2632: Não choveu em Marte. Mas há dunas de areia que parecem pingos de chuva

CIÊNCIA

NASA / JPL-Caltech / Univ. of Arizona

Não chove em Marte há muito tempo, mas o Planeta Vermelho tem dunas de areia muito semelhantes a pingos de chuva, repletas de produtos químicos feitos na água.

O planeta Marte é conhecido por ser um local árido e seco, onde predominam dunas de areia vermelha empoeirada e a água existe quase inteiramente na forma de gelo. Mas não é uma má notícia: estas condições são a razão pela qual muitas características da superfície do Planeta Vermelho são tão bem preservadas e isso permite aos cientistas fazerem algumas descobertas impressionantes.

A fotografia recentemente tirada pelo instrumento HiRISE (Curious Science Imaging Science Experiment), enquanto orbitava acima da Cratera Copernicus, revelou pingos de chuva em Marte. No entanto, estas gotas eram, na verdade, dunas de areia ricas em olivina.

Este tipo de dunas também existem na Terra, mas são muito raras, uma vez que este mineral desbota rapidamente. Além disso, em ambientes húmidos, a olivina transforma-se em argila.

Segundo o Science Alert, a olivina é usada por geólogos para descrever um grupo de minerais formadores de rochas que, normalmente, são encontrados em rochas ígneas. O mineral recebeu este nome graças à sua cor verde, que se deve à sua composição química à base de silicato (SiO4) ligado a magnésio ou ferro (Mg2SiO4; Fe2SiO4).

Na Terra, a olivina é encontrada em rochas ígneas de cor escura e é um dos primeiros minerais a cristalizar durante o lento arrefecimento do magma.

No entanto, é muito raro encontrar tantas dunas de areia ricas em depósitos de olivina na Terra, como foi encontrado recentemente pelo MRO. Isso deve-se ao facto de a olivina ser um dos minerais comuns mais fracos na superfície da Terra e rapidamente se transformar numa combinação de minerais argilosos, óxidos de ferro e ferrihidritos na presença de água.

Pelo contrário, em meteoritos, na Lua, em Marte e até no asteróide Itokawa já foram encontrados depósitos de olivina. Como os asteróides e os meteoritos são essencialmente material restante da formação do Sistema Solar, isso sugere que os minerais olivina já existiam naquela época.

Analisando os depósitos de olivina e os seus subprodutos, os cientistas podem determinar quando é que Marte passou de um planeta rico em água líquida para o local muito seco que é hoje. Mas até chegar a essa conclusão, a descoberta destas dunas marcianas é a prova do quão bem preservadas foram as características do Planeta Vermelho ao longo do tempo.

ZAP //

Por ZAP
14 Setembro, 2019

 

2217: Seca extrema e severa já atinge 60 concelhos, tanto do interior como do litoral. Veja se algum é o seu

© Tiago Miranda Expresso

A falta de chuva colocou já 10 concelhos, no sul do país, em seca extrema e outros 50, no Alto Alentejo e na região de Lisboa e Setúbal, em seca severa

Para acudir aos casos mais necessitados o Ministério da Agricultura vai disponibilizar três milhões de euros, a partir desta segunda-feira, 24 de Junho.

Segundo uma nota informativa do ministério, “este montante destina-se a explorações situadas nos concelhos onde se verificam as condições meteorológicas exigidas pela regulamentação comunitária para que a medida possa ser accionada”.

No mesmo comunicado, o ministério de Capoulas Santos refere que o principal objectivo desta medida é “promover a mitigação dos efeitos da seca extrema e severa como fenómeno climático adverso, através do apoio a investimentos específicos nas explorações em que a escassez de água compromete o maneio do efectivo pecuário, em particular o abeberamento dos animais e a manutenção das culturas permanentes instaladas”. Para tal serão elegíveis investimentos cujos montantes oscilem entre 1 000 e 40 000 euros.

Segundo o ministério, este apoio aplica-se aos dez municípios considerados em seca extrema – Albufeira, Alcoutim, Castro Marim, Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel, Tavira, Vila do Bispo e Vila Real de Santo António – e é extensível aos municípios em seca severa. Esta situação afecta outros 50 concelhos: Alandroal, Alcácer do Sal, Alcochete, Aljezur, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arronches, Barrancos, Barreiro, Beja, Benavente, Borba, Campo Maior, Castro Verde, Coruche, Cuba, Elvas, Estremoz, Évora, Ferreira do Alentejo, Grândola, Lagoa, Lagos, Mértola, Moita, Monchique, Monforte, Montemor-o-Novo, Montijo, Moura, Mourão, Odemira, Ourique, Palmela, Portel, Portimão, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Santiago do Cacém, Seixal, Serpa, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sines, Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira e Vila Viçosa.

msn notícias
22/06/2019

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1677: Gronelândia: Em vez de nevar, está a chover e isso é um problema

Patrick Robert/ Getty Images

Os dias de chuva são cada vez mais comuns em partes da Gronelândia normalmente cobertas por gelo, provocando situações de fusão rápida, fragilizando a superfície e potenciando um degelo futuro generalizado, indica um estudo divulgado hoje

O estudo, divulgado na revista científica europeia The Cryosphere, mostrou que algumas partes da camada de gelo estão a receber chuva no inverno em vez de neve, um fenómeno que se vai espalhar à medida que o clima continuar a aquecer.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até três graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

A investigação analisou dados recolhidos entre 1979 e 2012, combinando imagens de satélite e observações meteorológicas, para perceber o que estava a provocar a fusão em locais específicos.

Segundo a principal autora do estudo, Marilena Oltamnns, do Centro Geomar para Pesquisas Oceânicas, da Alemanha, durante o período em análise o degelo associado à chuva duplicou no verão e triplicou no inverno.

A fusão dos mantos de gelo pode ser causada por uma complexidade de factores, mas a introdução de água líquida é uma das mais poderosas, disse Marco Tedesco, da Universidade de Colúmbia, Estados Unidos, e outro dos autores do estudo. As temperaturas mais altas, disse, tornam mais provável que as condições atmosféricas passem o limiar em que precipitação toma a forma de chuva, que carrega grande quantidade de calor, e não de neve.

Segundo os investigadores, essas condições produzem uma fusão que se alimenta a si própria e que continua mesmo depois da chuva.

E a água que não se esvai e que congela transforma-se num tipo de gelo mais escuro e denso, que absorve mais radiação quando há sol e que derrete mais facilmente, dizem os autores do estudo.

A Gronelândia não é o único lugar do norte do planeta afectado pelo aumento da chuva no inverno, em vez de neve. Chuvas anormais no norte do Canadá deixaram um manto de água que congelou, aprisionando as plantas que caribus e bois almiscarados comiam buscando através da neve solta. Manadas inteiras foram dizimadas por isso.

Visão
com Lusa
07.03.2019 às 17h44

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1505: Choveu metano a norte de Titã, a maior lua de Saturno

NASA / JPL-Caltech
As imagens foram capturadas na última missão da sonda Cassini

Uma equipa de cientistas descobriu evidências de chuva de metano no pólo norte de Titã, a maior lua de Saturno. Identificado graças às imagens da última missão espacial da sonda Cassini, o fenómeno meteorológico aponta para o início do verão no hemisfério norte do satélite natural.   

Quando Cassini chegou à orbita de Saturno, em meados de 2004, era verão no hemisfério sul de Titã. Anos depois, em 2011, as mudanças atmosféricas foram interpretadas pelos cientistas como o início do inverno no sul do satélite. Contudo, as chuvas esperadas no norte não chegaram a ser detectadas.

“Toda a comunidade [que estuda] Titã estava à espera para ver as nuvens e as chuvas no pólo norte do satélite, o que indicaria o início do verão setentrional. Contudo, e apesar das previsões dos modelos climáticos, nem sequer vimos nuvens”, disse o físico Rajani Dhingra, da Universidade norte-americana de Idaho em Moscovo. O cientista precisou que o fenómeno acabou por ser baptizado como o “curioso caso das nuvens perdidas”.

Depois de todo o tempo de espera, foram finalmente encontradas evidências de chuva a norte de Titã. A equipa de investigação encontrou uma região estranha e brilhante que ocupa cerca de 120 quilómetros da superfície da lua. A área, que não tinha sido até então detectada em imagens anteriores, foi obtida através do espectrómetro de mapeamento visual e infravermelho (VIMS) da sonda Cassini a 7 de Julho de 2016.

“Com base no brilho geral, nas características espectrais e no contexto geológico, atribuímos a nova característica encontrada às espectaculares reflexões de uma superfície sólida molhada pela chuva – como uma calçada molhada reflectida pelo Sol”, exemplificaram os autores no artigo científico, esta semana publicado na revista especializada Geophysical Research Letters.

Segundo escrevem na publicação, o brilho visível é resultado da chuva de metano numa superfície semelhante a uma pedra, seguida, provavelmente, de um período de evaporação. Esta é a primeira evidência de chuva de verão no hemisfério norte de Titã.

Não obstante ao facto deste satélite natural ser bastante diferente da Terra, o seu clima é bastante semelhante ao nosso planetas em vários aspectos: uma estação em Titã dura, em média, 7,5 anos terrestre, embora a sua duração varie, uma vez que a órbita de Saturno é irregular.

ZAP //

Por ZAP
21 Janeiro, 2019

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