Telescópio espacial com “ADN” português envia primeira imagem

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Acaba de ser revelada a primeira imagem científica do CHEOPS, que teve a participação activa de membros do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço.

“Pode não ser de tirar o fôlego e com potencial para inspirar a imaginação do público”, mas “traz perspectivas bem melhores do que as que eram esperadas, para alcançar os objectivos científicos da missão”. As palavras são de Sérgio Sousa, investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) / Universidade do Porto, e espelham o estado de espírito da equipa envolvida no desenvolvimento do telescópio espacial CHEOPS, que acaba de “relevar” a sua primeira imagem

Imagem da estrela HD 70843. A imagem está desfocada de propósito, para maximizar a precisão das medições do brilho das estrelas. (Crédito: ESA/Airbus/CHEOPS Mission Consortium)

Foi no passado dia 29 de Janeiro que o telescópio espacial da Agência Espacial Europeia (ESA) abriu a tampa de protecção. Desde então, todos os sistemas têm sido preparados para a aquisição da primeira imagem captada pelo CHEOPS. No caso, de um campo de estrelas centrado na estrela HD 70843 – localizada  a 150 anos-luz de distância da Terra -, escolhida por ter brilho e localização no céu ideais para os testes aos instrumentos.

Para Olivier Demangeon, investigador do IA, “estas primeiras imagens do CHEOPS representam o culminar de 10 anos de trabalho e investimento da parte do IA e do consórcio do CHEOPS. Estas são uma ante-visão de um futuro científico brilhante para a missão e para a nossa equipa.”

Para além da participação activa do IA, o CHEOPS contou também com o contributo da Deimos Engenharia. Segundo Antonio Gutiérrez Peña, director da empresa, “o sistema de planeamento da missão foi usado nas operações de In-Orbit Commissioning e parece estar tudo a funcionar na perfeição. Estamos muito excitados e esperamos que a missão esteja totalmente operacional dentro de pouco tempo.”

Lançado para o espaço em Dezembro do ano passado, o CHEOPS produz imagens propositadamente desfocadas das estrelas, de modo a poder distribuir a luz de cada estrela por vários pixeis do detector. Isto aumenta a precisão das medições, pois cada medição fica menos sensível a variações da resposta de cada pixel individual ou da maneira como o telescópio é apontado.

À descoberta de “novos mundos”

Esta é a primeira missão dedicada a observar trânsitos exoplanetários em estrelas onde já se conhecem planetas, em praticamente qualquer direcção do céu. A grande inovação introduzida pelo CHEOPS prende-se com a sua capacidade única de determinar com precisão a dimensão de exoplanetas na gama entre as super Terras e os Neptunos, para os quais já se conhece a massa.

O telescópio vai ainda permitir determinar com precisão o diâmetro de novos exoplanetas descobertos pela próxima geração de instrumentos em observatórios à superfície da Terra ou ainda identificar potenciais alvos cujas atmosferas possam ser caracterizadas por esses instrumentos. Ter medições precisas do brilho das estrelas e sua variação é por isso crítico para os investigadores poderem aprender o máximo possível acerca dos planetas que se sabe orbitarem essas estrelas.

Imagem artística do telescópio espacial CHEOPS em órbita (Crédito: ESA/ATG medialab)

O consórcio do CHEOPS é liderado pela Suíça e pela ESA. Conta com a participação de 11 países europeus, sendo que em Portugal a participação científica é liderada pelo IA.

A participação do IA no consórcio do CHEOPS faz, de resto, parte de uma estratégia mais abrangente para promover a investigação em exoplanetas em Portugal, através da construção, desenvolvimento e definição científica de vários instrumentos e missões espaciais. Entre eles incluem-se o CHEOPS ou o espectrógrafo ESPRESSO, já em funcionamento no Observatório do Paranal (ESO). Esta estratégia irá continuar durante os próximos anos, com o lançamento do telescópio espacial PLATO (ESA), ou a instalação do espectrógrafo HIRES no maior telescópio da próxima geração, o ELT (ESO).

Sobre o IA

Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) é a maior unidade de investigação na área das Ciências do Espaço em Portugal, integrando investigadores da Universidade do Porto e da Universidade de Lisboa, e englobando a maioria da produção científica nacional na área. Foi avaliado como “Excelente” na última avaliação que a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) encomendou à European Science Foundation (ESF). A actividade do IA é financiada por fundos nacionais e internacionais, incluindo pela FCT/MCES (UID/FIS/04434/2019).

Universidade do Porto
11.02.20
Por Ricardo Reis / CAUP

 

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3215: À espera de nova data para o lançamento do satélite CHEOPS

CIÊNCIA/ESPAÇO

Depois de uma falha técnica ter adiado esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, a ESA promete anunciar “assim que seja possível” a nova data para o lançamento, que pode ser já esta quarta-feira, à mesma hora

A ante-visão do CHEOPS em órbita
© EPA/ATG medialab / ESA

Uma falha no software que comanda a contagem decrescente fez abortar esta terça-feira o lançamento do CHEOPS, o satélite europeu que durante os próximos três anos e meio vai estudar os exoplanetas, a partir da órbita terrestre.

A agência espacial europeia ESA, adianta na sua homepage que anunciará “assim que possível” a nova data para o lançamento, que poderá ser já amanhã, no mesmo horário, ou seja às 8.54 (hora de Lisboa).

Lançado a partir do centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa por foguetão russo Soyuz-Fregat, que transporta outros passageiros congéneres, o CHEOPS foi desenhado e concebido por um consórcio europeu que inclui desde o início cientistas e engenheiros portugueses, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) – instituição que lidera a participação científica portuguesa na missão – e a Deimos Engenharia, que concebeu o software de decisão para as observações a serem feitas em cada momento pelo satélite.

O novo telescópio europeu ficará numa órbita entre os 800 e os 1200 km de altitude e vai observar durante os próximos três anos e meio mais de mil exoplanetas dos 4143 actualmente conhecidos.

Os exoplanetas seleccionados para este estudo aprofundado a partir das observações do CHEOPS são aqueles que têm dimensões entre as da Terra e Neptuno, para se fazer uma caracterização detalhada de cada um deles.

A ideia é levar o conhecimento sobre estes mundos distantes a um novo patamar, medindo-lhes o raio com um rigor sem precedentes, verificar a existência ou não de atmosferas, medir-lhes a temperatura e tentar perceber se algum deles poderá ter luas e anéis como acontece com alguns planetas do sistema solar.

Cerca de um mês após o lançamento, os dados do CHEOPS os cientistas poderão em terra o seu trabalho a partir dos dados enviados pelo novo telescópio espacial.

Diário de Notícias
Filomena Naves
17 Dezembro 2019 — 13:51

 

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