1780: Descobertas “chaminés” galácticas que canalizam matéria do centro da Via Láctea

Z. Levay and R. van der Marel, STScI; T. Hallas; and A. Mellinger / NASA, ESA

A sonda XMM-Newton encontrou duas estruturas parecidas com “chaminés” gigantes que canalizam matéria de perto de um buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea para duas enormes bolhas cósmicas.

O centro da nossa galáxia é um autêntico frenesim. Um buraco negro gigantesco – com quatro milhões de vezes mais massivo do que o Sol – explode energia ao chocar com os detritos interestelares, enquanto as estrelas vizinhas ganham vida, explodindo subsequentemente.

Agora, uma equipa internacional de astrónomos descobriu dois canais de exaustão – apelidados de “chaminés do centro galáctico” – que parecem afunilar a matéria e a energia dos fogos de artifício cósmicos no centro da Via Láctea, a cerca de 28.000 anos-luz da Terra. O artigo científico foi recentemente publicado na Nature.

“A nossa hipótese é a de que estas chaminés são aberturas de exaustão para toda a energia libertada no centro da Via Láctea“, explicou Mark Morris, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Todas as galáxias são gigantescas fábricas de formação de estrelas, mas a sua produtividade pode variar. Segundo o Science Daily, um mecanismo que afoga a taxa de produção de estrelas é a fonte de matéria e energia que é lançada pelo pesado buraco negro que se esconde no centro de uma galáxia.

É a formação de estrelas que define o carácter de uma galáxia “e essa é uma característica com a qual nos preocupamos, uma vez que as estrelas produzem elementos pesados dos quais os planetas, e a vida, são feitos”.

Para entender melhor o que acontece com o fluxo de energia, Morris e a sua equipa apontaram o satélite XMM-Newton, da Agência Espacial Europeia (ESA), que detecta os raios X cósmicos, em direcção ao centro da Via Láctea.

Os raios X são emitidos por gás extremamente quente. Por esse motivo, são especialmente úteis para mapear ambientes energéticos no espaço.

Nas imagens recolhidos de 2016 a 2018 e em 2012, os cientistas descobriram duas plumas de raios Xas chaminés do centro galáctico – que se estendem em direcções opostas a partir do centro da galáxia. Cada pluma origina-se a cerca de 160 anos-luz do buraco negro super-massivo e estende-se por 500 anos-luz.

As chaminés ligam-se a duas estruturas gigantescas, conhecidas como bolhas de Fermi – cavidades esculpidas no gás que envolve a galáxia. As bolhas, cheias de partículas de alta velocidade, ocupam o centro da galáxia e estendem-se por 25.000 anos-luz em qualquer direcção.

Alguns astrónomos suspeitam de que as bolhas de Fermi são relíquias de erupções maciças do buraco negro super-massivo, enquanto outros acham que as bolhas são destruídas por hordas de estrelas recém-nascidas. De qualquer forma, as chaminés poderiam ser os canais pelos quais as partículas de alta velocidade chegam lá.

Compreender como a energia faz o seu caminho do centro de uma galáxia para os seus limites externos poderia fornecer luzes sobre o motivo pelo qual algumas galáxias explodem com a formação de estrelas, enquanto outras permanecem inactivas.

“Em casos extremos, a fonte de energia pode desencadear ou bloquear a formação de estrelas na galáxia”, afirmou Morris.

Sendo a Via Láctea um protótipo de galáxias espirais, a descoberta pode ajudar a esclarecer o comportamento típico de galáxias como a nossa. “A quantidade de energia que sai do centro da nossa galáxia é limitada, mas é um bom exemplo de um centro galáctico que podemos observar e tentar entender”, concluiu o investigador.

ZAP //

Por ZAP
30 Março, 2019

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