2147: As cidades estão a criar as suas próprias nuvens

CIÊNCIA

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As cidades estão cobertas de nuvens de forma mais persistente do que as áreas rurais graças às condições atmosféricas únicas que produzem, revelou um estudo.

Sabe-se que as cidades criam “ilhas de calor urbano” devido à energia libertada pela actividade humana, mas uma nova investigação, conduzida pela Universidade de Reading, no Reino Unido, mostrou pela primeira vez que o fenómeno cria também uma maior cobertura de nuvens durante os meses mais quentes.

A análise das cidades de Londres e Paris, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Climate and Atmospheric Science, revelou que o calor libertado gradualmente pelos edifícios causa correntes ascendentes que levam a humidade para cima, aumentando assim a cobertura de nuvens dos aglomerados.

Os cientistas descobriram que a nebulosidade nestas metrópoles à tarde durante a Primavera e o Verão é cerca de 5 a 10% maior do que na paisagem circundante.

“Esperávamos que houvesse menos nuvens sobre as cidades, tendo em conta a relativa falta de vegetação tende a secar a atmosfera”, explicou Natalie Theeuwes, do Departamento de Meteorologia de la Universidade de Reading, em comunicado.

“Contudo, uma análise detalhada a Londres demonstrou-nos que o calor libertado pelos edifícios ao longo da tarde empurra a pouca humidade que está no ar para cima, onde se formam as nuvens. (…) As descobertas revelam o crescente impacto das cidades nos seus mini-ambientes”, concluiu a cientista.

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019



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2141: A cidade mais bela do mundo só existiu durante 70 anos

CIÊNCIA

Zarateman / Wikimedia

No mundo dos anos 950, Medina Azahara era uma das mais belas jóias em forma de cidade no planeta. Foi deslumbrante, mas efémera.

A mítica Medina Azahara, em árabe Madinat al-Zahra, já trazia no seu nome o significado de “cidade brilhante”. Nasceu por ordem do califa Abderramão III, que decidiu a sua construção no ano de 936.

A cidade, localizada a cerca de oito quilómetros da cidade espanhola de Córdoba, seria a capital do Califado de Córdoba, num dos períodos mais opulentos dos tempos em que territórios da Espanha e do norte da África, durante a Idade Média, estiveram sob controle árabe (dos século VIII a XIII).

De facto, a corte mudou-se para lá no ano de 945. Mas toda a deslumbrante existência da cidade, nas encostas de uma montanha e na margem direita do rio Guadalquivir, só duraria por cerca de 70 anos.

Nenhuma despesa foi poupada para erguer a nova capital. Algumas fontes dizem que a sua construção envolveu cerca de dez mil trabalhadores, seis mil blocos de pedra empilhados diariamente e cargas transportadas por mais de 1,5 mil burros e mulas.

Os melhores artesãos da época foram convidados a decorar as construções. Mármores brancos foram trazidos de Estremoz, em Portugal, a cerca de 350 quilómetros de distância; calcário de cor púrpura foi extraído das serras de Córdoba; pedras avermelhadas foram tiradas da vizinha Serra de Cabra. E não faltou ouro.

A cidade representava o poder do califado, por isso tudo foi projectado para mostrar o máximo esplendor”, explicou Alberto Montejo, director do sítio arqueológico de Medina Azahara, à BBC. “Muitos recursos económicos foram alocados do Estado para a sua construção. Nada menos que um terço do orçamento anual do califado foi usado para criar Medina Azahara.”

Aproveitando o desnível do terreno, a cidade foi projectada em três níveis. Na parte superior, foi construído o Alcazar Real, a residência íntima de Abderramão III, composta por colunas majestosas, capitéis elaborados e decoração luxuosa. De um grande terraço superior, o califa podia contemplar toda a cidade que tinha criado.

A esplanada intermediária abrigava os prédios administrativos e as residências dos mais importantes oficiais da corte. Na parte baixa da cidade, estavam as casas da população comum e dos soldados, a mesquita, os mercados, os banhos e os jardins públicos.

A cidade era tão rica que, apenas 15 anos depois de sua construção, algumas unidades foram demolidas para dar lugar a casas maiores. “O califado de Córdoba foi um dos grandes impérios da época no Mediterrâneo, comparável ao bizantino. Não havia cidades naquela época com o esplendor de Medina Azahara”, refere Alberto Montejo.

No entanto, apesar de sua magnificência, Medina Azahara só existiu durante cerca de 70 anos. Foi com a morte, em 976, do califa Aláqueme II (filho e sucessor de Abderramão III) que começou a decadência da cidade. O reino passou a ser comandado pelo seu filho Hixam. O problema é que Hixam tinha apenas 11 anos de idade.

Para lidar com a situação, grande parte do poder coube a Almançor, que já tinha sido conselheiro de Aláqueme III e nomeado grão-vizir de Hixam. Mas Almançor acabou por se tornar poderoso e assumiu o controle sobre o califado. Ele fundou a sua própria cidade, Medina Alzahira, e deixou para trás Medina Azahara.

O califado de Córdoba desapareceu definitivamente no ano de 1031, após uma sangrenta guerra civil. O território foi dividido em diferentes reinos – os reinos de taifas. Medina Azahara ficou definitivamente abandonada.

A cidade mais bonita do Ocidente foi saqueada, queimada e despida da sua beleza. As construções e decorações mais caras foram vendidas ou recicladas. “Estes objectos davam prestígio a quem os possuía e acabaram em Sevilha, no norte da África ou no norte da Espanha”, revela Alberto Montejo.

A cidade foi dilacerada, até as pedras de seus muros foram retiradas. “Medina Azahara torna-se a pedreira perfeita, não só tinha muita pedra, mas já estava perfeitamente cortada em blocos”, explica o director actual do sítio arqueológico.

A cidade caiu no esquecimento, que durou até 1911, quando as primeiras escavações na região trouxeram à tona os restos da mítica cidade. Estima-se que apenas 11% do que foi a cidade esteja à vista. Mesmo assim, o que restou da “cidade brilhante” foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

ZAP //

Por ZAP
9 Junho, 2019

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1180: Falha no sistema de água pode ter ditado o fim de uma das maiores cidades antigas

CIÊNCIA

(CC0/ PD) sharonang / Pixabay

Em 1200, a maior cidade do mundo era Angkor, território onde hoje se localiza o  Cambodja. Repentinamente, a maioria dos habitantes da cidade começou a abandonar a região no século XV, levando a cidade ao colapso – os cientistas podem agora ter descoberto o motivo.

Historiadores e cientistas têm apresentado hipóteses para justificar o êxodo massivo desta cidade que contava com uma área de mil quilómetros quadrados. Agora, um novo artigo, publicado na semana passada na revista Science Advances, sugere que terá sido o sistema de distribuição de água a ditar o seu fim.

Durante cem anos, a população de Angkor construiu e expandiu as suas redes de canais, diques, barragens, poços e outras estruturas importantes para a administração da água. No entanto, no século XV, e de forma quase inexplicável, muitos plebeus e o próprio rei de Angkor abandonaram a cidade.

Especialistas justificam esta saída com uma possível guerra com um reino vizinho, localizado na actual Tailândia, mencionando também uma provável substituição do hinduísmo pelo budismo.

No entanto, a nova publicação aponta o sistema de água como o principal culpado. Segundo a mesma, a população pode ter deixado a cidade após inundações inesperadas, seguidas por décadas de chuvas escassas, que acabara por desencadear uma séria de falhas no maior sistema aquífero do mundo pré-industrial, notam os investigadores.

O co-autor da investigação e geofísico da Universidade de Sidney, na Austrália, Dan Penny, desenvolveu juntamente com o resto da equipa um modelo computorizado que avalia de que forma as rápidas mudanças climáticas durante os períodos de chuva podem ter afectado o sistema de distribuição de água desta cidade.

Recorrendo a várias simulações, os cientistas concluíram que os canais começaram a corroer, alargando-se consequentemente devido ao volume do fluxo de água. Por este motivo, a água foi sendo desviada de forma desigual pelas intersecções da rede, reabastecendo apenas alguns canais. A distribuição irregular foi ainda mais afectada devido aos sedimentos que foram se acumulando nos canais.

De acordo com os cientistas, a ocorrência de todos estes fenómenos levou à falha total da rede de água, ditando assim, e de forma inesperada, o desaparecimento de Angkor – a maior cidade do mundo à luz da época.

Por ZAP
22 Outubro, 2018

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1115: Mudanças climáticas podem afundar oito das mais famosas cidades do mundo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Scott Webb / pexels

Um relatório científico publicado recentemente pela organização não governamental Christian Aid aponta quais são as grandes cidades costeiras que correm o risco de sofrer fortes inundações por causa do aquecimento global.

Os especialistas alertam no documento que, se o aquecimento global for superior a 1,5 graus, o aumento do nível do mar ultrapassará os 40 centímetros, fazendo com que algumas famosas cidades costeiras “fiquem extremamente vulneráveis perante tempestades e inundações”.

“Algumas das cidades mais famosas do mundo estão a afundar-se à medida que as mudanças climáticas fazem subir o nível do mar”, advertem os autores do documento. “Estas metrópoles podem parecer fortes e estáveis, mas é uma ilusão”, diz o relatório.

À medida que o nível do mar aumenta, estas cidades correm cada vez mais perigo e ficam cada vez mais debaixo de água”, acrescenta o relatório da Christian Aid. Entre as cidades mencionadas no relatório, encontram-se oito das mais famosas metrópoles do Mundo.

A primeira dessas cidades é Jacarta, na Indonésia. Os cientistas destacam que 40% da capital do país asiático já se encontra abaixo do nível do mar e que a cidade está a  afundar-se a um ritmo de 25 centímetros por ano. Em 2050, cerca de 95% do norte da cidade estará submerso.

Houston, nos Estados Unidos, é outra importante cidade que está em risco de afundar. Para o afundamento desta cidade do estado americano do Texas contribui o fato de ser o centro da indústria do petróleo e gás dos EUA.

A extracção de minerais fez com que uma área de 12 mil quilómetros quadrados do seu território tenha sofrido um rebaixamento de até 3 metros. Parte desta zona continua a afundar-se a um ritmo de 5 centímetros por ano.

A capital britânica, Londres, por sua vez, está a afundar-se em parte devido à fusão dos glaciares. A Barreira do Tamisa, inaugurada em 1984 para proteger a cidade de inundações, foi planeada para ser usada duas ou três vezes por ano. Porém, actualmente é usada seis ou sete vezes anualmente.

O relatório afirma também que a cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”. A metrópole está a afundar-se nos sedimentos em que foi construída, devido ao peso das infraestruturas, à extracção de água subterrânea e à subida do nível do mar.

(CC0/PD) zhang kaiyv / pexels
A cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”.

Também a capital da Nigéria, Lagos, está em risco de afundar. Se o nível das águas do mar aumentar 20 centímetros, 740 mil residentes da cidade nigeriana perderão as suas casas, alertam os especialistas.

Também a cidade de Manila enfrenta a possibilidade de desaparecer submersa. Apesar de estar habituada a grandes intempéries e a um clima extremo, a capital filipina corre o risco de afundar 10 centímetros anualmente, e “pode ter os dias contados”.

O Bangladesh é um país onde as mudanças do nível do mar já provocam migração da população. As áreas residenciais de sua capital, Daca, estão apenas 6 a 8 centímetros acima do nível do mar e, no golfo de Bengala, no sudoeste da cidade, o processo parece estar a aumentar dez vezes mais depressa do que a média mundial.

Há três anos, o governo tailandês previu que Bangkok, a capital da Tailândia, estaria debaixo de água em 15 anos. Tal como no caso de Xangai, em Bangkok o processo é causado, entre outros, pelos arranha-céus da cidade, cujo peso pressiona o solo.

Mas o aumento do nível do mar não é o único problema que as áreas costeiras baixas enfrentam. Muitas cidades nessas áreas estão a afundar também por causa do abatimento do solo, que aumenta consideravelmente o risco de inundações.

Esse é o caso de São Francisco, nos EUA, que está a afundar ainda mais depressa do que o nível do mar aumenta devido ao aquecimento global: actualmente, 3 milímetros por ano e em aceleração.

A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está literalmente a afundar-se. O efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da cidade, que está a afundar-se 11 cm por ano.

Talvez esteja na altura de a espécie humana dar mais um salto evolutivo para algo diferente – de preferência, desta vez com guelras.

ZAP // Sputnik News / Christian Aid

Por SN
8 Outubro, 2018

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