1157: A Terra precisará de 5 milhões de anos para recuperar da extinção em massa de mamíferos

CIÊNCIA

Mark Dumont / Flickr
O rinoceronte-negro, nativo de África, é uma das espécies em perigo iminente de extinção

Muitas espécies de mamíferos vão desaparecer nos próximos 50 anos se nada for feito pela sua conservação, e a natureza poderá demorar três a cinco milhões de anos a recuperar essa perda. A evolução das espécies não está a conseguir acompanhar as extinções em massa.

Uma equipa de cientistas das universidades de Aarhus, na Dinamarca, e de Gotemburgo, na Suécia, chegou a esta conclusão a partir de simulações computacionais sobre a evolução das espécies e de dados sobre a evolução das relações e do tamanho das espécies de mamíferos sobreviventes e extintas.

De acordo com o estudo, publicado nesta segunda-feira na revista PNAS, a evolução das espécies não está a acompanhar o ritmo a que as espécies estão a desaparecer.

Os cientistas estimam que serão necessários cinco a sete milhões de anos para que a biodiversidade entre os mamíferos volte aos patamares anteriores à evolução dos homens modernos, isto se, ressalvam, em geral, os mamíferos se diversificarem a uma taxa considerada normal.

Num cenário mais optimista, em que os humanos deixam de destruir os habitats naturais, serão precisos três a cinco milhões de anos para os mamíferos se diversificarem o suficiente para regenerarem os ramos da árvore da sua evolução que os cientistas estimam virem a perder-se nos próximos 50 anos.

Espécies de mamíferos “criticamente em perigo”, como o rinoceronte-negro, nativo de África, estão em risco elevado de desaparecer dentro de cinco décadas, advertem, realçando que, tal como no passado, muitas espécies poderão extinguir-se sem deixar um “parente” próximo que dê continuidade à linhagem.

A União Internacional para a Conservação da Natureza, citada pelo Science Alert, prevê que 99,9% das espécies “criticamente em perigo” e 67% espécies em risco de extinção serão perdidas nos próximos 100 anos.

Matt Davis / Aarhus University

O portal de Ciência nota ainda que as cinco extinções em massa registadas nos últimos 450 milhões de anos deveram-se a desastres naturais no entanto, agora o cenário é diferente – é a actividade humana que está a dizimar espécies de mamíferos.

Os investigadores salientam ainda que a sua análise poderá ser usada para priorizar a conservação de diferentes espécies ameaçadas de extinção.

ZAP // Lusa / Science Alert

Por ZAP
17 Outubro, 2018

 

1148: Se não pararmos de comer carne, vamos acabar com o planeta

CIÊNCIA

luderbrus / Flickr

Cada cidadão deverá reduzir em 75% o seu consumo de carne de vaca, 90% de carne de porco, comer metade da quantidade de ovos e triplicar o consumo de sementes e frutos secos.

Segundo um estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature, o consumo de carne de vaca teria de descer em 90% nos países ocidentais para que conseguíssemos evitar mudanças muito perigosas no ambiente.

Esta e outras recomendações são de alguns investigadores da Universidade de Oxford, que recomendam a redução drástica do consumo de carne para evitar alterações climáticas com efeitos devastadores.

Ao The Guardian, Marco Springmann, investigador e professor na Universidade de Oxford que liderou a investigação, disse que, actualmente, “estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos de reduzir o consumo de carne”, alertou.

Desta forma, a solução proposta pelos cientistas passa por diminuir drasticamente o consumo de carne e substituí-la por proteína animal, optando assim pelo consumo de legumes e leguminosas.

Segundo o estudo recentemente tornado publico, cada cidadão deveria reduzir em 75% o consumo de carne de vaca, em 90% o de carne de porco e comer metade da quantidade de ovos. No que diz respeito ao consumo de leguminosas, este deveria triplicar. Já o consumo de frutos secos e sementes deveria quadruplicar.

O Jornal Económico avança que a indústria agropecuária é a que mais danos causa a nível ambiental, graças à emissão de gases de efeito de estufa, à desflorestação, às quantidades de água que não são utilizadas e à contaminação de aquíferos subterrâneos.

Além desta informação – que não é propriamente uma novidade – o estudo apresenta uma previsão: se não houver uma intervenção, tudo irá ficar muito pior, dado que se prevê que a população cresça em 2,3 mil milhões em 2050, alcançando assim os 9,8 mil milhões de habitantes.

O crescimento da população estimula invariavelmente a criação de animais para consumo humano, que se está a tornar cada vez mais insustentável. Os países acidentais têm a maior culpa no cartório, dado que muitas das suas dietas são à base de produtos agropecuários.

Ainda que os investigadores lancem o alerta, admitem que esta mudança passa também pelos governos, através de políticas de educação, criação de taxas sobre os alimentos e concessão de subsídios para a produção de alimentos sustentáveis.

Isto significa que a atenção na produção de gado não é suficiente. É também necessário um cuidado adicional com os produtos de origem agrícola.

“Acho que conseguimos mudar, mas temos de ter governos mais pro-activos. As pessoas podem contribuir para a mudança se alterarem a sua alimentação, mas também se procurarem os seus políticos para lhes dizerem que precisam de ter melhores leis ambientais. Isso é muito importante”, concluiu Springmann.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2018

 

1124: Descoberto no Egipto o túmulo de Kaires, o guardião de segredos do faraó

CIÊNCIA

Czech Institute of Egyptology
Estátua de Kaire, o “amigo único” do faraó

Uma equipa de arqueólogos checos fez uma descoberta notável em Abusir, perto do Cairo, ao descobrir um complexo funerário único, pertencente a um alto dignitário egípcio da V dinastia do Antigo Reino do Egipto. 

Os restos foram encontrados junto de uma pirâmide em Abusir, onde apenas os membros da família real e os maiores dignitários estaduais da época eram sepultados. De acordo com o Live Science, o túmulo pertence ao “amigo único” (sole friend) do faraó.

De acordo com o comunicado divulgado pela equipa de arqueólogos do Instituto Checo de Egiptologia, dentro do túmulo – que foi roubado nos tempos antigos – foram encontrados os restos de uma estátua com inscrições relativas a um padre de nome Kaire.

Este padre, acrescenta a nota divulgada esta semana, era o “amigo único do faraó” e o “guardião de segredos da Casa da Manhã” – local onde o faraó se vestia e tomava o pequeno-almoço. Kaire era um confidente real.

“Nesta descoberta há uma série de factos únicos. O túmulo está localizado no centro do campo da pirâmide de Abusir, que remota a 2.400 a.C. E, além da capela em si, foram encontradas outras salas”, explicaram os especialistas à Radio Cz.

“Outra característica única é que esta capela é o único túmulo real deste período construído com blocos de basalto para a pavimentação, papéis de parede e um altar. Esta é uma evidência do estatuto excepcional do dono deste túmulo”.

Na época, sublinha o Live Science, só os faraós é que estavam autorizados a usar basalto nas construções de túmulos.

Czech Institute of Egyptology
O complexo funerário de Abusir, perto do Cairo

Segredo da V dinastia egípcia

Os arqueólogos não sabem ao certo a que faraó é que as inscrições se referem no entanto, já conseguiram recolher algumas pistas. O complexo funerário foi encontrados perto de uma pirâmide que pertenceu ao faraó Neferirkare (reinado 2446 a 2438 a.C).

Além disso, outras gravuras encontradas na estátua apontam que Kaires era “inspector dos sacerdotes que serviam no complexo junto da pirâmide”, que pertence a Neferirkare e ao seu sucessor Sahure (2487 a 2475 a.C), terceiro e segundo faraó da V dinastia egípcia, respectivamente.

A estátua menciona ainda vários outros títulos importantes detidos por Kaires, entre os quais, “supervisor de todos os trabalhos do faraó” e o “principal da Casa da Vida” – uma espécie de biblioteca que reunia papiros que registavam conhecimentos sobre diversas áreas, explicaram os arqueólogos.

Apesar de o sarcófago de Kaires ter sido encontrado, ainda restam segredos para desvendar, a sua múmia, por exemplo, ainda não foi encontrada. Outro aspecto que os cientistas ainda não conseguiram apurar é se o padre terá servido a um ou dois faraós.

Os arqueólogos checos, liderados pelo investigador Miroslav Bárta, continuam com os trabalhos arqueológicos, em parceria com o Ministério de Antiguidades do Egipto.

ZAP //

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10 Outubro, 2018

 

1118: Os neandertais sobreviveram à Idade do Gelo graças ao seu sistema de saúde

CIÊNCIA

kkttkk / Deviant Art

Os neandertais cuidavam dos seus doentes e feridos, tendo desenvolvido cuidados médicos muito eficientes. Um estudo recente sugere agora que este comportamento era muito mais do que um fenómeno cultural: estas práticas ajudaram os neandertais a sobreviver.

Para suportar as duras condições da Idade do Gelo na Europa, os neandertais adoptaram várias estratégias de sobrevivência, entre as quais a caça em grupo, a paternidade colaborativa e a partilha de alimentos. Um estudo recente, publicado na Quaternary Science Reviews, acrescenta ainda outro truque de sobrevivência: a saúde.

“Em vez de ser encarada apenas como um traço cultural, a saúde pode também ser vista como parte de várias adaptações que permitiram aos neandertais sobreviver em ambientes únicos onde viviam ao lado de grandes carnívoros predadores”, escreveu a equipa, liderada por Penny Spikins, da Universidade de York.

“Além disso, a saúde pode ter sido um factor significativo para permitir que os neandertais ocupassem um nicho predatório que, de outra forma, não estaria disponível para eles”, acrescentam.

É fácil prender-nos à sua extinção, mas a verdade é que a essência dos neandertais é muito mais do que isso. Eles fizeram da Idade do Gelo a sua casa durante centenas de milhares de anos… e não foi por terem feito algo de errado. Pelo contrário.

Que os neandertais tinham um sistema de saúde muito próprio não é segredo. Devido à sua vida arriscada, as lesões faziam parte do seu dia-a-dia. Mas, em vez de negligenciar os feridos, os neandertais partiram dos doentes para melhorar a sua assistência médica.

“Temos evidências de cuidados de saúde que datam de há 1,6 milhões de anos, mas achamos que vai muito além disso”, disse Spikins em comunicado. “Queríamos investigar se os cuidados de saúde nos Neandertais eram mais do que uma prática cultural: foi algo que fizeram por acaso ou foi fundamental para as suas estratégias de sobrevivência?”

Provas recolhidas pela equipa de Spikins sugerem que estas práticas foram benéficas para o grupo e, consequentemente, uma grande adaptação evolutiva.

No estudo, os cientistas analisaram restos de esqueletos de 30 indivíduos neandertais que exibiam feridas, que variavam de leves a graves. Apesar dos seus ferimentos, cada um desses indivíduos conseguiu sobreviver. Os investigadores referem que é altamente improvável que tenham conseguido sobreviver sem ajuda, desconfiando, assim, da implementação de um sistema de saúde cuidado e bem desenvolvido.

“O alto nível de lesões e recuperação de doenças graves sugere que outras pessoas devem ter colaborado nos cuidados de saúde, assim como ajudado a aliviar a dor e a lutar pela sua sobrevivência do indivíduo, encorajando-o a participar activamente nas actividades do grupo novamente”, disse Spikins.

Para tratar os seus feridos, os neandertais empregaram várias estratégias, dependendo sempre da gravidade e natureza da lesão. Segundo o Gizmodo, lesões graves, como uma perna partida, exigiram controlo da febre e reposicionamento de ossos partidos. Em alguns casos, implicou ainda limitar a perda de sangue: por isso, sim, os tratamentos eram bastante sofisticados.

“Os neandertais parecem ter sido prestadores de cuidados de saúde especializados em colaboração”, escrevem os autores. Tratar de doentes feridos e ajudar as mães durante o parto requeria muito tempo e energia, mas para os neandertais era uma necessidade: como viviam em pequenos grupos, a perda de um indivíduo poderia ser catastrófica.

Cuidar dos membros gravemente feridos era uma questão de sobrevivência global. Isto não quer dizer que os neandertais não agissem por compaixão, até porque é bem provável que sim.No entanto, os cientistas afirmam que os cuidados de saúde serviram um propósito pragmático que ajudou o grupo a sobreviver como um todo. E, por consequência, toda a espécie.

Assim, o cuidado com a saúde “não foi apenas uma adaptação evolucionária”. Pode ter sido também um factor essencial para a sobrevivência da espécie. Sem os benefícios da assistência médica, argumentam os investigadores, a Era do Gelo da Europa seria, muito provavelmente, intolerável.

ZAP //

Por ZAP
9 Outubro, 2018

 

1112: Cristais líquidos podem ter tido um papel importante na origem da vida

CIÊNCIA

(dr) American Chemical Society

Os cristais líquidos, presentes nos ecrãs electrónicos, podem ter tido um papel muito mais antigo: ajudar a reunir as primeiras biomoléculas do planeta Terra.

De acordo com a agência Europa Press, que cita o estudo publicado esta quarta-feira na ACS Nano, a equipa de investigadores descobriu que as moléculas de ARN curtas podem formar cristais líquidos que estimulam o crescimento de correntes mais longas.

Os cientistas têm especulado que a vida na Terra se originou num “mundo de ARN”, onde este ácido ribonucleico cumpria a dupla função de transportar informação genética e conduzir o metabolismo antes do surgimento do ADN ou das proteínas.

De facto, os investigadores descobriram cadeias catalíticas de ARN, ou “ribozimas”, nos genomas modernos. As ribozimas conhecidas têm um comprimento de aproximadamente 16-150 nucleotídeos, então, surge a questão: como é que essas sequências foram reunidas num mundo primordial sem ribozimas ou proteínas existentes?

Tommaso Bellini, da Universidade de Milão, em Itália, e os restantes colegas questionaram-se se os cristais líquidos poderiam ajudar a guiar os precursores de ARN curtos para formar correntes mais longas.

Para perceber isso, a equipa explorou diferentes cenários em que os ARN curtos poderiam “auto-reunir-se” e descobriram que, em altas concentrações, as sequências curtas de ARN (de 6 ou 12 nucleotídeos de comprimento) são sequenciadas espontaneamente em fases de cristal líquido.

Os cristais líquidos formaram-se ainda mais facilmente quando os investigadores adicionaram iões de magnésio, que estabilizaram os cristais, ou polietilenoglicol, que sequestrou o ARN em micro-domínios altamente concentrados.

Uma vez que os ARN foram mantidos juntos em cristais líquidos, um activador químico poderia unir eficientemente as suas extremidades em cadeias muito mais longas. Essa disposição também ajudou a evitar a formação de ARN circulares que não podiam alongar-se mais.

Os investigadores assinalam que o polietilenoglicol e o activador químico não seriam encontrados em condições primordiais, mas dizem que outras espécies moleculares podem ter desempenhado funções similares, mas menos eficientes.

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2018

 

1108: Genes de Neandertais ajudaram Homo Sapiens a combater vírus

CIÊNCIA

Durante o tempo em que conviveram as duas espécies partilharam patógenos e defesas para combater alguns vírus.

Recriação de uma família Neandertal
© REUTERS/Nikola Solic

As relações sexuais que os Neandertais mantiveram com os Homo Sapiens permitiram a estes últimos gerar defesas para combater alguns vírus, mostra um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Cell .

Através do estudo do ADN dos Neandertais, cujos vestígios ainda estão presentes na população europeia e asiática, calculando-se que 1 a 4% do seu ADN seja ainda Neandertal.

Quando os Neandertais se cruzaram com o Homo Sapiens herdaram destes as defesas para alguns vírus que os primeiros já tinham. Um dos autores do estudo, Dmitri Petrov, explicou ao El Mundo que uma boa parte da troca nos genes dos Neandertais tiveram como objectivo a adaptação ao frio. Isto porque o cruzamento entre as duas espécies aconteceu quando o Homo Sapiens saiu de África para conquistar o mundo.

A interacção entre os Neandertais e os Homo Sapiens
© Cell

Quando chegaram à Europa, os Homo Sapiens encontraram uma espécie que tinha milhares de anos de evolução neste ambiente, o que leva os cientistas a acreditar que estes adquiriam essa resistência dos próprios Neandertais, em vez de esperarem pelas suas próprias mutações.

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
04 Outubro 2018 — 23:37

 

1098: Marcas pré-históricas indiciam a existência de uma civilização perdida na Índia

CIÊNCIA

Marathi Mayuresh Konnur / BBC
Entre as marcas encontradas, há figuras de tubarões, aves, rinocerontes e hipopótamos

Uma equipa de arqueólogos encontrou gravuras rupestres pré-históricas no estado de Maharashtra, no oeste da Índia. De acordo com os cientistas, estes achados podem evidenciar uma antiga civilização até agora desconhecida.  

De acordo com a BBC, foram descobertas milhares destas gravuras rupestres – conhecidas como petróglifos – na região de Konkan, no estado indiano de Maharashtra.

As marcas pré-históricas, maioritariamente encontradas nas cidades de Ratnagiri e Rajapur, estavam gravadas em colinas rochosas e planas, tendo passado despercebidas durante milhares de anos.

Os cientistas ficaram surpreendidos com a diversidade de gravuras encontradas, que vão desde animais, pássaros, figuras humanas e até desenhos geométricos. Grande parte das figuras estava escondida sob camadas de terra e lama, mas também havia algumas a céu aberto – estas eram consideradas sagradas, sendo pelos habitantes da região.

No entanto, a variedade das esculturas não foi o que mais surpreendeu os arqueólogos. A forma como os petróglifos foram desenhados e a sua semelhança como os demais já encontrados noutras partes do mundo levam os cientistas a acreditar que as marcas foram criadas durante o período pré-histórico e são, possivelmente, dos mais antigos até agora encontrados.

“A nossa primeira dedução após analisar estes petróglifos aponta que estes tenham sido criados por volta de 10.000 a.C”, disse o director do departamento de arqueologia do estado de Maharashtra, Texas Garge, em declarações à BBC.

Com a ajuda dos habitantes e anciãos locais, os arqueólogos encontraram petróglifos em cerca de 52 vilas da região – mas apenas cinco destas sabiam da sua existência.

Evidências de uma sociedade de caçadores-colectores

De acordo com Garge, as imagens evidenciam ter sido desenhadas por uma comunidade de caçadores-colectores que ainda não estava familiarizada com a agricultura. “Nós não encontramos imagens de actividades agrícolas, mas as marcas mostram animais caçados e há uma descrição bastante detalhadas das suas formas”, sustentou.

Shrikant Pradhan, investigador e historiador de arte da Faculdade Deccan de Pune, na Índia, estudou os petróglifos e disse que as figuras eram claramente inspiradas em actividades observadas na época.

“A maioria dos petróglifos mostra animais domésticos, mas há também imagens de tubarões e baleias, bem como anfíbios e tartarugas”, acrescenta Garge.

No entanto, os petróglifos recém-descobertos levantam questões ainda mais intrigantes para os arqueólogos. Os especialistas indagam por que motivo as gravuras retratam animais como hipopótamos e rinocerontes que não se encontram nesta região da Índia. A comunidade que as criou terá migrado da África para a Índia? Ou será que estes animais já habitaram a Índia?

As marcas, que passaram despercebidas durante milénios, continuam a intrigar os cientistas. Para resolver o mistério, o governo da Índia reservou um fundo de 3,2 milhões de euros para continuar a estudar os cerca de 400 petróglifos encontrados.

ZAP // BBC

Por ZAP
3 Outubro, 2018

 

1082: A maior ave da história pesava tanto como um dinossauro

CIÊNCIA

(dr) Jaime Chirinos
Ilustração de um pássaro-elefante e a sua cria

Cientistas da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), no Reino Unido, fecharam o debate sobre qual foi a maior ave da história: Vorombe titan tinha até 800 quilos e três metros de altura.

A maior ave da história, uma nova espécie de pássaro-elefante agora identificada, pesava tanto como um dinossauro quando viveu em Madagáscar, há mais de mil anos, conta o site Live Science.

Este pássaro monstruoso, semelhante a uma avestruz e que entretanto foi extinto pelos nativos, pesava até 800 quilos, tinha três metros de altura e, tal como as avestruzes, também não conseguia voar, explica o estudo publicado, esta quarta-feira, na Royal Society Open Science.

Desde 1800 que os cientistas guardam amostras dos ossos deste animal (da família dos Aepyornithidae), mas erradamente pensavam que se tratava de outra espécie de pássaro-elefante, conhecida como Aepyornis maximus, explica James Hansford, o principal responsável desta investigação, da Sociedade Zoológica de Londres (ZSL).

Com recurso a uma fita métrica e pinças, Hansford analisou centenas de ossos de pássaros-elefantes que se encontravam em museus de todo o mundo. Depois de traçar os seus tamanhos, o cientista descobriu que estes ossos estavam em grupos distintos, revelando três géneros e quatro espécies distintas.

A ave recentemente descoberta foi apelidada de Vorombe titan, cujo nome Vorombe significa “pássaro grande” em malgaxe, uma língua malaio-polinésia. Por sua vez, titan é um retrocesso ao Aepyornis titan, espécie que, em 1894, o paleontólogo britânico C.W. Andrews pensava ser a maior de sempre e que foi geralmente descartada como um exemplar invulgarmente maior do já conhecido A. maximus.

De acordo com o Live Science, quando estes herbívoros foram extintos pelos humanos, o ecossistema mudou e as plantas que dependiam dos pássaros para comer e dispersar sementes enfrentaram uma dura batalha para sobreviver.

Estes pássaros-elefantes “tiveram, sem dúvida, um impacto significativo a criar e a manter a paisagem do antigo Madagáscar. A sua extinção deixou um buraco que precisamos de pensar em conservar na sua ausência”, afirma Hansford.

“Sem uma compreensão precisa da diversidade das espécies passadas, não conseguimos compreender adequadamente a evolução ou a ecologia em sistemas insulares únicos como Madagáscar ou reconstruir exactamente o que se perdeu desde a chegada dos humanos a estas ilhas. Conhecer a história da perda da biodiversidade é essencial para determinar como conservar as espécies ameaçadas nos tempos que correm”, afirma Samuel Turvey, co-investigador deste estudo, citado pela Europa Press.

ZAP //

Por ZAP
28 Setembro, 2018

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1077: As tatuagens de Ötzi podem ter sido finalmente desvendadas

CIÊNCIA

South Tyrol Museum of Archaeology/EURAC/Samadelli/Staschitz
Ötzi, o Homem do Gelo que, com 5300 anos, é a múmia mais velha da Europa

As misteriosas tatuagens encontradas em Ötzi – a múmia mais antiga da Europa – podem ter sido finalmente desvendavas. Os cientistas acreditam que as marcas podem representar uma forma primitiva de acupunctura. 

Ötzi, também conhecido como o Homem do Gelo, tem 5.300 anos e foi encontrado em 1991 nos Alpes italianos. Desde então, os cientistas têm conduzido uma série de testes morfológicos, radiológicos e moleculares para compreender o seu estado de saúde em vida.

Apesar dos inúmeros testes, os cientistas têm ainda perguntas sobre esta múmia, muitas das quais relacionadas com as tatuagens que tem gravas no corpo. Um grupo de cientistas acredita ter desvendado o mistério.

As tatuagens da múmia não eram novidade para os cientistas, mas os especialistas discordaram durante anos sobre o número de tatuagens. Com o tempo, a pele da múmia foi escurecendo, tornando ainda mais difícil a contagem.

De acordo com um novo e exaustivo estudo, publicado no início do mês de agosto na International Journal of Paleopathology, os cientistas conseguiram observar e mapear um total de 61 tatuagens que cobrem o corpo de Ötzi.

Apesar de o Homem do Gelo padecer de várias patologias médicas – como problemas nas articulações, dentição deteriorada e problemas gástricos -, os cientistas encontraram padrões nas marcas que sugerem que a sua cultura já tinha desenvolvido um sistema para combater e aliviar os sintomas de doenças – uma espécie de acupunctura primitiva.

Segundo a pesquisa, todas as tatuagens encontradas foram feitas com uma mistura de carvão e ervas e produziram linhas negras dispostas em paralelo. Estas linhas formavam grupos de duas até quatro linhas.

Os cientistas reavaliam cuidadosamente os problemas de saúde, comparando-os com a localização e o número de tatuagens. A partir da análise das tatuagens, os investigadores percebam que muitas destas marcas estavam localizada na zona dos pulsos e tornozelos – partes do corpo que denotavam claramente processos degenerativos.

Pontos estes também muito utilizados nos tratamentos de acupunctura. Por tudo isto, os cientistas acreditam que as tatuagens eram uma forma da civilização antiga lidar com as doenças, aliviando a dor crónica. Estas marcam denotam, segundo os cientistas, uma forma muito inicial e primitiva desta prática oriunda da medicina tradicional chinesa.

(dr) Marco Samadelli

Patologias eram já conhecidas

Estudos anteriores revelam que Ötzi tinha ingerido ou transportado uma série de medicamentos que incluíam um fungo, o Polyporus fomentates, que podia ser utilizado para acalmar uma inflamação ou como um antibiótico.

No seu estômago, os cientistas encontraram também uma planta tóxica para os seres humanos – a Pteridium – que, aparentemente, era consumida pelo Homem do Gelo para limpar o seu organismo de parasitas intestinais como a ténia.

A acupunctura – prática associada ao uso de agulhas – combinada com o uso sofisticado de plantas de fungos no tratamento de doenças sugere que Ötzi pertencia a uma cultura com alguns conhecimentos sobre anatomia e patologia.

É provável que estas técnicas tenham sido desenvolvidas de forma sistemática através de uma abordagem de tentativa e erro, sendo depois transmitidas de geração em geração na sociedade antiga em que Ötzi viveu.

A múmia mais velha da Europa é também uma das mais estudadas pela comunidade científica. Os investigadores descobriram que Ötzi morreu após uma ferimento de flecha e até que a sua última refeição terá sido carne de cabra – o que fica ainda por descobrir é por que motivo os tratamentos médicos não resultaram.

ZAP // RT

Por ZAP
26 Setembro, 2018

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1061: Arqueólogos descobrem múmias antigas e amuletos divinos no Egipto

CIÊNCIA

Egyptian Ministry of Antiquities
A identidade da múmia continua ainda por desvendar

Um grupo de arqueólogos descobriu várias múmias antigas no Egipto – incluindo os restos de um misterioso individuo extremamente bem conservado – num enterro comum na margem oeste do Rio Nilo.

O túmulo foi encontrado em Aswan, no sul do Egipto, e terá cerca de 2500 anos de idade. De acordo com o director do Ministério das Antiguidades do Egito, o sepulcro terá sido utilizado num funeral comunitário.

Entre as múmias encontradas, há uma que desperta especial atenção: a de um indivíduo extremamente bem preservado, envolvido em faixas de linho, que os arqueólogos encontraram num sarcófago de arenito.

De acordo com o Ministério, não há quaisquer inscrições no túmulo, estando a identidade da múmia ainda por revelar. Vão ser conduzidas mais pesquisas para tentar descobrir quem é o indivíduo.

Foram ainda descobertas outros três túmulos perto da mesma região. Os cientistas encontraram fragmentos de pinturas, textos escritos com hieróglifos e pedaços de outros sarcófagos de argila. Os especialistas vão agora tentar decifrar os textos.

Todos os túmulos contêm pedaços de amuletos feitos de fiança – uma cerâmica vidrada utilizada em algumas loiças. As imagens divulgadas pelo Ministério mostram que alguns dos amuletos têm a forma de deuses egípcios, como Anubis, o deus egípcio dos mortos.

Egyptian Ministry of Antiquities
Amuletos encontrados em todos os túmulos

Os cientistas acreditam que as descobertas datam do período a que chamam de “Época Baixa do Antigo Egipto”, que durou de 712 a.C até 332 a.C.

Durante este período, o Egipto esteve sob o controlo de várias potências estrangeiras, como o Reino de Cuxe (antigo reino localizado a sul do país), Assíria e Persa – este período terminou quando Alexandre, o Grande, conquistou o Egipto em 332 a.C.

Não é ainda claro para os cientistas se o indivíduo encontrado no enterro comum pertencia a algum destes grupos estrangeiros, mas os especialistas continuam as investigações para resolver este mistério o quanto antes.

Este têm sido um bom mês para a Arqueologia no Egipto. Ainda esta semana, o Ministério dava conta de ter descoberto uma nova esfinge, também em boas condições de preservação, com cerca de 2 mil anos.

Por ZAP
22 Setembro, 2018

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