4532: A chuva pode mesmo mover montanhas, revela novo estudo

CIÊNCIA/GEOLOGIA

mariusz kluzniak / Flickr
Cordilheira dos Himalaias

A capacidade do clima influenciar as placas tectónicas tem sido um tema que tem suscitado grande interesse nos especialistas ao longo dos anos. Neste sentido, também o efeito das chuvas na evolução das regiões montanhosas tem sido objecto de análise. Um novo estudo vem agora divulgar o impacto da chuva nestes locais.

Num novo estudo, realizado por cientistas da Universidade de Bristol e publicado na Science Advances no mês de Outubro, foi calculado o impacto das chuvas em regiões montanhosas, tendo como ponto de partida a análise de picos e vales que se foram alterando ao longo de milhões de anos.

O estudo centrou-se na análise da grande cordilheira dos Himalaias que se situa entre o Butão e o Nepal, sendo que desta forma os cientistas conseguiram perceber como é que as mudanças climáticas podem ter influência nas paisagens e, consequentemente, na vida humana. A equipa concluiu que a chuva pode realmente mover montanhas.

Byron Adams, autor principal do estudo, explica que “pode parecer intuitivo que mais chuva possa moldar montanhas ao fazer com que os rios desgastem as rochas mais rapidamente”. Contudo, os cientistas também acreditam que a chuva pode erodir uma paisagem com rapidez suficiente para “sugar” as rochas para fora do solo”.

De acordo com o Tech Explorist, em resposta à questão: “Nesta relação ganha o desgaste das rochas ou o desgaste do solo pela erosão?”, o investigador do Instituto Cabot para o Ambiente da Universidade de Bristol, sublinha que “ambas as hipóteses são debatidas há décadas, porque as medições para as provar são extremamente complicadas”.

Através da compilação de dados de mais de 140 bacias hidrográficas dos dois países, com uma variedade de valores de declive e taxas de pluviosidade, e da medição de taxas de erosão a partir de “relógios cósmicos”, os especialistas foram capazes de avaliar a velocidade a que os rios provocam a erosão das rochas.

Adams esclarece que “quando uma partícula cósmica chega à Terra, é provável que atinja grãos de areia e, quando isto acontece, alguns átomos dentro de cada grão de areia podem transformar-se num elemento raro [berílio-10]”.

O autor do estudo sublinha que “ao contarmos os átomos deste elemento presentes num saco de areia, podemos calcular há quanto tempo a areia está lá e, por conseguinte, quão rapidamente a paisagem tem vindo a sofrer erosão”.

As taxas de erosão estão ligadas à precipitação por uma relação linear, o que significa que uma duplicação da taxa de precipitação levará a uma duplicação da taxa de erosão. “Esta relação sugere então que é possível que o clima influencie a tectónica na Terra”, refere o cientista.

Em relação a riscos de desabamentos de terra ou cheias, Byron Adams garante que os dados dos estudo “fornecem uma ferramenta eficaz para estimar padrões de erosão em paisagens montanhosas como os Himalaias e, assim, podem fornecer uma visão inestimável sobre os perigos que influenciam os milhões de pessoas que vivem nestas montanhas arredores”.

Afinal, não é o amor que move montanhas, são mesmo as chuvas.

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23 Outubro, 2020

 

3940: Chovem diamantes no interior de Neptuno e Úrano (e já se sabe porquê)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOFÍSICA

Paul Stansifer, 84user, NASA, Celestia, JPL/Caltech / Wikimedia

Podem estar a chover diamantes dentro dos corações de Neptuno e Úrano. Agora, os cientistas descobriram novas evidências experimentais que mostram como é que isso poderia ser possível.

Neptuno e Úrano são os planetas mais mal compreendidos no Sistema Solar. Estão tão distantes que apenas uma sonda espacial, a Voyager 2, se aproximou deles e apenas para um sobrevoo – e não para uma missão de longo prazo.

Porém, gigantes de gelo são extremamente comuns na Via Láctea. Há 10 vezes mais exoplanetas do tipo Neptuno do que do tipo Júpiter. Entender os gigantes de gelo do Sistema Solar é vital para entender os planetas em toda a galáxia. Para entendê-los melhor, é preciso saber o que acontece sob os seus serenos exteriores azuis.

De acordo com o ScienceAlert, a hipótese defende que o calor e a pressão intensos, milhares de quilómetros abaixo da superfície de Neptuno e Úrano devem dividir os compostos de hidrocarbonetos, com o carbono a comprimir-se em diamante e a afundar ainda mais em direcção aos seus núcleos planetários.

A nova experiência usou o laser de raios-X do SLAC National Accelerator Laboratory’s Linac Coherent Light Source (LCLS) para medir mais precisamente a forma como este processo de “chuva de diamantes” deve ocorrer e concluiu que o carbono transita directamente em diamante cristalino.

“Esta investigação fornece dados sobre um fenómeno que é muito difícil de modelar computacionalmente: a miscibilidade de dois elementos, ou a forma como se combinam quando misturados”, explicou Mike Dunne, físico de plasma e director do LCLS, em comunicado.

Sabe-se que as atmosferas de Neptuno e Úrano são compostas por hidrogénio e hélio com uma pequena quantidade de metano. Por baixo dessas camadas atmosféricas, um fluido super quente e super denso de materiais “gelados”, como água, metano e amoníaco, envolve o núcleo do planeta.

Estudos anteriores mostraram que, com a pressão e temperatura suficientes, o metano pode ser dividido em diamantes, sugerindo que os diamantes se podem formar dentro desse material quente e denso.

Uma experiência anterior no SLAC, liderado pelo físico Dominik Kraus, usou difracção de raios-X para demonstrá-lo. Agora, Kraus e a sua equipa deram mais um passo em frente. “Agora temos uma nova abordagem muito promissora, baseada na dispersão de raios-X”, disse Kraus. “As nossas experiências estão a fornecer parâmetros importantes do modelo, onde, antes, tínhamos uma incerteza massiva. Isto se tornará cada vez mais relevante quanto mais exoplanetas descobrirmos”.

Neste estudo, a equipa usou poliestireno hidrocarboneto (C8H8) em vez de metano (CH4). O primeiro passo passa por aquecer e pressurizar o material para replicar as condições dentro de Neptuno a uma profundidade de cerca de 10 mil quilómetros. Pulsos de laser óptico geram ondas de choque no poliestireno, que aquece o material até cerca de 4.727ºC e cria pressão intensa.

Depois, a equipa mediu a forma como os raios-X espalharam os electrões no poliestireno. Isto permitiu não só observar a conversão de carbono em diamante, mas também o que acontece com o resto da amostra: divide-se em hidrogénio. Praticamente, não há carbono restante.

“No caso dos gigantes de gelo, agora sabemos que o carbono forma quase exclusivamente diamantes quando se separa e não assume uma forma de transição fluida”, disse Kraus.

O interior de Neptuno é muito mais quente do que deveria ser: liberta 2,6 vezes mais energia do que absorve do Sol. Se os diamantes chovem no interior do planeta, podem estar a libertar energia gravitacional, que é convertida em calor gerado pelo atrito entre os diamantes e o material ao seu redor.

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“Esta técnica permitir-nos-á medir processos interessantes que são difíceis de recriar”, disse Kraus. “Por exemplo, poderemos ver como o hidrogénio e o hélio, elementos encontrados no interior de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno, se misturam e se separam sob estas condições extremas. É uma nova forma de estudar a história evolutiva dos planetas e sistemas planetários, bem como apoiar experiências para possíveis formas futuras de energia da fusão”.

Este estudo foi publicado no final de maio na revista científica Nature Communications.

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2 Julho, 2020

 

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3264: Chuvas de Dezembro ajudam, mas não resolvem a seca no país

METEOROLOGIA

contadagua.org / midianinja / Flickr

Apesar das fortes chuvadas sentidas em Dezembro, a seca vai manter-se nas zonas mais críticas do país, nomeadamente no Baixo Alentejo e no Algarve.

Os últimos dias foram marcados por chuvas fortes e por milhares de ocorrências, resultado da passagem das depressões Elsa e Fabien. No entanto, apesar destas chuvadas de Dezembro, o Diário de Notícias avança que a seca vai manter-se nas zonas mais críticas.

Em Novembro, quase 70% do país estava em situação de seca, sendo o problema mais grave o sul, com o Baixo Alentejo e o Algarve no topo das regiões que apresentam mais falta de água.

Segundo o jornal, as previsões avançadas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) sobre a seca no início do mês dão conta de uma “diminuição significativa da sua intensidade no Baixo Alentejo e Algarve” e o seu fim em grande parte da região a sul do Tejo.

Isto significa, de acordo com o DN, que a seca se mantém nas zonas em que é classificada de severa ou de extrema e, embora seja alterada para moderada ou fraca, ainda assim continua a existir.

“Esta água que caiu não nos tirou da seca extrema. Precisava de chover quatro ou cinco vezes mais”, diz ao diário António Pina, presidente da Câmara Municipal de Olhão e da Comunidade Inter-municipal dos Municípios do Algarve (AMAL).

Na passada sexta-feira, os representantes das autarquias algarvias, o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o responsável pelas Águas do Algarve reuniram, na sede da AMAL, tendo decidido que vai ser constituído um grupo de trabalho de forma a serem estudadas medidas para mitigar as consequências desta questão.

A sensibilização da população, a reutilização das águas residuais, as restrições no licenciamento de novas captações de água subterrânea, a necessidade de construir uma nova barragem — ou alargar as já existentes — e a criação de uma central de dessalinização da água do mar foram algumas das soluções apontadas.

Em Novembro, também foi anunciado que o Governo vai constituir um outro grupo de trabalho com vista à definição de medidas e procura de soluções.

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24 Dezembro, 2019

 

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2632: Não choveu em Marte. Mas há dunas de areia que parecem pingos de chuva

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech / Univ. of Arizona

Não chove em Marte há muito tempo, mas o Planeta Vermelho tem dunas de areia muito semelhantes a pingos de chuva, repletas de produtos químicos feitos na água.

O planeta Marte é conhecido por ser um local árido e seco, onde predominam dunas de areia vermelha empoeirada e a água existe quase inteiramente na forma de gelo. Mas não é uma má notícia: estas condições são a razão pela qual muitas características da superfície do Planeta Vermelho são tão bem preservadas e isso permite aos cientistas fazerem algumas descobertas impressionantes.

A fotografia recentemente tirada pelo instrumento HiRISE (Curious Science Imaging Science Experiment), enquanto orbitava acima da Cratera Copernicus, revelou pingos de chuva em Marte. No entanto, estas gotas eram, na verdade, dunas de areia ricas em olivina.

Este tipo de dunas também existem na Terra, mas são muito raras, uma vez que este mineral desbota rapidamente. Além disso, em ambientes húmidos, a olivina transforma-se em argila.

Segundo o Science Alert, a olivina é usada por geólogos para descrever um grupo de minerais formadores de rochas que, normalmente, são encontrados em rochas ígneas. O mineral recebeu este nome graças à sua cor verde, que se deve à sua composição química à base de silicato (SiO4) ligado a magnésio ou ferro (Mg2SiO4; Fe2SiO4).

Na Terra, a olivina é encontrada em rochas ígneas de cor escura e é um dos primeiros minerais a cristalizar durante o lento arrefecimento do magma.

No entanto, é muito raro encontrar tantas dunas de areia ricas em depósitos de olivina na Terra, como foi encontrado recentemente pelo MRO. Isso deve-se ao facto de a olivina ser um dos minerais comuns mais fracos na superfície da Terra e rapidamente se transformar numa combinação de minerais argilosos, óxidos de ferro e ferrihidritos na presença de água.

Pelo contrário, em meteoritos, na Lua, em Marte e até no asteróide Itokawa já foram encontrados depósitos de olivina. Como os asteróides e os meteoritos são essencialmente material restante da formação do Sistema Solar, isso sugere que os minerais olivina já existiam naquela época.

Analisando os depósitos de olivina e os seus subprodutos, os cientistas podem determinar quando é que Marte passou de um planeta rico em água líquida para o local muito seco que é hoje. Mas até chegar a essa conclusão, a descoberta destas dunas marcianas é a prova do quão bem preservadas foram as características do Planeta Vermelho ao longo do tempo.

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14 Setembro, 2019

 

2217: Seca extrema e severa já atinge 60 concelhos, tanto do interior como do litoral. Veja se algum é o seu

© Tiago Miranda Expresso

A falta de chuva colocou já 10 concelhos, no sul do país, em seca extrema e outros 50, no Alto Alentejo e na região de Lisboa e Setúbal, em seca severa

Para acudir aos casos mais necessitados o Ministério da Agricultura vai disponibilizar três milhões de euros, a partir desta segunda-feira, 24 de Junho.

Segundo uma nota informativa do ministério, “este montante destina-se a explorações situadas nos concelhos onde se verificam as condições meteorológicas exigidas pela regulamentação comunitária para que a medida possa ser accionada”.

No mesmo comunicado, o ministério de Capoulas Santos refere que o principal objectivo desta medida é “promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efectivo pecuário, em particular o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”. Para tal serão elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1 000 e 40 000 euros.

Segundo o ministério, este apoio aplica-se aos dez municípios considerados em seca extrema – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António – e é extensível aos municípios em seca severa. Esta situação afecta outros 50 concelhos: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa, Lagos, Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

msn notícias
22/06/2019

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1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

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1505: Choveu metano a norte de Titã, a maior lua de Saturno

NASA / JPL-Caltech
As imagens foram capturadas na última missão da sonda Cassini

Uma equipa de cientistas descobriu evidências de chuva de metano no pólo norte de Titã, a maior lua de Saturno. Identificado graças às imagens da última missão espacial da sonda Cassini, o fenómeno meteorológico aponta para o início do verão no hemisfério norte do satélite natural.   

Quando Cassini chegou à orbita de Saturno, em meados de 2004, era verão no hemisfério sul de Titã. Anos depois, em 2011, as mudanças atmosféricas foram interpretadas pelos cientistas como o início do inverno no sul do satélite. Contudo, as chuvas esperadas no norte não chegaram a ser detectadas.

“Toda a comunidade [que estuda] Titã estava à espera para ver as nuvens e as chuvas no pólo norte do satélite, o que indicaria o início do verão setentrional. Contudo, e apesar das previsões dos modelos climáticos, nem sequer vimos nuvens”, disse o físico Rajani Dhingra, da Universidade norte-americana de Idaho em Moscovo. O cientista precisou que o fenómeno acabou por ser baptizado como o “curioso caso das nuvens perdidas”.

Depois de todo o tempo de espera, foram finalmente encontradas evidências de chuva a norte de Titã. A equipa de investigação encontrou uma região estranha e brilhante que ocupa cerca de 120 quilómetros da superfície da lua. A área, que não tinha sido até então detectada em imagens anteriores, foi obtida através do espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho (VIMS) da sonda Cassini a 7 de Julho de 2016.

“Com base no brilho geral, nas características espectrais e no contexto geológico, atribuímos a nova característica encontrada às espectaculares reflexões de uma superfície sólida molhada pela chuva – como uma calçada molhada reflectida pelo Sol”, exemplificaram os autores no artigo científico, esta semana publicado na revista especializada Geophysical Research Letters.

Segundo escrevem na publicação, o brilho visível é resultado da chuva de metano numa superfície semelhante a uma pedra, seguida, provavelmente, de um período de evaporação. Esta é a primeira evidência de chuva de verão no hemisfério norte de Titã.

Não obstante ao facto deste satélite natural ser bastante diferente da Terra, o seu clima é bastante semelhante ao nosso planetas em vários aspectos: uma estação em Titã dura, em média, 7,5 anos terrestre, embora a sua duração varie, uma vez que a órbita de Saturno é irregular.

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Por ZAP
21 Janeiro, 2019

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