1933: Cataclismo cósmico na vizinhança do Sistema Solar pode ter brindado a Terra com metais preciosos

NASA Goddard

Uma nova investigação, levada a a cabo por cientistas norte-americanos, sugere que uma violenta colisão entre duas estrelas de neutrões há 4,6 milhões de anos brindou a Terra com metais preciosos. O novo estudo pode abrir portas para melhor compreender a formação e composição do Sistema Solar.

De acordo com a publicação, cujos resultados foram na passada semana publicados na revista científica especializada Nature, este evento cósmico único, que ocorreu na vizinhança do Sistema Solar, deu origem a 0,3% dos elementos mais pesados da Terra, que incluem outro, platina e urânio.

“Os resultados significam que cada um de nós encontrou o valor de uma pestana destes elementos, principalmente na forma de iodo, que é essencial para a vida”, explicou o astrofísico Imre Bartos, da Universidade da Florida, nos Estados Unidos, que liderou o estudo em parceria com o especialista Szabolcs Marka, da Universidade de Columbia.

“Um anel de casamento, que expressa uma conexão humana profunda, é também uma conexão com o nosso passado cósmico ainda antes da Humanidade e da formação da Terra, com cerca de 10 miligramas daqueles que, provavelmente, se formaram há 4,6 mil milhões de anos”, acrescentou o cientista, citado em comunicado.

Bartos frisou que os “meteoritos formados no início do Sistema Solar carregam traços de isótopos radioactivos” e, por isso, completou Marka, são importantes para rastrear o momento em que foram criados, uma vez que “à medida que estes isótopos se vão partindo, agem como relógios” que podem apontar para o momento da sua génese.

Para chegar a esta conclusão, Bartos e Marka compararam a composição dos meteoritos com as simulações numéricas da Via Láctea. Os astrofísicos descobriram que uma única colisão de estrelas de neutrões poderia ter ocorrido 100 milhões de anos antes da formação da Terra, na vizinhança do Sistema Solar, a cerca de 1.000 anos-luz da nuvem de gás que eventualmente formou o Sistema Solar.

A Via Láctea tem um diâmetro de 100.000 anos luz – 100 vezes a distância deste evento cósmico que ocorreu no berço da Terra. “Se um evento semelhante ocorresse hoje em dia a uma distância semelhante do Sistema Solar, a radiação resultante poderia eclipsar todo o céu nocturno”, referiu Marka, ilustrando a dimensão do evento cósmico.

Os astrofísicos acreditam que a sua investigação traz novas e importantes formações sobre um fenómeno singular e importante para a história da Humanidade. “[A investigação] lança luz sobre os processos envolvidos na origem e composição do nosso Sistema Solar e irá um novo tipo de investigação em várias disciplinas, como Química, Biologia e Geologia, para resolver o quebra-cabeça cósmico”, rematou Bartos.

Apesar de a investigação fornecer novas evidências sobre o berço da Terra, ficam ainda por responder várias questões antigas. “Os nosso resultados abordam a procura fundamental da Humanidade: de onde viemos e para onde vamos? É muito difícil descrever as tremendas emoções que sentimos quando percebemos o que tínhamos encontrado e o que significa para o futuro enquanto continuámos a procurar uma explicação para o nosso lugar no Universo”, completou Marka.

Pensar num evento cósmico catastrófico como a origem de uma aliança de casamento pode parecer estranho, mas estes elementos pesados – onde se incluem, para além do ouro, o plutónio e outros elementos mais pesados do que o ferro – só podem ser fruto de um evento extremo do Cosmos.

Tal como explica o portal Live Sicence, estes elementos pesados são resultado de um processo de captura rápida de neutrões – também conhecido como processo r -, no qual um núcleo atómico aglomera-se rapidamente num grupo de neutrões livres antes que o seu núcleo tenha tempo decair radio-activamente.

O fenómeno pode ocorrer durante dois tipos de eventos: explosões de super-novas ou colisão entre estrelas de neutrões. Apesar de os “pais” dos metais preciosos estarem há anos identificados, os cientistas continuam a dividir-se sobre qual dos dois processos é o responsável pela produção de elementos pesados no Universo.

Para já, a culpa ficará solteira.

SA, ZAP //

Por SA
7 Maio, 2019

artigo relacionado: Livescience

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1556: Grande Morte. A maior extinção da Terra terá aniquilado primeiro as plantas

Pouca vida poderia suportar o cataclismo da Terra conhecido como a Grande Morte, mas as plantas podem ter morrido muito antes da maior parte das espécies animais, indica uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Nebraska-Lincoln, nos Estados Unidos (EUA). As novas descobertas podem ajudar a perceber as actuais alterações no planeta.

Há cerca de 252 milhões de anos, com a crosta continental do planeta esmagada no super-continente Pangea, os vulcões da actual Sibéria entraram em erupção, expelindo carbono e metano na atmosfera. Durante aproximadamente dois milhões de anos, esse evento ajudou a extinguir 96% da vida oceânica e 70% dos vertebrados terrestres. Foi a maior extinção da história da Terra, conhecida como a Grande Morte ou Permiano-Triássico.

Segundo avançou a Phys Org, um novo estudo recentemente divulgado sugere, contudo, que o níquel – um sub-produto da erupção – pode ter levado à extinção da vida vegetal australiana quase 400 mil anos antes que a maioria das espécies marinhas morresse.

“Esta é uma grande novidade”, disse o principal autor do estudo, Christopher Fielding, professor de ciências da Terra e da Atmosfera. “As pessoas já o tinham insinuado, mas ninguém nunca definido. Agora temos uma linha do tempo”.

Os investigadores chegaram a esta conclusão ao estudar o pólen fossilizado, a composição química e a idade da rocha, bem como as camadas de sedimentos presentes nos penhascos do sudeste da Austrália.

Nas rochas de lama da Bacia de Sidney, foram descobertas altas concentrações de níquel, “o que é surpreendente porque não há fontes locais desse elemento”, notou a equipa.

Tracy Frank, professora e presidente da departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas, disse que a descoberta aponta para a erupção de lava através de depósitos de níquel na Sibéria.

David McKelvey / Flickr
Vista de Coalcliff, em Nova Gales do Sul, Austrália, onde os investigadores descobriram evidências de que a maior extinção da Terra pode ter extinguido a vida vegetal quase 400 mil anos antes do desaparecimento das espécies de animais marinhas

Este fenómeno poderá ter convertido o níquel num aerossol que foi arrastado por milhares de quilómetros para o sul, tendo depois “descido e envenenado grande parte da vida vegetal”. Picos similares de níquel foram registados noutras partes do mundo, revelou.

“Foi uma combinação de circunstâncias”, disse Christopher Fielding, acrescentando que este “é um tema recorrente em todas as cinco grandes extinções em massa da história da Terra.”

Se for verdade, o fenómeno pode ter desencadeado uma série de outros: a morte de herbívoros pela falta de plantas e de carnívoros pela falta de herbívoros, assim como o transporte de sedimentos tóxicos para os mares, que já se recuperavam do aumento de dióxido de carbono, da acidez e das temperaturas.

Christopher Fielding e Tracy Frank, um dos três casais responsáveis pela pesquisa, encontraram outra evidência surpreendente.

Grande parte das pesquisas anteriores sobre a Grande Morte – muitas vezes conduzidas em locais próximos ao equador -, revelaram mudanças abruptas na coloração dos sedimentos depositados durante esse período.

“Mudanças de sedimentos de cor cinzenta para vermelha indicam, geralmente, que as cinzas e os gases de efeito emitidos pelo vulcão alterou o clima mundial em diversos aspectos”, disseram os pesquisadores.

No entanto, esse gradiente vermelho-cinza é muito mais gradual na Bacia de Sidney, afirmaram, sugerindo que a sua distância da erupção ajudou, inicialmente, a protegê-lo contra as intensas elevações de temperatura e acidez encontradas noutros lugares.

Embora as escala de tempo e a magnitude da Grande Morte tenham excedido as actuais crises ecológicas do planeta, Tracy Frank acredita que as semelhanças emergentes – especialmente os picos de gases de efeito estufa e o contínuo desaparecimento de espécies – fazem disso uma lição que vale a pena estudar.

“Olhar para esses eventos na história da Terra é útil porque nos permite ver o que é possível”, assegurou. “Como o sistema da Terra foi perturbado no passado? O que aconteceu em determinados locais? A que velocidade foram as mudanças? Isso nos dá uma base para trabalhar – um contexto para o que está a acontecer agora“, concluiu.

Taísa Pagno, ZAP // Phys Org

Por TP
4 Fevereiro, 2019

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793: Cientistas norte-americanos prevêem fortes cataclismos no Leste da Rússia

NASA GISS Scientific Visualization Studio

Um grupo de cientistas norte-americanos, após analisar dados de satélite e de observação ao longo de 38 anos, estabeleceu que o aquecimento global provocado pelo homem pode levar a um aumento da frequência e da força dos desastres naturais nas zonas orientais da Rússia e na Mongólia.

Um grupo de investigadores determinou que o impacto humano na troposfera, a camada mais baixa da atmosfera, afectou significativamente o ciclo da temperatura da Terra.

Os autores do novo estudo, que foi publicado a semana passada na revista Science, estudaram vários modelos teóricos que descrevem o estado do clima antes e depois da Revolução Industrial.

Os cientistas revelaram padrões característicos de flutuações sazonais de temperatura. Em seguida, compararam estes padrões com os dados das medições de temperatura na troposfera de 1979 a 2016, efectuadas por satélites, tendo estudado a diferença entre as temperaturas mínima e máxima de cada ano.

Em resultado desta análise, cientistas do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, liderados por Benjamin Santer, descobriram que o maior contraste entre o inverno e o verão acontece nas latitudes médias do Hemisfério Norte.

Esta diferença é muito menor nos trópicos e as flutuações mais modestas são características da Antárctida.

Além disso, a diferença entre as temperaturas de inverno e de verão em algumas áreas do Hemisfério Norte foi significativamente maior do que os modelos previam. As diferenças mais fortes foram notadas na Mongólia e nas regiões orientais da Rússia.

Um aquecimento tão acentuado não pode ser explicado por factores naturais. Segundo os cientistas, a diferença entre o verão e o inverno está a aumentar devido às actividades humanas. Os investigadores acreditam que esses processos podem levar a um aumento da frequência e da força dos desastres naturais.

A partir do início do século XX, a temperatura média do ar aumentou 0,74 graus Celsius, cerca de dois terços do aumento ocorreu depois de 1980. Cada uma das últimas três décadas foi mais quente do que a anterior, a temperatura do ar foi maior do que em qualquer década desde 1850.

Baseado nos modelos climáticos, a magnitude provável do aumento da temperatura durante o século XXI será de 1,1 a 2,9 graus Celsius em caso de emissões mínimas para a atmosfera e 2,4-6,4 Celsius em caso de emissões máximas.

“O que estamos a observar são evidências profundas do impacto humano no clima, não apenas nas temperaturas anuais, mas também nos ciclos climáticos”, concluiu Santer.

Por SN
24 Julho, 2018

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