5270: Pavlopetri é uma impressionante cidade subaquática na Grécia (e é das mais antigas do mundo)

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

A cidade foi descoberta nos anos 60 e acredita-se que tenha mais de 5 mil anos de história. Com o seu planeamento urbano praticamente intacto, o local ainda exibe ruas, pátios, edifícios e até mesmo um cemitério.

Na Baía de Vatika, no sudeste do Peloponeso, na Grécia, está Pavlopetri, uma das cidades submersas mais antigas do mundo. Com cerca de 5.000 anos, os seus restos arqueológicos foram observados pela primeira vez em 1967 pelo investigador Nicholas Flemming. O sítio arqueológico encontra-se a 4 metros de profundidade e agora é considerado uma das cidades subaquáticas mais antigas do mundo.

Em 1968, uma equipa de arqueólogos da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foi até ao local e iniciou diversos estudos para tentar descobrir mais detalhes e percebeu que a “cidade perdida” subaquática é a mais antiga já encontrada no Mar Mediterrâneo.

A cidade subaquática é a única no mundo a manter a sua estrutura intacta: as ruas, pátios, e edifícios estão à vista de quem observa o sítio arqueológico.

Nas últimas pesquisas realizadas em Pavlopetri descobriram-se pelo menos 15 grandes edifícios e foi também encontrado um cemitério que ainda tinha 60 sepulturas de pedra.

Além disso, foram encontrados vários fragmentos de artefactos antigos, tais como objectos, utensílios utilizados em mesas e grandes jarros, que oferecem aos arqueólogos uma visão mais clara sobre o quotidiano das pessoas que ali viveram, antes de ficar submersa.

“Existem cidades mais antigas submersas no mundo, mas nenhuma se encontra tão bem organizada como esta e, por isso, é única”, disse Jon Henderson, da equipa da Universidade de Nottingham, ao The Guardian.

Os investigadores sugerem que a cidade ficou submersa depois de vários terremotos atingirem o local. Ainda assim, o local manteve as estruturas arquitectónicas sem que houvesse qualquer intervenção humana durante milhares de anos.

Actualmente, o nome original da cidade ainda é desconhecido, assim como o seu papel exacto no mundo antigo. “É um achado raro e significativo porque, como é um local submerso, nunca foi reocupado”, explicou Elias Spondylis do Ministério da Cultura da Grécia ao New Scientist.

Pavlopetri nos dias de hoje

O local é provavelmente a cidade subaquática mais investigada do mundo. Em 2011, a BBC produziu um documentário impressionante intitulado Pavlopetri – The City Beneath the Waves, que teve como foco a forma como a tecnologia foi usada pela equipa da Universidade de Nottingham para criar uma impressão realista do fundo do mar.

Em 2016, Pavlopetri foi incluída no World Monuments Watch, um programa global que trabalha para proteger locais históricos sob ameaça, apoiar os esforços de conservação e aumentar a consciencialização sobre estes.

Graças a estas acções, em Agosto de 2016, a região foi demarcada por boias para a proteger de pequenos navios, e em 2018 o local tornou-se o primeiro, em águas gregas, a ser incluído nas cartas marítimas fornecidas aos navegantes pelo Serviço Hidrográfico da Marinha Grega, recorda o Ancient Origins.

Por Ana Isabel Moura
6 Março, 2021


4577: Cidade usa satélite para medir poluição luminosa (e os candeeiros de rua não são o maior problema)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/POLUIÇÃO LUMINOSA

NASA Earth Observatory / NOAA NGDC / Wikimedia

As cidades do mundo desperdiçam uma grande quantidade de electricidade – e dinheiro – ao deixar ligadas luzes brilhantes durante a noite toda. Porém, os candeeiros de rua não são os maiores culpados.

Uma experiência de 10 dias em Tucson, no estado norte-americano do Arizona rastreou os culpados usando imagens de satélite da cidade, de acordo com a BBC.

Depois de diminuir a iluminação das ruas durante a noite, uma equipa de investigadores do Arizona, Alemanha e Irlanda descobriu uma grande quantidade de energia desperdiçada que está a prejudicar o meio ambiente e a deixar os ecossistemas fora de controlo.

Segundo este estudo, em Tucson as luzes da rua não são realmente o problema. De acordo com a investigação, que foi publicada esta semana na revista científica Lighting Research & Technology, outdoors, estádios e estacionamentos estão a desperdiçar toneladas de energia – totalizando mais de 2,5 mil milhões de euros anualmente nos Estados Unidos – com iluminação excessiva e mal gerida

As luzes bloqueiam as estrelas, contribuem para as mudanças climáticas e até desviam os animais em migração do seu curso.

“Nós desperdiçamos recursos enormes com a luz que vai para o Espaço e não faz bem a ninguém”, disse o astrónomo Kelsey Johnson, da Universidade da Virgínia, que não trabalhou no projecto, à BBC.

Como as empresas privadas, em vez da iluminação pública municipal, causam a maior parte da poluição luminosa, resolver o problema exigiria ampla cooperação. E, se um acordo fosse alcançado, resolver o problema seria tão simples como escurecer, direccionar melhor ou colocar escudos sobre as luzes.

“Muitas pessoas falam sobre emergência climática, mas nunca falam sobre poluição luminosa”, disse Christopher Kyba, autor do estudo e físico do Centro Alemão de Pesquisa de Geociências, à BBC. “Mas é uma parte importante. E à noite, quando a maioria de nós está a dormir, toda essa electricidade pode fazer outras coisas – carregar veículos eléctricos, por exemplo. É o tipo de coisa que pode ser feita com um pouco de inteligência e vontade de entrar em ação.”

ZAP //

Por ZAP
30 Outubro, 2020


4182: Pequenas cidades podem vir a nascer nas “entranhas” de Marte e da Lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO/M. Kornmesser

Os enormes tubos de lava subterrâneos existentes em Marte e na Lua podem vir a ser utilizados como bases e assentamentos para humanos, sugere uma nova investigação, frisando, contudo, que para tal serão necessários anos de pesquisa.

A investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada Earth-Science Reviews, debruça-se sobre o tamanho e morfologia destas estruturas – que podem ser tão grandes como campos de futebol.

“Os maiores tubos de lava da Terra têm, no máximo, 40 metros de largura e altura“, disse um dos autores do estudo, Riccardo Pozzobon, geo-cientista da Universidade de Pádua (Itália). “Assim como grandes túneis rodoviários”, disse, citado pelo Live Science.

A equipa recolheu todas as imagens de satélite disponíveis de tubos de lava em colapso em Marte e na Lua e modelou depois o tamanho dos tubos intactos com base nas relações entre os túneis destruídos e os tubos intactos da Terra.

Os cientistas concluíram que os tubos de lava em colapso em Marte tendem 80 vezes maiores do que os da Terra, com diâmetros entre 40 a 400 metros. Os tubos de lava da Lua parecem ser ainda maiores, variando o seu diâmetro entre 500 a 900 metros.

De acordo com os cientistas, os tubos lunares da Lua podem ser estruturalmente sólidos, tornando-os melhores candidatos para exploração.

Estes tubos de lava são realmente gigantes e pode ser uma opção mais segura do que as superfícies da Lua ou de Marte, vulneráveis aos impactos de meteoritos, à intensa radiação solar, entre outros perigoso, elenca a Russia Today.

“O estudo mostra que, apesar de os colapsos causados por impactos ou tectónica de placas, a maioria dos tubos lunares pode estar intacta, tornando a Lua um alvo extraordinário para a exploração subterrânea e para potenciais assentamentos nos vastos ambientes protegidos e estáveis dos tubos de lava”, escreveram no estudo.

Ao Live Sciece, Pozzobon sugeriu que estes tubos podem facilmente abrigar uma pequena cidade. “O mais provável é estabelecer assentamentos no interior destes vazios [da Lua e de Marte], seja para abrigar humanos ou armazenar equipamentos”.

Estes gigantes tubos de lava formam-se quando a superfície do fluxo de lava arrefece e endurece, mas a lava inferior continua a fluir, podendo permanecer quente e a drenar, deixando uma caverna com muitos quilómetros de comprimento.

Na Terra, o tubo de lava o maior e mais longo tubo de lava conhecido é a Caverna Kazamura, no Havai (Estados Unidos), com 65,5 quilómetros de extensão.

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18 Agosto, 2020

 

 

2147: As cidades estão a criar as suas próprias nuvens

CIÊNCIA

lorytravelforever༽♥ॐ / Flickr

As cidades estão cobertas de nuvens de forma mais persistente do que as áreas rurais graças às condições atmosféricas únicas que produzem, revelou um estudo.

Sabe-se que as cidades criam “ilhas de calor urbano” devido à energia libertada pela actividade humana, mas uma nova investigação, conduzida pela Universidade de Reading, no Reino Unido, mostrou pela primeira vez que o fenómeno cria também uma maior cobertura de nuvens durante os meses mais quentes.

A análise das cidades de Londres e Paris, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Climate and Atmospheric Science, revelou que o calor libertado gradualmente pelos edifícios causa correntes ascendentes que levam a humidade para cima, aumentando assim a cobertura de nuvens dos aglomerados.

Os cientistas descobriram que a nebulosidade nestas metrópoles à tarde durante a Primavera e o Verão é cerca de 5 a 10% maior do que na paisagem circundante.

“Esperávamos que houvesse menos nuvens sobre as cidades, tendo em conta a relativa falta de vegetação tende a secar a atmosfera”, explicou Natalie Theeuwes, do Departamento de Meteorologia de la Universidade de Reading, em comunicado.

“Contudo, uma análise detalhada a Londres demonstrou-nos que o calor libertado pelos edifícios ao longo da tarde empurra a pouca humidade que está no ar para cima, onde se formam as nuvens. (…) As descobertas revelam o crescente impacto das cidades nos seus mini-ambientes”, concluiu a cientista.

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10 Junho, 2019



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2141: A cidade mais bela do mundo só existiu durante 70 anos

CIÊNCIA

Zarateman / Wikimedia

No mundo dos anos 950, Medina Azahara era uma das mais belas jóias em forma de cidade no planeta. Foi deslumbrante, mas efémera.

A mítica Medina Azahara, em árabe Madinat al-Zahra, já trazia no seu nome o significado de “cidade brilhante”. Nasceu por ordem do califa Abderramão III, que decidiu a sua construção no ano de 936.

A cidade, localizada a cerca de oito quilómetros da cidade espanhola de Córdoba, seria a capital do Califado de Córdoba, num dos períodos mais opulentos dos tempos em que territórios da Espanha e do norte da África, durante a Idade Média, estiveram sob controle árabe (dos século VIII a XIII).

De facto, a corte mudou-se para lá no ano de 945. Mas toda a deslumbrante existência da cidade, nas encostas de uma montanha e na margem direita do rio Guadalquivir, só duraria por cerca de 70 anos.

Nenhuma despesa foi poupada para erguer a nova capital. Algumas fontes dizem que a sua construção envolveu cerca de dez mil trabalhadores, seis mil blocos de pedra empilhados diariamente e cargas transportadas por mais de 1,5 mil burros e mulas.

Os melhores artesãos da época foram convidados a decorar as construções. Mármores brancos foram trazidos de Estremoz, em Portugal, a cerca de 350 quilómetros de distância; calcário de cor púrpura foi extraído das serras de Córdoba; pedras avermelhadas foram tiradas da vizinha Serra de Cabra. E não faltou ouro.

A cidade representava o poder do califado, por isso tudo foi projectado para mostrar o máximo esplendor”, explicou Alberto Montejo, director do sítio arqueológico de Medina Azahara, à BBC. “Muitos recursos económicos foram alocados do Estado para a sua construção. Nada menos que um terço do orçamento anual do califado foi usado para criar Medina Azahara.”

Aproveitando o desnível do terreno, a cidade foi projectada em três níveis. Na parte superior, foi construído o Alcazar Real, a residência íntima de Abderramão III, composta por colunas majestosas, capitéis elaborados e decoração luxuosa. De um grande terraço superior, o califa podia contemplar toda a cidade que tinha criado.

A esplanada intermediária abrigava os prédios administrativos e as residências dos mais importantes oficiais da corte. Na parte baixa da cidade, estavam as casas da população comum e dos soldados, a mesquita, os mercados, os banhos e os jardins públicos.

A cidade era tão rica que, apenas 15 anos depois de sua construção, algumas unidades foram demolidas para dar lugar a casas maiores. “O califado de Córdoba foi um dos grandes impérios da época no Mediterrâneo, comparável ao bizantino. Não havia cidades naquela época com o esplendor de Medina Azahara”, refere Alberto Montejo.

No entanto, apesar de sua magnificência, Medina Azahara só existiu durante cerca de 70 anos. Foi com a morte, em 976, do califa Aláqueme II (filho e sucessor de Abderramão III) que começou a decadência da cidade. O reino passou a ser comandado pelo seu filho Hixam. O problema é que Hixam tinha apenas 11 anos de idade.

Para lidar com a situação, grande parte do poder coube a Almançor, que já tinha sido conselheiro de Aláqueme III e nomeado grão-vizir de Hixam. Mas Almançor acabou por se tornar poderoso e assumiu o controle sobre o califado. Ele fundou a sua própria cidade, Medina Alzahira, e deixou para trás Medina Azahara.

O califado de Córdoba desapareceu definitivamente no ano de 1031, após uma sangrenta guerra civil. O território foi dividido em diferentes reinos – os reinos de taifas. Medina Azahara ficou definitivamente abandonada.

A cidade mais bonita do Ocidente foi saqueada, queimada e despida da sua beleza. As construções e decorações mais caras foram vendidas ou recicladas. “Estes objectos davam prestígio a quem os possuía e acabaram em Sevilha, no norte da África ou no norte da Espanha”, revela Alberto Montejo.

A cidade foi dilacerada, até as pedras de seus muros foram retiradas. “Medina Azahara torna-se a pedreira perfeita, não só tinha muita pedra, mas já estava perfeitamente cortada em blocos”, explica o director actual do sítio arqueológico.

A cidade caiu no esquecimento, que durou até 1911, quando as primeiras escavações na região trouxeram à tona os restos da mítica cidade. Estima-se que apenas 11% do que foi a cidade esteja à vista. Mesmo assim, o que restou da “cidade brilhante” foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO.

ZAP //

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9 Junho, 2019

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1180: Falha no sistema de água pode ter ditado o fim de uma das maiores cidades antigas

CIÊNCIA

(CC0/ PD) sharonang / Pixabay

Em 1200, a maior cidade do mundo era Angkor, território onde hoje se localiza o  Cambodja. Repentinamente, a maioria dos habitantes da cidade começou a abandonar a região no século XV, levando a cidade ao colapso – os cientistas podem agora ter descoberto o motivo.

Historiadores e cientistas têm apresentado hipóteses para justificar o êxodo massivo desta cidade que contava com uma área de mil quilómetros quadrados. Agora, um novo artigo, publicado na semana passada na revista Science Advances, sugere que terá sido o sistema de distribuição de água a ditar o seu fim.

Durante cem anos, a população de Angkor construiu e expandiu as suas redes de canais, diques, barragens, poços e outras estruturas importantes para a administração da água. No entanto, no século XV, e de forma quase inexplicável, muitos plebeus e o próprio rei de Angkor abandonaram a cidade.

Especialistas justificam esta saída com uma possível guerra com um reino vizinho, localizado na actual Tailândia, mencionando também uma provável substituição do hinduísmo pelo budismo.

No entanto, a nova publicação aponta o sistema de água como o principal culpado. Segundo a mesma, a população pode ter deixado a cidade após inundações inesperadas, seguidas por décadas de chuvas escassas, que acabara por desencadear uma séria de falhas no maior sistema aquífero do mundo pré-industrial, notam os investigadores.

O co-autor da investigação e geofísico da Universidade de Sidney, na Austrália, Dan Penny, desenvolveu juntamente com o resto da equipa um modelo computorizado que avalia de que forma as rápidas mudanças climáticas durante os períodos de chuva podem ter afectado o sistema de distribuição de água desta cidade.

Recorrendo a várias simulações, os cientistas concluíram que os canais começaram a corroer, alargando-se consequentemente devido ao volume do fluxo de água. Por este motivo, a água foi sendo desviada de forma desigual pelas intersecções da rede, reabastecendo apenas alguns canais. A distribuição irregular foi ainda mais afectada devido aos sedimentos que foram se acumulando nos canais.

De acordo com os cientistas, a ocorrência de todos estes fenómenos levou à falha total da rede de água, ditando assim, e de forma inesperada, o desaparecimento de Angkor – a maior cidade do mundo à luz da época.

Por ZAP
22 Outubro, 2018

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1115: Mudanças climáticas podem afundar oito das mais famosas cidades do mundo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Scott Webb / pexels

Um relatório científico publicado recentemente pela organização não governamental Christian Aid aponta quais são as grandes cidades costeiras que correm o risco de sofrer fortes inundações por causa do aquecimento global.

Os especialistas alertam no documento que, se o aquecimento global for superior a 1,5 graus, o aumento do nível do mar ultrapassará os 40 centímetros, fazendo com que algumas famosas cidades costeiras “fiquem extremamente vulneráveis perante tempestades e inundações”.

“Algumas das cidades mais famosas do mundo estão a afundar-se à medida que as mudanças climáticas fazem subir o nível do mar”, advertem os autores do documento. “Estas metrópoles podem parecer fortes e estáveis, mas é uma ilusão”, diz o relatório.

À medida que o nível do mar aumenta, estas cidades correm cada vez mais perigo e ficam cada vez mais debaixo de água”, acrescenta o relatório da Christian Aid. Entre as cidades mencionadas no relatório, encontram-se oito das mais famosas metrópoles do Mundo.

A primeira dessas cidades é Jacarta, na Indonésia. Os cientistas destacam que 40% da capital do país asiático já se encontra abaixo do nível do mar e que a cidade está a  afundar-se a um ritmo de 25 centímetros por ano. Em 2050, cerca de 95% do norte da cidade estará submerso.

Houston, nos Estados Unidos, é outra importante cidade que está em risco de afundar. Para o afundamento desta cidade do estado americano do Texas contribui o fato de ser o centro da indústria do petróleo e gás dos EUA.

A extracção de minerais fez com que uma área de 12 mil quilómetros quadrados do seu território tenha sofrido um rebaixamento de até 3 metros. Parte desta zona continua a afundar-se a um ritmo de 5 centímetros por ano.

A capital britânica, Londres, por sua vez, está a afundar-se em parte devido à fusão dos glaciares. A Barreira do Tamisa, inaugurada em 1984 para proteger a cidade de inundações, foi planeada para ser usada duas ou três vezes por ano. Porém, actualmente é usada seis ou sete vezes anualmente.

O relatório afirma também que a cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”. A metrópole está a afundar-se nos sedimentos em que foi construída, devido ao peso das infraestruturas, à extracção de água subterrânea e à subida do nível do mar.

(CC0/PD) zhang kaiyv / pexels
A cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”.

Também a capital da Nigéria, Lagos, está em risco de afundar. Se o nível das águas do mar aumentar 20 centímetros, 740 mil residentes da cidade nigeriana perderão as suas casas, alertam os especialistas.

Também a cidade de Manila enfrenta a possibilidade de desaparecer submersa. Apesar de estar habituada a grandes intempéries e a um clima extremo, a capital filipina corre o risco de afundar 10 centímetros anualmente, e “pode ter os dias contados”.

O Bangladesh é um país onde as mudanças do nível do mar já provocam migração da população. As áreas residenciais de sua capital, Daca, estão apenas 6 a 8 centímetros acima do nível do mar e, no golfo de Bengala, no sudoeste da cidade, o processo parece estar a aumentar dez vezes mais depressa do que a média mundial.

Há três anos, o governo tailandês previu que Bangkok, a capital da Tailândia, estaria debaixo de água em 15 anos. Tal como no caso de Xangai, em Bangkok o processo é causado, entre outros, pelos arranha-céus da cidade, cujo peso pressiona o solo.

Mas o aumento do nível do mar não é o único problema que as áreas costeiras baixas enfrentam. Muitas cidades nessas áreas estão a afundar também por causa do abatimento do solo, que aumenta consideravelmente o risco de inundações.

Esse é o caso de São Francisco, nos EUA, que está a afundar ainda mais depressa do que o nível do mar aumenta devido ao aquecimento global: actualmente, 3 milímetros por ano e em aceleração.

A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está literalmente a afundar-se. O efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da cidade, que está a afundar-se 11 cm por ano.

Talvez esteja na altura de a espécie humana dar mais um salto evolutivo para algo diferente – de preferência, desta vez com guelras.

ZAP // Sputnik News / Christian Aid

Por SN
8 Outubro, 2018

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