2059: Estrela zombie nasce após rara colisão entre anãs brancas

(dr) Gvaramadze et al / Nature 2019

Cientistas da Universidade de Bonn, na Alemanha, e da Academia de Ciências da Rússia encontraram uma rara estrela entre as nuvens de gás a 10.000 anos-luz da Terra.

A estrela incomum, conhecida como J005311, surgiu muito provavelmente a partir do seu cataclismo cósmico depois da colisão de duas estrelas mortas na constelação de Cassiopeia. A descoberta, publicada recentemente na revista Nature, revela a natureza da exótica estrela zombie e as suas propriedades incomuns.

Para fazer a observação, a equipa utilizou o telescópio espacial Wide-field Survey Explorer, da NASA, e um telescópio terrestre do Observatório Astrofísico Especial da Rússia.

Quando uma estrela pequena esgota o seu combustível, transforma-se numa “anã branca”, ou seja, uma pequena e densa estrela morta. No entanto, os cientistas analisaram a radiação emitida pela estranha estrela e descobriram que não possuía hidrogénio nem hélio, elementos geralmente presentes numa anã branca.

Graças a um sinal emitido pela J005311, os astrónomos suspeitam ter detectado o resultado daquilo que pensam ter sido uma fusão cósmica entre duas anãs brancas que circulavam entre si há milhares de milhões de anos.

“Este é um evento extremamente raro”, explicou Gotz Grafener, co-autor do artigo científico, num relatório divulgado recentemente, no qual adianta ainda que há menos de meia dúzia de objectos como este na Via Láctea.

Habitualmente, colisões entre anãs brancas terminam em grandes explosões estelares, chamadas de super-novas. O curioso é que a J005311 não explodiu – pelo contrário, foi reanimada e começou a queimar novamente.

Este evento, que deixou os cientistas muito surpreendidos, atrasou apenas a morte da estrela alguns milhares de anos, já que o seu destino não pode ser outro: ela irá, eventualmente, morrer. Assim como da primeira vez, a sua vida chegará ao fim no exacto momento em que esgotar todo o seu combustível.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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1086: Astrónomos descobrem estrela morta que não deveria existir

Na constelação Cassiopeia há uma estrela morta que não deveria existir. A estrela de neutrões, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

A cerca de 24 mil anos-luz, na constelação de Cassiopeia, mora uma estrela de neutrões que não deveria existir, pelo menos tendo em conta o modelo actual. Esta estrela morta, que acumula material de um companheiro binário muito maior, está a expelir jactos relativísticos.

Esta estrela tem um campo magnético muito forte – característica muito incomum, dado que, até hoje, os jactos relativísticos só foram observados em estrelas de neutrões com campos magnéticos mil vezes mais fracos.

Uma estrela de neutrões é o ponto final de uma estrela massiva que, um dia, foi uma super-nova. A maior parte do material da estrela explode no espaço, enquanto o núcleo colapsa em si mesmo, tornando-se num objecto super-denso com tamanha gravidade. Se a massa for abaixo de três vezes a massa do Sol, torna-se uma estrela de neutrões com cerca de 10 a 20 quilómetros de diâmetro; caso contrário, torna-se um buraco negro.

Este colapso do núcleo tem um efeito no campo magnético da estrela de neutrões, isto é, faz com que o campo magnético da estrela aumente muito a sua força, tornando-se biliões de vezes maior do que o Sol; mas depois, gradualmente, enfraquece novamente durante centenas de milhares de anos, explicou o astrónomo James Miller-Jones, da Curtin University e do Centro Internacional de Investigação em Radioastronomia (ICRAR).

A estrela em causa é parte de um sistema binário chamado Swift J0243.6 + 6124, descoberto em Outubro de 2017 pelo Swift Observatory. Os jactos não são novidade, até porque são fluxos de radiação e partículas muito conhecidos no Universo. No entanto, realça o cientista, “o forte campo magnético da estrela de neutrões é uma excepção”.

“O espectro de rádio do Swift J0243 é o mesmo de jactos de outras fontes e evolui da mesma maneira”, disse Van den Eijnden. “Pela primeira vez, observamos um jacto de uma estrela de neutrões com um forte campo magnético.” As conclusões foram publicadas recentemente na revista Nature.

Aliás, não é um campo magnético forte qualquer: o campo magnético ao redor Swift J0243.6 + 6124 da estrela de neutrões é de 10 biliões de vezes mais forte do que o do Sol. Esta característica desmente a teoria do campo magnético sobre a supressão de jactos e apela a uma nova investigação em torno de como são produzidos e lançados os jactos.

Até agora, pensava-se que os jactos das estrelas de neutrões eram canalizados a partir do campo magnético na parte interna do disco de acreção. Mas se o campo magnético for muito forte, poderia impedir o disco de ficar perto o suficiente para serem desencadeados. Excepto se esta nova descoberta colocar tudo o que sabíamos até hoje no lixo.

“Não sabemos qual a explicação. Mas, independentemente disso, a nossa descoberta é um grande exemplo de como a ciência funciona, com teorias a serem desenvolvidas e constantemente revistas à luz de novos resultados experimentais”, conclui Van den Eijnden.

Por ZAP
29 Setembro, 2018

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37: Astrónomos descobrem estrela que “devorou” planetas gémeos da Terra

M. Garlick / Universidade de Warwick / ESO

Cientistas descobriram na constelação de Cassiopeia um estranho par de estrelas, uma das quais na sua vida passada teria absorvido cerca de uma dúzia de planetas semelhantes à Terra.

As estrelas podem de vez em quando destruir e “comer” os planetas que os orbitam. Isso pode acontecer quando os planetas acabam de nascer ou no fim da vida das estrelas, quando a camada exterior se expande e cobre os planetas, e mesmo após a morte da estrela, quando esta se torna uma anã branca ou estrela de neutrões.

Antigamente, os cientistas não prestavam atenção a esses processos, já que acreditavam que estes não causavam mudanças significativas na aparência e comportamento das estrelas.

Só mais recentemente, os planetólogos descobriram que, depois de “comerem” os planetas, as anãs brancas e as estrelas de neutrões mudam de aspecto exterior, enquanto as estrelas convencionais podem mudar de modo radical de comportamento, tornando-se maiores e menos brilhantes.

O especialista Semyeong Oh, da Universidade de Princeton (EUA), e os seus colegas encontraram um dos exemplos mais extraordinários do tal “canibalismo” espacial – o par de estrelas HD 240430 и HD 240429, recém-descobertas na constelação de Cassiopeia (também conhecida como Tamaquaré e Taquaré).

De acordo com os cientistas, estes astros são quase iguais. Formaram-se há cerca de 4 mil milhões de anos atrás e, desde então, têm viajado pelo espaço em conjunto, situados a apenas dois anos-luz um do outro.

Os astrónomos acreditam que as estrelas façam parte de um sistema estelar duplo, cujos elementos se comportam de forma diferente de outros pares de estrelas.

Os especialistas tentaram verificá-lo e encontraram uma característica estranha neste par de astros. O núcleo da primeira estrela contém muitos mais “metais”, elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio, do que a sua vizinha, conforme o artigo publicado na biblioteca virtual da Cornell University.

Titãs espaciais

Geralmente, essas diferenças indicam que as estrelas ter-se-iam formado em partes diferentes da galáxia. No entanto, o tamanho e a idade semelhantes das duas estrelas sugere o contrário.

Semyeong Oh e os seus colegas descobriram que este paradoxo “impossível” deve-se ao fato de uma das estrelas ter “comido” mais de uma dezena de planetas parecidos com a Terra, cuja massa total dos corpos “devorados” é 15 vezes maior que a da Terra. A estrela foi chamada Cronos, em homenagem ao titã na mitologia grega que devorava os filhos.

Como é que isso poderia ter acontecido? Segundo os cientistas, recentemente, Cronos e o irmão Crio ter-se-iam aproximado de outra estrela, cuja gravidade desestabilizou os sistemas planetários. Como resultado, uma parte ou mesmo todos os planetas foram absorvidos por Cronos.

Neste momento, os astrónomos estão à procura de planetas nos arredores deste sistema estelar que possam ter sofrido este cataclismo. Caso sejam descobertos, ajudarão a entender como é que Cronos “comeu” os seus “filhos”.

ZAP // Sputnik News

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