. Da mesma forma, a associação recomenda que os professores de ciências “enfatizem aos alunos que não existe controvérsia científica sobre os fatos básicos das alterações climáticas“.

Os legisladores, que deveriam defender os professores, apresentam este tipo de projectos de lei e pode haver uma razão para explicar esta atitude: servir as ideologias dos seus eleitores – religiosas, no caso da evolução; políticas, no caso das alterações climáticas.

Certo é que, se os professores de ciências das escolas públicas norte-americanas não conseguirem ensinar evolução ou alterações climáticas com precisão, a alfabetização científica de milhões de estudantes poderá estar em risco.

ZAP //

Por ZAP
19 Outubro, 2019

 

2244: “Bolas de futebol eléctricas” descobertas no espaço ajudam a resolver mistério interestelar

CIÊNCIA

Um grupo de cientistas da NASA conseguiu confirmar, pela primeira vez, a presença de moléculas com cargas eléctricas, em forma de bolas de futebol, no meio interestelar. Uma descoberta feita graças ao telescópio Hubble e que ajuda a desvendar um dos grandes mistérios do espaço.

As chamadas “buckyballs“, compostas por 60 átomos de carbono (C60) organizados em forma de bolas de futebol, já tinham sido detectadas antes, mas, pela primeira vez, foi possível descobrir uma versão destas moléculas com cargas eléctricas no meio interestelar.

A descoberta foi feita por cientistas do Centro de Voo Espacial Goddard que pertence à NASA (a Agência Aeroespacial norte-americana), graças às observações do Telescópio Hubble.

Trata-se de um passo decisivo para desvendar os mistérios do meio interestelar (ISM na sigla original em Inglês), ou seja, do gás e da poeira que preenchem o espaço interestelar.

Dado que as estrelas e os planetas se formam a partir do colapso de nuvens de gás e de poeira espacial, “o ISM difuso pode ser considerado como o ponto de partida para os processos químicos que, em última instância, dão origem aos planetas e à vida“, atesta o cientista Martin Cordiner que integra o Centro Goddard citado num artigo na plataforma científica Phys.org.

Assim, a identificação plena do conteúdo do ISM “fornece informação sobre os ingredientes disponíveis para criar estrelas e planetas”, acrescenta o investigador da Universidade Católica da América em Washington (EUA).

Cordiner liderou a investigação que analisa os dados do Hubble e que foi publicada no Astrophysical Journal Letters.

No artigo científico nesta publicação, os cientistas referem que o C60 que compõe as “buckyballs” já foi encontrado antes no espaço. Todavia, “é a primeira vez” que se confirma a presença no “ISM difuso” de “uma versão electricamente carregada (ionizada)“, salientam.

Ajudar a desvendar o meio interestelar

O C60 fica ionizado quando a luz ultravioleta das estrelas arranca um electrão da molécula, dando-lhe uma carga positiva (C60+).

“O ISM difuso era, historicamente, considerado um ambiente demasiado áspero e ténue para que abundâncias apreciáveis de grandes moléculas ocorressem”, destaca Cordiner.

“Antes da detecção do C60, as maiores moléculas conhecidas no espaço só tinham 12 átomos de tamanho”, acrescenta o cientista, reforçando que a “confirmação do C60+ mostra quão complexa a astro-química pode ser, mesmo nas densidades mais baixas, nos ambientes mais fortemente irradiados por radiação ultravioleta na Galáxia”.

“A presença de C60 demonstra, inequivocamente, um alto nível de complexidade química intrínseca aos ambientes espaciais e aponta para uma forte probabilidade de outras moléculas de carbono, extremamente complexas, surgirem espontaneamente no espaço”, reforça Cordiner.

A vida, tal como a conhecemos, é baseada em moléculas compostas por carbono. Esta descoberta confirma, assim, que complexas moléculas de carbono se podem formar e sobreviver mesmo nos ambientes mais hostis do espaço interestelar.

A equipa do Centro de Voo Espacial Goddard está a tentar detectar C60+ noutros ambientes espaciais, mas há, desde já, a ideia de que estas moléculas são um fenómeno bastante difundido pela nossa galáxia.

A investigação também está a ajudar a perceber melhor a composição do ISM – além de hidrogénio e hélio, pouco se sabe sobre os seus demais compostos.

Os cientistas têm procurado desvendar o seu conteúdo através da análise da luz de estrelas distantes, para tentar perceber como são afectadas pelo espaço interestelar remoto.

“À medida que a luz das estrelas passa através do espaço, elementos e compostos do ISM absorvem e bloqueiam certas cores (comprimentos de onda) da luz”, frisa Bill Steigerwald do Centro Goddard no Phys.org.

Este cientista, que não esteve envolvido na investigação, realça que quando se analisa a luz das estrelas “separando-a nas suas cores componentes (espectro), as cores que foram absorvidas parecem obscuras ou estão ausentes”. Cada elemento tem “um padrão único de absorção que actua como uma impressão digital” que permite a sua identificação, atesta Steigerwald.

Mas os padrões de absorção do ISM, conhecidos como Bandas Interestelares Difusas (DIBs na sigla original em Inglês), são diferentes de quaisquer átomos ou moléculas da Terra e continuam a ser um mistério desde que foram descobertos em 1922.

“Hoje em dia, são conhecidos mais de 400 DIBs, mas (para além dos poucos recém-atribuídos ao C60+) nenhum foi conclusivamente identificado”, sublinha Cordiner.

“Em conjunto, a aparência dos DIBs indica a presença de uma grande quantidade de moléculas ricas em carbono no espaço, algumas das quais podem, eventualmente, participar na química que dá origem à vida”, acrescenta o investigador, apontando contudo, que “a composição e as características desse material permanecerão desconhecidas” até que os DIBs restantes sejam desvendados.

A teoria dos cientistas é que moléculas muito grandes de carbono podem explicar muitos dos DIBs ainda por identificar.

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28 Junho, 2019

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2243: A Internet está a mudar (literalmente) o nosso cérebro

CIÊNCIA

Os motores de busca, como o Google, e as bases de dados na Internet transformaram-se numa espécie de “memória externa” do nosso cérebro.

Algumas das actividades humanas mais básicas estão a ser realizadas com a ajuda do mundo virtual. Por esse motivo, não é surpreendente que a multiplicidade de regiões cerebrais envolvidas na coordenação dessas tarefas se adapte a este modo de vida moderno.

Ainda assim, uma recente investigação sobre o impacto da Internet no funcionamento do cérebro, ainda na infância, compilou uma revisão de tudo o que sabemos até agora sobre de que forma a vida digital está a alterar os nossos cérebros.

O estudo, publicado recentemente na World Psychiatry, analisa os resultados de um conjunto de outros estudos sobre o cérebro, com o objectivo de avaliar algumas das principais hipóteses sobre como é que a Internet os pode afectar. Apesar de os resultados não deverem ser considerados conclusivos, a análise sugere que os estilos de vida online estão a alterar as regiões associadas à atenção, memória e habilidades sociais.

O IFL Science avança um exemplo prático: as pessoas que verificam o telemóvel várias vezes ao dia, na esperança de terem recebido uma mensagem no WhatsApp, por exemplo, viram a sua massa cinzenta ser reduzida em certas áreas do córtex pré-frontal, regiões essas associadas à manutenção da atenção face às distracções. Como consequência, estes indivíduos apresentaram um desempenho menos satisfatório em tarefas relacionadas com a atenção.

Além disso, os investigadores chegaram à conclusão que o enorme impacto dos mecanismos de busca online podem levar-nos a confiar demais na Internet como uma fonte de informação, em detrimento da nossa própria capacidade de memória interna.

Para apoiar esta hipótese, os autores do artigo científico referem um estudo que descobriu que as pessoas tendem a exibir uma lembrança mais fraca das informações encontradas online do que numa enciclopédia. Imagens cerebrais mostraram que este efeito está relacionado com a activação reduzida do fluxo ventral do cérebro – um sistema de recuperação da memória-chave – ao recolher informações na Internet.

No fundo, esta descoberta aumenta a desconfiança dos cientistas de que a aprendizagem online pode não conseguir activar suficientemente as regiões-chave do cérebro necessárias para o armazenamento da memória a longo prazo.

As redes sociais também não passaram despercebidas. Um outro estudo concluiu, por exemplo, que o número de amigos no Facebook determina o volume de massa cinzenta no córtex entorrinal direito, que foi anteriormente associado à capacidade de associar nomes e rostos.

Este efeito é, provavelmente, causado pelo facto de as redes sociais incentivarem os indivíduos a manter um grande número de conexões fracas, exigindo por isso uma maior capacidade de associar nomes a rostos. Antes do advento tecnológico, as pessoas tendiam a ter relacionamentos mais profundos e coesos, com uma menor rede de indivíduos e, portanto, requeriam adaptações diferentes.

A informação não é detalhada nem conclusiva o suficiente para fazer uma declaração definitiva sobre se a Internet é boa ou má para os nossos cérebros. Ainda assim, está claro que, quanto mais tempo passamos online, mais alterações a nossa função cognitiva sofre.

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28 Junho, 2019

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1741: Os pesadelos deste polvo estão escritos no seu corpo

CIÊNCIA

Um vídeo publicado no YouTube mostra um polvo a mudar de cor enquanto dorme. Os cientistas acreditam que a mudança de branco para castanho escuro pode estar ligada a um pesadelo durante o sono.

Os polvos são conhecidos pela habilidade de camuflar a pele em situações perigosas. Mas o que acontece quando estes animais mudam de cor durante o sono?

O vídeo publicado no YouTube mostra um polvo (Octopus hummelincki) a dormir no seu aquário bem iluminado. Quando adormeceu, a cor da sua pele mudou drasticamente, passando de branco para castanho escuro.

As imagens foram captadas em Outubro de 2017, no Butterfly Pavilion, um jardim zoológico no Colorado, EUA. Rebecca Otey, estagiária de ciências e conservação, filmou o polvo a dormir e partilhou as imagens no Youtube, em Fevereiro de 2018.

No início, o polvo adormece com uma coloração branca perolada. No entanto, à medida que vai dormindo, os padrões escuros da sua pele pulsam mediante a sua própria respiração. Gradualmente, uma inundação de cor escura toma conta do seu corpo. Lentamente desaparece, retomando à cor inicial.

Segundo os cientistas, mudanças de cor como a que surge no vídeo são causadas pelos cromatóforos do polvo – células pigmentares que se expandem ou se contraem para alterar as cores e os padrões do corpo do animal. Os especialistas acreditam que estão envolvidas no processo duas outras células – iridóforos e leucóforos – que detectam as cores que a pele do animal combina.

“Os processos exatos de como os polvos combinam as cores ainda não são totalmente conhecidos, apesar se estarem muito bem estudados. No entanto, pesquisas recentes sugerem que as próprias células são capazes de combinar as cores“, disse Sara Stevens, do Butterfly Pavilion, ao Live Science.

Estes animais activam os seus “super poderes” de camuflagem em resposta a mudanças nas condições que os rodeia. Será que a alteração da coloração deste polvo significa que estava a sonhar com uma ameaça?

mentalblock / Flickr
Octopus hummelincki

Apesar de o estudo sobre o sono e o sonho dos cefalópodes estar a crescer ao longo dos anos, ainda não há evidências suficientes para dizer, com certeza, se estes animais sonham da mesma forma que os seres humanos.

“Tem sido levantada a hipótese de que as espécies de polvo podem exibir algo muito semelhantes aos ciclos de R.E.M. em humanos – mas ainda não se sabe se estes animais atingem o sono R.E.M.”, afirmou Stevens. O sono R.E.M., ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), é a fase do sono na qual ocorrem os sonhos mais vividos.

Ao contrário dos seres humanos, os polvos não têm um cérebro centralizado. Em vez disso, têm múltiplos “cérebros” distribuídos pelos seus membros. Este sistema nervoso incomum dá a estes animais o controlo preciso sobre as suas células que mudam de cor. Contudo, essa habilidade pode não estar sob o controlo dos polvos o tempo todo.

Todavia, “não há respostas definitivas para as perguntas: os polvos sonham? E com o quê?”, conclui a cientista.

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21 Março, 2019

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1526: Os smartphones podem estar a pôr em risco elementos da Tabela Periódica

(dr) University of St Andrews

Elementos químicos vitais foram incluídos numa “lista ameaçada”. A culpa, dizem os cientistas, é da mania de trocar de telemóvel cada vez que surge um modelo novo no mercado.

2019 é o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, dado que este ano se assinalam 150 anos desde que esta tabela foi criada. No entanto, vivemos num momento em que o avanço tecnológico é também uma ameaça e um risco inesperado. E tudo por causa dos telemóveis.

Os smartphones são compostos por cerca de 30 elementos químicos. A equipa de especialistas da Universidade de St Andrews, na Escócia, onde se descobriu a mais antiga tabela periódica do mundo, considera que isso tem feito aumentar as preocupações com a sua crescente escassez.

Em alguns casos, estes recursos são limitados, sobretudo aqueles localizados em áreas de conflito. Além disso, a incapacidade de reciclar os equipamentos só agrava a situação.

Cobre, ouro e prata, na composição; lítio e cobalto na bateria; alumínio, silício, oxigénio e potássio no ecrã: estes são os elementos químicos mais utilizados nos smartphones. A Visão acrescenta também que as cores brilhantes que aparecem no visor têm pequenas quantidades de outros elementos mais raros, como o ítrio, o térbio e o disprósio, que também ajudam o telemóvel a vibrar.

Este problema levou o professor emérito da Universidade de St Andrews, David Cole-Hamilton, a questionar se as pessoas têm, de facto, necessidade de mudar de telemóvel a cada dois anos. “Há uma quantidade finita de cada um destes elementos e estamos a gastar alguns tão rapidamente que certamente desaparecerão em menos de 100 anos.”

Mas, além de lançar a questão, o especialista projectou uma nova Tabela Periódica na qual deixou bem visível o grau de escassez de cada um dos elementos usados nos dispositivos electrónicos.

A nova tabela foi apresentada na terça-feira, no Parlamento Europeu, sendo que o novo design é também parte de projecto da European Chemical Society, representando mais de 160 mil químicos.

Só na União Europeia, são descartados ou substituídos cerca de 10 milhões de smartphones todos os meses.

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27 Janeiro, 2019

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1434: Há uma gigantesca fonte de CO2 por toda a parte (responsável por 8% das emissões globais)

CIÊNCIA

(CC0/PD) skeeze / Pixabay

O cimento é o material feito pelo Homem mais usado que existe. O seu processo de produção é encarado como uma gigantesca fonte de dióxido de carbono (CO2).

De acordo com o instituto de pesquisa britânico Chatham House, o cimento é fonte de aproximadamente 8% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2). Se esta indústria fosse um país, seria o terceiro maior emissor desse gás do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos.

A BBC faz ainda outra comparação: as emissões do cimento superam as do combustível de aviação (2,5%) e não ficam muito atrás das geradas pelo agro-negócio global (12%), por exemplo.

Com emissões nesta produção, o cimento esteve em cima da mesa durante a conferência da ONU sobre as mudanças climáticas – a COP24. Durante o evento, representantes do sector debateram algumas formas de atender aos requisitos do Acordo de Paris, um compromisso mundial para reduzir a emissão de gases na atmosfera.

Desta forma, para que o acordo seja cumprido, as emissões anuais de cimento deverão ser reduzidas em, pelo menos, 16% até 2030. Mas esta não é uma tarefa fácil.

A produção de cimento envolve a extracção e o esmagamento de matérias-primas, principalmente calcário e argila, que são trituradas e misturadas com outros materiais – como minério de ferro ou cinzas – e, na etapa seguinte do processo, introduzidas em grandes fornos cilíndricos e aquecidas a cerca de 1.450°C.

O processo de calcinação – como é conhecida a reacção química da decomposição térmica usada para transformar calcário em cal virgem – divide o material em óxido de cálcio e dióxido de carbono. Este processo dá origem a uma nova substância, chamada clínquer. Trata-se não só do principal componente do cimento, mas do material cuja produção emite a maior quantidade de CO2 nesta indústria.

No formato de pequenos grãos com uma tonalidade acinzentada, o clínquer é arrefecido, moído e misturado com gesso e calcário. Em seguida, está pronto para ser transportado para os fabricantes.

Em 2016, a produção mundial de cimento gerou cerca de 2,2 mil milhões de toneladas de CO2o equivalente a 8% do total mundial. Mais da metade teve origem no processo de calcinação. Juntamente com a combustão térmica, 90% das emissões deste sector poderiam ser atribuídas à produção de clínquer.

Apesar disso, é de notar que este sector fez progressos: melhorias na eficiência energética nas fábricas, nomeadamente na queima de materiais residuais em vez de combustíveis fósseis. Este avanço levou a uma redução de 18% nas emissões médias de CO2 por tonelada de produto nas últimas décadas, adianta a Chatham House.

Ainda assim, são precisos esforços adicionais, já que a substituição de combustíveis fósseis por fontes alternativas e captura e armazenamento do carbono não são suficientes. A indústria precisa de desenvolver esforços para produzir novos tipos de cimento, argumentam os especialistas.

Cimentos de baixo carbono poderiam eliminar completamente a necessidade de clínquer. A empresa BioMason, na Carolina do norte, é uma das mais concentradas nos cimentos alternativos.

A BioManson usa bilhões de bactérias para cultivar tijolos de “bio-concreto”, uma técnica que envolve colocar areia em moldes e injectar nela microrganismos, desencadeando um processo muito semelhante ao que cria o coral. O processo acontece à temperatura ambiente, sem a necessidade de combustíveis fósseis ou calcinação – duas das principais fontes de emissão de CO2 da indústria cimenteira.

Muitos especialistas acreditam que os “cimentos verdes” e tecnologias como a da BioManson podem oferecer uma solução eficaz para a problemática das emissões do sector.

LM, ZAP // BBC

Por LM
21 Dezembro, 2018

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1358: Um simples ingrediente que usamos à mesa pode ter gerado a vida na Terra

CIÊNCIA

esparta / Flickr

Um novo estudo levado a cabo por investigadores do Earth-Life Science Institute (ELSI) no Instituto de Tecnologia de Tóquio, no Japão, sugere que o cloreto de sódio – ou seja, o sal comum – pode ter estado na origem da vida na Terra.

Como é que começou a vida na Terra? Esta é uma das questões fundamentais para as quais a Ciência ainda não tem uma resposta. Uma das hipóteses mais aceites na comunidade científica aponta que terá sido um caldo primordial – uma mistura de aminoácidos, nucleotídeos e outros elementos básicos – a surgir nos oceanos após o impacto de raios cósmicos e das altas temperaturas – assim terá surgido a vida.

Esta teoria foi apoiada pelo famoso procedimento de Miller e Urey, que mostrou que as moléculas orgânicas necessárias para gerar vida podem ser formadas a partir de componentes inorgânicos. A investigação revelou que as descargas eléctricas que imitavam os raios contribuíram para a criação em tubos selados com água, metano, amoníaco e hidrogénio de elementos orgânicos como os aminoácidos, considerados pilares fundamentais para a existência de vida.

Agora, e de acordo com o novo estudo, a equipa do ELSI contribui para a compreensão de como o ácido ribonucleico (RNA) – considerado como a molécula chave para a formação da vida, sugerindo que o ácido pode ter surgido de forma abiótica (ou seja, num meio onde não há condições para que surja vida).

Os cientistas descobriram que o elemento que acabou por ser crucial na criação dos blocos de construção que compõem o RNA foi o cloreto de sódio ou, noutras palavras, o sal comum que diariamente usamos à mesa.

O trabalho, publicado recentemente na revista Chemistry Select, mostrou que há uma série de componentes necessários para a síntese de RNA que apenas são formados quando um único elemento, combinado com o cloreto de sódio, é exposto aos raios gama.

Por norma, os químicos não costumam dar muito valor ao cloreto de sódio nas reacções, mas, argumentam os cientistas, é exactamente o sal de mesa, uma vez exposto à radiação gama, que ajuda a criar composto de alta energia que, por sua vez, podem ajudar a construir as moléculas complexas de RNA.

“Agora a questão não é tanto sobre como fazer todos os elementos principais para criar o RNA, mas antes como combiná-los num ‘pequeno lago morno’ para criar os primeiros polímeros de RNA”, explicou a equipa do instituto japonês em comunicado.

“Um dos principais desafios é entender como é que outras moléculas, e não aquelas que são importantes na criação de RNA, podem afectar este processo”, remataram.

ZAP // RT

Por ZAP
1 Dezembro, 2018

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1336: Encontrado no Brasil o mais antigo dinossauro de pescoço longo

CIÊNCIA

(dr) CAPPA / UFSM

Encontrado no Rio Grande do Sul, o Macrocollum itaquii tinha 3,5 metros de comprimento e terá vivido há cerca de 225 milhões de anos. Trata-se dos primeiros esqueletos completos de dinossauros descobertos no Brasil.

O Rio Grande do Sul, no Brasil, ficou marcado na história da paleontologia por uma grande descoberta. Foi encontrado na região o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo.

Os fósseis do Macrocollum itaquii foram localizados em 2013, e a estimativa é de que o animal tenha vivido naquela região há 225 milhões de anos. Esta descoberta é uma marca histórica não só por se tratar de uma nova espécie, mas também porque esta é a primeira vez que são encontrados esqueletos completos de dinossauros no Brasil.

Segundo a Deutsche Welle, investigadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e da Universidade de São Paulo (USP) escavaram três esqueletos fossilizados em rochas triássicas do município de Agudo, no Rio Grande do Sul.

Com os seus imponentes 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii possui um pescoço muito longo, sendo esta uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes com grandes pescoços, os saurópodes, como o braquiossauro e o apatossauro.

As rochas triássicas de onde os esqueletos foram escavados têm cerca de 225 milhões de anos, o que faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Cientificamente, esta descoberta preenche uma lacuna no registo fóssil de dinossauros. Apesar de haver vários esqueletos de períodos mais antigos e mais recentes, esqueletos como estes, com aproximadamente 225 milhões de anos, são bastante raros. Diz respeito a um período importante para a história evolutiva dos dinossauros, dado que antecede o período em que eles se tornaram dominantes em quase todo o planeta.

De acordo com os cientistas, que analisaram a dentição de Macrocollum itaquii, este dinossauro alimentava-se de plantas. Acredita-se que o pescoço longo lhe tenha permitido chegar a vegetações mais altas e, consequentemente, garantir o sucesso do grupo dos sauropodomorfos – do qual o Macrocollum itaquii faz parte – durante a Era Mesozoica.

O nome Macrocollum significa pescoço longo e itaquii é uma homenagem a José Jerundino Machado Itaqui, que foi um dos principais responsáveis pela criação do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colónia (Cappa/UFSM), onde os fósseis do dinossauro estão depositados.

ZAP //

Por ZAP
26 Novembro, 2018

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1323: Cientistas norte-americanos tropeçaram numa “medusa psicadélica”

CIÊNCIA

Foi quase por acaso que cientistas norte-americanos descobriram uma medusa tão estranha no fundo do mar, com tentáculos que podem atingir um alcance de 360 graus para picar as suas presas, que a apelidaram de “psicadélica”.

Esta “medusa psicadélica” foi encontrada a pairar junto ao fundo do mar no âmbito da expedição intitulada “Oceano Profundo 2018”.

Veículos operados remotamente, enviados a partir de um navio da marinha dos EUA, o Okeanos Explorer,  conseguiram detectar e registar imagens da medusa que foi cientificamente baptizada como Rhopalonematid jelly Crossota millsae.

Estes veículos conseguem descer até mais de 1000 metros de profundidade, e estão apetrechados para enviarem as imagens captadas directamente para os cientistas no navio.

O registo destas criaturas marinhas pode ajudar os cientistas a perceberem melhor as partes mais profundas e mais escuras do oceano, e consequentemente, a facilitar o caminho da preservação da vida marinha.

O navio da marinha norte-americana Okeanos Explorer está a ser usado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA na sigla original em Inglês) para explorar o fundo do mar, na zona entre a costa de Porto Rico e as Ilhas Virgens. A expedição arrancou a 30 de Outubro passado.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2018

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1310: Hora H para a biodiversidade é agora. Ou, talvez, nunca

CIÊNCIA

Delegados à cimeira das Nações Unidas sobre a Convenção da Biodiversidade têm duas semanas para mostrarem o que valem. Com as espécies a perderem terreno, políticos têm pouco tempo para inverter essa tendência

É necessário criar mais áreas marinhas protegidas no planeta
© Arquivo Global Imagens

Sem alarido, os trabalhos da Conferência das Partes da Convenção da Biodiversidade das Nações Unidas (COP 14) – sim, a biodiversidade também tem uma COP – arrancaram este sábado no Egipto. Apesar da ausência de mediatismo, porém, o que está em causa nesta cimeira – preservar os habitats naturais que estão a regredir a grande velocidade e salvar da extinção a maioria das espécies – é tão crucial para o futuro do planeta como o que se discute nas muito mais mediáticas COP do clima.

A natureza regride à frente dos nossos olhos. Ainda há duas semanas, a directora executiva da Convenção da Biodiversidade da ONU, Cristiana Pasca Palmer, alertava, em entrevista ao The Guardian, para números alarmantes: desde 1970, 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis desapareceram da face do planeta. A perda de biodiversidade, disse a directora da convenção, “é um assassino silencioso”. Porquê? Porque as pessoas não se apercebem dessa realidade, ao contrário do que sucede com as alterações climáticas, que “são sentidas no dia-a-dia”, afirmou.

Em vésperas desta COP, que decorre em Sharm El-Sheikh até 29 deste mês, com representantes dos 196 países signatários da convenção, Cristiana Pasca Palmer não poupou palavras, alertando para necessidade de um novo acordo para a preservação do mundo natural nos próximos dois anos. A não ser assim, avisou, o que pode estar em causa é a extinção da própria humanidade.

Preparar compromisso para Pequim

O dramatismo das afirmações da directora da Convenção da Biodiversidade da ONU surge do pouco se andou nesta área até agora. Há oito anos, em Aichi, no Japão, os 196 países signatários da convenção da biodiversidade celebraram um protocolo com metas concretas, mas os resultados são demasiado escassos.

O acordo previa a redução para metade da perda dos habitats naturais, a garantia de actividades de pesca sustentáveis em todas as regiões do mundo e a expansão de reservas naturais de 10% para 17% da superfície do planeta até 20120. Mas a dois anos de terminar o prazo, os avanços foram poucos ou nenhuns, como se verá nas contas desta COP.

“A perda de biodiversidade e a destruição continuam a um ritmo sem precedentes, sobretudo devido à perda de habitats, às alterações climáticas, à poluição e às espécies invasoras”, afirmou Cristiana Pasca Palmer ao site de informação ambiental Unearthed, ligado à Greenpeace, antes do início dos trabalhos em Sharm El-Sheikh.

Durante as próximas duas semanas, os delegados à COP têm uma árdua tarefa pela frente: voltar a pôr nos carris esta pesada carruagem, que dentro de dois anos, tem de estar afinada para que a cimeira de Pequim, em 2020, possa traçar novas metas.

O objectivo é conseguir na capital chinesa um compromisso com uma ambição política idêntica à do Acordo de Paris para o clima – embora não seja completamente claro neste momento se ficar abaixo de 1,5 graus de aumento de temperatura até final do século é exequível, face aos níveis de emissões de gases com efeito de estufa que persistem. Mas, para a biodiversidade, apesar de alguns sinais positivos, as dificuldades parecem ser ainda mais duras.

Como sublinhou Cristiana Pasca Palmer, há dados que deixam alguma esperança, Por exemplo, na Ásia, a cobertura florestal cresceu 2,5% nos últimos anos, e há hoje mais áreas marítimas protegidas do que há 10 anos, mas não chega. E para que, de Pequim, possa sair em 2020 um compromisso robusto, é necessário que este COP no Egipto comece já a trabalhar nele.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Novembro 2018 — 20:26

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1303: Cientistas encontraram um pássaro que é três espécies numa só

CIÊNCIA

(dr) Lowell Burket

Cientistas encontraram um pássaro incomum na Pensilvânia que guarda um incrível segredo genético: esta toutinegra é o híbrido de três espécies diferentes de pássaros.

Uma equipa de cientistas encontrou um passo incomum na Pensilvânia, cuja mãe era um híbrido de dois toutinegras e o pai era uma toutinegra de um terceiro género totalmente diferente. Assim, este pássaro é três espécies numa só, algo “extremamente raro”, afirma David Towes, do Cornell Lab of Ornithology.

Híbridos de pássaros não são incomuns. Aliás, a toutinegra de Brewster (que, neste caso, era o híbrido da mãe deste pássaro “3 em 1”) é conhecida desde 1874. Além disso, sabe-se que a hibridação pode levar ao desenvolvimento de novas espécies.

No entanto, em casos normais, entram apenas duas espécies na equação. O facto de este pássaro ser um híbrido de três espécies é algo muito incomum que, além de fascinante, revela também algo alarmante sobre o declínio do número de toutinegras em Appalachia, uma região no leste dos Estados Unidos.

(dr) Cornell Lab of Ornithology

Segundo o ScienceAlert, este pássaro foi visto, pela primeira vez, em maio de 2018 por Lowell Burket, que chegou à conclusão que esta ave tinha uma coloração semelhante às das toutinegras de asas douradas (Vermivora chrysoptera) e às de asa azul (Vermivora cyanoptera). No entanto, o seu canto era muito mais parecido com a de uma toutinegra Setophaga pensylvanica.

Depois de avistar o pássaro várias vezes, Burket relatou a sua descoberta no site de observação de pássaros do The Cornell Lab of Ornithology, o eBird. “Tentei fazer com que o email soasse um pouco intelectual para que os investigadores não pensassem que eu era um maluco”, disse Burket.

“Uma semana depois estava já com David Toews a recolher as medidas e uma amostra de sangue desta espécie. Foi uma manhã muito interessante e muito emocionante para nós”, lembra Burket. Poucos dias depois, Towes enviou uma mensagem a Burket, pontuada com vários pontos de exclamação – o observador amador de pássaros estava correto em relação às suas observações.

Os investigadores estudaram os genes que codificam a coloração e usaram-nos para descobrir como seria a ave mãe – chegando a uma mãe toutinegra de Brewster e a um pai toutinegra dos castanheiros. Esta é a primeira vez que esta combinação híbrida é vista. O estudo foi publicado recentemente na Biology Letters.

Mas o que é fascinante, é também preocupante, dado que algumas populações de toutinegras de asas douradas diminuíram drasticamente em Appalachia. Um novo tipo de evento de hibridação pode indicar que não há parceiros suficientes para todos, de modo a que as aves são obrigadas a procurar outras espécies para opções reprodutivas.

Persiste, todavia, uma outra preocupação. Sabemos que alguns híbridos de aves continuam férteis e são capazes de se reproduzir, mas não se sabe se este híbrido triplo será capaz de fazer o mesmo. Mesmo que consiga, as parceiras achá-lo-ão demasiado estranho para o escolherem como companheiro.

Mas nada como esperar por novos desenvolvimentos. Quem sabe se este pássaro “3 em 1” não será pai em breve.

ZAP // ScienceAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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1301: Alterações climáticas podem ter feito desaparecer a mais antiga civilização da Terra

CIÊNCIA

Sara jilani / Wikimedia
Sítio arqueológico de Harappa, berço da civilização Harapeana, no Vale do Indo

Investigadores da Instituição Oceanográfica Woods Hole sugeriram que a antiga civilização do Vale do Indo, que se desenvolveu entre 3.300 e 1.300 anos a.C, desapareceu devido à migração causada pelas mudanças climáticas.

A civilização, também conhecida como Harappa, é a civilização mais antiga do mundo, tendo vivido na região do Paquistão, Afeganistão e noroeste da Índia. Recentemente, uma equipa de arqueólogos desvendou o mistério da sua longevidade – mas ainda ninguém tinha descoberto a razão do seu desaparecimento.

Os Harappas construíram cidades sofisticadas, inventaram sistemas de esgoto antes da antiga Roma e desenvolveram um comércio de longa distância.

No entanto, por volta de 1800 a.C, os seus membros deixaram as cidades e mudaram-se para cidades menores perto dos Himalaias. De acordo com o estudo, publicado a 13 de Novembro na revista Climate of the Past, terão sido as alterações climáticas a causar o esgotamento gradual da monção de verão e a intensificação das monções de inverno.

A equipa estudou sedimentos do fundo do mar ao largo da costa do Paquistão, onde encontrou fósseis de plâncton, que verificava a teoria de que a mudança na precipitação sazonal ocorreu naquela época.

De acordo com Liviu Giosan, líder do estudo, “as monções de verão inconstantes prejudicou a agricultura no Indo”. Apesar de chover em menor quantidade nos Himalaias, “pelo menos seria confiável“.

O fim definitivo

O investigador observou que ainda é desconhecido se “os Harappas migraram para o sopé dos Himalaias numa questão de meses, ou se essa migração ocorreu durante séculos”. “O que sabemos é que quando foi concluída, o estilo de vida urbano também acabou“, disse Giosan.

Liviu Giosan, Stefan Constantinescu, James P.M. Syvitski
A civilização do vale do Indo é a maior – mas a menos conhecida – das primeiras grandes culturas urbanas da Mesopotâmia

As chuvas dos Himalaias foram suficientes para manter a antiga civilização durante os séculos seguintes, mas quando estas também se esgotaram, a comunidade chegou ao seu fim definitivo.

“Não podemos dizer que desapareceram completamente devido ao clima”, alertou o geólogo. No entanto, apontou que a mudança nas monções poderia desempenhar um papel nesse processo.

É notável e há uma lição poderosa“, observou Giosan. “Se olharmos para a Síria e para a África, a migração dessas áreas tem algumas raízes nas alterações climáticas. Isso é apenas o começo – o aumento do nível do mar devido às mudanças climáticas pode levar a enormes migrações de regiões baixas como o Bangladesh, ou de regiões mais propensas a furacões no sul dos EUA”.

ZAP // EurekAlert

Por ZAP
18 Novembro, 2018

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1274: Celtas decapitavam e embalsamavam as cabeça do inimigo como troféus

CIÊNCIA

(dr) Fouille Programmée Le Cailar-UMR5140-ASM
Um dos crânios encontrado no assentamento Celta no sul da França

Os antigos Celtas levavam as suas conquistas ao extremo, celebrando-as de forma macabra: os guerreiros colocavam as cabeças decepadas do inimigo ao pescoço dos seus cavalos, exibindo-as como troféus sangrentos.

Agora, e pela primeira vez, os arqueólogos encontraram na França evidências disso mesmo – cabeças decapitadas e embalsamadas datadas de há mais de dois mil anos.

Textos gregos e romanos antigos davam já conta que os celtas da região da Gália – território onde actualmente fica a França e as regiões vizinhas -, conhecidos por serem fortes e temíveis guerreiros, decapitavam os seus inimigos após as batalhas, colocando as cabeças dos guerreiros do inimigo ao pescoço dos seus cavalos.

E assim voltavam para casa das batalhas que venciam, com as cabeças decapitadas do inimigo a adornar – como se de um colar se tratasse – os seus animais. Relatos de embalsamento estavam também presentes na literatura antiga.

“As cabeças dos mais distintos inimigos eram embalsamadas em óleo cedro e cuidadosamente preservadas num baú”, escreveu o historiador grego Diodorus Siculus (90 a 30 a.C) no quinto volume da sua obra “Biblioteca Histórica”.

Em igual sentido, o historiador greco-romano Strabo (63 a.C a 23 d.C) escreveu no livro “Geographica“: “As cabeças dos inimigos de alta reputação eram, no entanto, embalsamadas em óleo cedro e exibidas para os estranhos”.

De acordo com Réjane Roure, arqueóloga da Paul Valéry University of Montpellier, na França, os celtas exibiam as cabeças “como troféu, de forma a aumentar a sua influência e poder, tentando assustar os seus inimigos”.

No entanto, e vale a pena salientar, os Gregos e os Romanos eram inimigos dos Celtas e, como tal, os seus relatos podem não ser totalmente fiéis à História antiga. Agora, e de acordo com a recente publicação na revista Journal of Archaeological Science, os especialistas conseguiram finalmente provar esta prática macabra.

Crânios confirmam a prática

Para a descoberta, a equipa de arqueólogos analisou fragmentos de crânios do assentamento Celta de Le Cailar, no sul da França, descobertos já em 2000. O território foi fortificado na Idade de Ferro e servia como porto para os comerciantes do Mediterrâneo.

Entre 2003 e 2013, os arqueólogos encontrara no local cerca de 50 crânios, fragmentados em 2.500 peças. Os crânios foram encontrados ao lado de armas e junto do que era, segundo os cientistas, um dos portões do assentamento. A disposição das armas bem como dos crânios sugere que os restos mortais estavam lá já há muito tempo, num grande espaço de exibição aberto no interior do assentamento.

O local em causa foi ocupado desde de o século VI a.C até ao século I d.C após os Romanos conquistarem Gália. De acordo com os cientistas, os crânios datam do século III a.C, época marcada por muitas batalhas e guerras por quase toda a Europa Ocidental.

Quanto aos rumores do embalsamento, os cientistas analisaram 11 crânios, tentando encontrar traços ou substâncias desta técnica. Seis destes crânios tinham vestígios de resina de coníferas, juntamente com moléculas que apenas são formadas quando a resina de plantas como o pinheiro são aquecidas até temperaturas elevadas.

Uma vez mais, esta é a primeira vez que uma análise química encontrou evidências de que os Celta embalsamavam cabeças durante a Idade do Ferro, explicaram os cientistas.

Investigações futuras podem explorar se estas cabeças foram embalsamadas durante todo o século III a.C ou se a prática aconteceu apenas durante um curto período deste século. “Além disso, há muitas outras cabeças decepadas da Idade do Ferro na Europa, e seria muito interessante saber se todas elas foram embalsamadas”, rematou Roure.

Conhecidos pelas suas capacidades em batalha, os Celtas habitaram a região onde hoje se localizada a França e as regiões vizinhas da Itália e Bélica, possuindo dezenas de pequenas vilas. Este povo guerreiro foi o principal derrotado pelo imperador romano Júlio César, no século I a.C, que impulsionou assim o seu poder.

O próprio imperador de Roma registou por escrito os impressionantes feitos militares de seus inimigos, famoso pelo poder e força da sua cavalaria.

ZAP // LiveScience / ScienceAlert

Por ZAP
12 Novembro, 2018

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1273: O código neuronal da ansiedade pode ter sido finalmente descoberto

CIÊNCIA

Massachusetts General Hospital / Wikimedia

Os cientistas podem ter descoberto a assinatura neuronal da ansiedade e da tristeza. De acordo com um novo estudo, estes sentimentos podem estar associados à “conversa” entre duas áreas do cérebro. 

Para a descoberta, os cientistas rastrearam as conversas eléctricas que ocorrem no cérebro, isto é, ouviram e analisaram os sinais que estas regiões cerebrais partilham mutuamente.

Quando uma pessoa se sentia mais em baixo, descobriram os cientistas, a comunicação entre as células neuronais de duas áreas específicas aumentava. Segundo a publicação, divulgada nesta quarta-feira na revista Cell, estas áreas cerebrais estão directamente envolvidas na memória e não emoção

Apesar de se verificar um aumento na comunicação celular destas duas áreas, não é ainda certo se este acréscimo é a causa ou o efeito dos sentimentos em si, como o mau humor, notaram os cientistas. No entanto, a pesquisa permitiu definir qual é a área do cérebro onde se desenrola o fenómeno.

De forma bem mais clara, a pesquisa evidenciou que a ansiedade, a depressão  o humor tem manifestações físicas no cérebro – e isso é bom para os pacientes. “Para muitos pacientes é muito importante saberem se, quando estão deprimidos, isso se deve a algo mensurável e concreto no seu cérebro”, disse o co-autor do estudo Vikaas Sohal, psiquiatra da Universidade da Califórnia, em São Francisco.

“Para alguns pacientes, [a descoberta] pode fornecer uma validação importante e remover o estigma, impulsionando-os a procurar um tratamento adequado”, sustentou.

Procedimento experimental

Para obter estes resultados, a equipa recorreu a uma técnica apelidada de  electroencefalograma intra-craniana (EEG) que, tal como o próprio nome indica, implica implantar eléctrodos ou fios eléctricos dentro do crânio e do próprio cérebro. Depois da implantação, os cientistas conseguem registar a actividade eléctrica das células cerebrais.

Estudos realizados anteriormente sobre a actividade cerebral e as emoções recorreram, na sua grande maioria, a ressonâncias magnéticas funcionais (fMRI) – imagens que medem as mudanças no fluxo sanguíneo no cérebro. Contudo, este era um método de medição de “forma indirecta”, que não é capaz de “medir as mudanças na actividade cerebral que ocorrem muito rapidamente”, exemplificou Sohal.

Em contrapartida, implantar eléctrodos no cérebro de um paciente é um procedimento mais invasivo. Tendo isto em conta, os médicos seleccionaram para o estudo pacientes que estavam à espera de cirurgia tendo, por isso, eléctrodos já implantados – neste caso, foram acompanhados 21 pacientes com epilepsia cujos eléctrodos foram utilizados para mapear as zonas do cérebro que estavam a causar convulsões.

Os cientistas acompanharam a actividade cerebral dos pacientes entre sete a dez dias, registando os seu humor através de “diários de humor”.

A investigações descobriu que em 13 dos 21 pacientes o mau humor estava associado a um aumento entre a comunicação da amigada (região cerebral associada ao processamento de emoções) com o hipocampo (região envolvida na memória).

“A ideia de que as memórias de experiências e emoções negativas está intimamente relacionadas é uma pressuposto antigo da Psiquiatria e está no cerne da terapia cognitivo-comportamental”. Agora, as novas descobertas “podem representar uma base biológica para essa relação”, concluiu o cientista.

Tal como nota a Medical News Today, esta é a primeira vez que uma investigação científica analisa padrões cerebrais profundos ao longo de vários dias. Mais do que isso, a pesquisa regista as medições neuronais em situações diárias, podendo revelar-se importante para combater a condição médica e o estigma que lhe está associado.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
12 Novembro, 2018

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1266: Estamos cada vez mais próximos do tele-transporte quântico complexo

CIÊNCIA

(CC0/PD) insspirito / pixabay

Uma equipa de cientistas austríacos desenvolveu novos métodos para aperfeiçoar o domínio experimental de sistemas quânticos complexos – fundamentais para o futuro de tecnologias como computadores quânticos e criptografia quântica, e que poderão permitir o  tele-transporte de sistemas quânticos complexos.

Nos últimos anos, grandes empresas como a Google e a IBM têm competido com institutos de investigação em todo o mundo para produzir bits quânticos entrelaçados – que, tal como os bits normais nos computadores convencionais, são a menor unidade de informação em sistemas quânticos – em quantidades cada vez maiores. O objectivo: desenvolver um computador quântico funcional.

De acordo com um novo estudo, publicado a 29 de Outubro na revista Nature, físicos da Universidade de Viena e da Academia de Ciência da Áustria propuseram-se a usar sistemas quânticos mais complexos do que os bits quânticos entrelaçados bidimensionais para aumentar a capacidade de informação transmitida com o mesmo número de partículas.

Para aumentar esta capacidade, a nova investigação concentrou-se na sua complexidade, em vez de aumentar apenas o número de partículas envolvidas.

“A diferença na nossa experiência é que, pela primeira vez, envolve três fotões além da natureza bidimensional convencional”, explicou o principal autor do estudo, Manuel Erhard.

A equipa de cientistas usou sistemas quânticos com mais de dois estados possíveis – neste caso particular, o momento angular de partículas de luz individuais. Estes fotões individuais têm uma capacidade de informação mais alta que os bits quânticos.

O entrelaçamento dessas partículas, contudo, mostrou-se difícil ao nível conceptual. Mas os investigadores superaram o desafio utilizando um algoritmo de computador, chamado Melvin, que procura uma implementação experimental. Desta forma, determinaram a melhor configuração experimental para produzir o entrelaçamento.

Depois de algumas simplificações na configuração experimental, os físicos ainda enfrentaram grandes desafios tecnológicos. Para resolvê-los, usaram tecnologia laser de última geração e uma multi-porta especialmente desenvolvida. “Esta multi-porta é o coração da nossa experiência e combina os três fotões para que eles sejam entrelaçados em três dimensões”, explicou Erhard.

Tele-transporte: chineses conseguem “efeito fantasmagórico” do espaço para a Terra

Físicos da Universidade de Ciência e Tecnologia da China conseguiram realizar com sucesso uma experiência de tele-transporte quântico entre o…

1260: Encontradas as pinturas rupestres mais antigas do mundo

CIÊNCIA

(dr) Pindi Setiawan

Cientistas encontraram na Indonésia as pinturas rupestres que já são consideradas as mais antigas do mundo. Esta descoberta pode mudar completamente a história da expressão artística.

Nas cavernas das montanhas na província de Kalimantan, na parte indonésia da ilha de Bornéu, foram encontradas gravuras rupestres que podem ser as primeiras representações no mundo feitas pelo Homem, segundo um relatório publicado esta quinta-feira na revista Nature.

Estas pinturas rupestres retratam animais parecidos com vacas e mãos, muitas mãos.

Os investigadores adiantam que as pinturas de Bornéu têm entre 40 e 50 mil anos e esta datação pode mudar muito do que até agora se pensava sobre essa primeira arte figurativa humana.

Em primeiro lugar, contradiz a ideia de que as primeiras representações de figuras de animais e humanas surgiram na Europa Ocidental. Afinal, a história é bem mais complexa do que se pensava.

Segundo o Diário de Notícias, estas pinturas rupestres eram já conhecidas na década de 1990, mas a sua datação rigorosa ainda não tinha sido possível, devido ao acesso extremamente difícil. Mas, agora, tudo mudou.

Uma equipa de investigadores indonésios e australianos, liderada por Maxime Aubert, da Universidade de Griffith, em Queensland, na Austrália, foi até lá e recolheu uma série de amostras dos diferentes locais onde existem pinturas. Foi então que os cientistas foram surpreendidos: a idade das mais antigas suplanta a das outras, que já eram conhecidas, nomeadamente as que existem em diferentes zonas da Europa Ocidental.

A equipa de Aubert recorreu a uma técnica de datação radiométrica dos depósitos de carbonatos de cálcio. “A pintura mais antiga que encontrámos na gruta representa um animal não identificado, provavelmente uma espécie bovina selvagem da floresta do Bornéu, que tem pelo menos 40 mil anos e que é agora a pintura figurativa mais antiga que se conhece”, explica o investigador.

(dr) Kinez Riza

Já no que diz respeito às representações das mãos, a datação mostra que têm no mínimo uma idade idêntica, podendo chegar os 52 mil anos. Estas pinturas fazem lembras as pinturas de crianças, que pintam o papel à volta das suas mãos.

Estas são, então, as pinturas mais antigas conhecidas, que destronam as suas congéneres europeias. O especialista Adhi Oktaviana, do instituto indonésio de arqueologia Arkenas, de Jacarta, afirma que “esta descoberta mostra como a história do surgimento da arte rupestre é mais complexa do que se supunha”.

Além disso, toda a história é envolta em mistério, devido ao muito que ainda não se conhece. Desde logo, desconhece-se os autores destas primeiras pinturas. “Quem eram e o que lhes aconteceu, é um mistério“, confessa Pindi Setiawan, um dos autores do estudo e cientista do Instituto de Tecnologia de Bandung, na Indonésia.

O único detalhe que parece estar claro é que esta manifestação artística surgiu numa época em que o Bornéu era o extremo leste do grande continente da Eurásia, uma vez que aquele território ainda estava ligado na época ao grande continente.

“O que agora se percebe é que estas manifestações de arte surgiram paralelamente, e mais ou menos na mesma altura, nos dois pontos extremos da Eurásia do Paleolítico, ou seja na zona da Europa Ocidental e nesta região da Indonésia“, explica o arqueólogo Adam Brumm, coautor do estudo.

Além destas, as grutas do Bornéu escondem ainda outras representações, ainda que mais tardias, que datam de há cerca de 20 mil anos. Para os cientistas, aquele rede de grutas serviu de uma espécie de tela de sucessivas gerações desde os primeiros artistas humanos.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
9 Novembro, 2018

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1255: Descobertas anomalias misteriosas em ossadas humanas do Pleistoceno

CIÊNCIA

Erik Trinkaus / National Academy of Sciences

Um antropólogo da Universidade de Washington descobriu “uma abundância de anomalias de desenvolvimentos” em ossadas humanas do Pleistoceno.

No estudo publicado a 5 de Novembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, Erik Trinkaus, investigador que liderou o projecto, descreveu as suas conclusões acerca dos fósseis encontrados em várias localizações do Médio Oriente e da Euroásia.

Plistoceno abrange o período entre 2,588 milhões e 11,7 mil anos atrás. Segundo estudos anteriores, trata-se do período em que seres humanos anatomicamente modernos surgiram em África e partiram do continente para dominar novos territórios.

De acordo com o antropólogo, o Plistoceno destaca-se ainda pelo aparecimento de uma ampla variedade de deformações físicas em espécies de Homo, dentre elas a nossa — Homo sapiens.

Erik Trinkaus examinou 66 fósseis de até 200 mil anos atrás e reparou na grande quantidade de alterações anatómicas, tais como distorções de braços e pernas e deformações no crânio e maxilares.

Foram reveladas 75 anomalias, podendo dois terços delas ser encontrados em 1% dos humanos modernos. O investigador defende que as anormalidades surgiram devido a doenças – tais como distúrbios sanguíneos ou hidrocefalia. Para Trinkaus, o número de deformações seja extremamente alto num grupo tão pequeno de fósseis.

O antropólogo sugeriu ainda que o cruzamento sanguíneo ou acasalamento de indivíduos geneticamente semelhantes são as razões prováveis para o desenvolvimento das deformações.

As ossadas analisadas foram encontradas extremamente bem preservadas, o que pode ser resultado de um cuidado especial no funeral das pessoas deformadas.

ZAP // Sputnik / Phys

Por ZAP
8 Novembro, 2018

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1252: Mistério da cor azul dos olhos dos Husky siberianos desvendado

CIÊNCIA

Foter.com

Cientistas norte-americanos divulgaram um estudo que revela o mistério da cor dos olhos dos Huskey siberianos: o segredo pode estar no cromossoma 18.

O primeiro contacto que temos com uma pessoa são os olhos, e quando são azuis tendem a chamar mais a nossa atenção. É o caso dos olhos azuis dos Husky siberianos, que são uma característica muito particular desta raça, que muito dificilmente se encontram noutra.

Os cientistas Adam Broyke e Aaron Sams desenvolveram recentemente um estudo, publicado na revista PLOS Genetics, no qual conseguiram identificar várias características genéticas capazes de explicar a predominância desta cor nos olhos destes animais.

No caso desta investigação, destaca o El Mundo, o papel da Internet foi crucial, na medida em que os cientistas conseguiram consultar e confirmar as características genéticas de vários cães. Tudo se deveu ao facto de os seus donos terem disponibilizados imagens dos animais online.

“Milhares de utilizadores ofereceram de bom grado esta informação e assim tivemos a possibilidade de complementar as nossas pesquisas com mais informação e descobrir novas associações genéticas. O estudo ficou mais completo graças à Internet”, adiantou Adam Broyke.

Desta forma, os investigadores norte-americanos recolheram informações relativas a um total de seis mil cães, apesar de só terem usado três mil para analisar aprofundadamente e servirem de objecto de estudo.

Esta investigação está a causar reboliço entre a comunidade científica, dado que põe em causa o estudo das características genéticas de milhares de cães. Isto permitirá mapear os antecedentes da raça entender melhor o seu genoma, em particular como se manifestam as características que dão a tonalidade azul aos olhos dos Husky.

“Termos examinado as características de três mil cães do banco de dados, revelou que a resposta se encontra na existência de uma duplicação do cromossoma 18”, afirmou Boyke.

“No nosso estudo propomos que é devido à duplicação que ocorre numa região reguladora que pode resultar no manifestar de características como os olhos azuis. O aumento da expressão do gene ALX4, leva a uma redução da melanina na íris”, conclui o investigador.

Até ao momento, a duplicação genómica como uma justificação para a cor azul dos olhos destes cães foi apenas validada em casos caninos. “Seria interessante ver se existem mutações semelhantes em humanos.”

Como esta não é uma das regiões do genoma humano que tem sido associada à cor dos olhos, não é claro se esta é uma região do genoma que é negligenciada ou se os cães têm mesmo uma característica única. No entanto, os cientistas destacam que esta não seria a primeira vez que o cão como objecto de estudo revelaria dados genéticos humanos.

ZAP //

Por ZAP
7 Novembro, 2018

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1251: Portugal e China criam laboratório tecnológico para estudar Espaço e oceanos

CIÊNCIA

Marine Explorer / Flickr

Portugal e China vão criar em 2019 um laboratório tecnológico direccionado para a construção de micro-satélites e observação dos oceanos, um investimento público-privado de 50 milhões de euros a cinco anos.

O ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, Manuel Heitor, disse à agência Lusa que o “STARlab”, que estará a funcionar em pleno em Março, terá dois pólos, um em Matosinhos e outro em Peniche.

Trata-se de um investimento global de 50 milhões de euros a cinco anos, repartido em partes iguais entre Portugal e a China, sendo que o financiamento português, de 25 milhões de euros, será público e privado.

Manuel Heitor adiantou que o investimento será canalizado sobretudo para o emprego qualificado, designadamente de engenheiros, e para a produção de micro-satélites, sector no qual a China, assinalou, tem crescido.

O ministro exemplificou que o laboratório irá “desenvolver micro-satélites em interligação com sensores em terra e no mar” que possam medir “as condições atmosféricas e a humidade do solo”, essenciais para a agricultura, e fazer observações oceânicas.

A criação do “STARLab” será formalizada com assinatura de um protocolo entre os dois países durante a visita oficial do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, prevista para o próximo mês de Dezembro.

O laboratório resulta de uma colaboração entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia, a empresa aeroespacial Tekever e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto, que tem projectos na área da vigilância marítima e exploração do mar profundo, e a Academia de Ciências Chinesa, através dos institutos de micro-satélites e de oceanografia.

De acordo com um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o “STARlab” deverá incentivar a abertura de centros científicos e tecnológicos em Portugal e na China, neste caso em Xangai.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Novembro, 2018

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1227: Besouro minúsculo com 99 milhões de anos revela como os continentes mudaram

CIÊNCIA

Field Museum, Shuhei Yamamoto
O Propiestus archaicus, um besouro com apenas 3 milímetros, foi descoberto em âmbar com 99 milhões de anos.

Um minúsculo besouro, com apenas 3 milímetros, encontrado sepultado em âmbar há 99 milhões de anos está a dar pistas fundamentais para perceber como é que os continentes mudaram, assumindo a estrutura que têm hoje.

Este besouro que viveu no período Cretáceo foi descoberto pelo investigador Shuhei Yamamoto, do Museu de Campo de Chicago, nos EUA, em 2016. A rara descoberta foi feita num pequeno pedaço de âmbar com 99 milhões de anos do Vale Hukawng, no norte de Mianmar, perto da fronteira com a China.

O pequeno besouro de três milímetros é um dos milhões de insectos que morreram na seiva de árvores, endurecendo em âmbar e fossilizando, permanecendo congelados no tempo durante milhões de anos. Esse âmbar endurecido não tem nada a ver com o que é transformado em jóias, assemelhando-se antes a rochas, coberto pelo solo, com folhas e outros materiais orgânicos.

Depois de cortar e polir delicadamente o pedaço de seiva endurecida do período Cretáceo, Shuhei Yamamoto concluiu que se trata de uma nova espécie de besouro, baptizada Propiestus archaicus, parente dos insectos que vivem, actualmente, sob a casca de árvore – há mais de 60 mil espécies deles em todo o mundo.

Este besouro do Cretáceo pertence à sub-família Piestus que existe, hoje em dia, apenas no Hemisfério Sul, com excepção de uma espécie que se encontra no sul do Arizona, nos EUA, como explicam os investigadores no artigo científico publicado no Journal of Systematic Palaeontology.

O local onde o besouro foi encontrado, Mianmar, está situado do outro lado do globo, mas há milhões de anos, estaria “fundido” com a América do Sul, fazendo “parte do mega-continente Gondwana que se formou quando o mega-continente anterior, Pangea, se separou”, apontam os autores da pesquisa em comunicado.

Gondwana, que começou a dividir-se durante o Período Cretáceo, era formado pela massa continental que hoje constitui os continentes do Hemisfério Sul. Detectar os ancestrais das espécies de animais que existem na actualidade pode ajudar a perceber como é que essa divisão ocorreu.

“Como os coalas e os cangurus actuais, certos animais que pensamos terem vivido em Gondwana só se encontram numa parte do mundo”, explica Shuhei Yamamoto. O investigador acrescenta que “embora o Propiestus tenha sido extinto há muito, a descoberta mostra conexões surpreendentes entre o Hemisfério Sul e Mianmar“.

O surpreendente achado encaixa na teoria de que “Mianmar já esteve localizada no Hemisfério Sul”, salienta ainda Shuhei Yamamoto.

Mais ou menos do tamanho da ponta de uma esferográfica, o besouro do tempo dos dinossauros é preto, tem pernas curtas e antenas difusas segmentadas que são quase tão grandes como o seu corpo achatado.

“As antenas tinham, provavelmente, capacidades altamente sensíveis como um órgão sensorial”, refere Yamamoto. “Pequenas estruturas semelhantes a cabelo, anexadas perpendicularmente às antenas, aumentavam a sua capacidade de sentir o ambiente em volta”, acrescenta o investigador. Um detalhe que era essencial para quem vivia no reduzido espaço do interior de cascas de árvore.

SV, ZAP //

Por SV
1 Novembro, 2018

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1222: O maior berçário de polvos do mundo foi descoberto no fundo do Pacífico

CIÊNCIA

Photograph by Alex Postigo,

Uma equipa de cientistas marinhos encontrou o maior “berçário” de polvos do mundo no fundo do Oceano Pacífico, perto da costa de Monterey, no estado norte-americano da Califórnia. 

A descoberta, levada a cabo por uma expedição científica do projecto EVNautilus, detectou o maior viveiro de polvos já encontrado nas fendas de um vulcão submarino extinto, contabilizando mais de mil espécimes.

Esta impressionante concentração de polvos (Muusoctopus robustus) foi encontrada numa área rochosa e inexplorada, localizada a cerca de 3 mil metros de profundidade. A maioria das fêmeas da colónia tinham as suas extremidades invertidas, debruçando-se sobre os seus ovos de forma a protegê-los.

De acordo com os média locais, esta é a segunda vez que uma aglomeração deste tipo é descoberta. O primeiro “berçário” foi descoberto na Costa Rica no entanto, a sua dimensão era mais pequena do que o agora encontrado na Califórnia.

Nunca descobrimos algo assim na costa oeste dos Estados Unidos (…) nem nunca descobrimos no mundo algo com estes números”, disse o investigador Chad King.

Esta é uma descoberta sem precedentes. Os polvos são amplamente conhecidos como animais solitários, sendo raro encontrar tantos exemplares num só local – embora estudos recentes afirmem que estes animais não são tão solitários como imaginávamos.

“Descemos o flanco este da pequena colina e foi aí que, inesperadamente, começamos a ver algumas dúzias de polvos aqui, dúzias de polvos ali, dúzias de dúzias, dezenas em toda a parte“, acrescentou King em declarações à National Geographic.

O especialista explicou que a descoberta sugere que existem potenciais “habitats essenciais” para diferentes espécies e, por isso, é necessário proteger a área.

Além disso, notaram os cientistas, a água parecia brilhar em vários lugares onde os polvos se concentravam, como uma espécie de “oásis ou uma onda de calor”.

Os especialistas acreditam que pode estar a sair água quente do afloramento rochoso, fazendo com que os polvos escolham resguardar-se nesses pontos, de forma a utilizar o calor para ajudar na incubação do seus ovos.

“Parecia, definitivamente, que os polvos queriam estar lá“, rematou King.

ZAP // RT / ScienceAlert

Por ZAP
31 Outubro, 2018

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1216: Produção de alcatrão em escala industrial impulsionou a Era Viking

CIÊNCIA

(dr) Michael Zeno Diemer (1911)

Os vikings eram os verdadeiros produtores de alcatrão. Com os seus majestosos navios, cobertos de alcatrão, viajaram ao longo dos rios russos, conduzindo o comércio a regiões do Império Romano. Os seus métodos de produção eram um mistério, que acaba de chegar ao fim.

Os vikings adquiriram a capacidade de produzir alcatrão em escala industrial no século 8 d.C.. O alcatrão era aplicado nas tábuas e velas dos navios, usados pelos vikings no comércio. O mais recente estudo, publicado na Antiquity, sugere que, sem a capacidade de produzir grandes quantidades de alcatrão, a Era Viking nunca teria acontecido.

Embora o alcatrão pareça uma invenção moderna, não o é. Na verdade, os vikings usavam e abusavam do alcatrão, embora os seus métodos de produção permaneçam um autêntico mistério para arqueólogos e historiadores. Este estudo recente propôs-se a responder a esta questão, revelando o método único de produção de alcatrão usado pelos vikings.

Andreas Hennius, do Departamento de Arqueologia e História Antiga da Universidade de Uppsala, na Suécia,e único autor do estudo, relata a descoberta de grandes poços produtores de alcatrão na província sueca de Uppland.

Photo and diagram of a funnel-shaped Viking tar pit.
Image: A. Hennius, 2018/Antiquity

Nos últimos 15 anos, os arqueólogos descobriram um número surpreendente desses poços extra-grandes, datados entre 680 e 900 d.C.. Esta datação, através do carbono, coincide com a Era Viking, (aproximadamente de 750 a 1050 d.C.). O cientista adianta que os Vikings usaram o alcatrão para selar e proteger estruturas feitas de madeira, como navios, e para velas impermeáveis.

Os poços de alcatrão encontravam-se localizados a grandes distâncias das aldeias, muito provavelmente devido à existência de um ingrediente essencial na produção do carvão: as florestas cheias de madeira.

À semelhança dos poços de alcatrão da Europa Moderna Antiga, os poços Viking apresentavam a forma de funil, mas em vez de usar um tubo de saída, os Vikings colocaram um recipiente, com cerca de um metro, no fundo do poço para recolher as pingas. Esta técnica exigia que os vikings cavassem o buraco para remover o recipiente e o seu conteúdo.

Os buracos que os vikings cavavam eram, segundo os arqueólogos, enormes, capazes de albergar 200 a 500 litros de alcatrão durante cada ciclo de produção. Esta descoberta mostra que os vikings, já no século VIII d.C., haviam adquirido a capacidade de produzir alcatrão em escala industrial.

(dr) Andreas Hennius

Construir, operar e manter estes poços na floresta exigiu um trabalho considerável por parte do povo viking, afirma Hennius, acrescentando que tarefas como empilhar madeira, cortar árvores e manejo florestal foram, sem dúvida, essenciais.

Este nível de produção de alcatrão parece, à primeira vista, excessivo, mas é consistente com os desenvolvimentos na construção naval e expansão marítima da Era Viking..

“O alcatrão é muito útil para proteger a madeira da decomposição na construção de casas, mas especialmente no transporte”, disse o investigador. “O alcatrão foi usado em grandes quantidades até que os barcos fossem feitos de aço. Para os navios Vikings, o alcatrão não era usado apenas para a madeira nas tábuas, mas também para a calafetagem entre as tábuas e as velas.”

“Este estudo apresenta um recurso de produção de alcatrão que é desconhecido para a maioria das pessoas”, referiu Hennius ao Gizmodo. “Tanto as mudanças como o aumento da produção de alcatrão foram fundamentais para a cultura marítima Viking.

É importante, todavia, ressalvar que este estudo é baseado em evidências limitadas a uma área geográfica na Suécia. Outras escavações e investigações fornecerão uma imagem mais clara da produção de alcatrão Viking.

ZAP // Gizmodo

Por ZAP
30 Outubro, 2018

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