2952: Português entre os premiados com 2,7 milhões por imagem de buraco negro

CIÊNCIA

A equipa de cientistas, que inclui o astrofísico português Hugo Messias, que obteve a primeira imagem de um buraco negro recebe este domingo um prémio de três milhões de dólares (2,7 milhões de euros) pelo trabalho inédito.

A NASA também tem estudado os buracos negros
© NASA NASA/Reuters

O Prémio Breakthrough, atribuído nos Estados Unidos, reconhece avanços científicos de excelência, tendo como patrocinadores Mark Zuckerberg, um dos fundadores do Facebook, e Sergey Brin, ex-presidente da Google.

A “fotografia” do buraco negro – localizado no centro da galáxia M87, a 55 milhões de anos-luz da Terra, e com uma massa 6,5 mil milhões de vezes superior à do Sol – foi apresentada em Abril e foi conseguida graças aos dados recolhidos das observações feitas, no comprimento de onda rádio, com uma rede de oito radiotelescópios espalhados pelo mundo, que funcionaram como um só e com uma resolução sem precedentes.

O “telescópio gigante” foi designado Event Horizon Telescope, tendo Hugo Messias participado nas observações com um dos radiotelescópios, o ALMA, no Chile.

A equipa internacional de 347 cientistas que obteve a primeira imagem de um buraco negro super-maciço, neste caso a sua silhueta formada por gás quente e luminoso a rodopiar em seu redor, foi premiada na categoria de Física Fundamental.

A imagem dos contornos do buraco negro – o buraco em si, um corpo denso e escuro de onde nem a luz escapa, não se vê – permitiu comprovar mais uma vez a Teoria da Relatividade Geral, de 1915, do físico Albert Einstein, que postula que a presença de buracos negros, os objectos cósmicos mais extremos do Universo, deforma o espaço-tempo e sobreaquece o material em seu redor.

De acordo com a equipa científica envolvida na observação, a sombra do buraco negro registada é o mais próximo da imagem do buraco negro em si, uma vez que este é totalmente escuro.

Diário de Notícias
Lusa
03 Novembro 2019 — 09:15

 

2786: Caíram bolas de fogo no Chile (e não eram meteoritos)

CIÊNCIA

forplayday / Canva

Bolas de fogo misteriosas passaram pelo céu e caíram no Chile na semana passada. O que são e de onde vieram continua a ser um mistério, mas uma primeira análise já descartou a hipótese favorita: meteoritos.

Em 25 de Setembro, testemunhas relataram ter visto bolas de fogo a iluminar o céu sobre a ilha de Chiloé, no arquipélago ao sul do Chile. Pouco tempo depois, foram relatados pequenos incêndios em sete locais da ilha, rapidamente apagados por voluntários.

25 de set

Se reporta caída de meteorito en mocopulli chiloe

A explicação óbvia, como o astrofísico e chileno do ano José Maza disse à emissora nacional TVN, era um meteorito ou detritos espaciais. Os moradores notaram que a bola de fogo estava a mover-se extremamente rápido, queimando num tom vermelho brilhante, o que sugeria um meteoro. Por outro lado, o lixo espacial é muito comum – cerca de 200 a 400 objectos caem todos os anos.

No entanto, autoridades do Serviço Nacional de Geologia e Mineração analisaram os locais carbonizados espalhados pela cidade de Dalcahue e não encontraram evidências de meteoritos. “Geólogos foram ao local examinar a área do suposto impacto. Trabalharam em sete pontos correspondentes a matas queimadas, onde não encontraram restos, vestígios ou evidências de queda de um meteorito”, afirmou o relatório.

Os geólogos disseram à TVN que recolheram amostras de solo para uma análise mais aprofundada e divulgarão as suas conclusões em poucas semanas.

Neste momento, o cenário mais provável é algum tipo de lixo espacial a cair na Terra. Em grande parte, de acordo com o IFLScience, desconhecemos a maior parte do lixo espacial, porque, geralmente, os detritos espaciais queimam na atmosfera, caiem no oceano – que cobre 70% do planeta – ou aterra num lugar remoto e despovoado.

É muito raro o lixo espacial atingir o chão perto das pessoas e nunca ninguém morreu ou ficou gravemente ferido por detritos espaciais. As únicas ocorrências conhecidas de pessoas atingidas por detritos espaciais foram cinco marinheiros japoneses num navio que foi atingido por pedaços de uma nave espacial russa em 1969. Em 1997, uma mulher nos EUA foi atingida por material de um foguete Delta 2.

Os eventos mais famosos de detritos espaciais envolvem as estações espaciais Mir e Skylab. A primeira estação espacial americana, a Skylab, teve um regresso memorável à Terra em 1979, quando parte dela aterrou no oeste da Austrália. Já Mir, a estação espacial da Rússia, caiu na Terra em 2001. O maior objecto que já entrou na atmosfera da Terra aterrou no Oceano Pacífico.

ZAP //

Por ZAP
6 Outubro, 2019

 

2676: Algo está a matar galáxias no Universo (e não se sabe o que é)

CIÊNCIA

Hubble / NASA / ESA

Nas regiões mais extremas do Universo, galáxias estão a ser assassinadas. As suas formações estelares estão a ser desligadas e os astrónomos não sabem porquê.

O primeiro grande projecto liderado pelo Canadá em um dos principais telescópios do mundo quer descobrir. O novo programa – VERTICO – está a investigar, em detalhes brilhantes, a forma como as galáxias são mortas pelo meio ambiente.

Toby Brown é o principal investigador da VERTICO e lidera a equipa de 30 especialistas que usam o Atacama Large Millimeter Array (ALMA) para mapear o gás molecular de hidrogénio, o combustível do qual novas estrelas são produzidas, em alta resolução em 51 galáxias no nosso aglomerado de galáxias mais próximo, chamado Virgo Cluster.

Comissionado em 2013 a um custo de 1,27 mil milhões de euros, o ALMA é uma variedade de antenas de rádio conectadas a uma altitude de cinco mil metros no deserto de Atacama, no norte do Chile. É uma parceria internacional entre Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Chile.

O maior projecto astronómico terrestre existente, o ALMA é o telescópio milimétrico de comprimento de onda mais avançado já construído e ideal para estudar as nuvens de denso gás frio das quais se formam novas estrelas, que não podem ser vistas usando luz visível. Grandes programas de pesquisa do ALMA, como o VERTICO, são projectados para abordar questões científicas estratégicas que levarão a um grande avanço ou avanço no campo.

Os sítio onde as galáxias vivem no universo e como interagem com o ambiente (o meio intergaláctico que as cerca) e entre si são importantes influências na capacidade de formar estrelas. Mas precisamente como esse chamado ambiente dita a vida e a morte das galáxias permanece um mistério.

Os aglomerados de galáxias são os ambientes mais massivos e extremos do universo, contendo muitas centenas ou até milhares de galáxias. De acordo com o The Conversation, onde há massa, há gravidade e as enormes forças gravitacionais presentes nos aglomerados aceleram as galáxias a grandes velocidades, geralmente milhares de quilómetros por segundo, e super-aquecem o plasma entre as galáxias a temperaturas tão altas que brilham com raios-X luz

No interior denso e inóspito desses aglomerados, as galáxias interagem fortemente com o ambiente e entre si. São essas interacções que as podem matar ou extinguir a sua formação estelar. Compreender que mecanismos de extinção impedem a formação de estrelas e como o fazem é o foco principal da pesquisa da colaboração da VERTICO.

À medida que as galáxias caem através de aglomerados, o plasma intergaláctico pode remover rapidamente os seus gases num processo violento chamado extracção de pressão de carneiro. Quando se remove o combustível para a formação de estrelas, efectivamente mata-se a galáxia, transformando-a num objecto morto no qual não é formada nenhuma nova estrela.

Além disso, a alta temperatura dos aglomerados pode parar o arrefecimento de gás quente e a condensação nas galáxias. Nesse caso, o gás na galáxia não é removido activamente pelo meio ambiente, mas é consumido à medida que forma estrelas. Este processo leva a um desligamento lento e inexorável da formação estelar, conhecida, de maneira mórbida, como fome ou estrangulamento.

Embora estes processos variem consideravelmente, cada um deles deixa uma impressão única e identificável no gás formador de estrelas da galáxia. Reunir estas impressões para formar uma imagem de como os aglomerados geram mudanças nas galáxias é um dos principais focos da colaboração da VERTICO. Com base em décadas de trabalho para fornecer informações sobre como o ambiente impulsiona a evolução das galáxias, pretendemos adicionar uma nova peça crítica do quebra-cabeça.

O Cluster de Virgem é o local ideal para um estudo detalhado do meio ambiente. É o aglomerado de galáxias massivo mais próximo e está em processo de formação, o que significa que podemos obter um instantâneo de galáxias em diferentes estágios dos seus ciclos de vida. Isto permite-nos construir uma imagem detalhada de como a formação de estrelas é interrompida nos aglomerados de galáxias.

As galáxias no aglomerado de Virgem foram observadas em quase todos os comprimentos de onda no espectro electromagnético (por exemplo, rádio, luz óptica e ultravioleta), mas as observações do gás formador de estrela (feito em comprimentos de onda milimétricos) com a sensibilidade e resolução necessárias ainda não existe.

A VERTICO vai fornecer mapas de alta resolução de gás hidrogénio molecular – o combustível bruto para a formação de estrelas – para 51 galáxias. Com os dados do ALMA para essa grande amostra de galáxias, será possível revelar exactamente que mecanismos de extinção, redução da pressão do aríete ou inanição estão a matar galáxias em ambientes extremos.

Ao mapear o gás formador de estrelas nas galáxias, que são os exemplos de armas fumegantes de extinção por meio do ambiente, a VERTICO avançará a nossa compreensão actual sobre como as galáxias evoluem nas regiões mais densas do Universo.

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Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

Exoplanetas tipo-Júpiter encontrados no “ponto ideal” da maioria dos sistemas planetários

O GPI procurou exoplanetas em centenas de estrelas próximas usando o Telescópio Gemini Sul localizado nos Andes Chilenos. O astrónomo Marshall Perrin está no plano da frente com as Nuvens de Magalhães – duas galáxias satélites da Via Láctea – descendo em direcção ao horizonte a oeste.
Crédito: Marshall Perrin, STScI

À medida que os planetas se formam no turbilhão de gás e poeira em torno de estrelas jovens, parece haver um ponto ideal onde a maioria dos grandes gigantes gasosos, como Júpiter, se reúnem, centrados na órbita onde Júpiter está hoje no nosso próprio Sistema Solar.

A localização deste ponto ideal está a 3-10 vezes a distância que a Terra fica do nosso Sol (3-10 UA, ou unidades astronómicas). Júpiter está a 5,2 UA do nosso Sol.

Esta é apenas uma das conclusões de uma análise sem precedentes de 300 estrelas estudadas pelo GPI (Gemini Planet Imager), um detector infravermelho sensível montado no Telescópio Gemini Sul de 8 metros no Chile.

O GPI Exoplanet Survey, ou GPIES, é um de dois grandes projectos que procuram exoplanetas directamente, bloqueando a luz estelar e fotografando os próprios planetas, em vez de procurar oscilações na estrela – o método de velocidade radial – ou planetas que passam em frente da estrela – a técnica de trânsito. A câmara GPI é sensível ao calor emitido por planetas recém-formados e anãs castanhas, que são mais massivas do que os planetas gigantes gasosos, mas ainda pequenas demais para despoletar a fusão e assim tornarem-se estrelas.

A análise das primeiras 300, entre mais de 500 estrelas investigadas pelo GPIES, publicada na edição de 12 de Junho da revista The Astronomical Journal, “é um marco,” disse Eugene Chiang, professor de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley e membro do grupo teórico da colaboração. “Agora temos excelentes estatísticas da frequência com que os planetas ocorrem, a sua distribuição de massa e quão longe estão das suas estrelas. É a análise mais abrangente que já vi neste campo.”

O estudo complementa investigações exoplanetárias anteriores através da contagem de planetas entre 10 e 100 UA, uma gama na qual é improvável que as observações de trânsitos pelo Telescópio Espacial Kepler e observações de velocidade radial detectem planetas. Foi liderado por Eric Nielsen, investigador do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia da Universidade de Stanford e envolveu mais de 100 investigadores de 40 instituições de todo o mundo.

Um novo planeta, uma nova anã castanha

Desde que o levantamento GPIES começou há cinco anos, que a equipa fotografou seis planetas e três anãs castanhas em órbita destas 300 estrelas. A equipa estima que cerca de 9% das estrelas massivas têm gigantes gasosos entre 5 e 13 massas de Júpiter para lá das 10 UA, e menos de 1% têm anãs castanhas entre 10 e 100 UA.

O novo conjunto de dados fornece informações importantes sobre como e onde os objectos massivos se formam nos sistemas planetários.

“À medida que nos afastamos da estrela central, os planetas gigantes tornam-se mais frequentes. Mais ou menos a 3-10 UA, a taxa de ocorrência aumenta,” disse Chiang. “Sabemos que este pico ocorre porque o Kepler e os levantamentos via velocidade radial observam um aumento nesta taxa, indo de Júpiteres quentes muito próximos da estrela a Júpiteres a algumas unidades astronómicas da estrela. O GPI preencheu a outra extremidade, indo de 10 a 100 UA, e descobrindo que a taxa de ocorrência cai; os planetas gigantes são encontrados mais frequentemente a 10 do que a 100. Se combinarmos tudo, há um ponto ideal para a ocorrência de planetas gigantes a 3-10 UA.”

“Com observatórios futuros, particularmente o TMT (Thirty-Meter Telescope) e missões espaciais ambiciosas, começaremos a fotografar os planetas que residem no local ideal para estrelas parecidas com o Sol,” disse o membro da equipa, Paul Kalas, professor adjunto de astronomia da Universidade da Califórnia em Berkeley.

O levantamento exoplanetário descobriu apenas um planeta anteriormente desconhecido – 51 Eridani b, com quase três vezes a massa de Júpiter – e uma anã castanha anteriormente desconhecida – HR 2562 B, com aproximadamente 26 vezes a massa de Júpiter. Nenhum dos planetas gigantes fotografados estão em redor de estrelas parecidas com o Sol. Ao invés, os planetas gigantes gasosos foram descobertos apenas em torno de estrelas mais massivas, pelo menos 50% maiores do que o nosso Sol, ou 1,5 massas solares.

“Tendo em conta o que nós e outros levantamentos vimos até agora, o nosso Sistema Solar não se parece com outros sistemas solares,” comentou Bruce Macintosh, investigador principal do GPI e professor de física em Stanford. “Não temos tantos planetas acondicionados tão próximos do Sol quanto outras estrelas e agora temos mais evidências de que somos raros devido à existência destes planetas tipo-Júpiter e ainda maiores.”

“O facto de os planetas gigantes serem mais comuns em estrelas mais massivas do que estrelas parecidas com o Sol é um enigma interessante,” disse Chiang.

Dado que muitas estrelas visíveis no céu nocturno são jovens e massivas, chamadas estrelas A, isto significa que “as estrelas que vemos no céu noturno à vista desarmada são mais propensas a ter planetas com massas tipo-Júpiter em seu redor do que as estrelas mais ténues para as quais precisamos de telescópios,” disse Kalas. “Isto é interessante.”

A análise também mostra que planetas gigantes gasosos e anãs castanhas, embora aparentemente num continuum de massa crescente, podem ser duas populações distintas formadas de diferentes maneiras. Os gigantes gasosos até cerca de 13 vezes a massa de Júpiter parecem ter sido formados por acreção de gás e poeira em objectos mais pequenos – de baixo para cima. As anãs castanhas, entre 13 e 80 vezes a massa de Júpiter, formaram-se como estrelas, por colapso gravitacional – de cima para baixo – dentro da mesma nuvem de gás e poeira que deu origem às estrelas.

“Penso que esta é a evidência mais clara de que estes dois grupos de objectos, planetas e anãs castanhas, formam-se de modo diferente,” explicou Chiang.

Fotografia directa é o futuro

O GPI pode fotografar planetas em torno de estrelas distantes graças à extrema óptica adaptativa, que detecta rapidamente a turbulência na atmosfera e reduz a desfocagem ajustando a forma de um espelho flexível. O instrumento detecta o calor de corpos ainda brilhando graças à sua própria energia interna, como exoplanetas grandes, entre 2 e 13 vezes a massa de Júpiter, e jovens, com menos de 100 milhões de anos, em comparação com a idade do nosso Sol de 4,6 mil milhões de anos. Apesar de bloquear a maior parte da luz da estrela central, o brilho ainda limita o GPI a observar apenas planetas e anãs castanhas longe das estrelas que orbitam, entre 10 e 100 UA.

A equipa planeia analisar os dados das estrelas restantes da investigação, na esperança de obter mais informações sobre os tipos e tamanhos mais comuns de planetas e anãs castanhas.

Chiang salientou que o sucesso do GPIES mostra que a observação directa tornar-se-á cada vez mais importante no estudo dos exoplanetas, especialmente para entender a sua formação.

“A observação directa é a melhor maneira de estudar planetas jovens,” acrescentou. “Quando os planetas jovens estão a ser formados, as suas estrelas jovens são demasiado activas, demasiado ‘nervosas’, para que os métodos de velocidade radial ou de trânsito funcionem facilmente. Mas com imagens directas, é ver para crer.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

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2149: Meteoritos-chave descobertos no Chile podem revelar a origem do Sistema Solar

CIÊNCIA

Universidade Católica do Chile

Um estudo geológico levado a cabo no deserto do Atacama por cientistas da Universidade Católica do Chile (UCN) encontrou vários condritos carbonáceos, meteoritos-chave para entender a origem do Sistema Solar, bem como as causas que levaram à vida no planeta Terra. 

De acordo com um comunicado da UCN, os objectos, encontrados entre as cidades de Antofagasta e Taltal, fazem parte dos primeiros minerais formados a partir da nebulosa que cercou o Sol há 4,56 mil milhões de anos.

“É o tipo mais primitivo de meteorito já encontrado, é uma das rochas que contém os primeiros materiais sólidos condensados, numa altura em que o Sistema Solar se estava a formar. Estes meteoritos carregam a mais antiga evidência dos primeiros estágios de formação dos planetas”, explicou a cientista que liderou o estudo, Millarca Valenzuela.

“Se conseguirmos medir a composição [destes condritos carbonáceos], poderemos ter informações sobre a composição da nebulosa solar onde o cristal se estava a formar”.

Além das pistas sobre a origem do Sistema Solar, a matriz destes meteoritos sugere a sua possível participação na origem de vida na Terra. Os objectos têm até 5% de carbono, possuindo também “minerais, água e aminoácidos de base pequena e material orgânico abiótico […] que poderiam ser a semente a partir da qual o material orgânico pode ter evoluído para algo mais complexo”, sustentou a especialista.

Valenzuela é geóloga e uma das cientistas responsáveis pela descoberta no Chile. Em 2017, o asteróide 11819, localizado entre Júpiter e Marte, foi baptizado em sua honra.

Uma outra investigação, conduzida por cientistas de França e de Itália detectou matéria orgânica com 3.330 mil milhões de anos preservada em sedimentos vulcânicos nas Montanhas Barberton. É provável que a matéria pertença a um condrito carbonáceo extraterrestre. Os resultados desta investigação foram publicados no fim de maio na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

ZAP //

Por ZAP
10 Junho, 2019



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2113: Raro asteróide duplo foi fotografado enquanto passava perto da Terra

CIÊNCIA

ESO / M. Kornmesser

O Very Large Telescope (VLT), localizado no Chile, conseguiu captar fotografias detalhadas do asteróide 1999 KW4, que passou perto da Terra este fim de semana a uma velocidade de 70 mil quilómetros por hora.

“Estes dados, combinados com todos os outros obtidos pelos vários telescópios da campanha IAWN, serão essenciais para avaliar estratégias eficazes de deflexão [de asteróide], na eventualidade de encontrarmos um asteróide em rota de colisão com a Terra”, disse o astrónomo Olivier Hainaut do Observatório Europeu do Sul (ESO), que publicou as primeiras fotografias do corpo celeste.

Nas últimas décadas, vários cientistas de todo o mundo têm estudado de forma activa os asteróides que orbitam perto da Terra, tentando catalogar quais destes corpos celestes é que são perigoso para a Terra. Segundo as estimativas actuais da NASA, o número de pequenos objectos na cintura principal de asteróides pode atingir um milhão. Destes, conhecemos apenas alguns milhares.

No passado fim de semanas, as astrónomos aproveitaram uma oportunidade única para enriquecer o catálogo destes corpos, observando um raro asteróide duplo que se aproximou da Terra. O corpo passou a 5,2 milhões de quilómetros do nosso planeta, ou seja, a uma distância 13 vezes maior do que a distância da Terra à Lua.

O 1999 KW4 pertence ao grupo dos asteróides Aton, um grupo próximo da Terra que orbita perto do Sol. Estes asteróides atravessam a órbita da Terra quando estão à distância máxima do Sol. Por este motivo, o corpo foi classificado como potencialmente perigoso.

Este grupo de asteróide chama à atenção dos especialistas por várias razões, mas sobretudo porque tem um diâmetro de cerca de 1,3 quilómetros e a sua própria “lua” de 350 metros. Além disso, possuiu formas e órbitas extraordinárias.

Em comunicado, o ESO frisa que as novas imagens e os novos dados científicos recolhidos pelo VLT e por vários outros telescópios podem ajustar a definir as características do corpo celeste. De acordo com os cientistas, o 1999 KW4 é semelhante com um outro asteróide mais perigoso, o Didim, que está também na “mira” dos cientistas.

Os cientistas esperam que os dados agora recolhidos possam ajudar a esclarecer a probabilidade real de, no futuro, se conseguir alterar a trajectória de um asteróide.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
4 Junho, 2019



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2081: A colecção mais antiga de meteoritos foi encontrada no local mais seco da Terra

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Meteoritos colidem na Terra quase constantemente e podemos encontrar os restos antigos em todos os lugares. Mas, para melhor entender de onde as rochas espaciais vieram, é útil visitar a mais densa colecção de meteoritos do planeta.

Onde? No local mais seco de todo o planeta Terra – o deserto do Atacama, no Chile. Este deserto é muito antigo, com mais de 15 milhões de anos, o que significa que os meteoritos que caíram na sua enorme área – cerca de 130 mil quilómetros quadrados – têm a possibilidade de serem muito antigos.

Isso representa uma vantagem geológica sobre outros desertos, incluindo a Antárctida, que possui vastos suprimentos de meteoritos, mas geralmente são jovens demais para abrigar rochas espaciais mais antigas do que meio milhão de anos, segundo Alexis Drouard, investigador da Universidade Aix-Marselha e autor do estudo publicado na revista Geology.

Drouard e os colegas fizeram recentemente uma viagem de caça a meteoritos no deserto de Atacama, na esperança de encontrar uma série de rochas que se estendiam por milhões de anos. “O nosso objectivo neste trabalho foi ver como o fluxo de meteoritos mudou ao longo de grandes escalas de tempo“, disse Drouard em comunicado, citado pela Live Science.

Para o novo estudo, os geólogos recolheram cerca de 400 meteoritos e estudaram 54, analisando as idades e as composições químicas das pedras alienígenas. Em consonância com a idade avançada do deserto, cerca de 30% dos meteoritos tinham mais de um milhão de anos, enquanto dois deles acumulavam poeira há mais de dois milhões de anos. Segundo Drouard, representa a mais antiga colecção de meteoritos na superfície da Terra.

A equipa extrapolou os resultados da sua pequena amostra para determinar que a actividade de impacto permaneceu relativamente constante nos últimos dois milhões de anos, totalizando cerca de 222 impactos de meteoros em cada quilómetro quadrado de deserto a cada um milhão de anos.

Surpreendentemente, a composição dos meteoritos mudou mais drasticamente. Segundo os investigadores, os meteoritos que bombardearam o Atacama entre um milhão e meio milhão de anos atrás eram significativamente mais ricos em ferro do que as rochas que caíam antes ou depois. É possível que todos tenham vindo de um único enxame de pedras soltas do cinturão de asteróides entre Marte e Júpiter.

ZAP //

Por ZAP
31 Maio, 2019


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1659: Encontrada bactéria estranha no lugar da Terra mais parecido com Marte

Racortesl / Flickr
Deserto do Atacama, no Chile

Quando se trata de encontrar vida fora da Terra, é difícil saber onde procurar. Mas os cientistas encontraram uma pista que aumenta a esperança para os lugares desérticos – como Marte.

No lugar da Terra mais parecido com o Planeta Vermelho – o deserto do Atacama, no Chile – o rover planetário experimental Zoë encontrou uma estranha bactéria no solo, algumas das quais desconhecidas para a ciência, mas que exibem adaptações especializadas no deserto para condições semelhantes às de Marte.

“Mostramos que um robô pode recuperar o solo abaixo da superfície do deserto de Marte”, disse o biólogo Stephen Pointing, do Yale-NUS College, em comunicado.

“Isto é importante porque a maioria dos cientistas concorda que qualquer vida em Marte teria que ocorrer abaixo do solo para escapar das duras condições da superfície, onde a alta radiação, a baixa temperatura e a falta de água tornam a vida improvável.”

Sabe-se que a água líquida provavelmente fluiu pela superfície de Marte. O planeta está muito mais seco actualmente, com apenas água gelada na superfície, mas pode abrigar água líquida sob a superfície.

Se assim for, torna mais provável a perspectiva de vida no Planeta Vermelho – mas o Deserto de Atacama também aponta para outras possibilidades.

O deserto é tão seco que pode não chover durante décadas ou até séculos, o que torna incrivelmente hostil para a maior parte da vida na Terra. Mas, no ano passado, pela primeira vez, vida microbiana foi encontrada à superfície.

A superfície de Marte seria muito pior do que a superfície do deserto de Atacama. Mas quando Zoë perfurou para recolher amostras a uma profundidade de 80 centímetros, encontrou micróbios sub-superficiais que demonstram que pode haver vida, de acordo com o estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology.

“Vimos que, com o aumento da profundidade, a comunidade bacteriana foi dominada por bactérias que conseguem prosperar nos solos extremamente salgados e alcalinos. Elas, por sua vez, foram substituídas em profundidades de até 80 centímetros por um único grupo específico de bactérias que sobrevivem”.

“Isto é muito excitante porque demonstra que o subsolo do Atacama suporta micróbios altamente especializados que podem prosperar nos solos salinos e semelhantes a Marte, e as recentes medições de emissão significativa de metano da superfície de Marte sugerem que bactérias que utilizam metano também poderiam prosperar lá“.

A equipa recolheu mais de 90 amostras de sedimentos e descobriu que a colonização microbiana era irregular. As áreas que não tinham sido colonizadas por micróbios eram as mais extremas. A análise do sedimento mostrou que se havia formado há muito tempo, quando a água era abundante, mas já não recebia água há algum tempo.

A equipe continua esperançosa de que ainda existem regiões habitáveis em Marte, mesmo que sejam poucas e distantes entre si. “A colonização bacteriana irregular é um indicador de stress ambiental extremo e, no caso dos solos do Deserto do Atacama, podemos dizer que a vida realmente está a manter-se no limite da habitabilidade“, disse Pointing.

“Como as condições em Marte são ainda mais extremas, podemos supor que a irregularidade também seja uma característica de qualquer colonização bacteriana marciana.”

Espera-se que os robôs marcianos perfurem até 2 metros de profundidade, de modo que a equipa espera recolher amostras em profundidades semelhantes. Também estão a pensar em começar a perfurar em Marte. “A minha preferência pessoal seriam depósitos fluviais de rios antigos ou rochas de arenito”, disse Pointing.

ZAP // Science Alert

Por ZAP
4 Março, 2019

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1150: Seis aviões comerciais avistam OVNIs no Chile

Bueggel / Flickr
O Chile é um dos países que mais documenta objetos voadores não identificados

Pelo menos seis aviões comerciais — cinco deles da Latam Chile e um da Copa Airlines — comunicaram ao Comité de Estudos de Fenómenos Aéreos Anómalos (CEFAA) o avistamento de objectos voadores não identificados no norte do Chile.

O fenómeno ocorreu na madrugada de 7 de Maio, a cerca de 1.350 quilómetros a norte de Santiago, perto da cidade de Antofagasta. Porém, só agora foi disponibilizado um vídeo no YouTube que mostra o diálogo entre os pilotos das aeronaves com o controlador de voo.

No vídeo, é possível ouvir o piloto do voo Copa 174 informar que na altura do posto de controle aéreo Livor, a 380 quilómetros do litoral de Antofagasta, era possível visualizar três luzes. “Não sabemos o que é“, disse, pouco antes de informar que uma das luzes desapareceu. Em seguida, o piloto do voo Latam 639 entra em contacto com a torre de controle e declara que também está a ver as luzes “aparentemente, sobre o mar”.

O piloto do Latam 2473 responde que também está ver as luzes e, depois o voo Latam 79 também informa que uma luz no nível do mar pode ser vista intensificando o seu brilho, acabando depois por desaparecer.

Nesse momento, o primeiro piloto informa que consegue ver três luzes à esquerda da aeronave: “As luzes estão a movimentar-se e aumentam e diminuem de intensidade. Vamos virar à direita pois parece que se estão a aproximar“, diz o piloto do voo Copa 174.

O voo Latam 501 também confirma que avistou os Ovnis e o Copa 174 volta a falar: “Que fenómeno estranho! Agora, temos três luzes em forma de triângulo“. Logo após esse momento, o piloto do voo Latam 577 situou as luzes quilómetros de Livor.

O Chile é um dos países que mais documenta objectos voadores não identificados no seu território aéreo, a par dos Estados Unidos, Peru, Rússia e Brasil. Nos últimos 65 anos, mais de 600 relatos foram registados.

Os diálogos entre os pilotos e controladores de voo podem ser ouvidos no vídeo abaixo, após o 4º minuto, com legendas e áudio em espanhol.

ZAP // CanalTech

Por CT
15 Outubro, 2018

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901: PRIMEIRA CIÊNCIA COM AS CAPACIDADES DE FREQUÊNCIAS MAIS ALTAS DO ALMA

Ilustração que salienta as capacidades de observação nas mais altas frequências do ALMA.
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

Uma equipa de cientistas que usa as capacidades de maior frequência do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) descobriu jactos de vapor de água quente saindo de uma estrela recém-formada. Os investigadores também detectaram as “impressões digitais” de uma surpreendente variedade de moléculas próximas desse berçário estelar.

O telescópio ALMA no Chile transformou a forma como vemos o Universo, mostrando-nos partes do cosmos que de outro seriam invisíveis. Este conjunto de antenas incrivelmente precisas estuda uma faixa de rádio comparativamente de alta frequência: ondas que variam de algumas décimas de milímetro até vários milímetros em amplitude. Recentemente, os cientistas empurraram o ALMA aos seus limites, aproveitando as capacidades de maior frequência (menor comprimento de onda), que espiam parte do espectro electromagnético que cruza a linha entre o infravermelho e o rádio.

“As observações de rádio de alta frequência como estas normalmente não são possíveis no solo,” comenta Brett McGuire, químico do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, no estado norte-americano de Virginia, autor principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. “Elas exigem a extrema precisão e sensibilidade do ALMA, juntamente com algumas das condições atmosféricas mais secas e estáveis que podem ser encontradas na Terra.”

Sob condições atmosféricas ideais, que ocorreram na noite de 5 de Abril de 2018, os astrónomos treinaram a visão sub-milimétrica de frequência mais alta do ALMA numa região curiosa da Nebulosa Pata de Gato (também conhecida como NGC 6334I), uma região de formação estelar localizada a cerca de 4300 anos-luz da Terra na direcção da constelação de Escorpião.

As observações anteriores do ALMA desta região, em frequências mais baixas, revelaram a formação turbulenta de estrelas, um ambiente altamente dinâmico e uma riqueza de moléculas no interior da nebulosa.

Para observar em frequências mais altas, as antenas do ALMA estão desenhadas para acomodar uma série de “bandas” – numeradas de 1 a 10 – e cada uma estuda uma parte específica do espectro. Os receptores de Banda 10 observam as frequências mais altas (comprimentos de onda mais curtos) de qualquer um dos instrumentos ALMA, abrangendo comprimentos de onda de 0,3 a 0,4 milímetros (787 a 950 gigahertz), também considerados radiação infravermelha de comprimento de onda longo.

As primeiras observações deste tipo para o ALMA, com a Banda 10, produziram resultados emocionantes.

Jactos de Vapor de Protoestrela

Um dos primeiros resultados da Banda 10 do ALMA foi também um dos mais desafiadores, a observação directa de jactos de vapor de água libertados por uma das maiores protoestrelas da região. O ALMA foi capaz de detectar a luz de comprimento de onda sub-milimétrico naturalmente emitida pela água pesada (moléculas de água formadas por átomos de oxigénio, hidrogénio e deutério, que são átomos de hidrogénio com um protão e um neutrão no seu núcleo).

“Normalmente, não poderíamos ver directamente este sinal em particular a partir do solo,” realça Crystal Brogan, astrónoma do NRAO e co-autora do artigo. “A atmosfera da Terra, mesmo em lugares notavelmente áridos, ainda contém bastante vapor de água para suprimir completamente este sinal de qualquer fonte cósmica. No entanto, durante condições excepcionalmente pristinas no alto Deserto de Atacama, o ALMA pode, de facto, detectar esse sinal. Isto é algo que nenhum outro telescópio na Terra consegue fazer.”

À medida que as estrelas começam a se formar a partir de nuvens massivas de poeira e gás, o material em redor da estrela cai para a massa no centro. Uma porção deste material, no entanto, é expelido da protoestrela em crescimento como um par de jactos, que transportam gás e moléculas, incluindo água.

A água pesada que os cientistas observaram flui ou de uma única protoestrela ou de um pequeno enxame de protoestrelas. Estes jactos estão orientados de modo diferente do que parecem ser jactos muito maiores e potencialmente mais maduros emanados da mesma região. Os astrónomos especulam que os jactos de água pesada vistos pelo ALMA são características relativamente recentes que começam agora a mover-se para a nebulosa em redor.

Estas observações também mostram que nas regiões onde esta água bate no gás circundante, masers de água de baixa frequência – versões naturais de lasers de micro-ondas – entram em erupção. Os masers foram detectados em observações complementares pelo VLA (Very Large Array) do NSF (National Science Foundation).

ALMA Observa Moléculas em Abundância

Além de produzir imagens marcantes de objectos no espaço, o ALMA também é um sensor cosmo-químico extremamente sensível. À medida que as moléculas dão trambolhões e vibram no espaço, naturalmente emitem luz em comprimentos de onda específicos, que aparecem como picos e quedas num espectro. Todas as bandas receptoras do ALMA podem detectar essas impressões digitais únicas, mas as linhas das frequências mais altas fornecem uma visão única sobre substâncias químicas mais leves e importantes, como a água pesada. Também fornecem a capacidade de observar estes sinais de moléculas complexas e quentes, que possuem linhas espectrais mais fracas em frequências mais baixas.

Usando a Banda 10, os investigadores foram capazes de observar uma região do espectro que é extraordinariamente rica em impressões digitais moleculares, incluindo a do glicoaldeído, a molécula mais simples relacionada com o açúcar.

Quando comparadas com as anteriores melhores observações do mundo, da mesma fonte, captadas pelo Observatório Espacial Herschel da ESA, as observações do ALMA detectaram mais de 10 vezes mais linhas espectrais.

“Nós detectámos um tesouro de moléculas orgânicas complexas em torno desta enorme região de formação estelar,” acrescenta McGuire. “Estes resultados foram recebidos com entusiasmo pela comunidade astronómica e mostram mais uma vez como o ALMA vai remodelar a nossa compreensão do Universo.”

O ALMA é capaz de aproveitar estas raras janelas de oportunidade quando as condições atmosféricas são “perfeitas”, usando agendamento dinâmico. Isto significa que os operadores do telescópio e os astrónomos monitorizam cuidadosamente a meteorologia e conduzem as observações planeadas que melhor se ajustam às condições predominantes.

“Há certamente algumas condições que precisam ser cumpridas para realizar uma observação bem-sucedida usando a Banda 10,” conclui Brogan. “Mas estes novos resultados do ALMA demonstram o quão importante estas observações podem ser.”

“Para permanecer na vanguarda da descoberta, os observatórios devem inovar continuamente para impulsionar o avanço do que a astronomia pode atingir,” comenta Joe Pesce, director do programa do NRAO no NSF. “Este é um elemento central do NRAO do NSF, e do ALMA, e esta descoberta leva ao limite a astronomia feita a partir do solo.”

Astronomia On-line
21 de Agosto de 2018

(Foram corrigidos 27 erros ortográficos do texto original)

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863: ELEGÂNCIA ELÍPTICA

Esta imagem profunda da região do céu em torno da galáxia elíptica NGC 5018 mostra-nos uma visão privilegiada das ténues correntes de gás e estrelas deste objeto. Estas estruturas delicadas são marcas de interacções galácticas e fornecem-nos pistas vitais sobre a estrutura e dinâmica das galáxias do tipo precoce.
Crédito: ESO/Spavone et al.

Um brilhante conjunto de galáxias povoa esta imagem obtida pelo Telescópio de Rastreio do VLT do ESO, um telescópio de vanguarda de 2,6 metros concebido para mapear o céu no visível. As características da multitude de galáxias que enche esta imagem permitem aos astrónomos revelar os detalhes mais delicados da estrutura galáctica.

Apesar do VLT (Very Large Telescope) do ESO poder observar objectos astronómicos muito ténues com grande detalhe, quando os astrónomos querem compreender o processo de formação da grande variedade de galáxias que existem, recorrem a um tipo de telescópio diferente com um campo de visão muito maior. O Telescópio de Rastreio do VLT (VST) é o telescópio perfeito, uma vez que foi concebido para explorar a enorme vastidão dos céus nocturnos chilenos, fornecendo aos astrónomos rastreios astronómicos detalhados do hemisfério sul.

Com o auxílio das grandes capacidades do VST, uma equipa internacional de astrónomos levou a cabo o rastreio VEGAS (VST Early-type GAlaxy Survey, Rastreio de Galáxias Precoces com o VST), com o objectivo de investigar uma colecção de galáxias elípticas no hemisfério sul. Utilizando a OmegaCAM, o detector muito sensível situado no coração do VST, a equipa liderada por Marilena Spavone do Observatório Astronómico de Capodimonte em Nápoles, Itália, capturou imagens de uma grande variedade deste tipo de galáxias em diferentes meios.

Uma destas galáxias é NGC 5018, a galáxia de um branco leitoso que se encontra próximo do centro da imagem. Este objeto situa-se na constelação de Virgem e à primeira vista pode não parecer mais do que uma mancha difusa. No entanto, após uma inspecção mais cuidada, podemos ver uma corrente ténue de estrelas e gás — uma cauda de maré — a estender-se em direcção ao exterior desta galáxia elíptica. Estruturas galácticas delicadas, tais como caudas de maré e correntes estelares, são marcas de interacções galácticas, fornecendo-nos pistas vitais sobre a estrutura e dinâmica das galáxias.

Para além de muitas galáxias elípticas, e de algumas espirais, podemos ver também, em primeiro plano nesta imagem notável de 400 milhões de pixeis, uma variedade de estrelas coloridas brilhantes que pertencem à nossa Via Láctea. Estas intrusas estelares, tais como HD 114746 de cor azul viva que se vê próximo do centro da imagem, não foram observadas intencionalmente, encontrando-se simplesmente entre a Terra e as galáxias distantes alvos deste estudo. Menos proeminentes, mas igualmente fascinantes, são os rastros ténues deixados pelos asteróides do nosso Sistema Solar. Mesmo por baixo de NGC 5018 podemos ver, estendendo-se ao longo da imagem, um traço fraco deixado pelo asteróide 2001 TJ21 (110423) e capturado ao longo de observações sucessivas. Mais para a direita, outro asteróide – 2000 WU69 (98603) — deixou também o seu rastro na imagem.

Apesar do objectivo dos astrónomos ter sido investigar as estruturas delicadas de galáxias distantes situadas a milhões de anos-luz de distância da Terra, no processo acabaram também por capturar imagens de estrelas próximas situadas a apenas centenas de anos-luz de distância e até rastros ténues de asteróides que se encontram a uns meros minutos-luz no nosso próprio Sistema Solar. Mesmo quando estudamos as regiões mais afastadas do cosmos, a sensibilidade dos telescópios do ESO e os límpidos céus nocturnos chilenos juntam-se para nos oferecer observações fascinantes de objectos muito mais próximos de casa.

Astronomia On-line
10 de Agosto de 2018

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840: O Chile quis vender a ilha de Páscoa aos nazis, mas o negócio falhou

MastaBaba / Flickr

Um livro recente revela que o Governo chileno quis vender a ilha de Páscoa à Alemanha de Hitler, de modo a reforçar a sua frota naval. O Presidente Alessandri pedia 860 mil euros pelo mítico território insular.

Mario Amorós é o autor do livro “Rapa Nui. Una herida en el océano” no qual revela que, em 1937, decorreram negociações para vender a ilha de Páscoa, território isolado no Oceano Pacífico a 3700 quilómetros da costa chilena, à Alemanha nazi.

Até hoje, sabia-se apenas que o país, governado por Arturo Alessandri entre 1920 a 1925 e entre 1932 a 1938, tentou que os americanos, japoneses e britânicos se interessassem pela ilha, mostrando-se disponível a aliená-la a quem apresentasse a melhor oferta.

Ao El País, o historiador Amorós contou que Alessandri estava apostado em reforçar a sua frota naval porque a Argentina, país que formara com o Peru e a Bolívia uma aliança que ameaçava os interesses chilenos, encomendara oito vasos de guerra aos estaleiros britânicos.

Para o Chile, a ilha de Páscoa era, sobretudo, um lugar marcado pelo estigma da lepra. Para o poder político, era um território distante cedido à Marinha e arrendado a uma empresa privada, ou seja, “tinha muito pouco valor“, conta Mario Amorós.

Esta percepção do território, aliada às consequências da grave crise económica internacional desencadeada com o crash da bolsa americana de 1929, fez com que o Chile quisesse vender a ilha, pedindo cerca de um milhão de dólares pelo território (860 mil euros).

Amorós decidiu estudar os negócios secretos que envolveram a ilha de Páscoa e o Governo de Hitler, depois de ter tomado conhecimento da investigação levada a cabo por um especialista nas Forças Armadas chilenas, o historiador húngaro Ferenc Fischer.

Segundo o Público, Fischer tinha encontrado provas de que o Governo do Chile mantivera conversações com os nazis, entre elas um documento, datado de 1937, que resumia uma conversa entre o embaixador do führer em Santiago e o ministro dos Negócios Estrangeiros chileno, destinada a averiguar se a proposta de venda era séria.

Desta forma, o livro de Amorós é o resultado de um rigoroso trabalho de pesquisa, e nele o historiador explica que só os britânicos explicaram por que razão as negociações mantidas secretas durante décadas não chegaram a avançar.

“Descartaram a compra da ilha porque consideraram que, do ponto de vista militar, o seu valor era escasso”, afirma o historiador espanhol. Além disso, acrescenta, tanto Londres como Washington fizeram questão de frisar que não era conveniente que a ilha fosse parar às mãos de nenhuma das potências que viriam a encabeçar o Eixo, ou seja, Alemanha, Itália e Japão.

Com base em muita documentação, a obra de Amorós conta também a história de um povo e de um território desde os primeiros vestígios de ocupação humana ali encontrados.

Aliás, “Rapa Nui“, é o que os seus habitantes chamam à Ilha de Páscoa, designação que decorre do facto de a sua descoberta pelos europeus (atribuída ao explorador holandês Jacob Roggeveen) ter ocorrido precisamente no domingo de Páscoa de 1722.

O Governo do Chile está, actualmente, a trabalhar numa lei que vai permitir à ilha readquirir a título oficial o seu nome local. Além disso, esta quarta-feira, entrou em vigor uma norma, proposta pelo Governo de Sebastián Piñera, que limita o acesso de turistas à ilha como medida de protecção da sua fauna e flora.

“Esta ilha é mágica, todo o mundo a quer visitar, mas também é uma ilha delicada que temos de proteger. A nova lei tem como objectivo regular o turismo”, disse o Presidente.

ZAP //

Por ZAP
3 Agosto, 2018

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808: A Ilha de Páscoa vai limitar permanência de turistas e residentes

MastaBaba / Flickr

A mítica Ilha de Páscoa, no Chile, vai impor um limite à permanência de turistas e residentes devido ao crescente número de estrangeiros que pretendem passar a moradores permanentes.

A restrição, aprovada no Congresso em Março, vai entrar em vigor na próxima quarta-feira em todo o território insular chileno localizado a 3.500 km de distância do continente, reduzindo de 90 para 30 dias o prazo máximo de permanência dos turistas, mas também para chilenos que não sejam Rapa Nui — termo pelo qual são conhecidos os polinésios indígenas locais que vivem na Ilha de Páscoa.

A norma aprova impõe também uma série de requisitos para quem quiser morar neste território — cujos primeiros habitantes eram na sua maioria Rapa Nui — que atrai mais de 100.000 turistas por ano, principalmente devido às suas enigmáticas estátuas de pedra, apelidadas de “Moais“.

O último censo, de 2017, determinou que a população da Ilha de Páscoa é de 7.750 pessoas, sensivelmente o dobro daquela que tinha há algumas décadas, muito por culpa do crescente auge do turismo e desenvolvimento imobiliário.

“Os estrangeiros estão a tomar conta da ilha”, disse à AFP o presidente da câmara da Ilha de Páscoa, Pedro Pablo Edmunds Paoa, acrescentando que os cerca de 3.000 estrangeiros a viver na ilha são gente a mais.

“Estão a prejudicar a idiossincrasia local, a cultura milenar está a mudar e isso não é positivo”, afirmou, apontando que os números de delinquência e violência aumentaram.

A pressão turística levou ao limite todos os serviços básicos da ilha, especialmente a administração do lixo, diz Ana María Gutiérrez, assessora ambiental do município.

A nova lei estabelece vários requisitos para residir de forma permanente na ilha, entre eles ser pai, mãe, cônjuge ou filho de uma pessoa que pertence ao povo Rapa Nui. Fora desta ascendência, poderão viver na ilha funcionários públicos, trabalhadores de organizações que prestem serviços ao Estado e pessoas que desenvolvam alguma actividade económica independente no território junto às suas famílias.

Paralelamente, quem entrar na ilha deve apresentar a reserva do hotel onde pretende ficar hospedado ou, então, precisa de uma carta (convite) de algum residente para o fazer.

A norma prevê estabelecer, ainda, uma capacidade máxima demográfica, que deverá ser estabelecida por um ministério que será criado especialmente para estes fins.

“Não estou de acordo com estas normas. Não são suficientes porque não abrangem todas as aspirações da ilha”, diz o autarca, acabando por admitir que, a sua vontade, assim como a de “muitos Rapa Nui”, era de “barrar totalmente” a chegada de novos residentes.

Um reportagem deste ano, realizada pelo New York Times revelava que a misteriosa Ilha de Páscoa estava lentamente a desaparecer. O aumento dos níveis do mar está a causar a erosão das costas da ilha e, consequentemente têm vindo a deteriorar as plataformas onde se encontram as famosas estátuas e os vestígios antigos da civilização Rapa Nui.

ZAP //

Por ZAP
29 Julho, 2018

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789: Investigação à múmia extraterrestre chilena pode ter sido “anti-ética”

(dr) Emery Smith
Ata, a pequena múmia “extraterrestre” encontrada no deserto do Atacama

Um novo estudo sugere que as análises genómicas realizadas na múmia chilena que se pensava ser extraterrestre foram desnecessárias e anti-éticas.

Encontrada em 2003, no deserto do Atacama, a estranha forma do esqueleto, de apenas 15 centímetros e com uma cabeça alongada, alimentou rumores de que seria extraterrestre.

Desde então, testes de ADN confirmaram que os restos mortais pertenciam a um feto humano que os investigadores baptizaram de Ata. Porém, os cientistas que conduziram a investigação e publicaram as suas descobertas em Março têm sido criticados pelos métodos usados na pesquisa.

Na quarta-feira passada, outro grupo de investigadores apresentou uma nova avaliação do estudo anterior, publicado no International Journal of Paleopathology, criticando os seus autores e sugerindo que as suas conclusões sobre as chamadas anormalidades do esqueleto – como a falta de costelas – reflectem uma compreensão incompleta do desenvolvimento fetal normal, avança o Live Science.

Essa má interpretação dos restos mortais levou os cientistas a prosseguir com a extracção de ADN que danificou parte do esqueleto. A investigação, que não incluiu quaisquer investigadores chilenos, pode ter ultrapassado os protocolos que normalmente controlam a ética da pesquisa realizada com esqueletos humanos, já que a sua publicação omitiu “uma declaração de ética suficiente ou licença arqueológica”, escreveu Kristina Killgrove, co-autora do novo estudo e professora assistente de antropologia na Universidade do Oeste da Florida, num artigo para a Forbes.

No novo estudo, os autores notaram que o crânio e o corpo de aspecto incomum da múmia não eram necessariamente o resultado de “anomalias”, tal como sugerido pela pesquisa anterior. Em vez disso, o crânio poderia ter sido alongado pelo parto vaginal do feto prematuro, enquanto que o calor e a pressão no subsolo depois de o corpo ter sido enterrado poderiam ter comprimido ainda mais o crânio.

Os investigadores desta nova análise também questionam a sugestão do estudo anterior de que “novas mutações” poderiam explicar o tamanho da múmia. Os autores observaram que o desenvolvimento esquelético na idade suspeita do feto, 15 semanas, não teria sido afectado pelas variantes genéticas que os outros investigadores descreveram no seu estudo.

De acordo com os cientistas do novo estudo, como se acredita que os restos mortais tenham apenas algumas décadas, estudá-los levantam preocupações éticas que o estudo anterior não tratou de forma adequada.

Além disso, como a extracção de ADN pode destruir alguns dos tecidos do corpo, deveriam ter sido aplicadas restrições adicionais nesse exame. E não está ainda claro no estudo anterior que a amostra de ADN tenha sido necessária para começar.

“Infelizmente, não havia justificação científica para realizar análises genómicas da Ata porque o esqueleto é normal”, escreveram os autores do novo estudo, acrescentando que o teste do genoma completo realizado anteriormente “foi desnecessário e anti-ético”.

“Alertamos os investigadores de ADN sobre como se envolver em casos que têm falta de contexto e legalidade claros, ou onde os restos residem em colecções particulares”, concluíram.

ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2018

– Estes “cientistas” continuam a impingir a ideia de que estamos sozinhos no Universo… Não sendo cientista e olhando para o crânio que a imagem mostra, vê-se logo que possui a configuração de um crânio humano, com o mesmo tipo de cavidades oculares, queijo alongado, maxilares, fossas nasais, comprimento do que se pode chamar de “pescoço”…!!! Muitos “fenómenos” estão escondidos na Área 51,,,

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VLT VÊ ‘OUMUAMUA A ACELERAR

Esta imagem artística mostra o primeiro objecto interestelar descoberto no Sistema Solar, ‘Oumuamua. Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, entre outros, mostraram que este objecto se está a deslocar para fora do Sistema Solar mais depressa do que o previsto. Os investigadores pensam que a libertação de material da sua superfície devido ao aquecimento solar é responsável por este comportamento. Esta desgaseificação pode ser vista nesta imagem artística representada sob a forma de uma nuvem subtil que está a ser ejectada do lado do objecto que está virado para o Sol. Uma vez que a desgaseificação é típica dos cometas, a equipa pensa que a anterior classificação de ‘Oumuamua de asteróide interestelar tem que ser alterada. Crédito: ESA/Hubble, NASA, ESO, M. Kornmesser

‘Oumuamua, o primeiro objecto interestelar descoberto no Sistema Solar, está a afastar-se do Sol mais depressa do que o esperado. Este comportamento anómalo foi detectado por uma colaboração internacional astronómica que inclui o VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile. Os novos resultados sugerem que ‘Oumuamua é muito provavelmente um cometa interestelar e não um asteróide. A descoberta vai ser publicada na revista Nature.

‘Oumuamua — o primeiro objecto interestelar descoberto no seio do nosso Sistema Solar — tem sido sujeito a um intenso escrutínio desde a sua descoberta em Outubro de 2017. Agora, ao combinar dados do VLT do ESO e de outros observatórios, uma equipa internacional de astrónomos descobriu que o objecto se está a deslocar mais depressa do que o previsto. O ganho medido em velocidade é pequeno e ‘Oumuamua ainda está a desacelerar devido à atracção do Sol — mas não tão rapidamente como o previsto pela mecânica celeste.

A equipa liderada por Marco Micheli (ESA) explorou diversos cenários para explicar a velocidade mais elevada que este visitante interestelar peculiar apresenta. Pensa-se que o mais provável é que ‘Oumuamua esteja a perder material da sua superfície devido ao aquecimento solar, algo conhecido por desgaseificação, e que seja este empurrão dado pelo material ejectado que dá origem ao impulso, pequeno mas constante, que está a fazer com que ‘Oumuamua se esteja a afastar do Sistema Solar mais depressa do que o esperado — no dia 1 de Junho de 2018 o objecto deslocava-se a uma velocidade de aproximadamente 114 mil quilómetros por hora.

Tal desgaseificação é um comportamento típico dos cometas, contradizendo por isso a classificação anterior de ‘Oumuamua de asteróide interestelar. “Pensamos que este objecto se trata afinal de um estranho cometa minúsculo,” comenta Marco Micheli. “Através dos dados vemos que o seu ‘empurrão extra’ está a ficar mais fraco à medida que o objecto se afasta do Sol, o que é típico dos cometas.”

Normalmente, quando os cometas são aquecidos pelo Sol, ejectam poeira e gases que formam uma nuvem de material, a chamada coma, à sua volta, para além de uma cauda bastante característica. No entanto, a equipa de investigação não conseguiu detectar nenhuma evidência visual de desgaseificação.

“Não observámos nem poeira, nem coma e nem cauda, o que é invulgar,” explica a co-autora do trabalho Karen Meech, da Universidade do Hawaii, EUA. Meech liderou a equipa, que fez a descoberta inicial, na caracterização de ‘Oumuamua em 2017. “Pensamos que ‘Oumuamua possa estar a libertar grãos de poeira invulgarmente irregulares e grandes.”

A equipa especulou que talvez os pequenos grãos de poeira que se encontram geralmente à superfície da maioria dos cometas tenham sido erodidos durante a viagem de ‘Oumuamua pelo espaço interestelar, restando apenas os grãos maiores. Apesar de uma nuvem composta por estas partículas maiores não ser suficientemente brilhante para poder ser detectada, a sua presença poderia explicar a variação inesperada na velocidade de ‘Oumuamua.

Para além do mistério da desgaseificação hipotética de ‘Oumuamua, temos ainda o mistério da sua origem interestelar. O intuito destas novas observações era determinar com exactidão o seu trajecto, o que teria provavelmente permitido obter o percurso do objecto até ao seu sistema estelar progenitor. Os novos resultados significam, no entanto, que será muito mais difícil obter esta informação.

“A verdadeira natureza deste nómada interestelar enigmático poderá permanecer um mistério,” concluiu o membro da equipa Olivier Hainaut, astrónomo no ESO. “O recentemente descoberto aumento de velocidade de ‘Oumuamua torna mais difícil descobrir qual o caminho que o objecto tomou desde da sua estrela progenitora até nós.”

Astronomia On-line
29 de Junho de 2018

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620: Finalmente revelado o segredo dos famosos moais da Ilha de Páscoa

(CC0/PD) JPataG / pixabay

Um grupo de cientistas conseguiu revelar como as estátuas gigantes da Ilha de Páscoa, no Chile, receberam os seus “chapéus” de pedra depois de quase 2.000 anos de incertezas.

De acordo com um estudo publicado no Journal of Archaeological Science, os chapéus gigantes, pintados de vermelho e com cerca de 13 toneladas cada, surgiram nas cabeças dos moais graças a uma técnica semelhante à usada pelos europeus para levantar navios afundados.

A Ilha de Páscoa é um dos lugares mais misteriosos da Terra e é o antigo lar de uma civilização polinésia que habitou a região há cerca de 2.000 anos. A civilização deixou na ilha um vasto número de vestígios em forma de moais gigantes que, segundo acreditam os cientistas, personalizam os antepassados dos antigos moradores da ilha.

Esta civilização praticamente desapareceu da Ilha de Páscoa antes mesmo da chegada dos primeiros colonizadores. A causa da sua extinção pode estar relacionada com dois factores: falta de recursos para sobreviver e guerras entre diferentes tribos aborígenes.

Por esta razão, ainda hoje continua a ser muito difícil perceber como era a vida desta civilização extinta e adivinhar o enigma mais interessante da ilha – como é que os gigantescos “chapéus” de pedra, chamados de pukao e com um peso de 10 a 15 toneladas, apareceram na cabeça dos moais?

O facto de as estátuas e dos seus “chapéus” terem sido feitos a partir de várias rochas geológicas não contribui para encontrar a solução deste quebra-cabeças. De salientar que as rochas usadas para construir os “chapéus” podem ser encontradas em regiões distantes da ilha que ficam dezenas de quilómetros afastadas dos moais.

Ao analisar a superfície da ilha e todos as documentos disponíveis para investigação, os pesquisadores da Universidade de Binghamton, Nova Iorque, chefiados pelo antropólogo Carl Lipo, finalmente entenderam como estas estruturas poderiam ter sido construídas pela antiga civilização.

De acordo com os cientistas, os moais foram construídos de forma especial para que as rochas se endireitassem caso fossem levemente inclinadas, permitindo assim que os moradores da ilha os transportassem a distâncias significativas sem causar quaisquer danos.

Os traços existentes nos “chapéus” das estátuas indicam que estes foram levados para os locais das “montagens” quase prontos. Ou seja, foram levados desde a pedreira até ao local onde seriam depois colocados na cabeça dos moais, rolando sobre si mesmos.

Quando os pukao chegaram ao destino, os moradores deram início ao árduo trabalho de colocar estes “acessórios” nos moais, recorrendo à ajuda de aterros e cordas. Assim, pouco a pouco, conseguiram levantaram “chapéus” para a parte superior das estátuas.

Os investigadores apontam várias provas para fundamentar a sua teria, tais como: a existência de vestígios de aterros e de uma cavidade especial no “chapéu” que o impede de cair da cabeça.

Os cientistas notaram ainda que inicialmente os moais estavam um pouco inclinados, permitindo assim que os construtores antigos rolassem os “chapéus” para as cabeças das estátuas sem estragar nada. Depois, simplesmente aplanaram as estátuas.

Tendo em conta os resultados da investigação, os investigadores concluíram que não era necessário ter um exército de escravos ou muitos recursos para construir grandes monumentos. Os moradores da ilha de Páscoa conseguiram imortalizar o seu nome com a ajuda do intelecto, das leis da física e dos recursos escassos da ilha.

ZAP // Sputnik News

Por SN
6 Junho, 2018

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385: A Ilha de Páscoa está lentamente a desaparecer

MastaBaba / Flickr

A Ilha de Páscoa, no Chile, um dos lugares mais misteriosos da Terra e lar da famosa civilização Polinésia que construiu os moais, há cerca de dois mil anos, está lentamente a desaparecer.

De acordo com uma reportagem do New York Times, o aumento dos níveis do mar está a causar a erosão das costas da Ilha de Páscoa, no Chile, e consequentemente têm vindo a deteriorar as plataformas onde se encontram as famosas estátuas e os vestígios antigos da civilização Rapa Nui.

Perante este cenário, a Organização das Nações Unidas (ONU) já lançou um aviso para assegurar que a erosão da costa pode acabar por completo com estas peças arqueológicas. Os cientistas prevêem que as águas subam cerca de 1,5 metros até ao ano de 2100, mas temem que as tempestades e as ondas se tornem uma ameaça ainda maior”, destaca o jornal norte-americano.

“Sentimo-nos impotentes com tudo isto, quando não podemos proteger os ossos dos nossos próprios antepassados”, lamenta Camilu Rapu, líder dos Ma’u Henua, a organização indígena que controla o Parque Nacional Rapa Nui, que se estende por toda a ilha. “É uma dor enorme”, diz ainda.

No ano passado, as autoridades deram o alerta depois da queda de uma estrutura rochosa de três metros de altura, na costa sul da ilha, devido ao forte impacto das ondas. Os arqueólogos responsáveis procuraram diminuir as consequências do colapso com a construção de uma barreira marinha, graças ao financiamento de 400 mil dólares que chegou do Governo japonês. No entanto, já se começa a estudar a possibilidade de mover as estátuas e as plataformas cerimoniais (ahus) para outro lugar.

Segundo o jornal, outra área que está em perigo é a cratera vulcânica de Orongo, adornada de petroglifos, que retratam uma concorrência ancestral para obter ovos de aves, em que participavam os homens jovens da ilha antes da chegada dos europeus. Os desenhos simbólicos gravados na rocha são vulneráveis às tempestades e a erosão poderia destruí-los.

Embora seja possível fixar as gravuras noutras pedras mais estáveis ou colocá-los num museu, Rafael Rapu, chefe indígena e arqueólogo, acredita que, dessa forma, perderiam “o contexto e parte da sua história”.

Além destes problemas, o eventual desaparecimento destes sítios arqueológicos pode também representar um problema financeiro para a ilha com cerca de seis mil habitantes, pois o turismo é o eixo principal da sua economia. Só em 2017, este património mundial atraiu mais de 100 mil turistas e produziu cerca de 70 milhões de dólares de receitas para o comércio local.

ZAP // Sputnik News / The New York Times

Por SN
19 Março, 2018

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166: Novo instrumento de telescópio no Chile tem assinatura portuguesa

 

The Echelle SPectrograph for Rocky Exoplanet and Stable Spectroscopic Observations (ESPRESSO) successfully made its first observations in November 2017. Installed on ESO’s Very Large Telescope (VLT) in Chile, ESPRESSO will search for exoplanets with unprecedented precision by looking at the minuscule changes in the properties of light coming from their host stars. For the first time ever, an instrument will be able to sum up the light from all four VLT telescopes and achieve the light collecting power of a 16-metre telescope. This picture shows a group picture of the happy first light team on the platform at Paranal, with the VLT in the background.

Construído por um consórcio de cientistas portugueses, espanhóis, suíços e italianos, o ESPRESSO, o novo espectrógrafo do telescópio VLT já está a funcionar

Os astrónomos chamam-lhe “a primeira luz”, e há na expressão essa carga simbólica de algo que está a nascer – e da antecipação dos novos conhecimentos e das descobertas que aí vêm. Como agora, com o ESPRESSO, o novo instrumento dos telescópios VLT ( Very Large Telescope) do ESO (European Southern Observatory), no Chile, que vai ajudar a descobrir e a estudar novas Terras, e que também tem assinatura portuguesa.

Construído e instalado nos VLT por um consórcio que integrou uma equipa de portugueses do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), o ESPRESSO viu agora “a primeira luz”, abrindo uma nova janela, mais precisa e de maior alcance, para o estudo de exoplanetas rochosos mais pequenos e mais parecidos com a Terra, que até agora escapavam ao olhar dos astrónomos, porque não havia como encontrá-los e analisá-los.

Com o ESPRESSO, um espectrógrafo de alta resolução que capta imagens do espectro de luz e que, de uma só vez, une os quatro telescópios VLT num só de maiores dimensões – tornando-o no maior telescópio do mundo -, e que atinge uma precisão de observação dez vezes superior à que existia até agora, a astronomia nesta área “dá um salto qualitativo muito importante”. É o astrofísico Nuno Cardoso Santos, do IA e da Universidade do Porto, e o coordenador da equipa portuguesa que integrou o consórcio que assim fala. Por isso, esta “primeira luz foi um momento extraordinário”, confessa, satisfeito, o investigador, que esteve lá no Chile, na sala de controlo do VLT, a viver em directo o acontecimento dos primeiros dados a surgirem nos écrans dos computadores.

Aquele “foi o culminar de mais de 10 anos de trabalho, de muito planeamento, de muitas dificuldades vencidas”, recorda Nuno Santos. “Entrámos na fase da exploração científica, que era o objectivo final”. E se agora se abre um novo capítulo no estudo dos exoplanetas, das suas atmosferas e massas, este é também um marco para a comunidade científica portuguesa nesta área. Este foi o primeiro instrumento para o VLT em que os cientistas portugueses participaram, enquanto líderes, desde a primeira hora, no seu desenho, concepção, construção e montagem, a par das outras três equipas do consórcio, de Espanha, Itália e Suíça.

Aos portugueses coube a concepção, desenvolvimento, construção e instalação de uma parte do ESPRESSO, um conjunto de elementos ópticos chamado Coudé Train. Colocado no telescópio, este sistema óptico capta a luz que ele recebe e depois leva-a até um ponto, no laboratório, onde se junta a luz dos quatro telescópios VLT. E agora é que tudo vai começar.

“Integrar a equipa que construiu o ESPRESSO permite-nos agora estar na linha da frente, a definir a ciência que vai ser feita com ele, e já há bastante tempo que estamos a planear isso com os nossos parceiros do consórcio”, explica Nuno Cardoso Santos.

As equipas do consórcio que desenvolveu o instrumento têm agora direito a 273 noites de observação nos próximos três a cinco anos. “O consórcio decidiu que vai fazer essa exploração científica em conjunto, como uma só equipa, o que nos permitirá ir mais além do ponto de vista científico”, diz o astrofísico. No IA são para já oito os investigadores que vão trabalhar com os dados do ESPRESSO, mas a aventura está só a começar. No futuro, estima Nuno Santos, “haverá mais investigadores portugueses a usar esses dados”.

Diário de Notícias
astronomia
08 DE DEZEMBRO DE 2017 | 01:02
Filomena Naves

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129: Astrónomos chilenos criam novo método para medir a massa de buracos negros

M. Kornmesser / ESO
Conceito artístico do quasar 3C 279

Cientistas da Universidade do Chile e do Centro de Astrofísica e Tecnologias Afins, CATA, revelaram esta sexta-feira os resultados de um trabalho que irá permitir melhorar a identificação e estudo dos “buracos negros super-massivos” e como estes se relacionam entre si.

Segundo anunciaram os autores do estudo em conferência de imprensa, o trabalho será publicado esta segunda-feira, 20 de Novembro, na revista Nature Astronomy.

A investigação, realizada pelo professor de Astronomia Julián Mejía, da Universidade do Chile, e Paula Lira, investigadora da mesma instituição e do CATA, tem como objectivo “corrigir e reduzir significativamente os erros dos cálculos das massas dos buracos negros”.

Até agora, o método mais usado para estimar a massa destes fenómenos consiste em analisar a radiação proveniente das nuvens de gás que se forma nas imediações do disco que alimenta o buraco negro, o qual “pode chegar a brilhar tanto como todas as estrelas da galáxia na qual se encontra”.

No entanto, a exactidão deste método depende em grande medida da forma como as nuvens de gás estão distribuídas, informação que é quase sempre desconhecida.

Para solucionar este problema, o trabalho de Julián Mejía e Paula Lira consistiu em estudar 40 quasares, uma fonte astronómica de energia electromagnética que inclui radiofrequências e luz visível, usando o espectrógrafo X-shooter do telescópio VLT do European Southern Observatory – ESO, situado em Cerro Paranal, no norte do Chile.

Este instrumento é capaz de abranger simultaneamente um conjunto muito amplo de comprimentos de onda – desde o ultravioleta até ao infravermelho próximo, o que permitiu medir a emissão dos “discos alimentadores” dos buracos negros observados.

“Os nossos dados permitiram-nos calcular de duas formas distintas a quantidade de matéria contida nestes buracos negros: através da forma como o disco emite a radiação e através do estudo da emissão das nuvens de gás”, explica Julián Mejía.

“Quando comparamos ambas as massas encontramos uma forma simples de corrigir significativamente os valores das massas obtidas a partir da informação das nuvens de gás, que é o método habitualmente usado pelos astrónomos“, diz o cientista.

O estudo foi realizado em colaboração com Benny Trakhtenbrot, investigador do Instituto ETH na Suíça, Daniel Capellupo, investigador da Universidade de McGill no Canadá, e Hagai Netzer, professor da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

Segundo Netzer, que trabalhou durante anos na medição de massas de buracos negros super-massivos, “o novo método pode ajudar a descobrir as ligações entre os buracos negros e as galáxias hóspedes quando o universo era jovem, isto é, quando o universo tinha menos de 4 mil milhões de anos“.

ZAP // EFE

Por EFE
19 Novembro, 2017

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