3059: Pela primeira vez, uma astronauta corrige página da Wikipédia a partir do Espaço

CIÊNCIA

NASA’s Marshall Space Flight Center / Flickr

Pela primeira vez na história da Humanidade, a astronauta norte-americana Christina H. Koch fez a edição de uma página da Wikipédia na Internet a partir da Estação Espacial Internacional (EEI), enquanto orbitava o planeta Terra.

A novidade foi revelada por outra astronauta, Daren Welsh, através de uma mensagem publicada na rede social Twitter.

Christina H. Koch fez uma edição numa página da enciclopédia online Wikipédia em que estão listados os passeios espaciais realizados desde 2015. De acordo com a Renascença, a astronauta corrigiu alguns pormenores na descrição de tarefas realizadas durante uma saída da EEI, indica a página da Wikipédia.

Wikipedia @Wikipedia

No gravity is required to edit Wikipedia. Eat your heart out, Issac Newton. https://twitter.com/darenwelsh/status/1196143829591711744 

Daren Welsh @darenwelsh

Today, @Astro_Christina made the first confirmed edit to @Wikipedia FROM SPACE while aboard the @Space_Station! https://en.wikipedia.org/w/index.php?title=List_of_spacewalks_since_2015&diff=prev&oldid=926631603 @NASA @NASA_Astronauts @Wikimedia @mediawiki

A famosa enciclopédia online também assinalou a ocasião com uma mensagem no Twitter. “Não é preciso gravidade para editar a Wikipédia. “Rói-te de inveja, Isaac Newton”.

Licenciada em engenharia electrotécnica e física, a norte-americana partiu para a Estação Espacial Internacional a 4 de Março deste ano. Meses depois, a 18 de Outubro Koch e a colega Jessica Meir realizaram o primeiro passeio espacial realizado apenas por mulheres.

Em seis décadas e meia de exploração espacial com tripulantes, 15 mulheres participaram em 221 destes passeios orbitais, mas desde que, em 1984, a soviética Svetlana Savistskaya foi a primeira mulher a sair de uma nave – acompanhada pelo cosmonauta Vladimir Dzhanibekov – todas as tarefas femininas no exterior contaram com participação masculina.

A primeira saída para o espaço de duas mulheres estava programada para março e nela deveria participar a astronauta Anne McClain, mas a agência espacial norte-americana NASA alegou então que não tinha fatos espaciais adequados para duas mulheres.

A caminhada espacial é uma das tarefas mais perigosas das quais um astronauta participará durante o seu tempo a bordo da ISS. Cada um deles dura cerca de 6,5 horas, enquanto o astronauta permanece preso à nave espacial para não flutuar. Os astronautas usam pequenas unidades do tamanho de mochilas completas com propulsores a jacto operados por um joystick para ajudá-los a movimentar-se com segurança.

Das cerca de 500 pessoas que já estiveram no espaço, menos de 11% eram mulheres. Todas as caminhadas espaciais até o momento envolveram equipas consistindo exclusivamente de homens ou equipas envolvendo homens e mulheres.

ZAP //

Por ZAP
19 Novembro, 2019

 

2868: Português coordena parte da primeira caminhada espacial 100% feminina

CIÊNCIA

Christina Koch e Jessica Meir, astronautas norte-americanas da NASA que fizeram a primeira spacewalk totalmente feminina Crédito: NASA

Chama-se João Lousada e além de astronauta análogo (em terra), tornou-se recentemente no primeiro director de voo português da Estação Espacial. Esta sexta-feira coordenou parte da histórica missão que envolveu a primeira caminhada espacial totalmente feminina.

“Foi verdadeiramente especial estar na consola, para um marco tão importante na história do voo espacial: a primeira caminhada espacial totalmente feminina com Christina Koch e Jessica Meir, que incluiu uma nova peça na Columbus [a área científica da Estação Espacial] para permitir mais experiências no futuro”. O anúncio, em inglês, foi feito no Twitter pelo português João Lousada.

Aos 30 anos, o astronauta análogo (tem feito missões em terra de fato espacial para simular possíveis missões a Marte) passou de controlador da Estação Espacial Internacional, para diretor de voo no passado mês e contamos a história desse marco importante e inédito para um português aqui. O trabalho de grande responsabilidade, feito a partir do centro de controlo perto de Munique, na Alemanha, garante a segurança e o sucesso das operações na Columbus, a divisão científica da Estação Espacial Internacional (EEI).

Joao Lousada @Astro_Joao

It was truly special to be on console today for an important mark in space flight history: the first all-female space walk with @Astro_Christina and @Astro_Jessica including a new item in Columbus to allow for more experiments in the future#EVA #spacewalk #columbus #spacehistory

A EEI está já a uma altitude média de 340 km da superfície terrestre, numa órbita baixa que possibilita ser vista da Terra a olho nu e viaja a uma velocidade média de 27 700 km/h, completando 15,70 órbitas por dia – a cada 91 minutos dá uma volta completa à Terra.

João Lousada como astronauta análogo no deserto de Omã em 2018

O que fez, então, João Lousada?

Foi o director de voo da Columbus nesse turno. “Ou seja, liderei as equipas europeias durante o passeio espacial. Não é muito frequente que os passeios espaciais tenham tarefas relacionadas com o módulo Europeu então foi um spacewalk especial para todas as equipas europeias onde instalámos uma peça no exterior do módulo, que no futuro irá permitir instalar mais experiências no exterior da estação espacial [na divisão europeia Columbus].”

Que peça é? Chama-se Trunnion Slip off Prevention (ou TSOP) e é a sua inclusão vai permitir que este tipo de missões fora da Estação Espacial se tornem mais fáceis e frequentes, nomeadamente na parte europeia da estação.

Apesar de não ter falado directamente com as astronautas norte-americanas que fizeram história, liderou o trabalho que elas fizeram para a divisão Columbus. “Normalmente não é o Flight Director que fala diretamente com os astronautas, existe uma posição dedicada para isso chamada CAPCOM (ou EUROCOM na equipa Europeia), portanto, sim tínhamos contacto todo o tempo mas não fui eu a falar directamente”.

João Lousada no centro que coordena o módulo Columbus da Estação Espacial Internacional (foto cedida pelo próprio)

O sentimento de coordenar a missão é especial, mas questionado sobre se a sua equipa sente durante o trabalho esse o momento histórico, Lousada respondeu. “sim e não”. Isto porque: “por um lado temos consciência da importância deste marco histórico e vê-se na equipa que é um sentimento único estar a contribuir tão directamente para a história do espaço. Por outro lado, o trabalho não é diferente por ser o primeiro passeio espacial com senhoras. Temos o privilégio de ter profissionais altamente qualificados, tanto no espaço como nas equipas de terra, independente do género de cada. E o nosso trabalho, a nossa preparação e o profissionalismo de todas as equipas não foi diferente durante este passeio espacial.”

O significado da missão espacial

A primeira caminhada espacial com uma equipa feminina começou esta sexta-feira. Christina Koch e Jessica Meir, astronautas norte-americanas foram as eleitas pela NASA para o momento que foi transmitido em directo.

A missão principal foi reparar um controlador de energia do lado de fora da Estação Espacial Internacional, tendo sempre a Terra à vista (de um lado) e o universo, do outro.

Esta missão, de uma forma geral, vai permitir que estes trabalhos de astronautas vestidos com fatos espaciais e feitos em pleno espaço se tornem algo mais frequente. O ex-astronauta Ken Bowersox, agora vice-chefe do programa espacial humano da NASA, explicou em conferência de imprensa sobre a missão que além de se celebrar a ocasião de terem sido duas mulheres a cumprir esta caminhada espacial, há outros ganhos para os humanos não só na EEI nas na exploração espacial.

“Estamos agora a reunir a experiência que precisamos para tornar estes procedimentos rotina nos voos espaciais, para que possamos avançar mais no nosso sistema solar, para ir inclusive com humanos para a Lua e para Marte. Isso é o que me entusiasma mais, ver esse progresso a acontecer”, admitiu.

A Estação Espacial Internacional, onde está também a parte europeia com o laboratório Columbus

O que parte do trabalho feito resolveu

A electricidade da Estação Espacial Internacional é fornecida por quatro enormes asas ‘solares’ com os chamados controladores de carga de bateria, que desviam a eletricidade para baterias poderosas que recarregam quando o laboratório está sob a luz do sol e, de seguida, fornecem a energia armazenada quando a estação se movimento no período de sombra da Terra.

A substituição de modelos defeituosos deverá restaurar de 4 a 5 quilowatts de energia ao sistema eléctrico do laboratório, que foi perdido quando o carregador original falhou após 19 anos de operação normal, desligando uma bateria de íons de lítio recém-instalada.

Com a troca concluída, Koch e Meir levaram a unidade defeituosa de volta à câmara de ar para, eventualmente, regressar à Terra a bordo da futura nave de carga Dragon, da SpaceX (de Elon Musk), para que se possa tentar reparar.

O trabalho seguinte envolveu o ajuste de isolamento multicamadas em torno dos componentes sobressalentes para facilitar o acesso a eles e foi ainda direccionado um cabo ethernet. Foi nessa altura que instalaram a tal peça de que já falámos no módulo de laboratório Columbus da Agência Espacial Europeia, que será necessária também quando uma plataforma experimental for anexada mais tarde.

João Lousada é um astronauta análogo (de testes em Terra).

dn_insider
Sábado, 19 Outubro 2019
João Tomé