3165: Cientistas perto de provar que micro-gravidade inibe crescimento de tumores

CIÊNCIA/SAÚDE

nasa2explore / Flickr
O astronauta canadiano Chris A. Hadfield, em 2001, em actividade extra-veicular (EVA) num voo do vaivém Endeavour, da NASA

Cientistas já testaram com sucesso em laboratório que a micro-gravidade inibe o crescimento de tumores. Agora, os investigadores querem testar em órbita.

Onde quer que esteja, Stephen Hawking permanece presente na ciência, e os seus mais recentes conselhos devem render uma descoberta para lá de impressionante (e revolucionária). Em conversa com um investigador australiano, Hawking falou sobre como nada no universo é capaz de desafiar a gravidade.

Depois do diagnóstico de um amigo com cancro, Joshua Choi, professor na Universidade de Sydney, relembrou a conversa e questionou-se: “O que aconteceria com as células cancerígenas se as tirássemos da gravidade?”.

Agora, a sua equipa vai enviar células cancerígenas para dar uma ‘voltinha’ pela órbita da Terra, na tentativa de comprovar que elas não se desenvolvem na micro-gravidade — como já demonstraram em testes feitos em laboratório.

Viagens espaciais acarretam uma série de riscos. Afinal de contas, o astronauta é exposto, de maneira mais intensa, à radiação solar e aos raios cósmicos, além dos efeitos que a micro-gravidade pode causar no corpo humano — que vão desde degeneração muscular e óssea, passando pela diminuição da função dos órgãos, da visão e até alterações a nível genético.

Curiosamente, há alguns benefícios médicos potenciais da micro-gravidade. Para entender o funcionamento das células cancerígenas, Choi e a sua equipa de investigação vão levar a sua experiência para a Estação Espacial Internacional (ISS) para testar como é que tumores se desenvolvem fora da gravidade terrestre.

Em investigações iniciais, Choi percebeu que o ambiente espacial afeta a compreensão da biologia celular e a progressão de doenças. Aliás, já testou em laboratório os efeitos da micro-gravidade em células cancerígenas.

Choi, descobriu que, “quando colocadas num ambiente de micro-gravidade, 80% a 90% das células nos quatro tipos diferentes de cancro testados — ovário, mama, nariz e pulmão — foram desactivadas.” Isto significa que as células morrem porque não conseguiram sobreviver à gravidade mínima. Além disso, estes quatro tipos de cancro testados são alguns dos mais difíceis de controlar.

O mais impressionante dos resultados iniciais é o facto de que foram obtidos apenas ao alterar as forças gravitacionais, sem a ajuda de medicamentos. Quando submetidas a condições de micro-gravidade, as células cancerígenas tinham muita dificuldade em unir-se e não conseguiram desenvolver tumores.

No início de 2020, a equipa iniciará uma nova etapa dos estudos e vai enviar células cancerígenas para a ISS durante 7 dias. No fim, as células serão congeladas para a viagem de volta à Terra, para os investigadores analisarem o material à procura de alterações genéticas.

Caso os resultados confirmem a tese de que as células cancerígenas não se multiplicam na micro-gravidade, Choi espera desenvolver novos tratamentos que possam ter o mesmo efeito de neutralizar a capacidade de se conectarem.

Longe de uma cura, as novas terapias poderiam auxiliar os tratamentos médicos contra o cancro existentes. Combinada com a medicação actual e a quimioterapia, a investigação poderá reduzir com bastante êxito a propagação do cancro no corpo humano.

ZAP // Canaltech

Por ZAP
9 Dezembro, 2019

spacenews

 

2574: Cientistas vão levar células cancerígenas ao Espaço para que a baixa gravidade as mate

CIÊNCIA

Annie Cavanagh / Wellcome Images
Células cancerígenas

Através de estudos de simulação, um cientista australiano tem vindo a investigar de que forma o ambiente de baixa gravidade pode afectar a nossa fisiologia e, até mesmo, matar células cancerígenas.

Após ter recolhido dados de testes prévios, segundo os quais a ausência de gravidade no Espaço pode matar a maioria das células cancerígenas sem a necessidade de recorrer a medicamentos, um investigador australiano está agora a preparar-se para testar as suas experiências na Estação Espacial Internacional (EEI) no próximo ano.

O engenheiro biomédico Joshua Chou tem conduzido experiências num laboratório da Universidade de tecnologia de Sidney, usando um simulador de micro-gravidade para observar como as células cancerígenas respondem e, as suas possíveis razões.

Chou explicou à New Atlas que, antes da investigação, o foco estava na expressão genética do cancro sob micro-gravidade. “Mas ninguém analisou os mecanismos, e a estratégia que estamos a abordar é identificar os receptores sensoriais no cancro, na esperança de os enganar”, revelou o cientista.

Chou e Anthony Kirolos expuseram as células do cancro do ovário, mama, nariz e pulmão no simulador de micro-gravidade por 24 horas. 80% a 90% destas células morreram.

Os investigadores acreditam que isto ocorre porque a falta de força gravitacional nas células influencia a forma como estas comunicam entre si, tornando-as incapazes de sentir o ambiente — algo a que chamam descarga mecânica.

“Tenho de esclarecer que a micro-gravidade afecta outras células, como as células ósseas”, disse Chou. Desta forma, os investigadores conseguiram concluir que as células ósseas e do cancro são “super sensíveis aos efeitos da micro-gravidade.

Porque razão este efeito de descarga atinge mais as células cancerígenas do que as outras é uma das questões que Chou espera responder quando a sua experiência for realizada na EEI, no próximo ano.

Na primeira missão à EEI, as células vão ser compactadas num dispositivo mais pequeno do que o tamanho de uma caixa de lenços de papel e estudadas no ambiente de micro-gravidade durante uma semana.

A esperança é que a experiência possa elucidar os receptores e sensores específicos por detrás do efeito de descarga mecânica nas células cancerígenas, para que os cientistas possam projectar fármacos que repliquem os mesmo efeitos na Terra.

DR, ZAP //

Por DR
5 Setembro, 2019