2104: O misterioso ciclo de 11 anos do Sol pode estar relacionado com o alinhamento dos planetas

CIÊNCIA

35393 / pixabay

A cada 11 anos, o Sol passa de uma labareda desenfreada e actividade de manchas solares para um período mais calmo, antes de intensificar-se novamente.

É quase tão regular como um relógio – e há anos que os astrónomos se perguntam o que o causa. Agora, propuseram uma nova solução. Embora os planetas do Sistema Solar sejam muito menores que o Sol, a gravidade de alguns deles é capaz de influenciar o campo magnético da nossa estrela. Isso, afirmam os investigadores, é o que controla o ciclo solar.

Vénus, Terra e Júpiter reclamam um pequeno puxão gravitacional enquanto orbitam. O resultado é comparável ao modo como a gravidade da Lua influencia as marés da Terra, produzindo um fluxo e refluxo regulares.

A equipa rastreou mil anos de ciclos solares, entre os anos 1000 e 2009, comparando os dados com os movimentos dos planetas naquele tempo, encontraram um elo impressionantemente forte entre os dois. “Há um nível surpreendentemente alto de concordância: o que vemos é um completo paralelismo com os planetas ao longo de 90 ciclos”, disse o físico Frank Stefani, do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf, na Alemanha, em comunicado.

O que a equipa descobriu, de acordo com o estudo publicado na revista Solar Physics, é que as forças de maré são mais fortes quando a Terra, Vénus e Júpiter se alinham, e que esse alinhamento ocorre a cada 11,07 anos. O efeito é fraco, incapaz de afectar o interior do Sol. Isso, potencialmente, pode ser o motivo pelo qual ninguém conectou anteriormente o ciclo solar e a periodicidade do alinhamento planetário.

Mas a equipa descobriu que, apesar de ser fraca, as forças de maré ainda podem afectar o campo magnético do Sol. Em particular, podem influenciar oscilações na instabilidade de Tayler. Tais instabilidades aparecem em campos magnéticos toroidais, onde a pressão é aplicada perpendicularmente à direcção do campo.

Isso faz com que o campo fique comprimido, como uma coluna vertebral, criando instabilidades. Esses “discos escorregadios” no campo magnético são as instabilidades de Tayler e criam perturbações no fluxo solar e no campo magnético.

Mesmo uma pequena quantidade de energia – como, por exemplo, um evento de maré – pode reverter as oscilações das perturbações. Se esses eventos de maré estivessem a ocorrer a cada 11 anos aproximadamente, poderiam desencadear uma inversão cíclica na polaridade do campo magnético, resultando em flutuações regulares na actividade que corresponde ao ciclo.

Este modelo pode ajudar a explicar outros mistérios sobre o sol. Por exemplo, a maioria dos ciclos solares tem dois picos no máximo, com uma breve pausa entre eles. Outras regiões a serem exploradas são a maneira como as forças de maré afectam potencialmente as camadas de plasma na base da zona de convecção.

Isto também poderia ajudar a entender as gigantescas ondas magnetizadas de Rossby que só recentemente foram descobertas a ondular através do Sol – e podem ter algo a ver com a actividade do reflexo. Por sua vez, isso poderia ajudar a prever as explosões violentas e gigantescas, considerando que têm o potencial de afectar a nossa vida aqui na Terra.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Junho, 2019

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834: O Sol muda de tamanho a cada 11 anos (e ninguém sabe porquê)

ennor / Flickr

A cada 11 anos, o Sol expande-se e encolhe cerca de um a dois centímetros. Estes movimentos muito fracos aumentam o raio do Sol apenas 0,00029%.

Na verdade, esta é uma mudança tão pequena que ninguém sabe como é que a equipa de cientistas a conseguiu detectar. Para este feito, os cientistas concentraram-se nos fluxos de plasma que escapam e retornam à superfície solar – fios de gás ionizado altamente energéticos.

Estas ondas de plasma são muito semelhantes às ondas sonoras emitidas por um instrumento musical. Da mesma forma que podemos produzir sons diferentes consoante as notas que tocamos – no caso de um saxofone, dependendo das chaves que pressionamos e da expansão da tubulação – as frequências das ondas de plasma mudam dependendo do tamanho do Sol.

Não é uma tarefa fácil, mas esta alteração pode ser medida com muita precisão. Foram necessários 21 anos de observações através de dois telescópios espaciais da NASA para que esta descoberta fosse alcançada. No fundo, esta espécie de “respiração” da nossa estrela está relacionada com o ciclo solar.

A cada 11 anos, o Sol move-se de um máximo para um mínimo solar.

No máximo, os jactos solares de intensa actividade magnética ocorrem com maior frequência e agrupam-se no equador da estrela. Essas “manchas” solares aumentam a probabilidade de acontecer uma tempestade solar, desde auroras até problemas nas nossas infraestruturas eléctricas. Por contraste, no mínimo solar, estas manchas tornam-se muito raras.

Este fenómeno é impulsionado pela actividade magnética que acontece no interior do Sol. As ondas de plasma detectadas pela equipa situam-se abaixo da superfície da estrela – aliás, vários milhões de metros abaixo. Desta forma, os cientistas concluíram que o Sol se expande ligeiramente durante o mínimo solar e contrai durante o máximo.

Mas a equipa não sabe porque é que esta mudança de tamanho acontece. Os cientistas não conseguem apresentar uma teoria capaz de explicar os deslocamentos e relacioná-los com as actividades magnéticas que ocorrem no interior na nossa estrela, apesar de acreditarem que há, de facto, uma ligação.

Esta “respiração” do Sol pode estar relacionada à mudança da orientação dos campos magnéticos que ocorrem durante um ciclo solar, mas ainda não há estudos que comprovem esta ideia.

Esta quase imperceptível alteração nas dimensões solares não afecta o clima na Terra. Por cá, podemos continuar descansados: o nosso maior problema continua a ser as alterações climáticas que nós mesmos estamos a causar.

Por ZAP
3 Agosto, 2018

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513: O sol está a ficar pálido (e não sabemos porquê)

NASA

A cada 11 anos o Sol passa por um ciclo solar, onde vai de um período de muita actividade para pouca actividade – solar máximo e mínimo.

Neste momento, o Sol está no seu mínimo solar, como parte do 24º ciclo solar – o primeiro a ser registado aconteceu em 1755. Durante este período, o Sol começa a produzir menos manchas solares, que são as regiões de resfriamento magneticamente torcidas que aparecem de vez em quando. Mas está a baixar a actividade mais depressa do que seria esperado.

“O actual ciclo solar 24 está a descer mais rapidamente do que tínhamos previsto“, explicou o Space Weather Prediction Center (SWPC). Deveríamos ter visto cerca de 15 manchas solares desde Abril até maio deste ano. No entanto, até agora, quase nenhuma foi vista.

“O mínimo solar vai ser mais longo do que o habitual ou o ciclo solar 25 vai chegar mais cedo do que o esperado?”, perguntou-se o SWPC. “Os principais especialistas em ciência espacial e solar vão convocar uma reunião brevemente para tentar prever o próximo ciclo solar”.

De acordo com o Space Weather, o Sol tem estado “em branco” em cerca de 60% do tempo em 2018. Apesar de não ser muito surpreendente que não possamos ver muitas manchas solares, é estranho que aconteça tão rapidamente.

“A surpresa não é que as manchas solares estejam a desaparecer, mas sim a rapidez com que o fazem.”

Esta não é a primeira vez que vemos o sol sem manchas solares. Em 2016, quando caminhávamos em direcção ao mínimo solar, uma imagem pálida do Sol mostrou a superfície da estrela sem marcas.

A partir daí, esperava-se que o próximo mínimo solar acontecesse por volta de 2020. No seu ponto mais baixo, devíamos ver um Sol sem manchas durante meses a fio. Além disso, não notaremos muitos efeitos, embora um Sol mais fraco signifique que estamos sujeitos a formas mais cósmicas.

Os últimos dados podem sugerir que o mínimo solar está a chegar mais cedo do que se pensava. Pode também sugerir que este ciclo tem sido particularmente fraco e o Sol está a passar por uma fase calma, apoiada pelo facto de o último máximo solar ter sido também um fracasso.

Esse máximo solar, que atingiu o pico em Abril de 2014, foi o ciclo mais fraco em mais de um século desde o ciclo solar 14, que aconteceu em 1906.

Sabemos que o Sol passa por variações, por isso não há razões para preocupações. Mas é bastante fora do comum, especialmente quando nem estamos certos do que causa estes ciclos solares. Talvez o sol esteja só a fazer uma “pausa” para descanso. Depois de 4.6 mil milhões de anos a brilhar, quem o pode culpar?

ZAP // IFLScience

Por ZAP
5 Maio, 2018

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