4697: Antiga criatura marinha semelhante a uma lula tinha concha em forma de clip (e deverá ter vivido 200 anos)

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

James Mckay

Dois investigadores da Syracuse University encontraram evidências de que uma antiga criatura parecida com uma lula, caracterizada por ter uma concha em forma de clip de papel, pode ter vivido durante centenas de anos.

Linda Ivany e Emily Artruc apresentaram a sua pesquisa durante uma reunião online da Geological Society of America, onde falaram sobre as suas descobertas.

Segundo a equipa, Diplomoceras maximum viveu há aproximadamente 68 milhões de anos nas águas em torno do que hoje é conhecido como a Antárctica, mais ou menos na mesma época que o tiranossauro rex. Este período ficou conhecido como a idade maastrichtiana do período cretáceo superior.

A criatura era parecida com uma lula e a sua concha tinha mais de 1,5 mede altura, uma amonita que fazia parte de um grupo extinto de cefalópodes tentáculos. A equipa credita que foi extinta ao mesmo tempo que os dinossauros, presumivelmente pelo mesmo motivo: a colisão com o asteróide Chicxulub.

Tal como diz o Phys, o que realmente fez o Diplomoceras maximum se destacar foi a forma única da sua concha, pois a parte superior dobrada para frente e para trás é muito semelhante a um clip de papel. Durante a pesquisa, Ivany e Artruc descobriram algo notável sobre a criatura antiga – a sua vida útil.

A dupla de investigadores estava a estudar a concha de um espécie que já havia sido encontrada por outros cientistas. Como parte de seu trabalho, estudaram a sua composição química e, neste sentido, reuniram amostras ao longo da concha que eram recolhidas em intervalos de 50 cm.

Também realizaram testes de isótopos de oxigénio e carbono ao longo da casca para perceber melhor a sua idade em geral e por quanto tempo a criatura poderia estar viva. Neste processo, a equipa encontrou marcas isotópicas repetidas.

Os investigadores sugerem que as marcas vieram do metano libertado na água do fundo do mar a cada ano. O metano deixava uma marca que cobria a concha da criatura a cada ano, por isso ao somar o número de marcas na casca a equipa conseguiu calcular a sua idade, percebendo assim que a espécie viveu cerca de 200 anos.

Os especialistas sugerem que esta descoberta é interessante porque, embora alguns moluscos modernos vivam aproximadamente 200 anos, as lulas que hoje se conhecem, e que são o exemplo actual mais parecido com esta criatura, normalmente vivem apenas quatro ou cinco anos.

ZAP //

Por ZAP
21 Novembro, 2020


2932: Mergulhadores encontram misterioso “ovo” gigante a flutuar no oceano

CIÊNCIA

Um trio de mergulhadores teve um encontro muito próximo com uma bolha gelatinosa à deriva – um saco de ovos de lula do tamanho de um ser humano adulto. A surpresa aconteceu na costa oeste da Noruega.

Ronald Raasch, mergulhador do navio de pesquisa norueguês REV Ocean, capturou um vídeo no qual mostra um mergulhador a nadar lentamente à volta de uma bolha gigante cercada por uma membrana transparente e com uma massa escura suspensa no seu interior.

Assim que o mergulhador se aproximou de da bolha, a sua lanterna iluminou o seu interior. Dentro, havia inúmeras esferas minúsculas – cerca de centenas de milhares de ovos de lulas, de acordo com a descrição do vídeo, publicado no YouTube.

Os mergulhadores do REV Ocean fizeram esta surpreendente descoberta durante uma visita a um naufrágio submerso da Segunda Guerra Mundial em Ørstafjorden, na Noruega, localizado a cerca de 200 metros da costa. Os especialistas estava a nadar de volta à costa, a uma profundidade de 17 metros, quando viram a bolha a flutuar.

Quando publicou o vídeo, Raasch descreveu a bolha como uma “bola de gel de lulas“, mas este estava longe de ser o primeiro relato de um objecto tão incomum: dezenas de bolhas semelhantes foram avistadas em águas próximas à Noruega, Espanha, França e Itália, nos últimos 30 anos, disse Halldis Ringvold, investigador do Sea Snack Norway e líder do projecto “Huge Spheres”.

A primeira reacção dos cientistas foi de perplexidade, uma vez que estas bolhas são muito delicadas e, por isso, muito difíceis de abordar de perto e fazer amostras para testes futuros.

De acordo com o Live Science, mergulhadores relataram ter visto este tipo de esferas ao longo das costas do Mediterrâneo e da Noruega em 2017, e análises de ADN de amostras de quatro delas confirmaram, recentemente, que eram sacos de ovos pertencentes à lula do sul (Illex coindetii), um cefalópode com 10 braços.

O “ovo” recém-descoberto é semelhante aos sacos de ovos previamente documentados “tanto na aparência como no tamanho e localização”, disse Ringvold. Apesar de no vídeo a bolha parecer ter o mesmo tamanho do mergulhador que nada em torno dela, estas esferas medem, normalmente, cerca de um metro de diâmetro.

A massa escura é, provavelmente, tinta da lula, que a injectou enquanto fazia a esfera”, explicou o cientista, adiantando que, “no final do vídeo, é possível ver os ovos reais das lulas”. “São muito pequenos, redondos e transparentes.”

Um ovo de lula mede cerca de 0,2 centímetros de diâmetro quando o embrião está pronto para eclodir e as fêmeas produzem entre 50.000 e 200.000 ovos, de acordo com o SeaLifeBase. O desenvolvimento embrionário demora entre de 10 a 14 dias quando a temperatura da água é de 15 graus Celsius.

ZAP //

Por ZAP
30 Outubro, 2019