1274: Celtas decapitavam e embalsamavam as cabeça do inimigo como troféus

CIÊNCIA

(dr) Fouille Programmée Le Cailar-UMR5140-ASM
Um dos crânios encontrado no assentamento Celta no sul da França

Os antigos Celtas levavam as suas conquistas ao extremo, celebrando-as de forma macabra: os guerreiros colocavam as cabeças decepadas do inimigo ao pescoço dos seus cavalos, exibindo-as como troféus sangrentos.

Agora, e pela primeira vez, os arqueólogos encontraram na França evidências disso mesmo – cabeças decapitadas e embalsamadas datadas de há mais de dois mil anos.

Textos gregos e romanos antigos davam já conta que os celtas da região da Gália – território onde actualmente fica a França e as regiões vizinhas -, conhecidos por serem fortes e temíveis guerreiros, decapitavam os seus inimigos após as batalhas, colocando as cabeças dos guerreiros do inimigo ao pescoço dos seus cavalos.

E assim voltavam para casa das batalhas que venciam, com as cabeças decapitadas do inimigo a adornar – como se de um colar se tratasse – os seus animais. Relatos de embalsamento estavam também presentes na literatura antiga.

“As cabeças dos mais distintos inimigos eram embalsamadas em óleo cedro e cuidadosamente preservadas num baú”, escreveu o historiador grego Diodorus Siculus (90 a 30 a.C) no quinto volume da sua obra “Biblioteca Histórica”.

Em igual sentido, o historiador greco-romano Strabo (63 a.C a 23 d.C) escreveu no livro “Geographica“: “As cabeças dos inimigos de alta reputação eram, no entanto, embalsamadas em óleo cedro e exibidas para os estranhos”.

De acordo com Réjane Roure, arqueóloga da Paul Valéry University of Montpellier, na França, os celtas exibiam as cabeças “como troféu, de forma a aumentar a sua influência e poder, tentando assustar os seus inimigos”.

No entanto, e vale a pena salientar, os Gregos e os Romanos eram inimigos dos Celtas e, como tal, os seus relatos podem não ser totalmente fiéis à História antiga. Agora, e de acordo com a recente publicação na revista Journal of Archaeological Science, os especialistas conseguiram finalmente provar esta prática macabra.

Crânios confirmam a prática

Para a descoberta, a equipa de arqueólogos analisou fragmentos de crânios do assentamento Celta de Le Cailar, no sul da França, descobertos já em 2000. O território foi fortificado na Idade de Ferro e servia como porto para os comerciantes do Mediterrâneo.

Entre 2003 e 2013, os arqueólogos encontrara no local cerca de 50 crânios, fragmentados em 2.500 peças. Os crânios foram encontrados ao lado de armas e junto do que era, segundo os cientistas, um dos portões do assentamento. A disposição das armas bem como dos crânios sugere que os restos mortais estavam lá já há muito tempo, num grande espaço de exibição aberto no interior do assentamento.

O local em causa foi ocupado desde de o século VI a.C até ao século I d.C após os Romanos conquistarem Gália. De acordo com os cientistas, os crânios datam do século III a.C, época marcada por muitas batalhas e guerras por quase toda a Europa Ocidental.

Quanto aos rumores do embalsamento, os cientistas analisaram 11 crânios, tentando encontrar traços ou substâncias desta técnica. Seis destes crânios tinham vestígios de resina de coníferas, juntamente com moléculas que apenas são formadas quando a resina de plantas como o pinheiro são aquecidas até temperaturas elevadas.

Uma vez mais, esta é a primeira vez que uma análise química encontrou evidências de que os Celta embalsamavam cabeças durante a Idade do Ferro, explicaram os cientistas.

Investigações futuras podem explorar se estas cabeças foram embalsamadas durante todo o século III a.C ou se a prática aconteceu apenas durante um curto período deste século. “Além disso, há muitas outras cabeças decepadas da Idade do Ferro na Europa, e seria muito interessante saber se todas elas foram embalsamadas”, rematou Roure.

Conhecidos pelas suas capacidades em batalha, os Celtas habitaram a região onde hoje se localizada a França e as regiões vizinhas da Itália e Bélica, possuindo dezenas de pequenas vilas. Este povo guerreiro foi o principal derrotado pelo imperador romano Júlio César, no século I a.C, que impulsionou assim o seu poder.

O próprio imperador de Roma registou por escrito os impressionantes feitos militares de seus inimigos, famoso pelo poder e força da sua cavalaria.

ZAP // LiveScience / ScienceAlert

Por ZAP
12 Novembro, 2018

[vasaioqrcode]