2689: Cientista diz que avanços científicos podem levar à extinção humana

CIÊNCIA

fotorince / Canva

A evolução da ciência e tecnologia pode ser fundamental para evitar catástrofes, mas, ironicamente, pode também ser a causadora do fim da nossa espécie.

O estudo das mudanças climáticas baseia-se em simulações cada vez mais de longo prazo. As previsões da ciência já não são meras hipóteses de validação ou invalidação, mas geralmente são ameaças graves — de crescente alcance e severidade — que devem ser evitadas.

Prever o perigo que se aproxima exige uma resposta proactiva. Isto significa que, cada vez mais, a procura pela tecno-ciência tende a não apenas investigar passivamente o mundo natural, mas também a intervir activamente nele.

No caso do clima, uma coisa que isto gerou foi a proposta de “geo-engenharia” — o aproveitamento em larga escala dos sistemas naturais da Terra, a fim de combater as consequências desastrosas das mudanças climáticas.

As nossas antecipações dos perigos da natureza motivam-nos a tentar intervir nela e reinventá-la para os nossos próprios propósitos e fins. Assim, cada vez mais vivemos num mundo da nossa própria autoria, no qual a divisão entre o “natural” e o “artificial” está em colapso. Vemos isso desde a edição genética até às inovações farmacêuticas e novos materiais.

Embora algumas destas tecnologias sejam correctamente consideradas o auge do progresso e da civilização, a nossa ânsia por antecipar e impedir o desastre em si gera os seus próprios perigos. Isto foi o que nos levou à nossa situação actual: a industrialização, que foi originalmente impulsionada pelo nosso desejo de controlar a natureza, talvez a tenha apenas tornado mais incontrolável.

Os nossos esforços para prever o mundo tendem a mudá-lo de maneiras imprevisíveis. Além de desbloquear oportunidades radicais, como novos medicamentos e tecnologias, representa novos riscos para a nossa espécie. É um veneno e uma cura. Embora a consciência desta dinâmica possa parecer incrivelmente contemporânea, ela na verdade é surpreendentemente mais distante na história.

Cometas e colisões

Foi em 1705 que o cientista britânico Edmond Halley previu correctamente o regresso do cometa em 1758, que agora carrega o seu nome. Esta foi uma das primeiras vezes que os números foram aplicados com sucesso à natureza para prever o seu curso a longo prazo. Este foi o começo da conquista do futuro pela ciência.

Na década de 1830, outro cometa — o Cometa de Biela — tornou-se objecto de atenção quando John Herschel levantou a hipótese de que um dia se cruzaria com a Terra. Tal encontro “apagaria-nos” do Sistema Solar.

Em 1827, um jornal de Moscovo publicou um conto a prever os efeitos de uma iminente colisão de cometas na sociedade. Estratégias de mitigação plausíveis foram discutidas. A história evocava máquinas gigantes que actuariam como “defesas” planetárias para “repelir” o míssil extraterrestre. A conexão entre prever a natureza e intervir artificialmente já estava a começar a ser entendida.

O príncipe russo

O conto tinha sido escrito pelo excêntrico príncipe russo Vladimir Odoievsky. Numa outra história, “O Ano 4338”, escrita alguns anos depois, descreve a sua representação da futura civilização humana. O título veio de cálculos contemporâneos que previam a futura colisão da Terra com o Cometa de Biela, 2.500 anos depois.

Kirill Gorbunov / Wikimedia

A humanidade tornou-se numa força planetária. No entanto, a visão de Odoyevsky desse futuro resplandecente (completo com aeronaves, uso recreativo de drogas, telepatia e túneis de transporte através do manto da Terra) é-nos transmitida inteiramente sob essa ameaça iminente de total extinção. Mais uma vez, os cientistas neste futuro planeiam repelir a ameaça do cometa com sistemas de defesa balística. Também há menção a sistemas de controle climático.

Isto demonstra perfeitamente que foi a descoberta de tais perigos que primeiro arrastaram — e continuam a arrastar — as nossas preocupações ainda mais para o futuro. A humanidade apenas se afirma tecnologicamente, em níveis cada vez mais planetários, quando percebe os riscos que enfrenta.

Não é surpresa que, nas notas anexas do livro, Odoyevsky forneça talvez aquela que é a primeira metodologia para uma “ciência geral da futurologia”.

Fim da humanidade

Em 1799, o filósofo alemão Johann Fichte antecipou a nossa actual mega-estrutura de previsão planetária. Ele anteviu um tempo de previsão perfeita e argumentou que isso domesticaria o planeta inteiro, apagaria a natureza selvagem e até erradicaria inteiramente “furacões”, “terramotos” e “vulcões”. O que Fichte não previu foi o facto de que a própria tecnologia que nos permite prever também cria riscos novos e imprevistos.

Mas Odoyevsky gostou disto. Em 1844, ele publicou outra história intitulada “O Último Suicídio”. Desta vez, imaginou uma humanidade futura que se tornara novamente uma força planetária. A urbanização saturou o espaço global, com as cidades a crescer e a fundirem-se numa Ecumenópole — uma única e gigantesca cidade global.

No entanto, Odoyevsky alerta para os perigos que vêm com a aceleração da modernidade. Este é um mundo em que o progresso tecnológico descontrolado causou sobre-população e esgotamento de recursos. A natureza tornou-se inteiramente artificial, com espécies não-humanas e ecossistemas totalmente obliterados.

Alienado e deprimido, o mundo recebe um líder demagogo que convence a humanidade a extinguir-se. Numa última expressão do poder tecnológico, a civilização armazena todas as suas armas e começa a explodir o planeta inteiro.

Odoyevsky prenuncia, assim, a discussão contemporânea sobre o “risco existencial” e o potencial dos nossos desenvolvimentos tecnológicos para desencadear a própria extinção de espécies. Em 1844, a sua visão é sombria, mas surpreendentemente presciente ao reconhecer que o poder necessário para evitar uma catástrofe existencial é também o poder necessário para causá-la.

Séculos depois, agora que temos esse poder, não podemos recusá-lo ou rejeitá-lo — devemos exercê-lo com responsabilidade. Vamos torcer para que a ficção de Odeovskii não se torne na nossa realidade.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
22 Setembro, 2019

 

2431: Desastres naturais obedecem a um padrão matemático

CIÊNCIA

Roberto Salomone / EPA

Foi realizada a análise estatística mais precisa até hoje de um conjunto de fenómenos naturais que podem causar desastres. A análise revelou que estas catástrofes obedecem aos mesmos padrões matemáticos.

Uma equipa de investigadores do Departamento de Matemática da Universidade Autónoma de Barcelona, em Espanha, analisaram os registos de milhares de terramotos, furacões, incêndios florestais, impactos de meteoritos na atmosfera, chuvas torrenciais e subsidência do solo devido a fenómenos cársticos – em que a água subterrânea dissolve o solo.

Os cientistas conseguiram descrever com a mesma técnica matemática as funções que relacionam a frequência destes fenómenos com o valor da sua magnitude ou tamanho.

Segundo a Europa Press, a grande maioria deles segue a chamada lei da potência, segundo a qual os eventos são mais abundantes quanto menores forem, sem qualquer definição de tamanho “normal” ou típico.

No entanto, a frequência de fenómenos como incêndios florestais segue outra distribuição matemática – distribuição lognormal – independentemente de serem pequenos episódios ou incêndios devastadores, que queimam centenas de milhares de hectares.

Esta investigação tornou possível especificar de que forma estas funções são ajustadas em cada caso, e se são válidas ou não para casos limítrofes – por exemplo, eventos de magnitude extremamente grande. “Graças a este estudo, as estimativas de risco de eventos catastróficos em diferentes áreas do mundo podem ser melhoradas, de acordo com o registo histórico de cada região”, explicou o cientista Álvaro Corral.

Os cientistas ficaram surpreendidos com o facto de fenómenos naturais tão diversos obedecerem à distribuição da lei da potência. “Há suspeitas de que isso acontece sempre que um determinado fenómeno ocorre após um comportamento ‘em avalanche, libertando rapidamente energia que se acumulou ao longo do tempo, mas ainda há muito por investigar”, adiantou o especialista.

Os incêndios florestais, por exemplo, seriam uma excepção à regra, uma vez que também podem ser descritos como “avalanches” de libertação súbita de energia que se acumularam na forma de biomassa.

“Não sabemos porque é que alguns fenómenos ‘em avalanche‘ seguem a distribuição lognormal e, na verdade, esta descoberta contradiz pesquisas anteriores. São necessários modelos físicos mais avançados para explicar as magnitudes que atingem esses processos”, disseram os autores do estudo, publicado recentemente na Earth and Space Science.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2019

 

1647: Catástrofe vulcânica ameaça a vida de 200 mil pessoas na Califórnia

(CC0/PD) 12019 / pixabay

Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) acreditam que a Califórnia pode estar sob perigo. O estado norte-americano tem sete vulcões activos.

Os habitantes da região da Califórnia podem ter mais que se preocupar do que um terramoto. O verdadeiro perigo, na realidade, poderá ser uma forte erupção de um dos vulcões circundantes. Isto tendo em conta que, no último milénio, ocorreram pelo menos dez erupções.

No estudo, publicado a 25 de Fevereiro pela USGS, os geólogos envolvidos admitem que “futuras erupções vulcânicas são inevitáveis”. As consequências dos sete vulcões activos incluem ainda “terramotos vulcânicos e emissão de gases tóxicos”.

Os investigadores da USGS criaram um mapa com as zonas mais vulneráveis, nas quais vive ou trabalha um total de 200 mil pessoas. Os vulcões Shasta, Medicine Lake e o centro vulcânico Lassen são considerados os de maior risco.

Só na zona territorial perto do vulcão Shasta vivem mais de 100 mil pessoas, que poderão ter as suas casas em risco, caso se verifique uma forte erupção vulcânica. De acordo com a LiveScience, os geólogos calculam que há uma probabilidade de 16% de, nos próximos 30 anos, uma grande erupção abalar estes territórios.

À parte do perigo da actividade vulcânica na zona da Califórnia, os investigadores determinaram, agora, que há uma probabilidade de 22% de um terramoto na famosa falha de San Andreas. De relembrar, que um estudo realizado pela USGS em 2008, previa uma probabilidade de 99% de haver um terramoto na Califórnia nos próximos 30 anos.

Mas enquanto os habitantes do estado da Califórnia vivem assombrados com a possibilidade de um terramoto ou de uma erupção vulcânica, os turistas continuam a ver a Cali como um paraíso de eleição para férias.

ZAP // LiveScience

Por ZAP
28 Fevereiro, 2019

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1566: O clima está cada vez mais selvagem (e vai piorar)

Christine Zenino / wikimedia

O clima tornou-se selvagem e irá piorar ao longo do próximo século, com o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida a causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, segundo um novo estudo.

O trabalho, publicado esta quinta-feira na revista científica Nature, é o primeiro a simular os efeitos, na situação actual, que o gelo derretido nas duas regiões polares terá nas temperaturas dos mares e nos padrões de circulação das massas de água.

“Com as actuais políticas governamentais globais estamos a caminhar para três a quatro graus de aquecimento acima dos níveis pré-industriais, fazendo com que uma quantidade significativa de gelo derretido da Gronelândia e dos campos de gelo antárcticos entre nos oceanos”, disse Nick Golledge, do Centro de Pesquisa Antárctica da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia.

O investigador acrescentou que, de acordo com os modelos usados no estudo, “o gelo derretido vai causar alterações significativas nas correntes oceânicas e mudar os níveis de aquecimento em todo o mundo”. Nick Golledge liderou uma equipa internacional de investigadores composta por cientistas da Nova Zelândia, mas também do Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos.

A equipa combinou simulações dos efeitos do degelo no clima, com observações por satélite das mudanças recentes nas camadas de gelo e criaram previsões mais precisas e confiáveis do que pode acontecer com as actuais políticas em relação ao clima.

As simulações feitas sugerem que vai haver uma subida mais rápida do nível do mar entre 2065 e 2075, e que a água resultante do degelo vai afectar as temperaturas e os padrões de circulação das águas nos oceanos, o que também vai afectar a temperatura do ar.

Os cientistas dizem que a água do mar não vai subir da mesma forma em todo o lado, mas advertem que os efeitos do degelo serão muito mais generalizados.

À medida que a água do degelo entra nos oceanos, por exemplo no Atlântico Norte, as principais correntes oceânicas, como a corrente do Golfo, serão significativamente enfraquecidas. Dizem os cientistas que isso levará a temperaturas do ar mais altas no Árctico, no leste do Canadá e na América Central e a temperaturas mais baixas no noroeste da Europa.

“O aumento do nível das águas do mar devido ao derretimento das camadas de gelo já está a acontecer e tem acelerado nos últimos anos. As nossas novas experiências mostram que ele continuará até certo ponto, mesmo que o clima da Terra estabilize. Mas elas também mostram que se reduzirmos drasticamente as emissões (de gases com efeito de estufa) podemos limitar esses futuros impactos”, disse Nick Golledge.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Fevereiro, 2019

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1556: Grande Morte. A maior extinção da Terra terá aniquilado primeiro as plantas

Pouca vida poderia suportar o cataclismo da Terra conhecido como a Grande Morte, mas as plantas podem ter morrido muito antes da maior parte das espécies animais, indica uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos (EUA). As novas descobertas podem ajudar a perceber as actuais alterações no planeta.

Há cerca de 252 milhões de anos, com a crosta continental do planeta esmagada no super-continente Pangea, os vulcões da actual Sibéria entraram em erupção, expelindo carbono e metano na atmosfera. Durante aproximadamente dois milhões de anos, esse evento ajudou a extinguir 96% da vida oceânica e 70% dos vertebrados terrestres. Foi a maior extinção da história da Terra, conhecida como a Grande Morte ou Permiano-Triássico.

Segundo avançou a Phys Org, um novo estudo recentemente divulgado sugere, contudo, que o níquel – um sub-produto da erupção – pode ter levado à extinção da vida vegetal australiana quase 400 mil anos antes que a maioria das espécies marinhas morresse.

“Esta é uma grande novidade”, disse o principal autor do estudo, Christopher Fielding, professor de ciências da Terra e da Atmosfera. “As pessoas já o tinham insinuado, mas ninguém nunca definido. Agora temos uma linha do tempo”.

Os investigadores chegaram a esta conclusão ao estudar o pólen fossilizado, a composição química e a idade da rocha, bem como as camadas de sedimentos presentes nos penhascos do sudeste da Austrália.

Nas rochas de lama da Bacia de Sidney, foram descobertas altas concentrações de níquel, “o que é surpreendente porque não há fontes locais desse elemento”, notou a equipa.

Tracy Frank, professora e presidente da departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas, disse que a descoberta aponta para a erupção de lava através de depósitos de níquel na Sibéria.

David McKelvey / Flickr
Vista de Coalcliff, em Nova Gales do Sul, Austrália, onde os investigadores descobriram evidências de que a maior extinção da Terra pode ter extinguido a vida vegetal quase 400 mil anos antes do desaparecimento das espécies de animais marinhas

Este fenómeno poderá ter convertido o níquel num aerossol que foi arrastado por milhares de quilómetros para o sul, tendo depois “descido e envenenado grande parte da vida vegetal”. Picos similares de níquel foram registados noutras partes do mundo, revelou.

“Foi uma combinação de circunstâncias”, disse Christopher Fielding, acrescentando que este “é um tema recorrente em todas as cinco grandes extinções em massa da história da Terra.”

Se for verdade, o fenómeno pode ter desencadeado uma série de outros: a morte de herbívoros pela falta de plantas e de carnívoros pela falta de herbívoros, assim como o transporte de sedimentos tóxicos para os mares, que já se recuperavam do aumento de dióxido de carbono, da acidez e das temperaturas.

Christopher Fielding e Tracy Frank, um dos três casais responsáveis pela pesquisa, encontraram outra evidência surpreendente.

Grande parte das pesquisas anteriores sobre a Grande Morte – muitas vezes conduzidas em locais próximos ao equador -, revelaram mudanças abruptas na coloração dos sedimentos depositados durante esse período.

“Mudanças de sedimentos de cor cinzenta para vermelha indicam, geralmente, que as cinzas e os gases de efeito emitidos pelo vulcão alterou o clima mundial em diversos aspectos”, disseram os pesquisadores.

No entanto, esse gradiente vermelho-cinza é muito mais gradual na Bacia de Sidney, afirmaram, sugerindo que a sua distância da erupção ajudou, inicialmente, a protegê-lo contra as intensas elevações de temperatura e acidez encontradas noutros lugares.

Embora as escala de tempo e a magnitude da Grande Morte tenham excedido as actuais crises ecológicas do planeta, Tracy Frank acredita que as semelhanças emergentes – especialmente os picos de gases de efeito estufa e o contínuo desaparecimento de espécies – fazem disso uma lição que vale a pena estudar.

“Olhar para esses eventos na história da Terra é útil porque nos permite ver o que é possível”, assegurou. “Como o sistema da Terra foi perturbado no passado? O que aconteceu em determinados locais? A que velocidade foram as mudanças? Isso nos dá uma base para trabalhar – um contexto para o que está a acontecer agora“, concluiu.

Taísa Pagno, ZAP // Phys Org

Por TP
4 Fevereiro, 2019

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1543: Iminente catástrofe global? Concentração de CO2 atinge recorde este ano

(CC0/PD) Myriams-Fotos / Pixabay

Cientistas da Universidade de Exeter, na Inglaterra, descobriram que em 2019 a concentração de dióxido de carbono na atmosfera do planeta será uma das mais altas em todo o histórico de observações.

Tanto o aumento das emissões antropogénicas como a redução da eficácia da absorção do dióxido de carbono pelos ecossistemas são causas que irão contribuir para o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera do nosso planeta. O resultado das projecções é relatado no portal Phys.org.

De acordo com os investigadores, o controlo atmosférico realizado no Observatório Mauna Loa, no Havai, mostrou que desde 1958 a concentração de dióxido de carbono na atmosfera aumentou 30%. Este aumento é causado em grande parte pelas emissões resultantes da queima de combustíveis fósseis e produção de cimento.

Grande parte dos gases de efeito de estufa são capturados por plantas – o que clarifica que, sem plantas, o aumento da concentração de dióxido de carbono seria ainda maior. Segundo a previsão, a absorção destes gases será menos eficaz este ano, o que levará a um aumento recorde de CO2 na atmosfera da Terra.

As flutuações anuais da temperatura da água no oceano Pacífico são também um factor determinante neste processo. Segundo a Sputnik News, durante os anos quentes, muitas regiões da Terra tornam-se secas e a falta de humidade afecta a capacidade das plantas de absorverem carbono da atmosfera.

No ano passado, o oceano Pacífico era mais frio. Agora em 2019, o aquecimento aumentará o teor de dióxido de carbono em cerca de 2,75 partes por milhão (ppm). Assim, a concentração média será de 411,3 ppm com um máximo de 414,7 ppm.

Todos os anos a concentração total de dióxido de carbono está a aumentar – e isso é verdadeiramente preocupante. Quanto maior é o teor de dióxido de carbono no sistema atmosfera-oceano, tanto maior é o aumento na temperatura média da Terra.

Devido ao crescente acréscimo na quantidade de energia térmica na atmosfera da Terra, até 2100 a tendência é de que haverá cada vez mais e intensos desastres naturais, erosão do solo, aumento do nível do mar e perdas significativas de produtos agrícolas.

ZAP //

Por ZAP
1 Fevereiro, 2019

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1502: Catástrofe climática avança mais rápido do que o previsto

(CC0/PD) Myriams-Fotos / Pixabay

Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, descobriram que as emissões de gases antropogénicas de efeito estufa contribuem para um aquecimento mais rápido dos oceanos do que se pensava anteriormente.

A mais recente tese da equipa da Universidade da Califórnia refuta a perspectiva de que o aquecimento global diminuiu nos últimos 30 anos.

De acordo com o artigo científico, publicado recentemente na Science, cerca de 93% da energia solar capturada pelo dióxido de carbono e outros gases é acumulada nos oceanos. Os cientistas adiantam ainda que este índice não depende de variações anuais como o El Niño (flutuações de temperatura da água na superfície do oceano Pacífico) ou de grandes erupções vulcânicas.

Os cientistas analisaram dados sobre a temperatura da água do mar nos dois mil metros superiores abaixo da superfície, a sua acidez e salinidade, recolhidos a partir de meados dos anos 2000 com ajuda de quatro mil boias automáticas do projecto Argo.

Estas boias eram capazes de descer periodicamente a uma determinada profundidade. Este trabalho permitiu aperfeiçoar os modelos existentes da mudança climática.

Desta forma, os cientistas defendem que se não forem tomadas medidas para reduzir as emissões de gases de estufa, a temperatura da água do mar na camada superior, com uma espessura de dois mil metros, aumentará 0,78 graus Celsius até ao final do século.

Por sua vez, este aquecimento elevará o nível da água do mar, devido à expansão térmica, em cerca de 30 centímetros adicionais à subida da linha costeira por causa do derretimento das geleiras. O aumento das temperaturas provocará também tempestades mais severas, furacões e precipitações extremas.

Em 2013, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas apresentou um relatório, segundo o qual o aumento real do calor nos oceanos nos últimos 30 anos é mais lento do que preveem os actuais modelos climáticos.

No entanto, as novas informações fornecidas pelo sistema Argo são consistentes com as previsões sobre o rápido aquecimento da água do mar.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
20 Janeiro, 2019

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1417: Catástrofe cósmica pode ter aniquilado tubarões pré-históricos gigantes

Mary Parrish / Wikimedia

A explosão de estrelas há 2,6 milhões de anos pode ter contribuído para a extinção em massa que varreu os oceanos pré-históricos da Terra, eliminando criaturas como o tubarão gigante conhecido como Megalodon.

Partículas cósmicas destas super-novas cobriram a superfície do planeta Terra de tal forma que podem ter causado cancro em grandes criaturas marinhas. Entre as fatalidades aparentes, encontrava-se o Megalodon – um tubarão do tamanho de um autocarro dos dias de hoje.

A teoria foi apresentada por Adrian Melott, um físico da Universidade do Kansas, nos EUA. “Não há nenhuma boa explicação para a extinção da megafauna marinha”, disse, citado pelo The Independent. “Esta pode ser uma. É essa mudança de paradigma – sabemos que algo aconteceu e, quando aconteceu, podemos pela primeira vez aprofundar e procurar as coisas de uma maneira definitiva”.

Para chegar a esta hipótese, Melott baseou-se no seu conhecimento sobre super-novas históricas e evidências do impacto que tiveram na Terra. Os antigos depósitos no leito do mar de isótopos de ferro – formas radioactivas de ferro – forneceram uma pista crucial.

As conclusões foram publicadas na revista Astrobiology a 12 de Dezembro. Melott afirmou que não havia outra forma de estes materiais chegarem à Terra, excepto devido a explosões de super-nova.

Mais apoio veio da estrutura do universo circundante. A Terra fica perto de algo chamado “Bolha Local” – uma enorme região de gás quente e denso que os astrónomos pensam que resultou de uma série de explosões de super-novas – a explosão de estrelas que atingiram o fim da sua vida. Devido à estrutura desta bolha, é possível que a Terra tenha sido banhada por raios cósmicos.

Durante este tempo, partículas chamadas “múons” teriam caído em grande número na superfície do planeta. Muóns – partículas elementares semelhantes a electrões muito pesados – penetram profundamente as criaturas vivas, incluindo humanos, e são responsáveis por cerca de um quinto da dose de radiação que recebemos.

Geralmente, isto não seria um grande problema. Porém, ao aumentar a exposição aos múons, os investigadores consideram que a radiação poderia ter levado a um aumento das taxas de mutação e cancro. Os maiores animais podem ter sido especialmente susceptíveis, uma vez que seriam atingidos por uma maior dose de radiação.

“Estimamos que a taxa de cancro aumentaria em cerca de 50% para algo do tamanho de um ser humano – e quanto maior, pior seria”, disse Melott. Isto poderia explicar porque é que o Megalodon, bem como um terço de outras grandes criaturas do mar, não conseguiu sobreviver na época seguinte da história do planeta, o Plistoceno.

Os eventos de extinção em massa estão ligados a mudanças climáticas drásticas. Embora raios cósmicos que bombardeiam a atmosfera também possam estar ligados a um clima em mudança, os autores admitem que esta é “uma afirmação controversa”.

ZAP // Phys

Por ZAP
15 Dezembro, 2018

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948: Terra deverá atingir o ponto de não retorno em 2035

Investigadores avisam que o mundo tem que mudar rapidamente para as energias renováveis e alertam que o prazo para impedir que o aquecimento global aumente a temperatura em mais de 1,5ºC já passou

O planeta Terra está a caminhar rapidamente para um ponto de não retorno, a menos que sejam tomadas medidas urgentes, avisa um grupo de cientistas num estudo publicado, esta quinta-feira, no Earth System Dynamics, publicação da União Europeia das Geociências. Segundo eles esse ponto de não retorno poderá chegar até antes de 2035.

“No nosso estudo mostramos que há prazos estritos para agir. Concluímos que resta muito pouco tempo antes que as metas de Paris se tornem impraticáveis mesmo com as estratégias de redução de emissões”, disse Henk Dijkstra, professor da Universidade de Utrecht na Holanda e um dos autores do estudo intitulado “The point of no return for climate action: effects of climate uncertainty and risk tolerance” (ponto de não retorno para uma acção sobre o clima: efeitos da incerteza do clima e riscos da tolerância).

O Acordo de Paris, do qual Donald Trump retirou os EUA, estabelece que se mantenha o aumento da temperatura média global abaixo dos 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial e limitar o aumento de 1,5ºC. Vários outros estudos e vários outros cientistas têm alertado no mesmo sentido de que o tempo urge e que o que está a ser feito não é suficiente nem suficientemente rápido.

Os cientistas envolvidos neste estudo agora publicado calcularam a rapidez com que o mundo teria que abraçar as energias renováveis para conseguir travar os efeitos das alterações climáticas e chegaram à data de 2035. Assim, para evitar o impacto de alterações climáticas que poderiam desencadear catástrofes que deixariam o planeta inabitável, o mundo teria que viver das renováveis.

Ao dar essa data limite, sublinham os investigadores, podem até estar a ser demasiado optimistas.

Diário de Notícias
DN
31 Agosto 2018 — 12:43

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original)

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